Capítulo Trinta e Seis

Under Pressure

(Sob Pressão)

Arthur colocou uma mão na lateral da lareira e se ergueu, os joelhos estalando quando ele o fez.

- Estou ficando muito velho para isso. – ele murmurou, esticando os músculos tensos de suas costas. Ele foi até a cozinha e se sentou em uma das cadeiras. – Foram todos. – disse cansadamente. – Ron disse que vai ligar para Hermione na casa da mãe dela, e tentar ficar lá por algumas horas para que Hermione possa ir ao hospital amanhã. Os outros vão tentar ir quando puderem.

- Tudo bem. – Molly disse, direcionando os preparativos do jantar. – Precisamos ir buscar roupas para as crianças. – ela suspirou.

- Eu vou. – Arthur se levantou e foi até a porta dos fundos, colocando um braço dentro da lavanderia para pegar uma mala. Ele olhou para fora da janela. Lily estava sentada na grama sob uma árvore; os joelhos encolhidos contra o peito, o queixo apoiado neles, e seu coelho de pelúcia sob um braço. As orelhas marrons estavam inclinadas sobre sua cabeça de modo cômico, fazendo cocegas em sua orelha, mas ela não parecia notar. – Vou levar Lily comigo.

- Certo. – Molly acenou a varinha para o armário, mandando uma pilha de pratos para a mesa. Ela observou Arthur parar na macieira, oferecendo uma mão para Lily. Imediatamente, Lily pegou a mão dele, e os dois atravessaram o portão do jardim, desaparecendo um momento depois. Ela foi até o sótão, onde James estava deitado na cama, as mãos atrás da cabeça, olhando para as sombras brincando no teto. – O jantar ficará pronto logo. – ela disse. James apenas assentiu. Molly suspirou e se acomodou na ponta da cama, acariciando o cabelo bagunçado de James, sorrindo quando as mechas voltaram para o mesmo lugar. Não importava o que James fizesse, seu cabelo se recusava a abaixar. Como o do pai dele...

James olhou feio para Molly.

- O quê? – ele perguntou.

Sem deixar se perturbar, Molly se acomodou mais na cama. Adolescentes mau humorados não eram novidade.

- Não é por que você foi ao hospital essa manhã. – ela disse. – É que você apenas deixou um bilhete dizendo que estava saindo.

- Você teria me deixado ir ver o papai sozinho? – ele desafiou.

- Poderia ter deixado. – Molly cedeu.

James se deitou de lado, dando as costas para sua avó.

- Só precisava ver o papai.

- Eu entendo. – Molly disse gentilmente. – Mas o fato é que você não me disse onde estava indo. Isso foi muito irresponsável da sua parte.

- Mas eu deixei um bilhete! – James protestou, se sentando.

Os lábios de Molly se torceram.

- Quanto a isso, você fez muito mais que seus tios George, Fred e Ron. Eles saíram de casa escondidos uma noite, para usar o carro voador de seu avô, para ir buscar seu pai na casa dos parentes trouxas dele. Nem tiveram a cortesia de deixar um bilhete. – ela fungou. – Então, já que está ficando aqui, você não sai do jardim ou dos estábulos sem minha permissão ou a de seu avô.

- Vó! Isso é completamente desnecessário! – James quase gritou.

Molly ergueu uma sobrancelha em censura.

- Eu posso te confinar à casa, sabe. – ela disse calmamente. – Como eu disse essa manhã, tudo o que tinha que fazer era pedir.

James se jogou contra o colchão.

- Ótimo. – ele resmungou.

- E você vai lavar a louça depois do jantar. – Molly adicionou. Os olhos de James se alegraram. Ele podia fazer magia n'A Toca sem ser notado durante as férias de verão. Os lábios de Molly se torceram novamente. Ela sabia exatamente o que ele estava pensando. – Sem magia.

- Ah, put... – James fechou os lábios, olhando para a varinha no avental de Molly. Ainda conseguia sentir o gosto do sabão que ela usara para lavar a boca de Rose e a sua, há alguns anos. – Certo.

Molly deu um tapinha no joelho de James e saiu da cama. Ela começou a sair do quarto, mas se virou quando estava na porta.

- James, por que não foi ver seu pai novamente?

James deu de ombros.

- Não gosto de hospitais. – ele murmurou.

Os olhos de Molly se cerraram, enquanto ela observava James se encolher, deitado de lado, encarando a parede. James já tinha ido ao St. Mungos antes. Não parecia o incomodar.

-x-

Ginny se inclinou sobre a cama, afastando o cabelo de Harry da testa, antes de pressionar um beijo no local.

- Vou voltar logo cedo. – ela prometeu. – Talvez, antes, eu passe em casa e traga seu livro comigo. Podemos lê-lo juntos. – seus dedos apertaram os dele, e ela olhou para o Curandeiro parado na porta. – Se ele acordar, eu quero ser avisada imediatamente.

O jovem Curandeiro assentiu.

- Sim, senhora.

Ginny pendurou a bolsa no ombro e deu um último beijo na bochecha de Harry, antes de sair do quarto e ir até a sala de espera. Parou no meio de um passo quando viu Bill esparramado em uma das cadeiras, a última edição de Contra Feitiços na mão.

- Bill, que diabos está fazendo aqui?

Bill olhou por cima da revista.

- Papai chamou essa tarde. Pensei que você podia precisar de apoio moral, mas aquele Auror guardando as portas duplas não me deixou passar.

Ginny piscou algumas vezes.

- Isso é ridículo. – ela resmungou. – Eles sabem que você é da família.

- Ele tem uma lista. – Bill disse com desgosto. – Quando Percy começou a treinar Aurores?

- Nunca, até onde eu sei. – Ginny respondeu. Olhou para as portas duplas e viu o Auror desconhecido. – Deve ser um novato, ainda no programa de treinamento. – ela disse em voz baixa para Bill. – Parece aterrorizado.

- Eles deixam qualquer um virar Auror hoje em dia. – Bill rosnou, mostrando os dentes para o treineiro em um sorriso feroz.

- Pare com isso. – Ginny repreendeu suavemente, dando um tapa na parte de trás da cabeça de Bill. – Você vai fazer ele se molhar todo. – ela caminhou até o treineiro. – Olá. Sou Ginny Potter. Eu vou te dar uma lista de pessoa que podem entrar no quarto de Harry quando quiserem. Entendeu? – ela olhou secamente para o treineiro, de um modo que aperfeiçoara em James.

- Uh... Certo...

- Certo. – Ginny respirou fundo. – Tente acompanhar... Arthur Weasley, Molly Weasley, Andromeda Tonks, Ted Lupin, William Weasley, Fleur Weasley, Victoire Weasley, Madeline Weasley, Alexander Wesley, Nicholas Weasley, Charles Weasley, Bronwyn Rhys-Weasley, Isabella Weasley, Aiden Weasley, Owen Weasley, Percival Weasley, Penelope Weasley, Parker Weasley, Patrick Weasley, Peyton Weasley, George Weasley, Katherine Weasley, Frederick Weasley, Jacob Weasley, Sophia Weasley, Ronald Weasley, Hermione Granger-Weasley, Rose Weasley, Hugo Weasley, James Potter, Albus Potter e Lily Potter. – Ginny pausou para permitir que o jovem homem terminasse de escrever os nomes na lista. – Oh, e Neville e Hannah Longbottom, e Rafael Moreno e Gareth Shacklebolt. – ela sorriu com doçura doentia. – Alguma pergunta?

- N-n-não.

- Brilhante. – Ginny se virou e voltou até onde Bill estava. – Pronto. Eu fui "oficial" e usei os nomes de verdade, então você está lá como William.

- Obrigado. – Bill disse secamente.

- Estou na casa da mamãe e do papai se algo acontecer, certo?

- Eu chamo se algo acontecer. – Bill disse.

- Obrigada, Bill. – Ginny pegou um punhado de pó de flu e o jogou na lareira. Entrou nas chamas esmeraldas. – A Toca.

-x-

James sorriu sem humor, enquanto a chuva batia no telhado da casa. Combinava com seu humor. Ginny tinha voltado do hospital há algumas horas, mas ela estivera distraída, incessantemente girando a aliança de casamento de Harry ao redor de seu dedão. Ela olhara para o nada, não os ignorando de verdade, mas sem ser capaz de se focar em qualquer coisa a sua volta.

Ele ergueu a cabeça quando ouviu um bater suave na porta. Ela se abriu para revelar Lily, apertando seu coelho de pelúcia gasto, o cobertor de sua cama se arrastando atrás dela.

- James? – fungou. – Posso... – fungou. – Dormir com você? – e fungou mais duas vezes.

- Por quê?

Lily abriu e fechou a boca algumas vezes.

- Não gosto do trovão. – ela disse tristemente.

James abriu a boca para negar, mas afastou o cobertor.

- Vem. – ele disse rispidamente. Ele sabia que era mentira. Lily não tinha medo de muita coisa. Ela brincava no jardim dos fundos durante tempestades até que seus lábios ficassem azuis e Ginny ou Harry tivessem que forçá-la a entrar. Lily quase tropeçou em seu cobertor quando correu até a cama e subiu. James prendeu o cobertor ao redor dela. – Não comece a falar. – ele a avisou. – Isso não é a droga de uma festa de pijama.

- Okay. – Lily fungou algumas vezes, tentando se acomodar na cama.

James aguentou isso com o que achou ser uma paciência anormal, até que não conseguiu mais aguentar ter seu estômago cutucado.

- Pare com isso, Lily!

Lily congelou.

- Desculpe... – ela começou a torcer uma das orelhas do coelho. – James?

- O quê?

- E se o papai...? – Lily parou de falar.

- E se o papai o quê?

Lily engoliu.

- Morrer. – ela sussurrou.

- Quieta, Lily. – James lhe disse. – Isso não vai acontecer.

- Você não sabe disso! – Lily quase gritou, se sentando.

- Shhhh! – James sibilou, colocando uma mão sobre a boca de Lily. – Você vai acordar todo mundo. – os olhos largos e marrons de Lily se cerraram sobre a borda da mão de James, e ela lambeu a palma dele. – Ecaaaa. – James secou a mão nas costas do pijama de Lily, enojado.

- Bem, não coloque sua mão sobre minha boca. – Lily disse arrogantemente.

- O papai não vai morrer, está bem? – James insistiu.

- Por quê? Por que você está dizendo? – Lily zombou.

- Ei... - James olhou para a porta. Al estava parado lá, carregando seu travesseiro e um cobertor. – Posso dormir aqui?

James girou os olhos.

- Mesmo?

- James, por favor... – Al brincou com a barra de sua camiseta, desconfortavelmente mudando o peso de um pé para o outro.

- Certo... – James suspirou e se deitou. – Vocês dois podem apenas dormir?

Al cutucou o cobertor abandonado de Lily com um pé.

- Lils, você vai usar?

- Não. – ela já estava se afundando no travesseiro de James.

Al esticou o coberto de Lily no chão e derrubou seu travesseiro em cima dele. Ele se acomodou no cobertor e enrolou seu cobertor ao redor do corpo.

- 'Noite...

-x-

Ginny estava deitada em sua antiga cama, olhando para o teto, imaginando se ainda era muito cedo para se levantar e voltar ao hospital. Tinham se passado quatro dias desde que Shacklebolt tinha aparecido em sua porta, e Harry estava tão perto de acordar quanto no primeiro dia. O desespero que sentira no momento em que entrara naquele quarto ameaçadoramente silencioso estava começando a escapar. As crianças tinham notado. Al e Lily tinham começado a ir dormir no sótão com James, que não parecia se importar com a companhia. Isso, mais do que as ações deles, que deixou Ginny saber que não estava os enganando mais do que estava enganando a si mesma.

Al, que era normalmente mais quieto do que James ou Lily, estava ainda mais quieto que o normal. Ele se juntava à ela no quarto de Harry pelo tempo que lhe era permitido, mas passava a maior parte desse tempo com os lábios crispados, olhando para o painel, contando os batimentos do pulso de Harry. Lily contava as gotas dos frascos de poções suspensos sobre a cama, fazendo milhares de perguntas sobre o que cada poção fazia. Ainda mais alarmante, a carta de Hogwarts dela chegara no dia anterior e, além de um pequeno sorriso, Lily não a mencionara para ninguém. E James... Ginny esfregou as mãos no rosto. James ia ao hospital com Molly e Arthur, mas se recusava a passar pelas portas duplas. Ele ia ao refeitório pegar chá para ela, desde que ela o encontrasse na sala de espera. Ele não queria falar sobre Harry; ele não queria que Ginny falasse sobre Harry. De fato, James não queria falar.

Os outros apareciam quando podiam. Bill, Ron ou George apareciam no começo da noite, normalmente com comida. Penny, Katie e Fleur apareciam durante o dia, carregando livros, revistas e compreensão. Bronwyn conseguira tirar alguns dias de folga na enfermaria da reserva de dragão e fora trabalhar em Harry, traduzindo o dialeto de Curandeiros para inglês. Charlie apenas se sentava com ela, não precisando falar sobre qualquer coisa — um alívio bem vindo para Ginny, que precisava do silêncio naquele momento. Hermione conseguira trocar de lugar com Ron no dia anterior e passara uma hora. Ver Hermione passar pelas portas deu esperanças à Ginny. Hermione tinha sido atingida por essa maldição quando ela tinha dezesseis anos, e tinha sobrevivido. Ela também ficara inconsciente por um longo período de tempo — mais de três dias. Ginny se lembrava de todas as poções que ela precisava tomar por meses depois. Os vários frascos apareciam ao lado de seu prato durante as refeições, para o horror de Hermione. Elas eram horríveis, com um fedor forte o bastante para remover a maior parte a sujeira das paredes da masmorra onde as aulas de poções eram ministradas. E Percy, abençoado fosse, mantinha os repórteres longe d'A Toca e do hospital. Ginny era grata por isso. Ela podia ir e vir sem ser molestada por repórteres. Teddy aparecia todos os dias. A maior parte o tempo, ele ajudava a cuidar das crianças na área de espera, mas assim que elas iam embora, ele voltava para o quarto de Harry e se sentava com Ginny até a hora que ela ia embora pela noite. Normalmente, Victoire aparecia por alguns minutos durante os intervalos entre suas aulas. Ela separava um tempo para responder as perguntas de Lily, para explicar o que eram os números no painel para Al. Normalmente, ela parava para conversar com James, mas ele apenas tinha resmungos monossílabos para oferecer como resposta.

Decidindo que o bastante era o bastante, Ginny rolou para fora da cama e pegou seu roupão na cadeira da antiga escrivaninha. Ela foi até o banheiro e entrou sob o jato quente de água, esperando que isso a ajudasse a acordar. Ela ouvira falar de trouxas que ficavam assim por anos. Ginny se perguntou se, se isso acontecesse a Harry, ela seria capaz de fazer isso todos os dias.

-x-

Al estava acomodado no parapeito da janela do quarto, observando James e Lily dormirem na cama de solteiro. Morte não era um assunto no qual Albus Potter se prendia frequentemente. Morta era um fato da vida para ele. Sua família estava cheia de mortes — os pais e padrinho de seu pai; os pais e o avô de Teddy, de quem ele herdara o nome; tio Fred. Até mesmo seus nomes. Os três tinham recebido o nome de alguém da família; James pelo avô James e Sirius; Al pelos dois últimos diretores de Hogwarts; Lily por sua avó Lily e a mãe de Teddy, Nymphadora. Al apenas aceitava a ideia de que as pessoas morriam e era isso. A questão se existia, ou não, vida após a morte — isso era algo sobre o que pensava constantemente.

Ele se perguntava sobre seu avô, o pai de Teddy e o padrinho de seu pai. Ele ouvira histórias sobre eles e suas aventuras na escola. Ele sabia que seu avô James e Sirius tinham passado quase quatro anos tentando descobrir como virarem Animagos pelo pai de Teddy. Al podia passar horas pensando se os mortos eram capazes ou não de vê-los. Eles estariam orgulhosos das coisas que seu pai realizara? Eles cuidavam deles, como Harry dizia? Quando eles eram pequenos, e o clima estava ruim, Harry costumava produzir seu patrono, prometendo ensiná-los quando eles fossem mais velhos. Todas as vezes, um cervo enorme e prateado ficava parado calmamente na sala de estar por um momento, antes de galopar ao redor da sala, parando em frente a cada um deles, cutucando suas cabeças brevemente, antes de sumir.

Al deixou sua cabeça descansar contra o vidro gelado da janela, sua respiração embaçando o vidro. Pelas manchas na janela, ele viu um flash de cabelo vermelho e esfregou a manga de sua camiseta no vidro para limpar a névoa a tempo de ver Ginny passar pelos portões e aparatar. Ela ia voltar ao hospital. Al não a culpava. Era melhor do que ficar deitado, acordado, contando as rachaduras na parede, esperando por um momento mais "apropriado" para ir. De todo modo, o hospital o fazia se sentir menos impotente. Pelo menos, lá ele sabia o que estava acontecendo.

-x-

- Ow!

- Fique parado. – Victoire disse sem sentir pena. – Se você se mexer, é mais difícil de pegar uma amostra de sangue sem machucar.

Teddy chupou o dedo machucado, olhando feio para ela.

- Precisa cutucar com tanta força?

- Sim. – Victoire ofereceu a mão altivamente.

- Eles ensinam essa atitude nas aulas de Curandeiros? – Teddy perguntou, fazendo uma careta.

- Sim. Mão, por favor.

Relutante, Teddy voltou a dar sua mão para Victoire, e ela massageou firmemente a ponta de seu dedo, antes de manter a mão dele no lugar, usando uma agulha fina e afiada para furar a ponta do dedo. Teddy sibilou em dor, mas não se moveu. Victoire segurou o dedo sobre um frasco de uma poção incolor, e apertou o dedo para que várias gotas de sangue caíssem nele. Ela colocou uma pequena bandagem trouxa sobre o pequeno ferimento, e cutucou o líquido com sua varinha, murmurando um encantamento, baixo demais para Teddy ouvir.

- O que tem que acontecer? – ele perguntou.

- Se eu fiz tudo certo, e se você for um lobisomem, vai ficar uma cor amarela doentia. Meio que como aquela meleca que sai do nariz do Nicky quando ele fica doente.

- Eca.

- De novo, tente crescer com isso. – Victoire suspirou. – Se não for um lobisomem, vai ficar azul. Quase como o lago atrás da escola.

- Quanto tempo temos que esperar?

- Apenas um minuto. – Victoire respondeu, mantendo o olho no frasco.

- E se for algo como eu ou o seu pai?

- Ainda vai ser azul. Só fica amarelo se você for capaz de transformar outras pessoas em lobisomens.

Teddy sentiu seu coração pulsar em sua garganta.

- E se virar amarelo...? – ele perguntou, tenso.

- Você tem mais sorte que o seu pai. Você vai receber a Poção Mata-Cão aqui todos os meses. E pode agradecer a tia Hermione por ajudar a passar a legislação que classifica licantropia como uma doença controlável, e não algo que automaticamente te desqualifica de participar da sociedade.

- E você? – Teddy murmurou.

- O que tem eu?

Teddy ergueu a mão e dedilhou o pequeno anel pendurado no pescoço de Victoire.

- Isso.

As sobrancelhas de Victoire se ergueram e ela balançou a cabeça.

- Não vou para lugar nenhum. – ela disse suavemente. – Independentemente da cor que ficar.

Teddy respirou fundo e inclinou a cabeça para ver sobre o ombro de Victoire. Seus olhos se fecharam brevemente, antes de abrir novamente, como que para confirmar o que estava vendo, e seus braços se enrolaram ao redor de Victoire, seu rosto escondido na curva do pescoço dela, o corpo tremendo.

A poção estava azul.

-x-

James se jogou na cadeira que começara a pensar como "sua" na área de espera. Ele conseguia ver a entrada da área de espera da Andar de Danos Causados por Magia, e as portas duplas que levavam ao quarto de seu pai, sem que precisasse virar a cabeça. Ele conseguia todo ver mundo ir e vir, se recusar a passar pelas portas quando Ginny aparecia nelas, e notar o sinal de seus avós que era hora de ir embora, com quase nenhum esforço.

Ele se recostou e esticou as pernas. Eles ficariam por algum tempo, se esses últimos quatro dias fossem alguma indicação da sua estadia. Al trouxera seu dever de verão, e James tinha tentado, mas era incapaz de se focar propriamente. Ele estava cometendo erros em sua redação de Poções que nem os alunos do primeiro ano cometeriam. Ele decidiu que era perda de tempo e tentou ler, ou fingira ler, seu livro de feitiços.

Ele viu Ginny aparecer nas portas duplas e procurou por uma desculpa. Elas estavam acabando. Ele não acha que "acho que estou ficando gripado" fosse funcionar hoje. Molly tinha lhe dado uma dose massiva de poção revigorante na noite passada, quando o entreouvira falar a Ginny que não achava que devia ir visitar Harry devido a um resfriado.

Para seu alívio, Ginny apenas correu uma mão por sua cabeça em forma de cumprimento, falando suavemente:

- Tudo certo, então?

- Sim. – Ginny assentiu e foi levar Lily até o quarto, deixando James olhando sem realmente ver a página sobre feitiços de silêncio. Ele ouviu Teddy e Victoire subirem as escadas e rapidamente se escondeu atrás do livro, tentando parecer ocupado. Nenhum deles realmente tentava forçar James a ir ver Harry, mas o fato de que ele era o único que não tinha entrado, fazia o estômago de James se revirar de culpa. Até a tia Hermione tinha conseguido sair da casa de sua mãe doente por tempo o bastante para visitar.

James ergueu os olhos quando Victoire se sentou na cadeira ao seu lado.

- Então? – ela perguntou de modo neutro.

James correu um dedo pela borda do livro, dando de ombros.

- Não é como se ele soubesse que eu estou lá. – disse.

- Talvez. – Victoire refletiu. – Eu peguei algumas revistas trouxas, só para ver o que eles dizem, e muitos deles pensam que eles podem te ouvir.

Dando de ombros, James fechou o livro com um suspiro.

- Eu só ficaria no caminho. Sabe... Aquilo tudo acontecendo...

Victoire se recostou em sua cadeira, estudando James. Ela passara tempo demais com os homens Weasley para não saber que as desculpas de James eram as mais patéticas que já ouvira. Ela também sabia que os homens Weasley podiam bater o pé quando tomavam a decisão de fazer ou não fazer algo. Eles tinham que ser convencidos a fazerem o contrário do que tinham decidido, mas apenas se achassem que tinha sido a ideia deles o tempo todo. James podia ter herdado metade de seus genes de Harry, mas ele ainda era parte Weasley.

- Todos os Curandeiros que estão trabalhando no caso do tio Harry têm uma prancheta dessas. – ela lhe mostrou a prancheta que ela carregava, acertando-a com a varinha. Um gráfico com as informações de um paciente do andar de envenenamento por poção ou plantas apareceu, onde Victoire fazia a maior parte dos estudos práticos. – Vê? Tem todas as informações que eles precisam sobre o tio Harry sem precisarem ir ao quarto.

James mordeu o lábio, mas assentiu.

Encorajada, Victoire acenou a varinha para o pergaminho novamente, e abriu as informações sobre Harry.

- Tecnicamente, não posso ter acesso a isso, mas a tia Bronwyn fez acontecer. – ela passou a prancheta para James, que a estudou com um franzir de cenho.

- O que são essas? – ele perguntou, apontando para uma lista de poções. Havia mais de vinte.

- As primeiras da lista são as que ele precisa o tempo todo. Estão reparando os danos aos nervos do ombro. É um processo bastante lento, se quiser fazê-lo corretamente. Essa aqui ajuda os músculos cortados a crescerem. Meio que como a Esquelesce, mas os músculos são um pouco mais difíceis, já que precisam ser flexíveis. Esta vai ajudar a reparar a pele para que ele não fique com uma cicatriz enorme depois. Ele ainda vai ter uma, mas não vai ser tão ruim quanto poderia ser.

"Há um desenho que mostra onde a maldição cortou no ombro dele." Victoire correu a ponta de sua varinha pelo pergaminho, fazendo a informação subir. Um pequeno desenho das costas de Harry, com um diagrama do ferimento, apareceu. "Conforme curar, irá refletir no desenho. Você pode acessar imagens anteriores para compará-las." Ela voltou para a lista de poções. "Essas duas trabalham no pulmão dele, desde que acabou sendo um pouco danificado, mas vai melhorar. E as últimas são para manter a pulsação dele regular. Mas eles estão começando a tirá-las desde que ele está aguentando cada vez mais tempo entre doses."

James olhou para a quantidade massiva de informações, brilhando levemente a sua frente.

- Por que o tubo no braço dele? Não pode apenas fazê-lo engolir?

- Podemos tentar fazer a poção descer pela garganta dele, mas é complicado e, com a situação de seu ombro, podemos causar mais danos ao tentar nos garantir de que irá descer. Teríamos que mexer demais no ombro dele. Não tem problema fazer dessa maneira. Quando ele acordar, ele pode bebê-las, como todas as outras pessoas.

- Por que ele não acordou? – James quis saber. – Honestamente.

- Eu não sei. Queria saber. – Victoire pegou a prancheta de volta. – Um dos Curandeiros, que trabalha no primeiro andar, acha que o corpo se desliga dessa maneira para que possa se focar na cura. Quem sabe?

- Mas quatro dias? – James perguntou ceticamente.

- As coisas demoram mais para sarar quando você é mais velho. – Victoire lembrou. – A tia Hermione foi atingida por essa maldição quando ela era um pouco mais velha que você. Ela ficou inconsciente por alguns dias, também. Então, não é muito tempo, realmente.

Victoire segurou o ar, esperando James processar a informação.

- Ninguém vai te forçar a ir até lá. – ela lhe disse gentilmente.

As portas se abriram, e Lily voltou a se sentar ao lado de Arthur. De repente, James se levantou e foi até Ginny.

Continua...