A Lei da Sexualidade por Rakina
Tradução: Rebecca Mae
Beta-reading da tradução: Ivich Sartre
Capítulo Trinta e Seis: As divagações de Severus
Ponto de Vista do Severus:
Mais uma vez me ajoelho em frente ao bruxo que será meu mestre. O estranho poder do garoto me desampara e tremo ao pensar em como tudo se intensificará depois da Capacitação. Ele me ergue e eu torno a me sentar.
Se ao menos Harry soubesse que é bobagem duvidar de si próprio, acreditar que eu poderia ter poderes sobre ele, quando, na verdade, o submisso sou eu. Não estou certo sequer de saber por que isto está acontecendo. Deveria ser o contrário! Eu sou o Capacitador, ele deveria submeter sua magia ao meu controle. Então por que estou tão pasmado com ele?
Sentamos, tão próximos quanto ousamos. Ele me abraça e me transmite sua força. Escuto seu coração batendo e então presto atenção no meu próprio e, depois de algum tempo, não sei dizer qual é qual. Seremos um só – estamos quase prontos. Harry diz que me ama. Ambos os meus mestres clamaram algo assim, quando lhes foi adequado. Então o que é amor? Algo diferente para cada indivíduo? E se tem um significado diferente para cada um, ele sequer existe?
E ainda assim... Alguma coisa existe, alguma coisa tão poderosa que me fez tomar essa posição humilde diante do rapaz que eu deveria influenciar. Talvez isso até aconteça, durante a Capacitação. Lembro do efeito de Lucius em mim. Quando me tomou, senti minha magia oscilando, alinhando com seu poder mais forte e mais antigo. Por um bom tempo depois, eu não conseguia discordar dele sobre nenhum assunto e isso, sem dúvida, reforçou nossa relação contínua. Agora, é claro, após anos de tentativas, acho fácil resistir e contestar como faria a qualquer outro bruxo, embora ainda haja uma força que em atrai e que me impede de feri-lo, caso tentasse.
O último ato verdadeiro e altruísta de amor que Harry recebeu foi de sua mãe, um sacrifício litigioso: dar a vida para que seu filho pudesse viver. Não há dúvidas do poder neste ato, já que por conta disso o Lorde das Trevas foi destruído, tanto quanto poderia ser. Esse poder, esse amor deteve a Maldição da Morte. Impossível! E, no entanto, aconteceu.
Nunca conheci tanto amor. Minha mãe disse me amar – dizia-me o bastante. Mesmo com todas as suas reclamações, mesmo sendo uma bruxa e meu pai simplesmente um trouxa, seu amor era tão fraco que nunca o enfrentou de frente. Era tão fraca porque temia que ele a deixasse e ninguém nunca mais a quisesse... De forma que acabou se rebaixando à tirania e desistiu de mim também. Então minha crença no amor, até onde ia, nunca tinha visto nada que valesse a pena – era só uma outra forma de fraqueza e, decididamente, algo a ser evitado.
E agora meu mundo está de pernas para o ar. Por Harry. Ele é a prova viva da força do amor verdadeiro. Não é só o recipiente do amor do sacrifício, mas emana esse amor também. Quando o Lorde das Trevas usou o corpo de Quirrel, Harry venceu-o com o mero toque de sua pele, carregada dessa força de amor. E o amor o protege tanto que o Lorde não pode possuir sua mente nem suportar a proximidade com a alma de Harry, o que parece fazê-lo mais poderoso ou, ao menos, cheio de potencial.
Desde que comecei a passar algum tempo com Harry, tive que rever meu conceito sobre amor. Nunca esperei fazê-lo, pensei que minha alma cínica fosse incapaz de acreditar em algo assim. Mas testemunhei. E existe. Sinto-o dentro deste garoto que estou segurando entre os meus braços e essa intensidade me apavora. De algumas maneiras, comecei a temer a noite da Capacitação de Harry - me pergunto se a força que se encerra dentro dele irá me consumir. Esse amor feroz e incendiário do qual Harry é cheio – do qual ele ainda não tem consciência – será libertado. É o que ele terá de volta, a menos que o amor me consuma, criatura das trevas que eu sou. Se minha magia estiver alinhada muito próxima à do Lorde, esse pode ser um risco.
Se eu rezasse a qualquer divindade, se eu acreditasse em algum deus, eu rezaria para o poder de Harry não ferir seu Capacitador. Harry Potter é uma forma única de magia: qualquer guia pode ser descartado. Ele sempre foi um caso à parte e eu deveria ser esclarecido o suficiente para não esperar que seja uma Capacitação comum. Não acho que pensei muito sobre essa posição quando aceitei sua proposta. Teria aceitado se soubesse o quanto me afetaria, se soubesse que poderia me apaixonar?
Pela primeira vez em anos, eu tenho um medo genuíno de falhar. Tenho medo de que isso seja algo que não tenho capacidade para aprender, não importando o quanto eu tente. Não tenho experiência alguma com amor, então devo dar a Harry o que tenho. O que quer que eu possua na minha alma abusada, no meu coração frio, eu darei a ele, mesmos em saber se é mesmo amor ou apenas minha própria representação zombeteira do que Harry representa. Tento visualizar como é meu amor. Perto desse poderoso e devastador que é o do rapaz, o meu é uma mortalha ao lado de uma vestimenta real. Mas pertence a ele.
Inabilidade. Sofro um espasmo ao pensar nisso. Sempre tive orgulho por sempre ter conseguido tudo que quis quando quis, sem nunca ser inábil. Oh, fui equivocado, fui maldoso – e como fui -, e fui paciente, mas nunca desejoso. Se decidia fazer alguma coisa, fazia. Continuava tentando até obter sucesso. Punha meu vasto intelecto e minha mágica forte no que queria e sempre chegava até o fim. Eu não confraternizava com o fracasso, nem com a inabilidade. Até agora.
Olho para o objeto da minha fraqueza. Para Harry, para o meu novo – e possivelmente mais forte – mestre, e admito sentir medo.
Ponto de Vista do Harry:
A noite do dia 30 de julho é quase uma tortura. Fico sentado na sala no Largo Grimmauld com Sirius e Remus. Desde que descobri que estão juntos, muitas coisas se esclareceram, incluindo a sensação de separação que sinto quando estou na companhia do dois. É claro que eles estão juntos, e se eu fosse mais experiente, teria percebido.
A cada minuto olho para o relógio, não posso evitar. E mesmo que eu queira muito, os ponteiros não andam mais depressa.
Sirius ergue a voz depois de eu checar as horas pela décima dez, às sete e meia.
"Eles não vão chegar até a meia-noite, você sabe, Harry."
É, obrigado, Sirius, estou ciente disso. Se não estivéssemos seguindo os planos de Dumbledore e se eu pudesse aparatar, eu estaria no quarto de Severus na primeira badalada da meia-noite. Ah, e se eu pudesse aparatar através dos alarmes de Hogwarts também.
"Estou esperando a meia-noite para ver se alguma coruja chega", tento.
Ambos me olham com descrença. Sou tão óbvio assim? É claro que sou. Mal posso esperar para fazer dezesseis anos e correr para Severus.
"Que tal jogar Snap Explosivo?" Remus oferece.
Balanço minha cabeça, não.
"Prefiro jogar Snape Explosivo!" Sirius murmura.
Escolho ignorar sua tentativa boba de fazer humor, única arma que ele ainda parece ter. É bastante triste, de certa maneira, ver sua derrota, sua aceitação do inevitável. Subitamente, ele parece velho. Remus sorri, sempre se esforçando. Pergunto-me se Sirius sabe a sorte que tem de ter um parceiro tão devoto.
"Harry…" Remus diz.
Olho para ele, querendo saber o que ele quer.
"Sirius e eu temos que lhe contar uma coisa."
"Não se incomode, Severus já me disse que vocês estão juntos", eu digo, e me perturbo com o sarcasmo que ouço na minha voz e os hábitos que pareço adquirir de Severus.
"Sim, presumo que você tenha percebido, depois de sábado", ele diz. "Mas não é isso que eu queria dizer. Queremos comunicar que Sirius e eu vamos consagrar nossa união. Gostaríamos muito que você, e Severus, é claro, fossem à cerimônia."
"Oh!" Minha eloqüência é presente. "Oh, certo. É. Vou perguntar pra ele. Hummm, onde essa cerimônia vai ser? Quero dizer, Sirius não pode..."
"Será em Hogwarts", Remus me diz. "Dumbledore a oficializará. Toda a Ordem estará presente, é claro."
É claro – então Severus está convidado, de qualquer forma, não como meu parceiro.
"Okay." Não posso evitar, olho para o relógio novamente. Quinze para as oito. Droga!
Sirius se levanta e vai ao armário. Volta com uma garrafa de licor e três copos.
"Quem sabe isso ajude a passar o tempo", ele diz. "Minha mãe era viciada nessas coisas, a julgar pelas garrafas lá no sótão. Sempre bebemos nos encontros da Ordem, mesmo com Mundungus querendo roubar alguns litros pra fazer negócio com centauros."
Então nos sentamos, amigavelmente o suficiente para não falarmos sobre o que o amanhã trará. Estou decidido. Remus parece ter aceitado. O licor me esquenta por dentro e parece acalmar meu estômago um pouco, então bebo vários copos. Então acalma bastante, porque adormeço no sofá.
N/B: Está chegando, pessoas...
N/T: Desculpem a demora, estive viajando.
