All of the things that I want to say

Just aren't coming out right

I'm tripping in words

You got my head spinning

I don't know where to go from here

Todas as coisas que quero dizer

Não estão saindo direito

Eu estou tropeçando nas palavras,

Você deixou minha mente girando

Eu não sei para onde ir daqui

You and Me - Lifehouse


CAPÍTULO 32 – DECISÕES PARA SEMPRE (PARTE 2)

ROBERT POV

Saí com o carro, mas ainda não estava pronto para ir para a minha casa. Tantas coisas novas pra pensar agora. Fiquei rodando por um tempo até a claridade do dia me alcançar. Eu não conseguia pensar em nada específico e em muitas coisas ao mesmo tempo. Minha vida aqui, as coisas que aconteceram e, claro, meu filho. Cheguei à conclusão que tudo tinha um sentido. Voltar e descobrir que tinha uma criança que precisava verdadeiramente de mim. Eu tinha que retomar minha vida antiga. Meu trabalho... minha vocação. Eu queria mesmo voltar a trabalhar. Quando percebi, já estava nos limites de Forks, quase saindo da cidade. Suspirei e decidi. Eu reabriria meu laboratório e voltaria para as pesquisas.

Assim que cheguei próximo de casa, visualizei uma pessoa na varanda, totalmente largada. E com uma forte dor no peito, vi que a pessoa desamparada era meu irmão. Ele estava exatamente como eu. Do mesmo modo que estava há poucos dias quando pulei do penhasco. Mas Edward não era como eu. Para ele estar do lado de fora assim... Bella! Eu o tinha deixado na casa dela ontem. O que aconteceu?

Estacionei o carro de qualquer jeito e vi que Edward estava com as mesmas roupas de ontem. E com um olhar perdido.

"Hey, cópia. O que faz aqui?"

E foi nesse momento que percebi. O olhar dele em minha direção me mostrou que ele estava... vazio. A sua dor virou a minha dor. Qualquer coisa que tivesse acontecido ontem, definitivamente destruiu meu gêmeo. Lágrimas rolaram dos seus olhos, me transformando em um monstro. Eu causei essa dor ao meu irmão. Tudo o que aconteceu foi minha culpa. Sem pensar em mais nada fui em sua direção e o abracei.

"Cara... pelo amor de Deus... me perdoe. Não fique assim".

"Ela não me quer. Eu sou um fraco." Ele parecia ainda mais perdido. Edward nem prestou atenção ao que falei. "Ela disse que queria o conto de fadas, Rob. Ela me perguntou se eu confiava nela... eu... eu não consegui responder." Mais lágrimas saíram dos seus olhos. "Ela me mandou embora da vida dela".

Bella, apesar de fazer meu irmão sofrer, estava certa. Mas que porra era essa, afinal? Por que ele não falou que confiava nela?

"Edward... você não confia nela?" Eu sabia que era uma pergunta difícil, mas eu tinha que saber.

"Eu... Oh meu Deus..." Suas mãos taparam seu rosto. "Eu fiz tudo errado... mas eu... eu contei tudo da minha vida pra ela, Rob... tudo... e ela nunca me disse... nunca falou... porra, ela me viu... e tinha você. Eu fiquei com medo de ser um... como ela mesma disse, um estepe seu".

Mas que porra! Meu irmão super confiante e determinado estava com ciúmes de mim? Neste momento desejei ardentemente não ter tirado a virgindade dela há anos atrás.

"Edward? Olhe para mim." Ele levantou o rosto e vi mais dor em seus olhos, se isso fosse possível. "Eu a magoei. Tratei Bella igual às vadias que eu comia na Europa. Ela devia me odiar mortalmente. Se fosse assim, ela nem deveria falar com você. Eu não sou uma boa lembrança para ela, tenho certeza. Então, por que você acha que seria meu estepe? Esqueceu o quanto você lutou por ela? Ou as coisas boas que ela te fez? Cristo!" Passei as mãos pelos meus cabelos. "Onde foi parar o cara maduro e cheio de si que é meu gêmeo? Isso não é você!"

Ele me olhou longamente, mas totalmente perdido. Fechando os olhos, Edward se levantou, me deu as costas e foi em direção à casa. Mas que ódio, ele ia me ignorar agora?

"Ei... to falando com você!" Falei quase rosnando.

Edward parou de costas para mim e suspirou. "Você está certo, Rob. Isso não sou eu. Mas nada muda o fato de que ela agora me odeia e que não me quer de volta".

Enquanto ele entrava, puxei meus cabelos totalmente frustrado pela sua rendição. Caralho, foi assim que fiquei quando Kristen me abandonou? Eu tinha que ajudá-lo a sair dessa fossa. Merda!

"Tudo bem... tudo bem." Eu o segui, entrando em casa. "Vamos mudar de assunto então." Passei as mãos pelos cabelos, sem saber o que fazer. "Hum... eu fiquei na casa da Kristen ontem, sabia?" Seu olhar veio em minha direção, interessado no assunto. Muito bom. "Cara, eu transei a noite toda com ela, acredita?"

Edward balançou a cabeça e suspirou. "A mulher te abandonou, você sofreu pra caralho e agora vem me contar que passou a noite transando com ela? Definitivamente você não parece comigo!"

Droga, péssima abordagem. Pense, Rob! Pense! "Tudo bem... eu mereci isso. Então, posso te contar uma novidade?"

Ele já estava subindo a escada quando voltou seu corpo em minha direção. "Se você vai me contar alguma posição do kama sutra que ainda não existe e praticou com ela, juro por Deus que te jogo lá fora!"

"Porra, cópia, você acha que tudo na minha vida é sexo?" Vi sua sobrancelha levantar. Pelo menos o sarcasmo não o tinha deixado. "Tudo bem... muito da minha vida é sexo, mas não é isso que eu quero contar".

Passei as mãos pelos cabelos, com medo da sua reação. Será que ele viria se eu o chamasse para ir ao antigo laboratório do hospital? Eu estava com medo dele entrar no seu quarto e não sair nunca mais. Olhei em sua direção e o vi parado na escada, com os braços cruzados e esperando minha notícia. Eu tinha que ajudar meu irmão, assim como ele sempre me ajudou. Eu não o deixaria cair na mesma armadilha que eu... e, sem contar, que os dois trabalhariam próximos. Com certeza eu poderia ajudar os pombinhos a se acertarem.

"Bom... seria demais te pedir ajuda agora? Eu queria... bem... eu estava fim de ir ao antigo laboratório... você topa?"

Um lampejo de vida passou pelos seus olhos. Eu sabia que, de todos nessa família, Edward era o que tinha mais amor à sua profissão. Ele foi um dos que mais me deu força na construção do anexo ao hospital, sonhando inclusive com uma ala somente para tratamento de crianças com câncer. Sem contar que ele sempre estava envolvido com essas coisas e sempre jogava na minha cara que eu tinha abandonado tudo. Essa era minha única carta na manga para não deixá-lo sucumbir.

"Hum... você quer dizer agora? Eu estou sem cabeça, Rob." Seus ombros caíram em rendição. "Eu me sinto um lixo nesse momento, desculpe".

"Nada disso." Subi e fiquei do seu lado. Eu precisava tirar essa dor do seu peito de algum jeito. "Você sempre encheu a porra do meu saco pra voltar. Sempre jogou na minha cara que eu abandonei tudo e que estava sendo moleque. Prove pra mim que você estava certo. Não deixe essa história acabar com meu irmão foda e muito profissional. "Eu... eu preciso de você, cara. Não vou conseguir sem você".

Seus olhos se encheram de lágrimas novamente. Eu via sua luta interna em fazer o que ele queria e o que era certo. No meu caso, essas palavras não pesariam. Eu mandaria tudo para o inferno e que se foda. Edward não. Ser correto e altruísta era muito forte em sua personalidade. Ele fechou os olhos e as lágrimas caíram pelo seu rosto novamente. Porra, até eu estava quase chorando.

"Por favor... irmão. Me ajude?" Eu precisava tirá-lo daqui.

"Você não joga justo, sabia? Rob... eu não... estou sem cabeça pra isso".

Pousei minha mão em seu ombro. "Então, só vamos lá comigo. Vamos sair daqui um pouco? Não quero ir sozinho".

Ele passou as mãos no rosto e limpou as lágrimas. Inconscientemente acabei fazendo o mesmo e percebi que também chorava. Eu queria tanto ajudá-lo.

"Vamos então tomar um banho e tirar essa roupa amassada e colocar aquelas roupas brancas horríveis que você tanto adora. Afinal, o médico nesta merda é você".

Ele concordou com a cabeça e foi em direção ao quarto. Suspirei pesadamente enquanto o seguia. O plano agora era fazê-lo ficar ocupado o suficiente enquanto eu iria até Bella e entenderia essa porra direito. Eu não deixaria as minhas inconseqüências do passado destruírem a felicidade do meu irmão.

Eu o deixei na porta do seu quarto, mas tomando o cuidado de pegar a chave para ele não trancar a porta. Fui em direção ao meu e tomei um banho gelado. Com os braços estendidos na parede, deixei a água escorrer pelas minhas costas para amenizar a erupção de emoção que corria pelas minhas veias. O reencontro com Kristen, a dor do meu irmão e a volta ao trabalho. Isso sem contar o meu filho. Caralho, eu ia conseguir? Será que seria forte o suficiente para equilibrar tantas coisas? Principalmente depois de viver tantos anos fugindo de tudo e todos?

Saí do quarto e escutei vozes no andar de baixo. Reconheci de cara a voz estridente de Alice. Era muito cedo para essa nanica estar aqui em casa. O que ela fazia aqui? Olhei no quarto de Edward e ouvi que ele ainda estava no chuveiro. Fiquei indeciso entre descer e vigiar meu gêmeo, mas resolvi ir de encontro à minha família. Dependendo da situação, eles poderiam me ajudar. Eu acho.

Eu não me encontrava com Alice desde o trágico episódio em que ela me encontrou com Bella na sala dos meus pais. Não sabia exatamente qual seria sua reação, mas diante das circunstâncias, eu esperava que ela fosse mais madura. Principalmente depois de ter ficado com meu filho na sua casa.

Desci as escadas e vi meus pais e Alice conversando na sala. Mamãe e a nanica estavam bem produzidas.

"Bom dia, família".

"Rob! Filho!" Minha mão quase gritou e veio em minha direção. "Como você está?"

"Hum... bem, por quê?"

"Filho... meu netinho é perfeito. Como ele pode ser aquela criança tão maravilhosa tendo um pai como você?" O sarcasmo corria solto nas palavras da minha mãe.

"Puxa vida, mãe, assim você me magoa." Fingi ofendido, colocando a mão no peito. Olhei em direção à minha irmã, que já estava do meu lado. "Bom dia, Alice".

"Não vai me dar um abraço? Estou com saudades do meu irmãozão." Quem resiste ao biquinho dela? Jazz devia sofrer para atender os seus caprichos. Rolei os olhos e abri meus braços para caber as duas. Beijei o topo da cabeça de ambas e olhei para o meu pai. Era tão bom estar em casa.

"Como você agüenta tanta mulher em volta, pai?"

Tomei um soco das duas e, porra, doeu. Ele riu, assim como as mulheres da minha vida. "Requer um pouco de prática, filho. Vimos o carro de Edward aqui, ele está lá em cima?"

"Sim! Quero ver meu outro irmão. Preciso muito mesmo falar com ele!"

"Nada disso, Alice, estamos em cima da hora para a reunião com o Sr. Marshall. Eu não quero chegar atrasada para a primeira reunião do projeto. E quero fazer tudo logo, afinal, ainda vamos almoçar com Kris e Masen".

Somente de ouvir o nome deles, meu peito deu um salto. Mas eu não demonstraria nada para elas assim. "Agora é sério, pai. Como você consegue mesmo? Elas nem respiram pra falar!"

Meu pai deu uma gargalhada e minha mãe e irmã me olharam feio. Melhor guardar minhas observações para mim mesmo. As duas se despediram de mim e meu pai. No momento que fechamos a porta, meu pai olhou em direção à escada e franziu o cenho.

"Edward... você está melhor?" Edward já estava pronto, no meio da escada.

"Sim, pai. Vamos então, Rob?"

"Onde vocês estão indo com essas caras de cansados? Vocês dormiram, por acaso?"

Eu olhei para o meu pai e vi preocupação. A cara do meu gêmeo ainda estava mal, apesar de ele ter melhorando bastante depois do banho. A minha não devia estar muito boa também, afinal, eu tinha passado a noite praticamente em claro na casa de Kristen. Não faria mal chamar meu pai para me ajudar, já que ele sabia que Edward não estava nos seus melhores dias.

"Eu quero reabrir o laboratório, pai".

O olhar do meu pai demonstrou todas as emoções que ele sentiu. Surpresa, alegria e admiração. Em nenhum momento meu pai me condenou por ter parado as pesquisas, assim como Edward. Mas saber que ele me considerava tão importante assim fez meus olhos ficarem rasos d'água.

"Sério? E vocês estão indo agora?" Assenti. "Eu posso ir junto?"

Eu concordei, mas Edward deu de ombros. Meu irmão estava tão pra baixo. Olhei novamente para meu pai e fiz um pedido mudo de ajuda. Papai Carlisle entendeu e puxou Edward pelo braço. Ele estava tão preocupado quanto eu.

Saímos de casa, eu no meu carro e Edward com meu pai. Era a primeira vez que via meu irmão sair sem se preocupar em pegar seu carro para dirigir.

Chegamos ao hospital e encontramos Ângela, alguns médicos e enfermeiros. Muitos me felicitaram e perguntaram se eu estava de volta. Eu praticamente respondi a todos com as mesmas respostas, pois estava focado em Edward. Ele permanecia calado e distante. Isto não estava funcionando.

Ao entrar no meu antigo santuário, fiquei mudo. Tudo estava impecavelmente limpo e cuidado. Mesmo depois de tantos anos, as coisas pareciam exatamente como eu tinha deixado. Deixei-me levar pela emoção de estar novamente aqui.

Pareceram horas, mas, ao mesmo tempo, minutos enquanto estávamos lá. Eu escutava meu pai e Edward falando sobre as instalações, assim como as recentes pesquisas que deveriam ser atualizadas aqui. Eu estava entre o passado e presente. Passei os dedos na minha antiga cadeira. Lembrei-me de todas as horas em que ficava aqui. As minhas alegrias em descobrir mais sobre minhas pesquisas. A minha patente. A minha felicidade quando contei pra Kristen que não precisava mais trabalhar se eu quisesse...

Todas essas lembranças sempre me machucavam. Por isso eu bloqueei todas enquanto me mantive afastado, mas esses fantasmas do meu passado não pareciam mais assustadores agora. Eu conseguia inclusive me ver sentado aqui e trabalhando horas a fio em busca de algo novo, ou, como meu gêmeo mesmo dizia: Tentando salvar o mundo.

Sorri e olhei em direção ao meu pai e Edward. Meu pai olhava em minha direção com os braços cruzados e sorrindo. Edward estava com os pulsos dentro do odioso jaleco branco, mas com o olhar perdido na janela. Suspirei com a constatação de que seria muito mais que uma volta ao meu passado profissional que traria meu gêmeo de volta. Eu tinha que descobrir um jeito de ajudá-lo.

"Bem... e então eu-".

"EMERGÊNCIA... PLANTONISTAS DO P.S., ENTRADA DE CRIANÇA COM CHOQUE ANAFILÁTICO. RISCO DE MORTE".

A voz ecoou pelo alto-falante do hospital. Fiquei momentaneamente sem reação. Há muito tempo que não convivia com a rotina hospitalar, mas imaginar que uma criança corria risco de morrer, me deu um forte aperto no peito.

A movimentação do meu pai e Edward foi mais rápida. Ambos estavam treinados e já corriam pelo corredor. Um medo absurdo se apossou do meu corpo, pensando que poderia ser alguém que conheço, afinal, essa cidade era tão minúscula.

"EMERGÊNCIA GRAVE. PEDIATRIA E CIRURGIA, FAVOR COMPARECER URGENTE AO P.S."

Meu coração estava batendo desesperado enquanto eu andava apressado ao movimentado local. Um sentimento ruim de que isso era muito mais do que parecia me deu certo pânico. Ao virar o último corredor que chegava ao pronto-socorro, meu mundo caiu.

Eu fiquei gelado e minha pulsação acelerou ao ver a cena que passava como um filme na minha frente. Kristen estava desesperada. Edward estava gritando com alguns médicos, completamente nervoso. Isso não podia estar acontecendo...

"KRISTEN... PORRA!"

Corri o máximo que pude até alcançá-la. Ela se debatia descontrolada. Ao olhar dentro da sala, minhas suspeitas se confirmaram. Bella estava toda suja e com meu filho na maca. NÃO! MEU FILHO NÃO!

Muitas pessoas gritavam, entre elas, eu. "Meu filho... O QUE ACONTECEU COM MEU FILHO?"

"Calma, Rob... assim você não ajuda". Meu pai tentava me segurar.

"ME SOLTA, PORRA! O QUE HOUVE COM MEU FILHO?".

Olhei frenético para os rostos desconhecidos. Ouvi a voz de Bella falando com Edward.

"Eu já apliquei a epinefrina, Edward. Acho que foi reação a nozes. Seu vômito estava com um cheiro forte".

Meu filho... meu filho... Comecei a me debater, tentando alcançá-lo. Vi a maca com o seu corpinho parecendo sem vida sendo carregada para o centro cirúrgico. "EU QUERO IR TAMBÉM... EU QUERO IR!"

"Acalme-se, Rob! Assim você não vai ajudar".

Olhei ainda mais desesperado para o meu pai, tentando me soltar. Alguns enfermeiros me seguravam e minha visão estava nublada devido às lágrimas que saíam do meu rosto sem controle.

"ME SOLTEM! EU QUERO IR... MEU FILHO".

Quando percebi, já estava dentro de uma sala com alguns enfermeiros me segurando. Ao olhar em direção à porta, vi meu pai em minha direção com uma seringa na mão.

"SE VOCÊ ESTÁ PENSANDO EM ME SEDAR, EU VOU TE DAR UMA PORRADA, PAI. NEM. PENSE. NISSO".

Eu queria me controlar. Eu tinha que ser frio para convencer meu pai a me deixar entrar.

"Por favor, pai... por favor. Eu quero ver meu filho".

"Já vou deixá-lo entrar. Calma. Deixa seu irmão estabilizá-lo e ver se ele corre risco... risco de algo mais grave".

Meu pai então saiu da sala, de cabeça baixa, me deixando só. Eu soquei a mesa mais próxima sem me importar com a dor excruciante nos meus dedos. Comecei a puxar meus cabelos, ao mesmo tempo em que andava em círculos, cercado pelos leões sem cérebro do hospital.

Deus... isso não está acontecendo...

Depois de um tempo que pareceu eterno, escutei a porta abrir e Kristen apareceu. Ela estava completamente ensopada, com as roupas pingando da chuva que agora caía forte lá fora. Parecia tão pequena e culpada. Eu não tive forças de ir até ela.

"Me perdoe... eu... sou uma péssima mãe".

"O que aconteceu, pelo amor de Deus... eu saí... e ele estava bem..."

"Rob... me perdoe. Seus pais e sua irmã passaram lá em casa e..." Ela encostou na parede da sala e começou a chorar, escorregando até o chão. "Meu Deus... salve o meu bebê... salve o meu bebê!"

"Kris... por favor... fique calma".

Fui até ela e a levantei, trazendo seu pequeno corpo para o meu colo. Ela tremia e chorava tanto que minha camisa ficou ensopada. Isso era tão injusto. Retirei meu casaco e cobri seu corpo. Como para nos dar mais privacidade, os enfermeiros saíram da sala.

Pareceram muitas horas que ficamos naquela sala, mas eu não queria ver mais ninguém, pois a única pessoa que importava agora era meu filho.

Kristen parou de tremer no instante em que meu pai entrou. Ambos olhamos para ele, que estava com o semblante preocupado.

"Kristen, eu-"

"Como está o meu bebê, Carlisle? O que aconteceu?"

Eu não conseguia reagir, com medo da sua resposta. Meu pai pigarreou e mostrou algumas roupas de médico para Kristen. Imaginei que meu pai se preocupou com o estado da roupa dela.

"Masen está em observação. O quadro dele ainda é grave e devido ao inchaço na laringe e... infelizmente Edward teve que entubá-lo para ele conseguir respirar..."

Eu e Kristen ofegamos e levantamos na mesma hora. "Pai... por favor, eu PRECISO vê-lo!".

"Calma, gente... é grave, mas ele não corre tanto risco assim. Entretanto, até a medicação fazer efeito, ele ficará sedado. E apesar de não correr tanto risco, eu e Edward resolvemos colocá-lo no CTI pediátrico para deixá-lo dormindo. Não se preocupem... Edward é o melhor pediatra que eu conheço".

Nesse momento senti uma profunda admiração pelo meu irmão. Apesar de estar dolorido e nervoso, sabia que meu filho estava em boas mãos. "E quando poderemos vê-lo?"

"Bom... Edward acha que ele terá que ficar no mínimo 24 horas sedado. Talvez, se o quadro não apresentar melhoras, poderá ser mais um dia. Mas calma... o pior já passou". Fiquei olhando para o meu pai com os olhos marejados. Nunca imaginei sentir tanta dor no peito. Nem mesmo quando Kristen me largou eu fiquei desse jeito. Neste momento pensei no meu pai e minha mãe. Eu tinha abandonado todos com a minha estupidez há anos atrás. Será que eles sentiram essa mesma dor que eu sentia agora? Pensar neles me fez lembrar também de Kristen.

"Como eu sei que você não vai embora agora, filha, o que acha de trocar essas roupas? Voce está muito molhada, Kristen. O que foi fazer debaixo de chuva? Pode pegar uma pneumonia. Eu trouxe essas roupas secas para você não ficar doente." Meu pai, sempre preocupado. Eu realmente amava minha família.

Ela assentiu e pegou a roupa, entrando no lavabo que tinha na sala.

"Pai?" Ele me olhou e sorriu. "Esse papo todo é verdade, né? Não amenize as coisas pra mim, por favor." Sussurrei com medo.

"Filho. Eu não estou amenizando. Antes de ser o chefe deste hospital, eu sou médico. Mas eu vim aqui como avô. Jamais mentiria pra você. Não conseguiria".

Antes que ele me visse chorando, agarrei meu pai em um forte abraço. Seu forte suspiro mostrou pra mim que ele estava realmente dizendo a verdade.

"Sua mãe e irmã estão lá fora, assim como Charlie. Todos estavam muito preocupados com você e Kristen. Ela está bem?"

"Não sei... mas ela é forte... vai superar".

Meu pai sorriu. O que me fez ter esperança e sorrir também. "Como a vida dá voltas, não é mesmo? Quem diria que você estaria aqui falando dela desse jeito. Apesar de que seja à custa da saúde do meu neto, fico feliz por vocês estarem próximos novamente. Fique com ela, filho".

"Eu vou ficar." Eu me remexi diante do olhar profundo do meu pai. "Elas e Charlie... chegaram há muito tempo?"

"Tem umas quatro horas que vocês estão aqui dentro. Edward ainda está lá dentro e não quer sair de perto de Masen. Acho que se eu deixar, ele vai ficar com Masen até ele estar completamente fora de risco." Sorri com esse comentário.

"Sim... meu irmão é assim mesmo".

Meu pai olhou para a porta e virou novamente pra mim. "Eu não sei o que você e seu irmão aprontaram nos últimos dias, mas sinto que vocês estão uma bagunça, principalmente seu irmão. Vou tentar arrancá-lo de lá, mas eu quero ter uma conversa com os dois quando tudo isso acalmar, tudo bem?"

O que eu poderia dizer? Não dava para esconder de todos o que houve. Eu e Edward teríamos que conversar com a nossa família sobre a verdade. Ou parte dela.

"Mas, posso te perguntar uma coisa, filho?" "Sim." Meu receio de que ele falasse algo que magoasse Kristen, gritava na minha cabeça. Ela estava muito próxima e fragilizada.

"Você tem idéia do que houve entre Edward e Bella?"

Minha boca abriu e fechou diante do susto com a pergunta. Por que ele estava perguntando pra mim sobre meu gêmeo e Bella? Um pequeno temor começou a subir pelas minhas costas, desejando que ele, ou qualquer outro membro da minha família, jamais desconfiasse da bagunça que nós três tínhamos feito.

"Eu... bem..." Neste momento Kristen apareceu na porta e eu suspirei de alívio. Essa conversa tinha que ser com meu irmão e não comigo. Eu não era a melhor pessoa a falar sobre o assunto.

"Não sei bem, pai... Bella e Edward estão brigados, é o que sei".

"Bella? Ela está aqui?"

Olhei em direção à Kristen, assustado com a pergunta. Caralho, de onde ela conhece a Bella?

"Kristen... como você conheceu a Bella?" Meu pai acabou perguntado primeiro. "Vi que ela fez os primeiros atendimentos, mas... vocês se conhecem?"

Um grande rubor apareceu nas bochechas dela. Isso definitivamente era estranho. Kristen dificilmente se envergonhava de algo. Isso era coisa de Bella. Percebi que tinha muito mais nessa história que eu não sabia.

"Bem... eu conheci... eu acho". "Como assim?" A curiosidade me corroía por dentro, fazendo a pergunta saltar nos meus lábios. Por mais que ela tenha me visto com Bella na porta da sua casa, isso não justificava o fato de que elas tinham intimidade. Ou tinham? Quando ela conheceu e conversou com Bella, afinal?

"Bom... na verdade, Ângela já tinha me contado dela, quando eu vim buscar Edward outro dia no hospital. Tinha me falado maravilhas sobre a nova enfermeira chefe. Quando ela me falou sobre... bem... o relacionamento dela com Edward, percebi que ela era mais envolvida com a família do que eu sabia..."

"Sim... e?" Até então ela não tinha explicado como conhecia Bella e não a enfermeira chefe do hospital. "Como foi que vocês se tornaram íntimas?" Meu peito dava saltos para esse meu desconhecimento. Eu comecei a ficar com medo de que ela soubesse muito mais do que estivesse contando.

"Na verdade só a chamei de Bella quando fui agradecer na chuva".

"Agradecer?" Eu e meu pai nos assustamos com isso.

"Estou me sentindo tão inútil... Assim que Masen começou a passar mal, eu resolvi passar na casa de vocês primeiro, afinal, era mais perto e meu pai não estava também". Ela deu de ombros e se abraçou, chegando perto de mim. "Na hora me desesperei, por mais que o hospital ficasse perto, resolvi desviar..." Seus olhos estavam culpados. "Foi neste momento que me lembrei do que Ângela tinha me dito sobre Bella, a enfermeira chefe e namorada do Edward que morava quase em frente. Eu juro que não fiz por mal, mas estava tão desesperada... ela então... puxa... foi perfeita. Cuidou do meu bebê como se fosse dela mesma. Até mandou em mim..." Ela sorriu a primeira vez desde que a encontrei no hospital. "Ela ficou fazendo respiração no meu filho e deve ter bebido metade do vômito dele... foi ela que deu o alarme da emergência quando chegamos". Fiquei meio receoso com o último comentário. Kristen com certeza estava exagerando sobre Bella beber algo.

"Isso é sério? Bella não estava de plantão?" Dessa vez, meu pai se assustou. "Ela já não estava por aqui?"

"Bom, acho que não, Carlisle... eu a encontrei em casa... parecia meio doente, ou tinha perdido a noite em claro, pois quando fui atrás dela pra agradecer, as suas pesadas olheiras estavam gritando... e sem contar seu olhar triste... acho que ela não está bem mesmo." Kristen disse, quase sussurrando.

Eu e meu pai nos entreolhamos, surpresos com o fato. "Então Bella salvou o nosso filho? É isso?"

"Sim... eu devo muito a ela. Bella é o anjo do meu filho no momento." Corri os dedos pela sua mandíbula tentando reconfortá-la. "Eu fui na chuva para agradecer, já que ela estava indo embora..."

"Indo embora? Como assim?"

"Bella não estava de plantão, filho." Meu pai disse interrompendo. "Bella tem muitas horas acumuladas e com o trabalho junto a Masen que teve hoje, ela terá mais horas... mas como ela e seu irmão são muito parecidos, acho que ela vai voltar antes do final dos três dias aos quais Bella tem direito." Meu pai sorriu em direção a ela. "E não se preocupe, com certeza ela não bebeu do vômito de Masen. Ela é nossa melhor enfermeira no hospital." Senti orgulho por Bella também.

"Eu espero que ela durma e descanse bastante. Assim que meu bebê acordar e sair daqui, vamos direto à casa dela agradecer".

Assenti totalmente emocionado e sem palavras. Como não tinha ninguém na mansão Cullen, Bella foi a única mulher que poderia ajudar... e ajudou. Bella podia estar muito magoada com meu gêmeo, mas isso não a impediu de fazer seu trabalho. Ou melhor, salvar a vida do meu filho. Eu também precisava muito agradecê-la... e dar mais um empurrão na relação dela com Edward.

As próximas horas se passaram como um borrão pra mim. Conversei com minha mãe, irmã e Charlie, que chorou igual criança nos braços de Kristen, mas por mais que respondesse e interagisse, eu estava aéreo. Muitas coisas passeavam na minha mente enquanto meu filho estava entubado. Principalmente as atitudes de Bella e Edward. Ele também não tinha saído do lado do meu filho até agora. Meu pai que trazia as notícias. Como poderiam dois altruístas ser tão cabeças-duras. Merda.

"Filho! Controle o palavrão." Minha mãe brigou comigo, arrancando uma risadinha de Kristen e Alice. "Estamos no hospital".

"Eu disse isso alto?" Foi mais forte que eu. "Desculpe".

Olhei em direção à entrada do CTI, ignorando todo o resto. Neste momento, eu estava me sentindo inútil. Eu queria tanto ir até meu filho. Precisava garantir para o meu menino que nada de mal aconteceria a ele novamente. E, o mais importante: Dizer a ele o quanto eu o amava...

Estava passeando por um campo com muitos raios de sol batendo no meu rosto. A visão era tão bonita... e na minha frente estava Masen e Kristen. Meu filho estava lindo, correndo sorridente. Eu sorri com sua felicidade, e Kris... estava perfeita.

Suas curvas delineadas, seus cabelos macios, seus lindos olhos azuis. Ela estampava uma felicidade plena, de quem conquista tudo. Eu estava com uma sensação de paz, mas, por quê? No sonho ela vinha em minha direção e me dava um beijo calmo, de entendimento. Um pequeno calor se espalhou pelo meu rosto...

"Diz de novo, Rob... diz que me ama..."

Dei um pulo e voltei para a sala de espera do hospital. Tinha sido um sonho. Ao olhar em volta, somente Kristen estava ao meu lado, me olhando pensativa.

"Pesadelo?"

"Sim. Onde estão todos?"

"Sua irmã foi pra casa da sua mãe descansar um pouco, pois ela tinha uma visita, não sei, hoje à tarde. Sua mãe foi arrastada pelo seu pai para ir em casa e comer um pouco, devem ter adormecido. E o papai... bem... deve estar lá fora, não sei".

Fiquei olhando em sua direção. Ela estava com profundas olheiras, provavelmente não tinha comido, dormido e ainda estava com a roupa do hospital, mas mesmo assim tão linda. Pensei no sonho...

"Kris?"

"Sim?"

"Eu... eu... não fique se sentindo culpada. Vá pra casa, coma um pouco e durma".

"Se você vai ficar, eu também fico. Ninguém vai me tirar daqui até meu filho sair".

Seu olhar determinado, assim como seu pescoço levantado em tom de desafio, me dizia que aquela pequena mulher, realmente, não iria a lugar nenhum. Sorri por isso...

"Tudo bem... se você ficar desidratada, desnutrida e com estafa, não coloca a culpa em mim." Dei de ombros, para provocá-la.

"Ah, sim... o PER-FEI-TO Robert querendo me dizer o que é melhor pra mim. Se liga, tá bom? Posso ter me apavorado e não cuidado do meu filho nesse episódio, mas vivi bastante tempo sem a ajuda de vocês e nunca precisei de nada. Nem você e nem ninguém, vai ficar se metendo na minha vida, entendeu?"

Eu estava quase deitado no sofá, com a cabeça encostada na lateral. Cruzei meus dedos em cima do meu peito e dei meu sorriso torto em sua direção. Deus, parece loucura, mas eu amava provocá verdade, neste momento, descobri que não era somente provocá-la...

Uma dor atravessou meu coração como uma flecha, me deixando quase sem ar, fazendo minha respiração começar a acelerar com a minha epifania. Não importava se ela estava acabada e sem dormir. Não importava se ela era raivosa e esquentadinha, como sempre foi. E o mais importante... não importava mais o que ela tinha feito e seus motivos para ter indo embora. Tudo o que eu fiz na minha vida, depois que ela me deixou, veio com força total, me deixando sem ar. Eu ainda a amava...

Ela bufava na minha frente, mas levantou e foi em direção à prateleira de café. Com ela de costas pra mim, me permitiu respirar profundamente, para acalmar as dolorosas batidas do meu coração. EU A AMAVA. Era tão simples e ao mesmo tempo tão complicado. Caralho, por isso que fiz as merdas que fiz. Por ela eu tinha fugido, dizendo que não queria mais nada disso pra mim. Eu tinha acreditado que o fato de jogar a aliança fora e partir para um mundo de aventuras sexuais a tiraria do meu coração. Sou um babaca mesmo. Nunca deixei de amar essa pequena furacão. Porra, eu sou um babaca!

Fechei os olhos e corri minhas mãos pelo meu cabelo. Parecia que eu tinha sido atropelado por um caminhão desgovernado. Meu pulso estava acelerado e minha cabeça girava. Eu queria muito dizer pra essa atrevida tudo o que estava se passando na minha mente agora. E ela? O que ela sentia por mim, afinal?

Depois de alguns minutos, meu irmão apareceu na sala e, caralho, parecendo um zumbi, mas com um sorriso no rosto, mesmo que mínimo. Meu filho...

"Edward. Graças a Deus, como Masen está?"

Meu irmão veio em minha direção, não sem antes ser parado por Kristen, que o abraçou desesperada. Não tive ciúmes. Na verdade, até entendia agora a confiança dela, nele. Mas eu conquistaria isso também. Nem que demorasse a vida toda...

"Calma, Kris. Ele agora está melhor..." Meu irmão afagava seus cabelos. Uma sensação de impotência me dominava. Eu queria poder fazer isso a ela.

"E então, Edward. Fala logo, em nome de Deus..." Minha impaciência estava no auge.

"Bom, ele ficou em observação, por quase 48 horas. Agora ele não corre mais risco. Apesar da gravidade da intoxicação, os primeiros atendimentos foram essenciais. Eu o entubei e sedei, pois estava tudo inflamado e não queria que ele sofresse, ou sentisse dor... mas acho que meu pai explicou isso. Administrei algumas doses de anti-histamínicos* de oito em oito horas. Ele também estava muito febril. Mas, enfim... agora está tudo bem. Acabei de transferi-lo para um quarto... ele deve acordar a qualquer momento".

*Anti-histamínicos: é o nome de uma classe de medicamentos usados no alívio dos sintomas das manifestações alérgicas, como na rinite, conjuntivite alérgica, gripe com coriza, urticária, reações de hipersensibilidade, choques anafiláticos sem risco, enjôos e vômitos. Age bloqueando os receptores "H" da histamina. Neste caso, foi optado este medicamento, por ser mais fraco, já que Masen é quase um bebê. Nestes casos, os mais usados são: adrenalina, corticóides, broncodilatadores e anti-histamínicos. E conforme esses medicamentos vão fazendo efeito, esse edema diminui e ele pode receber alta. (fonte: Wikipédia e alguns médicos).

"Onde ele está? Meu Deus, onde está meu bebê?"

Meu irmão sorriu em sua direção. "Já autorizei a sua entrada e a de Rob. É o quarto 209, pode ir por ali..."

Kristen saiu em disparada pelo corredor. Eu quis segurá-la para ir mais devagar, mas foi impossível. Meu irmão ficou olhando para ela assustado, mas depois meneou a cabeça. Acho que ele entendia, assim como eu agora, que a mamãe urso seria incontrolável agora.

Voltei meu corpo para o meu gêmeo, disposto a agradecê-lo, mas também provocá-lo.

"Obrigado, cópia. De verdade. Não sei o que faria se você não estivesse aqui".

"Eu fiz o meu trabalho, Rob".

"Não, e você sabe disso. Já estamos aqui há quase dois dias, voce não dormiu, não deve ter se alimentado direito e nem saiu do lado do meu filho esse tempo todo. Agradeço muito por ter um irmão tão foda cuidando dele".

Agora um sorriso genuíno apareceu em seu rosto, apesar de tudo o que passamos. "Eu comi na lanchonete e cochilei no quarto ao lado do CTI. Não fiquei tão pavoroso assim como você. Acho que se as mulheres de Forks nos vissem agora, tenho certeza que escolheriam a mim".

Dei uma pequena gargalhada com seu comentário. A doença do meu filho trouxe meu irmão de volta, mesmo que superficialmente. Resolvi continuar a brincadeira. "Até parece... elas sabem que sou o mais gostoso. Só preciso tomar um banho e dormir um pouco. Você não é páreo pra mim e sabe disso".

Com mais um passo alcancei meu gêmeo e dei um forte abraço nele. Ele tinha sido meu porto-seguro por tanto tempo. Eu amava muito meu irmão. Mas precisava provocá-lo neste instante.

"Cópia... preciso te contar um coisa." Soltei o abraço e coloquei as mãos no bolso da calça. Eu sabia que pegaria pesado agora. "Sabia que foi Bella que salvou Masen?"

Seu sorriso morreu no mesmo instante. "Não quero saber dela agora".

"É mesmo? Nem o fato de que a Kristen foi à nossa casa desesperada e como não achou ninguém, bateu na porta da Bella que, imagino, estivesse magoada e ferida devido a separação de vocês, e mesmo assim fez os primeiros atendimentos a caminho do hospital? Que ela deixou de lado qualquer traço egoísta e abraçou a confiança que Kristen depositou nela, salvando a vida do seu sobrinho? Pense nisso, idiota. Quero ver depois de quanto tempo você vai acordar pra vida. Depois que um panaca melhor do que você roubá-la para sempre, caralho? Eu espero que não".

Dei um tapinha no seu ombro e saí lentamente em direção ao quarto, sem olhar para trás. Eu não queria olhar para ele agora. Sei que peguei pesado, mas, porra, Edward precisava ouvir. Assim que virei o corredor, ouvi as vozes do meu pai e Alice. Esses poderiam esperar agora.

Entrei no quarto e me deparei com a cena mais linda de toda a minha vida. Kristen estava debruçada sobre Masen, distribuindo beijinhos na sua barriga, enquanto Masen estava sorrindo, ainda sonolento. Eu quase chorei. Eu realmente amava essa mulher.

"Papai?"

Meus olhos encheram d'água e não resisti. Fui em direção a Masen e, com as mãos em seu rostinho de anjo, beijei cada pedacinho de pele que encontrava.

"Sim, filho, sou eu".

"Pensei que era um anjo... tava com saudades." Ofeguei com a maravilha que era meu filho. Ele podia ser mais perfeito? Senti Kristen se afastar um pouco, o que me deixou espaço para me aconchegar mais a ele.

"Eu estou aqui, filho... agora estarei sempre aqui". Mesmo de leve, abracei meu filho e comecei a beijá-lo e cheirá-lo desesperado. "Papai está aqui e nunca mais vai deixar nada de ruim acontecer, tá bem?"

Olhei em seus olhos e a sonolência varria seu rosto, mas um lindo sorriso apareceu nos seus lábios. "Você promete, papai? Isso dói muito".

"Sim.. filho. Sim! Papai ama muito você".

"Eu também amo você... e também amo a mamãe." Mais lágrimas desceram pelos meus olhos. Deus, nunca mais vou deixar meu filho sofrer de novo. Ele estava tão indefeso. Neste momento, decidi que nenhum pai merecia passar por isso. Eu dedicaria o resto dos meus dias a buscar ajuda e solução para o tratamento de células cancerígenas. E focaria minha especialização somente em crianças. Ninguém sofreria dor, enquanto eu pudesse ajudar.

"Papai... você agora vai morar com a mamãe pra cuidar de mim também?"

Seus olhinhos estavam um pouco mais atentos e isso me incomodou. Eu queria poder dizer que amava tanto ele como sua mãe, como se fosse o ar que eu respirava. Mas antes tinha que conversar com ela. Eu tinha que falar pra essa atrevida que eu a amava insanamente e que cuidaria dos dois agora.

"Vamos conversar com a mamãe sobre isso depois? Você precisa dormir." Senti Kristen se retesar ao meu lado. Seus olhos estavam cerrados em minha direção. Ela ficou preocupada com o que eu disse?

"Eu não quero mais dormir, papai. Quero tomar sorvete." Seu pedido simples fez eu e ela sorrirmos. Sua inocência preenchia meu coração de mais amor, se fosse possível. Meu filho era perfeito.

A porta se abriu e Charlie apareceu. "Um avô desesperado pode entrar?"

Tanto eu quanto Kristen estávamos quase em cima de Masen na cama, mas saímos e fomos para lados opostos do quarto, dando brecha para ele. Eu me sentia um pouco possessivo sobre meu filho, mas tinha que dar espaço para o resto da família.

"Oi, vovô Charlie. É tão bom ter dois vovôs... onde você estava?"

"Oh, meu netinho... eu estou aqui. Eu estava aqui o tempo todo." E novamente meus olhos tinham lágrimas. Charlie correu e beijou o rostinho dele. Eu estava parecendo uma menininha emocional, mas, porra, era meu filho! E tudo o que senti, minha família e Charlie, sabiam deste sentimento. Todos queriam partilhar Masen.

"Eu vou poder tomar sorvete, vovô? Papai e mamãe estão me enrolando..."

Uma gargalhada em conjunto foi ouvida no quarto. Masen, principalmente depois desse susto, teria todos enrolados em seus dedos. Eu mesmo estava perdido. Eu daria qualquer coisa pra ele a partir de agora.

Ao olhar pelo quarto, vi que Kristen estava me observado quieta. Seus olhos me avaliavam, mas desta vez friamente. O que se passava na cabeça dela, afinal? Eu estava cheio de coragem de assumir pra ela todo o meu sentimento. E por que ela estava tão quieta?

O resto do dia foi passado com visitas e manhas de Masen. Minha mãe quase se desmanchou em lágrimas, sentindo uma culpa que não tinha. Ela e Kristen se abraçaram longamente, enquanto se desculpavam. Apesar do momento lindo, meu filho me fez rir ainda mais depois do seu comentário.

"Meninas choram demais né, papai? Minha mamãe não para de chorar! Eu que fico dodói e ela que chora".

Eu estava sentado ao seu lado, quando Kristen e minha mãe ouviram. Ambas foram em sua direção e deram muitos beijos nele. Meu filho estava adorando. Fiquei preocupado. Imagina o estrago que fará quando crescer?

Alice trouxe todos os presentes possíveis. Charlie se dispôs a ajudar a levar, já que estaria de plantão nas próximas 12 horas. Quase suspirei de alívio, já que Edward disse que daria alta para Masen hoje mesmo.

As horas dentro do hospital me fizeram enxergar muitas coisas. Minha família, que sempre fora importante pra mim e tinha sido negligenciada por alguns anos, era maravilhosa. Eu não os merecia, mas, mesmo assim, eles estavam aqui por mim e pelo meu filho. Meu trabalho e o laboratório, que apesar da bagunça que fiz, ainda estava intacto e pronto para ser usado novamente, o que eu faria com o maior prazer. Meu filho, que só podia ser definido como a perfeição. E tinha Kristen... ela tinha sido a razão da minha dor, mas sem ela minha vida não seria igual... inteira. E com ela eu queria recomeçar primeiro. E ainda hoje. Eu a levaria pra casa e assumiria tudo o que estava sentido.

Conforme combinamos, Edward deu alta para Masen depois que Charlie se despediu, mas com várias recomendações, inclusive uma consulta marcada para daqui a dois dias com o alergista do hospital. Apesar do susto ter passado, não poderíamos correr o risco de nada mais sério no futuro. E, como eu tinha planejado na minha mente, eu levaria meus tesouros em casa. Minha pequena família.

Chegamos à casa de Charlie com Masen já dormindo profundamente. Nós o colocamos no quarto dela. Silenciosamente guardamos tudo e Kristen pediu para tomar banho. Eu aguardei na sala, impaciente. Eu nunca gostei de esperar muito tempo nas minhas decisões. E estava decidido a falar tudo o que sentia por ela.

Eu estava distraído olhando alguns porta-retratos antigos. Muitas daquelas imagens ainda dançavam na minha lembrança. Kristen adolescente. Ela com minha irmã. Ela com a mãe. Soltei um pequeno suspiro. Eu não fui capaz de salvá-la...

"Você quer alguma coisa?"

Dei um pulo com a frase solta no ar. Cristo, quase morri de susto. "Caralho, Kristen, poderia ser menos silenciosa? Quase me mata do coração".

"Estou com uma criança dormindo, não posso fazer barulho".

Sua voz estava severa, quase fria. Não me intimidei, afinal ela tinha passado por muita coisa. Nós estávamos acabados.

"Kristen... eu quero te falar uma coisa... por favor, não me interrompa".

"E você acha que isso é importante agora? Estou cansada... estou a pelo menos três dias sem dormir".

Sua voz estava mais áspera agora. Não estava gostando desse tom. "Desculpe, querida. Nós estamos sem dormir a três dias... e você tem a vantagem agora de ter tomando banho, coisa que ainda não fiz".

"Isso não é problema meu".

Fiquei muito puto agora. O que houve com essa louca?

"O que voce tem, caralho? O que aconteceu? Sei que você está cansada e tudo mais, mas não precisa ser tão grossa".

"Eu falo do jeito que eu quiser, a casa é minha." Ela cruzou os braços e me olhou em desafio. "E gostaria imensamente que voce saísse".

Minha respiração aumentou consideravelmente. Eu não era um cara muito bom nesse momento. Ela não podia falar assim comigo, porra! Não depois de tudo... de nós... de Masen.

"Eu vou ficar aqui enquanto meu filho estiver aqui... você não tem esse direito..."

"EU TENHO SIM... VOCE.. ROBERT. VOCÊ NÃO VAI TIRAR O MEU FILHO DE MIM, TÁ LEGAL?"

"O... quê?" O que essa louca está dizendo?

"Eu sei que sou pobre e que você pode até me considerar uma péssima mãe, mas eu vi o que voce fez." Lágrimas saíam dos seus olhos. "Quando nosso filho perguntou sobre cuidarmos dele juntos, você disse que resolveria depois... pois não vai. Não vai tirar meu bebê de mim!"

Ela era mesmo insana! "De onde você tirou essa porra de idéia, Kristen! EU NÃO VOU FAZER ISSO!"

"Então, me explica uma coisa, por que você está com essa cara de que vai falar alguma coisa que ainda não sei? EU TE CONHEÇO, ROBERT CULLEN. NÃO. MINTA. PRA MIM".

Minha razão foi para o espaço nesse momento. "EU TE AMO, CARALHO. EU SEMPRE TE AMEI. E QUERO FICAR COM VOCÊ E NOSSO FILHO. ERA ISSO QUE EU QUERIA TE FALAR, SUA IDIOTA!"

Nesse momento, Kristen desabou no sofá e ficou abrindo e fechando a boca. E eu? Não sabia o que fazer.

"E então? O que você me diz, Kristen?"


Olá amores...

Conforme prometido, segue a continuação do capitulo 32. E ai como estão se sentindo?

Eu mesmo chorei horrores em várias partes desse capitulo. Deus, o que foi o desespero do Rob e da Kris? E lógico, que criança perfeita é Masen né? *won*

Como dá pra perceber, um ciclo da fic está se fechando. Rob e Kris já tem uma história conturbada, mas eles são mais fisicos e passionais que Ed e Bella. É mais facil de resolver.

O nosso casal principal tem muitaaaa mágoa pra acertar, mas não se preocupem... tudo vai se ajeitar... adoramos finais felizes também.

Quero comentar uma coisa importante: Entre Irmão deve chegar no máximo a 40 capitulos mais o epílogo. Ou seja, estamos chegando na reta final *chorando descontroladamente aqui* e mesmo após essa ausencia, a história, os personagens e todo o drama e pervisse estavam vivos na nossa mente... faremos de tudo para trazer um final digno da dedicação de tantas leitoras... eu, sinceramente, amo escrever essa fic com a Neni.

Minha parceira e linda Neni... não me canso de dizer o quanto eu amo voce amiga, e como sou grata de que uma história que surgiu no msn ficasse tão linda assim. Obrigado de coração... sem contar que fico toda emotiva quando você me elogia...ahahaha...fico tímida.

Quero agradecer aqui também a nossa super mega power beta Juju. Sem ela pra nos ajudar, não sei não...rsrs. a sua dedicação é impar. beijocas Juju.

Outra pessoinha que quero agradecer aqui é nossa leitora e mega louca, Rafa Seixas. Apesar dela surtar sempre, a mesma acabou me servindo de cobaia. Muitas das explicações médicas eu arranco da coitada. Quando ela descobriu que o choque anafilático era no Masen, ela quase nos bateu. Então Rafa, ai está. Nosso bebê já teve alta viu?...Obrigada por tudo.

Hoje estou inspirada:

Ontem, quando estava terminando o capitulo, no momento que Masen chama Rob de "papai" *_*, e tenho que contar que CHOREI DE VERDADE, resolvi dar uma aliviada no momento tensão e fui aonde? Na fic de novo...ahahaha. Mas serio, eu voltei nas reviews maravilhosas que temos aqui...

Meninas, leitoras fanstasminhas, as mais afoitas, as que brigam, torcem e CLARO, deixam mensagens maravilhosas...

Olha, eu me diverti lendo algumas ontem. Eu e Neni temos mesmo os gemeos e outros personagens de Entre irmaos, como pessoas reais, mas voces são iguais a gente... vibram, torcem...xingam. Em alguns casos, meu lado "rob" ficava muito feliz com a quantidade de palavrão...kkkkk. Mas isso que nos motiva, saber que voces estão tão envolvidas quanto nós...

MUITO OBRIGADA !

Acho que chega né?...rsrsrs

O próximo capitulo será somente na outraaa quarta-feira, voltando aos dias normais da postagem da fic... temos alguns idéias de extras (ops, Neni vai me matar...ahaha) mas nada é confimado ainda.

Despois desse turbilhão que é nosso ROB, preparem os coraçõezinhos, pois o CAP. 33 É somente POV EDWARD !

\o/

O que está passando pela cabeça do nosso lindo e atormentado médico? O que ele vai fazer em relação a Bella em Phoenix?

Aguardem os proximos episódios... e pleaseeee: deixem suas opiniões!

beijocas e até a próxima,

titinha