CAPÍTULO 35 – GATAS SELVAGENS
"Você está disponível agora?"
Ela sorriu quando viu a mensagem de celular. Equilibrando Aiko no outro braço, Kyoko digitou uma resposta para Kuon.
"Depende. O que você tem em mente?" Não haveria problema em flertar só um pouquinho, certo? Tecnicamente ela não o estava provocando, ou estava?
"Eu quero ver você agora". Nem cinco segundos depois, nova mensagem, corrigindo a anterior. "Eu PRECISO ver você agora".
Kyoko sorriu um pouco mais enquanto Aiko balbuciava alguma coisa nos braços da madrinha, no mesmo ritmo em que era balançada. Pelo visto, ter passado tantos dias longe dela e a pressão que ele sofreu estando em outro país enquanto a namorada jantava com outro homem foram demais para Kuon, que mal havia retornado a Tóquio e já a procurava, ignorando que o combinado fosse se encontrarem somente no dia seguinte.
Imaginavam que ele estaria cansado demais da viagem e da intensa rotina de gravações, para a qual Yashiro fora dispensado em prol de permanecer no Japão cuidando das ofertas do ator e modelo. Uma semana cansativa, de fato. Somente não previram que o estado de nervos dele seria tal que estaria ansioso demais para estar com Kyoko para sequer pensar em descansar.
Como viu pelo relógio que já estava na hora de Naomi retornar do jantar com Yashiro, aceitou que Kuon fosse vê-la e riu contente quando ele apenas respondeu "ótimo, porque eu já estou a caminho!".
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Ela somente concordou com aquele jantar graças às interferências de Kyoko e Shinobu, que não a deixariam em paz se ela não aceitasse o convite de Yashiro. Para Naomi, a vida estava perfeita como estava: ela tinha Aiko e, ao alcance das mãos, o irmão favorito, as amigas, uma enorme rede de apoio, um trabalho estimulante e uma situação financeira confortável. Por que ela haveria de querer complicar as coisas introduzindo um novo elemento à rotina perfeita que ela tinha? Mas Kyoko, com seus convincentes e reluzentes olhos, passou dias a perturba-la com elogios ao homem que ela considerava um irmão mais velho, ao ponto de insinuar que consideraria uma desfeita pessoal se Naomi recusasse o último convite que ele fez e que Shinobu tentava faze-la aceitar por ser um prêmio ao desafio que elas fizeram.
"Maldita tequila!".
"Por que eu?", ela se perguntava insistentemente desde o primeiro convite, feito fez no dia seguinte à "reunião sobre o namoro". A partir de então, sempre que o convite era renovado Naomi se debatia em questionamentos que versavam basicamente sobre o interesse de Yashiro nela. O que ele poderia querer com ela, afinal? E por que não parava de convida-la, se ela sempre recusava?
Cansada de ouvi-lo encontrar alternativas a cada pequena desculpa que ela dava, passou a recusar as ligações dele. Quando ele passou a convida-la por mensagens, simplesmente deixou de lê-las, imaginando que sendo rude conseguiria fazê-lo desistir. Grande erro: tudo que o irritante sujeito fez foi adaptar novamente a tática e passar a convida-la pessoalmente, o que ele logo percebeu que a irritava sobremaneira, mas nem por isso ele deixava de tentar.
"Você não cansa de ser rejeitado? Quantas vezes mais eu terei que dizer não?"
"Eu realmente não pretendo sair com outra pessoa, então, nada me resta fazer senão permanecer convidando a única mulher que me interessa. Talvez um dia você resolva aceitar"
"Não vou!"
"Talvez sim"
"Isso se chama assédio!"
"Isso se chama 'convidar uma mulher interessante a passar algum tempo comigo'"
Pior que era verdade. Ele não insistia, não a perseguia, não invadia a privacidade dela, somente a convidava. Ele perguntava uma única vez, e sempre mudava a proposta: um café, um chá, um passeio no parque. Um almoço, um jantar, um drink após o trabalho. Uma feira de artesanato, um cinema, uma peça de teatro. Fogos de artifício, observar estrelas, caminhar na praia. Comida italiana, tailandesa, pizza com cerveja. Tomar um sorvete, andar a cavalo, jogar baralho. Naomi estava vendo a hora em que ele a convidaria para entrar em uma seita, e se fosse sincera consigo mesma, admitiria que uma parte dela aguardava com expectativa qual seria a inusitada proposta que ele faria da próxima vez, em uma atitude que dizia a ela que ele provavelmente tentava encontrar o convite que ela consideraria boa demais para recusar.
Até ele acertar o desafio que as amigas fizeram durante o estupor alcoólico. O primeiro a descobrir, na verdade. Naomi jamais imaginaria que ele utilizaria a oportunidade para pedir um jantar com ela, mas foi exatamente isso que ele fez. Ela o chamou de ardiloso, de aproveitador e perguntou se ele não tinha vergonha por tentar obriga-la a aceitar um convite dele, dizendo que aquela não era a atitude de um homem honrado. Tudo que ele fez foi sorrir. "Ao menos se defenda, homem!", e ele sorriu ainda mais. Excêntrico, irritante, imprevisível e, agora, deplorável, eram as características que Naomi atribuía a Yashiro.
Como ela era minoria naquela trama que parecia habilmente urdida para faze-la aceitar o convite, Naomi finalmente disse sim. Apenas para se livrar. Ela admitiu não ser páreo para a "força-tarefa" representada pela união entre Yashiro, Kyoko e Shinobu, mas fez questão de deixar claro que somente aceitava para ser deixada em paz. Como resposta, ele, exatamente como fazia quando ela dizia não, continuou olhando para ela como se pudesse lê-la facilmente – o que sempre a enervava – e sorriu o sorriso tranquilo de sempre.
No horário combinado para o jantar, contudo, olhou furiosa para o relógio: Yashiro estava atrasado. E Naomi abominava atrasos.
Não era a primeira vez que ela questionava a real competência do agente. Era certo que ela sabia da fama de Tsuruga Ren no quesito pontualidade e profissionalismo, e Kyoko não foi econômica ao enumerar as qualidades de Yashiro, tanto pessoais quanto profissionais, mas Naomi não se deixava levar facilmente pela opinião alheia e tudo que ela havia visto até então indicava que ele tinha a sorte de trabalhar com alguém do calibre de Ren. A petulância dele em se atrasar para aquele encontro, depois de passar meses a atormenta-la para que ocorresse, somente reforçava a ideia desfavorável que ela tinha sobre ele.
Jackson viu o momento exato em que a irmã olhou para o relógio, bufou e começou a bater o pé no chão, impaciente. Ele não conhecia o homem que levaria Naomi para jantar naquela noite, mas conhecia Kyoko e Ren e os dois garantiram que o sujeito teria uma conduta exemplar. Mas bom sujeito ou não, Jackson somente poderia sentir compaixão pelo pobre coitado que deixava Naomi esperando um minuto que fosse.
Dez minutos de atraso, e ela entregou os pontos. "Já chega! Eu não vou deixar Kyoko cuidando de Aiko em uma rara noite de folga, para um sujeito qualquer me fazer de boba!"
Jackson estava prestes a abrir a boca para tentar aplacar os ânimos da irmã e dizer que ela provavelmente só estava deixando a ansiedade levar a melhor sobre ela quando a porta do bar é aberta abruptamente e Yashiro surge com uma expressão aflita e em total desalinho.
"Naomi-san, perdoe-me! Barman, por acaso você tem algo comestível no bar?"
"Meu nome é Jackson... e sim, eu tenho algumas coisas, você poderia ser mais específico?"
Enquanto Yashiro contornava o balcão sem a menor cerimônia, os dois irmãos apenas observavam o aflito agente vasculhar a despensa como se não houvesse amanhã, registrando como o terno estava amarrotado e enlameado e havia alguns feios cortes em sua mão direita e pequenas manchas de sangue aqui e acolá.
"Cara, que diabos aconteceu com você? Lutou com um leão?". Yashiro deu um sorriso pesaroso. "Um leão seria mais fácil. Não, estou tentando capturar Naomi-chan!".
"Hm?" "O quê?", os irmãos perguntaram simultaneamente. Como ele apenas saiu do bar levando consigo alguns pedaços de comida, os dois foram atrás dele para tentar descobrir que raios estava acontecendo. Depararam-se com Yashiro deitado no chão, no beco do Hideout, o braço esticado desaparecendo atrás do contêiner de lixo. Jackson, que conhecia as redondezas do próprio bar, percebeu antes da irmã o que Yashiro estava tentando fazer e por isso mesmo achou melhor apenas voltar para o trabalho.
Naomi, temerosa porém curiosa, aproximou-se do agente tresloucado, apenas para ser advertida por ele a vir calmamente. Removeu os ridículos sapatos de salto alto que Kyoko a convenceu a usar e foi descalça para perto de Yashiro, que a recompensou com um sorriso. Devia haver algo de errado com ela, para achar extremamente sexy a imagem dele esparramado no chão e alternando o olhar entre ela e algo atrás do contêiner, e sussurrando (também para ela) palavras incompreensíveis que formavam quase um sibilo.
Quando ela finalmente se agachou perto dele, ele lentamente recolheu o braço, mas não sem contrair o rosto algumas vezes em esgares de dor. Primeiramente, Naomi ouviu silvos, e exatamente quando o gato ficou visível ela pôde ver a abusada mão de Yashiro sendo ferozmente atacada.
"Solte! Solte ele! Não vê o que esse bicho está fazendo com você?", ela falou aflita.
Muito calmamente, Yashiro aninhou o animal no peito como se ele não estivesse se debatendo enlouquecidamente e fincando os pequenos e afiados dentes na mão que o protegia, até finalmente conseguir segura-lo adequadamente e quase hipnoticamente acaricia-lo enquanto sussurrava a explicação para Naomi. "Eu não vou soltar a gatinha. Ela precisa de mim. Vê? Ela só está me atacando porque está ferida e assustada!". Lentamente, Yashiro mostrou as feias feridas que a pequena criatura possuía. "Preciso leva-la ao veterinário. Você pode dirigir?".
Era uma missão, e Naomi era boa com missões.
Em poucos minutos estavam em uma clínica veterinária, e era óbvio que Yashiro era um cliente conhecido pela maneira como todos o tratavam. Assim que a gatinha recebeu os primeiros socorros e foi internada, Naomi praticamente o arrastou a um hospital para que ele pudesse ser medicado e ter as feridas tratadas, aproveitando todo o caminho para repreende-lo sobre a imprudência de se permitir atacar por um animal desconhecido e provavelmente cheio de doenças.
Ela nem viu quanto tempo gastaram entre a clínica veterinária e o hospital. Naomi apenas observou a situação todo o tempo, percebendo como ele interagia com as pessoas e lidava com as situações. Ela também obteve algumas inusitadas informações sobre ele, como ele ter sido criado com gatos praticamente desde que nasceu, vir de uma família matriarcal e ter três irmãs, duas tias, cinco primas, uma sobrinha e cada uma delas ter um gato. Aliás, a convivência dele com mulheres explicava porque ele tinha aqueles irritantes trejeitos que Kyoko apelidou de "modo fangirl", da mesma forma que ela, criada com um bando de homens, sofreu boa parte da vida ao ser ridicularizada pela maneira masculinizada de se vestir, andar e falar.
Dirigindo de volta para a Sede, já que ele estava com as mãos enfaixadas, ela remoía as emoções indesejadas, rejeitando com todas as forças a ideia de que eles compartilhavam algo além da profissão. Era clichê demais que ela o discriminasse da mesma maneira que ela era discriminada.
Ela não poderia estar transformando em ira o simples medo de ser desejada como mulher e rejeitando-o apenas por conta do trauma causado por Justin. Não podia ser tão banal assim! Então, para recobrar o controle da situação, ela decidiu reafirmar para ele e para si mesma que não tinha a menor intenção de permitir que ele derrubasse a muralha que ela tão cuidadosa e arduamente ergueu, e para tanto nada melhor que o repreender pela conduta imprudente da noite.
"Não tenho medo"
"Deveria. Você não a conhece"
"Eu não preciso conhece-la para ter compaixão por ela. Você só se compadece por quem você conhece?"
"Claro que não! Mas eu também não seria imprudente de ficar suportando ela me atacar e correr o risco de me ferir seriamente!"
"Bem, você me pareceu preocupada o suficiente para andar descalça e dirigir feito uma doida até a clínica, então eu digo que você é bem mais compassiva e imprudente do que pensa!"
Ao olhar irritado de Naomi, Yashiro respondeu com o famigerado sorriso de sempre. Como ela optou por simplesmente dirigir, ele resolveu tentar sorte, afinal, nada tinha a perder.
"Sem mencionar que Naomi-chan merece uma chance"
Era a segunda vez na noite que ela ouviu algo do tipo, e finalmente a fez constatar que ele havia batizado a gata com o nome dela.
A gata que ele "capturou". A gata que ele insistiu em remover da situação em que estava, a despeito dela se debater e o atacar. A gata que ele apaziguou e para a qual procurou tratar das feridas. O que foi mesmo que ele disse sobre a gata? "Eu não vou soltar a gatinha. Ela precisa de mim. Vê? Ela só está me atacando porque está ferida e assustada!"
Os pensamentos se atropelaram e a constatação não demorou sequer dois segundos para acontecer. Ela já não sabia dizer se Yashiro estava falando dela ou da gata, propositalmente batizada com o nome dela, praticamente em todos os diálogos que eles travaram naquela noite. Era isso que ele pensava dela? Era isso que ele pretendia fazer com ela? "Maldito!"
Naomi deu uma guinada com o volante e freou bruscamente o carro, por sorte conseguindo deixa-lo no acostamento a apenas um quarteirão da Sede. Yashiro, atônito, olhou para ela, apenas para ficar mais estarrecido: Naomi era a imagem da mais crua indignação.
"Seu arrogante filho da puta!"
"Naomi-san..."
"O que você pensa que sabe sobre mim?"
"Eu..."
"Quem você pensa que é?"
"Espere..."
"Quem lhe deu o direito de se intitular meu salvador?"
"Eu não..."
"Eu não preciso de você!"
"Eu nunca..."
"Acha que só porque me viu algumas vezes, pode fazer de mim o seu próximo projeto?"
"Projeto?"
"Acha que eu quero a sua compaixão?"
Algo dentro de Naomi se partiu, fazendo-a se odiar por ter vontade de chorar. Incerta sobre conseguir ou não se controlar, ela batalhou contra o cinto de segurança para conseguir remove-lo e finalmente saiu do carro, batendo a porta com toda a força que tinha e praticamente correndo para a calçada.
Yashiro, que até então somente tentava acompanhar, atônito, o raciocínio dela, demora não mais que um segundo para também sair do carro e correr atrás dela.
Bruscamente removendo o braço que ele segurou, Naomi finalmente se descontrola e passa a gritar entre lágrimas.
"Por mim, você enfiar a sua compaixão bem no meio do seu..."
"NAOMI-SAN!"
"Eu não me importo! Eu não dou a mínima se alguém vai me julgar!"
Percebendo que eles finalmente começavam a atrair olhares dos poucos transeuntes da área, Yashiro a abraça e esconde o rosto dela o melhor que consegue, conduzindo-a um pequeno beco entre os dois prédios mais próximos.
Inicialmente chocada com a atitude dele, Naomi apenas se deixou conduzir, mas assim que recobrou o juízo, começou a se debater. Ela já o estava atacando, usando os punhos o melhor que conseguia na posição em que estava, com os braços quase presos pelos braços dele, mas estranhamente se acalmou quando ele começou a sussurrar.
"Você pode não dar a mínima para a opinião alheia, mas tenho certeza que se importa com a carreira de Kyoko!"
Foram as palavras mágicas que a fizeram parar de vez e perceber que ela, a agente de uma celebridade em ascensão, estava descalça, desalinhada, aos prantos, gritando obscenidades no meio da rua para o agente de Tsuruga Ren, o mesmo agente que ela já havia rotulado como um incompetente sortudo que somente prosseguia na carreira pelo talento ímpar do profissional com o qual trabalhava.
Se o somatório da noite não fosse o suficiente para rende-la, certamente a maneira possessiva e carinhosa com a qual ele a acomodou melhor e a abraçou mais fortemente foram o necessário para que ela desmoronasse por completo. Com o rosto escondido no pescoço dele, ela chorou talvez o equivalente por uma vida inteira de lágrimas. Ela chorou a morte do pai, depois a morte da mãe, depois o bullying da adolescência, depois a solidão da vida universitária, depois a traição de Justin, depois a gestação atribulada, depois mais solidão, até finalmente perceber que ela já estava chorando de arrependimento por ter passado tão pouco tempo com o pai, ter conversado tão pouco com a mãe, nunca ter procurado ajuda contra as ofensas que aguentava calada, nunca ter tentado de verdade se relacionar com as pessoas, nunca ter confrontado Justin e nunca ter dito às pessoas que amava o quanto se sentia sozinha e assustada sendo mãe solteira.
Mas, principalmente, agora ela se arrependia por ter agredido tanto um homem que somente demonstrou interesse.
Como se todos os homens que se interessassem por ela fossem automaticamente iguais ao Justin.
Ela já não chorava, mas também não se afastava de Yashiro. E, sendo assim, ele também não a soltava. Seria errado, ele pensou, se ela permanecesse agarrada a ele apenas por estar exaurida e ele estivesse se aproveitando do fato para usufruir de mais alguns segundos abraçando-a, mas sinceramente ele não dava a mínima. Até ela quebrar o silêncio com uma confissão inusitada.
"Eu tenho uma filha"
"Hm?" Ele ouvira corretamente?
"Eu disse que tenho uma filha"
Como ele permaneceu calado, ela decidiu contar de uma vez o que, para ela, resultaria com certeza no afastamento definitivo dele.
"E não sou casada. Eu sequer tenho contato com o pai dela. Ele me abandonou. Quando eu engravidei. Me chantageou para abortar"
"..."
"Ele era o artista que eu agenciava. Eu saí da minha agência anterior por causa disso"
"..."
"..."
"..."
"Você me entendeu? Eu disse que tenho uma filha!"
"Claro que você tem"
Naomi estava apreensiva por conta do silêncio dele, imaginando que, assim que o choque passasse, ele a soltaria como se ela tivesse uma grave doença infectocontagiosa, mas a resposta dele estava além da imaginação.
"Claro que você tem uma filha. Não poderia ser um filho, não... tinha que ser uma menina". Por mais estranhas que fossem as palavras dele, quando ele começou a rir baixinho Naomi pensou que a vibração do riso dele era a coisa mais reconfortante que ela já havia sentido. "Parece que a minha sina é viver cercado por mulheres, não? Não que eu esteja reclamando, mas já pensou se Ren surgisse amanhã com a ideia de mudar de sexo? Deus, aí sim eu estaria 100% rodeado de mulheres!"
Naomi começou a rir também, não por conta da piada, mas por puto alívio. "Se bem que teve uma vez em que eu tentei imagina-lo desfilando como uma mulher, na época em que ele ensinou Kyoko-chan a caminhar como uma modelo, e confesso que fiquei um tanto perturbado com as imagens que a minha mente conjurou, mas..."
Ela já não prestava mais atenção ao que ele dizia, apenas o abraçava com força e sorria ao ouvi-lo devanear sobre tudo e nada. Eventualmente ela começou a se sentir fraca, e ele deve ter percebido, já que a levou de volta para o carro e dirigiu o pequeno trajeto restante até a Sede. As mãos já estavam boas o bastante para tanto, e ficaram ainda melhores quando ela, muito tímida, disse que aquele encontro não havia valido porque eles não tinham jantado, portanto ela aguardaria que ele a convidasse novamente.
Yashiro dirigiu para casa em uma nuvem de satisfação, com alguns cortes a mais, mas plenamente realizado. Naomi, sorrindo apesar da dor de cabeça que se anunciava graças ao choro de minutos antes, tirou Aiko do colo de Kyoko e voltou para casa, apenas registrando brevemente que Kyoko, acompanhada por Ren, parecia um tomate maduro.
Se a agente estivesse em estado normal de vigilância, teria percebido como ele, extremamente desconfortável, olhava na direção oposta, e como Kyoko, mortificada de vergonha, parecia desejar que o chão se abrisse e a engolisse.
Mas Naomi não percebeu nada disso graças à magia operada por Yashiro, como também não percebeu que, momentos antes, quando ela retirava Aiko dos braços de Kyoko, a pequena tentara se agarrar à adorada madrinha, sendo bem-sucedida em puxar, com a gorducha e pequena mão, a blusa (e parte do sutiã) que Kyoko usava, expondo breve mas totalmente um seio aos olhos de Kuon.
N/A – Consegui! Nem acredito que consegui! Este capítulo saindo tão cedo foi inesperado, mas eu realmente não conseguia mais suportar Yashiro me perturbando o juízo e dizendo que ele estava aparecendo muito pouco! XD
Vocês se lembram do gato que assustou Ren nos primeiros capítulos? Quando ele foi procurar por pistas de Kyoko no Hideout? Não? Oh, bem, havia um gato, e agora Yashiro a tirou das ruas. Ele resgatou duas Naomi's, na verdade... Na mesma noite! Que sujeito eficiente, não? XD
E eu simplesmente não me canso de submeter Kuon a torturas e Kyoko a situações constrangedoras... Sério, é meu hobby! XDD
