Notas da Autora: Finalmente! :o

Estou cheia de sono, mas ainda estou acordada, à frente do PC (é uma sorte ainda não ter caído para o lado; vejam só o amor que sito pelo FF.N)! Pensei que iria ter que ficar, pelo menos, mais uma hora acordada, mas parece que isso não será necessário (ainda bem, preciso dormir!). (Por favor, compensem o tempo em que me mantive acordada…) Depois de terminar a história, tive ainda a escrever as notas finais e a responder aos reviews, deixando estas notas finais para o último. Boa leitura!

Desculpem qualquer erro!

.

Colecção de Drabs de SxS

Drab 36 – Toshite Tenshi

として天使

Como os Anjos

By Ying-Fa Kinomoto Lee

.

Comecei no dia 25 de Agosto às 19:04/Terminei no dia 28 de Agosto às 23:47

.

(Sakura)

.

Eu estava maluca. Só poderia estar louca! Uma pessoa normal não teria uma ideia como aquela. Nem chegaria tão ao extremo para a realizar.

Sim, eu devo ter perdido a cabeça. Pelo menos, por hoje.

O céu já tinha escurecido e naquele momento havia apenas três tipos de pessoas a passarem por aquela rua. Primeiro tipo: pessoas que tinham saído para uma "noite de copos", em que andavam aos zig zags pela rua. Segundo tipo: casais de namorados que certamente tinham como destino um Love Hotel. Terceiro tipo: pessoas com características corporais duvidosas. E claro, poderia se disser que existia um quarto tipo, o meu tipo, que era: pessoas em busca de companhia. Não estejam a pesar o pior. Eu não estou em busca de uma companhia masculina, apenas estava ali porque eu precisava de algo que apenas alguém do sexo oposto poderia dar-me. Mas não estou a falar de sexo, embora seja verdade que para obter o que desejo terei que o fazer…

Para quem ainda não captou a ideia, eu estou a pensar em ter um filho. E tive esta ideia absurda de pagar a um homem que me é desconhecido para ter relações comigo e assim poder satisfazer o meu desejo.

Estou louca, não estou? Digam-me, estou louca?

O prédio que se encontrava à minha frente não tinha mais do que cinco andares. No rés-do-chão encontrava-se um letreiro que identificava um karaoke. Mas sabia que os outros nadares desse mesmo prédio não pertencia ao karaoke, mas sim a um "Host Club", que até poderia ter um karaoke, só que esse de certeza que não seria o divertimento número 1 daquele lugar.

Engoli. O meu nervosismo começava aumentar, notando-o pelas minhas mãos que estavam a ficar húmidas. Entrei pela porta que asseguravam ser a entrada do tal Host Club. Para ser sincera eu ouvi falar sobre este lugar por colegas de trabalho, que diziam ser o paraíso dos paraísos, em termos de homens. Pensei: se iria ter um filho, porque não escolher o melhor espécimen masculino para o conceber?

Senti um vulto passar por mim. Apercebi-me que era algo muito mais alto que eu, mas percebi, também, que era uma pessoa, um bishounen daqueles que são capazes de fazer qualquer mulher desmaiar. Era a minha oportunidade e nem precisava de entrar naquele lugar para avistar o meu alvo. Agarrei uma ponta do seu terno, fazendo-o parar e virar-se na minha direcção. Aproveitei o momento para ver melhor as suas feições.

És uma sortuda, Sakura! O teu filho será o mais bonito entre todos os rapazes japoneses da sua geração!

-. Hey, vem aqui comigo. Quero propor-te algo. – disse, ganhando confiança em mim mesma.

.

(Syaoran)

.

Eu não acredito que o meu tio seja capaz de fazer algo como isto! Simplesmente não posso acreditar!

Era já o colmo ele ser dono de um Host Club, mas também queria que o seu querido sobrinho, filho do seu querido irmão, substituísse alguém do seu Host Club por este estar doente? Não, era impossível. Não podia ser, já que ele sabia como eu reagia em relação às mulheres.

Mas lembrei-me do que ele respondera ao telefone, depois de lhe disser que era impossível. "É só fazer companhia a uma ou duas mulheres, nada mais. E ainda tens bebida e doces pelo resto da noite. Uma noite na companhia de alguém do sexo oposto só te faz bem!". Era perfeitamente capaz de imaginar a sua cara no outro lado na linha, enquanto dizia isso. O seu sorriso devia de estar de orelha a orelha de tanta piada que ele deveria ter achado ao que acabava de disser. Era nestas alturas que eu desejava um tio normal, com um emprego normal.

Olhei para o meu relógio. Onze horas da noite, lindo!

Apresei o passo. Olhei para a frente. Tinha chegado. Esperava não ver ninguém conhecido… Não suportaria a vergonha que iria passar se isso acontecesse.

Enquanto passava pela porta de entrada do prédio onde ficava o Host Club do meu tio, senti um braço puxar-me, impedindo-me de continuar o meu percurso.

Virei-me. E lá estava, a mulher mais linda que alguma vez tinha visto. Não é que eu me importasse com a beleza (até àquele momento nunca tinha realmente prestado atenção a uma mulher, pois era raro ter contacto com pessoas desse sexo), mas sei ver se elas são bonitas. Claro que a sua beleza era distinta, pois era raro que um japonês tivesse olhos verdes (claro, um dos seus pais teria que ser estrangeiro ou filho de algum estrangeiro, pois naturalmente os japoneses apenas têm olhos da cor castanha).

-. Hey, vem aqui comigo. Quero propor-te algo. – disse essa mulher, interrompendo os meus pensamentos.

Senti-me fora do lugar, mas ainda assim segui-a. E ela continuava a puxar-me.

Ela parou poucos metros depois, num beco onde não havia ninguém, pelo menos de momento. Começou – Trabalhas naquele Host Club, certo? – ela perguntou, meio insegura, virando os olhos da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, repetitivamente.

-. Sim, por hoje. – disse-lhe a verdade. No momento em que terminei ouvi um suspirou de alívio.

-. Bem, não terei a oportunidade de entrar num Host Club pela primeira vez. – disse, rindo-se, mas percebi que ela ainda estava nervosa. – Eu queria comprar a tua companhia durante uma noite. – continuou. Depois tirou a mala que levava ao ombro, abrindo-a.

Percebendo que ela iria tirar a carteira, sussurrei – Este não é o melhor sítio para isso. – Desta vez segurei-a eu e guiei-a para um lugar mais iluminado.

-. Oh… é a primeira vez que faço isto, por isso estou um pouco nervosa… - ela disse, irrequieta. Eu já tinha percebido isso, mas não pensei que ela o dissesse tão abertamente. – E eu queria pedir por… ahh… não sei como disser isto! – ela revirou os olhos, enquanto colocava ambas as mãos na cabeça. – Parece absurdo, mas eu queria passar uma noite contigo. Claro, eu irei pagar o que for preciso.

Arregalei os olhos. Pelo que eu soubesse os gigolôs não consumavam fazer esse tipo de serviços. Por isso disse – Não sabe que gigolô não costuma fazer esse tipo de serviços? – vi que as suas bochechas mudaram para uma cor rosada quando disse a palavra "gigolô". De certeza que ela não estaria habituada a ouvi-la, assim como eu de a dizer.

-. Sim, eu sei, mas… - o seu rosto tinha uma expressão séria quando disse o seguinte – Mas tenho que fazê-lo, definitivamente.

Fiquei surpreso pela maneira que ela pronunciou aquela última frase. "Mas tenho que fazê-lo, definitivamente". Fiquei intrigado… Porquê tanta seriedade num assunto desse tipo? Até porque esse tipo de coisas costuma ser feito, pelas mulheres, com as pessoas que gostam verdadeiramente, e não com um simples desconhecido.

-. E não quero a sua opinião. – parece que ela notou a maneira em que a observava – O que importa é que eu tenho suficiente dinheiro para pedir que me faça esse serviço. – arregalei os olhos.

-. Olhe, devia ter dito isto antes, mas sou o sobrinho do dono daquele Host Club. Eu vim hoje para substituir um empregado do meu tio, contra a minha vontade, é claro, mas como ele é da família não pude negar. – disse, finalmente.

-. Oh… - apenas disse. – Acho que a final vou conhecer um Host Club… - murmurou, olhando para o chão.

Parecia haver humor no ar, mas decidi comportar-me como se não tivesse percebido a piada. Disse-lhe – Mas como lhe disse antes, o Host Club não oferece esse tipo de serviços, por isso seria uma perda de tempo sequer pensar que isso poderia acontecer.

-. Mas eu tenho que arranjar alguém, com certeza! - ela elevou o tom da sua voz, mas não chegou a gritar. – Eu com certeza posso pagar o que for preciso, por favor. – ela parecia estar desesperada. Se não fosse para fazer esse tipo de coisa, eu estaria disposto a ajuda-la, mas é que eu não sou o melhor em termos de "conviver com mulheres".

-. Bem, se está tão desesperada eu poderia encontrar alguém que… - senti-me indisposto e espirrei.

-. Santinho. – disse – Alguém deve estar a falar de si. – disse e eu ri, pensando que essa pessoa deveria de ser o meu tio.

Ficámos em silêncio.

-. Talvez não devesse fazer isto. Talvez escolhi o dia errado. – ela disse, olhando-me pelo canto do olho. – De certeza que não estaria interessado? – quase dei um salto pelo susto que essa pergunta me provocou. Porque é que ela voltava ao mesmo assunto? E… porque eu?

.

(Sakura)

.

Estava interessada naquele homem, e de certeza que ele seria o prefeito espécimen para o que eu desejava. Cheguei a perceber o nervosismo que existia nele, mas pensei que não seria por mim, pois alguém da idade que eu pensava que ele teria, já tinha mais experiência no assunto do que os homens da idade média.

-. De certeza que não estaria interessado? – voltei a perguntar, caso ele sofresse de problemas auditivos, o que de certeza não seria o caso.

Não obtive resposta.

-. Ok, pensa que esta é uma curtição, apenas por uma noite, sem relacionamentos que nos atem. – disse, mas ele continuo em silencio. – E ainda receberás por isso! – acrescentei.

-. Porque só falas de dinheiro? Ele é tudo para ti? – finalmente falou, mas não gostei da sua resposta.

-. Apenas pensei que isso poderia alterar a tua resposta. – confessei.

-. Mas nem a disse ainda. E já agora que falas nela, a minha resposta é não. – disse, e eu olhei-o – Eu não sou o único homem no mundo, nem estaria disposto a fazer algo desse género, e acho que nem tu deverias fazer isso.

-. Se não quiseres, então irei buscar outro. Como disseste, existem muitos homens no mundo, não preciso de ti. – disse, enfurecida, começando a andar, deixando-o para trás.

Como é que ele se atrevia? Claro que eu não podia ficar assim, já que eu tinha proposto algo que ele poderia recusar, se quisesse, e isso não poderia magoar o meu ego, eu não deixaria.

.

(Syaoran)

.

Ela devia ser a mulher com o maior temperamento que eu alguma vez conheci! E era uma mulher tentadora. Mas eu não podia. Durante toda a mina vida considerei o sexo feminino meu inimigo. Algo que vem deste a minha infância, com a minha desnaturada mãe, até às artimanhas criadas por pessoas desse mesmo sexo que apenas queriam aproximar-se de mim para depois me exibirem como um troféu, não pelo meu ser, mas pelo meu corpo. Odiava esse tipo de pessoas, e para mim todas as mulheres eram assim.

Lembro-me de muito pouco da minha infância (e agradeço por isso, porque muita coisa má terá acontecido nesses tempos que o meu pai esconde-me hoje em dia), mas aquilo que eu me lembro é de uma voz grave, pouco feminina, enfurecida, zangada. Sons de vidro e porcelana a quebrarem-se. O chamado "inferno". E lembro-me, também, de, no meio desse inferno, ver anjos, como descrevem nos contos, pessoas vestidas de branco. Esses eram os meus momentos de paz. O espaço onde me encontrava tinha paredes brancas, as pessoas que me atendiam estavam vestidas de branco. Apenas não tinham as assas… Claro que agora sei que aquilo não passava de um hospital, que era um sítio onde ficava durante várias semanas seguidas. Por um lado agradeço por aquilo ter passado durante a minha infância, pois agora, em adulto, é difícil recordar coisas que aconteceram quando era muito pequeno. Mas por outro lado não agradeço, por não ter tido uma oportunidade para me defender, já que era muito pequeno.

Pensei: nunca na minha vida tinha prestado realmente atenção a uma mulher, e esta era a primeira pela qual me interessava. E ela pedia-me apenas uma noite… Terminar com a minha virgindade que já tanto me envergonhara era um bom motivo para utiliza-la, para aceitar a sua proposta.

Poderia ser um solteiro para o resto da vida, mas pelo menos teria um relacionamento ao qual poderia lembrar-me para sempre, e sem a necessidade de estar ligado emocionalmente com essa mesma mulher, pois hoje deitávamos e amanhã desaparecíamos.

Porque não? Já que eu hoje sou gigolô, porque não fingi-lo realmente?

-. Hey, espera! – gritei, começando a correr, tentando alcança-la. Ela pareceu surpresa – Eu concordo, mas fica combinado que a única coisa que o teu dinheiro pagará será o quarto de hotel. – disse, pois não queria que a minha primeira vez fosse comprada por alguém que eu nunca tinha visto na vida.

.

(Sakura)

.

Abri a porta do quarto do Love Hotel. Suspirei. Não estava preparada para isto.

O quarto tinha as paredes pintadas de um tom creme, mas, como já era de noite, não conseguia notar essa cor, e apenas reparei nela no momento em que acendi a luz. O quarto apenas tinha uma cama de casal, com uma mesa-de-cabeceira no lado esquerdo e outra no lado direito. Tinha, ainda, um sofá azul claro para duas pessoas, e uma mesa branca em frente. No chão existia um tapete, imitando a pele de um animal peludo, de cor creme. Caminhei até à cama, sentando-me nela em seguida. Senti o colchão da cama moldar-se de acordo com o meu peso. Senti que o colchão era confortável, e reparei na roupa de cama. Era às ricas, com as cores azul claro e creme. Numa das mesas-de-cabeceira havia um pequeno vaso de vidro que tinha uma rosa vermelha. De facto, era o que se destacava mais naquele quarto por ter a cor mais escura que todas as outras coisas existentes nesse quarto.

Olhei para a porta e reparei que ele ainda estava ali, encostado na ombreira da porta. Observei-o enquanto retirava a gravada que utilizava à volta do pescoço. Embora qualquer pessoa pensasse que fosse um gesto sensual, eu reparei que na realidade ele estava nervoso, pois enquanto retirava a gravata via-se que as suas mãos tremiam.

-. Vêm… - disse, fazendo um gesto com as mãos. E aí soltei o essencial para o plano resultar – E não te preocupes, estou a tomar a pílula. – ele pareceu surpreender-se, mas começou a andar na minha direcção.

-. Outra vez aqui! – ouvi o som de uma voz conhecida. Virei-me. Vi a professora olhar na minha direcção com "cara de poucos amigos".

-. Não queria atrapalhar a sua aula. – disse, envergonhada.

-. Mãe! – o som de outra voz chegou-me aos ouvidos. Olhei para a porta que se encontrava atrás da professora e vi o meu filho na ombreira. Também estava com "cara de poucos amigos" – Mãe! Já sou grandinho o suficiente para não andares atrás de mim! – ralhou e eu arregalei os olhos. Oh, que temperamento tinha o meu filho… Não tinha saído a mim. Nada nele dizia que era meu filho. Deste a cor dos cabelos até ao seu comportamento. As pessoas que me conheciam ficavam admiradas pela diferencia existente entre nós. Eu sabia que pessoas com menos carácter tinham espalhado teorias de que ele seria adoptado, já que eu era uma mãe solteira. Alguém que necessitava tão desesperadamente de um filho como eu era perfeitamente capaz de fazer isso, era o que esse tipo de pessoas pensaria.

A realidade é que esse filho era meu, eu tinha sentido a dor do seu nascimento, e o prazer de o trazer a este mundo.

Sendo a minha família uma das mais influentes do Japão era claro que esperavam algo da filha do Governante da família. E isso era um herdeiro. Sorte a minha era que o meu pai era alguém bastante benevolente, sem medo de vergonhas e escândalos familiares, que sabia que o meu sonho não era o casamento, o amor, mas sim o meu emprego. Tinha proposto apenas um herdeiro, sem a necessidade de um casamento, e era isso que tinha feito. O meu filho tinha sido o resultado disso. Embora pareça desumano, eu realmente ganhei um gosto por isto de "ser mãe". Realmente era algo que me agradava, e infelizmente (palavras do meu filho, que não gostava de carinho excessivo), isso tornara-me numa "mãe galinha", o que eu adorava ser, e por isso estava sempre preocupada pelo bem-estar do meu filho. Admito que muitas vezes exagero, mas as mãe têm esse direito, não?

-. Não devias estar no hospital, mãe? – perguntou, o tom da sua voz demonstrava que ele ainda estava zangado.

-. Sai uma hora mais cedo. Hoje havia menos pacientes do que o costume. – expliquei, indo em direcção ao meu filho, ignorando a professora. Compreendia o enfado dela, pois não era a primeira vez que aparecia assim de repente na escola do meu filho, e nem seria a última – Pensei passar pela tua escola. – peguei numa das suas bochechas, puxando-a – Não estás contente por ver a tua mãe? – ele continuava com uma cara séria, que não durou muito tempo, pois segundos depois ele ria, divertido com o que eu fazia às suas bochechas.

-. Mas terá que ficar no lado de fora da sala. – disse a professora, talvez querendo assegurar que eu não me tinha esquecido da sua presença – Desculpe-me, senhorita Kinomoto.

-. Não têm importância. E desculpe-me a mim. – disse. Acenei ao meu filho ante deste voltar para dentro da sala juntamente com a professora.

Voltei para o meu carro, que tinha deixado no estacionamento existente fora da escola. Entrei no carro, ficando quieta por alguns segundos. Depois liguei o rádio, começando a pensar.

À muito tempo atrás tive um terrível acidente, no qual morreu a minha mãe. Em consequência disso tive vários ferimentos e por isso fiquei num hospital durante alguns messes, até receber alta. Durante a minha estadia nesse hospital descobri a minha paixão oculta por aquele lugar. O facto de as pessoas ajudarem as mais necessitadas, aquelas a quem a vida poderia ter sido retirada se não houvessem aquelas pessoas vestidas de branco para as salvar. Embora tivesse perdido a minha mãe, tinha ganhado algo novo que me varia viver e viver. E isso era a medicina. Claro que no inicio o meu pai foi contra. Primeiro dizia que eu era muito nova para ter a certeza da profissão que exerceria no futuro, afinal, uma pessoa com onze anos era muito nova para tomar uma decisão tão importante como essa. E sabia, também, que o meu pai não queria perder-me, sobretudo depois de tudo o que aconteceu com a minha mãe, afinal os meus pais amavam-se muito. Mas ao ver-me crescer e não querendo mudar de opinião, ele próprio foi mudando a sua. Enfim, era a sua querida filha, o que mais ele poderia fazer? Ele sabia que eu não nunca tinha ligado ao amor, pois a medicina era a minha única paixão, e nem queria forçar um casamento que certamente seria infeliz. Por isso, após o dia em que realizei o meu sonho, pediu-me apenas que lhe desse um herdeiro, para que o futuro da família estivesse assegurado, afinal de contas eu nunca esperava casar-me e o meu pai preferia que eu tivesse um filho fora do casamento do que nunca ter tido um filho.

Ainda me lembrava do dia em que o tinha concebido. Não queria arriscar, sendo virgem, de fazer uma fecundação in vitro. Sabia que isso era só um mito, mas, mesmo assim, eu estava morta de medo pela possível dor que poderia ter. Nem acredito como eu consegui sobreviver ao parto… O certo é que eu paguei a um gigolô para "fazer o meu filho" sem ele próprio saber, mentido no "estar a tomar a pílula", fazendo com que ele não se preocupasse com uma possível gravidez. Mas lembro-me que ele era o gigolô menos experiente que alguma vez deve ter existido. Claro que ele não era realmente um gigolô, mas fez o papel de um durante aquela noite. E ainda me lembro o seu custo. Um quarto de hotel, nada mais! Mas o mais engraçado fora a própria concepção. Nunca soube qual de nós tinha estado mais nervoso durante aquela noite. Ah, ah, com certeza, estava contente com a minha escolha, adorava o meu filho!

O toque do meu telemóvel (celular) fez-me "acordar". Olhei na direcção da minha mala, que estava no banco ao lado. Vi uma luzinha e consegui ver o nome que estava no ecrã sem mexer na mala. Oh, não!, pensei, horrorizada. Rapidamente olhei para o rádio do carro e gemi ao ver as horas – Oh, não! – desta vez disse-o em voz alta. Tirei rapidamente o telemóvel da mala e carreguei no botão verde.

-. Sim? – perguntei, sabendo perfeitamente quem estava no outro lado da linha.

-. Não te esqueceste que dia é hoje, né? – no outro lado da linha falava uma amiga chamada Tomoyo, filha de um grande amigo do meu pai e, consequentemente, acabamos por tornarmos melhores amigas.

-. Eu sei, eu sei perfeitamente! – disse. Não gostava quando a Tomoyo se zangava. Ouvi uma das janelas do carro bater e vi que era o meu filho, que estava à espera que lhe abrisse a porta para ele entrar, pois o carro estava trancado. Destranquei rapidamente o carro e fiz um gesto para ele entrar.

-. Estou à tua espera. Chega assim que puderes. Sabes que não temos muito tempo. – disse.

-. Sim, sim, eu sei! Eu chego aí daqui a uns 10 minutos, não te preocupes. – disse – Txau.

-. Txa… - não deixei despedir-se, pois terminei a chamada antes dela terminar de falar.

-. Era a tia Tomoyo? – o meu filho perguntou enquanto tentava colocar o cinto.

-. Sim. – respondi – Precisas de ajuda?

-. Não, – nesse momento ouvi o "clique" – eu posso fazer isto sozinho.

-. Claro que sim, grandalhão. – ri e vi pelo espelho retrovisor que ele tinha uma cara de emburrado. Ahh… ele ficava tão fofo assim!

Mais tarde, entrei numa casa tremendamente grande e antiga, onde naquele dia realizar-se-ia uma festa para pessoas de Elite. Encontrava-me com a Tomoyo e com o meu filho. O seu rosto tinha uma feição serena. Afinal, ele estava habituado a este mundo deste que era um bebé. O nosso vestuário era um vestido sem muitos detalhes. O meu era branco, enquanto que o da Tomoyo tinha uma cor lilás. E o meu filho estava com o seu já habitual terno de uma cor azul escura. Era o único que eu gostava deste tipo de festa, ver o meu filho vestido de terno. Ele ficava tão fofo!

Senti olhares. Segurei a mão do meu filho – Vamos, meu filho. Vamos procurar pelo avô. – Os seus olhos brilharam quando ouviu falar do avô. Eu acreditava que o meu pai era o modelo masculino que o meu filho seguia, pois era o único homem que ele costumava ver, excepto por empregados ou por colegas do meu trabalho. Avistei-o uns minutos depois, conversando com alguns homens com quem compartilhava negócios – Olá, papá. – cumprimentei-o com um beijo numa das suas bochechas.

-. Olá, minha filha. – ele saudou calorosamente – E como vai o meu netinho? – perguntou, abaixando-se, ficando ao mesmo nível que o meu filho.

-. Cresci três centímetros! – exclamou, como se fosse a noticia do século, cheio de orgulho.

-. Oh, não tarda nada ultrapassarás o teu avô. – respondeu, sorrindo.

-. Ahh… ainda falta muito para isso acontecer. – o meu filho respondeu, sentindo-se decepcionado. E o meu pai riu com a sua resposta.

-. Verás que o tempo voa e daqui a nada serás muito maior que eu. – respondeu, também com orgulho.

Agradeci ao meu pai em pensamentos. Se não fosse por ele, esta sociedade não aceitaria tão abertamente o meu filho, sendo que ele tem um pai incógnito. Mas isso não fazia com que não houvesse uma ou outra coscuvilhice por ai. Mas eu não me importava. Poderiam falar tudo o que quisessem sobre mim, deste que não fizessem sofrer o meu filho por algo que eu escolhi fazer e não ele, pois afinal ele não teve culpa de nascer daquela forma.

Tive a impressão de ter ouvido um riso e instintivamente virei-me. Atrás de mim estava uma mulher de kimono que tapava o seu sorriso com um leque. Eu a reconheceria com qualquer vestuário. Era mulher de um homem que também pertencia a uma família muito influente do país. E fora ela quem andara a insinuar coisas sem fundamentos quando a minha gravidez fora descoberta.

-. Boa Noite, minha querida. – ela desejou. A sua doce voz era como um feitiço que nos encantava. – E como vai o menino Hiro? – ela perguntou, virando-se para o meu filho.

-. Muito bem, obrigada por perguntar. – disse com um sorriso, antes que o meu filho pudesse responder.

-. Cresci três centímetros! – o meu filho disse.

-. Oh, que menino crescido. – apenas respondeu.

Reparei que o seu filho estava a aproximar-se e encolhi-me. Preferia estar no hospital, mas tinha que fazer isto pelo meu pai – Boa Noite, senhorita Kinomoto. – cumprimentou o filho mais velho dessa mulher, que agora tinha uma das suas mãos pousada num dos ombros da sua mãe.

-. Boa Noite Keiichi. – respondi formalmente. O significado do seu nome correspondia perfeitamente à sua natureza. Ele era, ao contrário da sua mãe, uma pessoa atenciosa. À alguns anos atrás soube que os seus pais estavam a pensar casá-lo comigo, só que o meu pai negou instantaneamente. E agora a sua mãe apenas podia olhar para a minha cara, principalmente porque eu tive um filho de quem o pai deveria ter sido o seu filho, o Keiichi.

Quando sai dos meus pensamentos apercebi-me que estavam a falar sobre negócios, e decidi levar o meu filho para comer qualquer coisa. Aproximei-me à mesa mais próxima que tinha comida e bebidas, já que existiam várias mesas espalhadas por aquela enorme sala.

-. O que queres comer? – perguntei ao meu filho. Vi como ele estava em picos dos pés, vendo o que existia em cima da mesa.

-. Uma sandes mista! – respondeu.

-. Ok! Mas sabes que não vais passar o resto da noite só a comer sandes. – olhei para a sua cara e vi a sua expressão amuada. Se fosse por ele o seu jantar seria apenas sandes, doces e sumos – Tens que comer, pelo menos, uma salada de frutas. – disse, e ele fez uma careta em resposta. Eu apenas ri.

-. Tens que obedecer à tua mãe, Hiro. – disse o Keiichi, aparecendo do nada – Se ela te diz, é para o teu bem. – continuou. O meu filho fez um gesto de "sim" com a cabeça, recebendo um sorrido do Keiichi como recompensa – E já agora, a tua mãe também deveria comer alguma fruta. – disse, enquanto virava-se para a minha direcção – A tua cara parece estar pálida. Tiveste algum caso sério no hospital que te mantivesse preocupada? – murmurou.

Eu coloquei uma das minhas mãos na testa, tentando notar uma temperatura anormal. – Talvez seja por estar muito tempo em pé. E este cheiro a álcool e tabaco também não ajuda muito. – respondi.

-. Mãe, estás bem? – o meu filho perguntou, com a preocupação estampada no rosto.

-. Não te preocupes. A mãe está bem. Apenas preciso de descansar um pouco. Verás que não é nada. – respondi enquanto passava a minha mão pelos seus cabelos, que eram ondulares e castanhos. Ele afastou-se até à porta da saída, que dava acesso a um jardim – Tem cuidado, a mãe já vai ter contigo. – disse, antes dele começar a correr.

-. Ah! – ouvi uma voz atrás de mim – Então foi aqui que te meteste Keiichi! – exclamou, e soube que era a Hikari – Ah, Sakura? – apercebeu-se da minha presença – Eu já vi a Tomoyo, mas perguntava-me por onde andarias.

-. Ela está indisposta. – Keiichi respondeu por mim, enquanto tocava o cabelo de Hikari, que agora estava ao seu lado.

-. Não estou nada. Não ligues ao que ele diz, sabes que o Keiichi tem sempre tendência para exagerar quando o assunto envolve saúde. – disse, contrariada, após ouvir a resposta dada pelo Keiichi.

-. Sim, eu acredito minha querida. – naquele momento ela já teria esquecido da minha existência, pois estava a olhar para o Keiichi. O único momento em que me arrependia de nunca ter querido um companheiro era quando estava com aqueles dois. O amor que eles sentiam um pelo outro era algo espantoso, raro hoje em dia, principalmente porque as duas famílias eram bastante importantes. Infelizmente para a família do Keiichi a importância da família da Hikari não era suficiente ao ponto de aceitar um casamento entre ambos. Embora ela apenas fosse vista como uma namorada passageira, rezava para que esse "título" evoluísse para algo mais estável, como o casamento.

Peguei numa travessa, juntando algumas sandes, dois sumos e duas saladas de frutas, e depois segui em direcção ao jardim, mas antes ainda fiz um gesto de adeus para o casal só que eles estavam muitíssimo ocupados para poder notá-lo.

-. Aqui. – disse, após sentar-me num banco, já no jardim, com o meu filho ao meu lado. Peguei num pedaço de uma sanduíche para dar-lho à boca.

-. Mãe, eu posso comer sozinho. – disse, pegando noutra sandes, comendo-a sozinho.

-. Ah, que homem tão grande já tenho! – disse com orgulho. Abracei-o com tamanha força, que poucos segundos depois o meu filho batia os seus braços nos meus ombros para o soltar. Mas antes de me separar por completo dele, peguei numa das suas bochechas e beijei-a longamente, sendo que depois deste meu gesto, ele estava a esfregar as suas mãos na bochecha que tinha sido atacada, querendo retirar todos os vestígios desse mesmo ataque. E eu ri, não resistindo a pega-lo ao colo, voltando a atacar as suas bochechas.

.

(Syaoran)

.

A música Sombody to Luv (1.) passava no rádio. Parecia estar a ouvi-la à bastante tempo, mas não me importava. Não é que eu gostasse desse tipo de música (e a letra em si é bastante lamechas), mas pelo menos entretinha-me. Já estava a conduzir à duas horas, e ainda continuava longe do meu destino.

Olhei para o meu lado esquerdo (lembrem-me que no Japão o volante encontra-se no lado direito) e vi o meu pai adormecido. Suspirei, voltando a prestar atenção à estrada. Graças ao meu emprego tive que mudar de casa e, como o meu pai morava comigo, ele também veio.

Voltei a prestar atenção ao rádio – Oh, ainda falta muito, meu filho? – quase saltei pelo susto.

-. Ah. Não me faça mais isso. Quer matar o seu único filho de susto? – perguntei, respirando fundo. Ele riu.

-. Tens muita vida pela frente, por isso não me preocupo. – respondeu.

-. O senhor é que tem que ter mais cuidado com a sua saúde. – disse, sério.

-. Ah, ainda sou muito novo para me preocupar… - antes que ele pudesse continuar percebi que estava a ficar zonzo.

-. O que se passa? – encostei o carro. – Está bem? – perguntei, preocupado.

-. Não é nada. Isto passa. Deve ser por estar medido dentro deste carro durante tanto tempo. – respondeu com um sorriso forçado.

-. Como é que eu posso ter calma? Vou chamar uma ambulância, é o melhor. – procurei pelo meu telemóvel (celular) e quando o encontrei marquei "112". – Sim? É uma emergência, o meu pai está a sentir-se mal. Será que poderiam enviar uma ambulância? – ouvi que a pessoa que atendera o meu telefonema perguntava por sintomas. Após perguntar ao meu pai disse-lhe – Tonturas e falta de força no corpo. – ela explicou-me que deveria ser a tensão baixa, que ele apenas necessitaria um copo de água com açúcar para melhorar. Mas ainda me perguntou onde nos encontrávamos e com essa informação deu-me a morada do hospital mais perto que existia na zona, para que pudesse ter a certeza que o meu pai encontrava-se 100% bem. Agradeci antes de terminar a chamada.

-. Não precisamos de parar num hospital. – o meu pai disse, contrariado – Eu estou bem.

Fingi que não ouvi e tentei guiar-me pelas indicações que me tinham sido dadas.

Cheguei a uma cidade, onde existia um pequeno hospital local. Sai do carro, ajudando o meu pai a sair do mesmo. Fomos até à secretária, pedindo informações.

-. Sim, poderão marcar uma consulta com a doutora Kinomoto. – disse-me a secretária que marcava as consultas naquele hospital.

-. Não, a doutora Kinomoto não pode ser, ela pediu a manhã livre pois não estava a sentir-se bem. – uma companheira de trabalho retrucou.

-. Ah, sendo assim será mais complicado marcar uma consulta. – suspirou. Vi um copo de água parado à minha frente – Aqui está a sua água com açúcar. Verá que isso irá ajudá-lo a melhorar. Pode ser que não seja nada de importante, mas para prevenir é melhor permanecerem, pelo menos, durante uma hora antes de partirem, caso algo aconteça, é claro, mas esperemos que não seja nada de grave. – concordei com a cabeça.

-. Ah! A doutora Kinomoto não tinha tirado a manhã livre? – ouvi uma voz feminina, atrás de mim – O que faz aqui? – recordei o nome da médica que iria atender o meu pai.

-. A dor de cabeça já passou, por isso decidi vir. De certeza que precisam da minha assistência no hospital, não? Não deveria receber-me dessa forma. – a sua voz era familiar. Virei-me. E no momento em que o fiz ela também pareceu fazê-lo. Um grito foi a única coisa que compartimos...

.

FIM

Seria pedir muito por um review vosso? Uma frase bastaria e me faria imensamente feliz.

Para aqueles que gostaram das minhas duas últimas histórias (drab 35 e 36) e queriam que eu continuasse a escrever, eu irei começar a publicar uma nova drab todos os domingos (caso o número de pedidos pareça-me o suficiente, é claro).

.

Sobre o final da história: Muita gente pode estar a odiar-me neste momento pelo final que dei a esta história, mas vejam-no como uma sorte, pois o verdadeiro final seria o final do último PoV da Sakura (sem aquela cena final entre o Syaoran e o seu pai). E depois de relê-la para ver o erros/letras que faltavam percebi que não gostei nada da história! A parte que eu menos gostava da história (onde aparecem a Sakura e o seu filho) tornou-se, depois de relê-la, na parte que eu mais gostava de toda a fic! Por isso, se quiserem avaliar-me como "escritora", por favor, leiam o meu drab 35, que escrevi durante a mesma semana que escrevi o drab 36 e que gosto muito, mas muito mais do que este drab!

Sobre o título da história: Primeiro, para qualquer pessoa que tenha alguma dúvida, eu não sabia que titulo dar a isto e por isso utilizei aquilo que os dois personagens têm em comum: hospitais, enfermeiras e médicos, por isso pensei no título "como (os) anjos". E segundo, eu estive a pesquisar, por isso tenho 99% de certeza que tanto o romaji como o kanji estão correctos.

.

A minha playlist para este Drab foi…

1. Big Bang – Sombody to Luv (o motivo para eu ter utilizado esta música na drab não foi porque me apeteceu, mas sim porque esta é a única musica em japonês, o resto é coreano.)

2. Supernova – La La La (brave sound *love*)

3. BoA – Dangerous

4. BoA – GAME

.

Resposta aos Reviews…

Ledger m.: Lol, sim, à muito tempo que estou desaparecida! xD E então, tudo bem? Há tanto tempo que não "falamos". xD Acho que estou a ficar nostálgica…

Eu também prefiro fazer histórias com o PoV do Syaoran… não sei porquê, mas prefiro…

E desculpa pelo resultado desta 36ª drab, pois acho que há algo que falta nela, simplesmente não gostei… Espero que a próxima história seja melhor (espero não ter perdido a minha inspiração, oh my god!).

E muito obrigado pelo teu apoio! :) Estarei ansiosa à espera da tua review!

Bye, bye…

.

Musette Fujiwara: Olá! :) Uau, eu estou mesmo a sentir-me nostálgica…

Muito obrigado pelo teu review!

Embora eu não acha esta drab (36) muito boa, espero que não te tenha desapontado muito…

Bye, bye…

.

Notas da Autora: Demorei quase quatro dias para terminar esta história! :( Comecei na quarta, mas tinha como prazo limite a quinta-feira. Só que na sexta-feira, quando terminei, ainda estava na parte em que aparecem o Syaoran e o seu pai. E para piorar a situação (pois queria publicar esta história no sábado) no sábado não pude fazer nada porque estive a fazer companhia a uns miúdos (eu não esperava que eles estivessem ontem lá em casa! xD). Então eu só pude terminar agora (e ainda falta responder aos reviews…)!

Até à próxima…

Ying-Fa Kinomoto Lee