Capítulo 34
Rin tratou de ver algo através da espessa neblina que a rodeava. Encontrava-se inundada em uma espécie de ensonação, com bordas difusas que sugeriam que o que havia era infinito.
Uma figura solitária, iluminada por trás, aproximou-se em meio daquela bruma esbranquiçada. Soube que era um macho, e fosse quem fosse, não sentiu temor algum. Deu-lhe a sensação de que o conhecia.
— Pai? — sussurrou, não muito segura de se se referia ao dela ou ao próprio Deus.
O homem estava imóvel a escassa distância, mas elevou a mão em sinal de saudação, como se a tivesse ouvido.
Ela deu um passo adiante, mas de repente sentiu um sabor na boca totalmente desconhecido. Levou as pontas dos dedos aos lábios. Quando baixou a vista, tudo era de cor vermelha.
A figura deixou cair a mão. Como se soubesse o que significava aquela mancha.
Rin retornou de repente a seu corpo. Parecia como se a tivessem catapultado E tivesse aterrissado sobre cascalho. Doía-lhe tudo. Gritou. Quando abriu a boca, voltou a sentir aquele sabor. Engoliu saliva com dificuldade.
E então, algo milagroso aconteceu. Sua pele se encheu de vida, como se fosse um globo inflando-se de ar. Seus sentidos despertaram. Cegamente, tratou de segurar-se em algo sólido, dando com a fonte do sabor.
Sesshoumaru sentiu que Rin se sacudia como se a tivessem eletrocutado. E logo começou a beber de seu pescoço com uma avidez e uma ânsia inusitadas. Os braços dela se apertaram ao redor de seus ombros, as unhas se cravaram em sua carne.
Lançou um rugido de triunfo enquanto a depositava sobre a cama, deitada para que o sangue fluísse melhor. Manteve a cabeça para um lado, deixando ao descoberto o pescoço para ela, que subiu até seu peito cobrindo-o com o cabelo. O úmido som de sua sucção e saber que estava lhe dando vida provocaram uma monstruosa ereção.
Sustentou-a suavemente, lhe acariciando os braços. Animando-a a beber mais dele. A tomar tudo o que necessitasse.
Um pouco mais tarde, Rin elevou a cabeça. lambeu os lábios e abriu os olhos.
Sesshoumaru a estava olhando fixamente. Tinha uma ferida enorme no pescoço.
— Oh, Deus... O que fiz a você? — Estendeu as mãos para estancar o sangue que emanava de sua veia.
Ele segurou as mãos e as levou aos lábios.
— Aceita-me como seu hellren?
— O que? — Sua mente tinha dificuldades para compreender. — Case-se comigo.
Ela olhou o buraco em sua garganta e lhe revolveu o estômago.
— Eu..., eu...
A dor chegou rápido e forte. Investiu-a, levando-a a uma escura agonia. Dobrou-se, e rodou sobre o colchão.
Sesshoumaru se calou e a embalou em seu colo.
— Estou morrendo? — gemeu.
— Oh, não, leelan. Claro que não. Isto passará — sussurrou ele. — Mas não será divertido.
Sentiu como a invadia uma onda nauseabunda, que lhe provocou convulsões, até que ficou estendida de costas. Quase não podia distinguir o rosto de Sesshoumaru devido à dor, mas pôde ver em seus olhos uma grande preocupação. Agarrou-a pela mão e ela deu um forte apertão quando a seguinte explosão torturante a dominou.
Sua visão se turvou, voltou e se turvou de novo.
O suor gotejava por seu corpo, empapando os lençóis. Apertou os dentes e se arqueou. girou para um lado e logo ao outro, tratando de escapar.
Não sabia quanto tinha durado. Horas. Dias. Sesshoumarupermaneceu com ela todo o tempo.
Sesshoumaru respirou aliviado pouco depois das três da madrugada. Finalmente, ficou quieta, e não estava morta, a não ser tranquila.
Tinha sido muito valente. Tinha suportado a dor sem queixar-se, sem chorar. Entretanto, ele tinha passado todo o tempo rogando que sua transição terminasse quanto antes.
Ela emitiu um som rouco.
— O que é, minha leelan? — Baixou a cabeça à altura de sua boca.
— Necessito uma ducha.
— Bem.
Levantou-se da cama, abriu a ducha e voltou a procurá-la, levantando-a suavemente em seus braços. Sentou-a no suporte de mármore, tirou-lhe a roupa com delicadeza, e logo a ergueu de novo.
A fez entrar lentamente na água, atento a qualquer mudança em sua expressão ante a temperatura. Ao não protestar, foi introduzindo seu corpo gradualmente, roçando primeiro seus pés, para que aquela impressão não fosse muito brusca para ela.
Parecia gostar da água, elevava o pescoço e abria a boca. Viu suas presas, e lhe pareceram formosas.
Brancas, brilhantes, pontiagudas. Recordou a sensação quando ela tinha bebido dele.
Sesshoumaru a apertou contra si durante um instante, abraçando-a. Logo deixou que seus pés tocassem o chão e sustentou seu corpo com um braço. Com a mão livre, pegou um pote de xampu e jogou um pouco sobre sua cabeça. Esfregou-lhe o cabelo até formar espuma e logo o enxaguou. Com um sabonete, deu uma suave massagem na sua pele o melhor que pôde sem deixá-la cair e logo se certificou de limpar até o último resíduo de sabão.
Embalando-a novamente entre os braços, fechou a torneira, saiu e pegou uma toalha. Envolveu-a e a colocou outra vez sobre o suporte, sustentando-a entre a parede e o espelho. Cuidadosamente, secou-lhe a água do cabelo, o rosto, o pescoço, os braços. Logo os pés e as pernas.
Sua pele ficaria hipersensível durante algum tempo, igual à vista e o ouvido.
Procurou sinais de que seu corpo estivesse mudando e não viu nenhuma. Tinha a mesma estatura que antes. Seus Tronco tampouco pareciam ter sofrido transformação alguma. Perguntou-se se poderia sair durante o dia.
— Obrigado — murmurou ela.
Ele a beijou e a levou até a poltrona. Logo tirou da cama os lençóis úmidos e a capa do colchão. Teve dificuldades para encontrar outro jogo de lençóis e colocá-los corretamente foi endemoniadamente árduo. Quando terminou, recolheu-a e acomodou entre o fresco cetim.
Seu profundo suspiro foi o melhor cumprimento que jamais tivesse recebido.
Sesshoumaru se ajoelhou de um lado da cama, repentinamente consciente de que suas calças de couro e, suas botas estavam empapados.
— Sim — sussurrou ela. Ele a beijou na fronte.
— Sim o que, minha leelan?
— Casarei com você.
