qOi gente! (Sim, estou atrasada, desculpem!) O capítulo de hoje está enorme e se preparem que as coisas vão esquentar. As coisas ficarão agitadas por aqui. Estou devendo as respostas dos comentários, tentarei fazer isso essa semana, então fiquem de olho nas suas inbox ;)

A Lenda da Lua

Paola B. B.

Capítulo XXXIV. James

PDV Bella

- Agora eu preciso que você tussa. – pediu gentilmente a colega de papai e assim eu o fiz. A ânsia veio forte conforme eu sentia o tubo sair de minha garganta, um pequeno desespero tomou conta de meu corpo, aquilo era agonizante, eu nem quero pensar quando for o momento de tirar a sonda de urina.

- Edw... – minha voz falhou, estava seca, eu não conseguia falar direito.

- Não fale ainda querida, dê um tempo para sua garganta se acostumar. – assenti ainda com lágrimas nos olhos.

Edward estava ao meu lado, segurava minha mão enquanto me fitava com um misto de preocupação e alivio. Logo o quarto era invadido por meu irmão que disparava perguntas e acusações de eu tê-lo deixado tão preocupado. Até cheguei a abrir minha boca para responder, mas logo desisti ao sentir um pequeno aperto em minha mão. Daniel continuou seu desabafo ordenando que eu nunca mais o assustasse daquele jeito.

- Ok! Eu preciso examiná-la agora. – cortou a médica e eu sorri para ela.

Dan não saiu do quarto, apenas fechou a matraca e afastou-se um pouco.

A cama começou a se mover até que eu ficasse em uma posição sentada e só então notei Nat, Carlisle e Charlie no canto do quarto, suas expressões eram alegres, mas a preocupação ainda estava lá. Algo me diz que eu não sou o único problema em suas mentes. Um canudo foi trazido para a minha boca e eu suguei com ânimo a água fresca. Sorri puramente satisfeita.

- Bella, você se lembra de mim?

- Você é colega de Charlie. – respondi, minha voz ainda falhando, mas a dor havia diminuído.

- Isso mesmo. – sorriu. – Você reconhece as pessoas aqui nesse quarto?

Assenti e então falei o nome de cada um, todos pareciam satisfeitos com isso o que me deixou levemente confusa. O quão ruim tinha sido a minha crise? Bem, eu estava entubada então provavelmente eu havia parado de respirar por conta... Quanto tempo eu fiquei...

- Você consegue apertar minhas mãos? – ainda confusa fiz o que ela queria. – Muito bom, agora mexa seus pés... Ótimo! Agora eu preciso que você erga sua mão direita... Agora a esquerda... Pé direito... Pé esquerdo... Muito bem! Você sabe em que ano estamos?

- Não me diga que eu dormi tanto tempo assim! – arregalei meus olhos realmente assustada com a possibilidade de ter hibernado por anos. Aquilo era demais até mesmo para mim!

Sorrisos se abriram, mas quem respondeu foi Carlisle.

- Não, Bella, você esteve em coma por apenas 3 dias. A Dra. Davis só está fazendo as perguntas de praxe para verificar se você não sofreu nenhuma lesão cerebral durante a cirurgia.

- Oh! – arregalei meus olhos e imediatamente minhas mãos vieram para a minha cabeça. Senti as ataduras e o mais importante, meu cabelo. – Então vocês conseguiram consertar o que há de errado comigo?

- Não exatamente. – Charlie havia sentado na beira da cama perto de meus pés. Ele deu um leve aperto em minha canela. – Você teve uma hemorragia cerebral, Carlisle e Eleonor tiveram que cuidar disso. – a doutora torceu seus lábios com as palavras de papai. Mas minha curiosidade foi suprimida pela minha surpresa. Charlie realmente deixou uma humana olhar meu cérebro?! Uau! A coisa deve ter sido feia. – Nós ainda não sabemos porque você está tão fraca, mas o seu corpo ainda está lutando, acho que até mesmo sem que você perceba. – franzi o cenho sem compreender.

- Seus olhos estão azuis, meu anjo. – explicou Edward e só então eu notei a corrente de energia em minhas veias, a mesma correte que tomava meu corpo quando eu usava meus poderes e deixava meus olhos trocarem de cor. Tentei abaixar a adrenalina, dizer ao meu corpo para relaxar, mas assim que o fiz a dor veio intensa. E então, pela primeira vez eu realmente soube o quão encrencada eu estava. O gemido involuntário saiu pelos meus lábios e eu desisti imediatamente. – Não! Não desligue!

Eu ri. Um riso quase amargo.

- Isso não é um interruptor que eu possa ligar ou desligar, Edward.

- Edward está certo, Bella. Deixe seu corpo lutar.

Eles não entendiam a extensão do problema. Eles não faziam ideia. Engoli em seco enquanto escutava a máquina delatar meus batimentos acelerados. Os três médicos imediatamente começaram a se movimentar a minha volta, mas eles nada poderiam fazer quanto ao pânico que começava a crescer. Procurei a mão de meu vampiro e logo a encontrei.

- Meu corpo não vai lutar por muito mais tempo. – murmurei. – Eu posso... Eu posso sentir que algo está errado... É como se eu estivesse com todo meu corpo apoiado em uma bengala, e essa bengala estivesse prestes a se partir.

Foi a melhor analogia que pude pensar sem que tivesse que detalhar a fragilidade de cada pequena parte de meu corpo. A sensação era horrível.

- É por isso que tempos um plano. E acho que vamos colocá-lo em prática agora. – pisquei aturdida pelo otimismo da única humana no quarto. – Seu irmão passou horas doando um bom bocado de sangue, acho que devemos iniciar a transfusão o mais breve possível.

- Hã... – busquei os olhos preocupados de Daniel. – Transfusões não são meio que... Proibidas para nós?

Me lembro muito bem o quanto Dan me orientou a respeito de beber sangue semelhante. Algo sobre grande poder e grande loucura, a lei que nunca poderia ser quebrada e a profecia da destruição lunar. Quando eu era criança eu morria de medo disso, até mesmo quando cortava meu dedo eu brigava com o extinto de imediatamente colocá-lo na boca. No começo da adolescência cheguei a pensar que era apenas uma história de terror para me assustar, mas Charlie confirmou o perigo. Papai não era de brincar com esse tipo de coisa.

- Não exatamente. – ele sorriu tristemente. – Beber sangue pode levar a loucura. Transfusões, se feitas adequadamente, não são perigosas nesse sentido.

- Oook então. Eu vou buscar o sangue. – assim que a porta se fechou atrás dela meu irmão tomou seu lugar ao meu lado.

- Bella, o que você se lembra quando acordou?

- Só dessa coisa na minha garganta e a vontade de arrancar fora, então Edward me acalmando e a doutora.

- Nada antes disso?

- Era como se eu estivesse dormindo. – encolhi meus ombros sem entender o que exatamente ele queria saber. – Então essa sensação de sol tocando minha pele, como se o dia estivesse clareando, então veio a consciência do tubo e eu abri meus olhos.

- Você não ouviu nenhuma voz, não sentiu nenhum toque...

- Ela estava inconsciente, Daniel. – Edward o cortou com mau humor.

Meu irmão respondeu com um rosnado perigoso e eu logo me alarmei.

- Hey! Porque vocês estão brigando? O que aconteceu?

- Nada, Bella. Foram dias estressantes. É só isso. Não se preocupe. – Nátalie sorria como se a pequena troca de farpas fosse bobagem, mas eu sabia que havia algo mais. Ela agarrou o braço de seu marido e começou a puxá-lo para a saída.

- Eu ainda preciso falar com você. – Daniel tinha o olhar fixo em Edward que parecia tão cansado quanto eu.

- Não há o que falar. Eles não querem falar. Eles não me disseram o porquê, apenas que era necessário. E eu respeitei a ordem... Ah! – meu namorado se encolheu fechando seus olhos.

- Daniel!

- Dan!

A repreensão dupla veio de mim e Charlie. Lágrimas começaram a se acumular em meus olhos. Porque meu irmão estava machucando Edward? Porque essa briga idiota? O que estava acontecendo que eles não estavam me contando?!

Nat finalmente conseguiu levá-lo para fora, Charlie e Carlisle também saíram deixando apenas eu e Edward no quarto. O olhei assustada e ele logo suspirou arranjando um lugar ao meu lado na cama. Meu corpo se aconchegou ao dele e eu me vi com o rosto colado em seu peito enquanto escutava sua respiração.

- Você vai me explicar ou eu vou ter que perguntar? – minha voz não passava de um sussurro.

- Não fique irritada com seu irmão. Ele não está bravo comigo, não realmente. Ele só está descontando a frustração dele em mim.

- Isso não está certo.

- Talvez não esteja. – deu de ombros. – Mas é o modo como ele está reagindo. Cada um está reagindo de uma forma a toda essa situação. – sua voz se quebrou quando ele confessou. – Eu pensei que eu fosse te perder.

Abracei seu corpo com mais força tentando amenizar sua dor. Eu odiava me sentir tão fraca, mas eu odiava ainda mais a dor no rosto de cada um que eu amo.

- Sinto muito. – solucei. Meu choro cresceu quando eu senti seu corpo tremer contra o meu.

- Eu estou tão feliz por você ter acordado, Bella. – murmurou com a voz embargada e então beijou o topo da minha cabeça.

Ergui meus olhos para ele e logo os fechei novamente quando seus lábios se aproximaram dos meus. O mesmo sentimento de felicidade que senti quando o beijei pela primeira vez inflou meu peito. Sorri entre lágrimas, sorri entre o beijo, apenas sorri. Seu toque em minha pele acalmou meus medos e relaxou minha mente. Sua respiração fria contra a minha pele era como o ar fresco da manhã e isso só aumentou minha felicidade. Eu poderia passar o resto da minha vida apenas assim, com seus braços a minha volta, com sua boca contra a minha e com sua respiração em minha pele.

Nossa pequena troca de carinhos me fez me sentir forte. Eu quase podia me levantar da cama e enfrentar qualquer coisa que estivesse por vir. E como havia coisas a se enfrentar quando eu saísse dessa cama.

Uma garganta sendo limpa nos fez afastar. Notamos então Eleonor um pouco sem graça parada na porta, em suas mãos uma caixa térmica. Edward pulou da cama e ela entrou seguida de uma enfermeira empurrando uma máquina.

Enquanto as duas ajeitavam as coisas eu notei que a enfermeira me olhava de maneira esquisita. Pisquei confusa e busquei uma resposta com Edward. Ele riu.

- Você pode ter aah... Meio que assustado as pessoas durante a cirurgia.

- Oh! – arregalei meus olhos entendendo exatamente porque Charlie estava tão tranquilo com a presença da médica e o porque de ainda estar no hospital e não no porão de casa escondida do mundo. – Eu machuquei alguém?

- Ninguém se machucou, Bella. Não se preocupe. – a médica tentou me tranquilizar enquanto desinfetava meu braço para colocar a agulha.

- Ah, me desculpem. Eu não tive a intensão. – pedi honestamente, mas acho que não foi suficiente para aplacar o medo da enfermeira que num piscar de olhos fugiu do quarto. – O que exatamente eu fiz?

Edward gargalhou.

- Pare de rir! Não é engraçado! – segurei o sorriso que estava prestes a escapar.

- É hilário. – discordou ele. – Há uma aposta entre os residentes para saber o que aconteceu naquela sala. Até agora temos possessão demoníaca ganhando.

- Jesus Cristo! – exclamei e Edward riu ainda mais.

- E ainda se dizem médicos. – murmurou Eleonor antes de ligar a máquina. – Mantenha o braço assim, querida. Eu tentarei manter os boatos sob controle, eu sinto muito por isso.

- Não se incomode com isso. – pedi. – E mais uma vez, me desculpe se a assustei durante a cirurgia. Bem, não deve tê-la assustado tanto já que meu cérebro ainda está inteiro.

Minha piada não teve sucesso, mas não pelo motivo do grunhido de Edward.

- Não é como se eu tivesse feito alguma coisa. O Dr. Cullen é quem liderou, mesmo ele sendo cardiologista. – sorriu um pouco amarga indo em direção a porta e então eu entendi o olhar enviesado que ela mandou para o meu pai mais cedo.

- Dra. Davis? – chamei. Ela se virou tentando controlar sua expressão, mas ela era transparente demais. – Seja lá o que Charlie tenha te dito para te afastar da cirurgia, não foi pessoal. Ele é... Um homem complicado. Ele já passou por muitas perdas na vida. Então ele se tornou muito bom em afastar as pessoas, mas terrível em aproximá-las dele.

Ela apenas assentiu e foi embora. Senti um beijo em minha têmpora e sorri antes de me apoiar no travesseiro.

- Descanse, meu anjo.

- Eu não estou com sono, não o suficiente para dormir. De quem você e meu irmão estavam falando?

Edward desviou o olhar ficando sério. Não desisti, mantive meu olhar diretamente nele até que ele cansou do jogo duro. Com um suspiro ele sentou-se na poltrona e me fitou ansioso.

- Seus pais.

- O que?

- Seus pais. – repetiu com cuidado. – Eles têm cuidado de você à distância.

- O que? – eu odiava como eu soava repetitiva, mas aquilo não estava fazendo sentido algum.

- Naquele dia, em que você foi atacada por lunares, foi seu pai quem reestabeleceu sua energia. Você achou que tinha sido seu irmão, mas foi seu pai.

- Eu não... Não me lembro.

- E hoje, antes de você acordar. Foi sua mãe quem te ajudou. Ela estava rezando ou algo assim. Foi ela quem te deu forças para sair do coma.

- Eu não...

- Eles estão cuidando de vocês. Acho que eles também interferiram em alguns assuntos de Daniel. Não tenho certeza, ele não relaxa a mente o suficiente para eu ter uma leitura limpa.

- Porque eles não vieram falar comigo? Eles sabem que eu não me lembro deles? - de repente eu tinha tantas perguntas e tanto medo.

Edward segurou minha mão em apoio.

- Eles sabem que você ainda não se lembra deles. Eu acho que algo mais está acontecendo, que eles estão cuidando de mais algum problema, porque eles pensam que é necessário ficar longe de você e seu irmão.

- Você conversou com eles?

- Eu falei uma vez com seu pai, mas eu não sabia quem ele era. A mente dele não deu nenhuma pista e eu não identifiquei o cheiro de um lunar. Quando o vi novamente ele pensou com clareza para que eu cuidasse de você, pois ele teria que se afastar por um tempo. É por isso que seu irmão está irritado comigo, eu não contei para ele sobre isso.

- E ele pediu que você mantivesse o segredo. – concluí e Edward assentiu.

Engoli em seco tentando pensar nas pessoas que sempre estiveram em minha volta e não foi difícil supor quem era o meu pai. Seus olhos eram iguais aos do meu irmão, quantas vezes eu os confundi! Pensando bem, não eram apenas os olhos, era todo o rosto. Tirando aquela barba espessa e rejuvenescendo algumas marcas de expressão eu teria a imagem de Daniel. Sempre me protegendo, sempre mantendo os idiotas da escola longe de mim. Quantas vezes me carregou para a enfermaria... Havia essa amabilidade em seu olhar, em seus gestos. Um sorriso cresceu em meus lábios, mas eu não me sentia feliz, apenas miserável.

- Eu sempre pensei que quando eu visse meus pais eu simplesmente lembraria deles. Que todas as minhas memórias voltariam como um piscar de olhos. Pelo jeito eu estava bem errada.

- Eu sei que você vai se lembrar de tudo, Bella. Apenas tenha paciência.

- Eu não sei se eu tenho tempo para ter paciência, Edward.

[...] [...]

PDV Ângela

Apertei a mão de Ben com força. Eu estava tremendo de medo. Na última semana mais três meninas foram mortas e todas elas de pele clara, cabelos e olhos castanhos. Eu odiava me olhar no espelho e ver um alvo na minha testa. E a sensação só piorava quando eu me lembrava que a última vítima era aqui da escola. Eu não conhecia Eliza pessoalmente, mas pelo o que eu ouvi falar era uma menina doce que nunca fez mal sequer a uma mosca. Isso não impediu dela ser encontrada com todos os ossos quebrados e nenhum sangue em suas veias. Que jeito terrível de morrer.

Eu não era a única a estar apavorada com os últimos acontecimentos. Todos os alunos estavam sob grande estresse, as meninas mais do que os meninos. Muitos pararam de vir para as aulas, os adultos têm trancado seus filhos dentro de casa com medo de perdê-los. Ninguém mais anda sozinho, os grupos são sempre de três ou mais pessoas. O pais estão pressionando a escola para que feche as portas. Nem a polícia, nem o FBI tem mostrado qualquer resultado. As notícias sobre o Sereal Killer estão repercutindo nacionalmente e isso trouxe lunáticos que gostam de perigo e mistério. Forks estava de cabeça para baixo.

E agora aqui estamos nós, quase toda a cidade reunida no pátio aberto da escola, tremendo com a o frio do início de dezembro. Eu estava surpresa por não estarmos embaixo de chuva, o tempo parece firme mesmo com todas as nuvens. Eu só realmente espero que tudo isso termine antes de anoitecer.

A nossa volta eu via dezenas de pessoas reunidas em pequenos grupos conversando em tom baixo. Alguns estavam rindo, a falsa sensação de segurança parecia crescer com a quantidade de pessoas reunidas. O fato era que o FBI convocou todos os alunos e seus pais para falar sobre os ataques, mas cidade pequena não tem jeito e muitos curiosos também vieram escutar o pronunciamento. Uma equipe de reportagem estava a postos preparada para uma transmissão ao vivo.

Foi então que pela primeira vez em algum tempo eu consegui sorrir sem medo e puramente feliz. Avistei ao longe minha amiga Bella. Ela estava de mãos dadas com Edward, logo atrás notei seu pai Charlie segurando uma criança no colo, acredito que seja a pequena Bruninha. Sem conseguir me conter eu larguei a mão de meu namorado e corri na direção deles.

- Bella! – chamei feliz pronta para me jogar contra ela.

Porém meus pés frearam minha ação e eu quase caí quando um homem se colocou entre nós e me olhou como se estivesse prestes a me atacar. O que ele tinha de bonito ele também tinha de assustador. Suas sobrancelhas grossas eram expressivas e ameaçadoras, a barba rala dava um ar de fora da lei enquanto eu juro que seus lábios se arreganharam levemente como se fosse algum tipo de animal rosnando. Seu corpo quase três vezes maior que o meu já era intimidador suficiente sem que ele fizesse aquela postura ameaçadora. Arregalei meus olhos assustada pronta para correr para longe quando a voz de minha amiga soou irritada.

- Sério, Fabrizio?! Ela é minha amiga!

A postura do homem imediatamente mudou e ele ergueu suas costas suavizando sua expressão. Deu um passo para o lado e virou-se parcialmente para Bella antes de cruzar o braço direito no peito e abaixar a cabeça.

- Perdonami signora. – isso era italiano?

Observei confusa. Edward e Bella reviraram seus olhos ao mesmo tempo e então sorriram para mim. Minha amiga soltou-se do namorado e enrolou seus braços em volta do meu pescoço.

- Eu senti sua falta, Ângie. Desculpe por isso. – disse com o sorriso em sua voz.

Ainda um pouco desorientada eu retribui o abraço. Meus olhos captaram algumas pessoas cochichando sobre o que tinha acabado de acontecer, mas minha atenção se voltou completamente para Bella quando notei sua magreza. Me afastando para olhá-la com mais atenção eu pude notar as enormes olheiras embaixo de seus olhos cansados. Ela estava longe de estar melhor, ela parecia mil vezes pior que da última vez que a vi.

- Como você está? – perguntei preocupada. – Alice tinha dito que você estava melhor, mas sinceramente, não parece.

Ela riu com minhas palavras, mas eu não a acompanhei. Senti a mão de Ben em meu ombro, ele cumprimentou o casal e ficou em silêncio ao meu lado.

- Eles conseguiram descobrir o que você tem? – insisti, eu não precisava conhecê-la muito bem para notar que apesar do sorriso em seus lábios seus olhos eram tristes.

- Não ainda. Mas eu tenho feito algumas transfusões de sangue e isso tem me ajudado. Não é uma cura, mas eu pelo menos consigo me manter em pé. – sorriu com falsa animação.

Olhei para Edward e ele parecia tão miserável quanto um cachorro abandonado. Algo muito mais grave estava acontecendo e em meu coração eu sabia que ela estava correndo um grave risco de vida.

- Hey! Eles estão pedindo que todos se acomodem. – avisou Jacob ao se aproximar, ele sorriu me cumprimentando e deu uma leve batida nas costas de Ben. Foi então que notei o resto dos Cullen logo ao lado. Alice e Rosálie acenaram, elas estavam bem ao lado de uma mulher de feições doces, acredito que seja Esme. O Dr. Cullen também estava ali e conversava baixo com o irmão e com a cunhada de Bella. Eu os reconheci de fotografias da casa de minha amiga.

- Acho melhor sentarmos. – sugeriu Edward enlaçando a cintura de sua namorada, havia muito mais naquele ato do que apenas um carinho de namorado e me quebrava o coração perceber aquilo.

Eles foram sentar com suas famílias e nós fomos com as nossas. Em poucos minutos o auditório improvisado estava lotado e todos nós estávamos focados no grupo de policiais e agentes do FBI a nossa frente.

Algumas pessoas me chamaram a atenção ao destoar da organização. Por exemplo o tal Fabrizio. Ele estava em pé, na lateral esquerda, tinha os braços nas costas e o peito estufado, seu olhar era sério inspecionando tudo a sua volta. A direita do auditório, quase espelhado a ele havia uma mulher com a mesma postura. E então eu notei mais e mais deles... Eles formavam quase como um círculo ao redor de toda a multidão, inclusive das autoridades. Uau! O irmão de Bella não poupou dinheiro em segurança.

- Boa tarde a todos! – iniciou uma das agentes, eles eram cinco ao todo. – Agradecemos por terem vindo aqui hoje, meu nome é agente Grace Mitchell, eu estou na liderança das investigações das mortes que ocorreram nos últimos meses em Port Angeles, Seattle e aqui em Forks. Nós acreditamos que o objetivo final do responsável por estas mortes é aqui em Forks. Ele é um homem, caucasiano, na faixa dos 30 anos, tem boa aparência e tem inteligência acima da média. Pelo ritmo acelerado das últimas mortes ele provavelmente não está trabalhando ou perdeu o emprego a pouco tempo. Acreditamos que ele tenha uma parceira que o ajuda em seus crimes. Ele está preso em uma fantasia de que ele é um vampiro e está disposto a continuar matando até encontrar seu real alvo. Ele mira meninas entre 14 e 20 anos, pele branca, cabelos castanhos, olhos castanhos ou azuis. Então nós pedimos cuidado redobrado para aquelas que se adequam nessa descrição. Evitem andar sozinhas, principalmente durante a noi...

As palavras da agente foram cortadas por um aplauso lento. De repente todos os olhos estavam voltados para um homem as costas dos agentes.

- Estou impressionado! – disse ele e imediatamente todas as autoridades apontaram suas armas para ele.

Meu coração batia tão forte em meu peito que eu mal conseguia escutar as exclamações a minha volta. O homem era loiro, tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo, sua pele super pálida, alto e magro. Mas o que mais me apavorou foram os olhos vermelhos como rubi. Aquilo eram lentes, certo? O sorriso despreocupado trouxe um calafrio em minhas costas.

- Vocês humanos estão a cada era mais espertos! – elogiou como se aquilo não fosse uma completa loucura. – Vocês só erraram algumas coisinhas. Como a minha idade. Na verdade, eu tenho um pouquinho mais do que 30. E eu ainda estou trabalhando, mas o que eu posso fazer se trabalho e prazer coincidem?

- Fique onde está! – ordenou um dos agentes. – Ajoelhe e coloque as mãos atrás da nuca!

O homem tombou sua cabeça para a esquerda e seu sorriso desapareceu.

- Por mais fofo que eu ache tudo isso. – girou seu dedo em círculos. – Eu não recebo ordens da minha comida.

E como se eu já não estivesse apavorada o suficiente ele simplesmente balançou sua mão e uma rajada de fogo foi em direção aos policiais que pareceram bonecos de pano sendo jogados para longe do perigo.

Eu ouvia gritos, mas eu não conseguia me mover. Meus olhos estavam focados no único agente que ficou em pé. Se eu não tiver enlouquecido completamente eu poderia jurar que foi ele quem balançou seus braços no momento certo para empurrar seus colegas com alguma espécie de poder. Eu definitivamente estava enlouquecendo.

Foi então que eu notei os seguranças de Bella se aproximando do psicopata, encurralando ele num círculo. Mas ele estava longe de parecer preocupado, na verdade ele riu como se estivesse em um parque de diversões.

- Vocês querem continuar dançando? Nós já não dançamos o suficiente nos últimos dias? Eu quero uma nova parceira!

- NÃO! – o grito silenciou a todos. Eu conhecia a voz, mas meu corpo não respondia para que eu virasse e verificasse o que tinha acontecido. Não foi preciso, pois bem em frente aos meus olhos uma mulher de cabelos ruivos e volumosos apareceu ao lado do homem. Mas ela não estava sozinha. Presa em seus braços estava minha amiga Bella. Era a primeira vez em minha vida que eu via medo nos olhos dela e eu tinha certeza que não me esqueceria daquilo tão cedo.

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Ok, eu iria continuar esse capítulo, mas acabo de perceber que passei das 4 mil palavras... Acho que me empolguei ^^ Achei interessante trazer a visão de uma humana comum a toda essa ação. Espero que tenham gostado. No próximo capítulo a Bella finalmente vai recuperar suas memórias do tempo da Lua. Então se preparem que o bicho vai pegar hahah

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Próxima postagem: 05/04/2018