Disclaimer: Por muito que adore a história e as personagens do anime Shingeki no Kyojin, estas obviamente não me pertencem e todo o crédito vai para a criatividade e talento do Isayama Hajime.

-X-


Rastilho (1º parte)

Hanji observou com satisfação o sucesso do plano que permitiu que Carla, Annie, Mikasa, Connie e Sasha se encaminhassem em segurança para Maria. Depois de ter acordado no interior de um quarto que não conhecia, depressa as suas memórias regressaram. Recordou o Alfa, o soldado misterioso que encontrou na base militar e que segundo os relatos dos amigos, conseguiu derrubar sozinho todos os obstáculos que impossibilitariam a fuga deles. Portanto, a Beta ficou fascinada pela força, destreza e eficácia que ajudou aquele homem a ser bem-sucedido na libertação de todos.

Habituados à excentricidade daquela mulher, ninguém se questionou por que razão ela não se mostrou minimamente preocupada ou afetada com o facto de o Alfa a ter deixado inconsciente. Passou completamente ao lado desse detalhe e quis encher o homem de perguntas. O que testou a paciência dele ao ponto de se questionar, se não devia deixá-la inconsciente novamente. O Alfa acreditava não ter optado por essa ideia, porque Carla ameaçou-o e exigiu que aprendesse a comportar-se. O que, mesmo no meio de uma situação como aquela, arrancou alguns sorrisos dos presentes. Era caricato ver como a Ómega confrontava o Alfa, que acabava por discutir com ela ou resmungar em voz baixa ao ver que não conseguia levar a melhor. Aliás, ele temeu até não ser capaz de convencê-la a abandonar Sina, mas nesse momento, Hanji interveio e explicou que tendo em consideração o estado de saúde de Sasha e Mikasa e consequente influência nos respetivos parceiros, Carla devia acompanhá-los para servir de apoio. A Ómega cedeu perante os argumentos e a promessa do Alfa em regressar mais tarde com Eren e os Ómegas.

- Menos mal que conseguiu convencer aquela teimosa a ir embora. – Comentou o Alfa.

Hanji riu.

- Preocupado?

- Irritado. – Retificou. – Ela tira-me do sério com tanta teimosia.

- Digamos que a tua abordagem também não foi especialmente simpática. – Apontou a Beta. – Ameaçaste carregá-la como um saco de batatas desde Sina até Maria. – Ela riu. – Não sei se me rio mais do ar indignado dela ou do teu quando te respondeu à letra.

- É completamente louca. Eu a querer deixá-la em segurança e ela…

- Tudo é uma questão de abordagem.

- A minha contigo também não foi a melhor e no entanto, estás bastante civilizada e até colaborativa. – Comentou o Alfa.

- Entendo a razão para o teres feito. – Afirmou a mulher, ajeitando os óculos. – Faria o mesmo ou pior. Imagino também que tenhas bastantes perguntas sobre o tempo em que estive com o Dr. Jaeger e acerca do que aconteceu na fronteira e despoletou o vosso ataque a Sina.

- Sim, tenho perguntas nesse sentido. Dúvidas acerca da tua lealdade com Sina. – Falou. – Não aceito que fiques em cima do muro, ou seja, que queiras informar Maria, mas manter a lealdade com Sina. – Olhou para a mulher que também não desviava o olhar. – Dra. Zoe tem alguma ligação com o que aconteceu há quase dezoito anos atrás? – Viu surpresa nos olhos dela. – E o Comandante Smith? Tem algo a ver com o que aconteceu? Qual o grau de envolvimento dele com os recentes acontecimentos? Quem é o homem por detrás do historial público perfeito?

- Por que razão…?

- Quero que comeces por responder a essas perguntas. – Interpelou. – Depois farei perguntas acerca do Dr. Jaeger.

Hanji não esperava que aquele Alfa misterioso colocasse questões acerca de um acontecimento que aparentava não ter nada a ver com os acontecimentos atuais. No entanto, aquele homem dava prioridade a essas informações, deixando-a com um frio na barriga.

Desde que se tinham encontrado na base militar, teve quase a certeza de ver as semelhanças, pelo menos no olhar do Alfa com alguém que conhecia. Ao recuperar a consciência, confirmou que apesar de manter o rosto oculto e ter cuidado com a identidade, havia qualquer coisa nele que o ligava a um certo Ómega. Podia jurar que tinham algum grau de parentesco.

Contudo, os problemas em mãos desviaram as suspeitas da Beta e esta passou a focar toda a atenção em encontrar uma solução para que o grupo salvo por aquele Alfa, pudesse chegar a Maria.

Resolvido esse assunto, esperou ser questionada acerca das investigações desenvolvidas pelo Dr. Jaeger e embora isso também estivesse sobre a mesa, o Alfa pretendia obter outras informações em primeiro lugar.

Era possível que quisesse respostas àquelas perguntas porque tinha perdido alguém importante há dezoito anos atrás ou porque Maria ainda chorava pelos horrores daquela noite. Não descartando nenhuma das hipóteses, a Beta arriscaria afirmar que existia algo pessoal, um interesse próprio naquelas informações.

"Há dezoito anos atrás, o Grito dos Inocentes… a data de aniversário e exatamente a mesma idade que o Levi terá em breve. Ele disse ter nascido na Cidade das Trevas, que lhe tinham dado aquela data de aniversário por maldade, por mera coincidência. Mas e se conseguir confirmar que ele e este Alfa têm mais características em comum? Precisava ver-lhe o rosto e sentir as feromonas que esconde para ter mais certezas e se for… são demasiadas coincidências. Não acredito que sejam pai e filho, mas pode ser outro parente… o Levi pode ter família além deste Alfa. Uma família que ainda hoje o procura".

- Não vou aceitar o silêncio como resposta. – Falou o Alfa, chamando a atenção da Beta.

"Mas por que razão quis relacionar essa noite com o Irvin? Será porque ouviu falar dos Ómegas dele? Que eu saiba, o Irvin apesar da relação próxima com o Zackley não teve qualquer influência no que aconteceu naquela noite… pelo menos, eu acho que não".

- Eu não tive qualquer envolvimento com o que aconteceu naquela noite. Apenas escutei o grito, como todas as outras pessoas. – Viu como a referência ao grito mexeu ligeiramente com o Alfa e a mulher teve a certeza que ele esteve próximo ao acontecimento… provavelmente, muito próximo à pessoa que tornou aquilo possível. – Assim como eu, o Irvin era bastante jovem na altura, portanto, não penso que exista uma relação dele com esse acontecimento.

- Mesmo que ele fosse desde dessa altura alguém próximo ao General Zackley? – Insistiu. – Um indivíduo que se recusou a ser identificado, mas parecia saber bastante disse-me entre outras coisas que o Comandante perfeito de Sina está cheio de esqueletos no armário, entre eles, algo que o liga ao que aconteceu há dezoito anos atrás.

- Eu… - A investigadora sentiu a garganta seca. – Eu juro que não sei. É verdade que o General Zackley tem bastante consideração pelo Irvin, mas… desde tão cedo? Eu não sei dizer. Nessa altura, estávamos bastante distantes. Foi logo depois da morte da mulher dele.

- Acerca disso… o que aconteceu exatamente?

A Beta não queria tocar nesse assunto, mas compreendia que era importante para aquele Alfa reunir o máximo de informações que fosse possível. Sendo assim, concordou em dar-lhe uma versão concisa, mas com os pontos essenciais da história. A conversa alongou-se também com os dados acerca das investigações e resultados alcançados pelo Dr. Jaeger.

Durante o tempo em que falaram desses assuntos mantiveram-se na casa do mesmo Beta que os acolheu antes. Contudo, a crescente movimentação dos soldados em Sina fez com que tivessem que repensar acerca do momento ideal para deixarem o local.

- Então só vais ficar aqui pelo Eren e pelos Ómegas?

- Tenho que regressar a Maria o quanto antes. – Falou pensativo. – Mas prometi que levaria os três comigo.

- E o Irvin?

- Sei o necessário por agora.

- Não é isso que quero saber. – Insistiu a Beta.

- Que ele vai morrer, isso é coisa certa. – Afirmou. – No entanto, acredito que ele iria preferir ser julgado em Maria, mas… se descobrir que tem alguma ligação com o que aconteceu naquela noite, não importa quantas ordens tenha que desobedecer, serei eu a ocupar-me dele.

Hanji já tinha testemunhado alguns momentos em que o Alfa demonstrava alguma tensão, apesar do controlo exemplar das feromonas. Porém, cada vez que tocavam no tema da noite do Grito dos Inocentes, a postura alterava-se. Aliás, no momento em que falou do possível envolvimento de Irvin e em que caso de confirmação seria ele a ocupar-se do assunto, a mulher sentiu um arrepio. A hostilidade e ódio que manchavam as feromonas que deixou escapar, diziam-lhe que caso o Alfa obtivesse qualquer tipo de confirmação naquele sentido, Irvin teria uma morte inevitável e violenta. O que intensificava cada vez mais as suas suspeitas sobre a relação daquele Alfa com o responsável pelo grito daquela noite. Porém, cada vez que procurava questioná-lo subtilmente sobre isso, ele recusava-se a falar desse tema.


Carla encontrava-se num misto de preocupação e um certo alívio ao concluir que avançavam a um bom ritmo para alcançar Maria. Segundo os Betas que atuavam como escolta e apoio, estavam prestes a chegar visto que a poucos minutos havia um posto, onde era normal a ronda de alguns soldados de Elite. Esses que naquele local recebiam e asseguravam a chegada em segurança de Ómegas a Maria. Era um ponto de viragem não só para essa espécie, mas para todos aqueles que buscavam refúgio e acolhimento.

- Chegámos… - Murmurou um dos Betas que seguia um pouco mais à frente e fez um sinal de luz com a lanterna, ordenando a todos que parassem.

Em seguida, mantendo as lanternas apontadas para o chão, ouviram-se passos e logo vieram as feromonas. Tratava-se de um Alfa que acendeu uma tocha e observou os recém-chegados. A indumentária era a mesma que Carla recordava ter visto no homem que permitiu que chegassem até ali.

As feromonas de pânico e as lágrimas de Sasha engrossaram. A Ómega encontrava-se num estado febril, alternando entre vómitos e dores que os Betas não consideravam normais e diziam ser urgente que ela fosse sujeita a cuidados médicos. Ao ver o estado da namorada, Connie que a levava nos braços, murmurava palavras de conforto para tentar tranquilizá-la.

Annie sentia-se mais aliviada com a perspetiva da sua companheira, ainda desacordada, receber tratamento em breve e ao ver a preocupação do Alfa com o estado deles teve a certeza que estavam mesmo às portas de Maria.

- Levem-nos para os postos médicos. – Falou e de imediato os Betas que atuaram como escolta avançaram sem hesitação e somente quando Carla ia passar, o Alfa parou na frente dela, deixando todos os outros se afastarem. – Levante o rosto.

Era um tom que exibia autoridade.

Confusa, a Ómega assim o fez embora quisesse juntar-se rapidamente ao grupo, uma vez que estava preocupada com o estado de Sasha e Mikasa.

- Carla Jaeger. – Murmurou e a mulher notou um certo rancor que a fez recuar ligeiramente. – Está em busca de refúgio no local que o seu marido quer mergulhar em sangue?

- Oiça, eu… eu não concordo com o que aconteceu e…

- Vai dizer que não sabe de nada? – Cortou. – E aqueles a quem dei ordem para que prestassem tratamentos médicos também pretendem apunhalar-nos depois?

- Não! – Negou de imediato. – Pode odiar-me o quanto quiser. Pode até expulsar-me daqui, mas por favor… não negue os tratamentos médicos ao grupo que passou. Eles não têm culpa de nada e precisam de ajuda.

- Eu não quero fazer-lhe mal, mas… - O Alfa deteve-se ao dar um passo em frente e notar umas feromonas conhecidas. Um aroma que o deixou confuso e estupefacto, agarrou o pulso de Carla.

- Largue-me, por favor. – Pediu. – Eu juro que me vou embora, mas… - Notou que o Alfa aproximava o pulso direito dela ao nariz e corou com a lembrança, entendendo o que aquele homem estaria a reconhecer.

- Capitão Ackerman… - Murmurou.

"Ackerman?", Repetiu Carla, "Então esse é o apelido dele…", recordava-se da forma totalmente inesperada como Alfa que prometeu salvar Eren e os Ómegas também segurou o seu pulso e deixou as próprias feromonas na pele dela, através de um toque com os lábios. Um gesto impensado e por norma utilizado entre parceiros para efeitos de uma marca que se baseava somente nas feromonas. Era uma marca invisível, mas que podia por exemplo, afastar outros possíveis pretendentes ao demonstrar que já havia um que tinha demarcado intenção de posse e que acabaria por colocar a Marca física posteriormente.

Se bem que naquele caso, depois de Carla lhe ter batido, ele explicou que a razão por detrás daquele gesto prendia-se com o facto daquela marca temporária poder atuar como reconhecimento dele e consequentemente, poupá-la de problemas.

Ao ver o outro Alfa larga-la quase de imediato, depois de reconhecer as feromonas, Carla entendeu que aquilo podia funcionar a seu favor, assim como o Alfa de olhos cinza lhe tinha dito.

- Preciso que me acompanhe. – Pediu.

Carla assentiu e não podia dizer que estava confortável com os olhares que ia recebendo do Alfa que seguia ao seu lado. Também outros soldados por quem passou, lhe lançaram olhares.

Caminharam e atravessaram vários postos até que chegaram a uma base militar. O Alfa que a acompanhava em silêncio pediu que aguardasse um pouco e entrou por uma das portas do interior do edifício.

Em questão de poucos minutos, o mesmo homem saiu de uma sala e fez sinal a Carla para entrar. Um pouco receosa seguiu a indicação e ouviu a porta fechar atrás dela.

Porém, não foi isso que chamou a atenção da Ómega. A poucos metros em frente a uma secretária repleta de papéis estava alguém que reconheceu pelos olhos. Pelo pouco que tinha visto dele quando a protegeu no dia do ataque a Sina.

- Você é o mesmo que…

O Alfa levou a mão ao lenço e capuz que ocultavam a sua identidade e retirou-os. Os olhos de um azul quase celeste, uma cor que se destacava pela beleza invulgar observaram-na e deixou escapar um sorriso discreto.

- Fico contente por ver que está bem, Sra. Jaeger.

Confusa pela razão que levava o homem a revelar a sua identidade, Carla não pôde deixar de notar uma estranha familiaridade. A cor dos olhos, aquele azul só o tinha visto em outra pessoa e além disso, qualquer coisa nas feromonas daquele Alfa…

- Eu não entendo o que está a acontecer. – Admitiu.

- O meu genr…digo, cunhado. – Corrigiu divertido. – Desculpe, mas é uma piada entre nós. Brincamos com as nossas relações de parentesco, mas enfim, o certo é que o meu cunhado não marcaria com feromonas alguém que não fosse de confiança e que claramente, quer proteger.

Carla desviou o olhar.

- Ele…

- Sabia que eu iria reconhecer o sinal como uma mensagem de que está bem e que devo protegê-la a si e também aqueles que a acompanhavam. Posso assegurar que estão e vão receber todos os tratamentos necessários. – Explicou. – É certo que ele podia ter utilizado outros métodos para a proteger, mas se preferiu este, então eu também não tenho outra escolha se não confiar.

- Mesmo que o meu marido…

- Mesmo assim. – Cortou, olhando para o resto da Ómega. – Sobretudo porque também ele parece ter esquecido que jamais devia tocar-lhe dessa forma.

A Ómega tentou segurar, mas as lágrimas caíram umas atrás das outras. Perguntava-se como pôde ficar longe de um lugar assim durante tanto tempo. Um lugar em que nenhum dos Alfas ou Betas mostravam desprezo ou escárnio pela marca do golpe que tinha no rosto. Principalmente, os Alfas demonstravam uma preocupação imediata e não tardavam em exalar feromonas de proteção. Alfas que não a conheciam, que não tinham qualquer motivo para se preocuparem.

Habituou-se tanto aos olhares que a rebaixavam e diziam que se um Alfa maltratava um Ómega, era porque este último merecia, que acabou por se desfazer em lágrimas.

A Marca no seu ombro doía, alastrando a dor para o peito.

O seu Alfa bateu-lhe sem remorso. Tentou maltratá-la fisicamente e ofendeu-a. Ele que dizia amá-la e prometeu respeitá-la até ao fim das suas vidas. O pai do seu filho, o companheiro que quis que fosse para sempre tratou-a daquela forma e podia ter algo a ver com as desgraças que aconteceram em Maria…

E esses Alfas e Betas de Maria com todas as razões para dirigirem o seu ódio também a ela por não ter tentado saber de nada ou impedir os acontecimentos, nada mais ofereciam do que proteção e preocupação.

- Por favor, não fique assim. – O Alfa tocou no seu ombro enquanto Carla chorava cada vez mais. – Vai ficar tudo bem. – As lágrimas continuaram a cair à medida que o choro subia de tom e num gesto que somente sublinhava mais as características diferentes dos Alfas que Maria, aquele que se apresentou como Axel, perguntou se podia abraçá-la.

Perante a pergunta, a Ómega não negou o gesto e até tomou a iniciativa, querendo esquecer a dor que a rasgava por dentro. Os efeitos de uma Marca que chorava e pedia para quebrar.


- Deu-te a informação errada, Irvin. – Dizia Mike, vendo o amigo fechar a porta e apontar para a secretária para onde se dirigiram, depois do outro deixar a cave. – Tem que haver mais deles em Sina. Há traidores em Sina. Só assim podem passar despercebidos.

- Que há traidores é um dado adquirido, mas a informação bate certo com o aviso que o Mário deu.

- Então, queres acreditar que um só soldado derrubou uma base inteira depois de ter desviado as atenções para outra com explosivos?

- Tem que ter pelo menos um cúmplice, mas sabemos pouco da Tropa de Exploração. – Respondeu pensativo.

- Claro e também queres acreditar no testemunho de que naquela noite um Ómega que era um soldado, derrubou sozinho dezenas de Betas e Alfas? – Frisou as palavras com um certo escárnio na esperança de chamar à razão o amigo. – Por favor, Irvin. Isto não faz sentido.

- E se for possível? – Indagou, perante o ar cético do outro que apareceu de surpresa em sua casa, pouco depois do ataque surpresa nas duas bases militares em Sina.

- Irvin…

- Para toda a regra há uma exceção. – Afirmou o Comandante. – Podemos afirmar com toda a certeza que os Alfas são sempre fortes ou os Betas inteligentes? Há exceções. Há aqueles que são o lixo da sociedade e por norma, foram empurrados para longe de Rose e Sina. E porquê? Porque não encaixavam na nossa sociedade perfeita.

- São casos muito raros. – Recordou o amigo.

- E por que razão também não existem exceções entre os Ómegas? Lembra-te das grandes matanças que atingiram sobretudo essa espécie. Lembra-te de todas as razões, melhor dizendo, as dúvidas que serviram como base para o rebaixamento merecido dessa espécie. Não digo que existam muitos, já que são situações raras. – Expôs, enquanto ponderava também se essa seria a razão por detrás do comportamento dos Alfas em Maria.

- Dizes que ainda pode haver alguém que sobreviveu àquela noite de há quase dezoito anos atrás?

- Sendo que depois daquela noite também pararam os relatos daqueles cânticos estranhos que se escutavam na fronteira, que se dizia enfeitiçar quem fosse considerado inimigo. – Olhou para o amigo. – Tudo parou depois dessa noite. Maria ficou mais vulnerável, mas e se houver mais alguém que não devia estar vivo? Um Ómega igualmente perigoso. Um Ómega que infelizmente pode ter tido filhos e quem sabe, ter transmitido alguma dessas características estranhas. Todas estas interrogações estavam a ser investigadas pela Hanji. Por que razão achas que a defendi para que não a proibissem de continuar com as investigações?

- Pensava que fosse pela vossa ligação desde dos tempos de escola. – Comentou.

- Isso não importa.

- Ainda confias e valorizas a opinião dela. – Apontou.

- Do ponto de vista que me possa ser útil. – Corrigiu, mas Mike continuava a não acreditar totalmente nessa afirmação. – Mas dizes que também ela desapareceu.

- Sim. – Confirmou. – Infelizmente, cometeram o erro de aprisioná-la com todos os que estavam na casa, como te disse. Penso que terá oferecido resistência, mesmo depois de quererem ajudá-la.

- Espero que não tenham exagerado. – Comentou e Mike confirmou a preocupação que o outro tentava esconder pela investigadora.

- Ela estava bem, pelo menos enquanto estava na base. Agora, não faço ideia. – Falou, tentando disfarçar o quanto lhe desagradava a preocupação de Irvin.

- Com certeza, não podem ter abandonado Sina ou Rose. Com a segurança tão apertada é difícil passar despercebido com tanta gente. – Disse pensativo. – O que significa que ainda há hipótese de trazer a Hanji e os outros de volta.

- É mesmo importante que a traga de volta, não é?

Irvin olhou para o amigo.

- Podes confiar em mim. – Insistiu Mike. – Se é isso que queres, farei com que aconteça.

- Sei que posso confiar em ti, Mike. Há imenso tempo que sei disso. – Suspirou, encostando-se à secretária de olhos fechados e passando a mão nos próprios cabelos.

Não notou que Mike observava o gesto sem dizer nada por alguns momentos, antes de falar:

- Ainda bem, porque vamos precisar de confiança e um bom trabalho de equipa para o que aí vem.

Irvin abriu os olhos e sorriu na direção do outro.

- Acho que conheço essas palavras.

- Ótimo, significa que ainda não estás senil. – Brincou o outro e ambos riram.


Flashback

Nos tempos de escola, os dois Alfas não tinham uma relação próxima, visto que na altura Irvin conversava mais com Hanji e posteriormente com Grisha, Carla e Moblit. Só ocasionalmente, o herdeiro da família Smith se dirigia a outras pessoas fora desse círculo.

Contudo, a ida para o exército e sobretudo depois da morte da esposa passou a compreender a importância de rodear-se das pessoas certas e manter contactos relevantes como o General Zackley que prontamente reconheceu o potencial de Irvin. Assim, este passou a trabalhar de perto com outras personalidades conhecidas como Pixis ou Nile. O primeiro um estratega brilhante, mas com uma ligação excessiva ao álcool e o segundo optava sempre por posições ofensivas que embora acarretassem perdas, cumpria objetivos.

No entanto, ao trabalhar pela primeira vez com Mike, a ligação foi quase instantânea. Possuíam formas muito semelhantes de pensar e os resultados do trabalho em equipa superaram as expectativas. Assim Irvin passou a dispensar a companhia de Pixis e a arrogância de Nile, pedindo para que a seriedade, assertividade e frieza de Mike estivesse ao seu lado.

Numa das expedições na Cidade das Trevas, uma explosão inesperada causou um desmoronamento onde vários soldados foram soterrados. Entre eles, estava Mike que mesmo não tendo sido completamente coberto pelos escombros, tinha uma das pernas presa e seria uma questão de tempo até que o desmoronamento continuasse ou um dos inimigos o encontrasse o fim seria o mesmo.

Ao longe escutou o sinal que ordenava aos soldados que regressassem e apesar de saber que era o mais acertado, não pôde deixar de lado um certo ressentimento. Iriam abandoná-lo como um qualquer. Como se fosse descartável.

Ao tentar libertar-se mais uma vez, ouviu passos a aproximar-se. Com a poeira e quantidade de entulho, pensou que pudesse ser um inimigo. Viu apenas uma sombra e quando reconheceu…

- Irvin?

- Estás ferido? – Perguntou com uma lanterna na mão, observando-o.

- Ah… é só uma das pernas que está presa. – Respondeu pasmo. – Mas tu…

- Ok. – Disse, observando-o atentamente. – Vou ajudar a empurrar essa merda e entretanto, tenta sair. Devo conseguir criar espaço suficiente.

- Ah… - Mike não esperava aquela atitude, portanto, ainda estava incrédulo. – Ouve, Irvin não é seguro que fiques aqui.

- Confia em mim. – Persistiu. – Vou tirar-te daqui, ok?

- Eu confio. – Falou quase instintivamente, olhando o outro nos olhos.

- Ainda bem, porque vamos precisar de confiança e de um bom trabalho de equipa. – Afirmou e logo começou a empurrar o entulho para gerar o espaço necessário para libertar o amigo.

Com esforço e algum tempo, Irvin conseguiu ajudar Mike a sair. Embora este tenha precisado de apoiar-se no Comandante para chegar até ao ponto onde Irvin exigiu que aguardassem pelo seu regresso. Pelo caminho, o outro ainda se sentia atordoado pela situação. Mal queria acreditar que o outro Alfa tivesse arriscado tanto ao voltar para trás para o libertar e salvar. Sim, porque naquela situação, não seria capaz de sair de onde estava sem auxílio e mesmo ultrapassando esse obstáculo, estaria sozinho em território inimigo.

Sendo certo que trabalhavam há quase dois anos juntos, as conversas com o Alfa que lhe dava apoio, raramente fugiam do foro profissional. Trabalhavam bem em equipa, mas nada daria prever uma atitude daquelas. O normal teria sido abandoná-lo. Era o expectável.

- Irvin, preciso perguntar…

- Tu disseste que sentiste o cheiro a pólvora utilizada em explosivos à nossa volta e eu ordenei que avançassem mesmo assim. Devia ter confiado e ter priorizado outra forma de ataque.

- Sim, mas…

- Além disso, entre o ego irritante do Nile e o alcoolismo do Pixis, prefiro ter ao meu lado alguém normal. – Afirmou com um suspiro.

O outro desviou o rosto, interiorizando as palavras e tentando não transparecer o impacto das palavras e daquele gesto.

- Obrigado. – Murmurou.

- Não tens que agradecer. Agora vamos mais rápido. Temos que sair daqui e assim que chegarmos a Sina, vou pedir à Hanji que venha ver-te.

A saída da Cidade das Trevas e regresso a casa decorreu sem outros incidentes e enquanto Mike ficou entregue a cuidados médicos, Irvin teve que ausentar-te durante horas para relatar o que tinha acontecido na última expedição e fazer uma avaliação dos danos e ganhos.

No entanto, assim que foi dispensado das reuniões dirigiu-se à casa do amigo. Uma Beta veio abrir-lhe a porta e também se cruzou com Hanji que parecia ter terminado a consulta.

- Achas que é preciso chamar o Grisha? – Perguntou o Comandante.

- Não. – Respondeu a mulher, limpando as lentes dos óculos. – Três dias para que as feridas cicatrizem por completo e mais um par de dias para que a fratura seja coisa do passado. Dentro de uma semana estará como novo, graças ao poder de regeneração impressionante que os Alfas têm.

- Ótimo. – Falou Irvin. – Obrigado por teres vindo.

- De nada. – A mulher sorriu. – Agora vai vê-lo, porque acho que está entediado, mas precisa de repouso. Entretanto, vou voltar para o laboratório. Já passei todas as informações aqui à Luísa. – Apontou para a outra Beta. – Mas qualquer coisa, podes chamar.

Depois de se despedir de Hanji, o Comandante entrou no quarto, encontrando Mike a dobrar um jornal.

- Então, como estás? A Hanji disse que se seguires as indicações dela, estarás como novo dentro de uma semana.

- Estou bem… aborrecido, mas quanto a isso parece que não posso fazer nada. – Respondeu, vendo o outro puxar a cadeira para se sentar perto da cama. – Fizeram reclamações acerca do sucesso da expedição?

- Tentaram, mas tive argumentos para responder.

- Espero que o facto de teres voltado para trás, não tenha…

- Não importa, Mike. – Descartou. – Foi uma boa decisão da minha parte, não tenho dúvidas disso. E quanto ao tédio, tentarei visitar-te sempre que possível.

Fim do Flashback


- Mike? – Chamou o Comandante e ao ver a atenção do amigo voltar, continuou. – Ficaste ausente. Está tudo bem?

- Lembrei-me de algo, mas agora não importa. – Falou. – Temos que falar acerca do que faremos com a situação que temos em mãos.

Fragmentos de partes da conversa foram ouvidos pelo Ómega de olhos diferentes que permanecia na cave, abaixo do escritório onde os dois Alfas conversavam. Apesar do estado debilitado, frio que o fazia tremer contra a parede gelada atrás das costas e a exaustão que o tentava empurrar para o sono, o nome do antigo proprietário chamou a sua atenção. Tentou perceber como e quando o contacto com Mário teria acontecido e por momentos, desejou que o viesse tirar daquela casa. Não queria voltar para a Cidade das Trevas, mas era consciente que não seria capaz de fugir daquela cave sem ajuda. Não podia dormir, raramente o deixavam comer e nem ao menos podia procurar uma posição confortável com a corrente à volta do pescoço.

Ouviu também sobre a possibilidade de um Ómega estar integrado na Tropa de Exploração e teve que considerar a hipótese de ter escutado mal, mas e se fosse verdade? Ouviu também qualquer coisa sobre Ómegas que eram exceções à regra, mas pouco mais apanhou da conversa, pois a sua consciência começou a querer abandoná-lo. Tentou lutar contra isso, mas o corpo maltratado e mente cansada, apagaram mais uma vez os seus sentidos.


A Ómega sabia que o seu companheiro não ficaria satisfeito, já que tinha dito que iria para casa. Porém, a caminho de casa notou que entre habitantes que se preparavam para abandonar os distritos urbanos próximos à fronteira e soldados, havia uma mulher jovem que aparentava estar bastante interessada nos destroços de algumas casas. Ponderou que pudesse ser uma das residentes das casas destruídas, mas isso logo caiu por terra. Focava a atenção nalgumas residências em específico. Entre elas, a que conhecia como sendo do casal Reiner e Bertholdt que entretanto, tinham partido para as montanhas. Considerando que os amigos também tinham ido com o casal e os restantes viviam fora de Maria, não havia uma razão muito lógica para que outros conhecidos ou vizinhos vasculhassem os destroços da casa.

Os olhos cinzentos examinaram a forma suspeita como a aquela jovem procurava qualquer coisa nos destroços da casa destruída, aquando do ataque em Maria. Ninguém prestava atenção naquele comportamento estranho, pois as preocupações da população eram outras. Temiam não ter tempo de escapar, antes do iniciar de uma guerra que estava a poucos dias de começar.

Portanto, com passos cautelosos e aproveitando as movimentações à sua volta, acercou-se da jovem que então, notou pegava num tecido para cheirar.

"Não está à procura de nada de valor. Está à procura de qualquer coisa que tenha feromonas para os encontrar", deduziu rapidamente e depressa, alcançou o punhal que levava com ela, "Quem diria que um infiltrado seria tão descuidado ao ponto de agir de forma tão descarada diante de todos".

- Só preciso de os matar. – Repetia baixinho. – E depois volto para ti, meu amor.

Repentinamente, as palavras ditas quase em transe cessaram quando teve o seu braço agarrado, mas de imediato, Layla viu uma seringa que a outra tentou cravar nela, mas falhou ao receber uma joelhada e ao ter o punhal encostado ao seu pescoço.

Assim que a deixou incapaz de se defender, notou outras feromonas, outro cheiro de sangue.

Reconheceu tudo isso, pois ainda se manteve no local onde a família do melhor amigo morreu por bastantes horas em busca de qualquer pista, juntamente com o marido visto que o irmão tentou logo afastar Gabriel do local para acalmá-lo.

"Foi ela… esta Ómega…", concluiu, notando que havia bastantes seringas no interior o casaco longo e ensanguentado que ela levava, "Ninguém notou, pelo caos que estamos a viver, mas ainda assim… como é que alguém que aparentemente não tem qualquer preparo militar, conseguiu chegar aqui e fazer tudo isto?".

Acabou por ter que deixar a Ómega inconsciente para que parasse de falar e atraísse atenções desnecessárias. Em seguida, resolveu levá-la para um dos postos de saúde militares próximos. Queria que avaliassem, pois viu sangue nas roupas e não tinha a certeza de que fosse todo de possíveis vítimas e além disso, também queria eliminar qualquer hipótese que lhe permitisse escapar.

O que não esperava é que depois de deixar a desconhecida numa das salas de atendimento com um pedido expresso para que mantivessem a segurança apertada, ouvisse a voz do esposo num dos corredores. De imediato, espreitou e vi-o com dois jovens a quem procurava tranquilizar e ao seu lado…

- Carla Jaeger. – Murmurou com um certo dissabor e logo se aproximou. - Posso saber o que está a acontecer? O que faz ela aqui?

Axel voltou-se de imediato e surpreendeu-se ao ver a parceira.

- Isso pergunto eu. Pensei que tivéssemos combinado que irias…

- Não desvies o assunto. – Cortou, olhando para Carla. – O que faz ela aqui? Por que não está a ser tratada como uma prisioneira? – Notou as feromonas no marido. – E estiveste a oferecer-lhe conforto?

- Escuta-me, por favor. – Pediu o Alfa. – Ela estava bastante transtornada…

- E ele deu-me um abraço, apenas isso. – Falou Carla ainda estupefacta com a aparência da mulher que estava à sua frente. Os longos cabelos negros, a postura tão pouco submissa de uma Ómega que não escondia territorialidade perto do parceiro e acima de tudo os olhos cinza, os traços físicos que lhe davam a mesma beleza invulgar que encontrou em outro Ómega.

Carla olhou mais uma vez para o Alfa e depois para aquela Ómega. Os olhos de cada um deles parecia gravado em outro Ómega que conhecia. Como se reunisse o melhor dos dois. A tranquilidade do céu azul e a tempestade lado a lado.

- Ó meu Deus… - Murmurou cada vez mais pasma e não era a única, pois também Annie não pôde deixar de reparar nas semelhanças.

- O que foi? – Perguntou Axel confuso com a reação e apenas Connie ainda bastante atordoado com as últimas notícias da namorada, parecia não estar a fazer a mesma associação que a amiga e a mãe de Eren.

Layla continuava a exibir um ar desafiador até que a surpresa se inscreveu na sua expressão ao dar mais um passo em frente. As feromonas daquela outra Ómega estavam misturadas com a do seu parceiro, mas havia algo mais forte. Algo marcado e que não era o Alfa dela e em seguida, olhou para o marido.

- Onde está o meu irmão?

- Ainda em Sina, segundo me disseram. – Respondeu Axel.

- Irmão? – Indagou Carla com um nó na garganta e sem coragem de colocar a pergunta que a estava a consumir por dentro.

- Por que razão, o meu irmão marcaria mesmo que seja só com as feromonas alguém como…

- Vocês abandonaram o Levi? – Perguntou Annie confusa e desta vez, o choque chegou ao casal que não conseguiu disfarçar o impacto daquela pergunta. As feromonas transmitiam tantas emoções negativas ao mesmo tempo que o Alfa teve dificuldade em processar a pergunta:

- Do… do que estão a falar? Quem…

- O meu irmão não tinha o direito de tocar nesse assunto! – Falou Layla deixando feromonas hostis escaparem e Carla recuou ao ouvir a outra mulher rosnar. – Com que direito tocou num assunto desses com uma mulher que está ao lado de um assassino! Que nenhum de vocês se atreva a falar de algo assim novamente! Não abram a boca para dizer esse nome!

Axel segurou na esposa.

- Acalma-te, por favor…

- Com que direito ele tocou nesse assunto com ela?!

- Ele não disse nada. – Falou Carla trémula com a reação da mulher que tentava libertar-se das mãos do Alfa. – É só que… é que…

- O seu irmão não falou nada do que possa estar a pensar. – Apressou-se a dizer Annie, compreendendo que de alguma forma, teriam tocado num assunto sensível, mas o casal principalmente aquela Ómega teria interpretado de forma errada a situação. – Ele ficou em Sina porque prometeu trazer o Eren, o Armin e… o Ómega que tanto eu, como a Carla… aliás qualquer pessoa que olhe para ele e para vocês dirá que têm algum grau de parentesco… o nome desse Ómega é Levi.

Layla parou de debater-se contra os braços do marido e este também a soltou de imediato e Carla não conseguia compreender a situação, mas não acreditava que tivessem abandonado o rapaz. A forma de ser daquele Alfa e a reação dos dois dizia que havia algo muito trágico por detrás de toda aquela situação.

- Têm a certe… - Hesitou o Alfa. – Ele…

- O meu filho, o nosso filho… - Murmurou com lágrimas nos olhos. – Está vivo? – Avançou na direção de Carla, agarrando-a pelos ombros. – Onde?! Onde?! Com quem?!

- Em Rose. – Respondeu também com lágrimas nos olhos. – Infelizmente, na casa do Comandante Smith.

- Encontraram-no na Cidade das Trevas e ofereceram-no ao Comandante Smith. – Acrescentou Annie.

- Ofereceram-no… - Repetiu Layla com um olhar que podiam considerar aterrador e logo ouviram também o Alfa rosnar e a aparência calma esfumar-se por detrás de feromonas agressivas.

- Se for verdade, vou…

- Matar esse Alfa. – Concluíram os dois, saindo de seguida e deixando para trás Carla e os outros dois jovens ainda pasmos com a situação.

O casal sabia o que significava oferecer um Ómega a um Comandante. Conheciam os costumes pervertidos de Rose e Sina. Lutavam contra isso todos os dias, mas desta vez, era diferente. A ser verdade o que tinham ouvido… desta vez, a forma de agir seria diferente.


-X-

Até ao próximo capítulo!