Capítulo 34 – Medidas Extremas
Dynha andava impacientemente de um lado para o outro. Desde o dia que contara a Remo onde Linny estava, que ela não conseguia mais agir normalmente com Sirius. Sua consciência pesava por não contar a ele o que tinha feito, mesmo agora depois que os dois já estavam casados, Dynha ainda se sentia mau de esconder aquilo de Sirius.
Sirius abriu a porta de casa e ficou espantado ao ver a namorada, andando sem rumo pela sala. Se aproximou cautelosamente dela, segurou-a e a fez sentar no sofá.
- O que está acontecendo, Dynha? – perguntou, fazendo-a encará-lo.
- Nada – respondeu ela, baixando os olhos.
- Faz alguns que você tem estado diferente...desde aquela visita do Remo.
- Não foi nada – insistiu ela, tentando levantar, mas Sirius a impediu.
- Por que você não me conta o que aconteceu? – pediu ele com delicadeza, colocando as duas mãos no rosto dela.
- Por que você me odiaria por isso – respondeu Dynha impulsivamente. Sirius tirou as mãos de seu rosto e ficou esperando uma explicação.
- Eu vou te odiar se você não me contar – respondeu Sirius, agora bem mais frio que antes.
- Eu só fiz isso por que queria ajudá-los.
- Fez o que? – perguntou Sirius curioso.
- Eu disse pro Remo onde a Linny estava – respondeu Dynha sem jeito.
- VOCÊ O QUÊ???
- Eu só queria ajudá-los...
- Dynha, eu confiei em você, a Linny confiou em pode?
- Remo estava desesperado. E aquela mulher que estava com ele também. Eu não sabia o que fazer – respondeu Dynha, com lágrimas nos olhos – Sirius, eles se amam. Ele precisava ir atrás dela.
- Se ela quisesse falar com ele não teria fugido! – falou Sirius, que estava bastante nervoso e irritado.-
- Mas eles se acertaram.
- Como assim?
- Linny voltou com Remo. Eles estão casados. Está tudo bem agora.
- E por isso você resolveu me contar? Por que eles se acertaram? E se isso não acontecesse Dynha? Você me esconderia?
- Não. Eu não faria isso. Eu ia te contar – falou Dynha, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela tentou se aproximar de Sirius, mas ele se esquivou.
- Você traiu a minha confiança. E isso é uma das piores coisas que você podia ter feito. Foi por esse mesmo motivo que eu e ... – Sirius parou de falar ao se dar conta do que ia dizer.
- Que você e a Narcisa não deram certo, não é? – perguntou Dynha com raiva – Não me compare com ela. É uma situação bem diferente. Eu não te troquei por outro na frente de todo mundo.
Sirius a encarou num misto de raiva e mágoa. Lembrar de tudo que acontecera entre ele e Narcisa ainda doía, apesar do tempo. Aquela ferida ainda não tinha cicatrizado.
- Acho melhor você ficar uns dias na casa dos seus pais – disse ele um pouco rouco, sentando-se no sofá e escondendo o rosto com as mãos.
- Tudo bem – respondeu Dynha, tentando em vão segurar as lágrimas que escorriam pelo seu rosto – Quando quiser falar comigo você sabe onde me achar.
Sirius esperou escutar o barulho da porta fechando para então tirar as mãos do rosto, que estava molhado por causa das lágrimas que escorreram. Pensar em Narcisa ainda doía muito, mas ver Dynha indo embora de sua casa, pelo mesmo motivo que o afastara de Narcisa, doía ainda mais.
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Assim que chegou em casa, Remo encontrou Linny deitada na cama, olhando algumas fotos. Ele soltou a pasta num canto, e deitou-se ao lado dela, surpreendo-a:
- Que fotos são essas? – ele disse, dando um beijo na bochecha dela em seguida.
- As fotos do nosso casamento. Eu busquei hoje.
- Posso ver?
- Claro que sim. Você já ta deitado aqui, vamos começar de novo. – Linny fechou o álbum, e abriu-o novamente desde o início.
As primeiras fotos eram fotos posadas dos dois, tiradas antes do início da cerimônia. As seguintes eram durante a cerimônia, em uma delas, o fotografo havia focado o casal e os padrinhos, e Remo teve que comentar a foto:
- A professora Dragonheart parecia um pouco nervosa nessa foto.
Linny prestou atenção na foto, Remo havia chamado Miriam e Tiago para padrinhos, e Linny, Lílian e Sirius. Lílian via que a professora fazia uma cara estranha, num momento em que Sirius, a encarava.
- Dá pra perceber a hostilidade entre os dois. – Linny disse séria.
- Mas isso deve passar. – Remo disse, desconversando, e continuando a folhear o álbum.
Linny não disse mais nada, apenas continuou olhando o álbum. Quando eles acabaram, Remo olhou para ela, e disse:
- Casar com você foi a melhor coisa que eu fiz na vida.
Linny sorriu, e encarou Remo nos olhos para perguntar algo que queria desde que "quase" morrerá.
- Remo, você ainda me ama do mesmo jeito que me amava antes de eu perder meu dom?
Remo encarou Linny, por que ela estava preocupada com isso?
- Não. Eu não amo você do mesmo jeito.
Linny sentia que as coisas haviam mudado desde aquela vez:
- Eu sabia disso.
- Eu não amo mais do mesmo jeito. Eu amo mais ainda. – ele disse, puxando-a para ele e beijando-a.
Linny rendeu-se aos beijos dele, estava realizada.
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A voz chamava Linny. Ela conhecia aquela voz. Nimue.
- Linny...
- Nimue?
- Sim. Sou eu.
- Você não morreu?
- Não. Eu apenas vou sumir um pouco. Entende, você estava num perigo maior com a minha presença.
- Então eu não perdi meu dom?
- Linny não se pode tirar algo que você mereceu de verdade. Você não lembra de Kassandra de Tróia? Apolo quis tirar o dom dela, mas ele não podia, então a puniu com fazendo quem que ninguém acreditasse no que ela previa.
- Isso vai acontecer comigo?
- Eu acho que você não desagradou nenhum Deus, Linny. Na verdade, pra mim, você teria se consagrado a Deusa se pudesse. Os Deuses não castigam sem motivo. E aquilo era a Guerra de Tróia.
- Eu sei. Mas nós também estamos no meio de uma guerra aqui.
- É diferente, Linny. Você vai entender.
- Eu espero que sim.
- Agora volte a dormir. Tudo vai dar certo. Eu no meu mundo, você no seu.
- O que você quis dizer com isso?
Mas ela não ouviu mais nada, no momento seguinte o sonho havia acabado e ela estava novamente no quarto, deitada em sua cama.
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Lílian encarava Linny, as duas estavam conversando na casa dos Potter. Lílian dizia:
- E Tiago quer um bebê, Lin. Mas eu tenho medo, estamos no meio de uma guerra.
- Lily, o que você quer? Você quer um bebê?
- Eu não sei, Linny. Eu tenho medo de morrer nessa guerra e não deixar alguém nesse mundo, alguém para lembrar do que eu era, deixar uma parte de mim.
- Nem fala em morte, Lílian.
- Mas pode ocorrer. Mas eu também tenho medo de um filho e dele morrer nessa guerra.
- Lily, quebre um pouco essas regras. Tenha um filho. Todos nós estaremos aqui para protegê-lo. Você sabe disso.
- Eu sei, mas é difícil.
- Olhe a pior coisa que você pode fazer agora é deixar de viver sua vida por causa da guerra. Olhe eu e Remo, iríamos casar somente depois da guerra, mas estamos casados. Não se pode mandar no coração, nem a guerra pode destruir os seus sentimentos e a sua vontade.
Lílian levantou e abraçou Linny, era tudo o que ela queria ouvir. Talvez não fosse a hora errada para ter um bebê.
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Remo abraçou Linny com carinho, os dois deitados na cama. Era noite, e Linny estava cansada, tudo o que queria era uma boa noite de sono.
Em instantes ela adormeceu nos braços de Remo, que sentiu muito feliz de tê-la em seus braços.
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Na casa dos pais, Dynha não conseguia dormir. Algo a incomodava, ela revirava-se na cama, chateada com a briga com Sirius. Ouviu um barulho, e deparou-se com Marcus, que havia entrado no quarto, e agora se encontrava sentado na cama:
- O que houve, Marcus?
- Eu é que pergunto, Dy. O que houve com você?
- Nada. Eu estava com saudades e vim ver vocês.
- Isso é mentira. Você acha que eu não conheço você? Eu cuidei muito de você, Karoline. – Marcus disse, chamando pelo segundo nome, coisa que só ele fazia. – Isso parece coisa daquele homem, Black.
- Marcus, você sempre foi muito ciumento com os meus namorados.
- Posso até ter sido, mas não entrei aqui pra isso. Vamos nos divertir. Se Vista, eu vou te levar na melhor danceteria de Roma.
- Você não pode estar falando sério! Eu só quero descansar.
- Vamos, a sua amiga que veio com você já está esperando.
- Lena?
Lena havia viajado com Dynha para tentar desligar-se de Jonas.
- Se esse for o nome dela, está sim.
- Oh, Marcus, você não existe! Eu vou me vestir, com licença.
- Claro, Karoline.
Algum tempo depois, os três saíram para a Danceteria.
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Sirius estava sentindo algo errado, era como se um enorme vazio estivesse surgindo nele a cada minuto que ele passava sem Dynha.
E naquele momento, a sensação atingiu seu ápice, foi como se um buraco negro se abrisse dentro dele, e engolisse todas as coisas boas a que ele estava tentando manter-se preso, para fazê-lo lembrar da dor que a falta de Dynha estava causando.
Ele não agüentava mais. Teria que pedir desculpas, Dynha valia muito mais que seu maldito orgulho.
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Na danceteria, Dynha só queria ir embora. Mas aquilo parecia que ia demorar. Lena e Marcus pareciam estar se entendendo muito bem. Mais do que bem, já que no momento estavam se beijando.
Lena estava admirada de estar beijando outro homem, não era como Jonas, mas não era de todo ruim. Era um novo começo. O que ela fora buscar em Roma com Dynha. Um novo começo.
Dynha sentiu algo estranho, uma frustração enorme tomou conta dela, e ela não pode conter as lágrimas que começaram a cair dos seus olhos. Marcus deslumbrou a irmã, e ao ver o rosto marcado de lágrimas, correu na direção dela, e segurou, obrigando-a a encará-lo.
- O que houve, Karoline?
- Papai ... mamãe. – foram às últimas palavras de Dynha antes de desmaiar nos braços do irmão.
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Linny acordou sobressaltada, e no movimento brusco que executou, acabou acordando Remo. Ele encarou a face da mulher preocupado, e assustou-se ao ver a expressão em que ela se encontrava. Transe. Ela ia ter uma visão, mas como aquilo era possível?
A voz de Linny saiu, forte, como se tomada por alguém que falava através dela:
- O Caos abre portas. Famílias serão destruídas hoje. Meadowes. Fontanetti. Potter. – e ela desmaiou.
Remo encarou o corpo e levantou-se, num movimento desesperado para avisar alguém da premonição. Ainda podia ter algo a ser feito. Por Merlin, Tiago não podia estar morto.
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Quando chegou a casa dos Fontanetti, Sirius bateu várias vezes, não obtendo resposta, resolveu entrar. Surpreendeu-se ao encontrar a porta aberta, mas seguiu chamando por Dynha.
Ela parecia não estar em casa, Sirius decidiu que esperaria na sala, mas quando acendeu a luz, encontrou os corpos dos pais de Dynha. Mortos.
Sirius ficou desesperado, onde Dynha estava? E se ela estivesse...?
Morta? Não, Dynha não podia estar morta. Ele não podia ter perdido Dynha. Ainda mais estando brigado com ela.
Sirius correu pela casa inteira, chamando, procurando, sem encontrar a garota, e desesperado, atirou-se no sofá, começando a chorar. Não podia ser verdade.
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Marcus dirigia com cuidado, estava preocupado com o que Dynha dissera. Será que havia acontecido alguma coisa com o seu pai? E com a mãe de Dynha?
Lena estava sentada no banco de trás, tentando acalmar Dynha, que ainda chorava. Algo estava errado, muito errado.
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Quando chegaram na casa, Lena empunhou a varinha, apenas por segurança, enquanto Marcus ajudava Dynha a caminhar.
A casa estava escura, e quando entrou Lena pode perceber alguém sentado no sofá, ela se aproximou sorrateira da pessoa, e apenas quando estava bem perto, pode ouvir que a pessoa chorava. Assustou-se, ao conseguir reconhecer a pessoa, Sirius.
- O que você está fazendo aqui, Sirius?
- Dynha está morta. Eu vim pedir desculpas, ela está morta.
Lena encarou Sirius sem falar nada, e foi acender a luz. No momento seguinte, Dynha e Marcus surgiram na porta, e vislumbraram os corpos inertes dos pais. O grito de Dynha ecoou pela sala, fazendo com que Sirius a visse, e corresse em sua direção.
Ele abraçou Dynha enquanto Marcus ajoelhava-se sobre o corpo dos pais, e segurou-a firme em seus braços, oferecendo conforto, segurança e proteção, a garota, cujas lágrimas escorriam pelos olhos.
Dynha permaneceu nos braços de Sirius, que agora lhe forneciam uma segurança que era tudo o que ela precisava para se acalmar. Conforme foi se acalmando, que Dynha lembrou que eles estavam brigados, e agora, mais controlada, afastou-se dele, que se assustou com o ocorrido.
- O que houve, Dynha? – Sirius perguntou.
- Até onde eu saiba – ela começou com a voz embargada pelas lágrimas que ainda corriam. – nós estamos brigados. Eu não preciso de sua ajuda, Black. – ela concluiu, com a maior mentira que podia dizer naquele momento.
E Sirius entendeu. Era hora de vencer seu orgulho e pedir desculpas. Ela aproximou-se dela, abraçando-a novamente, apesar dela se debater e tentar soltar-se, Marcus ia tirá-la de lá, mas Lena impediu-o.
Sirius fez Dynha acalmar-se em seus braços, logo venceu a resistência dela, que já cansada pela tensão emocional, entregou-se completamente ao abraço dele. Ele aproximou-se do ouvido dela, sussurando uma canção em seguida:
- Ela é uma brisa quente, soprando vida dentro de mim, ela é o raio de sol, que brilha sobre mim.
Dynha ergueu a cabeça encontrando os olhos azuis do maroto, que encontou novamente a cabeça próxima ao ouvido dela e concluiu:
- Ela é você. Desculpe-me. Desculpe pela minha burrada, eu amo você. Eu não saberia viver sem você, sabendo que seria tudo culpa do meu maldito orgulho. Você não é Narcisa, você é mais que Narcisa, eu amo você.
Dynha, apesar do momento, entendeu que aquilo era tudo o que ela queria ouvir, e aconchegando-se mais nos braços dele, permitiu que ele a beijasse.
Sirius acalmou-se, era tudo o que ele queria. Beijou a garota, e aconchegou-a mais ainda em seus braços, ele se livrara da sombra de Narcisa, finalmente.
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Os membros da Ordem encontravam-se abatidos na reunião de emergência que estava sendo realizada após o funeral de Dorcas Meadowes dos pais de Tiago.
Dumbledore falava, também afetado, mas tentando manter-se firme:
- Apartir de agora, chegamos a conclusão de que existe um traidor entre nós, a ordem é desconfiar de qualquer um!
Pedro pensou que teria que mudar seus planos agora, mas talvez a ordem pudesse lhe ser útil.
N/A: Obrigado para a Dynha Black, que escreveu uma parte desse capítulo.
Dedicatória: Eu vou dedicar esse capítulo para a Bruna, leiam a fic dela, Hey Garota!
