Quando o Amor Espera
.
.
Universo: U.A.
Autora: Johanna Lindsey
Adapitação: Tiva07
Gênero: Romance/Angst/Histórico
.
.
Sinopse
.
Konoha era uma velha fortaleza, que não fora projetada nem para ser confortável nem para receber hóspedes. No entanto, passou a ser o lar da delicada e bela Lady Sakura desde que ela fora separada do pai por intrigas da madrasta. Embora rústica, há seis anos Sakura não saía dali nem para visitar Haruno, sua cidade natal. Tampouco para ver o pai, que morava no castelo de Haruno com a nova esposa, Lady Kaory.
Estamos em 1776, na Inglaterra dos senhores feudais. Sakura, isolada do mundo, resolve acabar com sua solidão: aventura-se, sozinha, até Oto para assistir à justa. E o destino a faz conhecer o homem que irá modificar radicalmente sua vida: Sasuke Uchiha, o Lobo Negro.
Confiante nas boas relações com o rei, Sasuke Uchiha, mercenário de Sua Majestade, dirige-se a Haruno para pedir que ele interceda a seu favor: quer a mão de Sakura e as terras vizinhas à fortaleza de Konoha. As terras são confiscadas do jovem Sai Montigny e de seu pai, e Sakura é forçada a se casar.
CAPÍTULO 36
.
UM CÃO sarnento farejando os seus pés despertou Sakura e Sasuke. Sasuke acordou com um rugido, fingindo que ia atacar o animal. O cão simplesmente o fitou. Sakura soltou uma risadinha, e Sasuke se voltou para ela com ar indignado.
- Quem sabe podia lhe pedir que fosse embora? - sugeriu, o riso brincando no olhar.
- Por que você não faz isso? - sugeriu ele.
Ela obedeceu. O cão simplesmente a fitou.
- Acho que devemos deixar que fique - admitiu Sakura.
Sasuke soltou uma risadinha abafada.
- Acho que é exatamente o que ele vai fazer.
Ele se inclinou e levantou-lhe a cabeça para um ligeiro beijo, os olhos sorrindo carinhosamente para os dela. Depois deixou-a, para ir aliviar-se, e Sakura se deitou em seu manto com um suspiro despreocupado. Haviam passado a noite encaixados entre pedras caídas e o que restava da parede de uma torre. Dormira contente e segura nos braços de Sasuke, toda a sua raiva e mágoa dissipadas pelo desejo que ele por ela sentia.
Esta era a única coisa que não podia negar. Não importa que outra coisa se interpusesse entre eles, Sasuke a queria. A sua própria raiva não conseguia dominar esse desejo. E esta certeza era um doce bálsamo para a dor de Sakura.
Durante certo tempo, na noite anterior, ele a fizera crer que a amava. Ela exultou com aquele sentimento e todos os outros que ele lhe despertava. Enrubesceu, lembrando-se da impaciência de Sasuke. Ele se despira com a sua ajuda e ela com a dele, e fizeram amor lentamente, saboreando cada momento, cada doce carícia. Ela jamais imaginara que um dia tão terrível terminaria daquele jeito.
- Os seus rubores estão revelando seus pensamentos, querida.
Sakura ficou ainda mais vermelha e Sasuke riu, encantado. Ajudou-a a levantar-se e deu-lhe uma palmadinha no traseiro de maneira ostensivamente possessiva.
- Vá fazer o que tem a fazer - disse-lhe ele com largo sorriso. - Já nos demoramos aqui mais que o previsto.
Ela saiu apressadamente, ainda encabulada. Quando retornou, Sasuke aprontava o cavalo. Estava de costas para ela, e não a ouviu se aproximar. Ela parou, hesitante. A ansiedade estava voltando. Era inconcebível que Sasuke fosse deixar passar o fato de tê-lo drogado. Detestava a ideia de a sua raiva voltar.
Deu os poucos passos que a levaram para bem perto das costas de Sasuke. Mesmo assim, ele não se virou, e ela apertou as mãos, insegura.
- Como me achou tão depressa?
Tentou desesperadamente falar com naturalidade.
- Indagações deram resultados. Vocês foram vistos deixando a estrada principal. A sua direção era clara, então não foi difícil achar o acampamento, mesmo após o anoitecer. Todavia, eu não esperava que estivesse ausente.
Ele se virou lentamente e encarou-a.
- Eu... sou-lhe muito grata, meu senhor, por ter-me encontrado naquela hora.
- Sabe para onde a estavam levando?
- Para o castelo próximo de um senhor que pratica extorsão por meio de tortura. - Ela estremeceu. - Tenho certeza de que salvou a minha vida.
- Eles não a teriam matado, Sakura. Ferido, sim, pois você é valiosa demais para matar.
- Eles não ligavam para quem eu era, nem sabiam o meu valor. Tenho certeza.
- Eles teriam sabido o seu valor logo que lhes dissesse o nome.
Falou com tanta naturalidade, mas o que queria dizer? O dela não era um nome assim tão importante. Então se lembrou das reações dos homens quando souberam quem era Sasuke. Até mesmo o superconfiante Deidara perdera a coragem, quando se dera conta de que tinha capturado a mulher do Lobo Negro. Sakura falou, pensativa:
- Estou vendo agora que fiquei isolada demais todos esses anos em Konoha. Não tinha ideia de que tais coisas pudessem acontecer.
Sasuke resmungou.
- E como não saberia? O seu vizinho era um dos piores dessa laia.
- Vizinho? A quem está se referindo?
- A quem mais? - indagou Sasuke, enojado. - Montigny e o filho. Sem dúvida os vassalos também estavam envolvidos. Isso ajuda a explicar por que aqueles vassalos tanto temiam me aceitar. Seguramente pensavam que eu estava lá para que fosse feita justiça total.
Sakura enrijeceu-se.
- Não acredito! Conheci os Montigny a vida toda. Sir Danzou era um bom vizinho e Sai...
- Não fale o nome desse rapaz para mim - interrompeu Sasuke vivamente. - E quer você acredite ou não, Sakura, os Montigny eram culpados de muitos crimes. Tomavam cuidados. As vítimas não sabiam para onde eram levadas ou quem apanhava os resgates. E, naturalmente, os mortos não contavam histórias. Mas Henrique recebeu queixas das regiões centrais durante muito tempo. Só recentemente descobriu os nomes para combinar com os crimes.
- É injusto da sua parte difamar um homem que está morto e não pode se defender.
- Como acha que ele morreu, madame? Finalmente houve um número suficiente de homens bons, conhecedores de suas atividades, que depuseram contra ele. Foi morto resistindo à prisão. O filho fugiu para não ser levado a julgamento.
- Mas nada disso faz sentido. Sir Danzou controlava Oto inteiro. Por que iria precisar de ganhos ilícitos?
Sasuke deu de ombros.
- Ele tinha muitas outras fortalezas no reinado de Estêvão, mas foi forçado a desmantelá-las. Suponho que recorreu a meios ilícitos para recriar a riqueza a que estava acostumado. Foi um homem que sempre viveu extravagantemente.
Sakura se lembrava de ter ouvido contar quão extravagantemente Sir Danzou vivera.
Lembrava-se, também, de conversas vagas sobre coisas que não quisera escutar. Esses boatos seriam verdadeiros? Achava difícil crer, em especial com relação a Sai. O pai de Sai poderia ter sido corrupto, mas o tímido, pusilânime Sai? Não. Mas esta não era boa hora para começar uma discussão.
- Não temos que ir andando, meu senhor? - perguntou.
- Suponho que Guy já esteja em suspense sobre o seu castigo há tempo suficiente. É, vamos indo.
Ele montou, depois puxou-a para o cavalo, segurando-a com firmeza quando começaram a andar.
- Que castigo? O que foi que ele fez?
- Botou você em perigo.
Ela soltou uma exclamação abafada.
- Mas ele só cumpriu as minhas ordens.
- A questão não é essa. Você estava aos cuidados dele. Sabia muito bem que não deveriam ter saído da estrada principal. Ele tem sorte que não o matei ontem à noite. Receberá vinte chicotadas, logo mais, quando chegarmos a Oto, e grato ficará por ser só isso. Ele sabe que agiu mal.
Ela estava horrorizada.
- Gostaria que não o castigasse, meu senhor. Ninguém deve sofrer pelo que foi culpa minha.
Estava gritando para abafar o ruído dos cascos dos cavalos.
- Você pode aceitar a culpa, Sakura, e justificadamente, mas não interferirá em minha decisão. O homem será punido porque foi imprudente e nada poderá impedir a punição.
- Qual será a minha punição, meu senhor? - indagou ela.
- Espero que tenha aprendido uma lição importante ontem à noite.
- Não deve mandar me chicotear também? - interpelou-o - Fui tão imprudente quanto o mestre-de-armas.
- Não me tente, Sakura. Você foi mais do que imprudente - disse ele, com voz dura. - Por sua causa, quase troquei socos com o rei.
Sakura gemeu.
- Não.
- Sim. Chamei-o de mentiroso quando insistiu que você não estava se escondendo sob a sua proteção.
- Virgem Maria! - Sakura perdeu a cor. - Eu disse a Komoy que ia para junto do rei apenas para retardar a sua perseguição. Não achei que iria duvidar de Henrique quando ele lhe dissesse que eu não estava lá.
- Sir Huy jurou que não a vira deixar Westminster Hall. Se ele não tivesse percebido que faltava metade dos meus homens, e me avisasse, eu teria feito o salão de Henrique em pedaços, procurando você.
- Não... não chamou Henrique de mentiroso, chamou?
- Chamei.
- Divina misericórdia, ele nunca lhe perdoará! O que foi que eu fiz?
- Ele já me perdoou - disse Sasuke, com um pouco menos de severidade. - Não é um homem insensível. Admitiu que meu comportamento era compreensível. Até me contou a conversa que vocês tiveram, para me ajudar a entender o seu comportamento. Fiquei furioso, sabendo que você pôde contar a Henrique por que não me aceitava, mas não a mim.
Fez-se silêncio, e ele acrescentou:
- Agora vejo que nem era verdade o que contou a Henrique.
- Era verdade.
- Era? Você jurou ontem à noite que não se importava.
Sakura abriu a boca, depois achou melhor não falar. Discutiram o assunto e não haviam chegado a parte alguma. Ele deixara bem clara a sua posição. Não abriria mão de Karin. Ela não pediria de novo.
Sasuke soltou um suspiro.
- Não me drogue de novo, Sakura. E tampouco fuja de mim de novo.
- Sim, meu senhor.
Ele nada mais disse.
