Capítulo 36 – Desabafos ébrios.
A garota simplesmente não parava de falar. Não que isso fosse de todo ruim, porque enquanto ela tagarelava, James não precisava dizer qualquer coisa. Além do mais, a situação podia estar pior.
- ...E a minha irmã Christa, a mais velha, saiu de casa. E ela só tinha dezesseis anos! Tudo bem que ela voltou um mês depois, sem dinheiro nenhum e cinco quilos mais magra. Pelo menos fez as pazes com o meu pai. – Catherine suspirou, bebeu um gole de seu drink e voltou a falar. – Eu sou mais próxima da minha outra irmã, a Roswitha. Ela é só um ano mais nova. Um amor. – James acenou com a cabeça, mas não disse nada. – E você, James, se dá bem com seus irmãos?
- Eu não tenho irmãos.
Catherine riu.
- James, você mora com mais cinco pessoas. Vocês são basicamente irmãos.
- É, somos. – Ele abriu um pequeno sorriso. – Quero dizer, não. – Ele não via Lily como uma irmã.
- Claro que são, James! Você, o Sirius e o Remus estão sempre juntos! Você e a Evans brigam como irmãos, eu já vi! – Ela voltou a rir.
Ele e Lily brigavam como irmãos? James nunca tinha pensado desta forma. Catherine estava errada, mas podia estar certa. E ele não tinha irmãos para poder comparar.
- Eu já volto. – Catherine se levantou da mesa, passou por ele e foi direto para o toalete feminino.
Ele apoiou os cotovelos na mesa. Virou-se para o bar para chamar um garçom com um aceno, mas nenhum pareceu reparar que James estava desesperadamente precisando de um drink.
Sem alternativa, James se levantou da mesa e foi até o bar. Apoiou-se no balcão e esperou ser atendido. O bartender se aproximou e estendeu duas garrafas para uma mulher ao seu lado. James ficou olhando-a receber as garrafas e sair.
Quando a mulher saiu, foi possível ver uma cabeleira ruiva bem conhecida. Não podia ser. Coincidência demais.
- Lily?
A garota terminou de beber o que restava do copo e se virou para ele.
- E aí, James! – Ela sorriu.
- O que você está fazendo aqui?
Ela riu.
- Eu estou... bebendo. – Lily ergueu o copo vazio, rindo alegremente. – Muita coincidência te encontrar aqui!
James se aproximou. Era impossível acreditar que era uma simples coincidência.
- O que você veio fazer aqui, Lily?
- Qual é, James? Você comprou o bar? – Lily riu ainda mais. James finalmente reparou que ela estava completamente bêbada.
James a olhava com toda atenção. Os olhos dela estavam levemente avermelhados. Há quanto tempo ela estaria ali? E, se fosse coincidência mesmo, ela o tinha visto com Catherine? O fato era que Lily não podia estar ali por acaso, o que fez James se perguntar o que ela queria lhe dizer para ter vindo atrás dele.
- Aqui está, moça. – O bartender colocou uma dose na frente de Lily.
- Ah, muito obrigada! – Ela exclamou estendendo a mão para pegar a dose, mas James afastou o copo. Irritada, Lily reclamou: – Mas que droga, o que deu em você, James?
- Eu que te pergunto. – James se virou e perguntou para o jovem bartender, antes que ele se afastasse. – Há quanto tempo ela está aqui, cara?
- Não sei. – Ele respondeu. – Mas essa é a quarta dose de tequila que ela pediu. Vai tomar algo?
- Eu vou ficar com a tequila dela, obrigado. – James respondeu ao rapaz, que rapidamente se afastou para atender outro cliente.
James olhou para Lily pelo canto do olho. Ela olhava para as luzes bruxuleantes que iluminavam as fileiras de bebidas. James não queria deixá-la sozinha naquele balcão. Catherine ainda não havia voltado do toalete, graças a Deus.
- Vai ficar com a minha tequila, é? – Lily perguntou com desdém, revirou os olhos e apoiou os cotovelos no bar.
- Vou. – Ele usou todo o seu sarcasmo no tom de voz. – E você vai ficar aqui, e não vai tomar mais nada, entendeu?
A ruiva caiu em uma gargalhada escandalosa e embriagada.
- Você não está falando sério!
Ainda sem saber muito bem como reagir diante daquela situação totalmente inesperada, James virou a dose de tequila pedida por Lily, de uma vez. Bateu o copo no balcão, fazendo-a parar de gargalhar.
- Estou mais sério do que você imagina. – Disse. Avistou Catherine sair do toalete e ir à direção da mesa em que estavam anteriormente sentados. – Não saia daqui.
- Quer parar de me dar ordens?
- Por favor, Lily. – Ele olhou dentro dos olhos injetados dela. – Eu vou te levar para casa.
Lily não disse nada, mas James não teria tempo de ouvir mesmo que ela dissesse. Ele correu até Catherine, que o estava procurando com os olhos. Tinha apenas alguns segundos para decidir o que ia fazer.
- Foi pedir a conta? – Catherine perguntou, com um sorriso malicioso.
- Na verdade, não. – James se sentou de frente para ela. – Eu acabei de encontrar a Lily ali no bar, ela está completamente bêbada. Acho que vou–
- Um minutinho! – Catherine pediu, pois seu celular estava vibrando. Ela o atendeu e em poucos segundos foi arregalando os olhos. Começou a responder em um alemão rápido. James não entendeu nada.
- O que aconteceu?
- Era minha irmã Roswitha, chorando, parece que brigou com o namorado. Terminaram pela sexta vez. – Catherine aparentava estar extremamente preocupada. – Ela precisa de mim.
A garota se levantou da mesa, guardando o celular na bolsa. James se levantou também. Encarou-a sem saber como se despedir.
- Engraçado nossas irmãs precisarem da gente bem na mesma hora, não é? – Ela comentou, rindo, apontando Lily com o queixo. – É melhor eu ir antes que a minha irmã resolva dar uma de Evans, só pra provocar o namorado!
Imediatamente, James se virou para o balcão. Viu Lily aceitando sorridente um drink oferecido por um homem que acabara de avistá-la. Sentiu seu estômago revirar.
Despediu-se de Catherine rapidamente, sem tocá-la, e correu até Lily. Teve certeza que aquele homem inconveniente só queria se aproveitar da embriaguez dela.
A presença e a expressão de James foram suficientes para fazer o rapaz se retrair:
- Não sabia que estava acompanhada, desculpe.
- É ele quem está acompanhado. – Lily respondeu, sem olhar para James.
- Estou acompanhado dela, mesmo que esteja bêbada demais para se lembrar. – Mentiu James, se controlando para não ser mais grosseiro. O rapaz pareceu decepcionado, mas permaneceu parado. – Você não acha que essa é a melhor hora pra você cair fora?
- A-acho. – O rapaz saiu aos tropeços.
Respirando aliviado, tentando digerir toda a situação, James passou a mão pelo rosto.
- Você não acha muito egoísmo já ter um encontro e estragar o encontro de outra pessoa? – Lily lhe perguntou, arqueando as sobrancelhas.
James decidiu que toda aquela situação era cômica. Tudo aquilo. Sem conseguir se controlar, caiu na risada.
- Vai dizer que você estava mesmo pensando em ficar com aquele cara? – Ele ainda ria, balançando a cabeça. – Quem você quer enganar com essa?
Lily bufou e se virou para sair. Mas James teve que segurá-la, pois ela não exercia mais controle sobre suas pernas.
- Vamos embora. – Falou ele, em seu ouvido.
- Eu não quero ir para casa. – Lily apertou o braço dele em que estava se apoiando.
- Então para onde vamos?
- Pra onde você quiser. – Lily voltou a rir escandalosamente, e James se sentiu intimamente provocado.
Por fim, eles não foram para nenhum lugar. Começaram a andar pelas redondezas, o que acabou inevitavelmente se tornando uma caminhada para casa. A diferença era que a República não era tão perto daquele bar. E Lily estava andando muito devagar.
Nos primeiros vinte minutos da lenta caminhada, Lily não parou de tagarelar e rir. Ria muitas vezes antes de concluir uma frase, deixando James sem entender a maior parte do tempo. E pela segunda vez naquela noite, ele não precisava responder para continuar uma conversa – já que Lily praticamente falava sozinha – mas, diferente da outra situação, James prestou atenção em todas as palavras que ouvia.
- ... Sabe, um dia desses eu largo tudo, James. – Lily falava, olhando para o céu escuro e sem estrelas. James teve que ajudá-la diversas vezes durante o percurso, pois Lily não estava vendo por onde ia. Sem mencionar que ela perdera completamente o senso de andar em linha reta, fazendo-o não se atrever a soltar sua mão quente e pequena. Não que aquilo fosse problema. – Tenho vontade de tentar não limpar a cozinha por uma semana, ficar sem lavar as mãos por mais de três horas e meus cabelos por mais de um dia. Não seria o máximo se eu me tornasse a senhora imundice por um tempo?
James segurou o riso, e até quis responder, mas foi interrompido – de novo.
- Ou então, e se eu simplesmente cortasse meu cabelo todo e pintasse de preto? Ou de loiro? – Ela riu e quase tropeçou ao jogar a cabeça para trás. James correu ampará-la, e ela ria sonoramente, tampando a boca com a mão que ele não estava segurando.
- Eu gosto do seu cabelo ruivo. E grande. – James falou, quando Lily se endireitou e voltou a andar distraidamente.
- Gosta, mas não parava de fazer piadas no começo. – Ela disse, olhando para ele rapidamente, com um sorriso completamente diferente do que ele estava acostumado. – Ah, o começo. Eu queria tanto voltar no tempo, James! Talvez se eu nunca tivesse me importado em fazer tudo perfeitamente certo, eu teria muito mais histórias pra dar risada, não acha? E se eu tivesse sido mais vaidosa, desde o princípio, poderia ter tido muito mais namorados, ou atraído mais opções do que as porcarias que eu atraí a vida toda.
- Lily, você não sabe o que está dizendo. – Assinalou James, parando de andar e olhando para os olhos dela, que foi obrigada a parar de andar também. As pupilas ainda estavam dilatadas.
Ela riu sem humor algum.
- James, o problema é que eu realmente sei que estou falando a verdade. Essa noite, eu fiz tudo errado e deu tudo certo. E olha que eu normalmente faço tudo certo e sempre dá errado! – Ela voltou a rir compulsivamente, e perdeu o equilíbrio de novo. Teve que apoiar um cotovelo na parede para não cair.
James esperou que ela parasse de rir, pensando no que ela tinha dito. A situação que ele julgara cômica, ganhara outro adjetivo: inesperada. Encontrar Lily bêbada, desabafando coisas sem sentido daquele jeito, ouvir seus desejos rebeldes reprimidos despejados tão naturalmente, e por fim, descobrir que ela podia odiar o que ele mais gostava nela.
Ele voltou de seus devaneios quando o som embriagado da risada de Lily cessou. Ela tentava recuperar o fôlego, olhando para o céu. Seus olhos estavam tristes.
- Você vai me contar o que deu em você hoje? – James perguntou.
- Será que eu devo? – Ela riu novamente. Recomeçou a andar, e James a seguiu, sabendo que ela não tinha terminado de falar. – Hoje foi um dia... complicado. Não fiz nenhuma das coisas que era pra fazer, e estou morrendo de vontade de fazer uma tatuagem. O que você acha? Você iria comigo?
- Lily, não se desvie do foco.
- Ah, sim. Então, James, você sabe o que aconteceu hoje.
- Eu sei do que aconteceu no trabalho. Mas foi só isso?
- Não! – Exclamou ela, alto demais. Uma mulher que passava por eles se virou para olhar. – Como se não fosse o bastante ouvir tudo aquilo de você, ainda ouvi umas da Sarah. Acredita nisso, James? Da Sarah!
- Foco, Lily.
- Eu estou falando a verdade!
- Como assim?
- Eu estava na casa da Alice, mas ela saiu e a Sarah me chamou para uma conversa. Lógico que na hora eu pensei: "Mas o que é que temos para conversar?". Bem, é claro que eu tenho muita coisa entalada para jogar na cara dela desde a época do ensino médio, mas depois de tudo o que ela me contou, eu não consegui falar nada do que queria! – Lily parou para respirar. – Cada vez que eu me lembro do que ela disse, eu... Só tenho vontade de voltar no tempo. Mas não voltar para um, ou dois anos atrás. Voltar para a época do ensino médio mesmo. Sempre fui tão idiota! Eu devia ter viajado com o Michael no terceiro ano. Eu recusei por medo, acredita?! Em menos de uma semana, adivinha quem estava indo com ele?
- Do que você está falando?
- A Sarah! – Lily o ignorou completamente e continuou com seu relato. James sacudiu a cabeça, entendendo. Esse Michael devia ser uma espécie de ex-namorado. – Mas Michael não prestava, que nem você. Por isso eu jurei nunca mais me envolver com homem galinha. Mas é claro que me esqueci desse juramento.
- Eu vou ignorar esse seu último comentário. Continue contando. – Ele sorriu.
James virou-se para olhá-la e percebeu que estava caminhando sozinho. Olhou por cima do ombro e encontrou Lily parada a alguns passos atrás dele, de cabeça baixa.
- Ela me contou tudo, James. Eu estou me sentindo muito idiota. – Lily ainda encarava o chão. James voltou alguns passos e parou na frente dela. – Por que eu só descobri agora? Eu podia ter errado muito menos.
James queria entender sobre o que ela estava falando, e principalmente entender a finalidade de todas as atitudes de Lily naquele dia. No entanto, não quis interromper sua linha de pensamentos e apenas permaneceu escutando com atenção.
- Agora, eu entendo muitas coisas e não entendo outras! – A garota continuava falando. – Qual era o problema do Louis? Ele parecia me amar, me pediu em namoro na primeira semana e esse ano inteiro ficou correndo atrás de mim, querendo voltar!
- Lily, esse cara tem problema mental, sério.
Ela abriu um meio sorriso, cruzando os braços.
- Sabe o que eu concluí? – Ela lhe perguntou, como se James estivesse entendendo tudo. – O Louis é muito, mas muito machista e bipolar. Ele me encontrou, quero dizer, ele encontrou uma moça totalmente insegura, que tinha acabado de sair de casa e de entrar na universidade e começou a namorá-la. – Lily fez uma pausa, um pouco nervosa. James tentava traduzir alguma informação dos olhos dela. – Mas enquanto ele saía de dia com a namorada, à noite ele se encontrava com a vizinha dela para satisfazer suas necessidades masculinas, eu suponho.
- Você está falando sério?
Lily não pareceu ter ouvido a pergunta. Ela olhou dentro dos olhos dele, parecendo ter acabado de entender uma coisa. James ficou esperando ela falar, mas ela fez silêncio por quase um minuto inteiro, sem interromper o contato visual.
- Quero dizer, uma vez eu até achei que o tinha visto com alguém, mas eu estava tão longe e nunca esperaria isso dele que simplesmente deixei a hipótese de lado, até porque foi num café ao lado de Hogwarts e, convenhamos, ele não faria isso num lugar onde eu pudesse encontrá-lo, não é? Mas quando eu me aproximei para confirmar, não encontrei ninguém e achei que tinha ficado louca. – Lily desabafou, por fim. – Logo em seguida, eu terminei com ele, mas nunca tive certeza de que tinha feito a coisa certa. Por isso vivi essa indecisão durante todo esse semestre, James.
- E nesse exato instante, como você está se sentindo? – James sorriu, gentil, tranquilizando-a notavelmente.
Lily balançou a cabeça. Apoiou as mãos na cintura, voltou a encará-lo com os olhos marejados e confessou:
- Estou bêbada. E é melhor você me levar daqui antes que eu comece a chorar, coisa que eu jamais faria no meu estado sóbrio.
- Cuidado, Lily!
- A culpa não foi minha, eu não estou vendo nada!
- Shhh!
Lily acendeu o abajur do seu criado mudo. Teve que semicerrar os olhos para enxergar. Viu James se sentando sobre cama de Anita, que estava desocupada. A ruiva esticou o braço para colocar a bolsa em algum lugar que ela não viu, e derrubou tudo no chão.
- Lily, você está impossível. – Comentou James, ajudando-a a recolher as coisas. – Você vai acordar a Lorens desse jeito.
Esticando o pescoço, Lily avistou Lorens dormindo mais adiante. Ops.
James, muito pacientemente, havia ajudado Lily a andar o resto do caminho sem tropeçar e, muito respeitosamente, tinha se comportado como um cavalheiro.
- Amanhã a gente conversa. – James murmurou, entregando a bolsa de volta a Lily. Ela a pegou e colocou-a no lugar certo, voltando-se para ele. – Se você não se sentir bem, é só me chamar.
Ao se levantar, James beijou o alto da cabeça de Lily.
- James, espera. – Lily se levantou também, com uma certa dificuldade para se equilibrar, ficando, por fim, de frente para ele. – Er... Muito obrigada por me ajudar hoje. E me desculpe se eu te atrapalhei...
Sob a luz do abajur, os cabelos de Lily pareciam castanhos e sua pele assumia uma cor bronzeada. Ele percebeu que estavam muito próximos, já que o espaço entre as camas de Lily e de Anita era muito estreito para duas pessoas. Ela deu um meio passo a frente, rindo silenciosamente.
- Não se preocupe. – Ele respondeu, percebendo que não queria se despedir ainda. – E da próxima vez que você for sair pra beber sozinha, não aceite a bebida de estranhos, como você quase fez hoje, Lily. Por favor.
- Pare de bancar o irmão mais velho, James!
- Essa história de irmão de novo? – James se recordou de toda aquela conversa com Catherine mais cedo. Lily fez cara de confusão, sem entender. – Eu realmente não te considero uma irmã!
Lily encolheu os ombros, na defensiva.
- Você quem sabe, eu só quis dizer que você falando daquele jeito pareceu–
- Não, não pareceu nada. – Ele reparou que Lily estava olhando para a sua boca, e parou de falar. Isso seria uma permissão? – Eu nunca faria com uma irmã o que eu vou fazer agora.
No segundo seguinte, James já tinha puxado Lily para mais perto, se isso fosse possível, e a beijou. James, em hipótese alguma, beijaria uma irmã. Nem sentiria vontade de fazer isso toda vez que a visse. Isso era um absurdo. Na verdade, Lily era um absurdo. A bebida tinha deixado-a mais... quente.
E definitivamente, mais solta.
- Ok, é melhor você ir dormir. – James interrompeu, antes que a jogasse na cama.
Lily lhe lançou o seu melhor olhar de piedade, fazendo-o quase voltar atrás. Mas ele manteve sua decisão sensata, lamentando-se mentalmente.
- Muito obrigada por tudo, James. – Ela agradeceu novamente, um pouco zonza, por conta da bebida e do beijo. – Você me surpreende quando mostra que tem maturidade. – Ela passou os dedos pelos cabelos dele, distraída. – Você é muito melhor do que aquele francês idiota.
James a soltou.
- Amanhã a gente conversa? – Ela sussurrou.
- Pode ser.
E então, ele deixou o quarto.
Sirius acordou absolutamente inquieto, quase certo de que mal dormira. Ainda estava acordado quando James chegara de madrugada, e durante o resto da noite, cochilou apenas por alguns minutos. Sonhou o mesmo sonho com Anita mais uma vez, e decidiu se levantar.
Percebeu que tinha sido o primeiro a descer naquela manhã de sábado. Entrou na cozinha com o estômago reclamando de fome, mas encontrou o lugar vazio. Nem Lily havia acordado? Já passava do meio-dia! Muito estranho.
Acompanhado de um pão torrado, Sirius saiu da cozinha e se largou no sofá da sala. Seus olhos caíram automaticamente em um porta retrato que ficava sobre a mesinha ao lado. Pegou-o para olhar a foto mais detalhadamente.
Ciente que estava sendo um idiota por estar tão atraído por fotos, Sirius observou a cena, com um sorriso despercebido.
A foto fora tirada de cima por Anita, ao lado de uma Lily surpresa e uma Lorens sorridente. Sirius reconheceu o cenário da foto: era o bar Mario's, e a foto fora tirada no dia que Hogwarts vencera a Universidade de Cambridge, em janeiro. Notavelmente, Anita estava alcoolizada, pois segurava uma cerveja com a mão livre.
O próprio Sirius havia exagerado na quantidade de vodka naquela noite, pelo pouco que se lembrava. Lembrou-se de ter bebido com Anita, logo após conversar com Marlene pela última vez e, depois, de acordar em seu quarto, sozinho. Quem o havia carregado para casa, mesmo? James. Não, James tinha passado todo o final de semana fora. Mas também não fora Remus, ele se lembrava claramente de que o amigo só chegara em casa na manhã seguinte.
- Meu Deus. – Sirius falou para si mesmo. Seus olhos pararam em um ponto da foto.
Teve que aproximar mais o porta-retrato dos olhos. A blusa de Anita estava levemente fora do lugar, ele supôs, e era possível ver a alça do sutiã que ela estava usando. Era vermelho.
Podia ser uma mecha do cabelo de Lily, não podia? Impossível. Ele reconheceria aquela peça em qualquer lugar.
Apoiando os cotovelos nos joelhos, Sirius sentiu como se estivesse sofrendo uma brain storm. Seu cérebro começou a lhe jogar milhares de informações, organizando-as sem que ele pudesse ter controle sobre seus pensamentos. Não só pensamentos, mas recordações.
A porta de entrada da casa estava sendo destrancada. Anita entrou de fininho, carregando os sapatos na mão, tentando não fazer barulho.
- Ai Sirius! – Ela se assustou quando o viu.
- Onde você estava? – Ele perguntou, se levantando do sofá.
Anita ficou corada, e passou os dedos por seus cabelos, nervosamente.
- Er, bem... Eu saí. – Ela sorriu sem jeito. – Estou chegando agora. E preciso dormir, estou morta.
Sirius não precisou perguntar mais nada quando reparou melhor nela. Roupas amassadas, colocadas de qualquer jeito – coisas que nunca eram possíveis de ver em Anita.
- Espera. – Sirius pediu. Anita parou no primeiro degrau e se voltou para ele. – Anita, você se lembra desse dia? – Ele apontou para a foto, largada sobre a mesa.
- Lembro. Foi o dia que vocês ganharam um jogo contra qualquer outra universidade, não foi? – Ela respondeu, mexendo nos cabelos novamente. – Eu passei boa parte dessa noite conversando com o Dave. – Acrescentou, sorridente.
- Mas e depois disso? – Insistiu Sirius, olhando dentro dos olhos dela, que desviou o olhar.
- Depois o quê? – Ela riu. – Ah, sabia que essa foi a última vez que eu fiquei bêbada?
- Sério? Mas por quê? Você fez alguma coisa que se arrependeu?
Ela o encarou por um longo momento, relaxando os ombros. Sirius tentava ler a expressão dela, mas não conseguiu.
- Não, Sirius, eu não fiz. – Ela respondeu, encarando a parede atrás dele. – Agora, se você não se importar, eu vou tomar um banho e dormir. Estou acabada.
Anita subiu as escadas correndo, com o coração disparado. Não podia ser o que ela estava pensando. Depois de quase quatro meses, ele não podia se lembrar de tudo. Ainda mais agora, que ela estava com David.
- Meninas, eu acho que o Sirius descobriu. – Anita falou, assim que fechou a porta.
Encontrou Lorens ouvindo música em sua cama, e uma Lily alienada, olhando o movimento da rua pela janela. Nenhuma delas pareceu ouvir o que ela tinha dito.
Ainda nervosa, Anita bateu palmas, fazendo as amigas se virarem para ela. Lorens afastou os fones dos ouvidos.
- Anita, pergunta pra Lily o que o James estava fazendo aqui no nosso quarto ontem à noite! – Lorens começou a rir. – Você não vai acreditar!
Lily estreitou os olhos na direção da morena. Anita franziu o cenho.
- Ok, Lily, se você não vai contar, eu conto. – Lorens se levantou da cama, animadamente. – Eu estava dormindo, mas ela derrubou um monte de coisas e me acordou... E adivinha? Eu vi a Lily dando uns pegas no James!
O queixo de Anita caiu.
- Não acredito, Lily! Mas por que você fez isso? Por acaso você bebeu?
- Bebi. – Lily confessou.
Lorens e Anita arregalaram os olhos. A ruiva abaixou a cabeça.
- Lily, você vai contar tudo ou vai ficar aí? – Lorens perguntou, cruzando os braços.
- É melhor você explicar mesmo o porquê de ter feito isso, principalmente depois da história daquele trato e de semanas fugindo dele! – Anita parecia realmente preocupada, fazendo Lily encolher os ombros.
Lily sabia que estava na hora de contar tudo a elas, já que até Sarah estava sabendo. Tinha certeza que Anita iria ficar muito brava por não ter sido a primeira a saber.
- Tem muita coisa que vocês não sabem. – Lily olhou incerta para as amigas. – Acho que agora eu finalmente superei, porque eu não estava querendo contar antes. Vocês já se sentiram assim?
A ruiva já estava esperando ouvir Anita reclamar. Mas a loira abaixou a cabeça, sem-graça.
- Acho que você não é a única que não tem contado tudo. – Ela disse, mordendo o lábio inferior.
- Deus, muito obrigada por me dar amigas tão legais! – Exclamou Lorens, se dirigindo ao teto.
Lily revirou os olhos.
- Lorens, você pensa que nos engana? – Perguntou Anita. – Eu já reparei que você anda de segredinho com o Sirius o tempo todo. E como todo mundo sabe que o Sirius não tem segredos, imagino que o segredo seja seu.
- Anita, isso tudo é ciúmes? – Lily perguntou, quase rindo, mas quando olhou para Lorens teve certeza que Anita tinha razão. A morena estava boquiaberta.
- Certo, então todas nós aqui temos algo pra contar. – Lorens concluiu. – Lily, você começa.
Ainda um pouco confusa, Lily tentou contar tudo do jeito mais detalhado que conseguiu, desde o príncipio, quando saiu para almoçar com o idiota do Louis. Ao chegar na parte do bar, tentou contar tudo o que podia se lembrar com clareza, e na parte do quarto, Lorens contribuiu com sua versão. Por fim, Anita estava histérica.
- Céus, eu juro que achava o Louis um cara legal! E a Sarah estava drogada ontem, só pode. Lily, você e o James tem que ficar juntos! Eu não vou deixar você ficar fugindo dele de novo! – Seus olhos brilhavam. – O que você ainda está fazendo aqui enquanto ele está no quarto da frente, sua lerda?
- Anita, menos. – Pediu Lily.
- Certo. – A loira se esforçou para respirar fundo. – Lorens, você conta agora.
Sem protestar, como faria de costume, Lorens apenas hesitou para encontrar as palavras certas.
- O que o Sirius sabe; na verdade, o que o Sirius descobriu foi... – Ela coçou a cabeça, sem jeito. – Se lembram da última peça que eu apresentei, sobre a Segunda Guerra?
- A que o Sirius foi figurante? – Anita perguntou, se lembrando daquela grande visão.
- Exatamente. Como ele foi figurante, ele tinha acesso aos camarins e... – Lorens balançou a cabeça. – Se lembram que o Remus estava ensaiando comigo, porque eu troquei de papel e não tinha muito tempo...?
- A gente se lembra, Lorens, agora conta logo!
- Ok. – Lorens já estava pronta pra ser xingada pelo resto de sua vida. – O Remus estava me ajudando mesmo, em todos os sentidos, até nas partes... românticas.
Um silêncio.
- Eu não acredito que você estava pegando o Remus! – Anita quase gritou e Lily quase caiu para trás.
- Eu não estava pegando, estava ensaiando! – Lorens explicou. – A única vez que eu beijei ele fora dos ensaios, foi quando o Sirius viu!
- Lorens, eu não acredito que você é a morena do Remus! – Disse Lily, se lembrando de todos aqueles comentários.
- Eu não sou. – Respondeu Lorens, com a voz entediada. – Eu só fiquei com ele até aquele dia. Por isso eu não contei pra vocês, porque eu sabia que não iria durar e vocês iriam gostar da idéia!
Anita estava abobada e Lily quase roia suas unhas perfeitas.
- Nossa, mas você e o Remus... – Balbuciou Anita. – Simplesmente... estranho.
Lorens riu. Esperava ouvir qualquer outro adjetivo.
- Bem, Anita, só faltou você contar. – Ela disse, querendo deixar de ser o centro das atenções.
Lily automaticamente se virou para Anita, esperando ouvir. A loira ergueu as sobrancelhas.
- Vocês não vão me perguntar de onde eu cheguei?
- De onde você chegou? – Lily e Lorens perguntaram juntas.
- Da casa do David. – Lily caiu sentada na cama, pasma. Lorens soltou uma exclamação baixinho. – E digamos que não foi a primeira vez.
- Há quanto tempo...?
- Alguns dias, só. – Anita respirou fundo. – Mas vocês não sabem: quando eu cheguei aqui hoje, o Sirius me fez umas perguntas aparentemente fora do comum sobre o dia da nossa bebedeira. Eu acho que ele se lembrou.
- Cara, você é muito azarada! – Lorens disse.
Anita já estava com a boca aberta para continuar a tagarelar, mas alguém batia na porta. As três fizeram silêncio.
- E-entra. – Gaguejou Anita.
Era James.
- A Alice ligou e me pediu pra avisá-las que a Helena está indo embora agora.
Lily procurou os olhos de James com os seus, mas ele não olhou para ela.
- Ok, a gente já vai descer. – Respondeu Lorens, sorrindo.
E então, ele saiu sem dizer mais nada.
Não era uma despedida triste, talvez porque ninguém fosse realmente sentir falta de Helena.
Na frente da república feminina, estavam todos os vizinhos e um táxi estacionado.
- Este é o endereço da igreja onde eu vou morar. – Ela estendia um papel para Alice, que sorriu gentilmente. – Dê uma passada lá, qualquer dia.
- Eu vou, sim. – Respondeu Alice.
Helena começou a se despedir rapidamente de cada uma das amigas, dando um abraço mais demorado em Marlene, agradecendo Sarah dez vezes e apertando a mão de Bellatriz.
Ela não se demorou nem dois segundos com Lorens e ignorou Sirius e James. Se despediu de Remus normalmente.
- Vai ser estranho não te ver mais na aula. – Falou Frank ao abraçá-la.
- Ah, Frank, ultimamente eu nem estava mais indo, mesmo.
Quando a garota finalmente terminou de se despedir de todos e se virou para entrar no táxi, Sirius estava parado na frente da porta fechada. Helena logo compreendeu que ele queria falar com ela.
- O que é, Black?
Ele a chamou para mais perto, e a contragosto, ela se aproximou. Nenhum dos outros jovens atrás dela reparavam que eles estavam conversando.
- Eu sei que o principal motivo pra você virar freira – Ele conteve o riso. – é o Remus.
- Não, você está errado. O meu término com o Remus pode ter sido o motivo pra eu ter começado a ir à igreja, mas a minha decisão de me dedicar a ela, não.
- Que seja. Eu tenho certeza que você se lembra do dia que ele terminou com você, quando você levou a Marlene lá no treino. – Helena cruzou os braços, enquanto Sirius prosseguiu. – Naquele dia, você achou que tinha feito a caridade do ano, mas veja só: aquilo só afastou de você as duas pessoas que você mais gostava.
- Olha, Black...
- Eu acho que seria absolutamente injusto se você fosse embora sem saber de uma coisa. Hoje, você e eu estamos sozinhos, péssimo pra você e ótimo para mim, mas eles estão juntos, sabia?
Helena demorou em compreender. Sirius abriu um sorriso lindo.
- Você quer dizer...? – Ela balbuciou. Virou a cabeça para trás e viu Remus conversando normalmente com Marlene, mas ela conhecia aquele olhar. – Black, então...
- Pronto, pode ir. – Sirius sorriu, saiu da frente da porta e até a abriu para ela. – Se divirta com seus amigos padres.
Os olhos de Helena já estavam marejados, e seu queixo tremia. Sirius se surpreendeu com a rapidez das lágrimas, instantâneas para qualquer coisa que acontecesse com Helena.
- Eu fico imaginando... – Sirius recomeçou, num tom gentil. – o quanto você daria pra voltar no tempo agora?
- O quanto você daria? – Ela lhe perguntou, engolindo o choro.
- Eu? – Ele riu. – Nada. Eu estou feliz. Eles estão felizes. E você está na fossa. Tudo certo.
É claro que Sirius sabia que estava sendo um pouco maldoso com ela, mas ela merecia, depois de ter infernizado a vida de Remus e de ter feito Marlene mudar e virar aquela pessoa tão distante.
- Vou me lembrar de você nas minhas orações. Você não sabe o quanto é amargurado, Black. – Foi a última coisa que ela disse antes de entrar no carro.
A porta se fechou e Alice correu até a janela do carro para se despedir de novo. Todos acenaram até o carro virar a esquina e sumir.
- A gente precisa fazer alguma coisa hoje, tipo sair. – Sugeriu Sirius, satisfeito. Não sabia que Helena o incomodava tanto.
- Concordo. – Bella apoiou. - Precisamos comemorar. Eu pensei que nunca fosse ficar livre daquele fantasma!
Sarah riu histericamente.
- Dessa vez tem que ser na nossa casa, Bella! – Ela disse. – Nós nunca tivemos tantos motivos! – Virou-se para o resto das pessoas, acrescentando: - Todos estão convidados, tragam quem quiserem e muita bebida.
- Sarah! – Censurou Alice, indignada.
- Ela tem razão, Alice. – Lorens concordou, rindo. – Era a Helena quem nunca deixava vocês darem festa na sua casa!
Sirius, Bellatriz, Sarah e Lorens ficaram planejando a melhor comemoração, apoiados por um James um tanto estranho, Anita e Amus. Lily, Alice, Remus e Marlene só ficaram ouvindo, um pouco inconformados – principalmente por parte de Alice, mas Frank logo deu um jeito de tirá-la dali.
Quando Lily estava entrando em sua casa, um pouco desanimada, Sarah a alcançou.
- Hey, Lily. Deu tudo certo ontem?
- Hum. Mais ou menos. – Ela respondeu, ainda meio incerta se deveria ficar contando suas coisas para Sarah.
- Tem uma coisa que você precisa saber. – Sarah continuou, abaixando o tom de voz. – A Catherine me ligou há meia hora, me contando que tinha falado com o James mais cedo e adivinha? Ela estava louca porque ele só a avisou que eles não vão mais sair.
Automaticamente, o coração de Lily disparou. Seus olhos correram até James. Ele estava rindo de algo que Sirius lhe contava.
- Obrigada, Sarah. – Agradeceu Lily, sentindo-se profundamente mais aliviada.
Sarah balançou a cabeça e se afastou, já puxando assunto com Sirius. Lily entrou em casa, louca para limpar alguma coisa bem suja.
Durante aquela tarde longa e quase eterna, Lily foi ficando cada vez mais confusa. Enquanto limpava o chão da cozinha, James entrou lá duas vezes e não falara com ela.
Depois que terminou, saiu da cozinha para assistir qualquer coisa na televisão – na verdade, para mostrar para ele que estava completamente desocupada, livre para conversar. E por fim, tudo o que conversaram foi:
- Lily? – James a chamou. Tentando não aparentar nenhum nervosismo, ela se virou para ele.
- Sim?
- Você sabe onde está minha camisa do Manchester?
Lily se segurou para não mandá-lo àquele lugar.
- Eu a mandei para a lavanderia ontem cedo.
- Ok. Obrigado. – Ele se virou e subiu as escadas.
Ela desligou a televisão na hora. O que ele estava fazendo? Aliás, o que ele não estava fazendo? E por que razão? Será que ele havia se decepcionado com o pequeno show que ela fizera noite passada?
Com menos vontade do que nunca, Lily subiu para seu quarto a fim de se arrumar para a comemoração maldosa pela partida de Helena.
- Lily, pare de bancar a caipira! – Anita disse, farta de vê-la ali, mal-humorada.
Como já estava irritada o suficiente com aquela história, Lily resolveu ignorar a amiga e continuar com seu plano: imitá-lo, também fingindo que não havia acontecido nada.
A república de Alice estava lotada, mas Anita conseguiu avistar David chegando, deixando Lily sozinha.
Entediada, Lily virou a cabeça e viu James acenando para ela. Não era possível! Ela endireitou-se e foi até ele, ansiosa, mas fazendo o possível para parecer natural.
- Lily, você podia vir comigo? – Ele perguntou, já puxando-a pela mão para cozinha, o lugar mais vazio por perto.
Mas ao contrário do que a ruiva imaginava, ele não a havia trazido ali para conversar. Lily compreendeu isto quando viu Sirius sentado de qualquer maneira no chão, apoiado na parede. Bêbado.
- Ele tem que ficar aqui, porque não tem como deixar ele perto dos outros. – James explicou, enquanto Sirius pronunciava coisas sem sentido. – Ele está falando umas coisas meio comprometedoras, e eu preciso que você fique com ele um minuto enquanto eu resolvo uma coisa.
- 'Tá brincando, James? Você acha que se ele quiser sair, eu vou conseguir segurá-lo aqui?
- Eu realmente espero que consiga. – Ele respondeu, seco.
- Mas...
- Lily, quando você estava bêbada ontem, eu cuidei de você, não foi? – James estava muito sério. – Agora, estou te pedindo para cuidar dele.
Aquilo a deixou sem palavras. Lily concordou com a cabeça, e James saiu da cozinha. Lily se perguntou aonde ele teria ido.
- Hey, Lily! – Sirius a chamou, acenando.
- Exagerou de novo, Sirius? – Resmungou ela em resposta, se sentando ao lado dele. – Fazia tempo que eu não te via assim.
- Ah, você não pode falar nada! – Ele ria. – O James me contou tudo, quem diria, hein? Você enchendo a cara!
Lily fez uma nota mental para não se esquecer de esganar James mais tarde.
- Também, olha só o exemplo que eu sou! – Ele gargalhava. – Só agora eu misturei whisky, vodka e rum! Estava horrível, nunca faça isso. Mas eu queria te ver chapada um dia desses, ia ser muito engraçado! Vamos beber juntos? – Ele bagunçou os cabelos de Lily, fazendo-a bufar. – Se bem que não é bom eu estar bêbado perto de outra mulher bêbada, pode dar em merda, que nem eu e a Anita-
Lily se virou para ele, surpresa. Seriam essas as coisas comprometedoras que James se referia? Sirius não parava de falar.
- Eu pensava que ela fosse diferente, ou pelo menos que fosse ser diferente com ela. Eu sou o Sirius, cara! Aquele que mora com ela há quase três anos! – Ele estava falando tudo muito alto, com a língua enrolada. – E ela nem pra me avisar, no dia seguinte "Oi Sirius, a gente transou"! Esperava mais dela, é sério! Quando eu falei com ela mais cedo hoje, ela fingiu que não entendeu!
- Sirius, você pode falar mais baixo? – Pediu Lily, segurando os braços dele com suas mãos. – E não fique se martirizando, você demorou muito pra se tocar!
- Eu juro que não me lembrava, Lily! – Ele choramingou. Lily achava que James estava demorando muito. – Ah, Lily, eu não acredito que ela sabia de tudo o tempo todo! Você sabia de tudo! Todo mundo sabia, menos eu! Eu fui... usado!
Ele se levantou do chão bruscamente, e Lily fez o mesmo, torcendo para que ele não saísse dali. Sirius foi até a pia, onde tinha uma garrafa de qualquer coisa que ela não pôde ver o que era. Ele a ergueu e a entornou.
- Sirius! – Lily tentou puxar a garrafa, fazendo-o parar. – Olha, eu vou chamar o Remus. Não saia daqui!
- NÃO! – Sirius depositou a garrafa com veemência na pia, fazendo Lily se encolher com o susto. – Não quero ver o Remus. Você acredita que ele está com a Marlene? Sim, a Marlene! Mas é segredo, Lily, não conta pra ninguém. Se bem que eles estavam escondidos por causa da Helena, e ela já se mudou. Você pode contar pra quem quiser, então.
Lily o olhou com outros olhos. Sirius estava sofrendo. Mas, por mais que pudesse fazer algo, nunca poderia ajudá-lo. Ele cambaleou novamente para o lugar onde estava sentado, se jogando ali.
- Sirius, eu já volto. Juro que não vou chamar o Remus.
- Não vá buscar o James. Eu que pedi pra ele te chamar. – Sirius disse, encostando a cabeça e cerrando os olhos. – Ah, o James está chateado com você. Chateado é tão gay, não acha? Mas foi isso que ele disse.
Sem hesitar, Lily se aproximou do amigo, sentando-se de frente para ele.
- O que ele disse?
- Ah, Lily, você pode ser sincera comigo! – Ele riu, com a voz rouca. – Você estava afogando as mágoas ontem por causa do francês, não é? O James acha que você só ficou com ele pra esquecer do outro. Eu juro que te defendi, porque eu acho que você não é dessas e–
- O James acha que eu fiquei com ele pra afetar o Louis? – Perguntou Lily, indignada.
- Foi o que pareceu! Você só falou do cara, quase chorou e depois que o James te deu uns amassos, você disse que ele era "melhor que o francês idiota". Deu a entender que você só fez aquilo pensando no outro, né! Se bem que eu nem ligaria e nem deixaria de te jogar na cama, com todo o respeito, claro, mas o James se ofendeu. – Ele revirou os olhos. – Ele deve gostar mesmo de você, Lily.
- Ah, Lily, você está aí! – A voz de Anita surgiu atrás dela. A ruiva se virou para olhar, detestando ser interrompida bem naquele momento. A loira não vinha sozinha, David estava logo atrás dela. – O Louis está procurando por você, lá na sala!
Imediatamente, Lily trocou um olhar com Sirius.
- É a sua chance, Lily. Qualquer coisa é só gritar.
Lily sorriu e se colocou de pé.
- Anita, cuida do Sirius. – Lily nem esperou a amiga responder, saiu da cozinha e fechou a porta.
N/A: Ainda tem alguém aqui? Espero que sim, né! Pessoal, eu resolvi dividir o último capítulo em dois, porque eu empaquei total nessa parte aqui e faz tipo, semanas que não consigo pensar em nada. E, para não deixar vocês esperando MAIS, resolvi já postar até aqui, a fim de ouvir umas sugestõeszinhas! HAHAHAH, se ninguém quiser me desculpar, eu vou entender!
Eu amo todos vocês, meus queriiiidos :*
Reviews de leitores sem login: Caramelo (será que você me perdoa pelo mega atraso? Peloamordedeus! Beijinhos!), Tsuki (que bom que você ama o tamanho dos meus capítulos, às vezes eu SEI que exagero, você disse tudo o que eu queria ouvir! Me desculpa pela domora? Ahhaha, beijinhos!), karinne (Será que eu você vai gostar do que a Lily fez? HAHAH, foi, no mínimo, engraçado,vai! Obrigada por tudo sempre, beijos!), J.R.C (Eu quem te agradeço! Nossa, agora eu que te pergunto: você ainda lê essa coisa auqi? Hahaha, obrigada por todo o carinho, eu não o mereço por fazer todos esperarem tanto! Beijos), Mari Black (Desculpas, desculpas, please! Espero que voce me perdoe ;( ok? Mas pelo menos eu voltei!), Dokinha (Sim,a fic ta acabando! Beijos!), Paty Felton (Ai... me desculpa? Eu sou uma péssima escritora, eu SEI! Foi mal mesmo, espero que tenha gostado desse!), Maria (Obrigada pelo carinho, eu não o mereço por fazer você esperar tanto! Beijos), Gih (Será que você acertou quem é a morena do Remus? :X obrigada por tudo, beijinhos), Tainá Passos de Menezes (Aposto que você vai gritar comigo hoje de novo! Pode gritar, eu mereço! "Helena freira? Gotinha de 5º grau pra você", eu sei, mas eu queria que ela saísse da fic, pq eu não tenho planos pra ela na continuação! HAHA, muito muito obrigada por tudo, Tainá! Eu morro de rir com suas reviews! Beijos), Brebsnc (Oi, querida! Então, a Anita e o Sirius se resolverão no próximo –obvio- mas prometo que eu preparei uma coisa legal pra eles –embora eu tenha bloqueios para colocar isso pra fora, sabe? Eu te agradeço pelo carinho! Muitos beijos), Elion Evans (Que bom que você captou EXATAMENTE o que eu queria! Sim, todos trocaram de papéis, todo mundo enlouqueceu! Hahahah, e o que achou da morena do remus? :X, hahaha, beijos), . Kel Cavalcante (Por que tanto ódio nesse coração? Aposto que deve estar me odiando muito né! =( enfim, sobre escrever um livro sobre isso, quem sabe? Idéia anotada! HAHAH, beijos querida!), Nick (queriiida, nem tenho palavras! Eu sei que eu demorei, não mereço receber 3 reviews suas! É muita bondade! Beijos!), Manuela (Eu sei que ficou parecendo que eu morri, sei lá, mas é tããão difícil escrever o final! Beijos), Murilo Zandona (Oi, Murilo! Que bom ver mais um homem por aqui! Então, haverá sim uma continuação de RE, embora sem previsão de postagem. Tem, sim, muito mais repúblicas nos arredores de Hogwarts, mas nem todas tem um nome... quer me dar sugestões? Será muito útil para RE2 :X HAHAH, beijinhos, obrigada por tudo!), fabiele (Eu não vou desistir da fic, pode deixar. Eu demoro, mas posto! Eu não tenho outras fics publicadas, vou terminar essa primeiro, se não não dou conta! Beijos querida, obriagda pelo carinho s2).
