Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são criações minhas, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.
SORRISOS, SEGREDOS E ENGANOS
Side story das fanfictions "O Casamento", "Escute Seu Coração" e "Esperando o Fim"
Chiisana Hana
Capítulo XXXVI
A inesperada chegada de Ikki com Esmeralda agita a festa de casamento de Shaka e Seika, tornando-se o assunto principal entre os convidados.
(Kanon) Então é a Esmeralda mesmo...
(Saga) É, parece que sim.
(Milo) Se o Ikki descobrir que você sabia... Não quero nem imaginar o que pode acontecer... Acabaria com a santa paz deste condomínio. Por favor, se forem lutar, que seja longe daqui. Eu tenho filha pequena!
(Saga) O que está insinuando? Eu já disse que não sabia de nada. Bom, eu sabia do plano do Guilty para despertar o ódio do Ikki, sabia que ele encenaria a morte da Esmeralda, mas realmente achei que no final a pobre coitada tinha morrido de verdade.
(Milo) Sei...
(Aldebaran) Que loucura isso tudo. Estou realmente impressionado. Como será que o Ikki soube que ela estava viva?
(Máscara da Morte) Pacto com o diabo. Certeza.
(Afrodite) Você é sempre um amor, Máscara. Ele deve ter contratado um detetive, não é? É o que eu faria.
(Kanon) Dinheiro pra isso ele tem, afinal herdou uma bela grana do velho Kido.
Shaka pega o microfone, chamando a atenção de todos para si e interrompendo momentaneamente o assunto.
(Shaka, dirigindo-se aos convidados) Gostaríamos de agradecer a presença de todos vocês, estamos muito felizes por compartilharmos esse momento tão especial com amigos queridos. Esperamos que aproveitem a festa, mas é hora de nos retirarmos.
Os convidados aplaudem enquanto os noivos deixam o condomínio. Alguns começam a se recolher, especialmente os casais com filhos pequenos. Seiya e Saori também deixam a festa quando ela começa a reclamar de dores nas costas. Pouco tempo depois, eles reaparecem de carro, saindo do condomínio. Seiya coloca metade do corpo para fora do carro e grita que o bebê vai nascer.
(Aldebaran) O bebê da deusa vai nascer!
(Máscara da Morte) Eu quero é saber quem é o pai do moleque! A gente devia fazer um bolão. É do Pangaré Bocó ou do falecido Playboy Sem Cabeça?
(Shura, irritado) Isso é totalmente inapropriado, desrespeitoso e nojento! Você está falando do filho da deusa!
(Máscara da Morte) Sim, eu sei disso, mas não é minha culpa ela ter traído o noivo com o Seiya.
(Shura) Eu vou me retirar antes que vomite de nojo diante da sua falta de respeito ou acerte um soco na sua cara. E agradeça se eu não reportar isso ao mestre e sugerir punição severa.
(Máscara da Morte) Vai lá, presidente do fã-clube do chinês. Vai contar a ele, vai. Fofoqueiro! Shiryuzete! E aí, quem vai participar do bolão? Eu acho que é do Poseidon Sem Cabeça.
(Afrodite) Eu digo que é do Seiya.
(Milo) Voto no Julian Solo, afinal a probabilidade de ser dele é bem maior.
(Aldebaran) Voto no Seiya.
(Camus) Isso realmente importa? Até onde eu sei o Julian já está morto e quem vai criar a criança é o Seiya de qualquer jeito.
(Máscara da Morte) Importar não importa, mas é divertido! Kanon? Seu voto.
(Kanon) Julian.
(Saga) Julian também.
(Nicoletta) Eu voto no Seiya.
(Máscara da Morte) Ô intrometida, quem te chamou pro bolão?! Você tem dinheiro pra apostar?
(Nicoletta) Eu não. Gastei os últimos trocados na pedraria do meu vestido. Bota na tua conta.
(Máscara da Morte) Mas você é folgada, né? Não sei por que eu deixo você morar na minha casa.
(Nicoletta) Porque você me ama, Masquito querido do meu coração.
(Máscara da Morte) Então faz alguma coisa, vai lá em casa, pega um papel e uma caneta pra eu anotar as apostas.
(Nicoletta) Só vou porque você me dá casa e comida
Depois de pegar o que Máscara da Morte pediu, Nicoletta volta apressada para a festa. Distraída, ela esbarra numa muralha humana.
(Nicoletta) Desculpa.
O homem responde "tudo bem, não tem prrroblema" com voz grave e sotaque estrangeiro, carregado nos "erres". Nicoletta é alta, mas precisa levantar a cabeça para olhar o rosto do rapaz de quase dois metros de altura. Os olhos azuis dele fitam-na com inegável interesse. O cabelo loiro é longo e cai pelos ombros em ondas, emoldurando o rosto de traços fortes e retos, com uma densa barba.
(Erik) Me chamo Erik. Gostaria de dançar, senhorita?
Nicoletta acha que ele está tirando uma com a cara dela, mas e daí? É um bofe escândalo com dois metros de pura magia loira dando mole. Ela conclui que vale a pena se arriscar a levar uns tapas mais tarde e aceita o convite.
(Nicoletta) Só se for agora, queridoooo. Eu sou a Nicoletta. Nic para os íntimos e você já pode se considerar íntimo, seu lindo. (pensando) Ai, minha Santa Cher, se isso for de verdade, se não for uma brincadeira, se eu não apanhar, eu vou subir até a casa de Câncer de joelhos. (para ele) Querido, você estava se escondendo? Porque eu rodo isso aqui tudo e ainda não tinha visto você.
(Erik) Eu vim de Asgard ontem. Estou hospedado na casa do Afrodite e não queria vir para a festa sem ter sido convidado, mas ele disse que não tinha problema, então resolvi vir... e vi você... estava olhando há algum tempo. Você é muito bonita.
(Nicoletta) Então que bom que veio, porque eu já estava aqui super entediada! Não tinha nada de bom para ver nessa festa, só as mesmas caras de sempre...
(Erik, sorrindo) Você também é amazona de Athena?
(Nicoletta, rindo) Ah, não. Imagina. Eu sou amiga de um dos cavaleiros e estou passando um tempo aqui, sabe? Passando a chuva... E você? É um guerreiro-deus? (pensando) Bom, deus você já é. Um deus loiro de pura magia e sedução viking!
(Erik) Não. Eu vim com o Mime. Sou primo dele e estou aprendendo a tocar harpa. A vida em Asgard não é muito fácil para quem quer se dedicar à arte. A gente acaba tendo que sair.
(Nicoletta, pensando) Além de lindo, loiro, alto e viking, o bofe ainda é artista! Não me acorda, não, porra! Me deixa dormindo que o sonho tá bom demais!
(Erik) Você gosta de música?
(Nicoletta) Eu a-do-ro. Meu sonho era ser cantora. Infelizmente não deu certo porque sou a desafinação em forma de gente.
(Erik) E você acabou fazendo o quê?
(Nicoletta) Já fiz um pouco de tudo. Mas acho que agora sou só cabeleireira.
Erik dá um sorrisinho e os dois continuam conversando, até que começam a tocar música e ele a segura gentilmente para que dancem agarradinhos.
(Nicoletta, pensando) Parece que tô num baile de quinze anos. Que coisa linda! Mas quando ele souber... Melhor contar logo e levar meu tapa. (falando para Erik) Eu preciso ser sincera com você, Erik. Sabe, eu não nasci uma mulher... Eu me sinto uma desde sempre, mas eu... eu sou...
(Erik) Eu já sei.
(Nicoletta, cho-ca-da) Sabe? Ah, sim, a voz... (pensando) Merda de voz. Preciso começar a fingir que sou muda, mudinha, uma bicha muda.
(Erik) Bom, também, mas o Afrodite me contou ontem.
(Nicoletta, desconfiada) E você não se importa?
(Erik) Não. (sussurrando) Eu gosto...
(Nicoletta, soltando-se dele) Ok. Agora pode revelar a pegadinha porque isso nunca aconteceu. Um bofão chegar romântico e fofo já sabendo o que eu sou? Fala sério. Chega. Não vai me fazer de palhaça, não.
(Erik) Mas eu não me importo mesmo.
Então o asgardiano puxa Nicoletta para si e lhe dá um beijo, na frente de todo mundo.
(Erik) Tá vendo como eu não me importo?
(Nicoletta, recuperando o fôlego) Eu acho que não deu pra perceber muito bem. Pode fazer de novo?
(Erik) Mas é claro!
(Nicoletta, pensando, depois do segundo beijo) Ai, minha Nossa Senhora das Travestis Perdidas no Labirinto! É hoje!
Enquanto Nicoletta e Erik dançam coladinhos novamente, Máscara da Morte se aproxima sem que eles percebam.
(Máscara da Morte, gritando) Mas não consegue nem fazer um favor direito, sua travesti inútil!?
(Nicoletta) Ai, seu corno! Eu tava curtindo aqui e vem essa assombração do demônio me atrapalhar!
(Máscara da Morte, para Erik) E você é quem?
(Erik) Sou o Erik, de Asgard.
(Máscara da Morte) Hum, sim... Não dou a mínima. Me dá meu papel, Nic. (sussurrando) E qualquer coisa, você me chama. Ele é grande, mas não é dois. E se precisar, sabe como é, eu sou amigo do Debão.
Nicoletta e Erik continuam dançando e conversando, enquanto Máscara vai tomar nota das apostas do bolão. Fora do alcance da visão dele, Shura conversa com Dohko. Shina está ao lado do namorado e observa a cena.
(Shura, nervoso) O senhor precisa tomar uma providência! Aquele italiano safado está fazendo um bolão de apostas sobre a paternidade do filho da deusa! É um insulto muito grave!
(Dohko) Calma, Shura. Eu me entenderei com o Máscara do Morte amanhã. Não vamos estragar a festa, né?
(Shura) Espero que a punição seja severa! Parecia que ele estava mudado, mas está provado que não!
(Dohko) Vou pensar direitinho nisso. Pode ficar tranquilo.
(Shura) Confio no senhor.
Ao lado de Dohko, Shina lamenta não usar mais a máscara porque está louca para rir do espanhol.
(Shina) Como ele é chatoooo!
(Dohko, rindo) Ele leva tudo a sério demais e o Máscara não leva nada a sério. São opostos perfeitos.
(Shina) Deviam se casar. E aí, você vai punir o Máscara mesmo?
(Dohko) Amanhã terei uma conversinha com ele, mas punição severa já é um pouco de exagero, né?
(Shina) Tem horas que ele bem que merece...
(Dohko) Deixa isso pra lá. Eu já disse que você está linda hoje?
(Shina) Já, quando foi me buscar em casa.
(Dohko) Então digo de novo.
(Shina) Para com isso, parece um grude...
(Dohko) Eu sou um grude, meu bem! Você finge que se irrita, mas no fundo gosta.
(Shina) Gosto nada!
(Dohko) Gosta sim, que eu sei. E aí, já decidiu se vem morar aqui no condomínio comigo?
(Shina) Eu estou bem no alojamento, mas... confesso que sinto falta de vê-lo todas as noites. Quando nos encontramos lá ao longo do dia, precisamos agir com profissionalismo...
(Dohko) Isso é um sim?
(Shina) Isso é um "eu vou tentar". Por uns dias... Se eu me aborrecer, volto pra lá.
(Dohko, beijando-a) Isso é uma maravilha! Você não vai se aborrecer nunca!
(Shina) Veremos. Além do mais, acho um saco cuidar da casa. Pelo menos na sua tem criado.
(Dohko) Já que estamos falando em casa, vamos? Amanhã terei um longo dia.
(Shina) Vamos, sim. Já esgotei minha cota de socialização.
-S-A-I-N-T-S-
Da festa, os noivos vão para o Santuário. Sobem as escadarias das Doze Casas até a de Virgem, onde Seika tem uma surpresa ao ver uma grande tenda branca montada no jardim das árvores gêmeas. A noite de lua cheia e céu estrelado completam o cenário.
Shaka conduz sua bela esposa à tenda. Lá dentro, os dois riem ao encontrar Deva dormindo tranquilamente entre as almofadas que ele pusera no chão, ao redor da cama baixa que está no centro.
(Shaka, rindo) Ela acha que tudo é dela, tudo é pra ela.
(Seika) Você achava que tudo era seu. Ela ensinou você a dividir.
(Shaka) É. Você estava certa quando me deu essa bola de pelo. Ela me ensinou tanto sobre a vida e sobre mim mesmo...
Os dois sentam-se na cama, deixando Deva onde ela está. A gatinha levanta, se espreguiça, muda de posição e volta a dormir. O tecido fino da tenda deixa parte da luz da lua entrar, bem como permite entrever o jardim. Shaka acaricia gentilmente o rosto de Seika e toca as mãos dela onde intricados desenhos foram pintados com hena.
(Seika) Está tudo tão lindo, Shaka.
(Shaka) Eu tinha pensando em falar algumas coisas durante a cerimônia mas achei melhor guardar pra esse momento... Algumas coisas devem ser ditas somente a quem se ama. Aqui nesse jardim, pouco tempo atrás, no começo da última guerra, eu disse que a vida era um breve momento onde o homem nascia, ria, chorava, amava. Eu acreditava estar imune a isso. Eu acreditava ser superior. Eu não sabia, ah, eu não sabia como podia ser bom... Até conhecer você e me inundar em sentimentos que eu jamais tinha experimentado. O meu breve instante de vida neste mundo será feliz porque você existe, porque você está aqui, em meus braços, nesta noite em que nos tornaremos um só.
(Seika) Que a nossa vida seja feita de momentos felizes, meu amor. Que possamos construir uma bela família juntos. Que possamos cuidar um do outro até que o nosso breve instante neste mundo termine.
(Shaka) Que assim seja.
Ele então beija a esposa e começa a desenrolar o sári vermelho dela. Depois, enquanto abre a túnica dele, Seika tem novamente a impressão de ver uma aura dourada ao redor do marido e, ao tocar o peito alvo, sente um calor emanar dele, algo que misteriosamente a envolve e aquece.
Gentilmente, ele a deita na cama. Está ansioso, com o coração batendo mais rápido que o normal, mas os muitos anos de meditação permitem que ele domine o próprio corpo, não deixando o nervosismo transparecer. Embora ainda esteja de calças, é impossível não notar o volume indicando que seu corpo já está pronto.
Seika arfa a cada carícia dele, preparando-se para recebê-lo. Antecipou mentalmente cada movimento, mas agora que a hora finalmente chegou, ela acha a realidade infinitamente melhor.
(Seika, pensando) Que nosso amor dure para sempre, que os deuses permitam isso.
-S-A-I-N-T-S-
Na casa de Máscara da Morte, chega um buquê de rosas vermelhas que Fatma recebe. Ao olhar o cartão, ela percebe que não é para si.
(Fatma) Nic, é pra você!
(Nicoletta) Ai, minha Santa Cher! É do Erik!
(Fatma) E eu aqui iludida, achando que era do Máscara para mim...
(Nicoletta) Tudo bem que ele deve ter arrancado do jardim da mona Afrodite e ela vai ficar uma fera, mas ainda assim... Que fofo!
(Fatma) Você merece muito mais. Eu admito que tô com uma invejinha. Vai, abre o cartão!
(Nicoletta, lendo o papel) "A noite de ontem foi incrível. Conheci um anjo que iluminou a minha vida. Não quero que as coisas parem por aqui. Gostaria de jantar comigo amanhã? Assinado: Erik."
(Fatma) Hum! Ele é romântico!
(Nicoletta) Chega a ser meio breguinha, mas quem se importa? Ele é loiro, nórdico, alto e delícia!
Nicoletta manda uma resposta dizendo que aceita. À noite, Erik aparece na hora combinado, trazendo mais uma rosa.
(Nicoletta) A Frô vai ficar uma fera com você arrancando as rosas...
(Erik) Ele mesmo me deixou tirar algumas rosas pra você. Vamos?
(Nicoletta, oferecendo-lhe a mão) Sim!
Nic imaginava que ia sair para jantar fora do condomínio mas o que acontece é bem diferente do que ela esperava. Erik a leva para a casa de Afrodite. Segundo ele mesmo disse, o dono da casa e o namorado tinham saído. Ele mesmo preparara o jantar e comprara um vinho barato. Nic não consegue esconder a decepção.
(Erik) Não gostou?
(Nicoletta) Não é isso, eu adorei, está tudo lindo. Mas eu pensei que íamos sair... É que eu não tenho saído muito do condomínio, sabe? Mas tudo bem, está bem assim. Vamos aproveitar a noite.
Nicoletta procura deixar de lado a decepção e tem uma noite agradável com Erik, onde intercalam vários assuntos com beijos. Quando Nic volta para casa, encontra Fatma esperando para saber como tinha sido o jantar. Pela expressão triste da amiga, a enfermeira percebe que não tinha saído como esperado.
(Fatma) O que foi que ele fez?
(Nicoletta) Nada. Ele foi um amor. Conversamos muito sobre a terra dele, sobre a minha terra, sobre música... Nos beijamos... É o que ele não fez que me incomoda, Fatma. Jantamos na casa do Afrodite. Eu achei que íamos sair, nem que fosse para comer um sanduíche numa praça qualquer.
(Fatma) Já entendi tudo...
(Nicoletta) Pois é. Sou ótima aqui dentro, onde todo mundo me conhece e me aceita, onde ele sabe que o relacionamento entre o Frô e o Mime não é condenado, mas para o mundo lá fora, eu não sou boa o suficiente... Mas deixa pra lá... Foi um sonho bom... E, de qualquer forma, ele vai viajar com o Mime nos próximos dias e não sabe quando volta...
(Fatma) Que pena, Nic. Estava torcendo pra que ele fosse o cara certo pra você.
(Nicoletta) Viu como você tem sorte de ter o Manu? Ele é maluco, mas não dá a mínima para o que os outros pensam.
(Fatma) Isso é verdade. Ele trouxe você pra cá... Eu nunca escondi meu passado e ele aceitou sem se envergonhar.
(Nicoletta) E ainda tem tudo que ele já fez por você, não é? Já entrou no meio de um incêndio... Até peitar o mestre o maluco peitou.
(Fatma) É, eu tenho muita sorte. Ai, Nic, deixa isso pra lá, tem bolo de chocolate esperando a gente. Eu fiz pro Manu lanchar, mas vamos lá provar primeiro.
(Nicoletta) Vamos, né? Chocolate é vida!
-S-A-I-N-T-S-
No dia seguinte, Dohko vai visitar Saori na maternidade. Os cavaleiros de bronze tinham ido na tarde anterior. Antes de ir, elepassa numa loja para comprar um presente e só depois segue para o hospital.
(Dohko, alegre) Bom dia, Saori! Como se sente a mais nova mamãe do Santuário?
A deusa sorri-lhe de volta, enquanto Seiya ronca na poltrona ao lado da cama. Heiwa dorme tranquilamente num bercinho de acrílico ao lado da cama.
(Saori) Melhor agora, Dohko.
Dohko nota uma sombra de tristeza no olhar dela.
(Dohko, entregando a ela uma caixa) Trouxe uma lembrancinha para a pequena.
Saori abre a caixa e tira dela um vestido amarelo de patchwork com apliques de corujinhas.
(Dohko) Dizem que uma coruja revelava os segredos à deusa Athena.
(Saori) Eu adorei! Na verdade, tinha dito a Shunrei que esperava algo assim de você. Heiwa vai ficar linda nele.
(Dohko) Me fale sobre ela. E sobre essa ruga de preocupação na sua bela face.
(Saori) Ela é uma graça. A bebê mais linda do mundo, mas...
(Dohko) Me fale sobre o que realmente a preocupa.
(Saori) Ela é claramente minha filha com o Julian... com Poseidon. E isso tem me assustado muito.
(Dohko) Ela é só uma recém-nascida. Esqueça esse tipo de preocupação. Não há motivos para pensar em outra coisa que não seja cuidar dela.
(Saori) Você tem certeza? Eu tenho tanto medo do futuro dela.
(Dohko) Não tenha. Está tudo bem e vai continuar assim. Cuide da sua corujinha e pronto. Confie em mim.
Seiya acorda e, esfregando os olhos, cumprimenta o mestre.
(Seiya) Olá, Dohko! Que bom que veio visitar a gente. A Heiwa não é uma coisinha linda?
(Dohko) Ela é uma mocinha bonita como a mãe. Cuide bem das duas! Não permita que nada as perturbe.
(Seiya, alegremente) Pode deixar, mestre!
Dohko então se despede do casal e segue em direção ao centro de Atenas, onde tem uma tarefa a cumprir: visitar um orfanato para ver pessoalmente algumas das crianças que ele e Shiryu pré-selecionaram. Voltará outras vezes para observá-las melhor e decidir quais levará consigo para o Santuário.
De volta ao condomínio, ele passa na casa de Shiryu. Aproveitara a visita à loja de artigos para bebês e comprara também um presente para Keiko.
(Shiryu) Polvos, mestre? Um vestido cheio de polvinhos coloridos com tentáculos? Onde o senhor arruma essas coisas?
(Dohko, pegando Keiko do pai) Vai ficar uma graça nela! E ela vai amar ficar puxando os tentáculos. Vem cá, princesinha do vovô. A deusa disse que a filha dela era a mais bonita, mas você que é.
(Shiryu, sorrindo) Isso eu concordo. Eu estava precisando falar com o senhor sobre um assunto.
(Dohko) Diga, Shiryu.
(Shiryu) Bom, é que Shunrei gostaria de ajudar com as crianças que virão para treinar. Antes eu não queria que ela se envolvesse, mas agora acho que é uma boa ideia. Ela quer tornar o treinamento mais suportável, sabe?
(Dohko) Eu também acho. Nunca concordei que o treinamento precisa ser desumano para ser eficaz, você bem sabe.
(Shiryu) Sim. O senhor foi sempre muito rígido, mas nunca desumano. É isso que gostaríamos de garantir para as novas crianças.
(Dohko) Assim que terminarmos a seleção, encarregarei Shunrei dos preparativos para receber os pequenos. Ela criará uma excelente primeira impressão. E tenho certeza que será aquele colo de mãe para onde eles vão correr sempre que precisarem.
(Shiryu) Disso não tenho dúvida!
Depois de brincar mais um pouco com a neta, Dohko vai para a casa esperar Shina chegar. Mais cedo ela tinha mandado entregar seus pertences, os quais Arvanitakis já tinha arrumado no quarto que ela dividirá com o namorado. Não demora muito e ela chega.
(Dohko, beijando-a) Olá, minha querida. Como passou o dia?
(Shina) É o de sempre, cuidando daquele bando de homem imprestável do Santuário.
(Dohko, rindo) Se não reclamar, não é você.
(Shina, sem conseguir evitar o sorriso) Reclamar é uma arte que eu domino.
(Dohko) Em breve você terá uma nova coisa para reclamar, se quiser, é claro.
(Shina) Eu estou com medo do que você vai dizer... Juro! Presta atenção, é só meu primeiro dia na sua casa. Não me assuste.
(Dohko) É que quero sua ajuda para selecionar as novas crianças. Você pode fazer isso pra mim?
(Shina) Creio que sim, mas você sabe que detesto criança.
(Dohko) Por isso mesmo você é perfeita. Você não vai se encantar por elas, só vai trazer aquelas que realmente tiverem algum potencial.
(Shina, sorrindo) Tá, isso pode ser interessante. Eu vou tomar um banho, tirar essa poeira de Santuário para podermos jantar.
(Dohko) Certo. Enquanto isso, vou resolver um probleminha. Volto já para o jantar.
Máscara da Morte se reúne com os amigos na área da piscina para o resultado do bolão. Saori chegara do hospital há pouco e Afrodite tinha sido incumbido de mexericar até descobrir como era a filha dela.
(Máscara da Morte) E aí, descobriu, fofoqueiro-mor?
(Afrodite) Fui lá visitar e vi a bebê. Nasceu de olhos azuis.
(Milo) Então nós que votamos no Julian ganhamos o bolão.
(Aldebaran) Não, né? Espera mais um pouco!
(Máscara da Morte) Esperar o quê? Vocês ouviram. A guria tem olhos azuis, não é japinha. Obviamente não é filha do pangaré. Ganhamos a grana. Vamos beber pra comemorar!
(Camus) Espera aí, mas o Hyoga é loiro de olho azul e até onde sabemos é filho do Kido.
(Máscara da Morte) Fica na tua, gelinho. Ninguém te perguntou nada. Você nem devia estar aqui, você não apostou.
(Camus) Não dá pra ter certeza!
(Máscara da Morte) Dá sim. Se fosse japinha era do Seiya, já que é loira, é do Julian. Muito simples.
(Camus) É muito cedo pra saber!
(Kanon) O Camus está certo.
(Máscara da Morte) Puta que pariu, você é chato pra caralho, Camus! Quer tomar o posto do Shiryu, é? Agora só tá faltando o presidente do fã-clube vir encher o saco.
(Camus) O que é certo é certo.
(Máscara da Morte) Tá, tá! Ninguém ganhou essa porra. Vamos tomar tudo de álcool! Vamos encher muito a cara! Vamos beber até cair, caralho!
(Dohko, aproximando-se) Perdi algo?
(Máscara da Morte) Não, nada não.
(Dohko) Hum... E esse dinheiro na sua mão? É do bolão?
(Máscara da Morte) O fofoqueiro bateu mesmo com a língua nos dentes!
(Dohko) Passa a grana pra cá.
(Máscara da Morte) Como é?
(Dohko) Me dá a grana. Eu vou dar um bom destino a ela.
(Máscara da Morte) Mas é nossa!
(Dohko) Não é mais. Está sendo confiscada.
(Máscara, entregando o dinheiro) Pooooorra! Aquele espanhol filho da puta me paga!
(Dohko) Como dão trabalho esses cavaleiros! Por isso que o Saga pirou!
(Camus, tenso) Por falar em Saga, mestre, o senhor está sentindo isso?
(Dohko, sério) Esses cosmos em tensão na casa do Saga? Sim, Camus. Eu vou ver o que está acontecendo.
(Kanon, preocupado) Sim... Quer que eu vá, Mestre?
(Dohko) Não. Fiquem todos aqui. Eu resolvo.
Shun e June estão na casa de Saga. Acabam de chegar do Santuário, onde trabalharam durante todo o dia no arquivo e foram até lá, levando uma pasta que encontraram com o nome da amazona.
(June, para Saga, em tom grave) Eu preciso falar com a Agatha.
Pelo tom, Saga deduz o assunto e não gosta.
(Saga) Ela está no quarto. Acho melhor não incomodar.
Ele procura ganhar tempo para contar pessoalmente a Agatha, achando que talvez assim possa contornar o problema que criara.
(June) Não sairei daqui até falar com ela.
Saga percebe que não há maneira de adiar essa conversa e se rende.
(Saga) Vou chamá-la .
Ele sobe as escadas. Retorna depois de alguns minutos acompanhado de Agatha e faz menção de retirar-se, mas Shun impede.
(Shun) Acho que você deve ficar, Saga.
O cavaleiro de Gêmeos não tem a menor vontade de participar dessa conversa, mas acaba ficando, mesmo a contragosto. June começa a falar devagar, calculando as palavras.
(June) Então... Nós encontramos uma coisa nos arquivos do Santuário e queremos que você veja.
A amazona entrega a pasta a Agatha.
(June) É a minha pasta de registro. Tem todos os meus passos da hora em que cheguei ao orfanato, com alguns meses, até o final do treinamento, inclusive os relatórios semestrais do meu mestre.
Agatha abre a pasta e lê. Vê o nome completo da amazona, June Annie Coleman, bem como data de nascimento e nome dos pais, Paul e Kathryn Coleman, missionários britânicos que viviam na Etiópia(1). June tinha nascido em Adis Abeba e chegou ao orfanato com poucos meses de vida, depois do acidente de carro que matou seus pais. Só tinha saído de lá quando o Santuário a enviou para o treinamento na Ilha de Andômeda. Agatha engole em seco. Não há a menor possibilidade de que ela seja sua Michelle.
(Agatha, com a voz embargada) No fundo eu sabia. Mas eu não queria acreditar que esse sujeito foi capaz de uma mentira tão suja.
(Saga) Não, Agatha, eu realmente acreditei que...
(Agatha, gritando) Não tente me enrolar de novo! Isso tudo foi um erro... Vir pra cá, trazer as meninas... tudo errado... tudo!
(June) Não, Agatha...
(Agatha, ainda gritando) Eu larguei tudo. Larguei os campeonatos, minha casa, tudo! Agora chega!
A treinadora sobe a escada a passos largos e eles sabem bem o que ela vai fazer: arrumar suas coisas.
(Saga, irritado, apontando o dedo para June) Por que você foi mexer nisso?
(June) Porque a Agatha merecia saber a verdade! E não aponte esse seu dedo pra mim! Eu não tenho medo de você!
(Shun) June, calma...
(Saga) Você é órfã, sua maldita! Por que não aceitou a Agatha e pronto? Por que não ficou feliz por finalmente ter uma mãe, sua idiota?
A tensão entre os três se avoluma rapidamente.
(June) Porque não era verdade! Será que você ainda não aprendeu que não pode manipular o destino das pessoas? O idiota aqui é você! Tentar ficar com a Agatha usando uma mentira dessas não é nem um pouco inteligente.
(Saga) Cala essa boca, sua...
(Shun, interrompendo-o) Já chega, Saga. Eu não vou deixar que você continue ofendendo a June.
Saga não se sente intimidado e a raiva cresce dentro dele. Está pronto para disparar um golpe a qualquer momento e mandar aquele moleque e a namoradinha para o inferno. Que se danem todos, não importa o que vai acontecer depois, naquele momento ele só quer atacar June e Shun, e fazê-los sofrer até a morte.
(Saga) E vai fazer o quê, seu pirralho?
(Shun) Já faz muito tempo que eu deixei de ser um pirralho! Não esqueça que eu sou um dos cavaleiros que chamam de lendários! Quer que eu diga o que você é?
(Saga) Você é um imbecil que vive na sombra do irmão! Eu vou ensinar você a me respeitar, moleque!
Antes que ele dispare o primeiro golpe, Dohko abre a porta violentamente.
(Dohko) O que é que está acontecendo?
(Saga, ainda muito irritado) Não é nada!
(Dohko) June? Shun?
(June) É apenas um pequeno problema pessoal, mestre.
(Dohko) Então resolvam como um problema pessoal. Não com essa exaltação, esses cosmos se elevando.
(Shun) Já está resolvido. Sinto por ter chegado ao ponto de incomodá-lo, mestre. Vamos embora, June.
Shun segura a mão de June e tenta puxá-la para fora da casa de Saga. Ela resiste momentaneamente.
(June) Vamos, sim. Mas eu vou ficar do outro lado da rua esperando que a Agatha saia sã e salva daqui!
Shun concorda e sai com ela. Dohko fica para conversar com Saga.
(Dohko) Você pensou mesmo em atacar Shun e June aqui, no condomínio, por um motivo pessoal?
(Saga) Eu quase perdi o controle, Mestre. Sinto muito. Eu acabei ficando nervoso, eles me irritaram com essa história...
(Dohko) Essa história que você criou para enganar a Agatha...
Saga se surpreende por Dohko saber a verdade.
(Dohko) Vamos, Saga. Era extremamente mal contada.
(Saga) Agora estou perdido... Ela nunca vai me perdoar...
(Dohko) Depois do que você fez, eu não tiro a razão dela. Não se brinca com uma mãe que procura um filho.
(Saga) Eu me desesperei! Não queria perdê-la! E queria dar a ela a filha desaparecida. Por que não podia ser a June?
(Dohko) Saga, Saga, não é assim que as coisas funcionam... Tem mais, eu não vou permitir esse tipo de exaltação aqui no condomínio. Foi a primeira e única vez. Esse lugar é a casa de várias famílias, inclusive a minha, com minha neta pequena, e a filha recém-nascida da deusa. Não admitirei uma segunda vez. Entendeu?
(Saga) Sim, mestre. Sinto-me envergonhado por tudo isso.
(Dohko) Acho bom que se sinta. Agora pense bem no que fez. E quando Agatha descer, você vai conversar com ela civilizadamente, isso se ela quiser conversar, o que eu acho pouco provável. Estarei lá fora e não quero sentir você se exaltar novamente.
Saga assente, então Dohko sai e vai falar com Shun e June, que estão sentados na calçada da casa em frente.
Dentro da casa de Saga, depois de algum tempo, Agatha finalmente desce a escada, carregando duas malas. O cavaleiro parece mais calmo.
(Saga) Agatha, me deixa explicar...
(Agatha) Explicar o quê, Saga? Não tem explicação para o que você fez comigo. Foi cruel demais.
(Saga) Eu queria que você ficasse feliz.
(Agatha) Com uma mentira, Saga? Pior, uma mentira envolvendo a minha filha? Você é mesmo louco como dizem! Eu devia ter acredito e caído fora antes!
(Saga) Mas eu te amo! Me dá uma chance de provar isso.
(Agatha) Você não merece. Estou indo embora, é óbvio, e espero nunca mais vê-lo.
(Saga) Agatha, por favor...
Ela balança a cabeça em negativa e sai sem olhar para trás, deixando na sala um Saga de joelhos, completamente desolado.
-S-A-I-N-T-S-
23 de outubro de 1991
Cerca de dois meses depois do casamento de Shaka e Seika, Marin entra em trabalho de parto. Para desespero de Aiolia, ela mantivera a ideia de ter o parto em casa, apenas com o auxílio de uma parteira. Garan e Lithos procuram acalmá-lo, mas nada que digam é capaz de fazer isso. Depois de ficar andando de um lado pro outro e falando sem parar, Marin o expulsara do quarto.
(Aiolia) E esse silêncio lá em cima? As mulheres não gritam quando estão parindo?
(Lithos) Ela disse que não ia gritar.
(Aiolia) Será que está tudo bem?
(Garan) Está, senhor. A essa altura já deve estar acabando.
Pouco depois, ouve-se o choro forte do bebê. Aiolia arregala os olhos.
(Aiolia) Nasceu! Nasceu!
Ele sai gritando e sobe para conhecer o bebê.
(Marin) É um menino, Olia.
Ele olha encantado para o menino, enquanto a parteira termina de limpá-lo. Depois ela o põe no seio da mãe. Aiolia se aproxima e dá um beijo na testa de Marin.
(Aiolia) Vai se chamar Aiolos, não é? Você prometeu...
(Marin) Sim, Aiolos. Seu irmão foi um grande cavaleiro e merece essa homenagem.
(Aiolia, emocionado) Onde você estiver, meu irmão, espero que esteja vendo seu sobrinho que acabou de vir ao mundo. Ele vai honrar o nome que recebeu. Ele vai ser um de nós. Vai carregar o fardo e a alegria de ser um cavaleiro.
Marin queria poder dizer que não, que o filho ia ser um médico, um engenheiro, um advogado, qualquer outra coisa, mas ela já tinha visto nas estrelas que ele seria um santo guerreiro da deusa Athena. E foi nesse momento que ela jurou fazer o possível para que ele fosse o melhor.
Continua...
(1) Somente a data de nascimento e o país são dados da ficha oficial da June, contida na Enciclopédia de CDZ, o restante é criação minha.
-S-A-I-N-T-S-
Aeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
Finalmente saiu! Ou melhor, saíram, porque postei esse e o cap novo de Esperando o Fim! Ufa! Sensação de missão parcialmente cumprida!
Só uma coisa sobre a Nic: nada é o que parece... Esperem...
Agora só falta atualizar De Mãos Dadas para ficar em dia com minhas fics. Vou trabalhar somente nela até o cap ficar pronto.
É issooo! Obrigada a todos que acompanham e comentam as duas fics! Agradecimentos especiais para a Wanda Suiyama que sempre me dá um help quando esqueço das coisas das minhas próprias fics!
Até breve, pessoal!
Chii
