Chapter 33 - Well, we can settle down

Edward

A porra do terno estava começando a pesar na minha mão direita, mesmo quando Bella encarou Alice com aquela cara de confusão.

Ela estava olhando pra Alice e eu estava sentindo o peso do olhar de dois segundos atrás, ainda na minha mão.

De tantas coisas que podiam acontecer, tinha que surgir a porra de um terno da porra da coisa que eu demorei meses pra enterrar? E bem agora que tudo ia bem...

- Rose e Emmett o QUÊ? – Bella praticamente gritou, confusa.

Eu continuei encarando Alice, em choque por vários motivos.

Primeiro, o terno. Quero dizer, eu tinha que ser muito cagado pra isso acontecer agora.

Segundo, EMMETT CASOU SEM ME CHAMAR PRA SER A PORRA DO PADRINHO? Isso não era pra ter acontecido nem se ele estivesse se casando com a porra de uma boneca inflável.

PORQUE DIABOS ELES TINHAM SE CASADO? E EM VEGAS?

Terceiro, eu tinha ajudado Emmett a escolher a porra da anel de noivado dele. O mínimo que esse merda deveria ter feito era ter me chamado pra porra do casamento dele.

Porra...

- Acabou de sair no Just Jared! Eles pegaram dois garçons que eram fãs dele pra ser as testemunhas e oficializaram tudo semana passada.

- Como eles não nos convidaram? – Perguntei, um pouco traído. Bem traído.

EMMETT NÃO ME CONVIDOU PRA PORRA DO CASAMENTO DELE.

- Exatamente. – Bella concordou, cruzando os braços. – Allie, você tem certeza?

- Claro. – Ela puxou o celular do bolso e mostrou uma foto.

A enorme placa dizia "WELCOME TO FABULOUS LAS VEGAS NEVADA" e logo abaixo Rosalie no colo de Emmett, com um vestido longo e um buque de flores bem colorido. Rosalie de vestido, não Emmett. Ele estava de terno.

DE TERNO. ESSE ACONTECIMENTO FOI PREMEDITADO.

- Mas que merda! – Eu disse, encarando a foto tão em choque quanto Bella.

Mas ela parou a surpresa pra apontar alguma coisa na foto, olhando pra Alice rapidamente.

- Wow, ela ficou linda de noiva. – Bella comentou. – Esse vestido é aquele da...

- Sim. Daquela coleção da Amy. – Alice disse e elas balançaram a cabeça em concordância. – Creme. Lindo. E o corte combinou com o jeito que ela prendeu os cabelos. Muitíssimo elegante.

- Tule. – Bella apontou pra depois segurar o queixo. – Olha como ele ficou lindo ajustado ao corpo. O decote em V e as alças meio grossas... Aposto que é o mesmo corte nas costas, e deve ter ficado lindo!

- Eu sei. Você viu o caimento? Perfeito. – Alice mostrou algo que eu não vi.

- E um drapeado, o que você acha? Com decote em coração, mas com alça mais na altura do braço, sabe? – Bella apontou a manga da própria camiseta. – Deixando o colo a mostra, com o tecido mais solto, porém um corte doce.

- Meio canoa?

- Só um tecido de ombro a ombro, só que caidinho e mais delicado...

- Com chiffon? Nos detalhes... – Alice começou a apontar pro próprio tronco. – Mas com o mesmo ajuste na cintura, menos visível...

- Ou tafetá.

Mano...

- Teríamos que ver no corte. – Alice franziu o nariz. – Posso desenhar isso! Dá pra modificar a abertura da saia também e...

Eu pigarreei e elas me encararam como se eu tivesse interrompido algo muito importante.

MANO.

- Vocês estão falando de vestido de casamento? – Perguntei, confuso pra cacete. – Vestido do casamento de quem?

Eu me senti muito estranho, e pra piorar eu estava segurando um terno.

Alice abriu e fechou a boca, devolvendo o celular pro bolso. Bella tossiu e soltou o queixo, me olhando e ficando vermelha. Depois franziu as sobrancelhas e fez um som com a garganta.

Não era um bom sinal.

- Edward. – Alice repreendeu e eu fiquei com cara de bunda, sem entender. – Eu hein, cruzes...

Hã? O que eu fiz?

Bella suspirou, cruzando os braços.

- Então eles se casaram mesmo. Quando foi que saiu aquela matéria? – Perguntou, encarando Alice com uma careta compenetrada.

Ela estava brava comigo?

Nós estávamos putos com o fato de que Emmett e Rose se casaram sem nos avisar há dois segundos. De repente elas estavam bolando um vestido de casamento e eu era o novo vilão por questionar a falta de sentido.

Ninguém tinha planos de se casar até onde elas sabiam.

- Ontem. Qual é, vocês não usam a internet? Eu tentei ligar pra vocês, mas... – E parou de falar mais uma vez, encarando Bella por alguns segundos. – Ah. Entendi.

Bella cobriu a bochecha com a mão esquerda e eu fiquei com cara de espantalho enquanto elas se entendiam com olhares.

- Na próxima, eu aposto. – Alice piscou, depois me olhou e suspirou pesadamente. – Eles devem chegar em algumas horas, daí vamos colocar a história em pratos limpos. Enquanto isso... – Ela apontou distraidamente em direção à sala. – Vão aproveitar... A vida.

E saiu, balançando as sobrancelhas na nossa direção.

Ah. Ok. Alice sabia que nós tínhamos...

Como elas conseguiam falar disso por olhar? Eu achava que era uma coisa que só caras sabiam fazer.

Bella fechou a porta e o terno começou a pesar de novo assim que ela se virou pra mim. Eu queria que ele tivesse desaparecido enquanto elas desenhavam um vestido de casamento virtual.

- Rose e Emm se casaram. – Bella fez uma careta confusa que eu provavelmente estava espelhando. Não pelo mesmo motivo. – Estranho, não? Quero dizer... É uma grande decisão.

- Aquele filho da puta devia ter me chamado. – Fiz uma careta antes de suspirar.

Eu resolveria isso com ele mais tarde. Minha preocupação atual era esclarecer o terno, que eventualmente voltaria a ser o protagonista da conversa.

- Deveria ter nos chamado. É estranho. Casamento... – Ok. Era estranho, eu entendo. Mas Bella parecia ter acabado de descobrir que casamento era legalizado nesse país. – Um compromisso pra vida inteira.

- Eu decidi passar a vida inteira com você. – Eu disse, dando de ombros.

Bella sorriu e eu fiquei um por cento mais aliviado.

- É bom mesmo, porque esse é meu plano também. – Ela se aproximou e me beijou rapidamente antes de se afastar. Fiquei uns vinte por cento mais aliviado. – Mas eles casaram. É bastante compromisso. – Bella mordeu o lábio, me olhando ainda em confusão. – Sabe?

Eu a encarei por algum tempo, tentando entender o que a tinha deixado tão chocada.

- Edward, estamos ficando velhos. – Ela disse finalmente, e eu sorri. – É assim que a gente percebe, entende? Nossos amigos começam a casar e depois a ter filhos...

Eu faço uma careta e Bella ri, abraçando minha cintura. Quarenta por cento mais aliviado.

- Você acha que a gente deveria se casar também? – Perguntei, balançando as sobrancelhas pra ela.

Quando ela arregalou os olhos e ficou vermelha, eu sabia que ela não responderia. Eu sorri e ela revirou os olhos, como se me achasse bobo por perguntar aquilo.

- Esqueça os dois. – Bella disse, encarando o terno e mudando de assunto. Eu precisei de muita vontade pra não jogá-lo pela janela naquele exato segundo. – Edward, porque você não me disse sobre isso? O terno e a... Festa, sei lá...

Eu respirei fundo.

- Eu não sabia. – Eu largo o terno quando ele começa a pesar demais na minha mão. – Eu não tenho nenhuma intenção de ir, por sinal.

- Por quê?

- Eu não quero.

Bella soltou minha cintura e alisou a testa, negando com a cabeça.

- Você deveria ir. – Ela disse, respirando fundo antes deixar as mãos caírem ao lado do corpo. Ela me olhou com um sorriso antes de sair e ir em direção à cozinha.

- Eu não quero. – Eu repeti e a segui depois de chutar o terno pra um canto da sala.

- Quer sim. Você tem que ir. – Bella começou a mexer nos armários e a pegar as coisas pra ligar a cafeteira. – Eu entendo. Você se esforçou muito nesse trabalho, se dedicou e... É, você tem que ir.

Eu fiquei parado no meio da cozinha, esperando ela me olhar. Demorou, mas quando ela terminou de mexer ali, ela se virou e encostou no balcão pra me olhar.

- Eu não quero ir. – Eu disse de novo, continuando quando ela ameaçou começar a falar de novo. – Eu vivi coisas que eu nunca vou esquecer, coisas que mudaram muito minha forma de ver a vida, e que me fizeram bem. Mas eu não quero ter que rever do jeito que filmaram, muito menos rever as pessoas que estavam lá comigo. – Bella sabia que eu estava falando de Tanya, mas manteve a cara séria. – Eu já fiz o que eu podia, e não quero mais fazer parte desse projeto.

Eu me aproximei dela e segurei sua cintura, tentando decifrar sua expressão.

- Eu não quero influenciar sua decisão. – Bella disse baixinho, mexendo na barra da minha camiseta e evitando me olhar. – Eu confio em você. Você pode ir se quiser.

Quando Bella me olhou de novo, eu estava sorrindo feito um idiota.

PEGA ESSA. BELLA CONFIAVA EM MIM AGAIN.

Ela abraçou minha cintura e eu a abracei de volta, mas eu podia abrir um champanhe de alegria.

- Eu te amo. – Falei e beijei seus cabelos. Eu me afastei o suficiente pra poder beijar sua boca, sem nenhuma pressa. Ela sorriu quando nos afastamos. – Mas eu ainda não quero ir.

Bella juntou os lábios, sem querer demonstrar nenhuma reação. Mas eu sabia que ela preferia desse jeito.

- E eu acho que é no mesmo dia do jantar dos meus pais, o que é outro motivo pra eu recusar.

Bella mudou de expressão e eu quis rir. Tudo bem que Esme não era exatamente a pessoa mais apaixonante do mundo, mas...

- Sobre isso... – Bella franziu o nariz. Já dava pra sentir o cheiro do café. – Sua mãe não vai mesmo querer vender meus órgãos no mercado negro?


Bella

Então Rosalie se casou em Vegas, com duas testemunhas que ela nunca viu na vida até comprar hambúrgueres e Emmett ser reconhecido. Obviamente eles convidaram esses completos desconhecidos pro casamento deles.

Casamento que eles pensaram sobre na quarta-feira, um pouco antes de viajar. Decidiram tudo, Rose escolheu o vestido sozinha no mesmo dia, mandou fazer os ajustes e milagrosamente ele estava perfeito pra ser usado no sábado, quando foi enviado para a casa que eles tinham alugado.

Casa que tinha quatro quartos, cinco banheiros com banheiras de hidromassagem, biblioteca, cozinha gourmet com balcões de granito, geladeiras cheias, churrasqueira à gás, piscina e uma modesta quadra de tênis.

Emmett comprou, COM A AJUDA DO MEU NAMORADO, UM MÊS ANTES DESSA BAIXARIA ACONTECER, um anel com um diamante rosa.

E Alice e eu tivemos que ouvir essa história TODO SANTO DIA por dois meses, porque Rosalie simplesmente não conseguia calar a boca sobre como o casamento dela tinha sido a melhor coisa que aconteceu com ela, mesmo quando nenhuma das melhores amigas dela estava presente.

Por sinal, eles não ficaram nem um pouco incomodados com a nossa reação escandalosa sobre a ausência dos nossos convites. Só Emmett que parecia um pouco incomodado com o fato de Edward não ter gostado de ter ficado de fora, já que ele ajudou a escolher a aliança de um casamento que ele não presenciou.

E EU NEM SABIA DE NADA DISSO ATÉ APARECER NO JUST JARED.

E mesmo agora que Rosalie não parava de falar nesse bendito casamento em Vegas, dois meses depois de ter acontecido, eu ainda estava incomodada com isso.

Um pouquinho.

- Rosalie, eu não estou me casando, então eu não preciso ouvir nada disso mais uma vez. – Eu disse, bufando enquanto ela prendia meu cabelo e Alice ajeitava meu vestido. – Eu não aguento mais ouvir essa história.

- Nem eu, mas ela não para de falar. – Alice se abaixou e verificou minha sandália no pé. – Vocês alugaram uma casa absurdamente cara só pra ter o prazer de transar em cada banheira de cada banheiro, em cada cama de cada quarto, e em cada centímetro de concreto que foi construído.

- Eu sei que vocês ainda estão bravas. Já disse que nós vamos fazer um jantar pra comemorarmos mais uma vez... – Rose suspirou, sorrindo. Ela ajeitou as tranças do coque e soltou um pouco da franja ondulada no meu rosto.

Eu queria estar usando minha roupa de mendigo pra ficar deitada no sofá com meu cachorro, assistindo The Killing e pensando em como Joel Kinnaman é bonito, e depois percebendo que meu namorado é Edward Cullen e que eu tinha feito um ótimo negócio nesse relacionamento.

Acontecia com frequência, e, se ele não estivesse em uma cirurgia ou trabalhando mais turnos, o final era sempre feliz pra nós dois.

- Você está prometendo isso há dois meses. – Allie se levantou e se afastou pra me olhar. – Por sinal, eu duvido que sua família saiba que você se casou.

Rose fez uma careta e eu bufei.

Bufei porque queria passar o resto da noite no meu apartamento.

- Você está linda. – Alice sorriu pra mim. – É um jantar bem formal, não?

- É. – Eu suspirei, tentada a esfregar os olhos mesmo que isso fosse borrar minha maquiagem. – Eles estão comemorando o fato de que eles estão casados... desde sempre.

- Um dia, essa comemoração será sobre Emmett e eu. – Rosalie suspirou, se afastando pra enlaçar o braço no de Alice e me encarar.

- Juro que vou ter um ataque de nervos qualquer hora... – Alice revirou os olhos, mas encostou a cabeça no ombro de Rosalie. – Vai lá, gata! Conquista a sogra de uma vez por todas.

- Aham, até parece... – Eu suspirei, indo em direção ao espelho do quarto.

O vestido escolhido era um vinho bem escuro que ia até um pouco abaixo do joelho, com uma saia em A não muito aberta, cintura ajustada e decote fechado com mangas curtas. Alice escolheu um colarzinho simples prateado e sandálias pretas de tiras finas que com certeza iam me deixar exausta em três horas. Rosalie prendeu meu cabelo em um coque com uma trança lateral e fez uma maquiagem que deixou meus olhos maiores e bem mais castanhos.

Eu tinha desenhado o vestido, por sinal. E tinha gostado bastante do resultado quando o vi no espelho, junto com o look completo e com os dedinhos mágicos das minhas amigas.

- Você está linda. – Edward comentou, e eu me virei para olhá-lo na porta do quarto.

Usando um terno azul marinho perfeitamente ajustado, camisa branca, gravata e sapatos pretos. O cabelo bem bagunçado e grande, com aquela barba meio por fazer e um perfume que atravessou quarto antes dele.

Deuses, eu tinha esquecido como Edward ficava terrivelmente lindo de terno.

- Eu acho que você deveria usar esse tipo de roupa todo final de semana. – Eu sorri quando ele se aproximou e segurou minha cintura com a mão esquerda, me olhando como se eu merecesse toda a atenção do mundo.

Suspirei, o abraçando de volta quando ele beijou minha testa.

Quando ele me olhava com tanto carinho e sorria desse jeito, até fazia sentido arriscar a vida pra tentar convencer a mãe dele de que eu não era uma interesseira que pretendia tortura-lo todos os dias, o resto da minha vida.

- Bem... – Alice começou, depois de sussurrar algo para Rosalie que a fez rir. – Vocês já desceram a mala?

- Já. – Edward respondeu, ainda segurando minha cintura. –

Mala.

Sim, porque Esme nos convidou pra passar O FIM DE SEMANA INTEIRO NA CASA DELA.

Allie e Rose se despediram e levaram Bruce.

A mala já estava no carro, e eu rezei para elas terem escolhido roupas adequadas pra eu dormir na casa da sogra. Ela já me odiava de pijamas de inverno, imagina se me visse usando umas das camisolas transparentes que Alice poderia escolher, ou pior, alguma fantasia erótica que Rosalie poderia achar que eu precisasse.

- Então, há alguma coisa que eu deva evitar fazer pra não irritar sua mãe? – Perguntei antes de sairmos, quando ele segurou minha cintura mais uma vez.

Ele estava enrolando pra sair e eu estava considerando explicar meu plano de ficar no sofá com as roupas de mendigo. Talvez funcionasse.

- Não. – Edward cutucou a própria gravata com uma careta, e eu tentei deixa-la mais ajeitada no seu pescoço. Eu adorava essas gravatas slim que ele tinha. – Na verdade, ela só vai ficar desconfortável se nós dermos detalhes da nossa vida. Detalhes... Íntimos. Ou, sei lá, se nós estivermos nos pegando num canto da festa.

- Por que eu falaria da minha vida íntima com alguém que me odeia? Ou te agarraria num jantar formal?

- Ela não te odeia. – Edward disse automaticamente. – E fale por si só, meu bem. Você não sabe como está trazendo material pra minha imaginação com a aparência de hoje.

- Edward! – Eu bati no seu ombro e ele sorriu, sem nenhuma vergonha na cara. – Isso é sério.

- Eu estou falando sério. Você está linda demais.

Eu tentei não sorrir, mas ele estava animado demais, e era um pouco contagiante.

- Esme não vai mesmo me oferecer dinheiro pra eu me afastar de você?

- Nem ameaçar com um mangual medieval. – Ele negou com a cabeça, aproximando o rosto do meu quando eu abracei seu pescoço.

Era melhor esse batom mate ser a prova de beijos, ou eu sairia parecendo o Joker desse prédio.

- Que pena... – Eu disse quando sua boca se separou da minha, e aproveitei o espelho próximo da porta pra disfarçar o batom possivelmente borrado. Era a prova de beijos, graça aos deuses. Edward me encarou com um sorriso torto, esperando minha fala. – Sabe que eu poderia usar um dinheiro extra agora? Quem sabe comprar uma casa com um quintal grande pra Bruce correr... Investir, sabe?

Edward gargalhou e eu sorri pra ele, tentada a voltar a beija-lo e forçar o plano em que nós passaríamos o final de semana dormindo e nos amando na nossa cama. Ou no sofá.

Em qualquer lugar que seus pais não estivessem, na verdade. Eu estava aceitando até um galho numa árvore.

Ele se aproximou e abraçou minha cintura mais uma vez, me olhando pelo espelho.

- Nós poderíamos mesmo comprar uma casa juntos. – Ele disse pra minha total surpresa.

Wow.

Eu fiquei encarando sua imagem no espelho por muito mais tempo do que era necessário pra responder um comentário desses.

- Hm. – Minhas sobrancelhas ergueram automaticamente. – Você acha? Eu estava só brincando...

- Eu sei, mas eu gosto da ideia. – Ele beijou meu pescoço e sorriu pra mim. – Eu já tinha pensado nisso antes.

- Em comprarmos uma casa juntos?

Edward concordou com a cabeça.

- O que você acha?

Deuses, meu estômago estava gelado e cheio de borboletas.

- Acho que é um passo e tanto... – Eu disse, mordendo o lábio.

Edward concordou mais uma vez, beijando meu pescoço de novo.

- Pense sobre o assunto. – Disse por fim, me soltando e pegando as chaves do carro na mesa. –Preparada para enfrentar os sogros?

Eu balancei a cabeça positivamente e segurei sua mão quando ele me ofereceu, saindo do apartamento com aquela sensação esquisita no estômago.

Era mentira e ele sabia. Não, eu não estava pronta pra ser apresentada 'oficialmente' à minha sogra. Ela não me curtia e eu tinha me acostumado com a ideia. O único problema era o que ela faria com esse sentimento negativo com relação a minha pessoa.

Fora isso, eu estava pensando no que Edward disse, sobre comprar uma casa...

Comprar uma casa juntos era realmente uma coisa grande. Não parecia, mas era. Era um compromisso maior, onde nós não estaríamos num apartamento que era só meu, mas em um lugar que nós dois tínhamos pensado em dividir.

O caminho foi tranquilo, e ele não me pediu uma resposta mesmo sabendo que eu estava pensando nisso.

Quando chegamos na casa dos Cullen, um cara pegou as chaves do Volvo e o estacionou, o que já me deixou deslocada.

Quero dizer, era um jantar em casa e tinha manobristas.

A casa era linda, moderna e tinha dois andares, várias janelas e uma porta de entrada enorme de madeira escura. O segundo andar tinha portas de correr onde eu deduzi que eram os quartos, mas as luzes estavam acesas somente no andar debaixo.

QUE QUÊ EU TINHA FEITO EM ACEITAR VIR NUMA CASA ENORME DESSAS DE PESSOAS QUE NÃO GOSTAM DE MIM?

Eu encarei Edward com minha melhor cara de quem estava bem com a situação, ele sorriu e eu sorri de volta.

Eu ia ter um surto a qualquer momento.

A qualquer segundo eu estaria no chão convulsionando em vergonha e pavor. E Esme gargalharia maldosamente, brindando com Carlisle a minha derrota com champanhes que custam mais do que todos os móveis da minha sala.

Tava na cara que eu ia desmaiar a qualquer momento, mas eu fiz o meu melhor pra convencê-lo de que eu estava em plena tranquilidade, ou seja, eu fiz um joinha, erguendo o dedão pra ele.

Edward não fez questão de entrar na casa, sabendo que o jantar aconteceria no quintal e me guiando naquela direção. Nós passamos pela lateral da casa branca, Edward segurando minha mão com uma certa força. Ele provavelmente queira me passar segurança, do tipo "Não, você não vai morrer hoje".

Não fiz questão de me convencer disso.

O quintal dos Cullen era tão enorme quanto a casa, e estava tão lindamente decorado que eu tive que parar um minuto pra aproveitar a vista.

Primeira coisa que eu percebi: Não havia uma vala profunda com meu nome, o que é sempre um bom sinal.

Haviam duas mesas enormes – ENORMES MESMO – com toalhas de cor perolada e bordadas, vários arranjos pequenos de flores diferentes distribuídos e intercalados com lanternas marroquinas ouro rosa com velas acesas, e pratos e talheres bem posicionados. As cadeiras eram estilo Tiffany, brancas e espalhadas pelas mesas.

O quintal estava todo iluminado com postes de luz altos num estilo antigo, perolados e com luzes brancas, espalhados paralelamente às mesas e intercalados com o que parecia uma sequência de correntes abertas de pérolas. E algumas fileiras com lâmpadas mais quentes espalhadas acima das mesas.

Eu encarei Edward um pouco boquiaberta.

- Minha mãe ama o que faz. – Ele disse, bem orgulhoso.

- E ela é boa. – Comentei, voltando a encarar a decoração.

Eu mal imaginava o que ela faria numa casa.

Se eu morresse, era melhor ela decorar meu túmulo.

Eu finalmente percebi a quantidade absurda de pessoas bem vestidas bebendo champanhe em vários pequenos grupos, espalhados pelo quintal. Ternos, gravatas e vestidos chiques e de bom corte em todo o lugar.

Eu fiquei muito feliz em perceber que o quintal dos Cullens era enorme e toda a extensão em que as mesas estavam era de concreto, o que era um alívio pra alguém usando saltos finos como eu.

Não tive tempo de achar meus sogros, felizmente ou não, mas um senhor de terno acenou para nós e Edward gentilmente apertou a minha mão quando nós fomos na sua direção.

Ele era alguém do hospital que eu não decorei o nome nem a função, mas era muito simpático e me apresentou sua esposa e todas as outras cinco pessoas do grupo. Depois uma senhora nos chamou, e depois outra pessoa de outro grupinho, e eu fui apresentada a todos a medida que as pessoas chamavam Edward para cumprimentá-lo.

Eu sorri, conversei coisas avulsas, ri das piadinhas que eles faziam e agradeci os elogios que eles foram muito simpáticos em fazer.

Verdade seja dita: Eu fui muito bem tratada por todas as pessoas que eu não conhecia, mas que pareciam genuinamente felizes em conhecer "a namorada de Edward" que, aparentemente, era uma coisa muito comentada por ele.

Apesar de estar confortável, eu podia sentir que a minha pele estava dois tons mais vermelha de pura vergonha.

Eu não estava a fim de ser humilhada por Esme na frente de toda essa gente simpática.

Não demorou para puxarem Edward pra longe. Era uma mulher loira e de olhos claros que Edward me apresentou como tia dele, que queria apresentá-lo a alguém específico e que me fez esperar com o grupo de pessoas que estavam conversando animadamente sobre as últimas mudanças do hospital. Parecia um papo maravilhoso pelo jeito que eles falavam entre si, mas eu não estava na mesma vibe.

Eu fiquei vários minutos tentando entender o que eles estavam discutindo, dizendo coisas genéricas quando eles me olhavam esperando um comentário, e bebendo a taça de champanhe que um garçom ofereceu, provavelmente depois de perceber como eu estava deslocada na conversa.

Porque eu sabia desenhar roupas, não discutir doenças ou como administrar um hospital.

O papo mudou e foi parar em um homem que tinha morrido de um jeito muito trágico que eles resolveram encher de detalhes com termos médicos. Não me preocupei em segurar uma onda de vômito por causa dos detalhes, já que eu não entendi nada.

Podia ser pior, eu tentei me convencer. Podia mesmo. Já era pra eu estar morta e sendo desovada em algum lugar se as coisas tivessem acontecido como eu tinha imaginado.

Eu desviei os olhos e deixei eles vagarem entre as pessoas e suas taças, tentando ver os meus sogros ou Edward em algum lugar. Eu achei uma silhueta que parecia ser a dele, e tive certeza quando ele virou e sorriu para um homem a sua direita.

Eu pedi licença no papo das doenças/hospital/morte trágica e andei até Edward, um pouco receosa em encontrar Esme ou Carlisle com ele.

Eles não estavam lá, mas eu travei no lugar quando vi o que estava acontecendo.

Era um tanto surreal e muito incomum, então eu apertei os olhos pra ter certeza de que eu estava na minha primeira taça de champanhe. Era isso mesmo.

Edward estava conversando com um senhor enquanto segurava um bebê.

UMA CRIANÇA. UM MINI SER HUMANO.

Branquinho, de cabelo escuro e olhos azuis enormes que estavam encarando Edward com muita atenção, segurando a ponta da sua gravata.

Precisei de um minuto ou mais, devolvendo a taça vazia quando um garçom a pediu.

QUE CENA MAIS MORDÍVEL.

Era demais pra não se ter um pequeno surto interno, e eu me reservei um tempo pra observar a cena e sofrer em silêncio. E eu sofri, lentamente.

Na verdade, eu devo ter travado no lugar por bastante tempo, porque Edward terminou a conversa e veio na minha direção.

Era fofo de assistir, mas não fazia sentido. Por que alguém daria um bebê pra Edward segurar? Não é como se ele soubesse mais de crianças que eu...

- Edward, como...

- É meu primo, ou primo de alguém... – Edward respondeu, encarando o bebê como se ele tivesse subido no seu colo sozinho. – Colocaram ele no meu colo e sumiram... Acho que foi minha tia.

O bebê continuou encarando Edward, e eu o olhei só pra ter certeza de que não havia nada de errado.

Não tinha. Edward continuava sendo o cara mais bonito que pisou nesse lugar. Talvez fosse isso que o menininho tivesse notado.

- Ele parece bem concentrado...

Edward concordou, franzindo as sobrancelhas pro bebê.

- Bella, não é melhor você pegar ele?

NO WAY.

Por que alguém daria um bebê pra eu segurar? Eu não sabia nada de cuidados humanos pra alguém na minha idade, imagina de um mini humano que não se comunica?

- E eu sei cuidar de criança? – Perguntei retoricamente, soando desesperada, mas adorando ver Edward segurar o menininho.

Ele era tão gordinho e lindinho... Mas estava encarando Edward sem piscar, o que era estranho.

- Bella, você acha que ele vai desmaiar? – Edward disse, continuando a encarar o bebê. – Eu não acho que ele está confortável com a situação.

- Que situação?

- Olha a cara dele. – Edward me encarou rapidamente, como se exigisse um pouco de esforço da minha parte. – Ele está confuso. Tipo, quem é esse cara?

Eu dei de ombros, pigarreando quando eu percebi o tamanho dos seus cílios. Era um bebê lindinho. Muito lindinho mesmo. Tipo... Talvez fosse um pecado que ele crescesse.

- Eu acho que ele gostou da sua gravata. – Eu disse, apoiando a mão no seu ombro pra olhar o bebê mais de perto.

Ele cheirava a... Bebê. Edward ia cheirar a bebê também depois de segura-lo?

O menininho piscou finalmente, agitando as mãozinhas no ar e levando a gravata de Edward junto.

- Eu gostei da sua gravata também. – Edward disse, apontando pra própria gravata do bebê.

Era tipo borboleta e estava grudada na camiseta branca que ele estava usando.

SOCORRO, ELE ESTAVA USANDO UM TERNINHO.

Me controlei pra não surtar com a fofura mais uma vez. Ou com o fato do bebê tocar a própria gravata depois que Edward a apontou.

Eu suspirei alto demais, e Edward tombou a cabeça como se estivesse estudando o mini humano.

Quem nos via provavelmente achava que nós nunca tínhamos visto um bebê na vida.

- Quanto tempo ele tem? – Perguntei, encarando o bebê com a mesma cara de confusão de Edward.

- Seis ou sete meses, eu acho... – Edward falou e o bebê abriu a boca e soltou um som. Foi um 'pá' ou 'gá' bem alto.

Eu quase tive um ataque do coração, porque não sabia que bebês emitiam sons... Nessa idade.

Quem eu estava enganando? Eu não sabia bulhufas de bebês além do fato de eles eram bonitinhos.

- Ele é pesado?

- Acho que uns sete quilos e meio... – Edward mexeu o braço em que o segurava como se estivesse verificando seu peso, e o bebê riu quando ele praticamente pulou ali.

AH MEU DEUS. BEBÊS RIAM?

- Hm... – Edward disse, franzindo as sobrancelhas e encarando bebê com seriedade. – Isso foi bem fofo.

- Foi mesmo. – Eu concordei. O bebê me encarou como se tivesse acabado de perceber que eu estava ali e eu vi seu rostinho concentrado em mim. – Você acha que eu... Posso pega-lo no colo?

- Claro.

Eu estiquei as mãos na direção do bebê e ele ergueu os braços, me encarando com aquele meio riso sem dente.

Eu o segurei pelas axilas e o puxei com alguma dificuldade, parando quando ficou difícil decidir o que fazer com ele.

Lá estava um bebê suspenso pelas axilas nas minhas mãos.

O QUE DIABOS EU ESTAVA FAZENDO?

- Pega de volta, Edward. Eu não sei segurar bebês. – Eu disse automaticamente, devolvendo o bebê pra ele.

- Senta ele no seu braço. – Edward indicou e me ajudou.

Eu segurei o bebê no meu braço direito e apoiei suas costas com a mão esquerda caso ele tentasse se jogar dali quando percebesse que eu não fazia ideia do que eu estava fazendo.

Ele me encarou com o meio sorriso banguela e eu sorri de volta automaticamente.

AFF.

Era muito fofo.

- Oi, bebê. – Eu disse, o encarando de volta. Ele desceu a mãozinha na minha boca e deu um gritinho. Eu encarei Edward de olhos arregalados. – Esse comportamento é normal?

- Eu acho que ele gosta da sua boca. O garoto já sabe o que é bom. Bate aqui. – Edward esticou a mão na direção do bebê e ele soltou minha boca pra bater a mão na de Edward. Isso estava mesmo acontecendo? – Mas essa já é minha, garanhão. Arranje uma da sua idade.

- Edward. – Eu repreendi e ele me olhou com a careta.

O bebê imitou a careta e eu quis chorar. Ou eu vi ele imitar a careta de Edward.

Bebês não podiam fazer de tudo, podiam? Talvez eu estivesse vendo além do que ele estava fazendo...

- Ele é bem inteligente pra um bebê, não? – Edward perguntou, confuso. Depois sorriu e começou a mexer nos dedinhos do menininho.

- Eu acho que nós não sabemos nada de bebês, então tudo parece anormal.

Edward me olhou e riu, e eu ri de volta. Enquanto nós nos olhávamos, eu comecei a pensar numa coisa que eu não tinha pensado antes...

Será que um dia nós teríamos filhos?

Edward continuou sorrindo pra mim por algum tempo, e eu tive a impressão de que ele tinha se perguntado a mesma coisa.

Quando eu tomei ar pra perguntar em voz alta, alguém disse o nome de Edward e cortou o momento.

Foi um pouco sem graça. Bastante.

- Edward! – Uma voz masculina chamou e meu lindo namorado parou de sorrir pra mim pra procurar quem o chamava. Era Carlisle...

O bebê voltou a colocar a mãozinha na minha boca, e eu dei um beijinho estalado ali, rindo quando ele gargalhou com o barulho e a sensação.

Quem diria que bebês gargalhavam nessa idade...

Carlisle apareceu e abraçou Edward demoradamente, e eu senti o frio na barriga quando vi Esme parada atrás dele.

Ela estava sorrindo até me ver. Foi instantâneo: Seu rosto se metamorfoseou em uma careta de pura surpresa e por alguns segundos eu me perguntei se Carlisle tinha dito que eu iria.

EU TINHA VINDO DE PENETRA NESSA MERDA DESSA FESTA? Era praticamente pegar uma pá e abrir a própria cova no quintal deles.

Tipo "Oi, tudo bem? Sei que vocês me odeiam, mas vim aqui pra fazer minha própria vala, se vocês não se importarem... Parabéns pelo aniversário de casamento, por sinal."

Eu tentei procurar apoio em Edward, mas ele estava conversando algo com o pai.

Eu olhei pra Esme mais uma vez e seu queixo caiu uns dois centímetros, quase ao mesmo tempo que o bebê desceu a mão na minha boca de novo. Quase machucou, mas eu duvidava que ele tivesse feito de propósito.

Foi quando eu percebi o porquê dela estar abrindo a boca em choque.

- Não é meu filho. – Eu disse automaticamente e o bebê riu de novo. Quase soou como sarcasmo. QUASE. – Eu não tenho filhos. Nem Edward. Não temos filhos, nem juntos, nem separados.

Eu acho que eu me fiz bem clara de nervosismo.

Até porque o bebê tinha olhos azuis, Edward tinha olhos verdes e eu, castanhos. Ou seja, ela provavelmente achou que eu tinha um filho com outra pessoa. LEGAL MESMO.

Carlisle se afastou de Edward e olhou para Esme.

- É meu sobrinho... Acho que você ainda não o conheceu... – Carlisle explicou, a olhando com certa confusão. Esme fechou a boca e Edward me olhou com um sorriso preso na boca. EU NÃO SABIA PORQUE ELE ESTAVA SORRINDO. Carlisle se virou pra mim. – Você leva jeito com crianças?

Eu quis rir sarcasticamente, mas me controlei. Não precisava mostrar minha vocação pra sarcasmo agora que eu estava numa luta pela minha vida. Ou conhecendo meus sogros, numa nota menos dramática.

- Não exatamente... – Eu disse, ignorando a risada do bebê que parecia ter se apaixonado pela movimentação da minha boca. – Eu não sei, na verdade. Não estou acostumada com elas.

Carlisle sorriu e eu encarei Edward, procurando alguma dica de como descobrir se ele estava sorrindo por educação ou se já tinha bolado um plano para me matar com a esposa.

Edward ainda estava sorrindo.

Pelo amor, alguém tinha que tirar aquela porcaria de sorriso da cara dele. A batalha ainda não estava ganha.

- Eu sinto muito pela forma como fomos apresentados da última vez... – Carlisle recomeçou. – Eu sou Carlisle, pai de Edward.

Me controlei pra não dizer "Eu sei.", porque era grosseiro. E óbvio.

Edward estava fazendo aquela cara de "EU DISSE QUE ELE IA FAZER ISSO, EU DISSE QUE ELE ADORAVA FORMALIDADES" e seu pai estava me olhando como se não pretendesse me mandar embora dali...

Parecia que eu estava salva de alguma tortura vinda do sogro, o que era um bônus maravilhoso já que ele era médico e sabia o que fazer pra deixar uma pessoa sofrendo.

Eu gostaria de esticar a mão na direção dele, mas o bebê estava ali, abafando os sons que eu fazia com a mão.

- Edward, você pode... – Eu pedi, olhando pro menininho.

Eu dei outro beijinho na sua mão só pra ele rir enquanto saía do meu colo, e porque ele era fofo demais e cheirava a bebê.

Edward pegou o menininho de volta e eu estiquei a mão na direção de Carlisle, sorrindo do melhor jeito que eu pude.

- Eu que peço desculpas. Eu estava usando pijamas e era madrugada, então eu estava com um pequeno problema... – Eu apontei genericamente pro meu cabelo e ele riu. Carlisle riu. ELE RIU. – Isabella Swan, por sinal. É um prazer conhecê-lo... Oficialmente. Formalmente, eu digo. Sem ser em uma situação estranha. Trágica. Quero dizer...

Edward engasgou uma risada e eu rezei pra não ficar tão vermelha. Carlisle ignorou minha tagarelação, sorrindo. Esme se aproximou logo que eu soltei a mão de Carlisle.

- Acho que dispensamos apresentações, não? – Esme disse, apertando os olhos e sorrindo minimamente com a boca. Ela se aproximou e encostou a bochecha na minha. – Você está adorável nesse vestido.

- Realmente. – Carlisle concordou, sorrindo.

- Obrigada. – Eu agradeci, tocando a saia instintivamente.

- Bella que desenhou. – Edward disse, se aproximando de mim e parando ao meu lado. – Não é mesmo, meu amor?

Enquanto Carlisle perguntava coisas genéricas sobre minha loja com Alice e Rose, e minha vida em geral, Esme encarava Edward e eu. E o bebê, que ainda estava ali segurando a gravata de Edward.

Se os olhos do bebê fossem verdes ou castanhos, daria um ótimo retrato de pseudo família.

Carlisle foi muito mais simpático do que da primeira vez que nos vimos, e eu deduzi que não deveria ser fácil se relacionar com desconhecidos quando seu filho desapareceu e depois foi encontrado desfilando a bunda num hospital.

Esme não fez questão de puxar assunto, o que facilitou um pouco a situação pra mim, mas me deixou desconfortável por Edward também perceber isso. Eu realmente não queria que eles brigassem por minha causa.

Tudo bem se Esme me odiasse, desde que ela não quisesse me matar.

O jantar começou algum tempo depois. Edward e eu sentamos juntos, próximos dos seus pais.

As pessoas das mesas conversaram e comeram tranquilamente, e eu fiquei bem relaxada quando eu fui incluída várias vezes no que as pessoas comentavam entre si. Edward pareceu feliz com isso também.

Foram vários pratos de comida, bem mais do que eu tinha me preparado pra comer. Pães, sopa, salada e o prato principal que foi um filé muito saboroso que eu também não comi tudo.

Quando eu estava mais que satisfeita, SURGIU UM BOLO DE CASAMENTO DE TRÊS ANDARES. Lindamente decorado com pérolas que estavam enfeitando as bordas e o topo, onde havia um '30' singelo e envolvido no que parecia um colar de... Pérolas.

Pérolas e 30 anos de casados. Fez muito sentido.

Todos ficaram em pé e se saíram do lugar quando Esme e Carlisle se aproximaram da mesa em que o bolo tinha sido colocado.

Esme estava de mãos dadas com o marido, com um olhar que eu nunca imaginei ver no seu rosto. Eles se olharam e sorriram de um jeito muito doce que me fez segurar a mão de Edward com um pouquinho mais de força.

- Nós gostaríamos de agradecer a presença de todos vocês está noite. – Carlisle começou depois de pigarrear. – Todos que estão aqui viveram conosco os primeiros passos que nos fizeram chegar a uma comemoração como essa, muitos anos mais tarde. Muito obrigado por estarem aqui...

Carlisle fez uma pausa e respirou fundo, como se estivesse escolhendo as palavras a dedo.

- Trinta e cinco anos atrás, eu conheci uma mulher muito especial. Uma mulher segura de si, independente, confiante, mandona e irritada, mas que eu sabia que eu tinha ganhado pela quantidade de vezes que eu a fazia rir. E pelos meus olhos claros e minha autêntica personalidade. – Esme o olhou com uma careta enquanto as pessoas riam. Carlisle a encarou de volta com o mesmo olhar doce de antes. – Uma mulher que me fazia repensar minhas atitudes e decisões, que me estimulava a atingir minhas metas e aumentar meus limites... Uma amiga que eu jamais poderia ver sofrendo, que merecia o melhor de tudo nessa vida. Uma amiga que eu soube que eu nunca poderia perder, e que me fez perceber que assim é que nós sabemos que amamos alguém... E eu soube que a amava. – Carlisle olhou rapidamente os ouvintes, sorrindo ao vê-los. – Começaram os flertes, as indiretas e os ciúmes injustificados, e como já era de se esperar, ela percebeu que estava perdidamente apaixonada por mim, completamente perdida nos meus encantos...

Edward riu ao meu lado quando Esme revirou os olhos.

- Ok, meu bem. Você já se gabou o suficiente por hoje. – Esme cortou e todos riram. – Não pensem que este homem demorou cinco anos para se abaixar num joelho e pedir a minha companhia nos próximos trinta anos e mais... Foram quatro anos de amizade, seis meses de namoro... E seis meses resolvendo os detalhes do casamento, que eu obviamente fiz com que fosse perfeito. – Ela passou os olhos pelas pessoas que estavam rindo.

Eu não duvidava disso.

- Eu teria te pedido em casamento com duas semanas de namoro, se não estivesse no último ano de medicina. – Carlisle disse, fazendo Esme sorrir e Edward gargalhar.

Esme suspirou, encarando o bolo decorado.

- Nós sempre tivemos certeza um do outro. Não faria diferença se nos casássemos mais cedo ou mais tarde. – Esme mexeu a mão no ar, ainda com o sorriso no rosto. – Um casamento não é só o comprometimento de aceitar uma companhia, fazer promessas infinitas... É desejar a companhia um do outro e estar presente por vontade. Não se "aceita" um pedido de casamento, mas se deseja viver com essa pessoa o máximo de tempo possível. É querer evitar machucar seu companheiro e querer estar por perto quando ele for machucado. – Esme passou os olhos em Edward e eu com alguma significância que eu não quis entender. Ela voltou a encarar Carlisle ao seu lado depois de alguns segundos. – Esse homem nunca me fez pensar que um casamento fosse qualquer outra coisa além disso, e é por isso que nós estamos aqui hoje, trinta anos depois... E eu posso afirmar que nunca houve um dia em que eu não quis mais viver essa união e estar com você. O que eu posso dizer? Eu realmente cai nos seus encantos, meu bem.

Eu ouvi alguém fungar em algum lugar a minha direita.

- Claro que eu já estava aos seus pés muito tempo antes. – Outra fungada. Era melhor eles pararem. Eu chorava fácil também. – Trinta anos depois, e eu sei que você é a única pessoa que poderia estar ao meu lado hoje. – Carlisle disse, tocando sua bochecha.

FOI RIDÍCULO DE TÃO FOFO.

Eu me vi abraçando o braço de Edward quando seus pais cortaram o bolo.

Ele se virou e sorriu pra mim, e eu pude ver como ele me olhou de um jeito completo e contente. Ele sorriu e se aproximou pra beijar minha testa.

- Eu te amo. – Edward sussurrou, antes de se virar novamente para olhar os pais.

- Eu te amo também. – Sussurrei de volta, ficando na ponta dos pés na tentativa de ficar próxima do seu ouvido.

Eu vi quando ele sorriu, e eu abracei seu braço mais forte.

O tempo passou muito mais rápido depois disso. Os convidados começaram a sair depois de algum tempo, e Edward ficou ao meu lado enquanto todos vinham se despedir e dizer coisas maravilhosas sobre o jantar e Esme e Carlisle.

Eu pensei em sequestrar o bebezinho quando ele passou por nós, mas consegui me controlar.

Não sabia se eu ia conseguir cuidar dele no fim das contas.

O quintal logo já estava sem convidados. Um pessoal limpando as mesas e organizando todo o resto da bagunça, enquanto Edward e eu observávamos Carlisle e Esme se despedindo de alguém que estava com o carro estacionado do ouro lado da rua.

- Acho que já podemos entrar... – Edward comentou finalmente, ainda segurando minha mão direita. Ele parecia um pouco cansado, mas estava animado. Dava pra ver como seus olhos estavam brilhando de empolgação. – E então? Que tal?

Eu quis dizer que meus pés estavam ardendo e que eu precisaria de dois dias em um colchão MUITO macio. Fora o fato de que aceitava massagens, escalda pés e até uma hidromassagem.

Mas não era o que ele queria saber.

- Foi lindo. Muito obrigada por me convidar. – Eu respondi, abraçando sua cintura depois de checar que Esme não veria nada.

Eu ainda estava evitando que ela me odiasse.

- Você gostou? – Edward parecia cheio de expectativas.

- Adorei. – Eu disse, sorrindo. – Seu pai é muito mais simpático do que pareceu na outra vez que nos vimos. Eu gostei de conversar com ele.

- E ele gostou de você. Eu disse que ele ia gostar de você. – Edward diminuiu um pouco o sorriso. – Eu sinto muito se minha mãe te deixou desconfortável em algum momento. Deve ser estranho pra ela e...

- Não, imagina. – Eu disse automaticamente. – Foi tudo ótimo. Eu adorei conhecer todo esse pessoal do hospital e da sua família.

Edward deixou o braço nos meus ombros e voltou a sorrir.

- Obrigado por ter vindo. Foi importante pra mim.

Eu sorri de volta, me esticando para beija-lo depois de verificar mais uma vez que Esme estava concentrada em conversar com o senhor do carro preto.

Era ótimo poder sentir seus lábios nos meus de novo, mas eu tive que abortar a missão quando meus pés reclamaram das sandálias.

Era sempre triste quando algo me fazia parar de beijar Edward.

- Eu imagino que esses saltos estejam te matando. – Edward começou, franzindo o nariz. Talvez eu tivesse deixado óbvio que meus pés estavam quase caindo. Eu concordei com a cabeça. – Quem dera você tivesse um namorado que fizesse a melhor massagem nos pés...

- Eu acho que eu tenho. É a melhor massagem que eu conheço, pelo menos... – Edward riu quando eu falei rápido demais. – Sério, eu poderia mesmo usar uma massagem nos pés agora.

- Dia de sorte. – Edward piscou pra mim. – Você pode ir andando pela casa, conhecendo tudo... Eu vou pegar a mala com nossas roupas e leva-la até o meu quarto.

Eu balancei as sobrancelhas na sua direção.

- Você tirou todos os pôsteres de mulheres em biquínis das suas paredes?

Edward gargalhou alto.

- Nunca tive. Sempre gostei do meu quarto bem visualmente limpo. – Edward deu de ombros. – Surpresa?

- Bem impressionante pra quem com a reputação de pegador que você teve. – Eu disse e ele revirou os olhos, mas sorriu.

- Talvez eu deva colocar uma foto enorme sua na minha parede. – Dessa vez ele se abaixou e deixou o nariz encostar no meu. – De biquíni.

- Só se você quiser que sua mãe tenha um infarto.

Edward gargalhou mais uma vez, e eu ri baixinho antes que ele me beijasse.

Eu fui para a sala pela porta da entrada da casa, e tirei as sandálias imediatamente, as segurando na mão direita. Esme não me barrou na entrada, então eu deduzi que ainda podia entrar.

A casa por dentro era tão clara quanto por fora, bem iluminada e espaçosa, e terrivelmente bem decorada. O enorme sofá em L era claro, cheio de almofadas da mesma cor e com lugares pra sete pessoas (apesar dos lugares serem enormes e caber duas pessoas em cada um), e a mesa de centro era de vidro em formato oval com alguns jornais, controles e velas de baunilha. Havia uma lareira apagada na parede oposta, com um compartimento simples acima onde eu deduzi que havia uma televisão. Atrás do sofá, na parede e próxima a uma porta, havia uma mesa de vidro estreita de quase três metros, cheia de retratos.

Precisei dar pelo menos vinte passos pra alcança-la, e o mármore branco estava gelado nos meus pés.

Eu a alcancei a mesa estreita quase ao mesmo tempo em que Edward apareceu segurando nossa mala. Ele sorriu pra mim e subiu as escadas de madeira com corrimão de vidro a minha esquerda. Vários passos. A sala era absurda de enorme.

- EU JÁ VENHO. – Ele gritou lá de cima, e eu ri.

Eu encarei as fotos em silencio, sorrindo ao ver ao que em várias delas Edward aparecia como um bebê ou um moleque de dez anos. ERA FOFO DEMAIS PRA AGUENTAR.

Eu fiquei sorrindo para foto em que ele aparecia mais velho, sorrindo e erguendo o dedão, com o jaleco de médico. Aproximei a foto do rosto e absorvi os detalhes. Ele estava mais velho comparado às outras fotos, mas bem mais novo do que parecia hoje. Sem barba, menos musculoso.

Eu fiquei concentrada, o olhando naquela foto, por isso eu quase tive um ataque cardíaco quando Esme pigarreou ao meu lado.

COMO ELA SE TELETRANSPORTOU PRA LÁ EU NÃO SABIA.

Eu pulei no lugar e por MUITO pouco não derrubei o porta retrato no chão.

- Desculpe. Não quis te assustar. – Esme disse, mas eu podia jurar que ela quis rir da cena.

Eu mordi o lábio e devolvi a foto na mesa.

- Eu estava só olhando... – Comecei, me explicando. – Edward subiu e disse que já vinha.

Esme não disse nada, só pegou a foto que eu tinha acabado de devolver.

Congelei por alguns segundos. E se ela quebrasse o porta retrato na minha cabeça e começasse a gritar que eu tinha roubado o filho dela? O QUE EU IA FAZER?

- Já faz algum tempo... – Esme encarou a foto, sorrindo minimamente. – Segundo ano de faculdade, eu acho.

O QUE EU DEVERIA DIZER?

Fiquei quieta.

Ela pegou a foto ao lado em que ele estava numa bicicleta com o joelho esfolado, os cabelos bagunçados e... Sorrindo sem os dentes da frente.

- Sete anos. – Esme riu baixinho e eu fiquei encarando, tentando verificar se era uma alucinação ou não. ALUCINAÇÃO OU NÃO? – Ele vivia caindo, me deixando preocupada... E adorava quando tinha que fazer pontos. Eu comecei a achar que ele caia só pra poder levar pontos.

Eu sorri e ela me olhou, sorrindo de volta.

NÃO ERA ALUCINAÇÃO.

- Eu não duvido mesmo... – Eu disse e ela concordou, devolvendo a foto e pegando outra.

- Esse foi o dia do meu casamento. – Esme apontou. Ela estava linda, com os cabelos presos e uma tiara fina na testa, a mão encostada no peito de Carlisle, que também estava sorrindo loucamente pra câmera. Eles estavam bem mais novos, mas tinham o mesmo olhar que eu pude ver hoje.

Me deu um quentinho no coração completamente inexplicável.

- Deve ter sido lindo. Vocês parecem muito felizes... – Eu comentei, olhando. Eu estava com medo de dizer a coisa errada, mas era estranho ficar quieta vendo ela falar. – Foi um jantar maravilhoso, por sinal. A decoração, o bolo, todos os detalhes... Foi tudo perfeito.

- Obrigada. – Esme devolveu a foto e se virou na minha direção, mas não me olhou. – Eu sei que você acha que eu não gosto de você, mas eu quero que saiba que não é você o problema.

Ok. Ia começar. Como fazia pra evitar essa conversa?

Ela finalmente me olhou e eu travei no lugar por vários segundos.

- Tudo bem... – Eu disse quando ficou claro que ela estava esperando uma resposta.

- Edward é meu único filho, e eu me importo com ele. – Esme recomeçou. – Edward sempre foi do tipo que saía com várias garotas e nunca realmente parecia interessado nelas. E eu sempre me perguntei por que ele fazia isso, porque ele não tinha um relacionamento sério...

Esme fez uma pausa e eu continuei a encarando. O que que ela queria? Que eu comentasse a vida sexual e amorosa de Edward antes de me conhecer?

- Ele não é gay, se é isso que a senhora acha... – Eu disse depois de algum tempo.

Esme gargalhou e eu soltei um risinho sem graça.

- Ah, eu sei que ele não é. – Sarcasmo. Eu rezei pra que ela não me contasse como ela deduziu isso. Eu não precisava de nenhuma história cabeluda sobre como era o Edward galinha. Eu tive uma amostra na Itália, e dei sorte dele gostar de mim tanto quanto eu tinha gostado dele. – De qualquer forma, eu sempre soube que ele gostava de se divertir e aproveitar o fato de que não tinha nenhum relacionamento sério. E isso durou bastante tempo. Ele largou a medicina, começou em alguns filmes, fez sucesso e você sabe o resto. Mas imagine só como eu fiquei confusa quando ele me disse que estava namorando e que tinha largado a carreira de ator...

Eu soltei o ar que estava segurando e ela pareceu confusa.

- Uhum. – Foi o que eu disse. Ou seja, eu não disse nada.

- No começo eu temi que ele fosse te machucar. – Esme voltou a mexer as mãos. – Não fisicamente, Edward jamais faria isso... Eu achei que você seria só mais uma diversão que ele estava prolongando, e que eventualmente ele ia te dispensar e quebrar seu coração. Eu fiz meu melhor pra que ele evitasse isso, mas acho que pareceu que eu não gostava de você antes mesmo de te conhecer.

Concordei com a cabeça, um pouco lisonjeada por ela ter sentido pena de mim, mas um pouco puta da vida por ela achar que eu era só um caso.

Jura? Ele se mudou pra Manhattan pra morar no meu apartamento.

Porém, obrigada por tentar impedir meu coração de ser quebrado.

- Eu estava bem com isso, até ele viajar pra África. – Eu parei minha respiração na metade, e ela percebeu. Eu não queria falar disso com ela. Especialmente com ela. – Eu sei que deve ser um assunto delicado pra você, mas Edward não faria... Quero dizer...

- Qualquer assunto relacionado a essa viagem já foi resolvido entre nós dois. – Eu disse, soando um pouco mais nervosa do que eu intendi. – Se nós dois reatamos, não foi porque um perdoou o outro, mas porque nós nos apaixonamos de novo. Ele é um homem diferente e eu sou uma mulher diferente depois dessa viagem, e do tempo que passamos juntos. Eu sei que pode não soar certo pra você, mas...

- Não, eu entendo. – Esme cortou, concordando com a cabeça. – Edward mudou muito depois de tudo isso, e eu imagino que tenha sido difícil pra você também.

Eu concordei minimamente, um pouco impaciente.

Isso não era pra estar acontecendo. Era pra ela continuar me ignorando o resto do fim de semana, e não tentar entender o que Edward e eu tínhamos passado.

- De qualquer forma, eu queria chegar ao fato que me fez mudar de pensamento. – Esme voltou a falar, pigarreando em seguida. – Edward voltou de viagem. Ele chegou no país e não nos avisou. Isso pode parecer sem sentido, mas meu filho voltou depois de três meses fora do país e pediu carona para um amigo. Não falou com Carlisle, nem comigo.

Ok. Era um pouco irritante, mas não justificava o fato dela me odiar.

- Quando eu descobri que ele tinha ido conversar com você, eu fiquei furiosa. Meu filho tinha escolhido ver você em vez de me ver. – Ciúmes, eu traduzi. Não levei pro coração o jeito como ele disse "você", também. – E depois ele voltou a morar na sua casa, mesmo quando vocês não tinham reatado.

Tinha alguma coisa que Edward não contava aos pais?

Me fez sentir a pior filha do mundo...

- E eu comecei a ficar preocupada com a possibilidade de que talvez, em vez dele te machucar, talvez você fosse fazer o contrário.

Agora fazia sentido ela me odiar.

- Eu o amo. – Eu disse automaticamente.

Esme me olhou em silêncio por algum tempo.

- Eu acho que percebi isso hoje. – Ela suspirou, cruzando os braços. – Não quero que pense que eu te odeio, Isabella. Eu só me preocupo com meu filho.

Concordei com a cabeça, mordendo o lábio.

Era o que ela deveria chamar de trégua no ódio.

- Acho que podemos... Desenvolver uma relação saudável... – Eu disse, tentando não soar ridícula, e soando ridícula.

Esme respirou fundo, soltou o ar e concordou com a cabeça lentamente.

Devia ser um martírio pra ela.

- Você está confortável? Tem algo que eu possa te oferecer? – Formalidade extrema. – Imagino que Edward já esteja cuidado dos detalhes da sua acomodação...

- Não, tudo bem. Pois é... – Toquei meu cabelo instintivamente. – Só vou soltar esses grampos e esperar ele por aqui mesmo...

Esme olhou pro meu cabelo.

- Eu posso te ajudar com isso.

Ok. Ela estava tentando. Não me mataria tentar também.

- Claro... – Saiu com bastante dificuldade, mas ela ignorou isso e se mexeu pra ficar atrás de mim.

- É um penteado muito bonito, por sinal. – Seu tom pareceu mais relaxado, e eu deixei a tensão dos meus ombros sumirem um pouco.

Seus dedos se mexeram com delicadeza nos meus cabelos, e eu me perguntei como fomos parar naquela situação.

Ela explicou porque me odiava e nós fizemos um trato pra fingir que não nos odiamos, foi isso?

- É. Minha amiga Rosalie que fez...

Esme foi colocando os grampos na mesa de vidro, ao lado dos retratos.

- Não foi ela que se casou com aquele amigo de Edward?

- Emmett? Sim, eles se casaram alguns meses atrás...

- Pois é... – Esme suspirou tranquilamente. – Ela gostou do anel? Eu ajudei Edward a escolhê-lo. Provavelmente um dos anéis mais bonitos que eu vi...

Wow.

Controlei minha careta de surpresa e choque, erguendo as sobrancelhas minimamente.

- Jura? Você ajudou a escolher o anel de Rosalie?

- Sim, mas Edward palpitou bem mais que eu. Ele parecia animado quando nós o compramos. – Esme soltou uma risada camuflada na respiração e eu sorri.

Ok. Fingir era ok. Ela nem parecia uma megera quando falava sem tentar me ameaçar.

A não ser que ela estivesse me ameaçando sem que eu estivesse percebendo...

De qualquer forma, Rose surtaria se soubesse que Edward escolheu e comprou o anel de casamento dela.

- Bem, o anel é bem bonito mesmo. Diamante rosa não poderia ser mais a cara da Rose...

Esme parou de mexer nos meus cabelos e eu me perguntei que merda eu tinha dito.

Que merda eu tinha feito? Será que eu comentei em voz alta que ela não estava mais parecendo uma megera?

MEU DEUS.

- Não, não era um diamante rosa.

Soltei o ar automaticamente, mas franzi as sobrancelhas logo depois.

Se ela ficou confusa, eu fiquei ainda mais.

- Ah, merda. – Esme disse. Provavelmente eu nunca mais a veria xingar. Ela se virou na minha direção com um olhar sério, apoiando as mãos nos meus ombros. – Esqueça essa conversa, ok? Esqueça o que conversamos.

Algo no jeito como ela me olhou fez com que eu me sentisse com cinco anos ouvindo uma conversa proibida de adultos.

Eu não entendi nada, então concordei com a cabeça, sentindo meus cabelos caírem no rosto com o movimento.

O quê? Esme estava tentando esconder de Edward o fato de que ela esqueceu que o diamante era rosa?

Três segundos depois, nós ouvimos passos na escada e ela me soltou pra cruzar os braços.

Eu ainda estava boiando quando Edward começou a falar.

- Eu demorei porque estava preparando a banheira pra nós dois. Tem uma bombas de sal de banho muito boas que nós podemos usar. Nós podemos aproveitar a água quente antes de irmos pra cama, o que você acha? E eu não esqueci sua massagem nos pés, mas eu você podia fazer aquele truque com as mãos no meu – Edward cortou a fala quando atingiu o último degrau e viu Esme ao meu lado. Foi o pior momento pra se parar uma fala, por sinal. – Ah, hm. Oi, mãe.

Foram alguns segundos em silêncio constrangedor.

- Edward, elabora. – Eu disse, cobrindo o rosto com a mão quando eu senti minha pele ficar vermelha.

Ele ficou confuso por algum tempo, depois ergueu as sobrancelhas.

- O truque é no pescoço. – Ele disse rapidamente. – Não foi o que soou, mas o truque é no pescoço. Não no... Quero dizer...

- Ok, eu entendi. – Esme fez uma careta terrível, tocando o próprio pescoço. – Você termina de mostrar a casa pra Isabella?

Edward concordou com a cabeça, cruzando os braços na frente do tronco. Sem graça pela pérola, porém lindo.

Ele tinha tirado o terno, estava com alguns botões da camisa branca abertos e a gravata solta ainda no pescoço. Terrivelmente lindo. Era de machucar.

- Espero que tenha gostado do jantar, Isabella. – Esme me olhou com uma formalidade fora do normal.

Ela tinha que parar de me chamar de Isabella. Juro, tava me matando.

Eu comecei a imaginar o que seria esse final de semana, e tive que controlar uma onda de desespero que brotou em mim.

MEU DEUS, ERAM DOIS DIAS AINDA.

- Eu gostei. Foi maravilhoso. – Eu mexi no cabelo nervosamente. Se eu fizesse uma respiração cachorrinho agora pra acalmar os nervos, ela me internaria. – Parabéns.

- Obrigada. – Seu sorriso foi mais orgulhoso dessa vez. – Bem, com certeza teremos tempo para conversamos amanhã. Então eu acho que já vou indo. Você avisa seu pai que eu subi?

Edward concordou com a cabeça e Esme beijou sua bochecha antes de ir em direção a escada.

- Boa noite. – Esme disse, subindo.

Muitíssimo elegante, porém me odiava.

- Boa noite. – Nós respondemos ao mesmo tempo.

Edward se aproximou quando ela saiu de vista, me olhando com uma careta terrível de culpa.

- Desculpa. Eu disse que a única coisa que ela não queria eram detalhes íntimos e dei a entender que você tinha um truque com o meu... – Eu ri quando ele deixou a frase sem fim, e ele franziu o nariz, fechando os olhos. Depois me olhou com a careta. – Desculpa.

Ela já não gostava de mim mesmo...

- Você disse algo pior pro meu pai quando o conheceu, lembra?

Eu ri quando Edward fez outra careta.

- Se eu comentar disso com Charlie, ele me mata.

E pensar que eles eram melhores amigos ou qualquer coisa do tipo agora...

Eu suspirei, tocando sua gravata inconscientemente.

- Tudo bem? – Edward perguntou baixinho, colocando uma mexa atrás da minha orelha. – Sem ameaças com a Dona Esme?

Concordei com a cabeça, deixando a pergunta sem uma resposta mais elaborada.

Eu estava me concentrando no que aconteceu agora há pouco, imaginando Edward escolhendo um anel pra Rosalie e com Esme, pelo Emmett.

Não fazia sentido. E não fazia sentido Esme ficar daquele jeito quando eu disse que o anel era um diamante rosa.

Será que Edward foi trocar o anel com Emmett depois?

Eu podia pergunta-lo. Edward não se importaria em falar.

- O que foi? – Edward tocou o espaço entre as minhas sobrancelhas, e eu relaxei a testa automaticamente. Eu tomei ar pra perguntar quando ele disse: – Ela te pediu em casamento?

AH MEU DEUS.

E se Edward tivesse comprado outra aliança?

Eu soltei uma risada nervosa ridícula, soando um pouco como uma hiena envergonhada, e ele fez uma careta de quem estava sorrindo, porém confuso.

Tipo 'O que você tá fazendo?', porém sorrindo. Bem como se eu tivesse acabado de imitar uma hiena numa conversa séria.

AH MEU DEUS.

Eu precisava mesmo fazer respiração cachorrinho pra me acalmar agora, mas ia soar muito estranho. Eu me controlei, sentindo minhas sobrancelhas se mexerem sozinhas.

- Você está bem? – Edward tocou meu rosto, me olhando com uma certa preocupação. Ou seja, hienas não convenciam.

Eu não deveria pensar na possibilidade de Edward ter comprado uma aliança que não era a da Rose. O que diabos isso significaria? E eu estava tentando me convencer do quê? Edward tinha comprado uma aliança pra mim?

E se fosse pra outra mulher?

Cruzes, eu precisava de ajuda profissional. Esme só tinha se confundido, provavelmente.

- Claro... – Eu sorri do melhor jeito que consegui, me aproximando e tocando seu rosto. Eu me concentrei em algo que ele tinha dito antes, meus pensamentos se esvaíram rapidamente, e eu me senti mais relaxada. – Você tinha dito algo sobre sais de banho? Eu gosto disso.

A cara de confusão de Edward ainda ficou ali por alguns segundos, mas ele relaxou também, segurando minha outra mão.

- Eu posso te mostrar o resto da casa primeiro. Você só viu a sala...

Só vi a sala e eu já estava deprimida. Era pelo menos metade do meu apartamento.

O que me lembrava outra coisa que eu tinha pensado em comentar com ele.

- Nós temos amanhã ainda, Edward...

- E o almoço de domingo.

Me controlei pra não respirar fundo.

- É, e o almoço de domingo.

- É, nós podemos mesmo deixar isso pra amanhã. – Edward concordou com a cabeça, ainda pensativo.

Ele ia perguntar pra Esme o que me deixou tão comunicativa quanto uma porta, eu sabia...

Eu decidi abordar o assunto que eu tinha esmiuçado mentalmente enquanto nós comíamos e conversávamos com aquele pessoal chique e rico.

- Por sinal, eu estive pensando... Você tem algum tempo livre essa semana?

- Hm... Talvez. – Isso era um 'não' disfarçado de 'posso tentar sair mais cedo'. Edward deu de ombros. – Quais os planos?

- Não sei... – Eu soltei seu rosto e dei de ombros também, fazendo minha melhor cara blasé. – Achei que talvez nós pudéssemos olhar umas casas...

Seu rosto mudou automaticamente, desfazendo a careta de quem estava apreensivo com alguma coisa e deixando espaço pra um sorriso torto animado.

- Você pretende se mudar? – Edward perguntou casualmente, mal podendo se conter e sorrindo amarelo.

Foi tão fofo que eu me reservei um tempo pra assisti-lo.

- Então, eu recebi a oferta de um cara aí... De comprarmos uma casa. – Dei de ombros de novo, sorrindo quando sua mão puxou a minha na sua direção. – E eu bem queria um lugar maior pro Bruce, sabe...

- Um cara aí? – Eu ri quando ele envolveu minha cintura com seus braços e me olhou animado. O tom de brincadeira sumiu do seu rosto. – É sério? Quer mesmo comprar uma casa comigo?

- Talvez... – Edward parou, e eu revirei os olhos. – É claro que é sério, Edward.

- Você disse que era um passo e tanto. Talvez queira pensar mais um pouco sobre isso. Conversar com Rose e Allie, talvez. Eu não vou me importar de esperar uma resposta...

- Edward, você desistiu de morar comigo? – Eu perguntei dramaticamente. – Eu estou falando que gosto da ideia de comprarmos uma casa juntos e você está...

Eu não terminei a fala, mas fiquei bem feliz de sentir seus lábios nos meus.

Eu tinha todo o conforto de um lar quando ele me abraçava e me beijava, ou quando nós ficávamos juntos fazendo qualquer outra coisa. E eu amava meu apartamento e todas os momentos que eu tinha vivido nele, mas eu sabia que conseguiria viver em outro lugar, desde que Edward e Bruce estivessem comigo.

E eu adorava a ideia de poder deixar Bruce solto num quintal, correndo e fazendo o que ele quisesse a hora que ele quisesse.

Eu esperei que Esme não tivesse aparecido, porque o beijo que Edward me deu demorou um pouco mais do que era socialmente aceitável na casa dos sogros.

- É sério mesmo? – Edward perguntou mais uma vez e eu ri, erguendo o dedão e tentando limpar o borrãozinho de batom que ficou na sua boca.

- É sério. – Eu o olhei. – Eu decidi passar o resto da minha vida com você, então é melhor começarmos em algum lugar.

Edward sorriu de um jeito lindo e eu quase derreti.

- Eu gosto muito de ouvir isso. – Ele concordou, me beijando rapidamente. – Preparada pra subir?

- Eu poderia usar um transporte. – Eu reclamei com uma careta. – Sabe, por causa dos pés. Pode ser que eu demore pra subir e nós não queremos deixar aquela banheira esperando...

- Com muito prazer. – Edward sorriu, passando um braço pelos meus joelhos e me pegando no colo com facilidade. Ele me olhou e deu uma piscadinha. – Não queremos deixar a banheira esperando...


N:

BOM DIAAAA (Sim, eu sei que é meia noite e pouco agora. bad timing, sorry.)

Era pra eu ter postado semana passada. Não aconteceu por motivos de: chega uma hora na vida que as pessoas que te amam começam a ficar preocupadas com o fato de que você não tem vida social. Eu fui obrigada a sair, porém sobrevivi. Sim, é possível. Talvez eu repita.

Espero que estejam bem. Li as reviews e fiquei tão super felizinha que fiz um chap com 11 mil palavras. Ownt.

Acho que semana que vem eu apareço com chapter pra minha outra fic (Letters of blablabla), se a vida permitir. Vamos fazer um mantra pra vida permitir.

Como estão? Alguém fez ENEM? Perdeu o ENEM? ENEM é passado para vocês? Adele, ouviram? Quê mais teve de interessante nos últimos tempos? (tô numa bolha, desculpa)

Vejo vocês por aí,

XxX