Cap. 35 – Compras e problemas
Hagrid estava sentado em uma grande cadeira, sozinho e acenou freneticamente para eles, quando entraram. O grupo seguiu em linha reta até o meio gigante.
- Bom dia! – cumprimentou ele, alegre.
- Bom dia – responderam todos, embora estivessem meio duvidosos se era mesmo Hagrid quem os acompanharia.
- Você que vai com a gente, Hagrid? – perguntou Tiago.
- Eu mesmo! – respondeu Hagrid, se levantando. – Todos prontos?
- Claro – disse Lílian e seguiu o gigante até a saída do bar. Eles passaram pela porta e Remo, o último, fechou-a. Eles estavam em um lugar pequeno, com algumas latas de lixo, cercado por um muro alto de tijolos.
Ele retirou seu guarda-chuva cor de rosa do casaco de pele de toupeira e bateu três vezes na parede com a ponta dele. Os tijolos começaram a abrir em uma espécie de passagem. Harry sorriu ao se lembrar da primeira vez que entrara no Beco Diagonal, fora da mesma maneira que agora, só que ele e Hagrid estavam sozinhos.
- Pronto – disse Hagrid quando os tijolos pararam de se mover. – Agora, às compras!
Dizendo isso, entrou no Beco Diagonal. Estava quase vazio, se não fosse por alguns bruxos e bruxas que andavam pelo local, sempre com pressa e em grupos, pois as notícias dos ataques de Voldemort estavam cada vez mais freqüentes e ninguém queria se expor.
- Onde vamos primeiro? – perguntou Kely.
- Podemos comprar os presentes que queremos, primeiro, e depois os da lista da minha mãe – sugeriu Tiago e eles concordaram.
- Então, onde querem ir? – indagou Sirius.
- Vamos à loja de roupas, antes – falou Clara, que estava louca para comprar suas novas vestes, e iria aproveitar aquela hora para fazer isso.
Eles seguiram até a loja da Madame Malkin. Havia apenas duas pessoas ali, que não se demoraram muito e logo foram embora.
Enquanto os meninos seguiram para um lado da loja, as meninas foram para o outro.
- O que acha desse?
- E esse? – perguntavam as garotas, umas às outras, para escolher o que comprariam. Os garotos somente olhavam as vestes, não iriam comprar nada ali.
- Estão escolhendo alguma coisa? – perguntou Kely a eles.
- Não – respondeu Remo.
- Então venham aqui nos ajudar – disse ela. Os quatro respiraram profundamente e foram até lá. Meia hora depois e nenhuma delas tinha escolhido o que queria.
- Acho que teremos que voltar outro dia – comentou Sirius a Tiago, baixo.
- Provavelmente – respondeu Tiago, igualmente baixo. – Se não tivermos que vir mais dois, porque hoje e a próxima vez será só para elas escolherem as roupas.
- O que tanto cochicham? – perguntou Gina.
- Nada – responderam os dois, voltando à tarefa de escolher tecidos.
Mais uma hora na loja e elas finalmente terminaram.
- Graças a Merlin! Não estava mais agüentando ficar naquela loja! – reclamou Sirius, quando saíram, cada um carregando uma sacola.
- De graças mesmo, Almofadinhas – disse Harry. – Nossa sorte é que não precisamos pedir colchões para a Madame Malkin.
Passaram em várias lojas, em que não demoraram mais do que o suficiente para comprar o que queriam. Pararam, então, em uma lanchonete, para comer alguma coisa, pois já era hora do almoço.
Tiveram que usar duas mesas: uma para eles e outra para as sacolas. Eram o grupo mais animado que andava pelo lugar. Sempre rindo e falando alto, enquanto os outros andavam cautelosos e com pressa, sem parar para conversar.
Após o almoço, começaram a comprar o que a mãe de Tiago pedira. Para isso, deram mais uma volta pelo Beco.
Quando terminaram a lista, já eram quase três e meia.
- O carro vem nos pegar as quatro, ainda precisam comprar mais alguma coisa? – perguntou Clara.
- Eu preciso – disse Tiago.
- Eu também – falou Clara.
- Mas acho que não vai dar tempo de irmos a dois lugares diferentes antes de o carro chegar – falou Lílian.
- Então, vamos fazer assim – sugeriu Sirius. – Hagrid, vá com elas e nós quatro vamos juntos e nos encontramos na frente da sorveteria Florean Fortescue. Certo?
- Quem chegar primeiro espera o outro – completou Harry.
- Mas não é perigoso vocês andarem sozinhos por aí? – questionou Kely.
- É rápido – respondeu Tiago.
- Não se preocupem, já estaremos de volta – disse Remo, se virando e começando a andar, enquanto a garotas seguiram para o lado oposto.
Tiago, Sirius, Remo e Harry não andaram muito. Tiago estava à frente, pois ele é quem iria comprar e sabia qual loja era. Parou, então, em frente a uma grande loja e entrou. Rapidamente encontrou o que queria, pegou e pagou à bruxa que estava no caixa, enquanto seus amigos esperavam à porta.
- O que você comprou, Pontas? – perguntou Sirius, curioso.
- Não posso falar, Almofadinhas! – respondeu Tiago, sorrindo e guardando o pacotinho no bolso.
- Ah... – começou Sirius, mas não pôde nem terminar a frase, pois ouviram um estrondo em algum lugar do Beco Diagonal e correram para fora, ver qual era o problema.
- O que está acontecendo? – indagou Tiago, assustado, procurando a fonte do barulho.
- Não sei, mas acho melhor irmos ver – disse Harry.
- Vamos! – exclamou Remo e eles saíram correndo. Quanto mais se aproximavam do centro do Beco, mais viam as pessoas correndo de lá.
- Estamos perto – disse Tiago.
Quando chegaram ao centro, viram várias pessoas encapuzadas e a destruição visível que tinham acabado de causar.
- Comensais – murmurou Harry, para si mesmo.
- Onde será que estão as meninas?- perguntou Remo, preocupado.
- Espero que não tenham vindo para cá quando escutaram o estrondo – falou Sirius, com a voz temerosa.
- Errado, Almofadinhas elas vieram – disse Tiago, apontando para o outro lado da rua, onde as quatro e Hagrid estavam, com expressões preocupadas e, a delas, brancas.
A cada minuto, mais e mais comensais apareciam e cercavam-nos por todos os cantos. Tiago tentou correr até Hagrid e as quatro, mas foi barrado por um feitiço, lançado por um dos encapuzados. Ele caiu no chão, mas logo se reergueu, com a varinha em punho.
- Não podem lutar contra nós, estamos em maior quantidade, não sabe contar, Potter? – disse um deles, com desdém, e Tiago imediatamente reconheceu o autor daquela voz.
- Ranhoso – disse ele, com desprezo.
- Então, Potter, sabe contar? – repetiu ele, retirando o capuz, com um sorrisinho malévolo no rosto.
- Diferente de você, eu sei sim, Ranhoso – respondeu o garoto.
- Não. Ouse. Me. Insultar! – exclamou Snape, pausadamente, ficando vermelho de raiva.
- Ah... – começou Tiago. – Vejo que não fica mais colorido quando está com raiva. Acho que foi assim que eu o deixei da última vez.
- Vai se arrepender de ter dito isso, Potter! – gritou Snape, lívido de fúria.
- Quantas vezes já me disse isso e nunca fez nada? – questionou Tiago, fingindo tentar se lembrar de algo.
- Não se descontrole, o Lorde das Trevas quer que tudo saia certo, não podemos errar – disse outra voz, ao lado de Snape.
- Ah, está aqui também, é, Malfoy? – falou Sirius, se postando ao lado de Tiago, também com a varinha erguida. – Veio fazer o que, Malfoy, ajudar seu amiguinho?
- Ora, ora, você está sendo muito ousado, Black, meça suas palavras se não quer que acabemos com você e seus amiguinhos antes que possa dizer mais uma palavra – disse Malfoy, lentamente, retirando o capuz.
- Não me venha com ameaças, sabem que não podem fazer nada, daqui a pouco os aurores já estarão aqui – disse Tiago.
- Vai descobrir que, assim como posso fazer algo agora, Potter – começou Snape. – Já fiz.
- Como assim já fez? – perguntou Tiago, confuso, enquanto se aproximava lentamente de Hagrid, que resolvera não atacar e ficar apenas protegendo as meninas, caso algum deles resolvesse lançar feitiços.
- Vejo que meu plano deu muito certo – falou ele, com um sorrisinho que não agradava Tiago nem um pouco.
- Não vejo nenhum plano seu que teve sucesso até agora – disse Tiago, tentando distraí-los, enquanto andava vagarosamente até o resto do grupo.
- Ah, mas eu sei que deu, senão não estaria sozinho, agora – respondeu Snape.
- Você não fala coisa com coisa – disse Tiago, ainda sem entender absolutamente nada.
- Meu plano foi tão com que você nem percebeu que foi um plano... Ainda deve estar pensando que foi um simples acontecimento que te atrapalhou...
- Seja direto, Ranhoso, pare de ficar enrolando! – exclamou Sirius, cansado de ficar naquele joguinho.
- Sabe... – começou Snape, que parecia estar gostando da situação. – Separá-la de você foi tão fácil...
Tiago, de repente, entendeu o que ele queria dizer com isso. Sua respiração se tornou mais rápida e ele ficou vermelho de raiva, apertando o punho da varinha com mais força.
- Foi você! – exclamou ele, dessa vez andando mais rápido, sem se importar em ter cuidado. – VOCÊ FOI O RESPONSÁVEL!
- Quê? – perguntaram as meninas, uma para a outra, completamente confusas. O mesmo acontecia com os meninos.
- Só agora a ficha caiu, Potter? – indagou Snape, dando um risinho desdenhoso.
- SEU IMPRESTÁVEL! VOCÊ ME SEPAROU DA LILY! VOCÊ MANDOU AQUELA GAROTA ME BEIJAR QUANDO ELA ESTIVESSE ENTRANDO NO SALÃO! VOCÊ ME PAGA! - gritou Tiago, mais alto ainda.
- Finalmente entendeu, não é, Potter? – disse Snape. Provavelmente não percebera que Lílian estava presente, mas escondida por Hagrid. – Agora que ela te odeia novamente, o caminho está livre para mim.
- Não tenha tanta certeza disso! – exclamou Sirius. – Não deixaremos você sair daqui hoje.
- E como farão isso, Black? Estamos em maior número – repetiu Snape.
- Quantidade não é qualidade, Ranhoso – falou Sirius, com um sorrisinho no rosto.
- É o que veremos! – exclamou Snape, se virando para os comensais e fazendo um sinal de afirmação com a cabeça. No momento seguinte, eles começaram a atacar. Cada um saiu correndo para um lado e somente dez deles ficaram ali, duelando com eles.
Hagrid lutava com dois e os outros, com um cada um. Tiago com Snape e Sirius com Malfoy.
- É o máximo que pode fazer, Ranhoso? – perguntou Tiago, se desviando de todos os feitiços. – Assim não passará nem em um teste de mira! E nunca vai conseguir me acertar!
- Seu... – começou Snape, mas parou de falar para se conseguir se desviar de um feitiço.
- Fale, fale bastante, Ranhoso, assim a Lily pode saber, pela sua boca, de tudo o que você fez! – exclamou Tiago.
- O quê? – perguntou Snape, olhando para os lados e viu Lílian duelando com um dos comensais. – Eu não sabia...
- Que ela estava aqui? – terminou Tiago, interrompendo-o. – Percebi. E isso foi ótimo, senão não teria contado como fez para me separar dela. Agora, ela sabe que foi você!
Eles voltaram a duelar sem dizer mais nada, Tiago lançava um feitiço atrás do outro e Snape, na maioria das vezes, apenas desviava.
Os comensais que saíram correndo pelo Beco Diagonal retornaram e agora a luta estava desigual. Eles cercaram todos, que, juntos, ao centro, pararam de atacar, assim como os comensais.
Tiago estava achando tudo aquilo muito estranho. Por que os comensais parariam de atacar? Só fariam isso por ordem de...
- Voldemort – murmurou ele e, no instante seguinte, Voldemort aparatou em frente a eles.
- Olha o que temos aqui... – disse ele, calmamente, caminhando até os garotos.
- Não se atreva... – começou Hagrid, se colocando à frente deles.
- Já o derrotei uma vez, Hagrid, se lembra? Não tente lutar comigo, sabe que vai perder – falou Voldemort, calmamente.
- Não me derrotou, mentiu para se salvar, isso sim. Mentiu! – exclamou Hagrid, parecendo furioso. Com um movimento rápido, Voldemort deixou Hagrid inconsciente. Provavelmente usara um feitiço muito poderoso, para causar aquele efeito em um meio gigante.
- Olha só o que temo aqui. Potter, nos encontramos de novo, então – continuou Voldemort, como se não tivesse sido interrompido.
Tiago não agüentava mais, tinha que extravasar sua raiva e, se fosse assim, que fosse com Voldemort. Sem dizer nada, ele começou a atacar.
- Você é um imprestável, assim como todos os seus seguidores de meia tigela! – gritou Tiago, furioso com todos eles, principalmente Snape.
- Olha só como fala, Potter, posso decidir te calar para sempre agora mesmo – disse Voldemort. – Vamos ver o que você quer que eu faça. Crucio! – lançou a maldição em Tiago, que caiu se contorcendo no chão frio de pedra do Beco.
Nunca sentira tanta dor na vida. Perdeu os sentidos, seus ossos pareciam estar em chamas, não conseguia mais enxergar nada, estava prestes a morrer de dor quando a maldição cessou.
Alguém puxou-o para um canto, ele não conseguiu ver quem era.
- Tiago, você está bem? – perguntou alguém, bem perto dele. Com um pouco de dificuldade, ele abriu os olhos e viu que Lílian estava ali, com os olhos cheios de lágrimas. Ele apenas sorriu e tentou se levantar.
- Por que... – começou ele, dolorido. – Pararam de atacar?
- Todos combinaram de atacar Voldemort ao mesmo tempo, preciso te tirar daqui – explicou ela, tentando pensar num modo de fazer aquilo.
- Não, se sairmos, eles estarão em uma desvantagem pior ainda – disse Tiago, se pondo de pé com muita dificuldade.
- Mas você não está em condições de fazer nada!
- Tenho que fazer – disse ele, caminhando lentamente até onde os amigos tentavam enfeitiçar Voldemort, sem sucesso.
- Vocês são idiotas! – exclamou Voldemort. – Não podem me vencer! – terminou, fazendo sinais para os comensais, que os encurralaram novamente. – Ora, conseguiu se levantar, Potter? Aprecio sua força de vontade, mas ela não ajudará muito agora. Crucio! – disse ele e Tiago foi derrubado por uma nova onda de dor.
Voldemort parecia estar se divertindo muito com tudo. Ele parou a maldição a Tiago apenas se virou, ainda deitado no chão, muito fraco.
- E quem é que disse isso? – perguntou Harry, se colocando à frente do pai, que estava inconsciente no chão. Tentava mantê-lo falando, enquanto tentava passar o que estava pensando para seus amigos. Conseguiu avisar Sirius, que, discretamente, passou o recado para os outros.
- Eu digo – continuou Voldemort, que não havia percebido essa comunicação entre eles. – E acredite em mim, não irão muito longe desse jeito. Podem se render e se juntar a mim, então, não os matarei. Caso contrário, diga adeus a todos.
- Eu escolho... JÁ!!! – gritou Harry e todos lançaram feitiços e Sirius, que estava com uma bomba de bosta, lançou-a para o alto, provocando uma grande fumaça. Nisso, eles foram rapidamente até Hagrid, que estava ao lado das sacolas. Harry e Remo carregaram Tiago.
Lílian segurou no braço de Hagrid e pegou algumas das sacolas. Sirius lançou outra bomba de bosta e pegou mais algumas sacolas, enquanto Harry aparatava com Tiago, Lílian com Hagrid e os outros, cada um por si e com o resto das sacolas.
Apareceram em frente à mansão dos Potter. Remo fez um feitiço de levitação para carregar Hagrid para dentro e Tiago foi levado por Harry e Sirius.
Ao entrarem na mansão, Nina veio correndo até eles e ajudou-os a levar Tiago para seu quarto, com Harry e Sirius atrás, e colocaram Hagrid no sofá. Depois disso, Remo subiu para ver como estava seu amigo.
Hagrid acordou rapidamente e, ainda pensando que estava no meio da luta, empunhou seu guarda-chuva e começou a procurar pelos comensais, só depois percebendo que não corriam mais perigo.
- Desculpem, mas achei que ainda estávamos no Beco Diagonal... – disse Hagrid, meio sem graça.
- Tudo bem, entendemos – respondeu Gina.
- Então, como fizeram para sairmos de lá? – perguntou ele. – É que eu estava inconsciente, sabe... Maldito Voldemort!
- Aparatando – respondeu Kely.
- Certo... – falou ele, e seu olhar pousou nas sacolas. Ele ergueu uma sobrancelha e continuou. – E ainda conseguiram trazer todas as sacolas?
- Sim – respondeu Clara. – Sirius e Harry aparataram com Tiago, Lílian, com você, e como nós estávamos com as mãos livres, as trouxemos também.
- Obrigado, Lílian – agradeceu Hagrid, olhando para a ruiva, mas ela estava no sofá, absorta em seus pensamentos, olhando para o chão, mas sem realmente vê-lo.
- Lily? – chamou Kely, olhando para a amiga, mas ela não respondeu.
- O que deu nela? – perguntou Hagrid.
- Deve estar pensando no que o Snape disse hoje... – falou Gina.
- E em tudo o que aconteceu com o Tiago – completou Kely e Lily, ao ouvir o nome dele, despertou.
- Vou até lá em cima – avisou ela, se pondo de pé e subindo as escadas rapidamente.
- Só quero ver agora o que vai dar – disse Clara.
- Por quê? – perguntou Hagrid, confuso, pois não estava entendendo nada.
- A Lily viu o Tiago beijando outra garota há quase dois meses – começou Gina.
- Mas ninguém sabia que tinha sido um plano do Snape para separá-los – continuou Kely.
- E agora que todos já sabem... – terminou Clara.
- Entendo – disse Hagrid. – Só espero que esses dois se entendam.
- Todos nós esperamos isso – falou Sirius, entrando na sala, com Harry e Remo.
- A Lily acabou de entrar e nós descemos para deixá-la com ele – disse Harry.
- E como ele está? – perguntou Kely, abraçando o namorado.
- Ainda inconsciente – respondeu Remo, se largando no sofá e sendo seguido por todos.
- E vocês, como estão? – questionou Sirius.
- Com alguns arranhões, mas bem – respondeu Kely, sorrindo.
- Que bom que estão todos bem – falou Hagrid, sorrindo. – E eu, já vou indo, tenho que falar com Dumbledore.
- Está bem, tchau, Hagrid – disseram todos. Hagrid fez um aceno com sua enorme mão e saiu da mansão. Na rua, aparatou.
- Alguém sabe por que ele tem tanta raiva do Voldemort? – indagou Clara, olhando um por um.
- Será pelo mesmo motivo de todos nós? – respondeu Sirius, como se fosse óbvio.
- Não por isso – falou Clara. – Lembra quando Voldemort disse que já tinha derrotado Hagrid uma vez e Hagrid respondeu que não havia sido derrotado, que Voldemort mentiu para se salvar?
- Eu também queria saber o porquê disso – disse Remo, pensativo.
- Eu sei – respondeu Harry e todos os olhares se viraram para o garoto.
- Como é que você pode saber tanto? – questionou Sirius, fazendo-o rir.
- Então, conte para a gente – pediu Clara.
- Só peço que não comentem isso com ninguém, ninguém mesmo, isso não pode vazar – pediu Harry. – É uma informação importante.
- Prometemos que não vamos contar – disse Sirius, sincero.
- Está bem – falou Harry e respirou fundo antes de começar a contar a história. – Quando eu estava no segundo ano, encontrei o diário de Tom Riddle, que, na verdade, era uma Horcrux. Quando perguntei sobre a Câmara Secreta, ele respondeu que não poderia me falar, mas poderia mostrar. Então, não sei o que aconteceu, eu meio que entrei no diário, na lembrança dele.
- Continue! – pediu Sirius, interessado na história.
- Ele me mostrou que havia denunciado Hagrid de ter aberto a Câmara Secreta, mas, na verdade, o próprio Voldemort é quem tinha aberto. É por isso que ele disse que Voldemort tinha mentido – explicou Harry.
- Agora eu entendo – falou Clara.
**
Lily subiu as escadas e foi até seu quarto, antes de ir para o de Tiago. Sentou-se na cama e ficou ali por algum tempo, apenas pensando...
Passados alguns minutos, saiu do quarto e entrou no do maroto. Seguiu até sua cama e sentou ao lado dele, que estava inconsciente. Segurou sua mão e deixou algumas lágrimas correrem pelo seu rosto.
- Por quê? Me diga por que tudo isso aconteceu! – disse ela, com a voz chorosa.
Ela ficou ali, sentada ao lado de Tiago por um longo tempo. O sol já estava se pondo, e seus últimos raios lançaram sobre as nuvens uma luz alaranjada e rosa, misturado com dourado. Logo o negrume aveludado tomou conta do céu e alguns pontinhos brilhavam sobre ele e a lua crescente encoberta pelas nuvens.
- É exatamente assim que eu me sinto – disse ela, observando o céu. – O que me dava vida, meu sol, se apagou dentro de mim, e a escuridão tomou conta, apenas com um ou dois pintinhos de claridade que não conseguem iluminar minha alma. Te acusei de ter me traído por todo esse tempo, e agora que sei a verdade, não tenho a mínima idéia do que fazer – completou, passando a observar o garoto.
- Então, deixe que eu volte a iluminar a sua vida – disse Tiago, com a voz fraca, abrindo os olhos, mas ainda assim, sorria.
- Você está bem? – perguntou a ruiva, preocupada.
- Com você ao meu lado, bem melhor – falou, e Lily sorriu.
- Fico tão feliz que nada de grave tenha acontecido – disse ela, não agüentando mais e abraçou Tiago, voltando a chorar.
- Agora sabe que eu nunca te traí, nunca fiz nada para te magoar.
- Sim, e me culpo por não ter percebido isso antes.
- A culpa não é sua. Acho que qualquer pessoa faria isso. O importante é que a verdade foi revelada. Nem eu sabia que era um plano, só pensava que ela tinha feito aquilo por fazer.
- E eu, que você tinha me traído. Se não tivesse vindo para cá, ainda não saberia a verdade...
- Esqueça isso, agora sabe, e isso é o que importa para mim e mais nada – disse ele, levantando a cabeça da ruiva e olhando profundamente em seus olhos verdes, ainda marejados.
- Certo – respondeu ela, sorrindo.
- Sabia que você fica linda quando sorri? – disse ele, sorrindo também. Ela voltou a se sentar e Tiago fez o mesmo.
- Acho melhor ficar deitado, ainda está fraco – sugeriu Lílian.
- Só de olhar para você, minhas forças voltam! – falou Tiago, ficando em pé com um pouco de dificuldade, mas ainda sim, conseguiu. Foi, então até a varanda, onde uma brisa fria soprava e a ruiva o seguiu.
- Não acha melhor ficar lá dentro? Aqui está frio.
- Nem o frio, nem a chuva e nem a neve fazem efeito sobre mim, quando eu estou perto de você – disse Tiago, se aproximando lentamente dela. Nenhum dos dois desviava o olhar. Tiago passou a mão pela cintura da ruiva e puxou-a mais para perto de si. Com a outra mão, acariciou sua face delicada. – Eu te amo, por favor, nunca mais duvide disso.
- Não vou – disse ela, sorrindo. Ele beijou-a docemente. Lily passou suas mãos pelo pescoço do rapaz e abriu passagem para ele aprofundar o beijo.
As nuvens saíram da frente da lua, e sua luz iluminou os dois. Agora, nem a brisa fria da noite incomodava Lily, pois ela estava no lugar de onde nunca teria saído, se não fosse por Snape: no coração de Tiago.
Se beijaram por um longo tempo, e, quando se separaram, ainda abraçados, estavam ofegantes, mas sorridentes.
- Está vendo? – disse Tiago, rindo. – A luz da lua nos iluminou, mostrando que as nuvens, as sombras, podem acabar e sua alma iluminar! Te amo mil vezes! Mil não, um milhão!
Ele a puxou para um novo beijo e rodou-a no ar. Colocou-a de volta no chão e se afastaram ligeiramente.
- Também te amo – disse ela, com sua testa encostada na dele.
- Eu disse que, ao seu lado minhas forças voltam. E não estava mentindo!
- Estou percebendo! – disse ela, sorrindo, mas logo o sorriso se fechou e ela abaixou os olhos.
- Qual o problema? – perguntou Tiago, levantando delicadamente o rosto da ruiva, fazendo-a olhar para ele.
- É que... Eu tenho que pedir desculpas a você. Todo esse tempo esteve certo, e eu gritei, briguei com você injustamente. Nada disso foi certo, eu devia ter acreditado no que dizia, mas... – Tiago silenciou-a, colocando um dedo sobre seus lábios.
- Esqueça isso. É passado. O que importa agora é que tudo foi resolvido – e, terminando de falar, beijou-a rapidamente, impedindo que Lily continuasse.
- Vamos descer? Todos ainda devem estar pensando que você está inconsciente.
- Espere só mais um minuto... – respondeu Tiago, com um sorriso maroto no rosto.
- O que pretende, senhor Potter? – perguntou e ruiva, fingindo estar desconfiada.
- Espere e verá! – respondeu Tiago, com tudo pronto na cabeça.
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N/a: Aí está o capítulo trinta e cinco, espero que tenham gostado dele XD Finalmente, não!? A Lily viu que o Tiago nunca a traiu nem mentiu pra ela! E o Snape foi o responsável, afinal, pela separação dos dois... E agora, o que será que a Lily vai fazer??
AnnaWeasley: que bom que gostou do capítulo XD Tem uma fic parecida sim, eu até já li rsrs Eu gostei bastante do filme HP6, mas achei que faltou coisa... não sei explicar direito... Beijoss e obrigada pelo review!
deny weasley: fico feliz que esteja gostando da fic XD uahsuahsu era o Snape sim, a voz que o Tiago reconheceu. Eu também esperava mais do romance deles... achei que o beijo foi muito fraco =( Beijoss e obrigada pelo review!
Love's Poison: Que legal você estar escrevendo uma fic!!! Começou há pouco tempo ou já está no fim? Você está postando aqui no ? Eu posso ver se consigo colocar um pouco mais de H/G, mas como a fanfic já está completa, acho meio difícil... se der, eu ponho ;) Beijos e obrigada pelo review!
Carolzynha LF: De nada =) rsrs finalmente, não!? O fim do desentendimento da Lily com o Tiago... Bem a tempo! Mais um pouco e ele ia acabar surdo uahsuahsuh Beijos e obrigada pelo review!
Janne Potter: Já que gostou, vou começar a colocar um pedacinho do próximo capítulo no final, sempre, ok ;) o.õ o Pedro? Ele nem me passou pela cabeça... rsrs Beijos e obrigada pelo review!
Gláuce Volpi (Gauccy): Seja bem-vinda!!! rsrs quem não gosta de férias!? Sim, dá muita vontade de matar aquela garota, mas dá mais vontade ainda de matar o Snape, o responsável pela separação! Pelo menos ele reparou o dano que causou (antes tarde do que nunca), já que não tinha visto a Lily ali =) haushuahs sua amiga é pior que o Sirius pra aparecer na hora errada ou se iguala a ele? O jogo de quadribol está um pouco mais pra frente =) Beijos e obrigada pelo review!
Arasuk: Bem-vinda! E obrigada!!! Fico feliz que goste da fic e do shipper T/L (o meu favorito *-*) Espero que tenha gostado desse capítulo também! Beijoss e obrigada pelo review!
Leeh: rsrs cabeça-dura? Quem? õ.o Eu esperava mais do filme... principalmente do romance do Harry e da Gina, e você? Beijoss e obrigada pelos reviews!
Amanda: essa quinta, hoje XD Quando eu demoro mais de uma semana para postar, eu aviso a data, não só o dia, e geralmente é porque viajo =) Beijoss!
Obrigada por lerem e comentarem, fizeram uma autora feliz!
Um pedacinho do capítulo 36 "A árvore de natal":
"- Pensei que depois do que o Snape disse, iam se entender – falou Clara.
- Pois é, mas não é o que aconteceu – respondeu Tiago secamente.
- Mas... – começou Remo, confuso.
- Mais nada, o Snape bolou um plano para nos separar, sim, acredito nisso, mas quem garante que ele não gostou do beijo da menina, ou ficou com outra antes? – falou Lily, nervosa.
- Ah, Lily, vai continuar com essa história? – indagou Kely, suspirando.
- Vou sim, e ninguém vai me fazer pensar o contrário! – exclamou Lílian, ficando vermelha.
- Ah, Lily, não faça isso de novo! – pediu Gina."
Beijoss!
