O cheiro de café e pães de queijo invadia meu quarto naquela manhã. Levantei-me agradecida por Carla ter preparado nosso café e prendi meu cabelo em rabo de cavalo. A noite ontem tinha sido bem longa e não tive tempo de comer nada durante os momentos em que permaneci dentro do barzinho.

- Bom dia! – cumprimentei minha colega de quarto.

- Bom dia Bella. Dormiu bem? – perguntou com um sorriso no rosto.

- Nossa, dormi que nem uma pedra. Que horas são? Ainda estou muito cansada. – perguntei ao bocejar.

- São dez horas da manhã, como você ainda pode estar cansada?

- Ah deve ser fuso horário. – sentei-me no balcão enquanto Carla colocava a cestinha com pães de queijo e a garrafa de café em cima deste.

- Humm que delícia. Você fez ou comprou?

- Eu quem fiz. Gostoso né?

- Muito.

Quase no exato momento em que respondi, comecei a me sentir enjoada e um pouco tonta. Levantei e corri em direção ao banheiro com medo de não chegar a tempo. Fiquei durante uns quinze minutos vomitando e ao terminar sentei encostada na parede, vai que eu sentisse vontade de vomitar de novo?

- É a primeira vez que alguém vomita com meus pães de queijo. – falou em um tom chateado.

- Não se preocupe Carla, não foi a comida. Sempre que estou para menstruar eu sinto enjôos alguns dias antes.

- Eu sei como é, tem vezes que sinto uma cólica tão forte que quaaase chega a me dar enjôo.

- Então, viu? Sua comida é maravilhosa! – falei com um sorriso no rosto.

- Bom, estarei no meu quarto. Tenho que começar a ler alguns livros para nosso curso.

- Ok.

E então como se fosse um raio, um pensamento me atingiu. Quando foi minha última menstruação? Corri até meu quarto e peguei minha agenda onde marcava as datas do meu ciclo e fazia exatamente dois meses que eu não menstruava. Droga! Esqueci que tinha parado de tomar anticoncepcional quando passei aqueles dias em Forks. O desespero tomou ainda mais conta de mim quando percebi que mesmo depois de visitar meus pais eu não tinha voltado a tomar o remédio e tinha feito sexo com Edward sem camisinha, por várias vezes. Que merdaaaa! Sem querer perturbar muito minha companheira, bati em sua porta e avisei que iria até a farmácia.

- Você ainda está passando mal Bella?

- Na verdade não, mas preciso comprar um treco lá... – ela me olhou um pouco preocupada.

- Que "treco"?

- Um... um tes-teste de gravidez!

- Como assim??

- Looonga história. Por agora só preciso comprar esse teste e dependendo do resultado, tudo vai mudar. – meus olhos já estavam cheios de lágrimas.

- Você quer que eu vá contigo?

- Não precisa Carla. Tenho que fazer isso sozinha. – fechei a porta do quarto e do dormitório.

E se eu realmente estivesse grávida? Fato era que meus pais me matariam, sempre foram muito conservadores. O que mais me preocupava no momento era como falar isso para Edward... Ou será que seria melhor nem falar nada? Se ele já tinha reagido daquela maneira comigo por conta dessa viagem, imagine como iria reagir ao saber que seria pai? E será que eu tenho condições de educar uma criança? Eu ainda sou muito nova, por outro lado abortar estava fora de cogitação!

Entrei na farmácia e me dirigi ao vendedor e perguntei onde se encontravam os testes de gravidez. Na real, não tinha por que me sentir constrangida, afinal, a merda estava feita!

Comprei três testes de marcas diferentes, apenas para ter certeza, e me tranquei no banheiro do dormitório.

Após longos 20 minutos de pura tensão, coloquei minha cabeça nas mãos e junto com as lágrimas que já escorriam pelo meu rosto, me perguntei: "O que eu vou fazer agora?" Todos os exames tinham dado positivos, mas por serem de farmácia resolvi marcar um exame de sangue apenas para ter certeza.

*

*

Com o resultado em mãos e depois de lê-lo, resolvi ligar para Zena. Eu estava desesperada! No terceiro toque Paul atendeu.

- Oi Paul, é a Bella. A Zena está aí? – minha voz estava embargada devido ao meu choro.

- Bella está tudo bem?

- Não... Quer dizer, não sei. Preciso falar com a Zê.

- Tudo bem espera só um pouco que vou chamá-la. – após dois minutos de espera ela atendeu.

- Srta. Isabella Marie, por que você está chorando? – perguntou em um tom brincalhão e autoritário ao mesmo tempo. Resolvi falar de uma vez antes que eu perdesse a coragem.

- Estou grávida...

- ... – acho que ela estava em tanto choque quanto eu.

- Alô?

- O-o que vo-você disse Bella?

- Eu estou grávida Zena.

- Você tem certeza disso?

- Bom, se por certeza você quer dizer três diferentes testes de farmácia e um exame de sangue, então sim. Tenho certeza.

- E você sabe quem é o pai?

- ZENA! Você sabe que eu só transei com uma pessoa até hoje...

- Edward... – ela disse como se tivesse descoberto o mundo.

- É óbvio.

- Bella você precisa contar pra ele.

- Eu sei disso amiga, mas não estou com cabeça para conversar com ele agora. De qualquer forma eu tenho que ir, mas me PROMETA que você não vai contar pra ele tudo bem?

- Bella seja razoável, ele precisa saber disso.

- EU SEI ZENA. Mas não vou falar pra ele agora. Ainda tenho que ver o que EU vou fazer com meu estado.

- Tudo bem. Eu prometo não falar nada a ele, mas me prometa que você conversará com ele. O cara está extremamente deprimido sem notícias suas. Vive ligando aqui em casa e perguntando sobre você.

- Ok, Zê. Assim que eu me resolver eu conto a ele ok?

- Ok.

- Bom tenho que ir agora. Beijos.

- Beijos e fique bem Bells, não se desespere, vai dar tudo certo.

- Coooom certeza. – falei no meu tom mais irônico e desliguei o telefone.

Deitei no sofá da sala e fiquei tentando encontrar formas de como dizer a ele que seria pai. Até onde eu sabia não estávamos mais juntos. Mãe solteira? Rá meus pais vão me matar! A idéia de ser mãe ao mesmo tempo em que me assustava, trazia um sentimento que não conseguia decifrar... Felicidade, talvez? Sempre tive vontade de ter uma família, mas não esperava que fosse tão cedo. E apesar de estar completamente magoada com o rumo que minha estória com Edward tinha tomado, eu estava decidida: teria meu filho ou filha e o criaria com todo o amor do mundo.

- E então, pegou o resultado do exame? – Carla apareceu na sala e sentou-se ao meu lado.

- Vou ser mãe...

- E como você vai fazer em relação ao pai?

- Ainda não sei Cá, mas preciso contar a ele. Independente de sua reação eu vou ter essa criança.

- Você é forte e corajosa Bella. Tenho certeza que as coisas darão certo.

- Obrigada, Carla. – lágrimas começaram a escorrer pelos meus olhos.