Lock 36: Céu sem Lua
Quando Hikaru surgiu na frente de todos na casa de Akira, um clima de surpresa invadiu o local, especialmente por parte da médica que não entendeu nada com coisa nenhuma. Sem dizer nada, a entidade dirigiu-se até o quarto onde o Príncipe estava em coma. Ele apenas encarou o homem inerte por alguns segundos antes de se pronunciar...
- Ah Takatora... Por que insiste em se sacrificar sozinho? Está na hora de parar. Você já sofreu demais. – Comentou.
Akira, Yuuto e Shinji ficaram ainda mais surpresos após esta breve frase de Hikaru e Akira estava explodindo de curiosidade. Primeiro ela via Takatora em coma numa cama e bem à frente dele havia outro homem idêntico a ele, de pé, que apareceu de dentro de uma luz brilhante. O homem possuía cabelos negros e compridos com uma espécie de mecha prateada que seguia da parte de baixo da nuca por todo o comprimento do cabelo que chegava até um pouco abaixo dos ombros. Os olhos prateados também chamavam a atenção e até a voz dele era idêntica. Kazuraba Akira precisava muito de respostas naquele momento, e foi isso mesmo que ela cobrou.
- Alguém poderia me explicar o que está acontecendo? Por que este homem é igualzinho ao Chefe Kureshima? – Ela fez a pergunta inevitável.
- Isso é algo que todos querem saber também. Por favor, Hikaru, diga-nos com clareza quem é você na realidade. – Yuuto pediu.
- A minha existência sempre foi mantida em segredo de todos vocês por que assim o Soberano da Lua determinou, mas dadas as circunstâncias, sinto-me no dever de dizer algumas coisas. – Explicou a entidade.
- Prossiga. Adoraríamos saber. Se você puder ajudar, por favor ajude. Se as coisas continuarem assim, este mundo irá desaparecer. – Shinji disse preocupado.
- A resposta é simples. Eu sou o espírito ancestral do primeiro Soberano da Lua. Este corpo que vocês veem naquela cama se trata da minha forma humana. Em outras palavras, Kureshima Takatora é a minha reencarnação. Os poderes mentais dele são verdadeiramente incríveis. Ele sabia o quanto a ameaça por parte dos Sonozaki era perigosa desde o ocorrido na Lua, por isso ele usou seu próprio poder mental para separar a mim, seu espírito, de sua própria mente e viver como um humano. Para que vocês entendam melhor, nós dois na verdade somos um só. – Revelou.
As palavras de Hikaru caíram como uma bomba na cabeça de todos. Foi chocante. Naquele momento, a pergunta que todos se faziam era óbvia: o que seria do destino da Terra e da Lua?
- Agora eu entendo muitas coisas. Por isso seus grandes poderes, por isso a incrível semelhança física. Mas diga-nos uma coisa, sua Majestade Hikaru, pode fazer algo para curar o Takatora para que possamos salvar este mundo? – Yuuto questionou sentindo um fio de esperança.
- Eu posso, mas não posso. – Respondeu direto.
- Como assim? Eu não entendi. – Akira fez um comentário óbvio.
- A maneira mais rápida e eficaz seria que eu me unisse ao Takatora para voltarmos a sermos um, mas há um pequeno problema... Apesar da mente do Takatora ser muito forte, ela foi corrompida pelo poder maligno de Sonozaki Wakana. Isso aconteceu por que nos separamos. Takatora fez isso de proposito, pois já calculava que algo parecido fosse acontecer. Para me proteger, ele se separou de mim e com isso a mente dele ficou vulnerável. Depois que ele voltou ao normal, seu irmão tentou matá-lo e ele entrou neste coma. É precisamente este estado do lado humano dele que está me impedindo de agir. Eu não poderei me unir com ele a menos que ele melhore.
- Não pode ser! Então voltamos à estaca zero! Quem irá sucumbir primeiro? Eu, o Takatora ou a Terra? – Shinji disse, deixando todos desolados.
- Eu lamento por você, Ryuki. Sei que está se esforçando muito, mas no momento, dependemos da força de vontade da mente do Takatora para que ele volte ao normal. Só nos resta rezar e ter fé nele antes que seja tarde demais.
- Não está me dizendo nada. Não muda o fato de que apenas devemos esperar o momento do fim. – Rebateu o Ryuki, desolado.
Yuuto e Akira se olharam com tristeza por Shinji e Takatora. A tristeza deles era inevitável. Hikaru desapareceu em uma redoma de luz do mesmo jeito que havia aparecido e a Shinji e Yuuto só restou voltarem à mansão Kureshima, deixando que Takatora continuasse aos cuidados de Akira, mas não sem antes Shinji colocasse a médica contra a parede na frente de Yuuto.
- Antes de irmos, quero que me responda algo muito importante, Akira. – Ele confrontou.
- E o que seria, senhor? – Ela perguntou curiosa.
- Irei direto ao ponto. O que aconteceu entre você e o Takatora? – Questionou direto.
- Como assim Shinji? Do que você está falando? – Yuuto perguntou sem entender.
- Algo muito sério. Acha que eu não percebi? Sua atitude ultrapassa completamente um empenho de médica e paciente. É algo muito maior. Aconteceu alguma coisa entre vocês antes do Takatora entrar em coma novamente? Por favor, diga a verdade. As consequências podem ser muito mais sérias se não soubermos a verdade. – Pediu.
- Shinji-san... você tem razão. A verdade é que... o Chefe Kureshima e eu... ficamos juntos. – Ela revelou aos prantos.
- Eu sabia. Foi a primeira coisa que eu tinha te avisado e você faz tudo ao contrário. – Disse o Ryuki decepcionado.
- Eu sinto muito, mas acabou acontecendo. Por um momento eu perdi a sanidade e acabei não resistindo. – A médica revelou envergonhada.
- Mas esse Takatora hein... – Yuuto disse divertido. – Todas as mulheres bonitas caem na cama dele. Eu queria que ele me ensinasse a técnica. – Disse sorrindo.
- Estou impressionado em ver como conseguiu fazer piadas numa hora dessa. – Shinji comentou indignado.
- Me perdoem. Eu realmente me arrependo pelo que fiz. Eu me sinto uma aproveitadora. A culpa foi toda minha.
- Ora, então você foi a tarada? Poderíamos marcar um encontro. Que tal? – O Zeronos perguntou cínico.
- Já chega de besteiras. Yuuto, vamos embora. – Disse o Ryuki, ao arrastar o Zeronos para fora da casa, deixando Akira sozinha com seu arrependimento.
- E agora Shinji? O que faremos com relação à Akira? – Perguntou.
- "O que faremos?" O que você vai fazer, isso sim. – Rebateu.
- Ah tá. E segundo você, o que eu devo fazer?
- E não é óbvio? Você precisa apagar a memória de Kazuraba Akira para que ela não se lembre do que houve entre ela e o Takatora.
- Mas claro. Como eu não pensei nisso antes? Você é loiro, mas não é burro. Resolveria o problema. Mas e o Takatora? Será que ele irá se lembrar do que houve?
- O único jeito é apagar esta lembrança da mente dele também.
- Imaginei que diria isso. Vamos embora. – Yuuto disse ao irem para a mansão.
Ren estava na rua fazendo um patrulhamento de rotina quando foi informado do acontecido na torre da Yggdrasill. O Go-on Blue entrou no carro e saiu em disparada para lá, e encontrou Ryuuji muito ferido.
- Ryuuji-senpai! É verdade o que me informaram pelo Go-phone? Kureshima Mitsuzane fugiu daqui? – Ren perguntou ao socorrer o amigo.
- Será que o meu atual estado e a destruição deste lugar já não falam por si? – Respondeu com outra pergunta.
- Droga! Isso é um problema enorme. Não se preocupe Senpai, eu vou curá-lo. – Disse o gênio, e rapidamente ele posicionou suas mãos acima do corpo de Ryuuji, fazendo com que uma belíssima energia azul brilhante tomasse conta do lugar e os olhos azuis de Ren brilhavam como pedras preciosas. Não demorou muito para que o Blue Buster estivesse completamente recuperado.
- Ren... – Ryuuji hesitou por alguns instantes ao pensar em algo ruim.
- O que foi, Senpai?
- Se aquele demônio do Mitsuzane fugiu daqui com a ajuda da Wakana-hime... é óbvio que ele foi atrás da Princesa Hana. – Ryuuji concluiu assertivamente.
- Minha irmã! – Ren exclamou, ao mesmo tempo em que ambos corriam em direção ao carro.
Após Wakana libertar Mitsuzane de onde estava, foi a vez de Saeko agir e ir atrás de Raito. Bem ou mal ela quis aproveitar para tentar ver Ren e falar com ele. Raito e Akiko só foram perceber que Hana havia sido levada por causa dos gritos de Akatsuki. Enquanto ambos discutiam na sala e Raito tentava fazer Akiko parar de berrar quase na porrada, eles foram surpreendidos pela chegada da Sonozaki mais velha, que sem cerimônia alguma invadiu a mansão. O gênio levou um susto e Akiko quase caiu por cima de uma das cadeiras que adornava o canto da sala.
- Saeko-onee-san? O que faz aqui? – Perguntou surpreso.
- Vim fazer uma visita social ao meu adorado irmão mais novo. E não é obvio? Chegou a hora de você vir conosco. Já adiamos isso por muito tempo, mas seu lugar é junto aos seus familiares. – Disse cínica.
- Familiares? Não me faça rir. Vocês não sabem o significado de uma família. A Hana foi sequestrada e o que eu menos preciso agora é olhar para essa sua cara. – Respondeu direto.
- Ora, então a Wakana já fez a arte dela? – Comentou a vilã.
- O que quis dizer com isso? – Akiko questionou confusa.
- Guria jegue! A Wakana libertou o Kureshima pirralho e certamente foi ele quem sequestrou a princesinha ladra de homens. – Revelou.
- Como pode ser tão descarada, Saeko-onee-san? Você e a Wakana-nee-san não passam de duas vadias que só querem saber de dar para seus inimigos. Não tem vergonha? – Raito disse na cara da irmã.
- Filho da puta! Como se atreve a falar assim das suas irmãs?! – Ela exclamou irada ao dar um forte tapa no rosto do irmão.
- Dane-se. Com você eu não irei a lugar nenhum. Agora com licença, tenho uma pessoa para encontrar. – O gênio disse calmo, dirigindo-se para a porta de saída.
- Não irá a lugar nenhum, Raito!
TABOO
Saeko se transformou em sua versão Dopant e para a surpresa do garoto, ela lançou uma bola de fogo em direção ao irmão. O impacto causado pelo ataque da vilã acabou destruindo a porta da entrada da mansão e Saeko temeu ter matado seu irmão, pois precisava dele vivo. Akiko deu um berro tremendo de "Ele morreu!", já pensando no pior. Tamanha foi a surpresa de ambas quando um forte vento invadiu o local junto a uma luz cinza ao mesmo tempo em que o Kamen Rider Xtreme levantava-se, afastando pedaços da porta e da parede que se despedaçou ao seu redor.
- Maldito Raito! Se transformou antes de receber meu ataque? Como pôde ser tão rápido?
- Surpresa, Onee-san? Acaso não sabe que meu elemento é o vento? Se quiser me levar daqui, terá que fazer isso à força. – Ele disse decidido.
- Não pense que vai escapar de mim tão facilmente. – Disse a vilã.
Os irmãos começaram uma luta sem tréguas. Saeko disparava diversos ataques contra o irmão mais novo e o Kamen Rider Xtreme desviava deles habilmente. Ele saltou para o lado de fora da mansão para impedir que a luta causasse mais danos à construção. Raito invocou seu Prism Bicker, e a luta prosseguia com uma violenta troca de ataques que eram defendidas por ambos. Nenhum deles causava dano no oponente. Ambos pararam frente a frente e se encararam por alguns momentos. Raito aproveitou aquele instante para usar sua velocidade privilegiada, e com um movimento quase imperceptível, apareceu atrás da irmã, colocando sua espada na mira do pescoço da Dopant.
- Já foi o suficiente para você? Eu já disse que nunca irei com você a lugar nenhum. Desista de continuar com essa luta sem sentido, ou eu serei obrigado a acabar com isso agora mesmo.
- Raito... As coisas não precisam chegar a este ponto. Certo. Eu entendi. Podemos resolver isso como adultos, conversando. – A vilã disse ao tentar ganhar tempo para que o irmão baixasse a guarda.
Enquanto Saeko enrolava Raito para tentar se livrar da mira dele, Ren e Ryuuji chegavam à mansão à procura da Princesa sequestrada. Eles se depararam com a luta sem que Saeko percebesse que eles estavam lá, e ao ver que Raito desviou o olhar quando percebeu que os amigos chegaram, a Sonozaki mais velha concentrou uma poderosa bola de energia vermelha e deu um golpe para trás, acertando justamente o cinto do irmão. O golpe foi tão forte que o corpo dele voou pelo jardim da casa ao mesmo tempo em que sua transformação se desfazia e seu cinto quebrava-se em pedaços. Raito caiu na grama muito ferido. Saeko virou-se para o irmão inconsciente e desfez sua transformação triunfante.
- Hahahaha! Como você é tolo, Raito. Achou mesmo que podia comigo? Você baixou a guarda e agora virá comigo sem oferecer resistência alguma. – Ela disse malignamente, e ao virar para pegar o corpo inerte do irmão, deu de cara com Ren, que havia presenciado tudo.
- Você me dá nojo, Sonozaki Saeko.
- Re... Ren...
- Eu vi tudo o que você fez com seu irmão. Você é tão desprezível quanto o Mitsuzane. Que tipo de irmão atenta contra a vida do outro? Vocês ao valem o chão que pisam. Eu nunca senti tanto nojo quanto agora.
- Não, Ren! Não diga isso, por favor! – Ela disse, ao correr na direção dele e o abraçar com força. – Você não sabe como são as coisas. Não importa o que aconteça, só quero que acredite que eu te amo de verdade. Eu precisava muito te ver. Precisava sentir você perto de mim de novo. Não faz ideia de como eu estava sofrendo desde que ficamos juntos. Desde então eu sofro como uma condenada apenas desejando estar nos seus braços de novo para nos amarmos. – Saeko disse. E por mais que fosse difícil de acreditar, naquele momento ela estava mesmo sendo sincera.
- Tire as mãos de mim. – Ren respondeu seco enquanto era abraçado pela inimiga. – Qual foi a parte do "você me dá nojo" que você não entendeu?
- Mas Ren, eu... – ela tentava se explicar.
- Mas nada! Você é incapaz de amar alguém. Eu te disse antes que você iria se arrepender de ter ficado comigo. E aconteceu tal como eu sabia que aconteceria. Seu maior castigo foi conhecer o amor através de mim, e sua maior condenação será viver para sempre sem ter esse suposto sentimento correspondido por mim.
- Não pode estar falando sério. Eu... eu preciso de você. Você não tem o direito de me deixar assim! – A vilã exclamou praticamente implorando, chegando a se ajoelhar segurando-se na calça dele.
- Já chega. Não se rebaixe. E nunca mais coloque suas mãos em mim de novo. Eu estou avisando. Da próxima vez que tentar me assediar, vou me lembrar do simples fato de sermos inimigos. Se tem o mínimo de dignidade, suma daqui agora. – Disse frio.
Ryuuji apenas observava a conversa entre os dois e nisso Yuuto e Shinji também chegavam a casa. Todos olhavam confusos sem saber o que estava acontecendo.
- Ren... Seu maldito! Vai se arrepender por me desprezar assim! Ninguém trata Sonozaki Saeko assim! Ninguém! E quanto ao Raito... Ele virá comigo agora e ninguém irá me impedir! – Ela ameaçou.
Dito isto, Saeko, que estava ajoelhada na grama, desferiu um forte golpe no chão, levantando terra, fazendo com que os garotos levassem as mãos aos olhos tempo suficiente para que ela pegasse Raito e sumisse de lá com o poder de seu Gaia Memory. Todos ficaram descrentes com o que viram. Agora não apenas Hana, mas também Raito foram sequestrados. O desespero foi total, pois a situação apenas piorava. Ren recolheu o que restou do cinto de Raito sobre a grama desolado. Ele acabou se sentindo culpado pelo acontecido, fora o que ele estava sofrendo por sua irmã.
- Ren, eu sinto muito por terem levado a sua irmã. – Ryuuji deu as condolências.
- Não se preocupe, Senpai. Estou certo de que vamos resgatá-la logo.
- Mas Ren... eu jamais poderia imaginar que você pudesse ser tão frígido com uma mulher.
- Não ligue para isso. Acontece que esta mulher não merece consideração nenhuma de minha parte. Agir assim vai contra todos os meus princípios, mas eu estou lidando com uma inimiga.
- Estou impressionado com sua habilidade de controlar suas emoções.
- Qual? Aquela mulher não desperta em mim emoção alguma.
- Alguém pode nos explicar o que aconteceu aqui? – Yuuto perguntou ao ver a entrada da mansão destruída.
- Recorrendo a versão mais curta... Hana e Raito foram sequestrados. – Ryuuji disse direto.
- O QUE?! – Berrou o Zeronos, quase ensurdecendo a todos.
Mitsuzane levou Hana para uma casa que pertence aos Kureshima localizada dentro de uma pequena mata na parte baixa da cidade. Era uma casa de campo reservada, onde o pai deles costumava ficar para descansar quando estava querendo descansar dos inúmeros trabalhos quando estava vivo. Por coincidência, a casa ficava perto do vale que dava para o penhasco de onde o Ryugen havia jogado o irmão, porem era bem mais para dentro da mata e o acesso é complicado para quem não conhece a área. Este lugar não era muito longe da casa de Akira, mas nem mesmo a médica, que costumava correr pela área, sabia da existência desta casa, já que ela ficava bem escondida. Lugar mais perfeito que esse não existia. Ele levou a Princesa para um dos quartos da casa e a colocou deitada na cama. Ela gritava e protestava, mas suas mãos e pés estavam amarrados. Ele amarrou as mãos dela no espelho da cama, e usando uma corda maior, amarrou os pés dela aos pés da cama. A pobre Princesa estava desesperada só de imaginar o que aquele monstro perverso e pervertido iria fazer com ela.
- Me solte, seu desgraçado. Eu exijo que me tire daqui agora mesmo! – Ela gritava inutilmente.
- Você não está em condições de exigir nada. Até mesmo sua força física um tanto anormal se foi, graças ao Gaia Memory que Wakana me deu. Detesto admitir, mas eu devo uma àquela Piranha pervertida. – Disse o garoto insanamente.
- Sabia que aquela cobra venenosa estaria por trás disso, mas pelo menos aquela víbora tem bom gosto, afinal, gostamos do mesmo homem. Ela eu não sei, pois duvido que aquela cadela saiba o que é gostar de alguém, mas eu amo o Kureshima-san e nem que seja depois de morta, eu ficarei com ele para sempre.
- Sua estúpida! – Mitsuzane gritou, dando um tapa no rosto da garota. – Como se atreve a falar isso na minha cara? Não fale dele! Eu não quero ouvir falar do meu irmão nunca mais. Ele está morto, e morto ele permanecerá. Aceite seu destino e seja minha! – Ele gritava. A cada palavra podia-se notar como ele estava desequilibrado.
- Não importa. Pode fazer o que quiser com o meu corpo, mas nunca poderá tocar em meu coração. O grande amor que eu sinto pelo Takatora é eterno e grande demais. Nem toda a maldade do mundo fará com que eu esqueça.
- Maldita! – Exclamou o Ryugen ao dar outro tapa no rosto da Princesa. – Vamos ver se vai continuar pensando assim depois que eu a tomar para mim à força. – Disse ele ao rasgar violentamente o vestido que ela usava, deixando-a apenas de sutiã e calcinha.
Depois disso ele não parou. O vilão desequilibrado começou a beijar todo o corpo da garota, passando as mãos onde devia e onde não devia. Depois de beijar as pernas dela, ele foi subindo até a virilha, seguindo pelos quadris até chegar nos seios quando os beijou e apertou. Mitsuzane esperava que Hana se debatesse e resistisse ao máximo, mas sua expressão era fria e desprovida de emoções. Ela era forte e aguentava firme, mesmo passando por aquele momento de terror que era ser tocada por aquele monstro.
- Vou satisfazer todo o meu desejo no seu corpo, minha querida. E depois disso, você nem sequer se lembrará da existência do Nii-san. – Ele disse convencido quando beijava o pescoço dela e preparava-se para beijar sua boca.
- Você me dá nojo! – Gritou a Princesa, ao virar o rosto e cuspir diretamente na cara do Kureshima mais novo.
- Sua desgraçada! Como ousa cuspir em mim?! – Ele gritou fora de si, ao desferir outro tapa na face da garota, que teve parte de seu cabelo jogado em cima do rosto com isso.
- Já falei. Pode fazer o que quiser com o meu corpo. Pode me matar de tanto me bater, mas eu nunca vou deixar de amar nem de pensar no seu irmão. E não importa o quanto você tente, nunca irá sequer chegar perto do que ele é. E quer saber de uma coisa? Ele está vivo. Meu coração diz isso. E eu ainda vou vê-lo novamente.
- Só se ele estiver vivo no colo do capeta. Nunca perde a valentia, garota? Ainda não percebeu a situação na qual se encontra? Você já é minha, então conforme-se com isso. – Disse ele enquanto gargalhava com loucura.
- Você está louco. – Respondeu séria. – Um dia, quem irá para o inferno é você, e vai pagar por tudo de mal que tem feito.
- CALADA! Eu não quero ouvir mais nenhuma palavra sua.
E Mitsuzane continuou com suas maldades para com Hana. O que ainda confortava um pouco a garota, era o fato dele ainda não a ter deixado totalmente nua. No mais profundo de sua mente, ela apenas chamava pelo nome de Takatora, implorando para que ele aparecesse, mesmo sabendo que isso seria praticamente impossível.
Na mansão Kureshima, todos ainda estavam atônitos pelo que acontecera. Ren saiu enlouquecido em busca de Hana sem nem saber por onde começar, enquanto Yuuto e Shinji dialogavam. Akiko estava embaixo da escada escutando toda a conversa deles. Enquanto eles falavam da situação de Takatora, Shinji subitamente retirou um lenço de seu bolso e tossiu. O lenço ficou coberto de sangue, assustando Yuuto e ao próprio Shinji.
- Ei, Shinji. O que foi? Está passando mal?
- Eu estou piorando. Parece que fazer meu dragão aguentar como Pilar substituto está começando a custar caro para mim.
- Então isso significa...? – O Zeronos perguntou preocupado.
- Não posso mais ficar neste mundo agora. Vou voltar para o Mundo dos Espelhos para ver se meu corpo se recupera. – Respondeu.
Preocupada, Akiko viu quando Shinji colocou sua mão na frente de um espelho na parede da sala e uma luz clara o envolveu. A garota saiu correndo e deu um pulo nas costas de Shinji, fazendo com que ambos acabassem entrando no Mundo dos Espelhos. O portal atirou ambos no chão e Shinji caiu de cara no chão da sala do mundo paralelo e Akiko caiu sentada bem nas costas dele sem ter a menor noção do que estava acontecendo.
- Se importaria em SAIR de cima das minhas costas? Posso saber por que você fez isso? – O loiro perguntou nervoso.
- Ah... Shinji-kun... foi mal. É que quando eu vi aquela luz eu pensei que algo ruim aconteceria com você, por isso me joguei junto.
- E desde quando você se preocupa comigo?
- Não interessa. O que interessa aqui é saber se você está bem. Então diga logo... você está bem? – Perguntou curiosa.
- Ora, mas é claro. Tirando o fato de que limpei o chão da sala com o meu rosto por sua culpa, posso dizer que estou bem sim.
- Mentiroso. Eu vi que você acabou de tossir sangue. Por que isso está acontecendo? – Perguntou insistente.
- Não se preocupe com isso. Eu vou ficar bem. Apenas preciso descansar. – Respondeu ao caminhar pela escada para subir para seu quarto. Ela foi atrás dele e conseguiu pegá-lo quando ele quase caiu.
- Shinji-kun, cuidado. Você não está nada bem. Anda, eu vou te ajudar a chegar em seu quarto. – Disse ela, ao passar o braço dele em volta de seu ombro até que chegasse ao quarto onde ele praticamente se jogou na cama.
- Obrigado pela ajuda, mas você já pode ir embora agora.
- Como quer que eu te deixe aqui sozinho passando mal? Sua loirice te afetou, por acaso?
- Mesmo que queira, você não pode continuar por mais tempo neste mundo.
- Vai continuar me expulsando? Mas que teimoso!
- Você é quem está sendo teimosa. Observe suas mãos.
- AAAAAHHHHH! O que é isso? – Perguntou eufórica, ao notar que suas mãos estavam prestes a desaparecer como pó se desintegrando.
- Entendeu agora? Somente um Kamen Rider pode permanecer no Mundo dos Espelhos. Se você não voltar imediatamente, corre o risco de desaparecer aqui dentro para sempre. – Explicou.
- E só agora você fala?
- E você deixou que eu falasse antes? Além disso... você corre o risco de ser devorada pelo Dragreder antes mesmo de desaparecer.
- Eu já entendi o risco. Mas é que... – ela hesitou em continuar falando e apenas pegou na mão dele antes de continuar. – Eu não quero te deixar sozinho.
- Por que? Eu falei que você corre risco de vida se continuar aqui.
- Não interessa. Eu não vou te deixar sozinho aqui e pronto!
- Neste momento, o Dragreder sentiu o cheiro de Akiko e apareceu para atacá-la.
- Dragreder! Volte imediatamente! – Shinji exclamou, abraçando Akiko.
- Ai! O que foi isso? – Ela gritou, se aproveitando da situação e agarrando ele mais ainda.
- Sorte sua que ele me obedeceu. Se eu não tivesse te abraçado, certamente ele teria te devorado. – Disse calmo, separando-se dela e deitando novamente.
- É mais um motivo para você não ficar sozinho. Será que não entende que... – ela parou de falar, ao perceber que havia sangue em sua própria blusa.
- Que o que? – Perguntou.
Akiko não falou mais nada, apenas afastou o paletó que ele usava e começou a abrir a camisa dele na marra. Ela ficou chocada ao ver o corpo dele cheio de cortes e feridas.
- Ei! O que acha que está fazendo?!
- Calado. Você está todo machucado. Como isso aconteceu? Agora sim que eu não vou sair daqui tão cedo
- Já vi que não vou conseguir te convencer. Neste caso, pegue isto. – Ele deu a ela uma carta que tirou de seu bolso.
- O que é?
- É uma carta de selamento. Com ela, você não irá desaparecer e nem será atacada por monstros. Logo após dizer isso ele desmaiou.
- Shinji-kun! Ei! Acorda! – Ela disse ao sacudir o corpo dele. – Mas que droga! Por que ele tinha que pifar logo agora?
Na casa de Akira, Takatora permanecia no sono eterno do coma. Por instruções de Shinji e Yuuto, Akira cuidou para que o Energy Melon Lock Seed estivesse sempre com ele. Para evitar que ele a soltasse, a médica colocou o artefato por cima do lençol que o cobria. No fundo de sua mente, ele conseguia ouvir as súplicas de Hana, que chamava incessantemente por seu nome enquanto estava sofrendo nas mãos de Mitsuzane. Em dado momento, o corpo dele começou a tremer e a suar ao mesmo tempo e ele começou a abrir e fechar a boca. Ao mesmo tempo, seu Energy Melon Lock Seed começou a brilhar, e na casa onde a Princesa estava sendo feita refém, ela deu um forte grito chamando por Takatora no momento em que Mitsuzane se preparava para deixá-la nua e concretizar seu ato pervertido. Os olhos do Príncipe abriram-se de uma só vez, e sua mente finalmente estava recuperada.
- HANA! – Exclamou alto ao acordar.
Em seu sonho ele via tudo, como se o Príncipe e a Princesa estivessem mentalmente ligados. Ele viu onde eles estavam e também viu que seu próprio irmão estava fazendo mal a ela. Ele levantou pegando seu Lock Seed e vestiu um terno. Sem demora, abriu o armário e pegou seu Sengoku Driver e seu Melon Lock Seed. O Zangetsu então dirigiu-se até a saída, mas deu de cara com Akira, que voltava do mercado e levou um susto enorme.
- Chefe Kureshima! Quando acordou?! – Perguntou atônita.
- Akira... desculpe, mas agora não posso explicar. Preciso sair imediatamente. – Respondeu frio, tal como ele era antes de perder a memória.
- Não pode ser... ele estava falando como antes, olhando como antes e sendo como antes. Então além de acordar, ele por fim voltou ao normal? – Perguntou para si mesma, ao vê-lo sair correndo mata adentro.
Enquanto o Príncipe finalmente despertava com sua mente intacta, na mansão Sonozaki, Saeko chegava com Raito. Wakana e Ryuube comemoravam, pois depois de muito tempo, eles podiam concretizar seus planos. O plano de Ryuube era usar o corpo de Raito e jogá-lo dentro de um buraco na entrada da mansão Sonozaki. O velho fez alguns gestos com as mãos e ao fazer isso, uma espécie de poço surgiu no jardim que dava acesso a casa. Cada Sonozaki se posicionou de um lado do poço de forma quadrada, e Raito estava desmaiado na grama.
- É agora, filhas. Finalmente chegou a hora de colocar em prática o que planejamos desde sempre. Ao jogar o Raito dentro deste poço, iremos conectar as memórias da Terra com a Lua, e com isso, faremos com que ela desapareça do céu. Teremos nossa vingança daquele povo que nos aprisionou só por que nos julgava como uma ameaça.
Ao dizer essas palavras, o patriarca dos Sonozaki pegou Raito e sem a menor piedade, jogou seu próprio filho dentro do poço maligno. Depois disso, o céu escureceu no meio do dia. Todos os heróis ficaram perplexos olhando para o céu e nesta hora, o corpo do gênio se dissolveu em milhares de dados em forma de uma forte luz verde brilhante que transbordou do poço em direção ao céu como um raio. O céu continuava negro, e a Lua já não mais fazia parte dele. Takatora, que estava correndo pela mata fechada, entendeu de cara o que aquilo significava.
- Então é isso, Sonozaki Ryuube? Conseguiu concretizar seu plano? – Perguntou-se. Por fim você conseguiu produzir... um céu sem Lua.
O Príncipe fez surgir em sua mão seu Musou Saber e com a espada, começou a retirar a mata fechada de seu caminho enquanto avançava. Além da preocupação com as ações de Ryuube, seu pensamento maior era salvar sua amada das garras de seu próprio irmão. O acerto de contas entre os irmãos Kureshima estava prestes a começar, e com ele, o princípio do fim.
つづくcontinua...
