Puta merda, eu realmente fiz isso? Deve ser o álcool. Tomei champanhe e quatro taças de quatro vinhos diferentes. Dou uma olhada em Quinn, que está ocupada aplaudindo.
Droga, ela vai ficar com tanta raiva, e estamos nos dando tão bem. Meu inconsciente finalmente decide dar as caras, e parece o sujeito do quadro O grito, de Esvard Munch.
Quinn se debruça em minha direção, um enorme sorriso falso plantado na cara. Ela me dá um beijo na bochecha e se aproxima do meu ouvido para sussurrar numa voz muito fria e controlada.
- Não sei se caio de joelhos em adoração por você ou se lhe dou umas boas palmadas.
Ah, eu sei o que eu quero neste exato instante. Ergo o olhar para ela, piscando através da máscara. Queria poder ler seus olhos.
- Opção dois, por favor. – Suspiro, tomada por um frenesi, à medida que os aplausos vão morrendo.
Ela entreabre os lábios e inspira fundo. Ah, essa boca maravilhosa... eu quero ela em mim, agora. Anseio por ela. Ela me lança um sorriso radiante e sincero que me tira o fôlego.
- Está sofrendo, é? Vamos ver o que podemos fazer a respeito – murmura, correndo os dedos ao longo do meu queixo.
Seu toque ressoa fundo dentro de mim, lá onde aquela dor surgiu e cresceu. Quero pular em cima dela aqui e agora, mas nós ficamos sentados e assistimos ao leilão do lote seguinte.
Mal consigo ficar parada. Quinn passa o braço ao redor de mim, acariciando ritmicamente minhas costas com o polegar, provocando arrepios deliciosos por minha coluna. Sua mão livre segura a minha e a leva até os lábios, e então a pousa em seu colo.
Lenta e sorrateiramente, de forma que eu não perceba seu jogo até que seja tarde demais, ela conduz minha mão ao longo de sua coxa até seu centro. Engasgo, e meus olhos correm a mesa em pânico; no entanto, todos estão atentos ao palco. Ainda bem que estou de máscara.
Aproveitando-me totalmente, acaricio-a de mansinho, deixando meus dedos explorarem. Quinn mantém a mão sobre a minha, encobrindo meus ousados dedos, enquanto seu polegar brinca suavemente em minha nuca. Ela abre a boca num leve suspiro, e é a única reação a meu toque inexperiente que consigo notar. Mas significa muito. Ela me quer. Todos os músculos abaixo do meu umbigo se contraem. Está ficando insuportável.
Uma semana logo Adriana, em Montana, é o último item do leilão. É claro que o Sr. E a Dr. Fabray têm uma casa em Montana, e os lances sobem rapidamente, mas mal reparo no que está acontecendo.
- Vendido, por cento e dez mil dólares! – declara, vitorioso, o mestre de cerimônias.
Todos aplaudem, e, relutante, eu os acompanho, e Quinn também, estragando nossa diversão.
Ela se vira para mim e sua boca se contrai.
- Pronta? – gesticula com os lábios por sobre o barulho das pessoas.
- Pronta – gesticulo de volta.
- Rach! – chama Kurt. – está na hora!
O quê? Não. De novo, não!
- Hora de quê?
- O leilão da primeira dança. Venha! – Ele se levanta e estende a mão.
Olho para Quinn, que está, acho, fazendo uma cara feia para Kurt, e não sei se choro ou se rio, mas é o riso que vence. Eu me deixo levar por uma onda de catártica de gargalhadas infantis, enquanto somos mais uma vez detidos pelo furacão alto e brilhante que é Kurt Fabray. Quinn olha para mim e ,depois de um instante, vejo um rastro de sorriso em seus lábios.
- A primeira dança é minha, viu? E não vai ser na pista – murmura ela lascivamente em minha orelha.
Minhas risadas se acalmam à medida que a expectativa alimenta as chamas de meu desejo. Ah, sim! Minha deus interior dá uma pirueta tripla em seus patins.
- Mal posso esperar. – Eu me inclino e deixo um beijo comportado de leve em seus lábios.
Olhando ao redor, percebo que os outros convidados da mesa estão espantados. É claro, nunca viram Quinn com uma namorada antes.
Ela abre um amplo sorriso. E parece... feliz.
- Venha, Rach – insiste Kurt.
Pego sua mão estendida e o sigo até o palco, onde outras dez jovens se reuniram, e percebo, um tanto inquieta, que Kitty está entre elas.
- Senhores, o ponto alto da noite! – exclama o mestre de cerimônias por sobre o burburinho de vozes. – O momento pelo qual todos vocês estavam esperando! Essas onze lindas jovens e esse jovem lindo rapaz concordaram em vender sua primeira dança pelo lance mais alto!
Ah, não. Fico vermelha da raiz do cabelo até o dedinho do pé. Eu não tinha entendido que era isso. Que humilhante!
- É por uma boa causa – sussurra Kurt para mim, percebendo meu desconforto. – Além do mais, Quinn vai ganhar. – Ele revira os olhos. – Não consigo imaginá-la deixando alguém dar um lance mais alto que o dela. Ela não tirou os olhos de você a noite toda.
Isso, concentre-se na boa causa, e Quinn vai ganhar, com certeza. Afinal de contas, não é como se a grana estivesse curta para ela.
Mas isso significa gastar mais dinheiro com você!, meu inconsciente rosna para mim. Mas eu não quero dançar com mais ninguém – eu não posso dançar com mais ninguém -, e ela não está gastando dinheiro comigo, está doando para caridade. Que nem os vinte e quatro mil dólares que ela já gastou? Meu inconsciente estreita os olhos.
Merda. acho que me deixei levar por um lance impulsivo. Por que estou discutindo comigo mesma?
- Agora, senhores, por favor aproximem-se e deem uma boa olhada naquela que pode ser a sua primeira dança de hoje: onze jovens e um rapaz doces e graciosos.
Meu Deus! Estou me sentindo num açougue. Observo, horrorizada, enquanto pelo menos vinte homens andam na direção do palco, avisto Quinn entre eles, caminhando com elegância por entre as mesas e parando uma vez ou outra para cumprimentar alguém. Uma vez que todos se reuniram, o mestre de cerimônias começa.
- Senhoras e senhores, seguindo a tradição do baile de máscaras, vamos manter o mistério por trás dos disfarces e revelar apenas o primeiro nome. Para começar, temos a jovem Bree.
Bree está gargalhando feito uma colegial. Talvez eu não seja assim tão descolada. Ela está usando um vestido longo de tafetá azul-marinho e máscara combinando. Dois rapazes se aproximam em expectativa. Sorte dela.
- Bree fala japonês fluente, é habilidade para pilotar aviões de caças e é ginasta olímpica... hum – O mestre de cerimônias pisca para a multidão. – E então, senhoras e senhores, qual é o lance?
Bree arqueja, surpreendida pela apresentação; é claro que ele está inventando tudo. Ela se volta para os dois candidatos e sorri, tímida.
- Mil dólares! – grita um deles.
Muito rapidamente o lance sobe para cinco mil dólares.
- Dou-lhe uma... dou – lhe duas... vendida! – declara o mestre de cerimônias a pleno pulmões - ... para o rapaz de máscara! – E claro, como todos estão de máscara, a multidão ri, grita e aplaude. Bree dá um sorriso radiante para o seu comprador e rapidamente deixa o palco.
- Está vendo? É divertido! – sussurra Kurt . – Só espero que Quinn ganhe você... A gente não vai querer uma briga, não é? – acrescenta ela.
- Uma briga? – pergunto, horrorizada.
- Ah, é. Ela era muito esquentadinha quando era mais nova. – Ele estremece.
Quinn arrumando briga? A refinada e sofisticada Quinn Fabray, que adora música coral da época Tudor? Não consigo imaginar. O mestre de cerimônias me distrai com a apresentação seguinte: uma jovem de vestido vermelho e cabelo muito preto longo.
- Senhora e senhores, eu lhes apresento a maravilhosa Danielle. O que vamos fazer com Danielle? Ela é um toureira experiente, toca violoncelo tão bem que poderia integrar qualquer orquestra e é campeã de salto com vara... e então, senhora e senhores? Qual vai ser o lance para uma dança com a encatarroa Danielle?
Danielle olha para o mestre de cerimônias.
- Três mil dólares! – grita bem alto uma mascarada de cabelo louros.
Mais um lance, e Danielle é vendida por quatro mil dólares.
Quinn me observa feito um gavião. Srta. Brinquenta Trevelyan-Fabray... quem diria?
- Quando?
Kurt me olha, confusa.
- Em que época Quinn era esquentadinha?
- No inicio da adolescência. Levou nossos pais à loucura, voltava para casa com o lábio cortado, o olho roxo. Foi expulsa de dois colégios. Machucava feio os adversários.
Fico boquiaberta.
- Ela não contou para você? – Kurt suspira. – Tinha uma péssima reputação entre os meus amigos. Foi mesma persona non grata por alguns anos. Mas depois parou, quando completou uns quinze, dezesseis anos. – Kurt dá de ombros.
Minha nossa. Mais uma peça do quebra-cabeça que se encaixa.
- Então, qual vai ser o lance para a exuberante Harmony?
- Quatro mil dólares – grita uma voz grave à direita. Harmony guincha de emoção.
Paro de prestar atenção ao leilão. Então Quinn teve problemas na escola, brigas. Pergunto-me por quê. Olho para ela. Kitty está nos observando com atenção.
- E agora, deixe-me apresentar a bela Rach.
Ai, merda, sou eu. Olho nervosa para Kurt e ele me empurra para o centro do palco. Graças a Deus eu não caio, mas fico morrendo de vergonha diante do público. Quando vejo Quinn, ela está sorrindo para mim. Filha da Mãe.
- A bela Rach toca seis instrumentos musicas, fala mandarim fluentemente e é adepta da ioga... muito bem, senhora e senhores – e antes que ele possa terminar a frase, Quinn o interrompe, encarando-o através da máscara:
- Dez mil dólares!
Ouço Kitty arquejar de incredulidade atrás de mim. Puta merda.
- Quinze.
O quê? Todos nos viramos para um homem alto e impecavelmente vestido, de pé à esquerda do palco. Pisco para Quinn. Merda, o que ela vai fazer agora? Mas ela está coçando o queixo e lançando um olhar irônico para o estranho. Está claro que o conhece. O estranho acena educadamente para ela.
- Bem, senhores! É uma noite de lances altos.
A empolgação do mestre de cerimônias emana de sua máscara de arlequim quando ele se vira com um sorriso para Quinn. É um espetáculo e tanto, mas à minha custa. Estou com vontade de chorar.
- Vinte – acrescenta Quinn calmamente.
O burburinho do público cerrou. A esta altura, todos estão de olho em mim, em Quinn e no Sr, Misterioso ao lado do palco.
Isso poderia ser mais constrangedor.
- Vinte e cinco – diz o estranho.
Quinn o encara impassível, mas achando graça. Todos os olhos estão nela. O que ela vai fazer? Meu coração está saindo pela boca. Estou enjoada.
- Cem mil dólares – diz ela, alto e bom som, para toda a tenda ouvir.
- Que merda é essa? – resmunga Kitty atrás de mim, e um suspiro de assombro e diversão percorre o público.
O estranho ergue a mão em sinal de derrota, rindo, e Quinn sorri afetadamente em resposta. Do canto do olho vejo Kurt quicando de felicidade.
- Cem mil dólares pela famosa Rach! Dou-lhe uma... dou-lhe duas... – Ele encara o estranho, que balança a cabeça num pesar simulado e acena com um galanteio. – Vendida! – grita o mestre de cerimônias em triunfo.
Em meio a uma salva de aplausos e gritos, Quinn estende a mão para me ajudar a sair do palco. Ela me olha com um sorriso divertido enquanto eu desço e beija as costas de minha mão antes de coloca-la em seu braço e me conduzir para fora da tenda.
- Quem era? – pergunto.
- Alguém que você pode conhecer mais tarde. – Ela olha para mim. – Agora, quero lhe mostrar uma coisa. Temos uns trinta minutos até o leilão da primeira dança termine. Depois, teremos que estar de volta à pista para que eu possa desfrutar da dança pela qual paguei.
- Uma dança caríssima – murmuro em desaprovação.
- Tenho certeza de que vai valer cada centavo. – Ela sorri para mim perversamente. Ah, ela tem um sorriso maravilhoso, e a dor está de volta, tomando conta de meu corpo.
Estamos no gramado. Achei que íamos para o ancoradouro, mas, infelizmente, parece que estamos seguindo para pista de dança onde a big band já começou a se preparar. São pelo menos vinte músicos, e alguns convidados estão perambulando, fumando discretamente. Mas, como a maior parte da ação ainda acontece na tenda, não atraímos atenção.
Quinn me leva para os fundos da casa e abre uma porta que dá para uma sala de estar confortável que nunca vi antes. Ela atravessa a sala vazia a caminho de uma escada em espiral com um elegante corrimão de madeira. Tirando minha mão de seu braço, conduz-me até o terceiro. Abre a porta branca e entramos em um dos quartos da casa.
- Este era o meu quarto – diz, em voz baixa, de pé junto da porta, trancando-a atrás de si.
É um cômodo grande, inóspito e com pouca mobília. As paredes são brancas assim como os móveis; uma cama de casal, uma escrivaninha com uma cadeira, prateleiras cheias de livros e troféus, ao que parece, de kickboxing. Nas paredes, pôsteres de filmes: Matrix, O clube da luta, O show de Truman e dois pôsteres enquadrados com fotos de lutadores. Um deles se cham Guseppe Denatale – nunca ouvi falar.
Mas o que me chama a atenção é um mural de cortiça sobre a escrivaninha, salpicado de fotos, flâmulas dos Mariners e canhotos de bilhetes. É um pedaço da jovem Quinn. Meus olhos se voltam para a mulher maravilhosa agora de pé no centro do quarto. Ela me fita com olhos sombrios, taciturnos e sensuais.
- Nunca trouxe uma garota aqui – murmura.
- Nunca? – pergunto num sussurro.
Ela balança a cabeça.
Engulo em seco, e a dor que vinha me incomodando nas últimas horas agora está berrando, implacável e ardente. Vê-la aqui, de pé, no carpete azul-marinho, usando essa máscara... é pra lá de erótico. Eu a quero. Agora. De qualquer jeito. Tenho que me segurar para não me jogar em cima dela e rasgar suas roupas. Ela caminha em minha ridireção, fazendo um lento passo de valsa.
- Não temos muito tempo, Rach, e o jeito que estou me sentindo neste instante, não precisamos de muito tempo. Vire de costas. Deixe-me tirar esse vestido.
Eu me viro e encaro a porta, agradecida pelo fato de que esteja trancada. Inclinando-se sobre mim, ela sussurra em meu ouvido:
- Fique de máscara.
Solto um gemido, e meu corpo se enrijece em resposta. Ela nem me tocou ainda.
Ela segura a parte de cima do meu vestido, os dedos deslizando pela minha pele, e o toque reverbera por todo meu corpo. Com um movimento rápido, abre o zíper. Segurando o vestido, ela me ajuda a sair dele, depois se vira e, com cuidado, dobra-o sobre uma cadeira. Tira o paletó e o ajeita sobre meu vestido. E então me olha por um momento, sorvendo-me. Estou com o espartilho e a calcinha combinando, e me deleito com seu olhar sensual.
- Sabe, Rachel – diz ela gentilmente e caminha em minha direção, soltando a gravata, que fica pendendo ao redor do seu pescoço, e abrindo o botão mais alto da camisa. – Fiquei com tanta raiva quando você comprou o meu item no leilão. As mais varias ideias invadiram minha mente. Eu tive de lembrar a mim mesmo que punição é uma carta fora do baralho. Mas ai você veio e se ofereceu. – Ela me encara através da máscara. – Por que fez isso? – sussurra.
- Eu me ofereci? Não sei. Frustação... excesso de álcool... uma boa causa – gaguejo, submissa, encolhendo os ombros. Talvez para atrair atenção dela?
Eu precisava dela naquele instante. Preciso mais ainda agora. A dor aumentou, e sei que ela pode amenizá-la, acalmar esse grito, esse monstro salivante que tenho dentro de mim, com o monstro dentro dela. Ela aperta a boca numa linha fina e, bem devagar, umedece o lábio superior. Quero essa língua em mim.
- Eu jurei a mim mesmo que não bateria em você de novo, nem que você me implorasse.
- Por favor – imploro.
- Mas então eu me dei conta de que você estava provavelmente muito desconfortável naquele momento, e que não está acostumada com isso. – Ela abre um sorriso cúmplice, cretino, arrogante, mas não ligo, por que ela está absolutamente certa.
- Isso. – Expiro.
- Então, talvez haja certa... liberdade. Se eu for fazer isso, você tem que me prometer uma coisa.
- Qualquer coisa.
- Você vai usar a palavra de segurança se precisar dela, e eu só vou fazer amor com você, tudo bem?
- Tudo. – Estou ofegante. Quero as mãos dela em mim.
Ela inspira, e então pega minha mão e caminha até a cama. Jogando o edredom de lado, ela se senta, pega um travesseiro e o coloca junto ao corpo. Olha para mim, de pé diante dela, e, de repente, puxa meu braço com força, de forma que caio no colo dela. Ela retira o corpo para que eu fique deitada na cama, meu peito sobre o travesseiro, a cabeça de lado. Debruçando-se, ela tira meu cabelo dos ombros e corre os dedos pelas plumas de minha máscara.
- Coloque as mãos para trás – murmura.
Ah! Ela tira a gravata borboleta e a usa para amarrar rapidamente meus pulsos nas costas, junto da curva da coluna.
- Você quer mesmo isso, Rachel?
Fecho os olhos. Essa é a primeira vez desde que a conheci que realmente quero. Preciso disso.
- Quero – respondo.
- Por quê? – pergunta ela baixinho, acariciando minha bunda com a palma da mão
Gemo só de sentir o contato de sua mão em minha pele. Não sei por quê... Você me disse para não pensar demais. Depois de um dia como hoje... discutir a respeito de dinheiro, Ashley, Mrs. Robinson, meu arquivo, o mapa feito de batom, esta festa extravagante, as máscaras, o álcool, as bolas prateadas, o leilão... Eu quero.
- Preciso de um motivo?
- Não, baby – diz ela. – Só estou tentando entender você.
Sua mão esquerda envolve minha cintura, mantendo-me firme no lugar, enquanto a palma de sua mão direita pousa com força logo acima das minhas coxas. A dor da palma se conecta diretamente com a dor dentro de mim.
Minha nossa... Solto um gemido alto. Ela me bate de novo, exatamente no mesmo lugar. Outro gemido.
- Dois - murmura. – Vamos até o doze.
Meu deus! Desta vez a sensação é diferente: é tão carnal, tão... urgente. Ela acaricia minha bunda com seus longos dedos, e estou impotente, amarrada e pressionada contra o colchão, à mercê dela, e por vontade própria. Ela me bate de novo, um pouquinho mais pro lado, e de novo, do outro lado, e então para e tira minha calcinha bem devagar. Com gentileza, acaricia minha bunda com a palma da mão, antes de continuar a me bater, cada tapa ardente desbastando o meu desejo – ou alimentando-o, não sei. Eu me entrego ao ritmo das palmadas, absorvendo cada uma delas, saboreando-as.
- Doze – murmura ela em sua voz grave e rígida. E acaricia minha bunda de novo, correndo os dedos até meu sexo e, lentamente, enfia dois dedos dentro de mim, movendo-os em círculos, de novo e de novo, torturando-me.
Solto um gemido alto, meu corpo se apoderando de mim, e eu gozo, contorcendo-me em torno de seus lábios. É tão intenso, inesperado e rápido.
- Muito bem, baby – murmura, condescendete. Ela solta meus pulsos, mantendo os dedos dentro de mim enquanto permaneço deitada por cima dela, exausta, ofegante. – Ainda não terminei com você, Rachel.
... Minutos depois...
- Acho que você me deve um dança, Srta. Berry – murmura.
- Hum – respondo, saboreando a ausência de dor e me deleitando de júbilo.
Ela se senta sobre os calcanhares e me puxa da cama para junto de si.
- Não temos muito tempo. Vamos. – Ela beija meu cabelo e me força a ficar de pé.
Resmungo, mas me sento e pego a calcinha do chão, vestindo-a. preguiçosamente, caminho até a cadeira para pegar o vestido e reparo que não tirei os sapatos durante nosso encontro secreto. Quinn já se arrumou e ajeitou a cama, e está dando o nó na gravata.
Enquanto coloco o vestido, dou uma olhada nas fotografias do quadro de cortiça. Mesmo como uma adolescente sortuda, Quinn já era linda: com Britt e Kurt na rampa de esqui; sozinha em Paris, o Arco do Triunfo indicando a localização da foto; em Londres; NY; no Grand Canyon; diante do Opera House de Sydney; até na muralha da China. A Srta. Fabray já era viajada quando jovem.
Há também entradas para diversos shows: U2, Metallica, The Verve, Sheryl Crow, Filarmônica de NY tocando Romeu e Julieta, de Prokofiev – que mistura eclética! E no canto, uma foto três por quatro de uma jovem. Em preto em branco. Ela me parece familiar, mas por mais que eu tente, não consigo identificar quem é. Graças a Deus, não é a Mrs. Robinson.
- Quem é essa? – pergunto.
- Ninguém importante – murmura ela, vestindo o paletó e ajeitando a gravata. – Posso fechar seu zíper?
- Então por que ela está no seu quadro de fotos?
- Um descuido de minha parte. Como está minha gravata? – Ela ergue o queixo, feito uma criança, e eu sorrio e ajeito para ela.
- Agora está perfeita.
- Como você – sussurra ela, e me segura, beijando-me com fervor. – Está se sentindo melhor?
- Muito obrigada, Srta. Fabray.
- O prazer é todo meu, Srta. Berry.
OS CONVIDADOS ESTÃO se reunindo na pista de dança. Quinn sorri para mim – chegamos bem a tempo – me conduz até a pista quadriculada.
- E agora, senhora e senhores, é a hora da primeira dança. Sr e a Dra. Fabray, estão prontos? – Russel faz sim com a cabeça, o braço ao redor de Judy. – Senhoras e senhores do leilão da primeira dança, todos prontos? – Todos acenamos com a cabeça. Kurt está com alguém que não conheço. O que será que aconteceu com Sebastian? – Então, vamos começar. É com vocês, Smith!
Um jovem rapaz caminha até o palco em meio a aplausos calorosos, vira-se para banda atrás de si e estala os dedos. Os acordes familiares de '' I've Got You Under My Skin'' preenchem a noite.
Quinn sorri para mim, pega-me em seus braços e começa a me conduzir. Ah, ela dança tão bem, é fácil seguir. Nós sorrimos uma para outro, feito duas bobas, enquanto ela me gira pela pista.
- Adoro essa música – murmura ela, olhando-me nos olhos. – Parece muito apropriada. – Ela não está mais rindo, ficou séria.
- Você também está sob a minha pele – respondo. – Ou estava, lá no seu quarto.
Ela pressiona os lábios, mas não consegue disfarçar que está se divertindo.
- Srta. Beery – adverte-me de brincadeira - , eu não tinha ideia de que você podia ser tão vulgar.
- Nem eu, Srta. Fabray. Acho que são minhas experiências recentes. Foram muito educativas.
- Para nós duas. – Quinn está séria de novo, e poderíamos ser só as duas e a banda ali. Estamos em nossa própria bolha.
Quando a música termina, aplaudimos. O cantor, Smith, se curva em agradecimento e apresenta a v=banda.
- A senhorita me concederia a próxima dança?
Reconheço o homem que fez as ofertas em mim durante o leilão. Relutante, Quinn me solta, mas parece achar graça também.
- Fique à vontade. Rachel, está é Sam Evans. Sam, Rachel.
Merda!
Quinn sorri e se encaminha para fora da pista.
- Como vai, Rachel? – pergunta Dr. Evans me segurando em seus braços. Ele me parece muito mais jovem do que eu imaginava, embora eu não consiga ver seu rosto. Está usando uma máscara parecida com a de Quinn. É alto, nem se move com a mesma elegância que Quinn.
O que posso perguntar a ele? Por que Quinn é tão maluca? Por que ele ofereceu um lance para dança comigo? É a única coisa que quero saber, mas, de alguma forma, parece grosseiro.
- Fico feliz de finalmente conhecê-la, Rachel. Está se divertindo? – pergunta ela.
- Estava. – suspiro.
- Ah. Espero que eu não seja o responsável por essa mudança de sentimento. – Ele me lança um sorriso cálido e ligeiro que me deixa mais à vontade.
- Você é psicólogo, Dr. Evans. Você é quem deve me dizer.
Ele sorri.
- Esse é p problema, não é? O fato de eu ser psicólogo?
Dou um risinho.
- Tenho medo do que posso lhe revelar, então me sinto um pouco encabulada e intimidada. E, na verdade, tudo o que eu quero fazer é perguntar a respeito de Quinn.
- Primeiro, estamos numa festa. –Ele sorri. – Portanto, não estou trabalhando. – Sussurra em tom conspiratório. – E segundo, eu realmente não posso falar de Quinn com você. Além do mais, ficaríamos aqui até o Natal – brinca ele.
Arquejo, chocada.
- É uma piada de psicólogo, Rachel.
Fico vermelha, envergonhada, e então me sinto ligeiramente ressentida. Ele está fazendo uma piada a respeito de Quinn.
- Você acaba de confirmar o que eu venho dizendo para ela... que você é um charlatão muito caro – repreendo-o.
- Talvez você tenha um pouco de razão nesse ponto – Dr. Evans solta uma gargalhada.
-Você é inglês?
- Sim. De Londres, originalmente.
- Como veio parar aqui?
- Uma circunstância fortuita.
- Você não revela muito, né?
- Não tenho muito a revelar. Sou uma pessoa maçante, na verdade.
- Isso é bem autodepreciativo.
- É um traço inglês. Faz parte de nossa identidade nacional.
- Ah.
- E eu poderia acusá-la da mesma coisa, Rachel.
- Está dizendo que também sou uma pessoa maçante, Dr. Evans?
- Não, Rachel. – Ele sorri com desdém. – Que você não revela muita coisa.
- Não tenho muito a revelar. – Sorrio.
- Honestamente, duvido. – Ele franze a testa de modo inesperado.
Fico vermelha, mas a música termina e Quinn está de volta ao meu lado. Dr. Evans me solta.
- Foi um prazer conhecê-la, Rachel. – Ele me lança um sorriso caloroso e eu me sinto como se estivesse passado numa espécie de teste secreto.
- Sam. – Quinn acena para ele.
- Quinn. – Dr. Evans acena de volta, vira-se e desaparece na multidão.
Quinn me puxa para junto de si, para próxima dança.
- Ele é muito mais jovem do que eu esperava – murmuro. – E terrivelmente indiscreto.
- Indiscreto? – Quinn inclina a cabeça.
- Ah, sim, ele me contou tudo – brinco com ela.
Quinn fica tensa.
- Bom, nesse caso, vou pegar sua bolsa. Imagino que você não queira mais nada comigo – diz mansinha.
Eu paro.
- Ele não me contou nada! – Minha voz sai cheia de pânico.
Quinn pisca antes de alivio tomar seu rosto. Ela me puxa para seus braços de novo.
- Então, vamos aproveitar esta dança. – Ela me olha, confortando-me e me fazendo rodopiar.
Por que ela acha que eu iria deixá-la? Não faz sentindo.
Dançamos as duas músicas seguintes, e eu me dou conta de que preciso ir ao banheiro.
- Não vou demorar.
A caminho do banheiro, percebo que deixei minha bolsa na mesa de jantar, e volto até a tenda. Quando entro, vejo que as luzes ainda estão acesas, embora o salão esteja deserto, exceto por um casal lá no fundo, que deveria procurar num quarto! Pego minha bolsa.
- Rachel?
Uma voz me assusta. E eu me viro e vejo uma mulher num vestido longo preto, de veludo bem justo. Sua máscara é peculiar. Cobre o rosto até o nariz, e também o cabelo. É linda, com um filete de ouro elaborado.
- Que bom que está sozinha – acrescenta ela delicadamente. – Passei a noite toda querendo falar com você.
- Desculpe, não sei quem você é.
Ela tira a máscara e solta o cabelo.
Merda! é Mrs. Robinson.
- Desculpe, assustei você?
Fico boquiaberta. Puta que pariu – que diabos essa mulher quer?
Não sei como a convenção social diz que devemos nos comportar com molestadores de criança. Ela está sorrindo gentilmente e me convidando a me sentar a uma mesa. E porque não tenho nenhuma referência a respeito do que fazer, obedeço, só por educação, agradecida pelo fato de ainda estar de máscara.
- Vou ser breve, Rachel. Sei o que você pensa de mim... Quinn me contou.
Eu a fito, impassível, não revelando nada, mas fico feliz que ela saiba. Isso me poupa o trabalho de ter que falar, e ela pode ir direto ao assunto. Parte de mim está mais do que intrigada em saber o que ela poderia ter para me dizer.
Ela faz uma pausa e volta o olhar para além de mim, por cima de meu ombro.
- Puck está nos observando.
Viro a cabeça e o vejo vigiando a tenda da entrada. Ryder está com ele e os dois olham para todos os lados, menos para nós.
- Não temos muito tempo – diz ela, depressa. – Já deve estar claro para você que Quinn a ama. Eu nunca a vi desse jeito, nunca – enfatiza a última palavra.
O quê? Ela me ama? Não. Por que ela está falando isso? Para me reconfortar? Não consigo entender.
- Ela não vai dizer a você, porque provavelmente nem se dá conta disso, apesar de tudo o que eu disse para ela, mas ela é assim. Não é muito conectada com nenhum sentimento ou emoção positiva que possa ter. Ela se concentra demais no negativo. Em todo caso, você já deve ter percebido isso sozinha. Ela acha que não merece.
Estou em parafuso. Quinn me ama? Ela não disse isso, e essa mulher disse a Quinn como ela se sente? Que bizarro.
Centenas de imagem varrem a minha cabeça: o iPad, o planador, viajar para me ver, todas as suas atitudes, a possessividade dela, cem mil dólares por uma dança. Isso é amor?
E, francamente, ouvir isso dessa mulher não é nada bem-vindo. Eu preferiria ouvir isso de Quinn.
Meu coração se aperta. Ela acha que não merece? Por quê?
- Eu nunca a vi tão feliz, e está claro que você também tem sentimentos por ela. – Um sorriso rápido passa por seus lábios. – Isso é ótimo, e eu desejo toda a felicidade do mundo as duas. Mas eu queria avisar que se você a machucar de novo, mocinha, eu vou encontrá-la onde quer que esteja, e não vai ser nada agradável quando isso acontecer.
Ela me encara, os gélidos olhos cravados em meu crânio, tentando penetrar debaixo de minha máscara. A ameaça é tão surpreendente, tão inesperada, que deixo escapar uma risada involuntária e de descrença. De todas as coisas que ela podia me dizer, essa é a mais inesperada.
- Você está achando graça, Rachel? – balbucia ela, descrente. – Você não a viu sábado passado.
Minha expressão se desfaz e fica sombria. A ideia de Quinn infeliz não é nem um pouco agradável, e sábado passado foi o dia em que a deixei. Ela deve ter corrido para Mrs. Robinson. O pensamento me enjoa. Por que eu estou sentada aqui, ouvindo essa baboseira, logo dessa mulher? Eu me levanto devagar, fitando-a com intensidade.
- Eu estou rindo da sua audácia, Sra. Theron. Quinn e eu não temos nada a ver com você. E se eu a deixar, e você vier me procurar, eu estarei esperando, não tenha dúvidas. E talvez você prove o gosto do próprio veneno, em nome da criança de quinze anos de idade de quem você abusou e cuja cabeça você provavelmente perturbou ainda mais do que já era perturbada.
Ela fica boquiaberta.
- Agora, se me dá licença, tenho coisa melhor a fazer do que desperdiçar meu tempo com você. – Eu me viro, a raiva e a adrenalina possuindo meu corpo, e caminho na direção de Puck, para saída da tenda, no mesmo instante em que Quinn chega, aparentando confusão e preocupação.
- Aí está você – murmura ela, e então fecha a cara ao ver Charlize.
Passo por Quinn sem responder, dando-lhe a oportunidade de escolha: Charlize ou eu. Ela toma a decisão correta.
- Rach – chama Quinn. Eu paro e me viro para ela, que alcança. – Qual o problema? – Ela me olha, a preocupação entalhada em suas feições.
- Por que você não pergunta para sua ex? – respondo, acidamente.
Ela contorce a boca e arregala os olhos.
- Estou perguntando a você – diz, a voz suave, mas com uma insinuação bem mais ameaçadora.
Nós nos encaramos.
Tá legal, eu sei que vamos terminar brigando se eu não contar a ela.
- Ela está ameaçando vir atrás de mim se eu magoar você de novo. Provavelmente com um chicote – digo, irritada.
Alívio toma conta de seu rosto, suavizando a expressão de sua boca com um toque de humor.
- Tenho certeza que você é capaz de apreciar a ironia nisso – diz, e vejo que está se esforçando muito para conter o riso.
- Não tem graça, Quinn!
- Não. Você está certa. Vou falar com ela. – Ela assume uma expressão séria, embora ainda esteja tentando conter o riso.
- Você não vai fazer nada disso. – Cruzo os braços, a raiva crescendo novamente.
Ela pisca para mim, surpresa com meu ataque.
- Olhe, eu sei que você está amarrado a ela financeiramente, não leve a mal o trocadilho, mas... – EU paro. O que estou pedindo? Que ela a deixe? Pare de vê-la? Posso fazer isso? – Preciso ir ao banheiro. – Olho para Quinn, minha boca fecha numa linha rígida.
Ela suspira e inclina a cabeça. Dá para ser mais gata que isso? Será a máscara ou só ela?
- Por favor, não fique brava. Eu não sabia que ela estava aqui. Ela disse que não viria. – Seu tom é pacificador, como se ela estivesse falando com uma criança. Ela estica o braço e corre o polegar ao longo de meu lábio inferior trêmulo. – Não deixe Charlize estragar a nossa noite, por favor, Rachel. Ela é noticia velha.
''Velha'' sendo a palavra principal da sua frase, penso duramente, e ela levanta meu queixo e gentilmente toca os lábios nos meus. Suspiro, concordando e piscando para ela. Ela se ajeita e me segura pelo cotovelo.
- EU vou acompanhar você até o banheiro para que não seja interrompida de novo.
Ela me conduz pelo gramado em direção aos banheiros de luxo que foram instalados temporariamente no jardim. Kurt disse que foram encomendados para a festa, mas eu não tinha ideia que vinham em versões tão chiques.
- Espero por você aqui fora, baby – murmura ela.
Quando saio, meu humor está um pouco melhor. Decido não deixar Mrs. Robinson arruinar minha noite, pois é provavelmente tudo o que ela quer. Quinn está ao telefone a certa distância, evitando um grupo de pessoas que ri e conversa perto da entrada dos banheiros. À medida que me aproximo, posso ouvi-la. Está ríspida.
- Por que você mudou de ideia? Achei que tínhamos um acordo. Bem, deixe ela em paz... Esse é o primeiro relacionamento normal que eu tenho, e não quero que estrague tudo por causa de alguma preocupação inoportuna que você tem por mim. Deixe. Ela. Em. paz. Estou falando sério, Charlize. – Ela faz uma pausa por um instante, ouvindo. – Não, claro que não. – Fecha a cara seriamente ao dizer isso. Erguendo o olhar, ela me vê. – Tenho que ir. Boa noite. – E desliga.
Inclino a cabeça e ergo um sobrancelha para ela. Por que está telefonando para ela?
- Como vai a sua notícia velha?
- Mal-humorada – responde ela, sarcástica. – Você quer dançar mais? Ou quer ir embora? – E confere o relógio. – Os fogos de artificio vão começar em cinco minutos.
- Adora fogos de artifício.
- Então a gente fica para ver. – Ela passa o braço ao meu redor e me puxa para junto de si. – Não deixe que ela se intrometa na nossa vida, por favor.
- Ela se preocupa com você – balbucio.
- Sim, e eu com ela... como amiga.
- Acho que é mais do que amizade para ela.
- Rachel. – Quinn franze a testa. – Charlize e eu... é complicado. Nós temos uma história em comum. Mas é só uma história. Eu já falei um milhão de vezes, ela é uma amiga. É só isso. Por favor, esqueça esse assunto. – Ela beija meu cabelo e, para não estragar a noite, deixo para lá. Só estou tentando entender.
Caminhamos de mãos dadas até a pista de dança. Abanda ainda está tocando.
- Rachel.
Viro-me e vejo Russel atrás de nós.
- Será que você me concederia a honra da próxima dança? – Ele estende a mão para mim.
Quinn dá de ombros e sorri, soltando minha mão, e eu deixo Russel me conduzir até a pista. Smith começa a cantar '' Come Fly With Me'', Russel passa o braço ao redor da minha cintura e, gentilmente, me faz rodopiar em meio à multidão.
- EU queria agradecer pela sua generosa contribuição à nossa caridade, Rachel.
Pelo tom de sua voz, suspeito que seja só um jeito educado de me perguntar se posso bancar tal contribuição.
- Sr. Fabray...
- Pode me chamar de Russel, por favor, Rach.
- Fico feliz de poder contribuir. Recebi um dinheiro inesperado há pouco tempo. Não preciso dele. E é uma causa tão importante.
Ele sorri para mim, e eu aproveito a oportunidade para fazer umas perguntas inocentes. Carpe diem, meu inconsciente sussurra para mim.
- Quinn me contou um pouco sobre o passado dela, então acho que é apropriado apoiar seu trabalho – acrescento, na esperança de que isso possa incentivar Russel a me dar uma pequena luz sobre o mistério que é sua filha.
- Contou, foi? – Russel parece surpreso. – Isto não é comum. Você sem dúvida teve um efeito muito positivo sobre ela, Rachel. Acho que nunca a vi tão, tão... animada.
Fico vermelha.
- Desculpe, não queria envergonhá-la.
- Bem, em minha limitada experiência, já vi que ela não é uma mulher comum.
- Não, não é. – concorda Russel em voz baixa.
- O inicio da infância dela me pareceu terrivelmente traumático, pelo que ela me contou.
Russel franze a testa, e me pergunto se fui longe demais.
- Minha esposa era médica de plantão quando a policia chegou com ela. Ela era pele e osso, e estava muito desidratada. Não falava. – Russel franze a testa novamente, perdido na memória terrível, apesar da música animada que nos rodeia. – Na verdade, ela não falou por quase dois anos. Foi tocando piano que ela finalmente se soltou. Ah, e com a chegada de Kurt, é claro. – Ele sorri para mim, com carinho.
- Ela toca lindamente. E realizou tantas coisas, vocês devem se orgulhar muito dela. – Soo distraída. Caramba. Não falou por dois anos.
- Imensamente. Ela é muito determinada, muito talentosa, uma jovem muito inteligente. Mas cá entre nós, Rachel, é vê-la como está esta noite, despreocupada, agindo conforme sua idade, que nos faz verdadeiramente felizes. Eu estava comentando sobre isso com Judy hoje. E creio que devemos agradecer a você por isso.
Acho que coro até o dedinho do pé. O que devo responder?
- Ela sempre foi tão solidária. Pensei que nunca veria com alguém. O que quer que você esteja fazendo, por favor, continue. Nós queremos vê-la feliz. – Russel para de repente, como se ele estivesse ido longe demais. – Sinto muito, não era minha intenção deixa-la desconfortável.
Nego com a cabeça.
- Também quero vê-la feliz.
- Bem, estou muito satisfeito que você tenha vindo esta noite. Foi um verdadeiro prazer ver vocês duas juntas.
Assim que os acordes finais de '' Come Fly with Me'' silenciam, Russel me solta e me cumprimenta com uma reverência. Respondo com uma mesura, refletindo sua cortesia.
- Já chega de dançar com homens velhos. – Quinn está ao meu lado novamente. Russel ri.
- Sem essa de 'velho'', filha. Já tive meus momentos, todo mundo sabe. – Russel pisca para mim de brincadeira e caminha pela multidão.
- Acho que meu pai gosta de você. – murmura Quinn, observando-o se misturar com as pessoas.
- E por que não haveria de gostar? – Lanço um olhar debochado através dos cílios.
- É um bom argumento, bem colocado, Srta. Berry. – Ela me puxa num abraço, e abanda começa a tocar '' It Had to Be You''. – Dance comigo – sussurra, sedutoramente.
- Com prazer, Srta. Fabray. –Sorrio em resposta, e ela me leva por toda a pista uma vez mais.
À MEIA-NOITE, CAMINHAMOS em direção à praia, entre a tenda e o ancoradouro, onde os demais convidados estão reunidos para assistir aos fogos de artificio. De volta ao comando, o mestre de cerimonias permitiu a remoção das máscaras, para facilitar a visão. Quinn está com o braço ao meu redor, mas estou ciente de que Puck e Ryder estão por perto, provavelmente porque estamos no meio da multidão. Eles olham para todos os lados, exceto para o cais, onde dois técnicos vestidos de preto fazem os últimos preparativos. Ver Puck me faz lembrar de Ashley. Talvez ela esteja aqui. Merda. O pensamento me dá calafrios, e eu me aninho mais em Quinn. Ela me olha e me puxa mais para perto.
- Tudo bem? Está com frio?.
- Estou bem. – Olho rapidamente ao redor e vejo outros dois seguranças, cujos nome não consigo lembrar, perto de nós. Coloco-me diante de Quinn e ela passa os braços sobre meus ombros.
De repente, uma música clássica empolgante toma conta do cais e dois foguetes se projetam no ar, explodindo com um estrondo ensurdecedor sobre a baia e iluminando tudo em um dossel deslumbrante de laranja e branco cintilante, que se transforma em uma chuva brilhosa sobre a água calma. Fico boquiaberta à medida que mais foguetes se lançam ao ar e explodem em um caleidoscópio de cor.
Não me lembro de ter visto um espetáculo de fogos tão impressionantes, exceto talvez na televisão, e nunca é assim tão bonito na tevê. É tudo sincronizado com a música. Salva após salva, estrondo após estrondo, luz e mais luz, as pessoas respondem com suspiros e oohs e aahs. É algo de outro mundo.
Meu rosto está começando a doer por causa do sorriso ridículo de admiração que tenho engressado na cara. Olho para Quinn, e ela está do mesmo jeito, dois foguetes que, disparados no escuro, explodem simultaneamente, iluminando-nos com um tom dourado maravilhoso, enquanto a multidão irrompe em aplausos frenéticos e entusiasmados.
- Senhoras e senhores – exclama o mestre de cerimônias à medida que os aplausos e assobios diminuem. – Tenho apenas um aviso para acrescentar ao final desta noite maravilhosa: a generosidade de vocês arrecadou um total de um milhão, oitocentos e cinquenta e três mil dólares!
Aplausos espontâneos irrompem de novo, e, da balsa, uma mensagem se acende em fagulhas prateadas, formando as palavras '' A Superando Agradece a Todos'', que brilham sobre a água.
- Nossa, Quinn... isso foi maravilhoso. –Sorrio para ela e ela se inclina para me beijar.
- Hora de ir – murmura, um largo sorriso em seu belo rosto, e suas palavras prometem muito.
De repente, sinto-me cansada.
Ela ergue o olhar de novo. Puck está próximo, a multidão se dispersa em torno de nós. Eles não se falam, mas algo se passa entre os dois.
- Fique aqui comigo um momento. Puck quer que a gente espere até que as pessoas tenham se dispersado.
Ah.
- Acho que esses fogos de artificio provavelmente o envelheceram uns cem anos. – acrescenta.
- Ele não gosta de fogos de artificio?
Quinn me olha com carinho e balança a cabeça, mas não desenvolve o assunto.
- Então, Aspen – diz ela, e sei que ela está tentando me distrair. E funciona.
- Ih... não paguei minha oferta – engasgo.
- Você pode mandar um cheque. Eu tenho o endereço.
- Você ficou com muita raiva.
- Sim, fiquei.
Sorrio.
- A culpa é sua e dos seus brinquedos.
- Você se entregou completamente, Srta. Berry. Um resultado dos mais satisfatórios, se me lembro bem. – Ela sorri, provocante. – Aliás, onde estão?
- Eu gostaria de tê-las de volta. Elas são um dispositivos potente demais para serem deixadas em suas mão inocentes.
- Preocupada de que me entregue de novo, talvez para outra pessoa?
Seus olhos brilham perigosamente.
- Espero que isso não aconteça, Rach – diz ela, a frieza transparecendo em sua voz. – Quero todo o seu prazer.
Uau.
- Você não confia em mim?
- Implicitamente. Agora, posso ter as bolas de volta?
- Vou pensar no seu caso.
Ela estreia os olhos para mim.
A música recomeça na pista de dança, mas agora é um Dj tocando uma música pulsante, o baixo se sobressaindo numa batida repetitiva.
- Quer dançar?
- Estou muito cansada, Quinn. Gostaria de ir embora, se estiver tudo bem para você.
Quinn olha de relance para Puck, acena com a cabeça, e partimos em direção à casa, seguindo dois convidados meio bêbados. Fico feliz que ela esteja segurando minha mão – meus pés estão doendo, os sapatos são muito altps, e apertados.
Kurt se aproxima toda animado.
- Vocês não estão indo, estão? A música de verdade acabou de começar. Vamos dançar, Rach. – Ele agarra a minha mão.
- Kurt – adverte Quinn. – Rachel está cansada. Nós estamos indo para casa. Além disso, temos um dia cheio amanhã.
Temos?
Kurt fez beicinho, mas, surpreendentemente, não pressiona Quinn.
- Você tem que voltar na semana que vem. Quem sabe nós não fazemos compras juntos?
- Claro, Kurt. – Sorrio, embora no fundo da minha mente eu não tenha ideia de como, já que preciso trabalhar para viver.
Ele me dá um beijo rápido e abraça Quinn com força, surpreendendo a nós duas. E mais inesperado ainda: ele coloca as mãos diretamente nas lapelas de seu paletó, e tudo o que ela faz é olhar para ele, indulgente.
- Gosto de ver você feliz assim – diz ele com ternura, e lhe dá um beijo na bochecha. – Tchau. Divirtam-se. – Ele se afasta a se junta aos amigos que o esperam, entre eles, Kitty, que parece ainda mais azeda sem máscara.
Pergunto-me vagamente onde será que Sebastian está.
- Vamos dar boa-noite aos meus pais antes de sair. Venha. – Quinn me leva através de um grupo de convidados até Judy e Russel, que se despedem de nós calorosamente.
- Ah, Rachel, volte outro dia, por favor. Foi ótimo recebê-la aqui – diz Judy com gentileza.
Fico um pouco sem jeito com reação dela e de Russel. Felizmente, os pais de Russel já foram dormir, então, pelo menos, sou poupada de entusiasmo deles.
Descontraídos e cansados, Quinn e eu caminhamos de mãos dadas até a frente da casa, onde os incontáveis carros estão em fila à espera dos convidados. Olho para minha Cinquenta Tons. Ela parece feliz. É um verdadeiro prazer vê-la desse jeito, embora eu suspeite de que seja incomum após um dia tão extraordinário.
- Você está bem aquecida? – pergunta ela.
- Sim, obrigada. – Enrolo o lenço de citem ao meu redor.
- Eu me divertir muito esta noite, Rachel. Obrigada.
- EU também, em alguns momentos mais do que os outros – sorrio.
Ela sorri de volta e concorda com a cabeça, e então franze a testa.
- Não morda o lábio – adverte de uma maneira que faz meu sangue gelar.
- O que você quis dizer com ter um dia cheio amanhã? – pergunta para distrair a mim mesma.
- A Dra. Vai vir para dar um jeito em você. Além disso, tenho uma surpresa.
- A Dra! – exclamo, num sobressalto.
- É.
- Por quê?
- Porque odeio quando você fica menstruada – responde ela baixinho. Avaliando minha reação, seus olhos brilham na luz suave das lanternas de papel.
- O corpo é meu – resmungo, irritada por ela não ter me consultado.
- É meu também – sussurra ela.
Eu a encaro, e vários convidados passam por nós, ignorando-nos. Ela parece muito séria. Sim, o meu corpo é dela... ela sabe disso melhor do que eu.
Levanto os braços em sua direção, e ela se encolhe ligeiramente, mas permanece no mesmo lugar. Segurando a gravata borboleta pela ponta, desato o nó, revelando o botão de cima de sua camisa. Gentilmente, o desabotoo.
- Você fica sexy assim – sussurro.
Na verdade, ela é sexy o tempo todo, mas assim fica ainda mais.
Ela sorri.
- Preciso levar você para casa. Venha.
Junto do carro, Ryder passa um envelope para Quinn. Ela franze a testa e me olha enquanto Puck abre a porta para mim, parecendo aliviado por algum motivo. Quinn entra no carro e me entrega o envelope fechado. Puck e Ryder se sentam à nossa frente.
- É para você. Um dos funcionários entregou a Ryder. Com certeza é de mais um dos seus admiradores – Quinn torce a boca. Fica claro que é uma ideia desagradável para ela.
Olho o envelope. De quem é? Abro e leio rapidamente sob a luz fraca. Puta merda, é dela! Por que ela não me deixa em paz?
Talvez eu não tenha feito um julgamento correto a seu respeito. E você certamente formou uma ideia errada de mim. Ligue para mim se tiver alguma duvida que gostaria de esclarecer, poderíamos combinar um almoço. Quinn não quer que eu fale com você, mas eu ficaria mais do que feliz em ajudar. Não me leve a mal, eu aprovo a relação de vocês, acredite em mim. Mas... se você machuca-la... Ela já se machucou o suficiente. Ligue para mim: (206) 279-6261
Mrs. Robinson.
Parra, ela assinou Mrs. Robinson! Quinn contou a ela! A filha da mãe.
- Você contou a ela?
- Contei o quê a quem?
- Que a chamo de Mrs. Robinson – respondo irritada.
- É de Charlize? – Quinn fica chocada. – Isso é ridículo – resmunga ela, correndo a mão pelo cabelo, e dá para ver que está irritada. – Amanhã eu falo com ela. Ou segunda-feira – murmura amargamente.
E embora eu tenha vergonha de admitir, uma pequena parte de mim está satisfeita. Meu inconsciente concorda sabiamente. Charlize está deixando Quinn furiosa, e isso só pode ser bom, com certeza. Decido ficar quieta por enquanto, mas enfio o bilhete na bolsa, e, num gesto que é uma garantia de aliviar seu humor, devolvo-lhe as bolas.
- Até a próxima – murmura.
Ela me olha, e é difícil ver seu rosto no escuro, mas acho que está sorrindo. Ela pega a minha e a aperta.
Olho pela janela, para escuridão, refletindo sobre o longo dia de hoje. Descobri tantas coisas sobre ela, recolhendo aqui e ali detalhes que estavam faltando: os salões de beleza, o mapa de seu corpo, sua infância. No entanto, ainda há muito a descobrir. E a Mrs. R? sim, ela tem carinho por ela, um carinho profundo, ao que parece. Percebo isso, e Quinn também tem carinho por ela, mas não da mesma maneira. Não sei mais o que pensar. Toda essa informação faz minha cabeça doer.
QUINN ME ACORDA assim que estacionamos diante do Escala.
- Vou precisar carregar você? – pergunta gentilmente.
Sonolenta, nego com a cabeça. De jeito nenhum.
Dentro do elevador, apoio-me nela, encostando a cabeça em seu ombro. Ryder está diante de nós, mexendo-se de maneira desconfortável.
- Foi longo dia, hein, Rachel?
Concordo com a cabeça.
- Cansada?
Concordo com a cabeça.
- Você não está muito falante.
Concordo com a cabeça, e ela sorri.
- Venha. Vou botar você na cama. – Ela pega minha mão aos sairmos do elevador, mas paramos no saguão assim que Ryder ergue a mão. Em uma fração de segundo, estou bem acordada de novo. Ryder fala em sua manga. Não sabia que estava usando rádio.
- Certo, P – diz ele e se vira para nós. – Srta, Fabray, os pneus do Audi da Srta, Berry foram cortados e jogaram tinta nele.
Puta merda. meu carro! Quem faria isso? E no instante em que a pergunta se materializa na minha mente, já sei a resposta. Ashley. Olho para Quinn, e ela está pálida.
- Puck receia que alguém possa ter entrado no apartamento e que ainda esteja lá. Ela quer ter certeza.
- Entendo – sussurra Quinn. – Qual é o plano de Puck?
- Ele está subindo pelo elevador de serviço com outros dois seguranças. Vão fazer uma busca e depois liberar a entrada. Aguardarei aqui com a senhorita.
- Obrigada, Ryder – Quinn aperta o braço em torno de mim. – Este dia só melhora. – Ela suspira amargamente e enfia o rosto em meu cabelo. – Olhe, não posso ficar aqui esperando. Ryder, tome conta da Srta. Berry. Não deixe que ela entre até que você tenha recebido um ok. Imagino que Puck esteja exagerando. Não tem como ela ter entrado no apartamento.
O quê?
- Não, Quinn... você tem que ficar aqui comigo – imploro.
Ela me solta.
- Obedeça, Rachel. Espere aqui.
Não!
- Ryder? – pede Quinn.
Ryder abre a porta do saguão, liberando a entrada de Quinn no apartamento. Em seguida fecha a porta atrás de si e se põe de pé na frente dela, olhando-me impassível.
Puta merda. Quinn! Os mais variados desfechos horripilantes passam por minha cabeça, mas tudo o que posso fazer é ficar aqui e esperar.
Então?
Pessoas do meu coração.. postei uma nova fic. Uma adaptação de My Biology de Camren para Faberry .
Quem puder dá uma olhada e tals e tals.. kkk
.br/historia/650927/MyBiology/
