Eu realmente não iria postar hoje, mas parece que a boca da Nane é santa e fui trabalhar hoje e não tinha NINGUÉM lá pra ser atendido, então deu tempo de traduzir essa belezura aqui pra vocês. Divirtam-se!
Berry gosta de mulheres?
Quinn amanheceu logo. Os sons que provinham da sala e o delicioso cheiro do café e das torradas tiraram ela de seu prazeroso sonho. Já era hora de retomar sua vida, de tratar de assimilar o que fazia, como fazia e o que gostava de fazer. O primeiro a lhe dar o bom dia foi Nemo. O cachorro esperava impaciente aos pés da cama, esperando que sua dona acordasse, para exigir todos aqueles mimos que havia perdido durante sua estadia no hospital.
O rosto da loira se iluminou ao descobrir o pequeno cachorro e subiu ela na sua cama para abraça-lo e brincar com ele durante uns minutos. O tempo suficiente que demorou Judy a aparecer para informar que o café da manhã estava pronto.
A loira entrava em seu quarto pela primeira vez após tomar banho. Pela noite havia dado uma olhada, mas não entrou nele. Agora estava ali, sozinha, diante de uma grande cama que supunha que era dela. O armário se abria diante ela com toda sua roupa, perfeitamente arrumada. Escolheu o mais cômodo, algo casual, uma calça jeans e uma camiseta branca.
Um cabo sobressaia de uma das gavetas e lhe chamou a atenção. Pode deduzir que se tratava de um carregador de telefone e rapidamente passou pela sua mente a imagem de um celular. Sabia que tinha, mas não recordava como era e nem aonde poderia estar, tão pouco sabia se tinha perdido ele no acidente ou não.
Q: "Mamãe!" – exclamou aparecendo na sala. "aonde está meu celular?"
Judy olhou surpreendida para sua filha. Não tinha notado aquele detalhe.
J: "Seu celular?... lembra do seu celular?"
Q: "Não... não lembro, mas suponho que tenha um, além do mais tenho um carregador que prova isso." – disse mostrando o cabo.
J: "Pois sim, tem um sim, mas agora mesmo eu não sei aonde possa estar."
Q: "Que bom... e por que não liga pra ele? Talvez toque."
Judy atendeu o pedido de sua filha e logo tirou o celular dela para realizar a chamada.
Não serviu de nada, uma operadora respondia, deixando claro que estava desligado ou não disponível.
J: "Está desligado carinho, deve estar em alguma gaveta." – respondeu. "mas deixa isso e tome café da manhã agora."
Quinn aceitou o convite de sua mãe e terminou se sentando na cozinha, disposta a devorar aquelas torradas que esperavam impacientes.
S: "Bom dia!" – exclamou Santana aparecendo na cozinha através do jardim traseiro.
B: "Oi Quinny!" – disse Britt se aproximando da loira.
Q: "Ei... de onde vem?" – perguntou curiosa ao ver elas aparecerem.
S: "Da casa da Shane, de onde quer que a gente venha?"
Q: "Por que estavam no jardim?"
B: "Entramos por lá." – respondeu se servindo com torrada.
J: "Pode entrar por ambas casas por lá carinho, tem uma cerca que divide o jardim."
Q: "E por que ninguém me diz essas coisas?... digo, eu terei que conhecer minha casa pelo menos, não?" – disse brava.
S: "Quinn, eu não sei o que você lembra ou não... posso?" – perguntou pegando a cafeteira.
J: "Claro meninas, sirvam-se e tomem o café, imaginei que viriam e tem suficiente."
B: "Como está?... disposta a passear por LA?"
Q: "Me encontro bem, um pouco estranha, mas bem... mas não sei se vamos poder sair para ver a cidade, Rachel combinou de me ligar para ir ao... Planet?" – parou enquanto dava uma mordida na torrada.
S: "Tá, Berry nos ligou as duas da madrugada para me dizer, eu disse que nós duas te levaríamos."
Q: "Mas... ela não vem?" – perguntou confusa e um pouco desiludida.
S: "Sim... estará lá nos esperando junto com as outras."
Quinn mostrou um leve sorriso de satisfação ao escutar aquelas palavras.
B: "Ei, a Rachel te cai bem pelo que vejo, né?"
Q: "Eh... sim, sim... me cai bem." – respondeu tratando de não dar importância.
B: "Hum... pois não é o lógico, vocês tem que começar se odiando para depois..."
S: "Britt carinho, quer café?" – interrompeu diante a iminente confissão da loira.
B: "Eh... não, não quero café, quero suco... tem suco?" – mudou de tema.
J: "Sim... tem suco sim." – interferiu ao mesmo tempo que olhava um pouco preocupada para Santana.
Nenhuma delas confiava em Brittany. Não achavam que pudesse aguentar sem dizer nada do que deveria se calar.
Por sorte, o tema da conversa mudou por completo e as horas foram passando.
As três garotas decidiram sair para passear antes de chegar no Planet. Rachel por sua vez, tinha que solucionar alguns assuntos pendentes com a produtora antes de ir para o encontro que ela mesma havia organizado. Pensou que seria uma das primeiras a chegar no local, mas Spencer e Ashley haviam se adiantado.
Sp: "Vejam o que nos preparou a Kit." – disse após cumprimentá-la e lhe mostrando a mesa perfeitamente preparada para a ocasião. "foi uma grande ideia."
R: "Genial, já conversaram com a Santana?"
A: "Sim... estão passeando um pouco antes de vir."
R: "Perfeito." – respondeu um pouco nervosa.
Sp: "Está nervosa?"
R: "Não... não."
A: "Não... claro que não, só está a ponto de subir pelas paredes e terminar mordendo os dedos porque já não tem unhas." – brincou.
R: "Muito engraçada." – recriminou. "não estou nervosa, só... bom, tenho vontade de ver ela."
Sp: "E como estão indo?" – perguntou enquanto se sentava.
R: "Aceitando... ainda que não consiga tal como queria. Não posso estar tranquila sabendo que ela desconhece tudo o que passou entre nós duas."
A: "Bom, isso joga a seu favor, sinceramente acho que o que aconteceu foi o único que poderia fazer remendar todo o dano que se fizeram."
R: "Não é nenhum ponto a favor Ash, não posso me sentir bem sabendo que ela ignora tudo e que agora sorri para mim como se não tivesse acontecido nada, me dói que o faça... sinto que estou mentindo para ela."
Sp: "Te entendo, mas não se martirize Rachel, além do mais, estou segura de que Quinn voltará a lembrar de tudo."
R: "Não sei, eu já não sei o que pensar e se digo a verdade para vocês, não sei quanto tempo mais vou aguentar sem dizer nada a ela."
Sp: "Não faça isso Rach, já viu o que os médicos disseram... se Quinn souber de tudo de repente, não sabemos como vai reagir, necessita tempo para assimilar."
A: "Sabe o que eu faria no seu lugar?" – interrompeu a garota, provocando a atenção de ambas. "voltaria a fazer ela se apaixonar."
Sp: "O que?"
Rachel olhava incrédula para ela, esperando a explicação que Spencer havia exigido.
A: "Sim, vejam... cabem duas possibilidades, que Quinn não volte a se lembrar ou que volte a se lembrar de tudo e as coisas continuem igual entre vocês, mas se você for agora e fazer ela se apaixonar, sairá ganhando, aconteça o que acontecer."
Sp: "Ash, você acha que Quinn vai se conformar com isso, quando lembrar de tudo? Ela já estava apaixonada pela Rachel e veja como foram as coisas."
A: "Tá, mas não sei, e se não recordar de nada? Vai permitir que venha outra e ocupe seu lugar?" – se dirigiu a Rachel que permanecia em silencio.
R: "Nenhuma outra vai ocupar meu lugar, duvido que Quinn caia nisso."
Sp: "Como?" – agora ela não entendia a Rachel.
R: "Quinn se esqueceu de tudo, inclusive..." – engoliu em seco. "que gosta de mulheres."'
Ashley e Spencer se olharam surpreendidas.
Sp: "O que diz? Como se esqueceu disso?... Ela te disse?"
R: "Não fez falta, uma das vezes em que fui ao hospital para visitá-la me perguntou se ela tinha namorado."
Sp: "Mas isso não quer dizer nada..."
R: "Quer dizer tudo Spencer, a Quinn me falava no gênero masculino, me perguntava se tinha ou se teve namorados, também vi ela um pouco iludida com esse doutor, o psicólogo..." – explicava com o olhar baixo.
A: "E?" – interrompeu. "O que importa? Quinn está desconcertada nesse tema, não sabe nada, é lógico que pergunte por homens, ou por acaso acha que o primeiro que vai te dizer é: 'Ei Rachel, eu já dormi com quantas mulheres?'" – disse em tom irônico. "é lógico que te pergunte por homens."
R: "Eu não tenho tão claro assim, se tivesse visto o olhar dela, desejava ter tido namorado e que estivesse ali, cuidando dela."
A: "Veja Rachel, nessa vida todo mundo é heterossexual até que deixe de ser." – sentenciou.
S: "Por que você comprou isso?" – Santana recriminava sua namorada.
B: "Porque tenho fome." – respondia.
S: "Mas vamos comer agora... não pode esperar uns minutos?"
B: "Tenho fome agora, não dentro de uns minutos... além do mais, esse cachorro quente está delicioso, quer?" – oferecia com inocência.
S: "Não, obrigada."
B: "Você quer?" – olhou para Quinn.
Q: "Não... não, obrigada." – respondeu com um sussurro.
S: "O que te passa? Passou toda a manhã perguntando coisas e agora leva um tempo em silencio."
Q: "Estou um pouco nervosa." – respondeu.
S: "Por?" – perguntou diante o atento olhar de Britt.
Q: "Não sei, vou estar lá rodeada por pessoas que não conheço e... bom, não sei é estranho."
B: "Mas você conhece a nós, pode confiar."
Q: "Tá... mas ainda assim é estranho, além do mais imagino que terá alguém que não vi ainda, não?"
S: "A que se refere?" – questionou parando a caminhada.
Q: "Vejamos... sei que não vão me dizer nada, mas imagino que terá alguém lá que eu deveria reconhecer como algo mais que minha amiga, verdade?"
Santana lançou um olhar para Brittany que esteve a ponto de engasgar com um pedaço de pão.
B: "Gosta de mulheres?" – perguntou divertida diante a seriedade do rosto de Santana.
Q: "Não... não sei, eu gosto?"
S: "Quinn, chega... isso não deve estar acontecendo." – respondeu voltando a caminhar.
Q: "Isso significa que sim." – disse seguindo os passos da latina.
B: "Isso é você quem deve dizer Quinn."
Q: "Não posso dizer porque não sei como foi minha vida, mas não tem que ser muito esperta para se dar conta de que tudo o que me rodeia indica o mesmo."
S: "O que é que te rodeia?" – voltava a perguntar confusa.
Q: "San..." – segurou o braço da garota para que parasse os passos. "me diga por favor, não vou me sentir mal, não vai me causar trauma. Olhe para mim, vivo rodeada de garotas que são parceiras entre si, nenhum garoto se dignou a me visitar no hospital, minha mãe está com uma mulher. Acha que vou me afundar se me disser que eu gosto das mulheres?"
S: "Não... não, não... não pode estar acontecendo isso, sua mãe vai me matar." – maldizia. "e os médicos e... Deus Quinn, porque tem que acontecer isso comigo?"
Q: "Isso me confirma." – respondeu com um leve sorriso.
S: "Ainda por cima sorri, não... não." – recriminava voltando a andar com rapidez, para voltar ao mesmo lugar aonde estavam as duas loiras.
B: "Relaxa San, Quinn está bem... veja, até sorri."
S: "Não entende, isso não pode acontecer assim."
Q: "E como tem que acontecer San? Tenho que ser uma ignorante durante o resto da minha vida? Alguma vez terei que saber o que é que eu fui... não acha?" – mudou seu gesto.
Santana ficou em silencio. Ela era a primeira que desejava contar tudo para Quinn, mas a advertência dos médicos a intimidava. Quinn era sua melhor amiga, era uma irmã. A latina havia sido a única que não havia se derrubado diante a notícia de seu acidente, mas não o fez porque sabia que Quinn sairia daquilo e todos buscavam seu apoio, não podia cair diante de todos, mas ninguém sabia quantas lágrimas havia deixado escapar quando conseguia se afastar do resto, quantas vezes se sentiu sozinha e aterrorizada enquanto tomava banho e camuflava seu choro com o som da água. Santana adorava a Quinn e não podia correr o risco de prejudicá-la com algo assim, por muito que desejasse esclarecer suas dúvidas.
Q: "Sei que nesse bar terá alguém que formou parte importante da minha vida, eu sei e não me pergunte porque e tão pouco vou te perguntar quem é, porque sei que te colocaria no maior apuro da sua vida, mas eu vou averiguar e quando fizer, vou perguntar para vocês." – fez uma pausa. "e quero que sejam sinceras comigo."
Aquelas palavras não tinham réplica alguma. A contundência e segurança com que foram ditas, dizia tudo.
Quinn reiniciou o caminhar, Santana demorou em reagir e logo a acompanhou, enquanto Britt a abraçava por cima dos ombros.
B: "Escuta Quinn..." – disse a garota. "como sabe sobre sua mãe?"
Q: "A Rachel me disse." – sorria ao pronunciar o nome da morena.
S: "Rachel?... maldita anã. Sua mãe sabe?"
Q: "Não e não vai saber, entendido?" – ameaçou. "na realidade Rachel não tem a culpa, eu perguntei a ela de improviso e bastou eu ver o rosto dela, para saber que era verdade, igual aconteceu com você."
B: "Quantas coisas mais sabe?" – brincou. "também sabe se a Rachel gosta das mulheres?"
Quinn olhou surpreendida para o casal.
Q: "Não... Rachel não gosta das mulheres, teria me dito."
Brittany mostrou um divertido sorriso diante a estupefata cara de Santana.
Q: "O que foi? Por que vocês estão rindo?"
B: "Por nada... vejo que não te escapa nada. É certo... Rachel não gosta das mulheres." – comentou com sarcasmo.
Spencer, Ashley, Molly, Kyla, Aiden, Madison e Glen já esperavam junto a Rachel no Planet. A conversa entre eles era animada. Rachel ainda nervosa, tratava de dissimular sua inquietude diante a iminente chegada da loira, mas algo cruzou seu caminho.
A imagem de Leisha entrando no bar e caminhando até o balcão tirou ela de sua relativa tranquilidade e sem que ninguém percebesse a situação, Rachel se levantou de sua cadeira para ir ao encontro da que era sua amiga.
R: "Oi Lee..." – chamou a atenção da garota que estava a ponto de ir para trás do balcão.
A surpresa no gesto da garota era notável.
L: "Rachel, te peço que não me monte outro escândalo, se quer me dizer algo espere que eu esteja fora daqui, por favor."
R: "Não venho para escandalizar, tranquila, só queria comentar algo."
Leisha lançou um olhar para a mesa, aonde Spencer e companhia já havia percebido a ação de Rachel.
L: "O que foi?" – disse confusa.
R: "Quinn está a ponto de chegar e eu gostaria de que se comportasse."
L: "Já deram alta para ela?" – perguntou com um brilho de esperança no olhar
R: "Sim, deram ontem e vem para cá com um par de amigas, vamos almoçar todas juntas."
L: "Ok, me alegro."
R: "Existe um pequeno problema, Quinn tem amnésia e não lembra de nada..."
L: "Já sei Rachel, mesmo que não acredite, eu me interesso por ela." – respondeu com frieza.
R: "Ok." – respondeu tratando de manter a calma. "então só deve saber que os médicos não querem que digamos a ela nada que posso traumatiza-la, deixa-la em choque e como compreenderá tudo o que aconteceu entre nós três pode prejudicar."
L: "Está me pedindo para que não me meta, certo?"
R: "Estou te pedindo que se vai cumprimentá-la, por favor trate ela como uma amiga, como todas fazemos."
L: "Não sabe nada sobre vocês?"
R: "Não... é algo que não deve saber, por agora." – respondeu sem poder olhar nos olhos da garota.
L: "Já verei..."
R: "Não, não 'já verá'. Deixe de lado as discrepâncias, é algo que os médicos nos disse e temos que seguir a risca, pelo bem de Quinn, entende?"
Os olhos de Leisha oscilaram de repente, deixando de lado a morena para se fixar na porta de entrada. Uma familiar voz tirou Rachel de sua conversa.
Q: "Oi Rachel." – disse uma nervosa Quinn ao mesmo tempo que se aproximava de ambas.
R: "Quinn..." – dissimulou. "O...oi!" – gaguejava ao ver o rosto da loira.
Voltava a ser ela, voltava a ser a mesma Quinn Fabray de sorriso esplendido e olhos brilhantes, elegante inclusive com uma calça jeans e uma simples camiseta. Seu cabelo estava natural, caindo de lado e mesmo que ainda conservava essa palidez que havia conseguido no hospital, as olheiras haviam desaparecido, mostrando um rosto perfeitamente iluminado.
Q: "Como está?" – disse enquanto dava um leve abraço na morena.
R: "Bem... bem... e você está... genial." – balbuciava.
Q: "Bom, poderia estar muito melhor." – sorria ao mesmo tempo que olhava pela primeira vez para Leisha que se mantinha em segundo plano.
Rachel reagiu a tempo e optou por se mostrar cordial diante a garota.
R: "Quinn, ela é Le..isha."
Q: "Oi Leisha, prazer em te cumprimentar..."
L: "Não se lembra de mim, verdade?" – estendeu sua mão para cumprimenta-la, ao mesmo tempo em que esboçava um sorriso.
Q: "Não... sinto muito, mas tranquila, logo eu gravo os nomes." – respondeu ao mesmo tempo em que cumprimentava a garota.
L: "Bom, tão pouco tem muito o que se lembrar de mim, só sou uma garçonete." – sorria.
Q: "Ah... trabalha aqui?... então deve conhecer a Bette."
L: "Sim... claro que a conheço, me alegro de te ver por aqui, outra vez."
Rachel se mantinha em segundo plano. Leisha estava sendo comedida e não causava nenhum perigo para Quinn, pelo menos por hora.
L: "Vamos, será melhor que se sente, suas amigas estão um pouco famintas." – brincou.
Q: "Sim... já vou, te vejo agora Rachel." – disse deixando um sorriso para ambas e se dirigindo para a mesa, aonde já lhe esperavam todos seus amigos.
R: "Obrigada." – respondeu sem olhar para Leisha.
L: "Não fiz isso por você, fiz por ela." – foi grossa e sem comentar nada mais, se afastou da morena, entrando na cozinha.
Rachel regressava para a mesa com uma estranha sensação. Era ela que devia estar furiosa com Leisha e não ao contrario, tal como acabava de demonstrar a garota. Com o gesto contrariado se sentou entre Ashley e Britt. Quinn percebeu o gesto sério da morena. Intuía que algo acontecia e seguramente tinha a ver com aquela garota que acabava de lhe apresentar.
De repente a curiosa ideia de achar que talvez essa garota e Rachel fosse algo mais começou a rondar por sua mente. Rachel tinha lhe falado de um grande amor em sua vida, mas não concretizou nada. Britt havia tomado como brincadeira sua suposta conclusão de que Rachel não gostava de mulheres.
Talvez Leisha e Rachel tivessem sido um casal. A forma em que se olhavam denotava tensão entre elas. Não pode evitar sentir um pouco de desilusão ao tirar aquela conclusão, mas propôs averiguar tudo.
A comida começou a chegar, Kit havia se encarregado de criar um menu para todos em apenas umas horas. Ela também sentia um grande carinho por Quinn e não duvidou em aceitar a proposta que Rachel lhe fez naquela madrugada, quando se encarregou de avisar um a um para organizar aquele encontro.
Um bom ambiente rondava a mesa, Quinn se sentia bem, havia deixado de lado aquele medo de estar rodeada de desconhecidos, mas logo se sentiu a vontade com eles. Não havia ninguém que lhe resultasse estranho, havia se misturado perfeitamente, inclusive já entendia o irônico humor que usavam Ashley e Madison. Só Molly permanecia mais calada que o resto e supôs que a garota era tímida.
B: "Vamos Ash, me passe o ketchup, não fique com tudo."
A: "Espere ok? Está entupido ou sei lá... não quer sair."
Britt e Ashley iniciaram uma pequena discussão tentando abrir um pequeno pote de ketchup.
B: "É muito desajeitada, me dê isso... gire..." – indicava afastando Rachel, que permanecia sentada entre as duas.
A: "Não, saia... não vê que está entupido?" – lhe mostrava o pote.
Brittany tratou de se apoderar do pote, mas Ashley tentou impedir, provocando um empurra e puxa que mantinha o pote justamente em cima de Rachel. O previsível aconteceu diante o olhar de todos os presentes e um grande jarro de ketchup caiu no colo da morena,que rapidamente ficou de pé, surpreendida pela situação. Os risos na mesa começaram a contagiar em frente ao gesto contrariado que Rachel mostrava.
R: "Vejam o que fizeram." – recriminou enfurecida, o que fez com que os risos passassem a se converter em gargalhadas. "não tem graça." – olhava a mancha de tomate enquanto tratava de eliminar com um pequeno guardanapo de papel.
S: "Rachel, só te falta um pão e será um..."
R: "Shhh..." – ameaçou a latina. "nem se atreva a zoar." – apontava com seu dedo para a garota.
Quinn tratava de manter a compostura, intuía que Rachel estava brava mas aquela postura tomada pela morena lhe resultava encantadora e muito divertida.
- "Desculpe..." – uma mulher interrompia Rachel, que ainda permanecia de pé. "você é Rachel Berry?"
A morena não soube reagir diante a interrupção daquela desconhecida e se limitou a mostrar um leve sorriso.
- "Oh Deus... me perdoe que te incomode, mas... poderia tirar uma foto com minha filha? Será só um segundo, por favor." – suplicava.
Rachel concordou diante o atento olhar de seus amigos e esperou a chegada da filha daquela mulher, quando seus olhos arregalaram, assombrada.
A garota era apenas um bebê que não tinha nem um ano de idade.
- "Se chama Lea." – disse emocionada a mulher, enquanto lhe entregava o bebê para uma surpreendida Rachel, que não pode fazer nada além de abraçar e esperar que a mulher tirasse a foto.
Rachel esperava um tanto impaciente a mulher buscar a câmera fotográfica em sua bolsa no carrinho, de onde minutos antes havia estado a pequena. Apenas uns segundos depois ambas, a pequena Lea e Rachel, posavam diante da câmera da mulher.
A emoção a invadia, tanto que nem prestava atenção em sua filha e mostrava mais interesse em comprovar que a imagem havia saído bem. Foi nesse instante quando Rachel, um pouco mais relaxada, começou a fazer carícias no bebê que acabou em um final desastroso.
Lea, completamente alheia a quem tinha ela nos braços, terminou vomitando sobre o peito da morena, manchando a blusa dela e voltando a provocar a gargalhada no restante de seus amigos.
Rachel ficou completamente petrificada. A mãe da pequena reagiu a tempo, afastando ela de seus braços e pedindo milhares de desculpas pelo que acabava de acontecer, mas foi tarde. O riso na mesa voltou a aparecer e a embaraçosa situação se apoderava da morena, que após desculpar a pobre mãe, abandonou apressada a mesa, indo em direção ao banheiro. Quinn, que não podia acreditar em tudo o que havia acontecido em apenas uns minutos e esquivando das gargalhadas de seus amigos, optou por seguir os passos da garota, disposta a lhe dar uma mão.
Após abrir a porta, se deparou com Rachel histérica, molhando vários pedaços de papel e tentando limpar sua roupa, enquanto balbuciava todo tipo de palavras inaudíveis.
Q: "Rachel, está bem?" – perguntou mostrando um leve sorriso diante a histeria de sua amiga.
R: "O que faz aqui? E... por que está rindo?... não teve graça." – disse sem levantar o olhar de sua blusa.
Q: "Sim, teve sim... é muito divertida quando fica brava."
Rachel lançou um olhar desafiante para a loira.
Q: "Me deixe te ajudar." – respondeu tirando os pedaços de papel que já formavam uma pequena bolinha nas mãos da morena.
A loira optou por pegar mais papel de uma máquina automática e após umedecê-los, começou a eliminar com delicadeza a mancha. Não podia evitar esboçar aquele sorriso. A atitude da morena era completamente infantil e aquilo lhe provocava ternura.
R: "Não ria Quinn, porque estou a ponto de chorar." – murmurou sem afastar o olhar de sua blusa.
Q: "Mas o que diz? Vamos Rachel, é só uma pequena mancha que agora mesmo... vai desaparecer." – respondia enquanto continuava tentando elimina-la.
R: "Por que tudo isso tem que acontecer comigo? Para que diabos essa mulher quer uma foto minha com seu bebê?... O que vai passar quando o bebê crescer e me odiar, ou não gostar de mim? Estará traumatizado pelo resto da vida..."
Quinn tratava de conter o riso, mas lhe resultava impossível.
R: "Não ria." – recriminou levantando pela primeira vez o olhar e foi então quando sua atitude mudou.
Com a histeria não havia se dado conta, não foi consciente de que a garota que estava ali, a escassos centímetros dela, esfregando com suavidade sua blusa e com um enorme sorriso, era Quinn, sua garota."
Q: "Chega Rachel, não passa nada... não se acaba o mundo." – lhe correspondia com o olhar. "além do mais, que ser nesse mundo vai te odiar? Seguramente que essa pequena terá poster seu nas paredes do quarto dela quando crescer."
R: "Sim, é provável." – tirou seu lado Berry. "mas, o que faço agora eu com toda essa mancha? Terei que ir para casa me trocar..."
Q: "Nem pensar, veja..." – apontou para a blusa. "já nem dá pra ver, está limpa..." – indicou ao mesmo tempo em que jogava fora o papel.
R: "Cheira mal... meu cabelo cheira mal!" – começava a se queixar novamente.
Q: "Vejamos... Rachel, está bem, está perfeita... deixa de ficar histérica por isso."
R: "Quinn, meu cabelo." – quase soluçava enquanto segurava uma mecha. "cheira mal, tá péssimo, não posso sair assim na rua."
Q: "Me deixa ver." – a loira avançou tão rapidamente que Rachel não teve mais remédio que parar seu nervosismo.
Sem se dar conta, tinha o rosto de Quinn junto ao seu, com o nariz roçando seu pescoço, tratando de encontrar aquele desagradável odor que lhe falava.
Não podia acreditar, Rachel estava completamente paralisada, os calafrios aconteciam cada vez que Quinn fazia um movimento pausado com o roce do seu nariz. Sentia que a respiração entrecortava, que o coração palpitava com força, tanto que temia que a loira pudesse sentir.
Quinn se deixou levar. Aquela zona do corpo de Rachel não cheirava mal, ao contrário, se encontrou com o mesmo suave e embriagador cheiro que havia na cama de visitas de sua casa, o mesmo perfume que descobriu no banheiro, quando ela estava lá dentro, o mesmo aroma que lhe resultava tão familiar e que tanto fazia ela sentir.
Q: "Rachel." – sussurrou se afastando com delicadeza. "cheira maravilhosamente bem."
A morena engoliu em seco ao escutar a voz da loira tão perto dela.
R: "E... diz isso... para... que... eu não vá." – gaguejava.
Q: "Não." – disse olhando para ela fixamente. "digo isso porque é verdade, esse bebê ainda deve tomar leite e não cheira nada desagradável, acredite, nunca cheirei nada melhor em minha vida como o que eu acabo de cheirar."
As palavras desapareceram. Rachel não era capaz de articular frase alguma enquanto tivesse Quinn na frente dela. A ideia de avançar e beijar os lábios da loira foi tomando força em seu interior. Desejava, desejava voltar a sentir aquele calor, aquele sabor.
Q: "Vamos Rachel Berry?" – disse finalmente, tirando a morena do transe.
R: "Volte você... vou entrar no banheiro... agora mesmo eu saio."
Q: "Está segura? Eu posso te esperar se quiser."
R: "Não, não... vá, volte para a mesa, eu não demoro nada." – insistiu.
Q: "Ok, se em três minutos não aparecer lá, eu volto por você." – respondeu com um enorme sorriso, ao mesmo tempo que saia do lugar.
Rachel permaneceu vários segundos quieta, em silencio, sendo consciente que a loira já não estava ali e por fim reagiu se virando para o lavabo e cravando seus olhos sobre o espelho, se olhava completamente perplexa, tratando de recuperar a compostura.
R: "Três minutos?... poderia ficar toda a vida metida aqui, com tal de que você volte..."
OBS. 1: História original escrita por CARMEN MARTIN na fanfic 2 NUEVOS CAMINOS ( s/7412103/1/2_Nuevos_Caminos)
