Olá!
Estou de volta pessoal. Eu devia postar só no domingo, mas atendendo a pedidos antecipei.
Não tenho muito o que dizer sobre o capítulo, porque estou com sono demais para pensar em algo XD.
Boa leitura!
Em um típico fim de tarde de verão, em que densas nuvens de chuva começavam a tomar conta do céu antes azul, a Senhora do Oeste andava de um lado a outro no grande salão do castelo ansiosa a espera de seu marido e filho.
Sesshoumaru havia saído na manhã daquele dia para percorrer parte das terras e levara Heikou consigo, dizendo que não demoraria. O dia passara devagar e agora com a noite chegando e uma forte chuva ameaçando se precipitar sobre as Terras do Oeste, Rin estava preocupada. Ela tinha os cabelos soltos e vestia um quimono de seda branco com desenhos abstratos nas cores amarela e verde. Caminhou até uma das janelas que dava para a entrada principal do castelo e pôde ver que os pequenos pingos de chuva já fustigavam o vidro.
Trovoadas podiam ser ouvidas e raios cortavam a imensidão do céu. Típicos fenômenos da natureza, belíssimos e fascinantes aos olhos de uns, mas absolutamente desagradáveis a outros como Rin. Ela não tinha mais medo, pelo menos não o medo infantil que a incomodou durante tanto tempo. Mas tempestades sempre lhe davam uma sensação estranha como se fosse prenúncio de algo ruim.
Sesshoumaru lhe disse inúmeras vezes que isso era bobagem, tempestades nada mais eram que fenômenos naturais, manifestações da natureza. Ele dizia que estas superstições e crendices eram típicas de humanos ignorantes e que isso não se adequava a uma mulher culta como ela. A porção racional de Rin concordava com o youkai, mas humanos são movidos pelo emocional e ela não podia ignorar o que sentia, portanto era sempre difícil ter os homens de sua vida fora de casa numa tempestade como a que se formava.
Enquanto divagava olhando a chuva lá fora, o tempo passou rapidamente sem que ela percebesse. Logo a figura de Sesshoumaru pôde ser vista surgindo por entre as árvores do bosque em frente ao castelo e Heikou estava ao seu lado. Os dois caminhavam tranquilamente como se uma torrente de água não caísse sobre suas cabeças.
Rin balançou a cabeça negativamente e deixou a janela caminhado até a porta de entrada para recebê-los.
- Pelos deuses, vocês andam nessa chuva como se nada fosse. – Ela disse olhando para o filho, que lhe sorria.
- É apenas água hahue. – Heikou disse de forma tranqüila.
- Sim é só água...
Rin pegou o menino pela mão e o conduziu ao salão principal, os dois foram seguidos por Sesshoumaru. Os cabelos e as roupas de ambos estavam encharcados e as gotas de água molhavam o chão. Logo Midori acompanhada de uma outra serva trouxe toalhas para os dois. Uma delas foi entregue a Rin que passou a enxugar o filho e a outra foi oferecida pela jovem criada ao youkai e este ignorou a oferta.
- Heikou, quero que vá agora mesmo com Midori e retire esses trajes molhados. – A mãe orientou o fitando. – Posso saber onde estiveram?
- Nós fomos às terras ao sul hahaue e visitamos Ryou-san e Kiomi-san.
- É mesmo? – Ela indagou olhando logo depois para Sesshoumaru que se mantinha de pé e sério como sempre, agora secava o rosto com a toalha antes estendida pela serva.
Heikou também olhou para o pai e ele fez um gesto positivo com a cabeça confirmando que ele podia falar.
- Tem uma menina pequena lá agora. - Heikou disse despreocupado enquanto a mãe ainda secava seus cabelos que se alongavam pelas costas.
- Kiomi já teve o bebê? - Rin questionou se dirigindo a Sesshoumaru.
- Hai. - Ele respondeu simplesmente.
- E como está Kiomi?
- Ela está bem.
- Que bom! Eles devem estar muito felizes. Você viu a menina, meu príncipe?
- Vi hahaue. Ela é pequena e estranha. - Heikou disse fazendo uma careta o que causou estranheza na mãe.
- Estranha??
- Ela chora, chora muito... - O menino respondeu arrancando risos da mãe.
- Meu príncipe, bebês não sabem falar, é através do choro que eles se comunicam. - A mãe explicou ainda sorrindo.
Sesshoumaru observava os dois e quase deixou escapar também um sorriso pelo canto dos lábios por causa dos comentários do filho. Rin estava sentada em uma poltrona e Heikou parado de pé ao lado dela.
- Agora vá se trocar. - Rin orientou. - Depois conversamos.
Heikou pegou a toalha branca das mãos da mãe e correu em direção a escada, desafiando Midori a segui-lo. A serva sorriu com a peraltice dele e o seguiu lentamente, pois sua idade avançada já não lhe permitia acompanhá-lo.
- Miyumi peça, por favor, que preparem o banho de seu Senhor. - Ordenou Rin com a mesma suavidade de sempre.
- Sim minha senhora. - A serva respondeu reverenciando o casal e depois se retirou.
O barulho ensurdecedor de um trovão ecoou pelas terras e Sesshoumaru observava a mulher ainda sentada na poltrona. Ela ergueu o rosto para fitá-lo e encontrou os profundos orbes dourados encarando-a.
- Graças aos deuses vocês já voltaram.
- Preocupa-se demais minha Rin. Heikou é uma criança, mas ele possui sangue de youkai em suas veias, ele não sofrerá de enfermidades típicas de humanos. Ele é imune a isso.
- Diferente de mim não é?
- Exato. - O youkai se aproximou da mulher e pegou uma de suas mãos fazendo com que ela se levantasse. - Quando você era uma menina eu tinha que garantir que não ficasse exposta à chuva ou como conseqüência você adoecia. - Ele disse em tom tranqüilo e a beijou no rosto.
Rin sorriu ao lembrar-se de sua infância ao lado daquele, que naquela época não imaginava, viria a ser seu marido.
- Eu lhe dei muito trabalho não foi? - Questionou fitando os olhos dourados.
- Muito... – O youkai confirmou também a fitando de forma significativa.
Rin o abraçou pouco se importando com o fato dele estar todo molhado.
- Agora você também está molhada.
- Não importa. Eu irei com você e então troco minhas roupas. – Ela disse sorrindo e depois selou os lábios dele com os seus mais uma vez. - Vamos? Seu banho já deve estar pronto. - Ela o chamou conduzindo-o à escada para seguirem ao andar superior.
Horas mais tarde, depois de terem tomado um longo banho juntos, o Senhor e a Senhora do Oeste desciam as escadas indo até a sala de jantar, onde o filho já os aguardava.
Heikou estava sentado na cadeira ao lado direito da cabeceira onde era o lugar de seu pai. Ao lado esquerdo, ficava sua mãe.
- Konbanwa meu príncipe!
- Konbanwa hahaue!
Durante o jantar Rin conversou com Sesshoumaru sobre o nascimento da filha de Ryou e Kiomi. Ela ouviu do youkai que a menina se chamava Mayra, nome escolhido por Ryou e que segundo ele, em sua língua natal, significava amada.
- Imagino o quanto Kiomi deve estar feliz, apesar da preocupação dela em não estar preparada para ser mãe. Eu também tive medo. – Rin completou após alguns segundos.
- Medo? - Sesshoumaru indagou arqueando a sobrancelha, enquanto levava uma xícara com chá até a boca.
- Sim.
- Nunca vi qualquer hesitação em você quanto a isso Rin.
- Não houve hesitação. Eu queria muito essa criança, nossa criança. – Rin disse olhando para o filho, que a fitava e estava atento a conversa dos pais. A mulher prosseguiu. – Mas eu me preocupava, pensando se seria uma boa mãe. Acho que isso é normal quando é a primeira vez.
- Qualquer um que a conhecesse poderia dizer com certeza quão boa mãe você seria. Eu nunca tive dúvidas quanto a isso. – Sesshoumaru disse calmamente.
Rin sorriu olhando para ele e depois para o filho.
O jantar transcorreu tranqüilamente. A tempestade lá fora havia se acalmado embora ainda chovesse.
A Senhora do Oeste fez planos e comunicou a Sesshoumnaru que iria visitar o casal amigo e sua herdeira tão logo fosse possível.
- Eu também posso ir hahaue? - Heikou questionou.
- Achei que não tivesse gostado da menina, que o choro dela o havia incomodado?
Heikou apenas olhou para a mãe sem nada responder e Rin sorriu mais uma vez.
- É claro que você poderá ir meu príncipe. Iremos amanhã se não estiver mais chovendo.
No dia seguinte, conforme prometido, Rin foi com o filho às Terras ao sul onde ficava a residência do General Ryou.
Por ordens de Sesshoumaru soldados a escoltaram durante todo o trajeto. Sesshoumaru jamais permitira que Rin andasse desacompanhada pela floresta, ainda que fosse dentro de seu território. A região era vasta e mesmo com toda vigilância era impossível deter todos os intrusos. Um ou outro youkai, vez ou outra se aventurava por ali e era possível que desavisados pudessem atacá-la por não saber de seu status ou por não se importarem e desconhecerem o a magnitute do poder do senhor daquelas terras.
No fim o youkai tinha toda a razão. Não faltava muito para chegarem a seu destino quando foram interceptados por uma horda de youkais. Os soldados se puseram em prontidão para defender sua senhora e o herdeiro das Terras do Oeste.
- Vejo que um nobre viaja nesse grupo. Mas por que sinto cheiro de humanos em uma carruagem protegida por youkais? – Um dos youkais, que tinha uma aparência repugnante se pronunciou.
Rin ficou atenta logo que a carruagem parou sem que ela tivesse ordenado, seu instinto lhe dizia que algo estava errado. A mulher pegou sua katana depositada atrás de um dos bancos e a retirou da bainha.
Heikou olhou admirado para o que a mãe fazia e ela pediu que ele ficasse em silêncio fazendo um gesto com o dedo indicador sobre os lábios. O menino concordou com a cabeça e Rin o fez sentar-se novamente. Ela então abriu lentamente a porta da carruagem apesar dos protestos silenciosos do filho e desceu calmamente fitando os youkais parados no caminho.
Rin havia escondido sua katana sob o refinado kimono de seda e usando sua face mais inocente deu alguns passos à frente.
Os youkais a olharam surpresos. Era humana como eles puderam detectar pelo cheiro, mas por que estava sendo conduzida por youkais?
- O que vocês querem? – A mulher perguntou usando um tom de voz tranqüilo.
- Queremos tudo o que você tiver humana. Não sei porque diabos está em companhia de youkais, mas isso não importa. Você nos dará o que queremos.
- Vocês sabem onde estão? - Rin perguntou mais uma vez sem se alterar.
- O que isso importa mulher? - Esbravejou um outro youkai.
- Vejo que não sabem.
Rin andou mais alguns passos em direção aos homens se colocando ao lado de um de seus soldados.
- Minha senhora, por favor, deixe-nos lidar com isso. – O soldado que liderava o grupo pediu.
- Minha senhora??? Que patético. Como um youkai pode se referir a uma reles humana como sua senhora??
As indagações e o tom debochado utilizado pelo youkai irritaram profundamente o soldado.
- Vou fazê-lo engolir tais palavras seu verme. – Ele respondeu exasperado.
- Não! – Rin o deteve segurando seu braço. – Acalme-se Hiroy.
A humana voltou a encarar o youkai seriamente enquanto seu soldado a olhava surpreso. Heikou assistia a tudo incógnito na carruagem como sua mãe ordenara, mas estava difícil manter-se longe daquilo.
- Sugiro que vocês saiam dessas terras imediatamente, antes que se machuquem. – Ela voltou a se pronunciar.
- Ha ha ha ha! Quem você pensa que é humana? Nós vamos matar esses youkais inúteis que a servem e vamos nos divertir muito ao colocá-la no seu devido lugar.
Os youkais avançaram e Rin tomou sua katana em mãos para defender-se. Os soldados lutavam contra os youkais, assim como Rin que se encarregou daquele que mais falara impropérios à ela.
Heikou não mais se conteve ao ver sua mãe ser atacada e saiu de onde estava indo ao encontro dela. Ele usou suas garras já salientes e avançou contra o youkai ferindo-o no braço.
O youkai gemeu de dor e ia avançar contra Heikou quando a mãe se colocou na frente e o ameaçou com a katana.
- Não se aproxime do meu filho. Seu imundo.
- Como é?
- Você me ouviu. Fique longe dele.
- Esse fedelho idiota me atacou. Pensa que pode comigo pirralho mestiço? Agora vejo que você deve ser a concubina de algum youkai. Por isso deu a luz a uma vergonha como essa.
- Cale-se! - Rin gritou irritada.
Heikou sentia seu sangue ferver e tomado por um impulso pegou uma adaga que sempre trazia consigo e partiu para cima do youkai mais uma vez.
- Heikou não! - Mais uma vez a mulher gritou.
O menino conseguiu atingir o youkai na barriga, mas foi pego por ele no processo. O sangue escorria pela roupa surrada do youkai, enquanto ele segurava Heikou pela gola do quimono.
- Eu vou matar você sua peste.
Os soldados, que já haviam se livrado do restante do grupo se aproximaram temerosos. Se algo acontecesse àquela criança eles poderiam dar suas vidas como acabadas.
- Solte-o youkai. Você trará desgraças inimagináveis a sua vida se fizer algo ao príncipe herdeiro das Terras do Oeste.
O youkai pareceu se alarmar com a revelação, mas não largou o menino. A ousadia do garoto em atacá-lo o deixara extremamente irritado.
Heikou ainda lutava contra ele arranhando-o com suas garras e provocando cortes na pele de seu braço por onde o sangue fluía.
- Solte meu filho agora. – Rin disse procurando conter-se.
O youkai a fitou por alguns instantes. O que havia de errado com essa mulher? Ela achava mesmo que podia dar ordens a ele que era um youkai? Uma simples humana?
- Não ouviu o que a Senhora disse? Solte o garoto.
Uma voz familiar a Rin ecoou no local. Ela fixou seu olhar ao ver surgir atrás do youkai a figura de Ryou.
O youkai tigre levou uma de suas mãos ao pescoço do inimigo por trás e cravou suas garras levemente em sua pele, fazendo o líquido rubro escorrer. Ao mesmo tempo Ryou segurava com a outra mão sua espada que estava pressionada às costas do outro.
- Solte-o. Não vou ordenar uma segunda vez intruso.
Ryou apertou ainda mais a garganta do youkai e este logo soltou o pequeno.
Heikou caiu de pé ao chão e ajeitou o quimono olhando raivosamente para o youkai. Rin logo o chamou para junto de si, no que ele obedeceu prontamente.
O youkai foi jogado ao chão com uma força descumunal por Ryou.
- Levem esse inútil daqui. Há uma prisão no vilarejo logo adiante, digam que foi o General Ryou quem o mandou.
- Mas General, vai prendê-lo?? - O soldado perguntou incrédulo, achando aquela uma punição inadequada para o crime de importunar e tentar matar a esposa e o herdeiro do senhor daquelas terras.
- Sim. Vou mantê-lo preso e mais tarde pretendo apresentá-lo formalmente ao senhor Sesshoumaru. Creio que ele apreciará conhecer aquele que invadiu suas terras e importunou sua mulher e filho. – O youkai tigre disse de forma cínica olhando com desprezo para o youkai que estava agora subjugado.
- Está bem minha senhora?
- Sim Ryou. Obrigada Você está bem meu príncipe?
- Estou hahaue.
- Ótimo! Eu lamento que isso tenha acontecido, mas garanto que este miserável pagará pelo que fez. Agora vamos, vou levá-los até a casa.
Alguns minutos depois, Ryou chegava até sua casa em companhia de Rin e Heikou. Eles encontraram Kiomi sentada na sala tomando chá.
- Querida veja quem veio nos visitar!
- Oh Rin-san! – A jovem disse sorrindo e se levantando para cumprimentar a amiga.
- Como está Kiomi?
- Estou ótima! Oh, ohayou mais uma vez príncipe Heikou!
- Ohayou Kiomi-san! - O menino a cumprimentou fazendo uma reverência polida.
- Vim para ver sua criança Kiomi. Quando Sesshoumaru e Heikou chegaram em casa dizendo que ela já havia nascido eu logo quis vir conhecê-la.
- Ela está dormindo agora, mas venha até o quarto. Vamos vê-la.
As duas mulheres caminharam pelo corredor até o quarto da pequena Mayra enquanto Ryou continuou na sala em companhia de Heikou.
Mayra ressonava tranqüilamente em um belo berço em formato oval confeccionado em madeira de lei clara. O quarto espaçoso e arejado era todo decorado com móveis claros assim como o berço.
Rin fitou a menina por alguns instantes, tão pequenina. Depois voltou seu olhar para a mãe.
- Ela se parece com Ryou.
- Toda. Ela não herdou nada meu.
- Nem os olhos?
- Nem os olhos. São negros como a noite, iguais aos de Ryou.
As duas sorriram. De fato Mayra era muito parecida com o pai.
A menina se moveu levemente e a mãe então a pegou no colo com cuidado fazendo assim com que Rin pudesse vê-la melhor.
- Ah! Ela é linda Kiomi. – Rin disse em um tom quase sussurrado. – E se parece com você também. Ela tem os seus traços delicados.
- Ryou disse o mesmo, mas eu ainda não consegui enxergar. – A jovem disse pouco antes de beijar a cabecinha do bebê, coberta com finos fios negros.
Na sala Ryou acabara de entregar uma mensagem nas mãos de um dos servos e ordenara que esta fosse entregue o mais rápido possível a seu destinatário. Segundos depois as duas mulheres retornavam à sala de visitas e ainda conversavam.
- Ryou?! Rin-san acaba de me contar o que ocorreu a caminho daqui. Quem eram esses youkais?
- Eu ainda não sei, mas logo descobrirei tudo. Pretendo ter uma conversa particular com os dois que sobreviveram.
- Acho que eram apenas ladrões Kiomi. - Disse Rin tranqüila enquanto se sentava na poltrona.
- Talvez, mas eles tiveram muita audácia ao andar por estas terras sem permissão e ainda a atacarem dessa forma.
- Aparentemente eles nem sabiam aonde estavam. Muito menos poderiam deduzir que estavam molestando a senhora dessas terras. - Ponderou Ryou.
- E você os enfrentou Rin-san?
- Sim. Não deixaria que me atacassem tão facilmente. Não me importava que eles levassem o que quisessem de valor, mas eles ameaçaram meu filho e ele revidou. Não é rapaz?
- Chihiue me disse para nunca permitir que alguém fale daquele jeito comigo hahaue. - Heikou ainda estava zangado com o acontecido. Os insultos do youkai não foram digeridos pelo jovem hanyou, seu orgulho fora ferido e isso o deixava exasperado.
- O que você fez foi muito perigoso meu filho. Você poderia ter se ferido gravemente ou pior.
- Eu sei me defender hahaue. - O menino respondeu fitando a mãe seriamente.
Rin suspirou pesadamente. Por vezes Heikou demonstrava ser exatamente igual ao pai, extremamente orgulhoso e intransigente.
Eles continuaram a conversar na sala de visitas até que o almoço estivesse pronto. Kiomi os convidara para juntar-se a eles durante a refeição e Rin aceitou o convite.
Após a refeição Heikou saiu com Ryou para ir até o vilarejo próximo. As mulheres continuaram na casa conversando e admirando a pequena Mayra que estava agora acordada no colo da mãe.
- É uma sensação maravilhosa não é? - Rin perguntou observando mãe e filha.
- É sim. Nunca senti nada parecido. E pensar que eu tinha medo do que aconteceria. Não me achava preparada para ter um filhote.
- Essa insegurança é normal eu acredito. Todas nós sentimos na primeira vez.
- É, mas agora que superei a ansiedade inicial, eu sei que quero dar muitos filhos ao meu Ryou. - A jovem inuyoukai disse sorrindo.
Rin também sorriu.
Algumas horas mais tarde Ryou e Heikou voltavam para a casa e estavam no pátio de entrada quando sentiram uma poderosa presença se aproximar. Eles olharam para trás a tempo de ver uma esfera verde e brilhante surgir no céu. A esfera desceu rapidamente até o chão e seu brilho se dissipou revelando o Daiyoukai Sesshoumaru em toda a sua imponência.
A face impassível do youkai nada demonstrava, mas ele estava furioso. Ryou sabia disso. Sabia que Sesshoumaru viria ao encontro da mulher tão logo soubesse do ataque sofrido por ela e por seu filho, por isso enviou o seu mais veloz mensageiro ao castelo para entregar-lhe a mensagem em que relatava o ocorrido e dizia ter feito prosioneiros dois youkais que sobreviveram a ação.
- Sesshoumaru-sama! - Os soldados e servos que ali estavam prostraram-se diante dele.
Seshoumaru apenas olhou ao seu redor até encontrar os olhos de Ryou que o observava. O youkai tigre caminhou ao seu encontro, assim como Heikou que sorriu ao ver o pai, mas conteve sua euforia e a vontade de correr até ele.
- Eu recebi sua mensagem. - Ele disse simplesmente, mas quem o conhecesse mínimente poderia notar sua ira.
Sesshoumaru voltou seu olhar para o filho que se aproximou lentamente dos dois adultos e se dirigiu a ele.
- Você está bem?
- Hai chichiue.
- Sua mãe. Onde ela está?
- Está na casa com Kiomi-san.
- Ela não sofreu nada Sesshoumaru. - Ryou se pronunciou. - Vamos entrar.
Ryou conduziu o youkai e seu filho para dentro da residência e mandou que uma das servas chamasse pelas mulheres que estavam no quarto. Logo elas vieram ao encontro deles. Rin viu Sesshoumaru de pé no batente da porta que levava à varanda e ele a fitava seriamente.
- Sesshoumaru?! - Rin disse surpresa. - Ryou mandou chamá-lo?
- Hai.
Rin se aproximou dele e o fitou nos olhos.
- Já pensava em chamar Heikou para retornarmos. Não havia necessidade de você vir aqui.
- Você pretendia que eu não soubesse o que aconteceu aqui?
- Não. Eu sei que você seria informado sobre isso independente do que eu dissesse.
- Entende agora porque não permito que ande pela floresta sem escolta?
- Sim eu sei. Sei que faz isso para me proteger.
- Nós iremos embora depois que eu resolver alguns assuntos. – O youkai disse enquanto fitava a mulher de forma agora tranqüila.
- O que você vai fazer?
- Não pergunte Rin. Você não vai gostar de saber. - Disse calmamente.
O youkai caminhou de volta à porta de entrada da casa e se dirigiu a Ryou.
- Leve-me até onde está o youkai responsável pelo ataque.
Ryou pegou sua espada e caminhou também em direção a porta para irem à prisão que ficava no vilarejo.
- Chichiue eu posso ir também? – Perguntou Heikou.
Sesshoumaru se virou para olhá-lo, depois voltou seu olhar para Rin sabendo claramente que ela era contra aquilo.
- Fique com sua mãe Heikou. Ela precisa de você.
Sem dizer mais nada os dois saíram pela porta indo em direção ao vilarejo.
A presença de Sesshoumaru causou comoção naquele pequeno lugar. As pessoas estavam nas ruas, havia humanos e youkais vivendo ali como, aliás, era comum nos vilarejos que ficavam dentro do território do youkai. A figura imponente trajando um quimono impecavelmente alvo andava tranqülamente pelas ruas empoeiradas acompanhado de seu general. Os habitantes locais os reverenciavam respeitosamente, sabiam que aquele em companhia do General Ryou era o poderoso Daiyoukai senhor daquelas terras. Os dois conversavam durante o caminho.
- O que pretende fazer com o prisioneiro? - Indagou Ryou.
- É realmente necessário que lhe diga?
- Não. - O youkai tigre respondeu sorrindo levemente.
- Eu senti um fraco cheiro de sangue em Heikou, mas não era dele nem de Rin...
- Provavelmente era de um dos youkais. Heikou o enfrentou quando o viu atacar Rin-sama. - Ryou esclareceu. - Ele tem coragem...
- Ele é impulsivo. Precisa aprender a controlar isso ou terá sérios problemas. - O inuyoukai respondeu.
Pouco tempo depois Sesshoumaru e Ryou chegaram a seu destino. O inuyoukai permaneceu em uma sala espaçosa enquanto Ryou ordenava à autoridade ali que trouxesse os prisioneiros.
Os dois youkais foram trazidos acorrentados à presença de Sesshoumaru, ele os olhou com extremo despreso e sem nada dizer por alguns instantes. Os guardas os deixaram ao chão e Ryou ordenou que eles se retirassem ao que eles logo atenderam. O youkai tigre aproximou-se dos dois e disse:
- Vocês devem saber que estão em um território anexado às Terras do Oeste e que este..- Disse fazendo referência a Sesshoumaru. - É o senhor dessas terras. A mulher e a criança que vocês atacaram são a esposa e o filho dele.
Os youkais arregalaram os olhos assustados, podiam sentir a energia sinistra emanada pelo inuyoukai que os fitava com ódio do outro lado da sala. Sesshoumaru estalava os dedos salientando as poderosas e afiadas garras. O fio de veneno já podia ser visto na extremidade de seus dedos.
Do lado de fora alguns soldados conversavam e todos comentavam sobre a presença de seu senhor ali. Logo eles puderam ouvir os gritos aterrorizantes vindos de dentro daquela construção. Gritos de dor e agonia, que eles sabiam serem daqueles youkais que cometeram a estupidez de entrarem em terras desconhecidas e mexerem com sua senhora e o príncipe herdeiro.
Sesshoumaru fez questão de matar aqueles youkais estúpidos da forma mais dolorosa possível. Ele os fez sucumbir lentamente ao seu veneno corrosivo. Aqueles vermes serviriam de exemplo para que todos soubessem o que acontece com quem ousa afrontar Seshoumaru Taisho.
Não demorou para que aqueles infelizes estivessem mortos e Sesshoumaru não tardou a voltar para a casa de Ryou no intuito de buscar os seus e levá-los de volta ao castelo.
Rin despediu-se dos amigos prometendo voltar em breve para ver a pequena Mayra mais uma vez.
À pedido de Rin o caminho de volta ao castelo foi percorrido de carruagem, exatamente como quando vieram. A mulher achava que essa era uma boa oportunidade para que eles passassem algum tempo juntos como família. Sesshoumaru sentou-se no confortável assento estofado e Rin estava ao seu lado com a cabeça apoiada em seu ombro. Heikou estava no outro assento de frente para os pais.
- Meu príncipe por que não se deita e descansa até chegarmos em casa?
- Não estou cansado hahaue.
Os pais o fitavam atentamente. Rin sorria. Ela sabia que o menino estava sim cansado e com sono, mas seu orgulho jamais permitiria que ele admitisse tal fraqueza diante do pai. Sesshoumaru continuou a fitar o filho, sabia também que ele estava cansado e lhe instigava ver até quando o pequeno mediria forças com ele e lutaria contra o sono.
A viagem seguiu tranqüilamente com o casal conversando sobre assuntos irrisórios e pouco antes de chegarem em casa Heikou adormeceu. A mãe o olhou com doçura depois se voltou para o youkai ao seu lado beijando-lhe a face. Sesshoumaru virou o rosto contra o dela e fez com que seus lábios se tocassem em um beijo demorado e carinhoso. Quando não havia mais ar, eles se afastaram. Sesshoumaru passou então a acariciar a face doce de sua mulher enquanto ela, de olhos fechados, desfrutava do toque delicado dele.
Minutos depois chegaram ao castelo. Sesshoumaru ajudou Rin a descer da carruagem e logo depois pegou o filho ainda adormecido no colo. O menino foi levado até seus aposentos e colocado confortavelmente na cama. A mãe retirou seu calçado com todo cuidado e trocou suas roupas.
- Hahaue nós já chegamos? – O pequeno hanyou perguntou ainda sonolento.
- Já meu príncipe. Agora você pode dormir tranqüilo.
Rin cobriu o menino e o beijou na testa, antes de deixar o aposento.
No aposento principal do castelo Sesshoumaru estava parado na porta da sacada observando o céu que começava a ser salpicado de estrelas.
Rin adentrou o local e o observou por alguns instantes enquanto soltava os cabelos que até então estavam presos.
- Sesshoumaru o que você fez com aqueles youkais?
A pergunta da mulher chamou a atenção do youkai, o que o fez voltar-se para ela, mas ele não respondeu.
- Você os matou?
- Sim. – Ele respondeu simplesmente. – Eles tinham que pagar pelo que fizeram minha Rin. – Concluiu depois de algum tempo e a abraçou.
Rin se aconchegou aos braços dele e suspirou. Sabia que não adiantaria tentar argumentar com Sesshoumaru sobre o assunto. Ele era absolutamente implacável quando desafiado, não admitia que o contrariassem e havia matado por motivos muito menos sérios anteriormente. Certamente não teria misericórdia daqueles que ameaçaram sua família.
A noite chegou e cobriu com seu manto negro as Terras do Oeste. Os senhores do castelo recolheram-se a seus aposentos logo após o jantar e desfrutaram da companhia um do outro naquela noite tranqüila de verão.
Como de praxe, aguardo reviews para saber a opinião de vocês.
Beijos!
