Capítulo XXXVII – Nem Tudo é o que Parece

Narrado por Rosalie

Eu tinha acabado de cruzar com Edward nos corredores do hospital. Estava indo dar alta para Bella que já estava ansiosa para voltar para casa e curtir a filha com a família. Ao passar em frente ao meu consultório, a porta de repente se abriu e eu me surpreendi ao ver quem estava ali.

_ Dra. Hale? – ela me chamou baixinho.

_ O que você está fazendo aí? – eu perguntei desconfiada.

_ Eu preciso da sua ajuda! Por favor, entre! Precisamos conversar! – ela me puxou pela mão me forçando a entrar em meu consultório.

Fiquei surpresa ao ver que ela não estava sozinha.

_ Mas o que significa isso? – perguntei chocada.

_ Dra. Hale! Eu preciso que você fique aqui dentro pelos próximos quinze minutos. É muito importante que ninguém a veja.

_ Mas o que está acontecendo? – eu perguntei confusa.

_ Eu não posso dizer nada ainda, mas, por favor, faça o que eu pedi! – ela insistiu.

Assim que eu concordei, ela sorriu e saiu sem dizer mais nada. Tentei ligar para o celular de Emmett, mas estava sempre ocupado. Tentei falar com Edward, mas ele também estava com a linha ocupada. Jake não atendia ao telefone, Jasper não estava no hospital. Minha última esperança era Bella, mas o celular estava fora de área.

Eu estava começando a achar que algo muito grave estava acontecendo. Estava com medo e sentia que iria enlouquecer se não conseguisse falar com ninguém.

Narrado por Tânia

O carro preto me aguardava no estacionamento do hospital com os motores ligados. Abri a porta de trás e entrei apressada carregando o Moisés que estava coberto com uma manta para que seu conteúdo não chamasse atenção.

_ O que você pensa que está fazendo? Você não pode ir comigo! – Jéssica protestou ao ver que eu iria acompanhá-la.

_ Jéssica, eu acabei de roubar um bebê recém nascido! Você acha que eu tenho condições de continuar perambulando por aí? Eu preciso me esconder e você vai me levar sim! – eu disse fingindo estar exasperada.

Jéssica ponderou por uns instantes e colocou o carro em movimento. Ela dirigia concentrada na estrada com um sorriso vitorioso nos lábios. Eu estava louca para arrancá-lo dali, mas a hora dela chegaria e eu teria o prazer de vê-la cair. Depois de dirigir por aproximadamente vinte minutos na estrada, Jéssica tomou um atalho por uma estrada de chão. Na medida em que avançávamos, a paisagem se transformava com árvores enormes que beiravam os dois lados da estrada. Parecíamos estar entrando em uma floresta. Jéssica estacionou o carro em frente a um bangalô no meio do mato. As copas das árvores que o cercavam eram tão densas que formavam uma cobertura espessa que tornaria impossível visualizá-lo do alto.

Descemos do carro e eu carregava o Moisés enquanto Jéssica corria com uma alegria imensa para dentro do bangalô. Eu podia ouvir sua voz melosa ao falar com alguém dentro da casa e sorri ao perceber que Michael estava lá dentro. A hora da verdade finalmente tinha chegado e eu adoraria ver a expressão no rosto de Jéssica ao perceber que tinha sido usada por todo esse tempo.

Entrei calmamente sob o olhar atento e cobiçoso de Michael que sorriu para mim assim que nossos olhares se encontraram. Ele baixou o olhar para o Moisés e eu pude perceber sua expressão se transformar indo da tranqüilidade ao ódio em questão de segundos. Sem tirar meus olhos de cima dele, coloquei o Moisés sobre uma mesa no canto da sala. Ele acompanhou atentamente meus movimentos enquanto seus olhos percorriam cada centímetro do meu corpo. Me afastei da mesa sabendo o que ele faria a seguir. A expressão em seu rosto não deixava dúvidas, ele daria cabo da menina naquele instante e eu estava preparada para me defender se ele viesse para cima de mim. Minhas mãos estavam escondidas atrás de meu corpo e eu não hesitaria em fazer o que fosse necessário se ele perdesse o controle.

Jéssica olhava para ele com os olhos apaixonados. Cheguei a sentir pena dela naquele momento. Sua cegueira era tão grande que ela era incapaz de perceber o que estava bem diante dos seus olhos. Michael caminhou em direção ao Moisés e arrancou a manta que o cobria com violência. Seus olhos se arregalaram e ele virou o rosto furioso na direção de Jéssica andando em sua direção e lhe dando uma bofetada tão forte que Jéssica perdeu o equilíbrio e caiu no chão gemendo de dor.

_ Você não presta pra nada mesmo! – ele gritou enfurecido.

Jéssica ainda estava atordoada com a reação de Michael. Ela não sabia a razão daquela violência. Michael a ergueu do chão pelos cabelos e a arrastou de volta até o Moisés obrigando-a a olhar dentro dele. Jéssica arfou ao perceber que tinha sido enganada e seus olhos se encheram de lágrimas. Ela ainda tentou se explicar para Michael, mas ele estava fora de controle. Corri na direção dos dois tentando impedir que ele a matasse. Eu tentava fracassadamente tirá-lo de cima dela enquanto ele a espancava gritando que ela teria o fim que ela merecia por ser tão imprestável, o mesmo fim que ele tinha dado em sua família. Jéssica já não gritava mais, estava inconsciente, mas nem por isso Michael deixava de castigar seu rosto.

Eu não tinha força física suficiente para afastá-lo dela e isso não me deixava alternativa. Saquei a arma que eu escondia atrás de meu corpo e dei um tiro de advertência para o alto. O barulho pareceu despertá-lo de seu ataque de fúria e ele se levantou virando-se na minha direção. Olhei rapidamente para o corpo desfalecido de Jéssica no chão. Uma enorme poça de sangue se formava debaixo de sua cabeça. Se o socorro não chegasse rápido ela não sobreviveria. Michael se aproveitou de meu breve momento de distração por causa de minha preocupação com Jéssica e avançou na minha direção puxando a arma da minha mão e apontando para mim. Ele me olhava de uma forma apavorante e eu senti meu sangue gelar nas veias. Seu sorriso doentio foi a última coisa que meus olhos registraram antes que ele apertasse o gatilho e a escuridão me envolvesse por completo.

Narrado por Marcus

A ansiedade me consumia completamente. Já tinha se passado quase uma hora desde que Tânia me ligara dizendo que estava com Sofia. Os carros rasgavam as estradas em alta velocidade enquanto seguíamos guiados pelo sinal do GPS que ela levava consigo. Eu queria chegar o mais rápido possível. Não suportava a ideia de que algo pudesse acontecer com ela. Eu não me perdoaria se Michael a ferisse ou... não conseguia nem pensar na outra possibilidade.

A estrada de chão se estendia por entre as árvores nos levando até um bangalô. Reconheci o carro preto assim que cercamos a casa. Nós precisávamos invadir o local e eu esperava que tudo saísse conforme o combinado. Felix arrombaria a porta para que Heidi, Jane, Irina e Kate entrassem primeiro. Eu não gostava da ideia de deixá-las na linha de frente, mas a prisão de Michael só seria legalmente válida se fosse efetuada por policiais e nós não poderíamos deixar furo nessa missão. Daríamos cobertura para que Michael não conseguisse escapar. Felix já se preparava para arrombar a porta com um chute quando ouvimos um estampido seco. Meu coração disparou em meu peito ao reconhecer o som de um tiro. Assim que a porta veio abaixo, entramos correndo e avançamos para cima de Michael que segurava a arma de Tânia e a apontava para a cabeça de Jéssica. Ele foi pego de surpresa e não teve tempo de reagir. Felix lhe desferiu um soco no rosto e ele caiu nocauteado. Irina correu para fora do bangalô e voltou em seguida com os paramédicos enquanto Kate colocava as algemas nos punhos de Michael que permanecia inconsciente. O corpo de Tânia estava caído de bruços perto do de Jéssica. Eu só esperava que aquela enorme quantidade de sangue que banhava seu corpo não fosse dela. Meu corpo tremia intensamente enquanto eu assistia os paramédicos prestarem os primeiros socorros às duas mulheres inconscientes e eu quase enlouqueci ao ver o ferimento na cabeça de Tânia.

Apesar de termos nos conhecido havia poucos meses, quando ela veio trabalhar disfarçada no hospital para vigiar os passos de Jéssica de perto, eu já sentia que Tânia era uma parte importante da minha vida. A atração que sentimos um pelo outro tinha sido praticamente instantânea. Além de ser uma mulher extremamente linda e sensual, ela era inteligente, sensível, delicada e carinhosa. Também era dedicada ao trabalho e sabia ser forte quando precisava. E era nessa força que eu me agarrava agora na esperança de que ela sobrevivesse.

Se não fosse pela ajuda de Tânia nós ainda não saberíamos que Jéssica era a informante de Michael. O filme que ela roubou da máquina de Jéssica tinha confirmado nossas suspeitas. Desde então ela se tornou íntima de Jéssica para obter informações que nos levassem até Michael. Quando Jéssica lhe contou que era estéril e que seu namorado havia prometido que eles adotariam uma menina, começamos a suspeitar de que ela fosse tentar roubar uma criança do berçário do hospital. Nossas suspeitas aumentaram ainda mais quando Jéssica afirmou para Tânia que Bella estava usando a filha para arrancar dinheiro do pai. Ali ficou claro de que Michael havia dito que Sofia era sua filha para convencer Jéssica a raptar a menina e levá-la até ele. O que Jéssica não sabia era que Michael nunca teve a intenção de ficar com ela. Ele a mataria assim que ela não tivesse mais utilidade para ele. A menina seria usada para obrigar Bella a ir a seu encontro na esperança de reaver a filha. E ele teria conseguido se não fosse por Tânia.

Narrado por Edward

A espera era angustiante. Tudo o que eu pedia a Deus era para que minha filha não fosse ferida caso houvesse um tiroteio. Eu ainda permanecia abraçado ao corpo trêmulo de Bella que chorava silenciosamente. Ela parecia exausta. Eu já tinha tentado fazer com que ela se deitasse um pouco, mas ela se recusara. Emmett e Jake nos observavam calados, sentados no sofá do outro lado do quarto. O silêncio no quarto era tão grande que nos assustamos quando o celular de Emmett começou a tocar.

_ Alô? – ele atendeu rapidamente.

Ele ficou em silêncio ouvindo a pessoa do outro lado da linha falar.

_ Amor, fica calma! Eu não estou entendendo nada! – era Rose no telefone e ele parecia preocupado – Você está sentindo alguma coisa?

Mais alguns instantes em silêncio. Emmett ouvia o que Rose dizia. Sua respiração estava suspensa e nós o olhávamos apreensivos. Será que ela estava passando mal? Já não tínhamos tido desgraças o suficiente?

_ Onde você está? – ele perguntou já se levantando do sofá – Eu estou indo até aí!

Emmett desligou o celular, nos olhou sorrindo com os olhos cheios de lágrimas e apenas fez um sinal para que o esperássemos antes de sair correndo feito um louco do quarto. Jake, Bella e eu nos olhávamos sem entender o que estava acontecendo. Ainda esperávamos o retorno de Emmett quando meu celular tocou. O nome de Marcus aparecia no visor e minhas mãos tremiam quando atendi ao telefone.

_ Alô? – minha voz saiu falha.

_ Edward, sou eu, Marcus! – ele disse com uma voz triste que fez meu coração ficar apertado no peito – O pesadelo acabou, Edward! Michael está preso!

Senti meu coração disparar no peito e minha respiração ficou acelerada. Bella me olhava ansiosa ao perceber minha reação.

_ E a minha filha? – perguntei angustiado.

_ Sua filha? – ele perguntou confuso – Sua filha não está aqui, Edward! Ela não está com vocês?

A esperança que tinha começado a brotar em meu coração morreu ao ouvir aquelas palavras. Fechei meus olhos e respirei fundo antes de responder.

_ Não! – foi tudo o que eu consegui dizer.

_ Edward, Tânia conseguiu impedir que Jéssica tirasse a menina do hospital. Ela iria entregá-la a vocês antes de partir com Jéssica para a emboscada. – ele explicou.

_ Ela nunca chegou aqui, Marcus! Pergunte a Tânia onde ela deixou a minha filha! – eu disse nervoso.

Marcus ficou em silêncio durante um tempo que para mim pareceu uma eternidade.

_ Tânia está inconsciente, Edward! – ele disse com a voz embargada – Ela levou um tiro na cabeça e nós já estamos a caminho do hospital!

Desliguei o telefone e fitei o rosto aflito de Bella que me encarava esperando alguma notícia. Se por um lado eu me sentia aliviado por saber que Bella não corria mais perigo, por outro meu desespero só aumentava por não saber o que tinha sido feito da minha filha. Eu olhava para o rosto de Bella e pensava em um modo de contar a verdade, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa nossa atenção foi desviada para a porta do quarto que se abria. Emmett entrava no quarto com um enorme sorriso nos lábios e o rosto banhado de lágrimas. Assim que passou pela porta ele se afastou para dar passagem para Rose que vinha logo atrás.

Meu coração parecia querer saltar do meu peito quando me dei conta de que o pesadelo realmente tinha acabado. Bella soltou-se dos meus braços e correu em direção a Rose que trazia Sofia nos braços. Eu não conseguiria descrever com palavras a emoção que senti ao ver minha filha novamente nos braços da mãe. Bella a abraçava com desespero e enchia seu rostinho de beijos. Nós nos sentamos no sofá e eu as envolvi em meus braços. Sofia sentiu a tensão de Bella e começou a chorar. Um choro alto e forte. O som mais lindo do mundo. O som da vida.