Yaxley desaparatou na Floresta Proibida, onde muitos comensais aglomerados esperavam por ordens de Voldemort. Quando Yaxley apareceu de repente, com Melvina desfalecida ao seu lado, todos olharam para eles. Com o baque da aparatação, Melvina se mexeu e acordou lentamente, seus olhos desfocados abrindo e fechando à procura da nitidez. Quando ela percebeu onde estava, tentou se levantar rapidamente, mas Yaxley a puxou pelo braço e conjurou algemas em seus pulsos e tornozelos. Alguns questionando quem era a mulher que ele trazia, outros conversando baixinho sobre Snape. Yaxley virou para Mulciber ao seu lado e perguntou, com discrição, qual era o paradeiro do Lorde das Trevas. Tendo a resposta, aparatou novamente, desta vez para a casa dos barcos.
Voldemort foi surpreendido pela aparatação de Yaxley, o Lord e Malfoy então olharam curiosos para o comensal e Melvina, ainda meio grogue.
- Ora, ora, - Voldemort começou a falar, caminhando lentamente para perto de Yaxley – por que?...Essa não é senhora Snape?
- Sim, senhor. – Yaxley respondeu, a voz confiante, mas ainda com medo da reação do Lorde.
- Por que ela está aqui? – Voldemort perguntou receoso. –Onde está Snape? ...Lucios traga Snape.
- Não! – Yaxley quase gritou, atraindo o olhar raivoso de Voldemort. – Por favor, me ouça antes de chamar Snape.
- Não, por favor. - Melvina falou baixinho enquanto encarava Voldemort, lágrimas caindo silenciosamente pelas suas bochechas.
- Prossiga então, Yaxley, e seja breve. – Voldemort olhou para Melvina e ignorou-a.
- Snape é um traidor, e Bellatrix e eu temos provas disto.
Voldemort pareceu muito surpreso ao ouvir aquela acusação de Yaxley.
- Snape é um dos meus servos mais fiéis, Yaxley. O que o faz pensar que ele é um traidor.
Yaxley engoliu seco e demorou alguns segundos para se explicar, naquele meio tempo, Voldemort apontou sua varinha para Melvina:
- Legillimens!
Melvina caiu de joelhos com a força da magia que a atingiu, mas sua mente se esforçou para que nada passasse das suas memórias para os olhos de Voldemort. Anthony era sua força para não se deixar dominar pela forte magia de Voldemort, se eles soubessem do paradeiro do seu filho, ele não teria chance de viver. Ela e Severus sabiam do risco que corriam, mas não podiam deixar seu filho indefeso sofrer por causa das escolhas que eles tomaram.
Ela mal se recompôs da magia que invadira a sua mente, quando foi atingida por uma sessão de Crucio, que fez seu corpo esquecer que tinha dona, seus membros tremiam e convulsionavam sem parar. Quando tudo parou, ela pôde ouvir um pouco do que Yaxley contava a Voldemort. Era o fim. Para ela e para Snape. Melvina chorava, imóvel, com os olhos fixos em Voldemort, as lágrimas pingavam no chão de madeira velha, e tudo que ela conseguia pensar era no seu filho. Parecia que Yaxley havia falado por uma eternidade, quando Voldemort tomou a palavra novamente. Ele se virou, olhou para Melvina no chão, e depois para Lucius, que assistia a tudo atônito.
- Lucius, procure Snape. E você, Yaxley, pode se livrar dela.
Voldemort deu às costas aos três e ficou acariciando Nagine.
Snape foi ao seu encontro a passos lentos, Lucius já havia lhe antecipado o assunto, mas omitira que Melvina estava com ele. Seus passos pesados nas madeiras anunciaram sua chegada, fazendo com que Voldemort virasse para ficar de frente ao seu seguidor, acusado de traição.
- O que deseja de mim, milorde? – Snape falou, tentando manter a calma.
- Severus, eu achava que você tinha sido um servo fiel. – Voldemort devagar e calmamente.
- E o que o faz pensar que não, milorde?
- Eu pensei muito sobre isso. – Voldemort parecia distante. - Afinal, você matou Dumbledore.
- Sim, milorde. Matei, como você desejava. – Snape estava muito nervoso, mantinha as mãos cruzadas nas suas costas, na tentativa de não parecer impaciente ou trêmulo.
- Isso é intrigante, Severus. Você fez coisas que nenhum comensal fez por mim, e ainda assim você me enganou.
- E o que o faz pensar que o enganei. – Snape tentou dialogar com o Lorde.
- Tudo. – Voldemort falou, enquanto olhava pensativo para o chão. – Eu sempre duvidei das denúncias de Bellatrix, nem mesmo me dava ao trabalho de investigar as suas acusações. Mas agora tudo me parece tão óbvio.
- Eu não entendo o que o faz pensar tais coisas, milorde.- Snape mantinha o disfarce.
- Espião duplo, Severus?
- Milorde...não. – Snape negava.
- Snape, de qualquer forma, você não me é mais útil. Levei tempo para perceber, mas a varinha das varinhas é sua. – Snape engoliu seco. – Eu não queria que acabasse assim, você morrendo como um traidor. É uma pena.
- Milorde, eu não sou um traidor, eu fiz tudo que estava ao meu alcance para garantir a sua supremacia.
- Terei que tentar infiltrar a sua mente, ou você vai me dizer com as suas próprias palavras que me traiu. – Voldemort perguntou, enquanto soltava Nagini da sua jaula e a deixava passear por entre eles. Snape permaneceu em silêncio. - Eu já tentei tirar algo da sua linda esposa, mas ela é inútil, dispensável. Temo que neste momento ela já não esteja mais entre nós.
- O que? – Snape quase gritou, seus olhos cheios de lágrima e ao mesmo tempo raiva.
- Esse é o preço da traição, Snape. – Voldemort observava a agonia que emanava das expressões de Snape. – Ainda assim, você foi um bom servo... Nagini, mate.
Voldemort desaparatou e a cobra foi diretamente para Snape, atacando-o no pescoço. O bote de Nagini o derrubou de costas, fazendo-o cair sangrando encostado na parede de madeira velha. Nos poucos momentos de lucidez que ele teve, ele pensou em deixar-se morrer, afinal, sem Melvina ele não queria mais estar naquele mundo, mas se ele tivesse uma chance, ele tinha Anthony para amar e proteger. Com todo o esforço do mundo, pegou sua varinha e estancou o sangue, fechando as dilacerações causadas pela cobra, e então tirou do bolso o frasco da poção que Melvina havia preparado e injetou diretamente na veia atingida do pescoço. Ele sentiu suas entranhas queimarem com menos intensidade e seu corpo aos poucos anestesiando, não sabia se estava morrendo ou se a poção havia funcionado. Snape estava muito grogue quando Harry chegou, ele mal conseguiu focar os olhos no rosto do garoto.
- Olhe...para...mim. – Snape falou quase sem forças. Fitou por alguns segundos os olhos de Lilian Evans, e então voltou a prestar atenção no rosto preocupado de Harry como um todo. – Leve as minhas memórias... Por favor.
Harry silenciosamente pegou o frasco que Hermione lhe deu e coletou as memórias de Snape.
- Quando tudo isso acabar, - Snape parou, com dificuldade de respirar e sem conseguir conter as lágrimas. – Melvina, ela foi pega pelo Lorde, faça com que... Procure... E faça com ela tenha um fim digno.
Harry apenas assentiu com a cabeça e deixou Snape onde estava, seus olhos perdendo o brilho a cada segundo que passava.
Olá, queridos leitores. Mais um capítulo, apesar de ser curtinho. A batalha está se aproximando do fim e eu to muito ansiosa pra escrever o que vem por aí, mas tá sendo bem difícil. :P Espero que estejam gostando... Se puderem, deixem um review pra agradar esse velho coração haha Até o próximo capítulo!
