Cap. 36 – A árvore de natal
Sirius, Kely, Harry, Gina, Remo e Clara estavam sentados nos sofás, conversando.
- Vamos subir para ver como o Pontas está? – indagou Sirius aos amigos.
- Acho melhor não, deixe a Lily com ele, um pouco – respondeu Clara.
- Acham que ele vai demorar para acordar? – perguntou Harry.
- Não sei... – disse Remo, pensativo.
- Pode ter certeza que não – respondeu Tiago, entrando na sala, parecendo sério. Lily vinha logo atrás, parecendo que tinha acabado de chorar, cabisbaixa.
- Já se levantou? – indagou Gina, espantada.
- Tenho força suficiente para isso – respondeu Tiago, com um sorriso fraco, que, logo em seguida, se dissolveu e ele voltou a ficar sério.
- Por que está tão sério? – questionou Sirius, olhando de Tiago para Lily.
- E por que está assim, Lily? – perguntou Kely, olhando para a amiga.
- Nada – respondeu a ruiva, pouco convincente.
- Não parece... – disse Sirius, arqueando uma sobrancelha.
- Pensei que depois do que o Snape disse, iam se entender – falou Clara.
- Pois é, mas não é o que aconteceu – respondeu Tiago secamente.
- Mas... – começou Remo, confuso.
- Mais nada, o Snape bolou um plano para nos separar, sim, acredito nisso, mas quem garante que ele não gostou do beijo da menina, ou ficou com outra antes? – falou Lily, nervosa.
- Ah, Lily, vai continuar com essa história? – indagou Kely, suspirando.
- Vou sim, e ninguém vai me fazer pensar o contrário! – exclamou Lílian, ficando vermelha.
- Ah, Lily, não faça isso de novo! – pediu Gina.
- E por que não? Não há provas de que ele esteja falando a verdade! Como posso saber? – disse ela.
- Confiando em mim, oras! – exclamou Tiago, como se fosse o óbvio e Lily deu uma risada forçada.
- Há! Você quer que eu confie em você, mesmo com seu histórico de galinha? – retrucou Lílian, colocando as mãos na cintura.
- E pensamos que a declaração de Snape poderia ajudar – disse Sirius.
- MAS NÃO AJUDOU! – exclamaram Tiago e Lílian, ao mesmo tempo.
- Ei, calma – falou Clara, tentando acalmar os dois. – Se soubéssemos que iriam ficar assim, não teríamos falado nada.
- MAS FALARAM! – gritaram os dois juntos, outra vez. E Tiago completou – O que está feito, está feito!
- Se acalmem os dois, só pensamos que... – começou Sirius, sentindo que acabaria apanhando ali no meio, mas foi interrompido.
- CALEM A BOCA! – gritaram os dois e, sem mais nem menos, começaram a se beijar, diante da cara de bobo de todos os presentes.
- Não entendi nada – falou Clara, olhando abobalhada para eles.
- Parece que conseguimos enganá-los outra vez – disse Tiago, rindo, ao se afastar da ruiva.
- Por que outra vez? – perguntou Sirius, confuso.
- Não se lembra daquela noite, em que o senhor, Almofadinhas, me trancou na Sala Precisa com a Lily? – disse Tiago.
- Claro que sim – respondeu Sirius, sorrindo.
- Então... – começou Kely, tentando entender tudo. – Quer dizer que finalmente se entenderam?
- Isso responde à sua pergunta? – indagou Tiago, dando um beijo digno de cinema na ruiva.
- Claro – responderam eles.
- Que bom que tudo acabou! – falou Gina.
- Não agüentava mais os dois brigando – comentou Remo.
- E, quando estavam separados, estavam muito sem graça – completou Harry, rindo.
- Então, o que vamos fazer agora? – perguntou Tiago, animado.
- Está bem alegre, hein! – disse Sirius, sorrindo.
- E não era para estar? – respondeu Tiago, abraçando a ruiva por trás. – Estou com a minha ruivinha de novo, está tudo perfeito!
- Primeiro, podemos acabar com o jogo das cordas – sugeriu Remo.
- Concordo – disse Clara. – A razão para termos feito isso foi tentar unir os dois de novo, e como o Snape já deu conta disso...
- Deu conta disso sim, mas o responsável por termos nos separado foi ele – falou Tiago, com a cara fechada.
- Ah, então vocês confessam que fizeram tudo isso de propósito? – questionou Lily, se fingindo de indignada.
- Tivemos que fazer isso – disse Kely.
- E poderiam nos dizer como é que fizeram para nos deixar juntos, quando fizeram o feitiço? – pediu Lílian.
- Bem, na verdade... – começou Sirius, mas foi interrompido por Tiago.
- Não enrole, Almofadinhas, fale logo!
- Está bem, eu conto – disse Clara, se colocando à frente de Sirius. - Usamos o feitiço para unir pelos laços do coração – explicou ela, e Tiago arqueou a sobrancelha, mas, quando ia falar, Clara continuou. – E não diga que eu e o Remo temos um laço amoroso, porque sei que é isso que está pensando – terminou ela, fazendo todos caírem na risada.
- Então, como fizeram com os dois? – indagou Gina, recuperando o fôlego.
- É, não contaram isso para nós – disse Harry.
- Com eles usamos laços de amizade, apenas – explicou Sirius. – Por que acha que eu fiz o feitiço mudo?
- É, vendo por esse ângulo – disse Tiago, pensando.
- Mas, então, o que vamos fazer? – questionou Lily, sorridente.
- Primeiro, acabar com esse jogo – disse Remo. – Todos concordam em acabar com ele?
- Sim – responderam os sete e as pulseiras sumiram.
- Livres! – exclamou Lílian, olhando para o braço e não mais vendo a pulseirinha de prata.
- Estava tão ruim assim ficar ao meu lado? – perguntou Tiago, fingindo-se de ofendido e fazendo uma cara de cachorro abandonado.
- Ei! Essa cara só quem pode fazer sou eu! – reclamou Sirius, embora risse.
- Não é isso... – respondeu a ruiva. – É só que, até hoje mesmo, há algumas horas... Meu pensamento era diferente do que tenho agora.
- E isso é bom ou ruim? – insistiu Tiago, brincando.
- É ótimo! – respondeu Lily, rindo.
- Bom saber disso! – disse Tiago, dando um selinho nela.
- E então, vamos decidir o que fazer? – perguntou Remo.
- Claro, mas, por favor, sem discussão, se não vou ter que gritar outra vez, no meio da sala, e isso não será legal – pediu Clara, rindo.
Não demorou muito e eles decidiram passar o resto da noite na piscina. Comeriam alguma coisa por lá mesmo (Nina levaria alguns petiscos) e, no dia seguinte, montariam a árvore de natal.
Subiram e foram cada um para seu quarto, colocar a roupa de banho. Os meninos terminaram primeiro, como sempre, e ficaram esperando as garotas na sala. Vinte minutos depois, elas desceram.
- Vamos? – perguntou Sirius e elas confirmaram. Seguiram então, agasalhados, com a roupa de banho por baixo. Entraram na parte coberta da piscina. A temperatura no ambiente estava bem mais quente do que na parte de fora da casa.
Não chovia nem nevava, o céu estava límpido e estrelado, mas o frio se fazia presente.
Sem esperar nem um minuto, os marotos tiraram os roupões e pularam na piscina de uma vez só.
- Entrem logo, meninas! – exclamou Remo, sacudindo a cabeça para tirar a água do rosto.
- Não vão fazer cerimônia outra vez, não é? – questionou Sirius, arqueando uma sobrancelha.
- Daqui a pouco entramos – respondeu Kely.
- Sim, elas vão fazer cerimônia – falou Harry, rindo.
- Ah, não vão mesmo! – disse Tiago, somente para os marotos ouvirem. Eles trocaram olhares e saíram da piscina rapidamente. – E então, vão demorar muito?
- Nem pense nisso! – disse Lily, indo um pouco para trás.
- Nisso o quê? – perguntou Tiago, inocentemente.
- Vocês vão entrar agora! – exclamou o garoto, pegando Lily no colo e jogando seu roupão junto aos outros. Harry, Sirius e Remo fizeram o mesmo com Gina, Kely e Clara, respectivamente.
- No três! – exclamou Sirius, quando os quatro estavam na beira da piscina, segurando as garotas no colo, que já nem tentavam se debater, pois sabiam que não adiantaria em nada. – Um... Dois... TRÊS! – exclamou Sirius e eles pularam com tudo na piscina.
- Por que demoram tanto para entrar? – indagou Tiago, quando levantaram para respirar.
- Sei lá – respondeu Lily, dando ombros.
Ficaram nadando, brincando e se divertindo por uma hora e meia, até que começaram a ficar com fome. Saíram da piscina, se enrolaram nas toalhas, para não passar frio, e coeram os petiscos que Nina havia levado para eles.
Após terminarem, ficaram conversando por um tempo e retornaram à água para brincar de tubarão. Foi uma comédia só. Tiago foi o primeiro tubarão por escolha de quase todos. Ele não podia sair da piscina para pegar os amigos, mas estes podiam dar três passos fora da água e pularem outra vez.
Ele pegou Lily pelos pés quando ela estava saindo da piscina e a puxou de volta, enquanto todos riam, porque ela não havia visto Tiago se aproximar. Ela, por sua vez, se assustou e deu um grito, logo abafado, pois já estava debaixo d'água.
A brincadeira durou mais uma hora, até que eles resolveram que era melhor entrarem, pois passava das onze da noite.
Rapidamente, por causa do frio, eles correram para dentro de casa e cada um foi para seu quarto, tomar um banho e colocar o pijama.
Depois de prontos, foram para o quarto de Tiago, que era o maior e ficaram conversando. Já passava da uma da manhã quando foram dormir, apenas Lily ficou com ele.
- Acho que vou dormir – disse ela, ficando em pé.
- Ah, não... Fica comigo... – pediu ele.
- Não sei...
- Ah, vai sim! – exclamou Tiago, se levantando da cama e pegando-a, deitou-a em sua cama e começou a fazer cócegas na ruiva. - E então, já vai dormir mesmo?
- S- sim! – falou ela,sem fôlego, de tanto rir.
- Pense melhor! – disse Tiago, voltando a fazer cócegas nela.
- Está bem, está bem, eu fico! – falou ela, num fôlego só.
- Agora está bem melhor! – exclamou ele, deitando-se por cima dela e começando a beijá-la.
Os beijos foram se tornando mais ardentes e as mãos do moreno exploravam cada parte do coro da ruiva, até que ela o afastou delicadamente e olhou bem fundo em seus olhos.
- Ainda não estou pronta – disse ela, recuperando o fôlego.
- Desculpe, tenho que me controlar – disse ele, saindo de cima dela e se deitando ao seu lado. – É que, todo esse tempo distante de você, sem poder te tocar, te beijar...
- Eu sei, mas ainda não é a hora – disse ela, corando.
- Não precisa ficar envergonhada – disse ele, fazendo-a ficar mais vermelha ainda. – Leve o tempo que for preciso, eu vou esperar, nem que seja por mil anos!
- Obrigada – agradeceu ela, com um sorriso sincero. – Vamos dormir?
- Claro – respondeu Tiago. Os dois se deitaram e se cobriram. Com um aceno de varinha, ele apagou as luzes e abraçou-a. Rapidamente, os dois dormiram.
Pela manhã, todos acordaram antes de Tiago e Lílian e foram até o quarto do garoto, acordá-los. Sirius, que estava à frente, abriu a porta vagarosamente e todos colocaram a cabeça para dentro, para ver como os dois estavam.
- Que fofo! – exclamou Kely, baixo, ao vê-los abraçados. E Clara, que estava mais atrás, se esticou para ver melhor. O único problema é que os seis já estavam quase um em cima do outro para ver e, quando a garota foi mais para frente, eles perderam o equilíbrio e caíram no chão fazendo um belo estrondo.
- Quê? – perguntou Tiago, sonolento.
- O que foi? – indagou Lily, acordando também. Quando os dois viram a razão do que os fez acordar, caíram na gargalhada.
- Estão... Me... Matando – tentou dizer Sirius, que estava por baixo de todos, quase sem ar. Com isso, os cinco que estavam em cima dele saíram e ele pôde respirar direito. – Nossa, vocês quase me mataram sem ar!
Depois que todos pararam de rir, deixaram os dois sozinhos e desceram para tomar café.
- Não sabe como é bom acordar ao seu lado e pensar que tudo o que passamos finalmente acabou – disse Tiago, sorrindo para a ruiva.
- Graças a Merlin! – respondeu ela, sorrindo de volta. Tiago, então, puxou-a para um beijo doce e, quando se afastaram, ela seguiu para seu quarto, se trocar. Tiago se arrumou em poucos minutos. Já a ruiva, levou o dobro do tempo, então o garoto esperou-a na porta do quarto.
Quando ela saiu, os dois desceram e encontraram seus amigos, ainda na cozinha.
- Bom dia! – disseram eles.
- Bom dia – responderam os dois, mais alegres do que de costume.
- Finalmente a alegria voltou a esses dois corpos! – falou Sirius, fazendo uma dramatização engraçada.
- Bom dia, senhor. Bom dia, senhorita – cumprimentou Nina, com uma reverência. Os dois responderam e se sentaram para comer.
- O que conversavam enquanto estávamos lá em cima? – questionou Tiago, se servindo de suco de abóbora.
- Estávamos decidindo como vamos pegar a árvore, hoje – respondeu Gina.
- Nós quem? – perguntou Tiago, olhando para todos com uma expressão de interrogação.
- Nós todos, ora – respondeu Kely.
- Por quê? – indagou Harry, arqueando uma sobrancelha.
- Vocês ficam, eu e os marotos vamos – disse Tiago, decidido.
- E por que vocês vão e nós não podemos ir? – questionou Lílian.
- Por que não – respondeu Remo.
- Ah, tem que haver uma razão – rebateu Kely.
- Temos que ir até um bosque perto daqui pegar a árvore e não sabemos o que pode ter por lá... – explicou Sirius.
- Acha que não somos capazes de nos defender? – indagou Gina, cruzando os braços.
- Não é isso... – começou Tiago, tentando encontrar as palavras certas. – É que, da última vez que fomos, encontramos um lobo por lá, e não queremos vê-las correndo perigo.
- Se vocês conseguiram se livrar do lobo, nós também podemos – retrucou Lílian.
- Concordo com ela, nós iremos – disse Kely.
- Não adianta argumentarem, meninas, vocês não vão – disse Tiago.
- Ah, vai ter argumento sim! – exclamou Gina, fechando a cara.
- Pois é, se vocês vão sozinhos, iremos também! – completou Lílian.
- Não vamos conseguir convencê-las – sussurrou Sirius a Tiago, pois estava ao seu lado.
- Mas você sabe que elas não podem ir! – respondeu Tiago, no mesmo tom de voz. – Se algum lobo, ou coisa parecida, aparecer, teremos que... – começou, mas foi interrompido por Clara.
- O que tanto cochicham aí?
- Nada não – respondeu Sirius.
- Que hidratante vocês usam? – rebateu Clara.
- Por quê? – perguntaram Tiago e Sirius, sem entender absolutamente nada.
- É óleo de peroba, ou coisa assim? – continuou ela, e os dois, assim como todos na mesa, agora, mantinham uma expressão de pura confusão no rosto. – Têm a cara de pau de responder que não estavam cochichando nada, quando vimos que estavam!
- Ainda não entendi! – exclamaram todos juntos, dessa vez.
- Meu Merlin! O que eu faço com eles? – indagou Clara para si mesma, respirando fundo. – Foi uma brincadeira, não entenderam?
- Hã... Não – disse Harry, por todos.
- Perguntei do óleo de peroba pois é uma árvore que tem a madeira extremamente dura e vocês me respondem na "cara de pau"... Entenderam agora? – continuou ela, enfatizando a expressão "cara de pau".
Eles se entreolharam e, do nada, caíram na gargalhada. Tiago e Sirius quase caíram da cadeira, de tanto rir.
Quando conseguiram parar, algum tempo depois, estavam sem fôlego.
- Essa... Foi boa! – disse Remo, respirando fundo para recuperar o fôlego.
- Foi para descontrair – respondeu Clara, dando ombros. – Antes que começassem a discutir de verdade.
- Então, voltando ao assunto... – começou Kely, decidida. – Nós vamos e ponto final!
- Ah, não... – começou Sirius, mais foi interrompido por Clara outra vez.
- Querem parar? Isso não vai levar a lugar nenhum.
- E se fizermos... – começou Lílian, mas Clara também a interrompeu.
- Por democracia? Não, não vai funcionar. Somos dez. Os meninos, que são cinco, não vão querer que nós vamos com eles. E nó, meninas, que somos cinco, vamos querer ir. Não, isso não vai dar certo.
- Então... – começou Remo, mas, mais uma vez, Clara interrompeu.
- O que eu sugiro?
- Quer parar com essa mania de completar o que os outros falam? – pediu Tiago. – Já está irritando!
- Essa é a intenção, caro primo! – respondeu ela, com um sorriso maroto.
- Você não tem jeito! – exclamou Sirius, balançando a cabeça.
- Ainda bem! Imagina como a vida de vocês seria sem graça sem mim! – disse ela, rindo.
- Nossa vida é ótima! – rebateu Tiago. – Você não está em Hogwarts para "animar" nossa vida, fazemos isso sozinhos e nos damos muito bem!
- Por enquanto... – murmurou Clara, para si mesma, abafando um riso.
- O que disse? – indagou Harry, sem entender o que a garota dissera.
- Ah, nada não. Então, já sei um modo para decidir se vamos ou não com vocês!
- Então fale logo! – pediu Sirius, impaciente.
- Guerra de neve! – respondeu ela, com um enorme sorriso. Os meninos se entreolharam, sorrindo, enquanto as meninas ficaram meio receosas frente a uma guerra de neve com os marotos.
Eles se agasalharam bem e esperaram as meninas na sala de estar. Quando elas desceram, eles começaram a rir freneticamente.
- O que foi? – perguntou Gina, sem entender o motivo da risada.
- Vocês... – começou Remo, ainda rindo.
- Nós o quê? – indagou Kely, arqueando uma sobrancelha.
- Vão para a lua? – questionou Tiago, chorando de tanto rir.
- Por quê? – dessa vez quem perguntou foi Lily.
- Vocês não estão entendendo nada hoje, hein? – disse Sirius.
- Olha quem fala! – rebateu Clara. – Não entendeu quando eu disse do óleo de peroba!
- É, mas essa ninguém entendeu – falou Harry.
- Enfim, expliquem o motivo da risada – pediu Gina.
- As roupas! – exclamou Tiago, voltando a rir, junto com os marotos. Elas estavam com vários agasalhos, bota, gorro e luvas.
- Parecem astrontas! – exclamou Sirius, e foi a vez das meninas rirem.
- E por que estão rindo? – perguntou o garoto.
- Não são astrontas, Sirius – explicou Lily. – São astronautas.
- É, isso mesmo, vocês entenderam – respondeu ele.
- Então, vamos minhas bolinhas de neve? – perguntou Tiago, enquanto as garotas fechavam a cara, mas concordaram e eles seguiram para a parte do jardim que era mais aberta e, portanto, havia mais neve.
Caíra uma boa camada de neve durante a noite, que ainda estava lisa e intacta, quando eles chegaram ao local. Uma brisa fria soprava, fazendo com que a sensação de frio fosse ainda maior, mas, nem com isso os marotos estavam com frio. Eles estavam bem agasalhados, mas não tanto quanto elas.
- Vamos falar das regras, primeiro, antes que dê confusão – disse Clara.
- Vale usar magia? – perguntou Lílian.
- Não, vamos fazer uma guerra de bolas de neve estilo trouxas! – exclamou Clara e todos concordaram.
- Mais alguma regra além de não usar magia? – indagou Remo.
- Vamos ver... – começou Clara, pensativa.
- Quais serão os critérios para decidir quem será o vencedor, no fim? – questionou Harry.
- Ainda não sei... – falou Clara. – Estou pensando nisso.
- Eu tenho uma idéia! – exclamou Gina.
- Qual? – perguntou Sirius.
- Podemos enfeitiçar o placar e, toda vez que alguém for atingido, ele marca ponto para o time adversário – explicou ela. – Marcamos um determinado tempo de guerra. Quando acabar, vemos quem tem mais pontos.
- Gostei dessa! – disse Tiago, sorrindo.
- E se houver empate? – perguntou Kely.
- Aí, cada um pega uma bola de neve e joga – sugeriu Harry. – O time que mais for atingido, perde.
Depois que todas as regras foram decididas, Lílian e Remo foram enfeitiçar o placar. Os dois foram escolhidos pois todos sabiam que eles não roubariam. Em compensação, se fosse o Tiago, o Sirius ou a Clara, estariam perdidos.
Então, cada grupo se postou a um lado do jardim, com um distância de seis metros um do outro.
- Prontas para perder? – gritou Sirius.
- Vocês é que vão perder! – rebateu Kely.
- Três! Dois... Um... JÁ! – gritou Clara. No mesmo instante, eles começaram a fazer bolas de neve de todos os tamanhos e tacar uns nos outros. Como os meninos eram mais fortes e ágeis, por não estarem usando tanta roupa, em quinze minutos tinham recebido apenas dez boladas, enquanto elas tinham recebido mais de trinta.
Mas houve uma virada no jogo e os meninos, por pensarem que já tinham vencido, se distraíram por algum tempo e acabaram por levar várias bolas de neve, empatando a pontuação.
Quando o relógio apitou, em meia hora, sinalizando o fim da guerra, todos, automaticamente, olharam para o placar, que marcava:
MENINAS: 43
MENINOS: 43
- Está vendo o que dá se distrair? – provocou Clara, com um sorriso maroto.
- Pois é, subestimamos vocês, mas isso não acontecerá de novo – disse Sirius, devolvendo o sorriso maroto.
- Prontas para o desempate? – perguntou Remo.
- Nos dê cinco minutos para a estratégia – pediu Lílian.
- Então, faremos uma também! – exclamou Harry. – Vamos?
Cada grupo retornou ao seu lugar e fez uma roda. Juntaram as cabeças e começaram a formar a estratégia. Exatamente cinco minutos depois, eles se afastaram e se posicionaram lado a lado.
- Podemos começar? – indagou Gina.
- Com certeza! – respondeu Tiago, confiante.
Cada um fez uma bola de neve e ficou em posição de ataque.
- Três... Dois... – Kely começou a contagem regressiva. – Um... JÁ!
Conforme a estratégia, os meninos miraram, cada um em uma delas e estavam prontos para jogar quando elas colocaram a estratégia em prática. Cada uma saiu correndo para um lado e ficaram alguns metros de distância uma da outra.
Aproveitando que os meninos ficaram confusos, jogaram as bolas, mas eles acabaram se recuperando e se desviando bem a tempo. Logo que elas jogaram, se entreolharam, sorrindo, pensando que o jogo já estava ganho, mas não viram o que aconteceu a seguir, pois cada uma recebeu uma bola de neve.
Lily, nas pernas; Clara, na cabeça; Gina, no ombro e Kely, na barriga.
- Vencemos! – exclamaram os meninos, juntos, comemorando.
- Ei! Não vale! – reclamou Kely, embora soubesse que eles tinham vencido de modo justo, dissera isso somente para provocá-los.
- Vencemos justamente! É claro que vale! – rebateu Tiago, com um sorriso triunfante, andando em direção a elas, seguido pelos outro três marotos. Mas, quando eles estavam chegando, elas, de repente, tacaram uma bola de neve em cada um.
- Ei! Isso é que não vale! – disse Sirius, sacudindo a cabeça para tirar a neve dela, enquanto as meninas riam.
- Ah... – começou Tiago, lançando um olhar significativo para os outros. – Vocês querem guerra... Guerra terão!
Dizendo isso, saiu correndo atrás de Lily, Harry foi atrás de Gina, Sirius, de Kely e Remo, de Clara. Elas, ainda rindo, começaram a correr.
Lily tropeçou e caiu com tudo na neve. Tiago, sem ter tempo de frear, caiu por cima dela, fazendo-a afundar alguns centímetros.
- Eu disse que teria guerra! – disse Tiago, sorrindo e se aproximando do rosto da ruiva.
- Hey! Vocês não vão se beijar aqui, não! – exclamou Sirius, fazendo uma gigantesca bola de neve.
- Não vamos deixar isso acontecer! – complementou Clara, fazendo outra bola.
Tiago não se importou com que os dois disseram e beijou a ruiva. Resultado? Duas bolas de neve do tamanho de uma abóbora foram lançadas neles por magia, cobrindo-os totalmente.
- Montinho! – gritou Sirius correndo e caindo em cima deles.
- Vão me esmagar! – gritou Lílian, rindo. Os dois saíram de cima e Tiago ajudou-a a se levantar. – Querem me matar?
- Nunca! – respondeu Tiago, sorrindo.
- Bom, nós vencemos – falou Harry.
- Portanto, cabe a nós decidir se vocês vão ou não conosco – completou Remo.
- E o que decidem? – indagou Kely, fazendo uma cara de cachorro abandonado igual à de Sirius.
- Desculpem, meninas, mas vocês não vão – respondeu Tiago, ficando mais sério.
- Ah, por favor, Ti! – pediu Lily.
- Não vai funcionar, Lily, já decidimos que não – repetiu o garoto.
De cara fechada, todos entraram de volta na casa. Tiraram a neve das roupas e as meninas subiram para tirar o excesso de agasalhos.
- Acha que elas vão tentar nos seguir? – perguntou Remo, baixo.
- Não sei, mas o que vamos fazer se elas fizerem isso? – indagou Harry.
- Nem eu sei – respondeu Sirius, pensando em algo que poderiam fazer para evitar isso.
- É perigoso – disse Tiago. – Pode haver animais selvagens ou lobos no bosque, como no ano passado. Se aparecer algum e precisarmos nos transformar...
- Por que não usam magia? – questionou Harry, olhando para os três.
- Enquanto dois de nós pegam a árvore, um fica vigiando para ver se não há nenhum trouxa ou animal por perto – explicou Sirius.
- E, para isso, esse um fica transformado – completou Tiago. – Ficaria estranho se algum trouxa visse alguém com um pedaço de madeira atacando um lobo com feitiços. Ele pensaria que está ficando maluco.
- E não podemos correr esse risco de sermos vistos – terminou Remo.
- Entendi – falou Harry, no momento em que as meninas desceram, sem tanta roupa quanto antes.
- Já estamos indo, meninas, voltamos em uma hora – disse Tiago.
- Demoram tanto assim? – perguntou Gina.
- Lembre-se de que temos que andar até a floresta, escolher a árvore, e depois trazê-la – falou Remo e as garotas pareceram concordar.
- Até depois – disse Harry. Eles se viraram e saíram da casa. Deram a volta e foram pelos fundos, onde havia o bosque. Foi com um pouco de dificuldade que começaram a caminhar em direção às árvores, não muito longe da casa, por causa da neve acumulada.
- Espero que elas não venham atrás de nós – disse Remo, preocupado.
- Não se preocupe, Aluado, não pode acontecer nada de mal a elas – falou Tiago, com um sorriso reconfortante.
- Lembre-se que não estamos indo para uma transformação sua, e sim até a floresta, pegar uma árvore – acrescentou Sirius.
- Não tem por que se preocupar – terminou Harry.
- É, vocês têm razão. É por que me acostumei que, quando vão comigo assim, é para me transformar – explicou Remo.
**
- Não acredito que não nos deixaram ir com eles! – exclamou Kely, cruzando os braços e sentando no sofá.
- Eu queria ter ido... – disse Clara.
- Mas nós vamos! – falou Lílian, decidida.
- Mas, Lily, eles disseram que poderia ter lobos, ou coisa assim – argumentou Kely.
- Mas nós temos varinhas! – rebateu a ruiva.
- Temos – concordou Gina. – Acho que não há nenhum problema em nós irmos...
- Então, vamos lá! Se demorarmos muito, não os encontraremos – disse Clara, alegre.
Sem fazer barulho, elas saíram da casa e fizeram o mesmo caminho que os marotos. Quando chegaram atrás da estufa, onde havia o caminho para a floresta, elas os avistaram a pouco mais de cem metros a frente.
- Prontas? – perguntou Kely e as amigas afirmaram. Andando devagar e se escondendo onde dava, só para não correrem o risco de serem vistas, caso eles virassem para trás, elas os seguiram.
Os meninos, ao entrarem no bosque, andaram um pouco mais devagar, à procura de uma boa árvore e elas, ficaram escondidas atrás de um grosso tronco de pinheiro.
**
- Eu acho que elas estão nos seguindo – disse Sirius, sem virar para trás.
- O que, o instinto canino está funcionando? – questionou Tiago, rindo do amigo.
- Também acho – falou Remo.
- Eu sei, logo que saímos pensei que elas não ficariam quietas – disse Tiago, mais sério agora.
- Então, o que faremos? – indagou Harry. – Não podemos virar, procurá-las e mandá-las de volta. Elas não vão.
- Tenho uma idéia... – disse Tiago, com um sorriso maroto.
**
Estavam entrando cada vez mais fundo na floresta, e a claridade já não era tanta, assim com a neve no chão, que havia apenas alguns flocos.
Elas se esconderam perto de um arbusto quando viram os marotos entrarem em uma trilha mais apertada, mas...
- O que foi isso? – perguntou Lílian, olhando diretamente para o arbusto, onde ouvira algo se mover.
- Não sei, eu também escutei – falou Kely, dando alguns passos para trás.
Naquele momento, dois grandes olhos negros surgiram no meio dos arbustos. Elas não esperaram para ver o que era, saíram correndo para longe dali. Só não gritaram para não serem descobertas pelos marotos.
- O que... Era... Aquilo? – perguntou Clara, quando elas finalmente pararam, para recuperar o fôlego, certas de que já estavam bem longe da coisa.
- Não faço idéia, mas acho que não foi um boa virmos atrás deles – disse Kely.
- Temos varinhas! Por que não usamos? – questionou Lily, como se fosse o óbvio.
- Acho que nosso instinto foi sair correndo – falou Gina. – Nem lembramos das varinhas.
- É melhor continuarmos, se não vamos perdê-los de vista – falou Kely, se levantando.
- Tarde demais, acho que já os perdemos – disse Clara, cansada.
- Como assim? – perguntou Lily, assustada.
- Não sei onde estamos e não estou vendo nenhum deles – respondeu Clara. Elas olharam ao redor. Realmente Clara estava certa, não havia nenhum sinal dos garotos e elas não sabiam como sair dali. Se fossem na direção errada, se perderiam mais ainda.
- E agora, o que faremos?
**
- Acha que fomos um pouco exagerados? – indagou Remo, quando Sirius voltou à forma humana.
- Elas teimaram em vir atrás de nós – defendeu Sirius.
- Mesmo que eu não quisesse, tínhamos que fazer isso – respondeu Tiago, sério. – Já imaginou se elas resolvem nos seguir um dia que você se transforma, Remo?
- É, nisso você tem razão – concordou Remo, pensando na possibilidade.
- É melhor continuarmos – disse Sirius.
- Viram para onde elas foram? – questionou Harry. – E se elas se perderam?
- Nenhuma delas conhece essa floresta – falou Tiago, pensativo. – Acho que é melhor procurarmos elas.
Os três concordaram e voltaram, à procura das meninas. Andaram por vários minutos e não encontraram nada.
- Onde elas se meteram? – perguntou Sirius, já preocupado por não verem as garotas nem escutarem nada.
**
- E agora, o que faremos? – indagou Kely, já com medo, pois estavam em um lugar fechado e escuro.
- Não sei, mas precisamos achar um jeito de sair daqui – falou Lily, tentando manter a calma, sem sucesso.
- Legal, agora estamos totalmente perdidas e... – começou Clara, mas Gina fez sinal para ela ficar quieta.
- O que foi? – perguntou Kely, ao ver isso.
- Ouvi alguma coisa – respondeu Gina, num sussurro.
- Por favor, me diga que é uma brincadeira! – pediu Lily, assustada.
- E eu brincaria com uma coisa dessas? – respondeu Gina, revirando os olhos. – Ouvi sim, por ali – apontou para umas árvores mais ao longe.
Realmente algo se mexera ali, mas não foi possível ver o que era.
**
- O quê? – questionou Harry, olhando para os amigos. – Disseram alguma coisa?
- Não – responderam eles.
- Se não foi vocês... Quem foi? – continuou o garoto, olhando desconfiado para os lados.
- Não sei, vamos ficar preparados, caso apareça alguma coisa – sugeriu Remo, colocando a mão no bolso para pegar a varinha, mas não encontrou-a. – Ah, não...
- O que foi? – indagou Sirius.
- Deixei a varinha em casa! – respondeu ele. Os outros três também procuraram a varinha nas roupas, mas não encontraram.
- Que saco! – exclamou Tiago, com raiva. – Por que temos que esquecer justo as varinhas?
- Ouvi de novo – falou Harry, apurando os ouvidos, tentando localizar de onde vinha o barulho.
- Só temos uma solução – falou Sirius. – Se aparecer alguma coisa, teremos que nos transformar, Pontas.
- E eles? – perguntou Tiago, apontando para Harry e Remo.
- Protegeremos eles, oras! – respondeu Sirius, como se fosse óbvio. – Não temos outra opção.
- Tudo bem – concordou Tiago. – Então, atenção, se escutarem ou virem alguma coisa, avisem.
- Já estou fazendo isso – disse Harry, sorrindo.
- Vamos! – falou Remo e o grupo seguiu em outra direção à procura das garotas.
**
Elas andavam por uma trilha apertada, todas juntas, atentas a qualquer mínimo estalido que ocorria a sua volta.
- Ouviu isso? – perguntou Lily, com o coração acelerado.
- Dessa vez eu ouvi – respondeu Clara.
- Veio dali! – exclamou Kely, apontando para um arbusto baixo.
De repente, dois lobos saíram dos arbustos, olhando fixamente para elas.
- Droga! – exclamou Gina.
- O que foi? – perguntou Lílian.
- Não acredito! Troquei a roupa e deixei a varinha lá! – respondeu a garota, dando alguns passos para trás. Sem fazer movimentos bruscos, as três procuraram as varinhas, mas perceberam que também esqueceram.
- E agora? – perguntou Kely, desesperada. E os lobos avançavam.
- Quando eu disser três, corram o máximo que puder! – murmurou Lílian.
- Não vai funcionar! – respondeu Clara.
- Alguma outra opção? – indagou Lily, encostando numa árvore.
- Hã... Não – respondeu a garota.
- Então... Um... Dois... Três... – começou Lílian, pegando fôlego para correr. – JÁ!
As quatro saíram em disparada para qualquer direção. Kely, Gina e Clara saíram para a direita, mas Lily foi para a esquerda, sozinha. A ruiva não vira que as amigas foram na direção oposta.
Um dos lobos seguiu as três e o outro, a ruiva. Ainda correndo, ela olhou para trás, e se viu sozinha e totalmente perdida.
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- Acho que ouvi um grito – falou Tiago.
- Veio daquela direção – disse Sirius, apontando para a esquerda. Eles saíram correndo e pararam onde a trilha se dividia em dois.
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Lily, ao olhar para trás, tropeçou numa pedra e gritou ao cair no chão, pois o lobo se aproximava cada vez mais.
- Acho que ouvi a Lily – disse Tiago, parando. - Vou atrás dela – terminou e pegou a trilha da esquerda.
- E nós? – perguntou Harry.
- Vão para o outro lado, qualquer coisa, o Sirius ajuda – respondeu Tiago, sem parar nem olhar para trás.
Depois que se separaram, Tiago se transformou em cervo e foi o mais rápido que podia em direção ao grito. Com um assomo de desespero, viu o lobo pronto para atacar Lílian. Sem pensar duas vezes, correu até eles e deu uma chifrada no lobo, mandando-o para longe com alguns ferimentos.
Lily abriu os olhos, se perguntando por que o animal ainda não tinha a atacado, quando viu o cervo, parado de frente para o lobo caído no chão.
- O quê? – perguntou Lily, confusa, observando o comportamento estranho do cervo, que geralmente é um animal que não se aproxima de humanos.
O lobo se levantou e ficou olhando para o cervo por algum tempo. Desistindo, e com vários ferimentos, onde a ponta dos chifres pegou, ele saiu mancando.
O cervo lançou um olhar preocupado à ruiva e, antes que ela pudesse dizer ou fazer algo, ele saiu correndo e sumiu por entre as folhagens.
**
Remo, Harry e Sirius começaram a andar, sem saber precisamente para onde, mas não teriam problema em se perder, pois Sirius, Remo e Tiago conheciam aquela mata de ponta a ponta já que, nas férias, geralmente tinham que entrar com Remo, para sua transformação.
- Kely? – chamou Sirius, ouvindo algo se mover perto dali, mas era apenas uma lebre. Logo eles escutaram um grito que parecia ser de Clara e saíram em disparada em direção ao grito. – Esperem! – pediu Sirius, fazendo-os parar.
- O que foi? – perguntou Harry, ofegando. – Precisamos salvá-las!
- É? E como pretende fazer isso? – indagou Sirius.
- Esqueci que estamos sem as varinhas! – reclamou Harry.
- Alguma sugestão? – questionou Remo, olhando preocupado para o maroto.
- Vocês terão que esperar aqui, eu me transformo e procuro elas – respondeu ele. – Se estiverem em perigo, é mais fácil ajudar na forma de cão do que assim.
- Certo, mas não demore! – pediu Remo. Sirius fez que sim com a cabeça e, onde estava, surgiu um enorme cão preto, que logo sumiu por entre as árvores.
Com a audição mais aguçada, pôde ouvir com mais facilidade e, seguindo o faro e a audição, logo encontrou as três, só que fugiam de um lobo. O cão arregalou os olhos e correu o mais rápido que conseguiu, atrás do "parente".
Quando conseguiu alcançá-las, se postou entre as garotas e o lobo, que rosnava para ele e Sirius retribuía. Quando elas perceberam que o lobo parou, se viraram para ver o motivo e viram o cão preto, que parecia estar protegendo-as.
- O que será... que ele está fazendo? – perguntou Kely, recuperando o fôlego.
- Não sei, mas chegou na hora certa, não agüentava mais correr! – respondeu Clara. Apenas Gina não disse nada, pois sabia que, na verdade, era Sirius que estava ali, pronto para atacar o lobo.
Eles ficaram se ilhando por algum tempo, até que o lobo saltou para cima do cão e este fez o mesmo. A luta começara. Latidos e mordidas para todos os lados. Após cinco minutos, o lobo caiu derrotado.
Ainda olhando para o cão, que possuía alguns ferimentos, mas não tão profundos quanto os do lobo, foi embora dali e sumiu na mata.
- Essa foi por um triz – disse Kely, olhando para as amigas, que concordaram. As três olharam para o cão que, lançando um último olhar a elas, correu para a mata.
- De onde será que ele veio? – perguntou Clara, que ainda não sabia que seus primos eram animagos.
- Não sei – mentiu Gina, olhando para o local em que o cão acabara de entrar.
- Venham, vamos procurar a Lily – chamou Kely, começando a andar.
- Sabe para onde ir? – indagou Clara, arqueando uma sobrancelha.
- Hã... Não – respondeu Kely, cansada. – E então, o que faremos?
- Temos que encontrá-la de algum jeito e depois, sair daqui – falou Gina e começou a andar, tentando encontrar o lugar onde elas tinham se separado da ruiva.
**
Lily, ainda temendo de susto, sentou-se numa pedra e ficou pensativa, sem saber o que fazer, durante alguns minutos...
Como é que um cervo pode lançar um olhar preocupado? – ela se perguntava, completamente confusa. – E, de onde ele surgiu? Por que atacou o lobo? Pelo que eu saiba, são animais medrosos, não chegam perto de humanos, e fogem de lobos. Que coisa mais estranha!
Levantou-se e começou a andar, até se lembrar que não sabia para onde ir. Ainda estava perdida e sozinha. Ela continuou andando por alguns minutos, mas não encontrou nada e logo começaria a escurecer. Tinha que sair dali, só não sabia como.
Temia pegar o caminho errado e se embrenhar mais ainda na floresta. Mas, se ficasse ali, daria na mesma, pois não sabia para onde estava a saída e teria que esperar até alguém encontrá-la e sabe-se lá quanto tempo isso levaria.
Foi tirada de seus pensamentos por um movimento dentre as folhagens próximas a ela. Assustada, pensando que poderia ser outro lobo, ou algo assim, olhou de súbito para lá, mas o que viu foi os dois olhos preocupados que vira há poucos minutos.
Vagarosamente, para não assustar o animal, foi até perto dele, mas, para sua surpresa, ele não demonstrou medo. Ela se aproximou cada vez mais, e o cervo não moveu um músculo. Tocou-o, com um pouco de receio, por causa daqueles enormes chifres, mas ele apenas olhou-a.
- Obrigada – agradeceu a ruiva, mesmo sabendo que ele não a entenderia.
O cervo, após alguns minutos, se virou e começou a andar. Parou a alguns metros dali e olhou para Lily, como se pedisse para segui-lo. A ruiva, então, foi atrás dele. Caminharam por o que lhe pareceu meia hora, até chegarem em uma clareira. Dali, saiu correndo, deixando-a só, outra vez.
- Não, volte! – pediu ela, mas ele já havia ido. – E agora? – perguntou a si mesma, sem saber que direção tomar.
**
Sirius retornou diretamente para onde Remo e Harry estavam. Ao chegar lá, voltou à forma humana.
- E então, encontrou elas? – questionou Harry, aflito.
- Encontrei, o lobo estava quase pegando as três quando eu cheguei – respondeu Sirius, já mais calmo.
- Você está bem? – perguntou Remo, observando bem o amigo.
- Alguns arranhões, mas tudo bem – respondeu Sirius.
Tiago, também foi para onde eles estavam. Fez o mesmo que Sirius quando chegou lá.
- A Lily está bem? – indagou Sirius, massageando o ombro esquerdo, que tinha uma mordida.
- Está, o lobo quase pegou-a, ela caiu quando olhou para trás e quase foi atacada – respondeu Tiago.
- Pelo menos todas estão bem – falou Remo, aliviado.
- Tenho que voltar até lá – disse Iago. – deixei ela aqui perto, na forma animaga e irei buscá-la.
Dizendo isso, o garoto começou a andar na direção em que havia acabado de vir.
- Também temos que ir até elas – falou Harry.
- Não vai parecer meio suspeito? – perguntou Remo.
- Por quê? – questionou Sirius.
- Pense – respondeu Remo. – Nós três chegamos lá, sem o Tiago. Se elas perguntarem onde ele está, diremos que foi atrás da Lily?
- Sim – respondeu Sirius, ainda sem entender o que o amigo queria dizer com aquilo.
- Ah, claro – ironizou Remo. – É muito óbvio que elas são atacadas e vamos assim, nós três atrás delas e o Pontas atrás da Lily. Já sabíamos de tudo, não é?
- É, vendo por esse ângulo – disse Harry.
- Ora, podemos ter visto as três correndo sem a ruiva e o Pontas foi procurar a Lily – disse Sirius.
- Tanto tempo depois? – questionou Remo.
- Ah, não importa, vamos logo! – reclamou Sirius, e, seguido pelos dois, pegou o caminho que levava a elas. Rapidamente encontrou-as. – Vocês estão bem? – perguntou ele, abraçando a namorada, mesmo já sabendo a resposta.
- Bem nós estamos, o problema foi o susto que levamos! – respondeu Kely.
- Onde está o Tiago? – perguntou Clara, vendo que o primo não estava por ali.
- Foi atrás da minha mãe – respondeu Harry.
- E como ele sabia que ela se separou de nós quando começamos a correr? – indagou Clara, confusa.
- Vimos vocês correndo, e a Lily não estava junto, então ele foi procurá-la – respondeu Sirius.
- Tanto tempo depois? – questionou Kely, mais confusa ainda.
- Eu disse – murmurou Remo a Harry. E, se dirigindo às meninas, completou – Sim, vimos vocês correndo e até acharmos, demorou um pouco...
- Sorte que o cão apareceu, mas não entendi por que... – começou Kely, pensativa.
- Cão? – perguntou Harry, como se de nada soubesse.
- É, apareceu um cachorro enorme preto e nos ajudou com o lobo – respondeu Clara.
- Sorte, não? – indagou Sirius, com um sorriso no rosto.
- Muita! – respondeu Gina, pela primeira vez.
**
Tiago andou por menos de cinco minutos e viu a ruiva, sentada em um tronco de árvore caído. Parecia tentar escolher qual dos caminhos pegar. De olhos fechados, apontava para os lados e murmurava alguma coisa.
O garoto apenas olhou-a e se aproximou sem fazer barulho. De repente, ela parou de contar e abriu os olhos, apontando exatamente para Tiago.
- O... O que faz aqui? – perguntou ela, meio confusa.
- Oras, vim te pegar! – respondeu ele, sorrindo. Ela se levantou e correu até ele, sorrindo. Abraçou-o fortemente e beijaram-se ternamente. Após algum tempo, se separaram e se olharam profundamente. – Você está bem?
- Bem melhor agora! – respondeu ela, beijando-o novamente.
- Vi um lobo atrás de você, correram para longe e não vi mais, então vim te procurar. O que aconteceu?
- Não sei direito... Eu olhei para trás, ver onde as meninas estavam e não vi nenhuma delas, então tropecei e achei que o lobo atacaria, mas quando abri os olhos vi uma coisa tão estranha...
- O quê? – questionou Tiago, já sabendo do que se tratava.
- Um cervo estava entre mim e o lobo, brigou com ele e me salvou... Isso não é estranho? – respondeu e perguntou a ruiva, pensativa.
- É, muito... – respondeu Tiago, escondendo o sorriso.
- Só achei uma coisa estranha – continuou a ruiva.
- O quê?
- Quando o lobo foi embora, o cervo me olhou... parecia que estava preocupado... Então, entrou na floresta, depois voltou e me trouxe até aqui... – respondeu a ruiva.
- É muito estranho – disse Tiago, sem olhar diretamente para ela. – Vamos? Os outros devem estar esperando.
- Claro – falou ela e seguiu-o para onde os amigos estavam. Sem dificuldade, os encontraram.
- Está bem, Lily? – perguntou Kely, quando os dois chegaram.
- Estou sim, Kely.
- O que fez com o lobo? – indagou Gina, já sabendo a resposta.
- Vai me dizer que um animal também te salvou! – exclamou Clara, rindo.
- Pois é, foi exatamente o que aconteceu – respondeu Lílian.
- Que estranho – falou Kely. – Um cachorro apareceu e nos salvou do lobo.
- Um cervo apareceu e me salvou do lobo – disse a ruiva.
- Que coincidência! – exclamou Clara.
- Vai ver que os animais da floresta resolveram fazer caridade hoje – brincou Sirius, fazendo todos rirem.
Depois que pararam de rir, voltaram para casa, pegaram as varinhas e retornaram à floresta pegar a bendita árvore. Todos juntos, pegaram um lindo pinheiro e levaram, por meio de feitiços, até a mansão.
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N/a: aí está um capítulo bem grande! Espero que tenham gostado do teatro da Lily e do Tiago XD
sango7higurashi: rsrs sem problema! E era só fingimento sim! Ia ser muita maldade se cinco minutos depois que eles se entendessem, já começassem a brigar de novo. Beijoss e obrigada pelo review!
deny weasley: o Tiago sempre foi fofo demaaais *-* Eu quero um desse pra mim XD A Lily podia tê-lo por muito mais tempo, mas desperdiçou rsrs Que bom que gostou de como eles voltaram! Beijos e obrigada pelo review!
Janne Potter: rsrs Dumbledore permitiu que Snape fosse professor de Hogwarts, não é!? Como ele sempre dá segundas chances... ou terceiras, quartas... aushuahsuahs mil e quinhentas fics?? O.O Consegue lembrar do que acontece em cada uma? rsrs Eu gosto de organização XD Beijoss e obrigada pelo review!
Carolzynha LF: que bom que achou o capítulo lindo XD Enfim, ficou tudo bem com eles Beijos e obrigada pelo review!
Love's Poison: fico feliz que tenha gostado do capítulo! Quanto a H/G, eles participam menos, eu sei. Já me disseram isso, mas... Se der, eu coloco um pouco mais desse shipper ;) Quantas fanfics você já escreve? Beijos e obrigada pelo review!
Leeh: aushuashu culpa do Snape mesmo, mas ao menos ele ajeitou tudo XD Espero que HP e as Relíquias da Morte seja mais bem feito, apesar de ser o mesmo diretor do quinto e do sexto, que aliás, só fez merda (desculpe a palavra, mas não acho outra pra expressar isso rsrs). Eu ameei os quatro primeiros filmes, mas saí decepcionada do cinema na sexta-feira treze que entrou em cartaz o HP e a Ordem da Fênix. Beijos e obrigada pelo review!
Branca Takarai: uashaushuash imaginei as caras de boba alegre e de furiosa, mas não fique, afinal, foi só uma brincadeira deles! Beijoss e obrigada pelo review!
Arasuk: oie! Tudo bem sim, e você? =) Pois é, finalmente eles reataram! Já estava na hora! rsrs Beijoss e obrigada pelo review!
AnnaWeasley: que bom que gostou do capítulo XD aushaushuash a ideia é deixar nessas partes mesmo, para os leitores quererem ler o próximo capítulo!!! Beijoss e obrigada pelo review!
Ninfadora Lupin: rsrs se a Lily não voltasse com o Tiago depois de tudo isso... E, coitado, foi ele que sofreu a injustiça, recebeu gritos... Beijos e obrigada pelo review!
Obrigada a todos que leram e comentaram, fizeram uma autora feliz!
Talvez eu não consiga postar na semana que vem... Como minhas aulas só vão começar dia 17, se der, vou viajar com meu pai.
Um pedacinho do capítulo 37 "Decoração e muitas brincadeiras"
"Lily tirou um empilhado de caixas, para procurar dentro de um velho armário, mas, quando o abriu, um esqueleto caiu em cima dela, derrubando-a com tudo no chão. A ruiva começou a gritar, pois o esqueleto começara a se mexer.
Sua amigas, muito prestativas, entraram em pânico também e começaram a gritar e correr para todo o lado, sem saber o que fazer.
Gina foi a que mais manteve a calma, mas não ajudou muito, pois, ao tirar o esqueleto de qualquer jeito de cima da ruiva, ele caiu pesadamente do outro lado, mas se levantou e saiu andando atrás de Gina como um zumbi.
Ela, por sua vez, saiu correndo pelo sótão, dando voltas, se esquecendo completamente da varinha.
Enquanto isso, os marotos rachavam de rir ao pé da escada. Sirius e Tiago estavam deitados nela, segurando a barriga.
- Elas só não sabem de uma coisa – falou Tiago, tentando parar de rir.
- O quê? – perguntou Remo, rindo também.
- Uma não, duas – completou Sirius.
- Falem logo! – pediu Harry.
- A primeira é que, se tentar usar um feitiço comum, ele fica maior e, dois, elas terão uma surpresinha depois que decorarmos a casa – explicou Tiago, voltando a rir.
- Vocês são loucos – disse Remo, recuperando o fôlego.
- Agradeça por isso, se não, nunca daria certo – falou Sirius, rindo mais do que nunca."
Beijos a todos!
