CAPÍTULO XXXVII – Não Espere Por Mim
Lucy Renard ficou chocada quando ouviu de Jim que Helena havia desistido de ser uma amazona para se casar.
- Não faz sentido, ainda mais agora que os cavaleiros e as amazonas estão liberados para casar e ter família – disse Lucy – Ela poderia se casar com o Aiolos e continuar treinando. Por que desistiu de tudo afinal?
- Talvez ela não visse mais sentido em ser uma amazona de Athena e quisesse se dedicar exclusivamente a viver seu grande amor. – respondeu Jim, dando de ombros.
Lucy balançou a cabeça seguidas vezes.
- Helena jamais pensaria assim, alguém deve ter feito uma lavagem cerebral nela!
- Não seja absurda, Lucy. – Jim brincou – A Helena já é bem grandinha para fazer suas próprias escolhas. A verdade é que ela se apaixonou...
- Como você pode ficar tão tranquila, Jim? – interrompeu Lucy, pondo as mãos nos quadris. – Não estou te reconhecendo. O que está havendo com minhas melhores amigas? Precisamos fazer alguma coisa. Precisamos abrir os olhos da Helena, mostrar para ela que está cometendo um grande erro desistindo do treinamento. Logo ela! Tão forte, tão ajuizada. Deuses justos! – exclamou Lucy, chamando atenção dos colegas de treino.
Jim puxou seu braço e pediu que falasse mais baixo.
- Desse jeito vai começar uma torrente de boatos. E não queremos isso, queremos? – Jim sussurrou. Lucy concordou com um movimento de cabeça. – Ótimo. Antes de mais nada, eu também não gostei de saber que a Helena desistiu de treinar. Gostaria de socar a cara dela bem forte, mas se ela decidiu ser uma mulher normal, se acha que só assim será feliz, quem somos nós para questionar?
- Suas melhores amigas!
- Sim. E por isso mesmo devemos apoia-la. – prosseguiu Jim, argumentando com muita sensatez – É o destino dela, não o nosso, portanto se a Helena acha que o destino dela é ser uma dona de casa, eu tenho que aceitar. Por mais que isso me doa. Pensamos saber o que é melhor para as pessoas que amamos, mas não é assim. As pessoas sabem o que é melhor para elas melhor que nós. Não estamos em sua pele, não sentimos suas dores, não experimentamos seus sentimentos, seus desejos.
Lucy sentou num pedaço de coluna quando Jim terminou. Concordava com a amiga, tinha que concordar, mas era impossível não se sentir mal.
- Nós três devíamos treinar sempre juntas, devíamos lutar por nossas armaduras e depois por Athena. Sempre juntas. – olhou para Jim com olhos marejados. – Como ela pode fazer isso? Será que ficou louca?
Jim teve que rir. Sentou ao lado da amiga e cobriu seus ombros com um braço.
- Ficou louca de amor... – Jim suspirou – Em fim. Paciência. Aiolos pediu que ela pensasse melhor, vamos torcer para ela mudar de ideia.
- Eu ainda me sinto chocada.
Jim encarou a amiga firmemente.
- Você hesitou quando o Máscara da Morte te propôs que abandonasse tudo para viver com ele. – Jim afirmou.
Lucy Renard corou.
- Não! Não faria isso pelo Mask, mas por outra pessoa sim. – justificou-se. – A Erika me fez uma proposta parecida. Perguntou se queria viajar com ela... eu sei que seriamos felizes juntas. Ela é uma mulher maravilhosa. No entanto, eu sinto que meu lugar é aqui no Santuário.
- Fico feliz em ouvir isso. Não gostaria de perder mais um amiga. – Jim abriu um sorriso. – Mas você ainda pensa no carcamano? Depois de tudo o que ele te fez? – Lucy balançou a cabeça, Jim revirou os olhos – Você é um caso perdido, Lucy Renard!
- Não diga isso. Eu estou preocupada com ele, não nego. – disse Lucy, fechando olhos adotando uma postura de quem não queria perder a dignidade – Ele estava muito mal na festa de casamento do Shion eu vi, e agora sabendo que os cavaleiros de ouro que voltaram como espectros de Hades estão enfraquecendo, fico ainda mais preocupada. Faz tempo que ele não dá nenhum sinal de vida.
- Talvez ele possa estar mais perto do que imagina. – profetizou Jim.
Lucy engoliu em seco.
- Acha mesmo? – Jim não respondeu, apenas desviou o olhar. – Você voltou tão diferente da Sibéria, Jim, cheia de novas habilidades e conhecimentos. As vezes até me assusta...
Jim gargalhou da cara de medo da amiga. Se ela soubesse o impacto de tudo o que viveu na Sibéria, tudo o que aprendeu, tudo o que aprendeu de si mesma, principalmente. Se ela não tivesse ido a Sibéria não teria descoberto sua mãe verdadeira. Nya estava em algum lugar, perdida e sozinha numa dimensão distante. Cada dia que passava separada da mãe era uma angústia. Jim sentia cada vez mais necessidade de estar com a mãe. Como se fosse órfão durante a vida toda e só agora descobrisse não estar sozinha no mundo.
- Jim! – Luy gritou, arrancando a brasileira de seus pensamentos - Ouiu o que eu disse?
- Estava pensando na minha mãe.
- Oh, você deve estar odiando Shion. – disse Lucy, carinhosamente – Sinto muito, mas eu concordo com ele. Viajar por dimensões é uma viagem sem volta. Sei que deve ser difícil ficar longe de um ente querido. Quem sabe um dia Shion mude de ideia e mande o Saga procura-la?
- Eu duvido... – disse Jim, melancolicamente.
Não tinha essa esperança. Ainda estava magoada com o pai por conta do modo como ele a tratou na sala do mestre. Lucy continuou tentando consola-la e animá-la. Jim mal a ouvia. Balançava a cabeça e olhava em volta, observava os colegas de treino se aquecendo, Shina entrando na arena de mãos dadas com Milo de Escorpião. Jim leu o coração dos dois, eles haviam se reconciliado para sempre. Ficou feliz por eles. Um segundo cavaleiro entrou na arena e se dirigiu aos lugares mais altos da arquibancada. Seus longos cabelos azuis balançavam selvagemente carregados pelo vento forte. Jim o encarou Kanon, sabendo que ele a analisava de longe.
- Já estava demorando a aparecer. – Lucy observou.
- Realmente. – concordou Jim, com uma voz lenta e reflexiva, sem tirar os olhos de Kanon. Naquele momento a presença dele não a irritou, pelo contrário. Até se sentiu amimada ao vê-lo, pois a fez lembrar que Saga e Shaka não eram os únicos que podiam atravessar dimensões. Kanon dominava as mesmas técnicas do irmão gêmeo. Ele poderia ensiná-la... abriu um sorriso esperto, iluminado. Em seguida ficou séria. Teria que Convencê-lo, e não seria afinal tarefa difícil, pois sempre soube o que ele queria dela. Finalmente Jim desviou o olhar de Kanon e olhou para Lucy. Voltou a sorrir, mas era um sorriso frio.
- Ele te encarar não é surpresa para mim, - Lucy comentou - Mas você suportar durante tanto tempo o olhar dele sem ficar brava, é a primeira vez que vejo esse fenômeno.
- Aprendi a controlar meus impulsos. – devolveu Jim. Se Lucy suspeitasse o que ela queria fazer faria um escanda-lo. Seria capaz de contar a Shion seus planos. O que seria desastroso. Tratou de mudar de assunto. - Quer saber? Acho que você está melhor sem o Máscara. – opinou – O Afrodite e a Erika sim, te amam de verdade e te entendem. Máscara da Morte não faz bem para ninguém. Se morreu, já foi tarde.
- Não fale assim. – ralhou Lucy – apesar de tudo ele é um cavaleiro. Athena sofreria com sua morte.
- E você também porque ainda o ama. Vai negar?
Lucy corou novamente, sentindo uma indignação lhe corroer. As duas ouviram os chamados de Shina, o treinamento se iniciara. No caminho até o centro da arena de lutas, Jim ainda dirigiu um último olhar para os assentos superiores.
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Aiolos procurou Shura para treinar. O espanhol aceitou de bom grado. Capricórnio e Sagitário dirigiram-se a praia, o melhor lugar para cavaleiros praticarem golpes de longo alcance, por conta do espaço ilimitado. O treinamento dos dois consistia em Aiolos atirar flechas e Shura tentar corta-las com a Excalibur. Treinaram durante mais de uma hora, então Aiolos pediu um tempo, estava notando o espanhol cansado.
- O que foi Shura, parece que não tomou café da manhã? – brincou o grego.
- Estou bem. Vamos continuar... – antes mesmo de terminar a frase, Shura de Capricórnio caiu de joelhos, pálido e gelado.
Aiolos correu até ele e o amparou. Espantou-se ao ver sangue escorrer do nariz de Shura.
- Vou usar meu cosmo para te curar... – prontificou-se Sagitário.
- Não vai adiantar... – balbuciou Shura fechando os olhos. – A hemorragia vai parar sozinha... – fez uma pausa – Não posso morrer. Não antes de ver meu filho nascer. –acabou desmaiando nos braços de Aiolos.
Shura acordou em seu quarto na casa de Capricórnio. Arrancou os chumaços de algodão que Aiolos havia enfiado em suas narinas. Esse mínimo esforço o deixou tonto.
- O que aconteceu? – perguntou Shura.
- Você apagou depois que seu nariz começou a verter sangue e eu te trouxe para sua casa. - Respondeu Aiolos sentado numa cadeira perto da cama. - Você estava certo. O cosmo não é capaz de curar essa maldita hemorragia.
- Eu disse para você não usar. – lembrou Shura, tentando ficar sentado na cama.
- Não se mexa! Seu idiota. – ralhou Aiolos – Devia ter me dito que não estava em condições de treinar. Podia ter te matado. E que estória é essa de filho? – Aiolos repetiu o que Shura disse antes de desmaiar, até imitou o tom de voz débil do espanhol.
- Alexia concordou em me dar um herdeiro. – explicou Shura – O futuro cavaleio de ouro de Capricórnio.
- Fico feliz por você, amigo! – exclamou Aiolos abrindo um largo sorriso – E ela já está gravida?
- Eu espero que sim.
- Aposto que os dois têm se empenhado bastante nessa missão – brincou Aiolos. – E pretendem se casar?
- Bem, se ela fizer questão.
- Eu sempre imaginei que se casaria um dia. Você o Saga, o Camus. Têm jeito de bom marido.
- E você também. Aliás sempre achei que fosse o primeiro cavaleiro a se tornar pai – revelou Shura – E por falar nisso, Helena já apareceu?
Aiolos ficou sério.
- Não. – respondeu - Aldebaram e eu concordamos em não procura-la, mas não posso deixar de me preocupar. Tudo isso é culpa minha, Eu fui um idiota...
- Não foi não. Você disse a coisa certa. – disse Shura, enfaticamente - Pediu que ela pensasse melhor na decisão que estava tomando. Não podia deixar que ela desistisse de ser uma amazona tão facilmente. Helena tem melhor cabeça do que muitas amazonas por ai. Se ela ganhar uma armadura, e todos sabemos que vai ganhar, Athena terá uma grande guerreira em seu exército. Nos dias de hoje não podemos perder mais ninguém.
- Fala como se vocês estivesse à beira da morte! – exclamou Aiolos.
- Não temos muito tempo! Essa é a realidade. – argumentou Shura - Estou mais fraco a cada dia. Saga também. Camus se fortaleceu na Sibéria, mas seu cosmo começa a perder brilho. Logo vai ficar como nós. Máscara da Morte também parecia sofrer do mesmo mal quando o vi no casamento de Shion. Talvez seu sumiço revele que já esteja morto.
- Não gosto dessa conversa pessimista. – reclamou Aiolos - Ninguém morreu ou vai morrer. Antes vamos derrotar Kairos, Hanzo e os deuses da aliança. – levantou – Sabe eu andei pensando e descobri que não suporto ficar longe da Helena. Se ela realmente decidir abandonar o treinamento, eu me caso com ela. Marcamos a data para o mesmo dia e faremos um grande casamento, eu com a Helena e você com a Alexia, que tal?
Shura começou a rir, admitindo que aquela seria uma bela estória que gostaria de contar a seus netos.
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Dohko de Libra foi direto a sala do mestre. Entrou sem pedir que fosse anunciado, como exigia o protocolo dos cavaleiros de ouro ao se dirigir ao patriarca. Pensava que uma amizade de mais de 200 anos anulava qualquer protocolo. Em contra partida Shion sempre reprimia esse comportamento, afirmando que Dohko precisava dar o exemplo.
- Já sabe o que eu penso sobre esse negocio de dar o exemplo, que é uma grande chatice. – disse Dohko rindo para o filho de Shion que brincava com peças de armadura no tapete da sala do mestre. Abaixou-se e beijou o rosto do menino que começou a mostrar uma peça de armadura e a conversar numa língua cheias de bas e bus que só um bebê de 3 anos sabe fazer. – Sim! Sim! Eu adorei o seu brinquedo novo. – disse Dohko fingindo entender tudo o que o pequeno lhe disse – Beliam, pode dizer ao seu pai que preciso conversar com ele?
- Vou chamar Alexia para ficar um pouco com ele. – disse Shion apanhando o filho do chão. – Aneta anda muito cansada ultimamente. – Shion saiu e voltou sozinho. Sentou em seu trono de patriarca com um gemido. Também andava bastante cansado desde a chegada do seu filho mais novo. Beliam tinha bastante energia.
- Você está acabado e seu terceiro filho ainda nem nasceu! – brincou Dohko.
- Tudo fica mais difícil por causa do gelo que Aneta está me dando. – confessou Shion.
- Devia agradecer por ela estar apenas te dando um gelo. Você merecia coisa pior! E Aneta é uma santa por aceitar criar seu filho.
Shion concordou com um movimento lento de cabeça.
- Só queria saber até quando esse gelo vai durar, mas diga-me: o que te trouxe até mim, meu amigo?
- Máscara da Morte não é visto há semanas. A última vez que o vi, foi quando embarcou no Seikishik para fugir de mim.
- Eu preveni Athena que força-lo a voltar para a Casa de Câncer não adiantaria, mas ela não me ouviu. Mesmo assim, entendo que ela teve boas intenções. O irmão gêmeo do meu antigo mestre, Sage de Câncer, sempre dizia que os cavaleiros de Câncer ficam mais fortes no Seikishik. É um lugar sagrado para eles, capaz de recuperar suas energias. É provável que Máscara não esteja lá com o intuito de se esconder e sim de se fortalecer.
- Faz todo o sentido, tendo em vista o estado deplorável que o encontrei. Física e moralmente. Ele estava caindo de bêbado, Shion. – Dohko cruzou os braços – Máscara da Morte não é o único que me preocupa. Saga está em péssimas condições também. Dizem que não sai mais da cama...
- Ele está de repouso por uma razão.
- Ah, então foi ordem sua! – exclamou Dohko, um tanto aliviado – Saga está poupando suas energias. E com que proposito?
- Na hora certa você saberá.
- Vá para o inferno Shion! – ralhou Dohko – Nunca vou perdoar você por não me contar seus planos. – Dohko deu as costas a Shion e ficou em silêncio por um tempo. – Eu não devia, mas vou lhe dizer o que escutei na vila. Alguns cavaleiros estão estranhando muito a sua... inercia. Ainda confiam em você, mas acham que você poderia demonstrar alguma ação contra o mal que está vitimando os cavaleiros que voltaram como espectros para não passar a ideia que você esta sentado, vendo todo mundo morrer sem fazer nada para impedir.
- Um homem em minha posição sempre será julgado. – disse Shion, fechando os olhos.
- Então é isso. Você pretende mesmo ficar sentado... – provocou Dohko se voltando para Shion.
- E o que acha que devo fazer?
- Procurar os deuses da aliança. – Dohko sugeriu com animação – Peça uma audiência em Star Hill para negociar os termos do acordo que eles fizeram com Athena.
- Os deuses da aliança jamais falariam comigo. – revidou Shion – Eles exigiram a vida da minha filha e a minha alma a Athena por eu ter liderado os cavaleiros e os feito enganar Hades na última guerra santa.
- Então invadiremos o Olimpo e derrubamos esses malditos deuses! É a única saída. Faremos isso antes dos cosmos dos cavaleiros de ouro se apagar totalmente.
- Dohko, Dohko... – começou Shion um tanto impaciente – seria uma grande tolice que poria em risco tudo o que foi feito em benefício da Terra. Athena recebeu de Zeus, o soberano do Olimpo e seu pai, o reino da Terra contrariando seus irmãos Hades e Poseidon que ficaram com o reino do inferno e o reino do mar, respectivamente. Athena se auto nomeou não uma regente do reino da Terra, mas uma protetora por simpatizar com os humanos, libertando-os do domínio dos deuses, esse fato contrariou ainda mais os outros deuses. Portanto, se invadirmos o Olimpo exigindo a anulação de um contrato firmado entre deuses, e ainda declarando guerra, Athena seria considerada traidora de seu próprio pai, e perderia assim, seu apoio.
- Talvez seja exatamente isso o que esses deuses da aliança queiram, que Athena se rebele e enfrente todo o peso do Olimpo. – disse Dohko, tristemente.
- Não há dúvida que querem nos encurralar. Todavia, há motivos para termos esperanças. – disse Shion, com conhecido ar de mistério - Tudo o que peço é um pouco mais de paciência e que confie em mim. Temos bons motivos para sermos otimistas.
- E qual é?
- Hermes, o mensageiro dos deuses está do nosso lado. – respondeu Shion, com um ar animado – Eu mesmo falei com ele em Jamiel e acredito que Hermes pode aplacar a fúria dos deuses da aliança e nos dar um pouco mais de tempo. Eu pedi que levasse uma proposta minha aos deuses da aliança.
- Que proposta?
- Eu aniquilaria Kairos, um deus que vem perturbando o Olimpo por muito tempo em troca da vida de minha filha e dos cavaleiros de ouro que voltaram como espectro. – Shion levantou do trono de patriarca. – Eu disse que traria a solução de nossos problemas de Jameil, não disse, e aqui está... – e retirou um papel de sua manga onde estava escrito Athena em grego antigo.
Dohko observou o artefato magico longamente.
- Ah Shion, seu grande sacana! Esses selos são do tempo de Sasha, ou talvez sejam mais antigos...
- Isso mesmo, meu amigo. Esses selos foram cunhados pela Athena antecessora de Sasha, uma deusa que lutou junto com poucos cavaleiros contra Hades e o trancou. Era uma mulher de grande poder. Depois dela Sasha emanou seu cosmo divino nesses mesmos selos e eu os entregarei a Saori para energiza-los ainda mais. Com isso, Kairos será derrotado e trancado mais uma vez. Trancado por várias eras. Então os deuses não terão mais nada do que reclamar de mim e de Saori.
- É um belo plano, mas um selo, mesmo fortalecido com o cosmo de três reencarnações de Athena ainda é um selo. Ou seja, é uma solução temporária. Pode ser que leve mais tempo, mas Kairos um dia ficará livre.
- Kairos selado não é a única coisa que pretendo dar aos deuses em troca de nossa salvação, meu caro Dohko. – disse Shion encarando seu melhor amigo.
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Jim respirou fundo duas fezes, diante do badalado Bar do Pool, e mais uma vez analisou suas opções para ter certeza de que aquela era a única solução. A racionalidade gritava que aquela era uma péssima ideia, que seria prejudicial e humilhante procurar aquele homem. O homem que sempre a perseguiu, abusou e humilhou. Um homem nada confiável e que sempre deixou claro que desconfiava e desacreditava nela. O homem cuja, a presença, o sorriso a repugnava. O único homem que poderia ajuda-la naquele momento, pois não seguia regras. Lembrando desse detalhe, entrou no bar.
O viu sentado no balcão, vendo um show antigo de Alice Cooper, a postura completamente distraída. Estava sozinho. Jim achou apropriado. Tomou coragem e se aproximou. Sentou no banco ao lado e pediu um suco ao bar man. O funcionário a olhou com interesse e desconfiança, como se a conhecesse de algum lugar, mas limitou a trata-la como cliente. Entregou a bebida e saiu.
- Parece que você gostou dele não ter te reconhecido. – disse Kanon a olhando com interesse – Não quer que ninguém saiba que veio me procurar. – abriu um sorriso malicioso – É, eu sabia que viria me procurar mais cedo ou mais tarde. Seu olhar na arena me disse isso.
- Tanto melhor. – disse Jim tomando seu suco. – Propicia-me ir direto ao ponto.
- Hum, adoro uma mulher direta. – gracejou Kanon. – Então diga o que quer de mim, bonequi... ah, esqueci que não posso mais te chamar assim, porque você cresceu de um dia para o outro.
- Vamos para um lugar mais calmo. – sugeriu Jim, levantando. Os dois saíram do bar sem olhar para os presentes. – Onde está morando? Não é mais visto na casa de Gêmeos...
- Estou morando na via. Então porque quer ficar sozinha comigo...
Antes que ele pudesse terminar a provocação Jim o tocou no ombro e teletransportou os dois para a vila que ficava perto do bar. A localidade era ocupada primacialmente por pessoas que trabalhavam no templo de Athena e nas dozes casas. Jim achou a vila agradável, tranquila e arborizada, com casinhas bem feitas de madeira. Kanon indicou onde morava e levou Jim para lá. O sobrado seguia os padrões das outras casas. No andar de baixo vivia um cavaleiro de bronze que Kanon revelou não saber o nome. A casa estava uma bagunça.
- Essa é minha humilde segunda residência, Jim. – informou Kanon ao entrarem. – Terceira se contar com o templo no fundo do mar...
- Dizem que você foi expulso do mar e sua escama de general marina foi confiscada.
- Situação temporária. – ele esclareceu. Sentou relaxadamente no sofá, observando a garota. – Então, querida, quer me dizer o motivo que te fez despencar da arena até mim.
- Certa vez você me disse que era um ótimo mestre, chegou a hora de provar. Ensine-me a travessar dimensões.
Kanon se endireitou no sofá e a encarou demoradamente. Levou a mão ao queixo e refletiu.
- Eu posso saber porque você quer ir para outra dimensão?
- Não. – Jim respondeu, seria.
- Eu já sei. Quer encontrar o irmão Hanzo! – disse Kanon, rindo sarcasticamente – Ah, ficou com saudade? Sim porque sabemos que ele está escondido em outra dimensão, por isso não conseguimos encontra-lo...
- Não tem nada a ver com... ele. – disse Jim, odiando a menção de Hanzo. Ela simplesmente odiava e ouvir que era irmã do vilão.
- Então quer encontrar o Shaka. Porque eu sinceramente não engulo essa estória de que ele esta meditando no tal jardim das árvores sei lá o que. – disse Kanon com desdém – então é isso, a discipula apaixonada vai atrás do mestre...
- Também não tem nada a ver com o Shaka! – interrompeu Jim, irritada – você não respondeu até agora se vai me treinar por que não pode. – ela provocou. – não é capaz de passar nenhum conhecimento, por isso nunca teve um pupilo.
- Essa não é questão. – disse Kanon se levantando – Eu posso ensinar qualquer pessoa, sou um puta mestre, por isso mesmo nunca tive um discipulo. Porque simplesmente nunca achei um aprendiz a minha altura. Eu não sou o Saga ou a Shina que aceita treinar perdedores e faze-los ganhar uma reles armadura de bronze ou qualquer titulo que o valha. – olhou para Jim de baixo a alto – Você... – sorriu – apesar de te achar uma garota muito mal educada, diria que se encaixa. Mas vamos recapitular, você me procura, pede treinamento e não me diz o motivo... que rude. – aproximou-se dela – mas eu posso viver com isso. E digo mais, seria fácil para você aprender a passar por dimensões, afinal, seu irmão dispõe de mesmo poder, assim como domina o cosmo de gelo, e levando em consideração que você, recentemente, manifestou o gelo, é provável que domine o poder dimensional também. É um caso de genética. Tudo o que ele sabe fazer, você também sabe. Ele mata que nem sente, você...
- Chega de insinuações. – Jim interrompeu com uma voz áspera – você vai me ensinar sim ou não?
Kanon riu feliz por tê-la irritado. Queria mesmo ver até onde ela iria com aquilo.
- O que eu ganho em troca? – perguntou. Jim o fitou, interrogativa. – Vou refazer a pergunta: você esta disposta a fazer o que eu quero?
- Não te entendo Kanon. – disse Jim, sem desviar por um segundo o olhar dos olhos de Kanon – Você desconfia de mim, detesta minha personalidade, já tentou me matar, mas se sente atraído. É perturbador.
- Eu sei. – Kanon suspirou. – Mas, o que eu posso fazer... – tocou lentamente os cabelos de Jim, presos num rabo de cavalo. – Por que não deixa o cabelo solto. É tão bonito... – abriu um sorriso amistoso, estava realmente fazendo um elogio sincero. Jim estreitou o olhar. – Ok, prometo não me distrair mais, embora não seja fácil para mim. A verdade é que você me atrai. Sinto um grande tesão por você. E você sabe disso... – se aproximou mais. Tocou o rosto e o queixo dela, - Sempre soube e sempre... – tentou beija-la, Jim moveu o rosto, repelindo-o – Sempre detestou. Em fim, essas são minhas condições. Te ensino a atravessar dimensões, em troca você se torna minha bonequinha. – ela se afastou. Kanon notou que a respiração dela acelerara – Por uma noite. Você é toda minha por uma única noite. Essa é a condição para eu me tornar seu mestre. – ela nada respondeu, apenas o encarou com raiva. – é pegar ou largar.
- Não devia ter vindo. – disse Jim, se repreendendo. – Você não é um mestre, é um idiota, um abusador!
Kanon sorriu, ignorando os insultos. o cosmo de Jim reagiu, os objetos da casa foram atirados contra a parede e a temperatura caiu bruscamente. O espelho do banheiro congelou e se rachou.
- Minha proposta é até bem razoável. – Kanon argumentou – Esquecemos nossas diferenças só por uma noite e você recebe o treinamento que tanto quer. Eu garanto que vai chegar a qualquer dimensão, vai atravessar o espaço tempo brincando. Pense bem... –tocou-a novamente no rosto, ignorando o olhar de ódio que recebia – Olhe para mim, sinta o meu calor, o meu desejo. Eu sou mais velho que você, tenho experiencia. Eu vou te tratar bem. Muito bem. Não será nenhum sacrifique ficar comigo. Vou ser bem melhor do que o Shaka. Em todos os sentidos.
Jim fechou os olhos. Fez seu cosmo se abrandar. A temperatura parou de cair. Por um momento pensou na proposta. E ele estava sendo sincero quando disse que só queria uma noite dela, ela leu isso em seu coração. Ele queria aplacar o desejo dele, apenas isso. um desejo que ele mal podia controlar. Sentiu-o se aproximando, uma presença absurdamente viril. Continuou de olhos fechados, determinou que se conseguisse suportar o beijo dele, conseguiria cumprir o acordo. Sentiu a respiração dele chegar a pele de seu rosto. Um arrepio correu por seus braços quando um braço musculoso envolveu sua cintura. "um beijo. É apenas um beijo...", pensou para convencer a si mesma. Acabou virando o rosto e se afastando antes de aceitar o beijo, contrariando a própria determinação. Ao mesmo tempo aliviada e sentindo nojo de si mesma por ter chegado tão longe.
- Pior para você. – desdenhou o general – Mas vou te dar tempo para pensar. Procure-me se mudar de ideia. Você tem uma semana.
Jim deixou a casa de Kanon com pressa, a alma dura como pedra, o peito arfando, cheia de cólera e repugnância. Fora uma tola! Não devia ter procurado Kanon, mesmo sabendo o que ele queria, o que sempre quis, sabia também que não conseguiria ceder a ele. Odiava-o, queria voltar ao sobrado e arrancar a cabeça dele. Cerrou os punhos firmemente, olhou para trás, decidida a se vingar. Antes de dar um passo, ouviu um barulho e um sussurro assustado. Virou-se na direção do barulho e viu uma criança diante de um balde caído no chão. O menino saiu correndo com cara de choro. Então Jim percebeu que era culpada daquele choro, que havia derrubado o balde com seu poder, que naquele momento parecia um ser ameaçador. Viu sua sede de vingança e ódio murchar. O que iria fazer? O que tinha feito? Em poucas horas voltou a ser a inconsequente Jim, a imatura Jim, de antes de viajar para a Sibéria, de antes de testar seus limites sob o gelo, de antes de falar com sua mãe verdadeira e descobrir um poder diferente e inúmeras possibilidades.
Regrediu. Fez tudo errado. Procurou a última pessoa que poderia procurar. Estava na cara que Kanon seria Kanon. Ele jamais a ajudaria sem um preço alto. Sentiu pena de si mesma. Estava assim tão desesperada? Caminhou melancolicamente para longe da vila. Pensou em voltar ao bar e beber até cair, talvez esquecesse aquela noite ridícula, mas sabia que jamais esqueceria. Melhor assim, aquela noite serviria para lembra-la de que jamais devia se submeter e se degradar por nada.
- Você vai achar outra maneira, Jim. – disse para si mesma, observando o caminho de volta para a vila das Amazonas. – Preciso descobrir tudo sobre viagem dimensional. Vou ler todos os livros sobre o assunto na biblioteca, quem sabe eu descubro sozinha como atravessar o espaço tempo...
- Ainda precisaria de um guia. – disse uma voz musical.
Jim olhou para cima e viu um rapaz flutuando sobre sua cabeça. O jovem desceu suavemente e Jim notou estupefata que havia pequenas asinhas douradas em seus pés. Asinhas do mesmo tipo se agitavam em sua cabeça, entre cachos louros. Ele usava uma túnica curta, possuía um corpo esguio, gracioso. Portava uma lira azulada que emitia uma melodia baixa mesmo sem estar sendo tocada. Jim tinha quase certeza que conhecia aquela figura. O cosmo reluzente e poderoso lhe dizia que era um deus. Mas o que poderia um deus querer com ela?
- Não tenha medo de mim, filha de Shion. – disse o jovem deus – Eu estive observando você. Torci para que não aceitasse a proposta daquele homem duvidoso. Mostrou que tem fibra e princípios, qualidades que admiro numa garota.
- Quem é você?
- Me chamam de mensageiro dos deuses. Meu nome é Hermes. – e fez uma vênia para a garota, terminando com um sorriso galante – é um grande prazer conhecer a filha de Shion e de Nya.
- Conhece a minha mãe? – indagou Jim, sobressaltada.
- Estive com ela uma vez. – disse Hermes, sua voz era melodiosa, muito agradável – Mulher fascinante.
- O que você quer comigo? – Jim perguntou, respeitosamente.
- Ajuda-la. Ainda quer encontrar Nya?
- É o que mais desejo!
- Sabe que está contrariando as ordens de seu pai? Sabe que o caminho é perigoso e que talvez essa seja uma viagem sem volta? – Hermes alertou, olhando-a seriamente.
- Sei de todos os perigos. – respondeu Jim, sem se abalar.
Hermes flutuou em volta dela, a música de sua lira os envolvendo.
- E como sabe que não vou carrega-la até os deuses que querem sua morte. Saiba disto, um certo grupo deseja ardentemente a sua cabeça. Eu represento esses deuses, como sabe que não vou agrada-los nesse momento?
- Não vai me faze mal. – disse Jim, com um quê altivo e sábio, a recente maneira de falar que tanto assustava Lucy – eu li o seu coração. Vi astucia e generosidade nele.
Hermes abriu um sorriso iluminado.
- Você possui a habilidade de ler corações de Shion, só que aprimorada, eu percebo, já que consegue ler até o coração de um deus... – disse Hermes – A sua mãe possuía uma habilidade muito especial também. Estou curioso para saber se você herdou essa singular habilidade.
- E que habilidade seria essa?
- Nya lhe dirá.
Jim ficou pensativa por um momento.
- Porque esta me ajudado, Hermes?
- Apesar de representar os deuses da aliança, não concordo com alguns posicionamentos do grupo. – respondeu Hermes calmamente – e acredito na diplomacia, acredito que ela pode resolver essa questão. O patriarca pensa como eu, mas a ideia dele depende de você. Depende de você conhecer sua história, e assim escolher o lado correto desta guerra. A única forma de você conhecer sua estória é através de sua mãe. – Hermes estendeu a mão para Jim e um portal dimensional se abriu atrás dele. – Venha comigo se não tiver medo do desconhecido.
Sem hesitar nem por um segundo, Jim segurou a mão do mensageiro dos deuses.
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A serva Joana levou a bandeja de lanche para a cozinha e quando a colocou sobre a mesa, reparou que nada havia sido tocado. "Odeio ver tanto desperdício de comida", pensou. Lembrou de seu patrão Aldebaram, sentado na poltrona, segurando um porta-retrato onde havia uma foto de Helena. Uma imagem de partir o coração. "Uma menina que sempre foi tão ajuizada, fazer isso...", pensou e começou a arrumar a cozinha.
Na sala, Aldebaram confabulava consigo mesmo, saudoso e preocupado com o paradeiro de Helena. Já haviam se passado quase dois dias sem nenhuma notícia de sua filha. Não devia ter ouvido Jim, devia ter saído para procura-la assim que deu por sua falta.
- Pai?
A voz o fez saltar da cadeira. Helena estava de pé na sala, olhando-o com toda naturalidade, como se não tivesse sumido nem por um minuto.
- Helena, eu quase morri de preocupação. – disse Aldeberam, emocionado.
- Me perdoe... – disse a jovem, indo na direção do pai. Abraçou-o e chorou com o rosto colado ao seu ombro largo – eu estava tão confusa. Não queria te causar aflição. Mas eu precisava...
- Pensar. Eu sei, meu amor. Eu sei. – embalou-a, beijando seus cabelos louros. – Mas onde esteve todo esse tempo?
- Ah, pai, tantos lugares... – disse Helena. ambos se sentaram no mesmo sofá, as mãos não se soltaram. – Acho que nunca fiquei tanto tempo sozinha pensando na minha vida. Eu devia ter feito isso antes, buscado um momento para mim mesma. Eu que sempre tive uma vida ativa, sempre vivi planejando e trabalhando em nome de objetivos. As vezes sem parar para pensar se era isso mesmo o que eu queria fazer.
- Eu entendo. Helena, Aiolos me contou tudo. – olhou-a sem julgamentos, apenas com bondade e compreensão – Diga-me, conseguiu tomar uma decisão sobre seu futuro? Vai abandonar o treinamento ou continuar?
Helena baixou a cabeça, um sorriso feliz brotando em seus lábios. Se seu pai soubesse o quanto aquela decisão a havia transformado. Sentia-se uma pessoa completamente diferente. E nada havia acontecido, apenas havia tomado uma grande dose de si mesma até se embriagar.
- Sim, meu pai. – disse Helena finalmente – Já tomei minha decisão final. Vou para a Ilha de Creta. Vou me tornar a futura mestra dos cavaleiros de Touro, mas só quando o senhor não estiver mais aqui. - Aldebaram a tomou nos braços gargalhando de satisfação e orgulho. Apertou-a até ouvi-la gemer. Beijou a face da filha várias vezes. - Eu tive um momento de hesitação, sim. – disse a jovem. – Mas agora tudo está claro! A constelação de Touro me mostrou o caminho.
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Lucy e Erika caminharam até o porto do Santuário de mãos dadas. Em silêncio, apenas aproveitando a companhia uma da outra. Erika preferiu assim, pois estava mortalmente triste por deixar sua Lucy. A olhava de vez em quando, apaixonada pelo sorriso da jovem, o andar, a forma de jogar os cabelos para trás, querendo guardar cada significado de Lucy em sua memória. Não queria esquecer nada que a representava.
Descobriu assustada que nunca havia amado tanto uma pessoa na vida quanto amou aquela Lucy. Apertou a mão de Lucy quando chegaram ao porto. Os soldados que faziam ronda lhe deram olhares desconfiados. Bastou um olhar sério de Erika para os mesmos se evadirem. Erika nunca se importou com o preconceito por ser lésbica, mas naquele dia estava especialmente sensível e queria total privacidade para se despedir de Lucy. Abraçou-a demoradamente.
- Vou morrer de saudade. – disse baixinho, no ouvido de Lucy.
- Eu também, mas não é para sempre. – Lucy procurou se separar do abraço – quando der eu vou te visitar. Mestre Afrodite já me prometeu que me levaria para conhecer a África.
- Eu mal posso esperar. – Erika segurou as mãos de Lucy – Você ainda pode vir comigo. Basta fazer as malas! Eu espero...
- Não posso ir. Não antes de me tornar uma amazona. – falou Lucy com uma voz resoluta – sonho com minha armadura.
- Ah, eu sei – Erika suspirou. Não podia deixar de admirar mais aquela garota por ser tão determinada – e me deixa tão orgulhosa. – beijou a mão de Lucy – te adoro. Sua doçura, sua determinação. Você não é só linda por fora, Lucy Renard, é linda por dentro também. Continue assim. Forte e doce. Nunca perca sua essência.
Erika segurou o rosto de Lucy e a guiou para um longo beijo apaixonado. Quando terminaram as duas estavam coradas.
- Eu te amo. – disse Lucy.
- Eu te amo. – disse Erika, a voz ficando embargada.
- Ah, prometemos não chorar! – Lucy reclamou, os olhos traidores brilhantes de lágrimas.
Uma limpou as lágrimas da outra, em seguida riram.
- Boa viagem. Cuide-se! – pediu Lucy.
Nesse momento, um aperto no peito fez Erika morder os lábios. Ia pedir para ela também tomar cuidado quando uma movimentação no porto chamou a atenção das duas. Aldebaram, Aiolos e Helena desciam até o porto. Helena carregava uma grande mochila nas costas e conversava animada com os dois cavaleiros de ouro. Lucy abriu um sorriso radiante ao avistar a amiga.
- Ela apareceu! Graças aos deuses! – exclamou – E pelo jeito vai viajar também, mas o que isso significa?
Erika subiu na embarcação para colher informações com o capitão. Voltou em menos de um minuto.
- Aldebaram solicitou que meu navio levasse Helena até a ilha de Creta. – Erika explicou a Lucy. – Bem, acho que você deve se despedir de sua amiga agora.
Lucy concordou e correu até Helena, pulou nos braços da amiga gritando:
- Então você marca uma viagem e não me conta nada?!
- Digamos que eu não tive tempo. – começou Helena, derrubando sua pesada mochila no chão – Primeiro descobri que mestre Aldebaram é meu pai, depois quase desisti do treinamento... – e olhou para Aiolos depois para Lucy– precisei sumir por uns tempos para por minha cabeça no lugar, agora sei o que quero: quero ser uma amazona..
- Não sabe como me deixa feliz! – disse Lucy apertando as mãos de Helena. – Nós três vamos completar nosso objetivo juntas! Você, Jim e eu.
- Bem, não tão juntas. – o tom de voz sério de Helena cortou a alegria de Lucy – eu vou para a ilha de Creta completar meu treinamento. É possível que lá encontre minha armadura.
- Então tenho que me despedir de outra pessoa que amo hoje. – disse Lucy tristemente – vou sentir saudades de suas broncas por parar o treino para passar protetor solar a cada duas horas.
- Eu também de te dar essas broncas. - As duas riram juntas. Helena agachou-se rapidamente e tirou da mochila uma bisnaga de protetor solar da mesma marca que Lucy usava. – Não poderia esquecer.
- Boba, devia me agradecer por te ensinar a cuidar da pele... - As amigas se abraçaram demoradamente. Lucy olhou em volta, só agora havia lembrado que o trio estava incompleto. – Jim não sabe que você vai viajar?
- Eu tentei falar com ela o dia todo e não tive sucesso. Ninguém sabe onde ela se meteu. – disse Helena.
- Muito bem, uma amiga aparece e outra some. – Lucy reclamou.
- Quando a vir, diga que não esqueci de nossa luta.
- Pode deixar.
Helena olhou para Aldebaram a Aiolos alguns metros atrás delas.
- Tenho que dizer adeus a eles agora.
- Coragem, amiga. E não é adeus, é ate logo. – Lucy piscou e olhou para Erika no navio ancorado.
Helena foi primeiro até Aiolos de Sagitário.
- Obrigada. – disse sorrindo. – obrigada por dizer exatamente aquilo que eu precisava ouvir.
- Não há o que agradecer. Fiz tudo por amor. Eu te amo Helena. Amo você agora e amo a mulher, a amazona que vai se tornar. – deu um passo a frente, olhou-a dentro dos olhos – Eu vou te esperar.
- Não é necessário. – disse Helena. – Não espere por mim.
Aiolos piscou estupefato com as palavras de Helena. Ela estava terminando com ele? engoliu em seco. Analisou a expressão de Helena. Nunca a vira tão natural, segura de si mesma. Não era a mesma pessoa, a experiencia de pensar no que ela queria para a vida a reformulara.
- Helena você tem certeza? – perguntou, reflexivo, receoso.
- Certeza é o que mais tenho agora, Aiolos. – Helena respondeu e o abraçou apertado.
Os lábios de Aiolos chegaram aos de Helena, ela correspondeu ao beijo com sua timidez de sempre. Ele lhe desejou boa sorte e pediu que se cuidasse. Ela agradeceu mais uma vez. Aiolos demorou a soltar a mão de Helena, observou a mão da jovem se afastar voando para longe da sua com tristeza. Ficar longe dela não seria nada fácil. Aldebaram apanhou a mochila de Helena e pai e filha foram juntos até o navio.
- Boa sorte, minha filha. – disse Aldebaram depois de estreita-la em seus braços. – Escreva-me sempre! – sorria largamente, mas seu coração estava apertado por se separar de sua filha.
- Pode deixar, papai.
- A casa de Touro também é sua.
Helena fez que sim com a cabeça e pulou no navio. No caís Lucy lhe acenava freneticamente e lhe mandava beijos. Aldebaram e Aiolos também acenavam Helena retribuiu o carinho que vinha de cada vez mais longe, conforme o navio se afastava do porto do Santuário.
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até o próximo!
