- Capítulo Trinta e Três –
De Ilusão e Orgulho
"Já cansei de ser enganada pela esperança, ou de me esforçar para não me iludir... mesmo sabendo que já estou iludida faz tempo."
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Era Patrícia Coutbert.
Gween ainda observava atônita o garoto beijar a garota que mais a odiava quando tomou uma decisão. Não era obrigada a assistir aquilo. Levantou-se antes que qualquer um pudesse dizer qualquer coisa. Fábio lançou um olhar de desprezo a Sirius e levantou-se, também saindo do bar. Quando Sirius desvencilhou-se de Patrícia, virou-se para procurar os olhos de Gween, sem encontrá-los, no entanto.
- Viu, idiota, você estragou tudo! – Tiago murmurou, levantando-se da mesa com raiva e saindo dali.
Sirius tremeu por um instante, deixando-se cair da cadeira e enterrando o rosto nas mãos.
- Sirius... – Emilly tentou.
- Não enche! – ele retrucou.
- Deixe-o ficar sozinho com a culpa... – Remo falou. – Depois eu o levo pro castelo. – completou, no que Emilly assentiu.
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- Gween! Gween! – Fábio segurou-a por um braço.
- Desculpa, Fábio, eu não deveria ter feito isso com você, e... – Fábio envolveu-a com os braços, num abraço amigo.
- Eu entendo. Eu sabia desde o início... – ele respondeu, sentindo a garota afundar o rosto em seu ombro.
- Eu... estou interrompendo alguma coisa? – Tiago perguntou inseguro.
- Não, claro que não. – Fábio desvencilhou-se de Gween com carinho. – Eu sabia... não adiantava me iludir. – murmurou, com um sorriso triste. – Ela precisa de você, Tiago.
- Obrigado, Fábio. – Tiago respondeu, caminhando com Gween até o castelo.
Os dois fizeram todo o trajeto – inclusive o até a sala comunal – no mais completo silêncio. E Tiago sabia que isso não era um bom sinal. Murmurou a senha para a Mulher Gorda e encontrou a sala comunal vazia. Provavelmente os alunos do primeiro e segundo anos, que não podiam ir a Hogsmeade, estavam aproveitando fora do castelo. Conduziu a garota até o sofá e sentou-se neste, no que Gween sentou ao seu lado, deitando-se em suas pernas em seguida.
- Gween... você... quer conversar? – perguntou.
- Não precisa. – respondeu, amarga. – Isso não interessa.
- Deixe de ser orgulhosa pelo menos por um instante! – pediu o maroto. – Eu sei que você gosta dele, e ele também gosta de você...
- Ah, droga, Tiago, por que ele tem que fazer isso comigo? – perguntou, e o garoto passou as mãos pelo cabelo dela.
- Ele está com ciúmes. Entenda, Gween... você sair com Prewett foi um golpe para ele.
- Eu dei... eu dei a chance. Ele poderia não me decepcionar... – a garota completou, e uma lágrima solitária escorreu pelo seu olho, no que Tiago limpou-a.
- Pode chorar... – ele disse.
- Não, eu não choro por esse tipo de coisa! – comentou, orgulhosa.
- Gween, você não precisa posar de forte pra mim. Eu sei o quanto você é frágil às vezes, e sei também que o coração é o seu ponto fraco. – Tiago mirou-a com carinho. – Agora, por favor, seja franca comigo: você gosta dele, não é?
- Eu não sei, Tiago... – ela murmurou. – É tudo muito confuso... Ah, droga, o que eu estou fazendo? Vai embora, Tiago, vai pra Hogsmeade, vai ficar com a Lily!
- Gween, nesse momento é você que está precisando de ajuda.
- Eu tenho o dom de estragar o dia de todo mundo, não é? – ela perguntou, dando um sorriso triste. – Eu estraguei o dia do Fábio... por que eu fui sair com ele? Do Sir..., droga, Black, também, o da Lily também, que está lá sem você, de vela, o da Emilly e do Remo, interrompendo... e o seu. Te tirei de junto da Lily...
- Hey, Gween. Você não estragou o meu dia. – Tiago respondeu, vendo a garota dar outro sorriso triste. – Nem de ninguém.
- É como se... como se eu quisesse eu voar, mas caísse sem asas. – Gween murmurou de repente, fechando os olhos em seguida.
- Se isso te consola... ele gosta de você.
- De que adianta, Tiago? – a garota murmurou, e mais algumas lágrimas escorreram. – Mesmo se ele gostasse de mim, de que adiantaria? Ele é tão idiota, você viu o que ele fez no Três Vassouras... e eu sou tão impulsiva, tão insegura... nunca vai dar certo!
- Claro que vai! Vocês foram feitos um para o...
- Cala a boca, Tiago, isso é a maior bobagem que existe! Não existe alma gêmea, não existe destino, não existe nada! – ela enxugou as lágrimas com raiva, voltando a falar. – Existe é uma grande quantidade de inconseqüência que faz com que criemos nossa vida de uma maneira... ah, droga... é a gente que constrói nossa vida, é a gente que faz nossa felicidade e é nossa culpa se dá algo errado!
- Não existe o certo e o errado na construção da vida, Gween. No fim, tudo dá certo. – ele sorriu, bondoso. – E se não deu certo, é porque ainda não chegou o fim.
- Obrigado, Tiago... – a garota falou.
Levantou-se e deu um grande abraço apertado, e no mesmo instante o buraco do retrato se abriu. Por ele passou um Remo mau-humorado arfando carregando um Sirius completamente bêbado.
- Me ajudem aqui... – ele murmurou.
- Por que você não enfeitiçou? – Tiago perguntou.
- Por que eu não...? Ah, meu Merlim, eu sou um idiota! – Remo murmurou, batendo em sua própria testa.
- Isso eu sei. – Tiago respondeu rindo.
Tiago rapidamente levantou-se e enfeitiçou Sirius. Virou-se para Gween, lançando-lhe um olhar significativo, e direcionou Sirius para o dormitório masculino. Largou-o de qualquer jeito na cama e virou-se para Remo.
- Então... o que ele fez?
- Largou a Coutbert quando viu que a Gween não estava mais lá e continuou a beber Whisky de Fogo compulsivamente. – Remo deu um suspiro cansado. – Por que ele não admite que é apaixonado por ela?
- Orgulho. – Tiago respondeu, com simplicidade.
- Orgulho, orgulho! – Remo respondeu, como se fosse a coisa mais absurda do mundo. – Por que ele não esquece essa droga de orgulho!
A porta do dormitório foi aberta com ferocidade, provocando um estrondo. A abertura deixou a garota loira passar.
- Então? Desmaiou? – perguntou, com um descaso frio quase cruelmente carregado de desprezo.
- Mais ou menos. Está delirando. – Remo esclareceu.
- Cerveja amanteigada não é forte. – Gween respondeu, num tom superior quase arrogante.
- Ele estava tomando Whisky de Fogo. – Remo disse.
- Hum... Gween! – Tiago chamou, com um tom fraco ligeiramente envergonhado.
- Quê?
- Não vai cuidar dele?
Gween começou a rir, um riso frio, sarcástico e vazio de felicidade.
- Você não pode estar falando sério. – a garota falou com amargura.
- Na verdade... nós estamos. – Remo respondeu inseguro.
- Vocês não sabem cuidar de um porre? – ao ver os dois negarem com a cabeça, continuou. – O que faziam quando vocês tomavam porre?
- Hum... meu único porre eu fiquei largado na cama, jogado por esses amigos-da-onça. – Remo falou, brincando.
- Normalmente você cuidava de mim quando eu ficava bêbado. E quando não era assim... Bom, nós, Sirius e eu... – Tiago adotou um tom marotamente superior. – Sempre tivemos uma garota disposta a cuidar da gente.
- Bom, então chame uma delas. – Gween virou-se para sair.
- Hey, não! – Remo reclamou. – Ele não vai querer outra garota, e de qualquer jeito elas estão tudo em Hogsmeade.
A garota suspirou resignada. Com um feitiço, fez Sirius levitar alguns metros e empurrou-o direto para o banheiro. O garoto apoiou-se no vazo e pôs-se a vomitar, no que Gween virou as costas. Em seguida e sem olhar, ela deu descarga e empurrou o garoto para baixo de um jato de água gelada.
- Aiiii! – o maroto reclamou, meio inconsciente.
- Não reclame, Black, ou eu vou embora. – a garota advertiu. – Quem mandou ficar bêbado?
- A culpa é sua... – ele murmurou com os olhos opacos, sentindo a água fria escorrer por toda a sua roupa, atravessando o tecido e tocando sua pele.
- Ah, agora a culpa é minha? – perguntou, com sarcasmo.
- É... – o garoto murmurou com a voz fraca, apoiando-se na parede. – Você fica aí me esnobando, tão linda...
- Cale a boca. – respondeu, com frieza.
Empurrou sem doçura o garoto para fora do box e enrolou-o na toalha. Esperou que ele se enxugasse e derrubou-o na cama logo depois.
- Troquem a roupa dele. – ordenou.
- Você só pode estar brincando. – Tiago falou, risonho.
- Eu tenho cara de quem está brincando? – perguntou, e o garoto ficou repentinamente sério.
- Isso é muito gay. – ele disse.
- Algum preconceito? – a garota ergueu a sobrancelha.
- Eu não vou terminar com a minha reputação! – Tiago replicou. – É a minha palavra final.
- Remo? – a garota pediu.
- Desculpe, Gween, mas eu também tenho uma reputação a manter. – disse, em tom de desculpas. – Antes de monitor eu sou um maroto.
- Humpf. – a garota resmungou, dirigindo-se para Sirius e começando a desabotoar a camisa, primeiramente com raiva.
Aos poucos seu ato foi adquirindo mais delicadeza. Depois da camisa, tirou a calça e em seguida vestiu uma nova calça, seca. Deixou, porém, o peito definido nu. Pegou uma pequena vasilha e com um feitiço encheu-a de água. Depois de um pequeno tempo procurando, encontrou um pequeno retalho de pano e mergulhou na vasilha com água. Então torceu-o e colocou na testa do maroto.
Sentou-se na cama de Sirius, sentindo-se completamente exausta. Não fisicamente – o esforço físico fora mínimo. Porém, cuidar da pessoa que mais havia machucado-a doía muito. Suspirou cansada, mergulhando a cabeça loira nas mãos.
Não entendia Sirius, e nem entendia a si própria. Droga, gostava e demais daquele idiota que a fazia sofrer. Era incrível como ele tinha a imensa capacidade de fazê-la completamente feliz e de magoá-la profundamente. Como dizia Camões, "Amor é fogo que arde sem ver, é ferida que dói e não se sente". Mas, oras, ela não amava aquele maroto que invadia seus sonhos! Não sabia o que sentia, exatamente, pelo garoto. Paixão, raiva, desejo... era complicado e contraditório demais.
Mas a atitude do maroto também não ajudava. Agia como que movido unicamente por desejo. Admitia que gostava dos assédios do maroto, mas queria uma certeza, um motivo, algo concreto que justificasse o ato de arriscar. Mas, ao contrário, o maroto havia decepcionado-a, machucado-a, magoado-a.
Mexeu a cabeça, como que para espantar aqueles pensamentos, e levantou os olhos. Não foi completamente surpresa que ela constatou que Tiago e Remo não estavam mais lá. Molhou a compressa na água fria novamente e colocou-a mais uma vez na testa de Sirius.
Levantou-se, preparando-se para sair, mas o maroto segurou sua mão. Voltou-se para ele, encontrando seus olhos levemente abertos.
- Não... não vai... – ele murmurou, entre pausas, a voz falhando. Obviamente estava delirando. – Eu gosto de você... eu quero você...
A garota sentiu-se arrepiar, vacilando ligeiramente. Porém, a imagem de Sirius beijando Patrícia Coutbert continua viva demais em sua mente. Tentou soltar a mão, mas o garoto apertou-a com mais força.
- Me solta, Sirius. – a garota pediu.
O maroto largou a mão de Gween, fechando os olhos em seguida. Ela então suspirou e virou-se para sair. Ele não iria se lembrar de nada...
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Beijos Perdidos Entre Estrelas
Meus lábios ainda sentem o gosto dos teus beijos... meu corpo teima em guardar o perfume das tuas entregas, quando juntavas estrelas aos meus pés, inebriado pelas carícias que minhas mãos descobriam na geografia da tua pele. Entre murmúrios e silêncios, teus desejos paravam o relógio, para prolongar infinitamente a permanência dos meus olhos deitados, sob teus prazeres escondidos.
Adivinhava-te, e a cada toque, tua pele rendia-se em confissões de arrepios e tremores... carinhos te vestiam do meu cheiro, enquanto uma nesga da lua beijava nosso amor. Desenhava atrevidamente o contorno dos teus traços com a ponta dos meus dedos, enquanto teus olhares perdiam-se em declarações inconfessáveis. Como um náufrago, te socorrias das minhas emoções, mostrando-me os caminhos das tuas vontades.
Teu olhar de cumplicidade soletrava a fome que sentias dos meus beijos... minha boca andarilha entreabria-se num ritual de oferenda, mergulhando no poço aveludado das tuas sedes. Nossos corpos amanheciam contando ao sol os segredos e poemas que esculpíamos sob o olhar cúmplice da lua... palavras e sons que se derramavam dos lençóis coadjuvantes dos nossos encontros.
Quando te despedias, teus abraços ecoavam por horas a fio entre meus braços. Meus olhos, presos aos teus, seguiam-te até que a noite te trazia em promessa de eternidade... eternidade que durava apenas até um novo amanhecer. Que importava? Meu coração banhava-te nas águas verdes do meu mar e eu me vestia do luar que tanto te encantava, para entoar novas notas musicais no teu corpo.
Agora, entre nuvens negras preguiçosas, meu coração te busca em saudade... meus pensamentos renitentes não se cansam de estar em ti. Foste sem que teu coração me dissesse adeus, porque só tuas mãos acenaram, como se eu não percebesse nelas também sofrimento! Teus olhos mudos endereçavam-me uma súplica em tornado.
Enquanto partias, tentei unir duas estrelas no céu com um laço de fita, pois era na companhia delas que teus lábios me encontravam! A lua adormeceu minhas esperas, enquanto acordava o sol... ao raiar de um novo dia, percebi que o laço já não ligava estrela alguma.
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NOTA: de novo um capítulo perfeito demais pra tudo o que estou passando... /suspiro/. Bom, sobre esse texto final, ele é da Fernanda Guimarães, e eu achei por acaso em algum site (não lembro qual). Na história, quem escreveu? Gween? Sirius? Não sei. Vocês que escolham o que mais convir!
Bom, gente, o próximo capítulo se chama "Cale a Boca" e não está terminado. Por isso, eu resolvi postar minha song D/G, chamada "Doce Desejo". Cliquem no meu nome de autora ali em cima e depois, embaixo do meu profile, em "Doce Desejo". É pra compensar se eu não postar semana que vem, ok? E vamos às reviews:
Bi Radcliffe: é que eu vi primeiro o comment dela, e expressei toda a saudade ali, uhashuasuhasuhas... sua garota ciumenta! Eu fui ontem na casa da Tha! Muito show, uhashuasuhas... a My também tá bem... hehe... Nhaaa... quero também que seu MSN volte... hehe... Que bom que gostou! E a Gween precisava ficar com outro para se dar conta de algumas coisas, como esse cap mostrou... entende? E o Sirius é que fez mal, a Gween só queria fazer isso pra poder entender o que tava sentindo... e o Sirius fez por vingança. Ele é que mau! ISSO! Carta pra mim! Tipo, não vou publicar meu endereço aqui, mas quando a gente se falar eu te dou pra você mandar uma carta! Ou pede pra alguém que tenha (a Tha, a My, a Lu...). Ahhh quero carta simmmm! Hehe... E T/L no próximo capítulo! Beijão, amore!
Mary-Snape-Lupin: hehe... como eu disse pra Bi, a Gween precisava fazer isso pra se dar conta de algumas coisas, pra entender o que tava sentindo... entende? Hehe... que bom que comentou! Beijão!
Crystin-Malfoy: pois é... hehe. EBAA! Eu TAMBÉM! To indo lá XD. E a resposta tá aqui... nojo, né? Wee, perversa! Hehe... É, a gente tem que se falar... assim, eu vou esquecer de mandar o endereço... então manda um e-mail cobrando que eu mando, ok? Uhasuhasas... beijão, amore!
Silverghost: asuhsauhsahu, mais Perversa que você? Poxa, estou realmente LISONJEADA. A Paty... nojo, né? E sobre a Lily, espere e verá... hehe... recebi. Acho que segunda envio a resposta! Hehe... boa janta, beijos!
Isabela: guria, to quase chorando com os elogios... putz, valeu mesmo... putz... VALEEEEU! Hehe, sim, a Gween é. Obrigada!
Mione.Weasley.PPC: heheheheeh... Beijão!
Ben Loop: sim, ajudo! Bom, eu não consigo abrir o fórum. Dá erro... uhasuhashuas... mas eu dou um jeito! Beijos!
Wallace: sauhsuhasuhasuhas... ri bastante com o NOSSO Draco. Muahaha /risada PERVERSA/. Tah... hehe... beijão!
Bom, gente, é isso. Espero que tenham gostado! Beijos e comentem,
Gween Black
