Eu continuava em choque, era surreal demais. Uma filha... Eu tinha uma filha.
Chegava a ser irônico, eu tinha deixado Bella por acreditar nunca conseguir realizar seu sonho de ser mãe no entanto, eu acabei por engravidá-la.
Como eu fui tolo, fraco... Sim, eu fui fraco. Eu tive tanto medo de fazer Bella infeliz que não deixei o destino agir por conta própria.
Se eu não tivesse sido fraco, se eu tivesse encarado tudo de frente, se eu tivesse conversado com Bella nada disso teria acontecido; nós teríamos nos casado, eu teria tido o prazer de curtir toda a gravidez de Bella, eu teria ajudado-a em tudo... Eu teria estado ao seu lado quando deu a luz a nossa filha... Nosso pequeno milagre.
Era impossível não sorrir com tal pensamento. Bella era incrível, única... Mais uma vez ela conseguiu realizar um sonho meu, ser pai.
-Filho... Filho fale comigo... – eu ouvi a voz de Carlisle me chamar, aparentemente preocupado, eu queria acalmá-lo, queria dizer que eu estava bem, mas... Sua voz estava tão longe.
A verdade é que meu corpo estava em combustão... Todos os sentimentos conhecidos estavam borbulhando dentro de mim, eu estava feliz por ser pai, eu estava radiante com a idéia de existir uma prova viva do amor puro que Bella e eu tivemos um dia. Eu me sentia assustado, com medo do que pensar, se Bella não havia me contado sobre nossa filha, o que será que a pequenina pensava de mim? O que Bella teria dito a ela?
Eu me sentia esperançoso... Eu já me imaginava com Bella ao meu lado, nós dois levando nossa pequenina para passear, a mesma em meus ombros, no "cavalinho", uma família completa, plena e feliz.
-NÃO BELLA! – Ouvi o grito urgente e desesperado de Alice. Eu não queria voltar, não queria sair de meus devaneios, a realidade podia não ser tão perfeita quanto minha imaginação me mostrava; mas eu precisava voltar, algo dentro de mim me dizia que algo havia acontecido com minha filha e isso eu não poderia permitir. Minha filha jamais deveria sofrer, não importava a maneira que fosse. Papai aqui sempre cuidaria da minha princesinha...
Minha princesinha.. Minha filha. – o sorriso voltou – É... Eu precisarei me acostumar com isso e bem rapidinho.
-ALICE FALE O QUE HOUVE! – Gritou Rosalie em pânico e eu me lembrei que deveria reagir.
Levantei num pulo atraindo a atenção de todos para mim. Seus olhares eram temerosos, pareciam esperar pela minha reação explosiva, mas esta não viria, eu só queria saber o que havia acontecido com minha pequena.
-O que houve Alice? – perguntei enquanto invadia a mente de minha irmã em busca da visão que tanto a apavorou.
Bella estava furiosa, gritava a toda força dos pulmões com a menininha loira, minha pequena deduzo eu, em seguida ela pegou a menina e deitou-a no colo, levantou-lhe o vestido e retirou-lhe a calcinha, tão logo, começou a bater na pequenina com um chinelo. A pobrezinha gritava e chorava de dor, se contorcia e pedida para Bella parar mas Bella não se comovia, continuava a bater cada vez mais forte.
Fui tomado pela fúria e o desespero, por que Bella fazia aquilo? Ela não via que a pequenina estava sofrendo? Eu tinha que fazer alguma coisa, precisava ir até lá. Precisava fazer Bella parar.
Dei apenas um passo em direção a saída quando Alice se colocou em meu caminho.
-Não... – foi tudo que ela disse.
Estreitei meu olhar ainda a encarando, ela não podia estar falando sério, minha princesinha estava sendo maltratada, surrada, e ela queria que eu nada fizesse?
-O que aconteceu, Alice? – perguntou Carlisle asperado.
Alice não respondeu,ela continuava a travar uma discussão silenciosa comigo.
-Bella esta batendo em minha filha! – respondi por minha irmã, sem desvir o olhar.
-O QUE? – Gritou Rose desesperada – Precisamos impedi-la! – Rose fez menção de correr mas Alice se colocou na frente dela também.
Todos estavam nervosos, sem saber como agir ou como se posicionar.
-Ninguém vai lá! – Alice falou firme.
-Lice, Bella está batendo nela! – falei entre dente, na hipótese improvável de Alice não ter entendido a própria visão.
-Eu sei disso, mas não há nada que podemos fazer. – disse ela, com completa calma.
Minha mãos se cerraram involuntária mente, a fúria estava me tomando, Alice só estava me segurando mais ali, enquanto minha princesinha estava sendo surrada.
-COMO NÃO HÁ NADA QUE POSSAMOS FAZER? – Perguntei asperado, sem nem perceber que eu já gritava. – É MINHA FILHA!
-É sua filha biológica! – corrigiu-me Alice severamente. – Perante a lei, você não tem autoridade nenhuma sobre ela, não agora. Ela não possui seu nome, você não ajudou a criá-la, ela não tem seu nome nos registros legais.
-DANE-SE OS REGISTROS LEGAIS! NÃO VOU PERMETIR QUE BELLA CONTINUE A BATER NELA. – Eu estava ficando louco de raiva, eu não podia mais perder tempo com Alice, mesmo sem conhecer minha pequena, eu já sentia uma necessidade de protegê-la, igual ao que eu tinha com Bella.
-Edward, Bella é a mãe... Ela pode... – Alice continuava calma, no fundo nós dois sabíamos que ela estava certa. Mas eu não queria aceitar isso. – Fora que se você for lá agora, e intervir... Todo o respeito que Bella ensinou a filha a ter por ela se perderá.
Eu fiquei em silêncio, queria encontrar uma saída melhor, queria achar um jeito de resolver tudo isso, queria fazer minha pequena parar de sofrer. Alice estava certa.
"Além do que, Ed..." – completou Alice apenas com o pensamento. – "Ela mereceu... Não concordo com o método de disciplina de Bella, mas entendo o lado dela..."
Então Alice me mostrou o que minha filha havia feito naquela noite, e bom, era compreensível.
-Alice tem razão, Edward. – Esme, que até então estava sentada ainda em choque na cadeira se levantou e veio me abraçar. – As coisas já estão muito tensas, foram muitos acontecimentos juntos, se for lá agora, só irá piorar as coisas.
-Mas... – tentei questionar, explicar minha angustia, meu desespero mas não tive chance.
-Sei que está nervoso, Edward. – meu pai se manifestou. – E eu entendo seu nervosismo, qualquer um de nós estaria igual no seu lugar, mas agora deixe as coisas se acalmarem... Dê um tempo a Bella!
-NÃO! – Rosalie interveio, o medo dominava seu olhar e sua voz. – Se você der tempo a Bella, ela fugirá com minha sobrinha! Ela vai levá-la embora! Não pode permitir Edward, não pode! – suplicou Rose.
Novamente o medo me tomou, o que eu deveria fazer agora?
-Nossa, Rose, como você ajudou.. – Alice foi sarcástica.
-Não... – conclui por fim. – Rose tem razão, não vou esperar, Bella irá me ouvir e será agora! – Fiz menção de começar a correr mas Carlisle me segurou.
-Não. – ele foi firme; tentei me soltar mas ele não cedeu, Esme chamou pelo nome de Jasper e logo eu senti uma onde de calma me atingir, eu estava mais tranqüilo, mesmo sabendo que tudo que estava acontecendo eu não conseguia mais me irritar ou me apavorar.
-Pare com isso Jasper! – grunhi enquanto tentava, inutilmente, me soltar. Claro que fui ignorado no meu pedido, Alice me olhava com pena e isso teria me irritado normalmente, mas Jasper e seu poderzinho irritante estavam me atrapalhando.
-Ok...Mas eu vou ligar para ela! Agora! – falei sério – Ter uma garantia que conversaríamos ainda hoje. E isso não está em discussão.
Alice suspirou e me estendeu o celular dela, foi só então que me lembrei que eu havia acabado de chegar de uma caçada.
-Seja educado! – avisou ela enquanto Carlisle me soltava.
Ignorei aquele comentário e disquei rapidamente o celular de Bella. Tocou uma, duas, três, quatro... Eu já estava ficando nervoso de novo, mas Jasper interveio novamente. O celular caiu na caixa postal. Porcaria! Liguei outra vez e caiu na caixa postal de novo. INFERNO! Se ela não atendesse da próxima vez eu iria até lá independente do que viesse a acontecer.
Tocou uma... Duas... Três... Mas então alguém atendeu, mas não disse nada, eu apenas ouvi o barulho de alguém vomitando ao fundo.
Todo o meu nervosismo e minha fúria sumiram num instante. Era Bella? O que estava acontecendo? O que ela tinha?
-Bella? Bella? Bella é você? Por favor, diga alguma coisa! Bella? O que você tem? – fiquei num monologo inútil desesperado ao telefone.
-Ah Não... – Alice reclamou enquanto se jogava no chão, já sabendo que Jasper a pegaria no colo, ela parecia cansada, apesar disso ser totalmente impossível.
Eu a ignorei e continuei a chamar desesperadamente por Bella no telefone.
Mais alguns segundos com aquele barulho que tanto me preocupava e o mesmo cessou.
-Espere um minuto, por favor... – pediu Bella, sim era a voz dela, totalmente fraca e depois ouvi o som de água saindo de uma torneira e depois mais água se movimentando, provavelmente, Bella estava lavando-se.
Eu esperei, paciente, até que a mesma tivesse condições de falar comigo novamente.
-Pronto... Alice? – a voz de Bella ainda estava um pouco fraca, mas já parecia melhor.
-Sou eu, Bella. – respondi num sussurro, receoso, preocupado, esquecendo-me de tudo e todos a minha volta.
Bella ficou uns minutos em silêncio, sua respiração estava irregular.
-O que queres, Edward? – ela tentou manter a voz calma e indiferente, mas a mesma parecia tremula e falhou por duas ou três vezes.
-Você está bem? – perguntei ainda preocupado – O que houve?
-É apenas nervoso Edward. Diga logo o que quer... – Bella estava sem paciência por isso resolvi ir direto ao ponto, de uma maneira sutil.
-Eu já sei de tudo... – minha voz falhou.
A respiração de Bella parou, o que me alarmou, ela estava bem?
-Bella? – chamei-a novamente preocupado. – Bella fale comigo. - supliquei já começando a cogitar a maneira mais rápida de chegar até ela.
-Não temos nada para falar! – respondeu ela de repente, num tom frio e cortante. Fazendo-me lembrar que eu estava com raiva dela e o motivo.
-Temos sim! E vai ser agora! – rebati autoritário.
-Sonhe, Cullen! – debochou ela. – Eu não vou falar com você agora nem nunca.
-Você me deve algumas explicações. – lembrei-a irritado, aquele joguinho parecia diverti-la, mas eu não achava graça nenhuma.
-Não lhe devo nada, foi-se o tempo em que eu devia explicações a você! – falou ela com desdém, parecia enojada de lembrar de tais tempos.
A raiva foi novamente me dominando e nem mesmo o poder de Jasper poderia me acalmar agora, Bella queria fazer joguinhos idiotas, ganhar tempo talvez, mas eu não estava nem um pouco disposto para isso agora.
-Isabella Marie Swan, - grunhi tentando com todo meu auto-controle não gritar. – Ou você vêm aqui para conversarmos AGORA, ou eu vou invadir a sua casa, ou qualquer outro lugar que vocês estejam... A escolha é sua. – fazia muito tempo que eu não falava tão seriamente com ela desta maneira, o que chegou a me surpreender, eu não esperava um dia ter que usar esse tipo de agressividade mas as circunstancias atuais pediam medidas desesperadas.
O silêncio foi avassalador do outro lado da linha, cheguei a me perguntar se Bella ainda estava na linha, mas Alice respondeu-me que sim, através de seus pensamentos. Então eu esperei. Um minuto. Dois. Três. Quatro. Uma eternidade se passou, eu estava a ponto de desligar quando Bella respondeu inesperadamente:
-Chego ai em dez minutos. – e então a ligação caiu.
Mesmo sabendo que eu havia pedido por esse encontro tal idéia me fez estremecer, devolvi o celular para Alice, e encarei meus familiares, todos pareciam e estavam, apreensivos, eu tentei ignorar isso e fiquei a esperar.
Ninguém nada disse durante os dez minutos mais longos da minha vida, agradeci-os mentalmente por isso. Tentei não pensar em todas as novas informações que me cercavam, não podia pensar em nada se não eu poderia me exaltar na conversa com Bella. Depois de quase um século de espera o carro de Bella chegou. Olhei para meus familiares e a única coisa que disse foi:
-Não interfiram, por favor, isso é um assunto meu e dela.
Prontamente eles concordaram, abri a porta para Bella e a mesma entrou sem me olhar, prostrou-se no centro da sala e virou a me encarar. Ela estava deslumbrante, magnífica, como sempre, usava uma calça jeans preta e uma regata igualmente preta, um sobre tudo preto, e botas de cano baixo, também pretas. Parecia de luto, e mesmo assim, ela não perdia o charme.
Eu a encarei, desejando mais do que qualquer outro dia, que eu pudesse ler seus pensamentos e entende-la. Saber exatamente o que aconteceu, o porque desse desespero para que eu saiba de algo tão... Precioso. Eu queria saber exatamente tudo que se passou, com a certeza de que ela jamais me esconderia algo... Mas Bella, como sempre, era diferente, e com ela, eu não poderia fazer isso.
-Aqui estou... – disse ela para cortar o silêncio que havia se instaurado. Antes que eu dissesse qualquer coisa, Alice se levantou e postou-se um passo atrás de Bella, e colocou-se em um tom de defesa. O que era aquilo?
Não precisei vascular a mente de minha irmã para entender, a mesma explicou, ao ver que Bella também havia ficado confusa.
-Eu prometi-lhe fidelidade, Bella... – disse Alice triste, ela estava se destruindo por fazer aquilo. – Prometi que estaria ao seu lado desde o dia que você me permitiu conviver com minha sobrinha. – Alice soltou um soluço baixo, estava-lhe custando muito se colocar de um dos lados daquela "guerra" principalmente quando Jasper, estava do lado oposto. – Bem... Chegou a hora deu provar minha fidelidade. Você está segura.
Não só eu, mas todos os Cullen ficaram em choque com a atitude de Alice. Bella foi a que mais ficou perturbada com tal ato, eu nem precisei ler sua mente para saber, sua expressão já demonstrava isso.
-Faço das palavras de Alice, minhas... – Disse Rose subitamente, atraindo a atenção para si. Ela se levantou e se colocou do outro lado de Bella.
Agora estávamos todos mais do que atordoados. Aquilo não era uma guerra. Era?
-Lice... Rose... – os olhos de Bella se encheram de lágrimas. – Obrigada... – Bella estava mais que emocionada, parecia até um pouco mais confiante; minhas irmãs lhe sorriram e Bella voltou a me encarar.
-Então Edward... O que quer de mim? – perguntou ela recobrando a compostura, a voltando ao tom frio e cortante do telefone.
Eu continuei a encarar Bella, isso não seria nada fácil, era muito provável que depois de tudo que aconteceu hoje Bella se recuse a me ter de qualquer maneira que seja, ela provavelmente me odiaria pelo resto de seus dias por ir contra as suas exigências, mas, era minha filha... Custasse o que custasse, eu já amava essa menina, tanto quanto amo Bella e eu não abriria mão dela por nada. Mesmo que eu não pudesse mais tocar em Bella, nossa filha seria um faço poderoso que nos uniria para sempre.
Depois de alguns segundos eu me forcei a dizer algo, a hora era chega... Todas as cartas seriam mostradas, o jogo finalmente chegara ao fim.
-Bella... – mesmo tentando me manter forte, o soluço subiu-me a garganta. – O... O que aconteceu depois que parti?
Bella continuava com uma expressão fria, indiferente.
-Eu já lhe contei o que aconteceu, Edward. Você não é retardado, deve se lembrar muito bem. – Bella lançou-me um sorrisinho cínico.
Senti a fúria me tomar, eu não estava disposto a aturar gracinhas a essa altura do campeonato.
-É verdade... – rebati no mesmo tom. – Você só esqueceu de comentar que pariu nossa filha nesse meio tempo.
Bella soltou um riso fraco, sem o menor humor.
-Devo ter esquecido esse detalhe.
A ira me tomou, todo o controle que eu tinha juntado para manter-me calmo naquela discussão evaporou.
-DETALHE? – Cuspi as palavras sem nem perceber que já gritava. – DESDE QUANDO NOSSA FILHA É UM DETALHE?
-MINHA FILHA, CULLEN! – Bella gritou, também nervosa. – MINHA; OUVIU BEM?
-EU SOU O PAI DELA! – Rebati, Bella era a mãe, mas o pai era eu, tinha tanto direito quanto ela.
Bella começou a tremer de nervoso e respirou fundo com as mãos no rosto, na tentativa de se acalmar.
"Vá com calma, filho! Vá com calma." – pediu-me Carlisle, mas eu não desviei o olhar de Bella, eu queria ver até onde ela iria com essa palhaçada.
-Quem foi que te disse que você é o pai Edward? – perguntou-me Bella calmamente, totalmente controlada. Mas sua frieza ainda tornavam suas palavras agulhas afiadas que insistiam em me ferir. – Você se acha demais, Cullen. – desdenhou ela, antes que eu respondesse. - Você acha mesmo que você foi o único homem da minha vida? Você acredita mesmo que eu nunca mais olhei para outro homem, que eu nunca mais me entreguei a ninguém? – Bella soltou uma risada falsa. – Você sonha alto demais...
Acabei por encolher meu corpo inconscientemente. Aquelas palavras me feriram, será mesmo verdade? Será que Bella me deixou verdadeiramente no passado?Como eu dei a entender que deveria fazer? Será verdade que eu estava lutando tanto por uma pequena que não era minha filha? Isso era... Muito mais realista do que eu estava acreditando.
-Bella... – Rosalie se manifestou, o que me surpreendeu, já que a mesma tinha dito que estaria do lado de Bella nessa história. – Todos nós já sabemos que Nessie é filha de Edward. Eu disse que te defenderia, que seria leal a você, e eu serei, mas se for para você argumentar a base de mentiras, não conte comigo. – Rose falava num tom sério, responsável, um tom que nunca pensei ouvir dela. – Foi por conta das mentiras, das meias verdades, da falta de diálogo que eu perdi o primeiro ano de vida da minha sobrinha, foi por isso que as coisas estão nesse ponto. Não dá mais para ser desse jeito, não vou ajudá-la se não começar a ser sincera. Quero ver as coisas acontecerem da maneira certa.
O silêncio reinou, Rosalie estava certa. Não dava mais para rodeios serem feitos, as coisas tinham chegado num limite insuportável, nós precisamos resolver as coisas, mas sem mais rodeios, sem mais mentiras. Quero me acertar com Bella, quero conhecer a verdade, quero encarar a realidade, com todas as conseqüências que a mesma possa vir a acarretar.
-Não quero me intrometer... – Emmett se manifestou, me lembrando pela primeira vez, que ele estava na sala. – Mas Rose está certa. Não dá mais para vocês viverem entre meias verdades, vocês nunca foram sinceros um com o outro por medo de se magoarem e vejam no que deu... Se querem minha opinião, você precisam deixar tudo muito claro agora, botar tudo pra fora, fala tudo que precisa ser dito. Não se esqueçam que agora, não é apenas a vida de vocês que está em jogo. Não envolve apenas vocês! Não é só a felicidade de vocês que esta em jogo; mas a da filha de vocês também.
Meus irmãos estavam certos, a vida de nossa filha era a prioridade ali, eu teria que agir da melhor maneira possível, da maneira que fosse melhor para ELA e não para mim. Quando voltei a encarar Bella, estava já desaguava a chorar, isso me comoveu e ao mesmo tempo me perturbou. Temi que talvez eu desconhecesse a real dor de Bella, temi que não soubesse exatamente o que Bella enfrentou depois que parti.
Dei um passo em sua direção mas ela fez sinal para que eu não me aproximasse, eu obedeci; Bella limpou as lágrimas e respirou fundo, quando finalmente me encarou ela tinha reassumido a compostura, sua máscara estava de volta.
-É isso que você quer ouvir então, Cullen? – perguntou-me ela. – Você que destruir o pouco de orgulho que eu ainda tenho, é isso? Pois bem... Você é o pai da minha filha, é verdade, Edward Cullen é pai. Satisfeito?
Eu já sabia que Bella tinha uma filha. Eu já sabia que eu era o pai. Mas... Ouvir isso da boca de Bella, e mesmo com sua máscara de imparcialidade, eu podia ver no fundo de seus olhos chocolates que tanto me fascinavam, que era verdade.
Senti minhas pernas tremerem, novamente a emoção me tomou. Eu era pai. Eu tinha uma filha. A alegria percorreu meu corpo, é uma sensação indescritível, uma emoção inigualável...
-Be.. Bella... Por que... Por que não me contou antes? – perguntei num sussurro fraco, ainda atordoado com a "velha nova informação".
-Porque não era da sua conta.
Mais um vez a fúria me tomou. Eu nunca fui assim tão temperamental, mas agora minhas mudanças continuas de humor me fazem acreditar que talvez Bella tivesse razão quando me disse na semana em que nos conhecemos que eu tinha personalidade múltipla. Depois de ter uma filha... Eu não duvidava de mais nada.
-COMO É? – Esbravejei. – Não é da minha conta? Você é louca? É minha filha!
-Você só ajudou a fazê-la, Edward! – Bella falou entre - dentes. – Mas não pode se considerar o pai dela.
-Como disse? – perguntei atônico, o que ela estava dizendo?
Bella encarou-me como se eu fosse um deficiente mental.
-Você participou de uma virgula da vida de minha filha! – Bella falou raivosa, mas de uma maneira lenta, como se fosse para ter certeza que eu acompanharia suas palavras. – Como espera poder se considerar pai dela?
A dor novamente me tomou, Bella tinha razão, mas eu estava disposto a compensar esse tempo perdido, será que ela não percebia isso?
-Isso só aconteceu porque eu não sabia da existência dela... Eu..
-Não! – cortou-me ela. – Isso só aconteceu porque você é fraco! Medroso! Isso só aconteceu porque você tem medo de enfrentar a vida! – Bella estava jogando na minha cara uma coisa que eu sempre soube, no fundo eu sabia que era verdade, mas ainda sim me feriu profundamente ouvir essas palavras, principalmente porque essas saiam da boca da minha amada. – Você tem medo de você mesmo Edward! Tem medo de assumir um compromisso! Tem medo de errar! Tem medo de acertar! Foi pura e simplesmente por isso que você não conviveu com minha filha...
Eu fiquei desesperado, Bella estava certa, eu sabia que estava, mas eu queria de alguma maneira fazê-la enxergar que eu mudei, que eu havia amadurecido, que eu seria diferente, faria por merecer seu amor e o de nossa filha, mas não saiu nada de minha boca então Bella continuou.
-Se você fosse um pouco menos covarde, se você confiasse um pouco mais na vida, se você permitisse que o destino tomasse seu curso, sem se preocupar com as conseqüências, assim como fez naquela noite... – A voz dela já estavam embargada devido ao choro que subia sua garganta, as lágrimas logo tomaram conta do seus lindos olhos. – Se você tivesse dado uma chance a nós Edward... Nós teríamos nos casados, você teria curtido toda a minha gravidez, não só você, mas todos vocês, - Bella olhou para todos os Cullen e depois voltou a me fitar, as lágrimas já escorrendo. – você teria visto sua filha nascer, teria curtido sua filha, nós teríamos enfrentado os problemas, JUNTOS, e teríamos curtido nossos momentos de alegria juntos! Era assim que era para ser, Edward! Era assim! Mas você foi fraco demais... – Bella falou decepcionada e balançou a cabeça confirmando o tom de sua voz.
-Bella... – Eu estava desesperado, precisava, de alguma maneira mostrar a Bella, que tudo daria certo, que eu concertaria tudo. – Eu... Eu vou concertar tudo! Juro que vou! Me de uma chance! Eu vou compensar o tempo perdido... Vou fazer por merecer seu perdão... Serei tudo que você e nossa filha precisarem!
Bella franziu o cenho, parecendo confusa e depois, ligeiramente raivosa.
-O que esta querendo dizer com isso? Você esta achando mesmo que vai conviver com minha filha? – Bella falou tão incrédula como se aquilo fosse o maior absurdo do mundo. Foi minha vez de deixar a testa se enrugar. – Você não vai nem conhecê-la, Edward Cullen! Nem você e ninguém!
-O QUE? – Não só eu, mas todos os Cullen gritaram juntos.
-É brincadeira, né? - Indaguei incrédulo.
-Estou com cara de quem está rindo, Cullen? – rebateu ela áspera.
Entrei em pânico, eu não podia deixar isso acontecer! Era minha filha, eu tinha o direito de conhecê-la, de conviver com ela!
-Você não pode fazer isso! – protestei ligeiramente perturbado. – Eu sou o pai dela!
-Pois por mim você pode ser o Papa que não fará diferença! – desdenhou Bella. – Não vou permitir que nenhum de vocês cheguem perto dela! – grunhiu ela. Era nítido o amor e a devoção que ela tinha por nossa filha. Eu não duvidava que Bella lutaria com unhas e dentes até suas ultimas forças para proteger nossa filha do que quer que fosse.
Eu entendia o seu lado, nossa filha era o tesouro de Bella, assim como Bella era o meu, e nossa filha agora era também; por isso, eu não queria me exaltar, procuraria pela maneira mais tranqüila de lidar com a situação.
-Bella... – comecei respirando fundo para manter minha voz uniforme. – Sei que está tentando proteger nossa filha. Sei que tem rancor, sei que guarda muitos ressentimentos pelo que fiz, mas... Quero concertar as coisas. Mas para isso, preciso que me de uma chance. Eu já amo nossa filha, ela é fruto do amor mais puro e intenso que já existiu nesse mundo. Ela é a prova viva que eu sempre à amei e você à mim. Eu morreria antes de ver nossa filha derramar uma única lágrima, antes que ela desfaça seu sorriso. Eu vou protegê-la de tudo que possa lhe fazer mal... Vou compensar o tempo que perdi. Vou concertar as coisas, pagar por meus erros, reconquistar sua confiança e ganhar a dela. – eu não sei de onde nem como tais palavras saíram em tão perfeito momento, mas haviam sido providenciais, os pensamentos de meus familiares me provavam isso, todos estavam emocionados e comovidos.
Bella derramava mais lágrimas, seu rosto voltou a se contorcer em uma máscara de dor, uma dor aguda e profunda ao que pude ver.
-Edward... – ela sussurrou entre soluços baixos. – Eu... Desculpe, mas não posso fazer isso... – ela respirou fundo e me encarou novamente com o queixo erguido. – Não vou permitir que se aproxime de minha filha... – A máscara de mulher forte e fria havia voltado.
O nervosismo começou a correr em minhas veias, a fúria foi me tomando, qual era o problema dela? Eu tinha acabado de abrir meus sentimentos mais sinceros para ela e mesmo assim ela não cederia? Eu estava sendo sincero e ela sabia disso! Por que não ceder?
-Você não entendeu Isabella! – falei entre dentes, meus punhos se cerraram sem eu nem perceber. – Eu tenho o DIREITO de conhecê-la!
Bella começou a ficar vermelha de raiva, seus punhos se cerraram, eu podia vir que a fúria finalmente chegara.
-DIREITO? – Gritou ela, toda a compostura que ela havia criado para si estava desfeita. – DIREITO? QUE DIREITO VOCÊ ACHA QUE TEM, EDWARD? VOCÊ NÃO TEM DIREITO NENHUM SOBRE ELA!
Eu não ficaria mais por baixo, não tentaria ser racional, se era uma discussão assim que ela queria, eu faria igual.
-SIM DIREITO! – Gritei também. – SOU O PAI DELA! E TENHO TOTAL DIREITO DE CONHECE-LA. E VOCÊ SABE MUITO BEM QUE SE DIFICULTAR AS COISA EU IREI A JUSTIÇA E A TIRAREI DE VOCÊ! – Ameacei. Eu jamais faria isso, fato. Mas Bella não precisava saber isso. A essa altura, eu diria qualquer coisa para poder conhecer minha filha, tocá-la, abraçá-la... Cumprir meu papel de pai.
Bella estacou, a cor sumiu de seu rosto, inconscientemente prendeu também a respiração Fiquei preocupado, será que eu havia pegado pesado demais? A resposta veio no mesmo instante. Bella se recompôs e começou a gritar a toda força dos pulmões tudo que, aparentemente, estava entalado em sua garganta durante aqueles dois anos.
-ENTÃO VAI, CULLEN! ENTRA NA JUSTIÇA! VAMOS VER A QUEM O JUIZ DARÁ RAZÃO! – Bella tinha um olhar demoníaco, ela estava dominada pela fúria. – VOCÊ QUERIA SABER O QUE ACONTECEU? ENTÃO MUITO BEM! VAMOS CONTAR O QUE REALMENTE ACONTECEU! VAMOS VER OS DIREITOS QUE EDWARD CULLEN TEM SOBRE MINHA FILHA!
Eu estremeci involuntariamente com suas palavras. A verdade finalmente chegaria... Ao ver o nível de fúria de Bella, eu começava a duvidar se queria verdadeira ouvir tudo que estava por vir.
-Vejamos... – Bella fingiu pensar, mas logo voltou a me encarar e começou a narrar. – Você fez da vida de Jake um inferno! Não sossegou até que meu melhor amigo estivesse bem longe de mim, até que ele fosse para Austrália! Mas tudo bem... – ela estava com o orgulho ferido, era visível. – Afinal, nós seriamos felizes não é mesmo? – o tom sarcástico dela me feria. – CLARO QUE NÃO! – Bella voltou a gritar. – Faltando UM MÊS para o nosso casamento, o que você fez? – Foi uma pergunta retórica, mas eu queria me explicar, porém não tive tempo para isso. – VOCÊ VEIO ME PROCURAR, PARA DIZER QUE IA EMBORA! DISSE QUE EU NÃO PASSAVA DE UMA BRINCADEIRA! QUE VOCÊ NÃO ERA UM CARA DE FICAR PRESO A UMA ÚNICA PESSOA! QUE GOSTAVA DE SER LIVRE!
Apesar do tempo, Bella, ainda lembrava com perfeição as exatas palavras que usei naquela noite em que a deixei. Senti a dor me abater, ela estava certa eu sabia, mas... Não queria relembrar o dia que cometi a maior burrada da minha vida.
- E então... – ela continuou, como se não percebesse minha dor. – Eu tentei... Da maneira mais persuasiva convencê-lo a ficar... – dos olhos de Bella escorriam silenciosas lágrimas. – Eu me entreguei a você, de corpo e alma! Eu era sua! E ai o que você fez? – a fúria voltou a tona. – VOCÊ ME COMEU E FOI EMBORA!
O silêncio reinou mais uma vez, enquanto Bella tomava fôlego para continuar e eu processava a informação que eu já sabia, e me preparava para as que estavam por vir.
-Eu fiquei sem chão Edward... – Bella parou de gritar, a raiva sumira. Mas a magoa continuava presente. – Eu queria morrer! Queria odiá-lo, queria amá-lo novamente!
Eu voltei a minha vida vazia, sem sentimentos... Passei a bolar planos para acabar com minha vida. Planos que acabassem com minha dor. – Minha alma estava sendo destruída com as palavras de Bella. – E então... Veio a notícia... – As lágrimas caíram mais brandamente agora e quase vi um vestígio de sorriso em seus lábios, quase. – Eu estava tão concentrada na minha dor que não vi as coisas que aconteciam a minha volta. Não percebi minha menstruação atrasada, não percebi meus constantes enjôos, nem mesmo meus freqüentes desmaios... Foi só quando Ângela, depois de cansar de me dar indiretas, me arrastou a força para sua casa e me fez a pergunta crucial. Se eu havia dormido com você... De tão aturdida que fiquei, eu confirmei, sem me dar conta da onde ela queria chegar, mas Âng nada disse, apenas entregou-me um teste de gravidez, e me obrigou a fazê-lo... Eu fiquei atordoada com tudo aquilo, mas fiz apenas para acalmar Ângela, afinal eu sabia que você não podiam ter filhos... Mas aí.... – Bella colocou a mão na boca, reprimindo um soluço. – Deu positivo... – sua voz saiu abafada por causa da mão.
- Então eu fiz outro e mais outro... Fiz cinco testes diferentes e todos deram positivo. – Bella acabou por rir levemente com tal lembrar de tal lembrança. – Então, eu fui fazer um exame de sangue e deu positivo, me comprovando que um milagre tinha acontecido... Seria minha prova viva que vocês um dia existiram, que um dia existiu sim, amor entre nós, ou pelo menos, era a prova que um dia te amei intensamente. – Bella fez uma breve pausa e então seu rosto se contorceu de dor novamente. – Foi então que meu inferno começou...
Sem ao menos perceber, eu havia prendido a respiração com a ultima frase de Bella. Em nome de Drácula, o que aconteceu com ela?
Bella assumiu novamente a expressão de dor, sua voz foi tomada pelo ódio.
-Eu precisava contar a Charlie... Ele iria ficar uma fera, eu sabia disso. Mas quanto antes melhor... – as lágrimas voltaram a jorrar dos olhos dela. – Eu contei, foi o maior erro que cometi na minha vida... Charlie ficou furioso... Me chamou de todos os xingamentos conhecidos... Me disse que eu era uma vagabunda... Disse que eu havia desonrado nossa família, que eu o tinha envergonhado... – a fúria a tomava mais e mais. – E então... Depois de quase uma hora de tortura psicológica... Ele resolveu que eu deveria procurá-lo para fazê-lo assumir o filho... Ele bateu o pé que queria que eu o procurasse... – Bella começou a se desesperar. – Ele não acreditou em mim quando eu disse que não tinha idéia de onde encontrá-lo! Ele achou que eu fazia aquilo por birra... Ele não entendia que eu, mais do que qualquer outro, queria qualquer pista para encontrá-los... Charlie não acreditou em mim e insistiu para que eu o contatasse... – percebi que Bella já estava cega, ela não me via mais em sua frente, mas sim as lembranças daquele dia. – Charlie estava cego de raiva, sedento por vingança a sua honra ferida. Ele queria que alguém pagasse... Então... Charlie disse que essa seria a minha ultima chance para procurar você que se eu não o fizesse, ele me obrigaria a força... – os punhos de Bella se cerraram. Algo de muito errado estava para acontecer naquela história. – Eu não entendi o que ele quis dizer, mas insisti que não tinha como encontrá-lo... Então Charlie retirou a cinta de couro que ele usava... Levei pouco mais de um segundo para entender o que ele pretendia...
Ouvi Alice arfar com essa frase; todos os Cullen estavam indignados. Aquilo para mim foi a gota d'gua, a fúria me tomou, eu não acreditava que Charlie havia encostado um dedo que fosse em minha Bella... Por mais que eu estivesse dominado pelo ódio, eu não interrompi Bella, e ela terminou de narrar a história.
-Charlie me bateu naquele dia! – Bella voltou a se exaltar. – ME BATEU! CHARLIE NUNCA HAVIA ENCONTADO A MÃO EM MIM, NUNCA! NAQUELE DIA... ELE ME BATEU ATÉ NÃO TER MAIS FORÇAS PARA LEVANTAR O BRAÇO! EU ESTAVA GRÁVIDA! E ELE ME BATEU! - Era visível o rancor que Bella guardava de Charlie, e não era para menos. – SABE ESSA CICATRIZ QUE VOCÊ ME PERGUNTOU ONDE EU A CONSEGUIRA? – Gritou ela comigo agora. Como se eu fosse seu agressor. Bella levantou a blusa e mostrou-me a cicatriz lateral que ali estava. – SABE O QUE HOUVE? Charlie não se deu por satisfeito naquele dia! Ele queria que eu sofresse mais... – Bella baixou o tom novamente, deixando sua voz mortivamente calma. – Ele queria, incocientimente, matar minha filha! Eu sei que queria... Pois logo depois de me bater ele me jogou contra a mesa de vidro que existia no centro da sala. Foi nesse dia que eu ganhei essa cicatriz... – Ela apontou novamente a cicatriz antes de baixar a blusa.
Não consegui me manter neutro, por mais que eu queria ter auto-controle, agora mais do que nunca, mas isso era inadmissível, inaceitável, monstruoso!
A raiva, o ódio, a repulsa e principalmente, a sede de vingança percorriam meu corpo cada vez mais. Meus punhos se cerraram fortemente, através dos pensamentos dos meus familiares, eu vi meus olhos negros, negros como a noite, negros como nunca os vi antes.
-ELE FEZ O QUE? – Grunhi cego de raiva. – COMO ELE TEVE CORAGEM? COMO ELE OUSOU LEVATAR A MÃO CONTRA VOCÊ?
Bella se encolheu quando gritei, eu havia a assustado, provavelmente. Eu queria me controlar, queria mostrar a Bella que não havia o que temer, mas não conseguia, simplesmente não conseguia.
Como alguém pode levantar um dedo que fosse contra uma criatura tão doce como Bella? Como alguém pode ser tão desalmado ao ponto de bater em uma mulher grávida? Como um pai pode levantar a mão contra uma filha nesse nível?
-ISSO É INCONCEBIVEL! É MONSTRUOSO! É COISA DE GENTE SEM CARATER. – Sem nem perceber, eu continuava gritando. – VOU MATA-LO POR ISSO! VOU TORTURA-LO E MATA-LO! NÃO ACREDITO QUE ELE FEZ ISSO! QUEM ELE PENSA QUE É? QUE DIREITO ELE ACHA QUE TEM? – O ódio me consumia, eu estava sedento por vingança. Eu o mataria. E seria agora! – VOU ACERTAR MINHAS CONTAS COM ELE. – Caminhei em direção a porta mais Bella entrou na minha frente, aos prantos.
-NÃO! – protestou ela com os braços estendidos, numa tentativa de me deter. - Não faça nada contra Charlie! – pediu ela firme, mas as lágrimas entregavam seu pavor.
Eu queria ouvi-la, queria me controlar, nem que fosse apenas naquele momento. Charlie teria o que merecia, mas não precisava ser agora, eu podia matá-lo depois concretizando assim a "vontade" de Bella, mas eu simplesmente não conseguia parar. E emburrei, gentilmente, Bella para fora do meu caminho e continuei a caminhar. Eu mataria Charlie. E seria agora!
Não consegui dar mais que dois passos e senti meu irmão e meu pai me segurando.
-Não Edward! – disse meu pai severamente. – Você não vai fazer nada contra Charlie!
Eu sabia que Carlisle estava certo, mas eu não conseguia me conformar. Charlie tinha batido em Bella! Na MINHA Bella! Na MINHA BELLA GRÁVIDA! Ele podia ter machucado seriamente minha Bella e matado minha filha! Será que ninguém via a real gravidade da situação?
-VOCÊ NÃO OUVIU O QUE ELE FEZ, CARLISLE? – Gritei ainda dominado pela sede de vingança. – ELE BATEU EM BELLA! BATEU NELA! ELA ESTAVA GRÁVIDA!
-Eu ouvi Edward, mas agora não adianta mais, já passou! – Disse Carlisle enquanto eu tentava, inutilmente, me livrar de seus braços e os de Emmett.
-PARA MIM NÃO PASSOU! – Rebati.
-Jasper! – Esme chamou suplicante, o mesmo veio até mim e me tocou, usando aquele maldito poder em mim, fazendo-me relaxar contra minha vontade.
-Pare com isso Jasper! – ordenei numa voz mais branda.
-Pare com isso você, Edward! – Disse Bella séria. Ela se colocou na minha frente novamente. – Você queria saber o que me aconteceu, não é? Pois bem! Estou lhe contando! Mas se for para você começar com essa palhaçada de querer se vingar, eu pararei por aqui!
-Por Deus, Bella! Você não vê? – Eu estava ligeiramente desesperado. – Ele te bateu! Poderia ter matado nossa filha!
-Edward você não vai fazer nada contra ele! – alertou-me ela.
-Desculpe, Bella! – pedi, ainda tentando me desvencilhar dos braços que me prendiam. – Mas não vou deixá-lo passar impune por isso!
-Pois saiba que a culpa é sua! – Bella disse num tom sério e baixo, fazendo-me parar abruptamente. – Se você não tivesse partido, isso nunca teria acontecido!
Eu fiquei imóvel, sentindo a dor me atingir. Bella tinha razão. Eu era o culpado. Eu era o responsável por Charlie ter levantado a mão contra ela. Charlie foi movido pelo merecia ser punido, não ele.
Nunca pensei que tivesse alma, mas a dor aguda que sentia em meu peito só poderia ser de minha alma se dilacerando, arrebentando, corroendo. Quanto mal eu havia feito a mulher da minha vida sofrer? Ela havia pagado por erros que nunca cometeu. Ela havia sofrido por minhas decisões. Ela pagava o preço de minhas escolhas... Ela tinha razão, mas ainda sim não poderia deixar Charlie impune.
Carlisle e Emmett me soltaram ao me ver novamente controlado, mas Jasper continuava a agir em mim. Sem dizer nada nem olhar para ninguém eu voltei a caminhar para porta, eu acertaria minhas contas com Charlie antes de me fazer pagar pelo que fiz a Bella.
-Edward, se você passar por essa porta. – Ameaçou Bella. – Juro por tudo que é mais sagrado que irei embora! Irei embora e você nunca mais me verá ou verá nossa filha! E Alice não o ajudará a me encontrar pois esse é o preço que ela, ou qualquer um deles. – Ela apontou para todos os Cullen antes de voltar a me encarar. – Pagará para poder conviver com minha filha... A escolha é sua... – Bella falava num tom firme e sério, ela cumpriria a promessa que fazia, eu conseguia ver isso. – Você pode se vingar de Charlie e nunca mais ter a chance de conhecer sua filha... Ou ficar bem quietinho aqui para que possamos discutir o futuro de nossa filha...
Bella havia jogado baixo, ela estava me fazendo escolher por algo que meu coração almejava mais do que qualquer coisa no mundo ou algo que meu instinto, meu orgulho e meu instinto protetor desejavam fervorosamente. Por mais que eu quisesse aniquilar Charlie, eu optaria por minha filha e Bella. Eu reconquistaria Bella e ganharia a confiança de minha pequena e logo em seguida sumiria daqui com ela! Sumiria para nunca mais ter que olhar para Charlie! Para que nem Bella nem nossa filha precisassem olhar para cara dele outra vez... Isso... Era isso que eu faria.
Eu parei de caminhar e voltei para perto de Bella. Continuei sem fita-la por algum tempo, reunindo forças para encará-la sem deixar a culpa que eu sentia pelo que tinha lhe acontecido. Finalmente a encarei, ela parecia receosa.
-Mais calmo? – perguntou-me ela.
-Na verdade não... Mas não vou arriscar perde-la, nem nossa filha... – expliquei. – Mas quero que continue a me contar tudo que aconteceu depois que parti... Quero saber de tudo! Por pior que seja... – forcei as palavras a saírem com naturalidade, sem deixar minha raiva na voz.
-Não creio que seja uma boa idéia... – Bella comentou receosa.
-Mas eu acho! – falei firme. – Quero ouvir, por favor... Continue... – pedi. – O que aconteceu depois... Depois... – engoli em seco na tentativa, inútil, de me acalmar. – Depois que ele te bateu e te lançou contra a mesa de vidro... – forcei as palavras a saírem.
Bella ficou mais alguns minutos em silêncio me estudando, pensando, provavelmente, se deveria ou não me contar, mas eu assenti com a cabeça e ela voltou a narrar.
-Depois disso, Charlie saiu e me deixou lá sozinha. – explicou ela. – Eu estava sentindo fortes dores, e estava machucada por causa dos cacos de vidro, mas, por sorte, eu havia contado a Ângela que diria a Charlie naquele dia, e ela já previra que Charlie poderia ter uma atitude explosiva, por isso, ela e Ben passaram lá em casa pouco depois de verem Charlie na viatura pela cidade. – Bella fez uma pausa e continuou. – Eles me ajudaram, me levaram a um médico, ele cuidou dos meus ferimentos e se certificou que meu bebê estava bem. Depois Âng me levou para sua casa e cuidou dos meus hematomas... – ela deu um leve suspiro. – Eu chorei tudo que tinha direito com ela, Ben ficou ali também, mas não nada disse, apenas ficou ali, me dando apoio. – As lágrimas voltaram novamente mas ela não cessou a história.
– Âng me deixou passar a noite lá e pela manhã ela me levou para casa... Quando cheguei, Charlie esperava por mim, sentado no sofá, vendo, sem realmente assistir, a televisão. Eu não iria odiá-lo, nem julgá-lo pelo que havia feito, eu até o entendia de certa forma, por isso eu segui em direção as escadas mas ele me chamou e pediu que eu me aproximasse. Eu assim o fiz. "Você já se decidiu por contatar Edward?", perguntou ele com uma expressão vazia. "Eu não tenho como encontrá-lo, Charlie, eu juro que não!" pela milésima vez respondi. Charlie ficou um tempo em silêncio, olhando para o nada até que finalmente me encarou. – Bella fechou os olhos e engoliu em seco reprimindo para si um soluço.
– "Então vá juntar suas coisa... Se você não for me obedecer, não é mais minha filha... Sendo assim... Não mora mais aqui.", essas foram suas palavras antes de se levantar e deixar a sala, ele me deu até o final do dia para deixar a casa... – Senti a fúria arder dentro de mim novamente mas me contive e não interrompi mais Bella. – Ele me expulsou de casa.
-Ângela me acolheu em sua casa, eu liguei para Renné e expliquei a situação... – Bella estava com uma voz vazia, sem entonação nenhuma. – Ela não ficou nada feliz com a notícia, mas também não me repreendeu, de acordo com ela, Charlie já havia sido severo por ele e por ela. – Bella me encarou por alguns segundos, e eu pude ver a profunda magoa que ela guardava daquela época, mas isso foi apenas no breve intervalo que ela me encarou, pois logo a mesma desviou o olhar. – Renné veio para Forks no dia seguinte e me ajudou... Ela me ajudou a comprar minha casa, junto com o dinheiro que eu havia guardado para a faculdade. Ela me deu uma quantia em dinheiro para me ajudar... – Bella caminhou até a janela, e apoiou a testa no vidro, continuou a contar fitando a lua que brilhava forte no céu.
-Eu consegui um trabalho de garçonete num restaurante e logo que consegui comprar um colchão e cobertores, eu me mudei para minha nova casa. A casa não tinha nada, eu até tinha dinheiro para mobilhá-la, mas eu tinha medo de não ter o suficiente quando meu bebê nascesse... – explicou ela. – Logo eu comecei a fazer um curso de marketing a noite, consegui uma bolsa integral. Eu trabalhava de dia e estudava a noite. Meu bebê crescia firme e forte... Aos poucos eu fui mobilhando a minha casa, mas ainda temendo que o dinheiro viesse a me faltar, então eu racionalizava comida, - uma única e solitária lágrima escorreu de seus olhos. – Eu passei fome por diversas vezes... Ângela sabia o que eu estava fazendo e passou a me levar comida para que eu não passasse fome. As coisas pareciam estar melhorando. – ela se virou e encontrou meus olhos.
-Mas aí... A anemia começou... Ângela me levou a diversos médicos diferentes, mas ninguém sabia explicar o que se dava a minha fraqueza... Eu tomei todo tipo de remédio possível, todo tipo de injeção imaginável, na tentativa de permanecer firme, mas nada adiantava... – Bella balançou levemente a cabeça a voltou a fitar a escuridão. – Eu estava morrendo... Minha filha estava me sugando a vida. Eu sabia disso. Eu podia sentir, mas não havia nada que eu pudesse fazer, afinal, o que eu diria as outras pessoas? "Minha filha é meia vampira, por isso estou morrendo, ela deve está sugando minhas energias!", definitivamente eu não podia fazer isso.
-Eu fiquei sozinha... As pessoas me olhavam torto, Charlie não falava mais comigo, Renné as vezes me ligava, mas ainda estava magoada pelo meu descuido. Os únicos que permaneceram ao meu lado foram Ângela e Ben... – Bella saiu de perto da janela e foi se sentar no sofá. – Eu já não conseguia mais fazer nada, a fraqueza estava me matando, eu já não conseguia parar em pé por muito tempo, até que um estalo me atingiu... E eu fiz a minha última tentativa... Eu comprei um ratinho numa loja de animais, furei-lhe com uma agulha, de modo que saísse apenas algumas gotas de sangue dele, se não desse ser, não havia porque matá-lo. E... Então... – ela olhou para as próprias mãos. – Eu.. Eu bebi seu sangue...
O silêncio se instalou na sala, todos nós ficamos sem reação. Chocados com tal revelação. Bella precisou beber sangue?
-E.. Deu certo... – completou ela por fim. – Eu melhorei depois disso... Passei minha gravidez inteira bebendo sangue. O restante da minha gravidez foi relativamente tranqüila, mas você não esteve comigo Cullen, em nada... – ela me olhou triste. – Você não esteve ao meu lado quando eu fiz meu primeiro ultra-som, nem quando descobri que era menina. Você não esteve ali quando eu senti as dores infernais do parto... Você não esteve ao meu lado para me ajudar a cuidar de nossa filha... Não... Você não participou de nada... Agora que direito você acredita ter sobre ela?
Eu fiquei em silêncio. Bella estava certa, eu não tinha direito algum sobre nossa filha. Bella viveu coisas terríveis e eu não estive ao seu lado para apoiá-la. Sem falar que no final ela resumiu demais, talvez ali existissem mais coisas que ela resolveu não revelar, e eu não perguntaria também. Eu já estava sentindo uma enorme e afiada adaga transpassar meu peito apenas com o que eu sabia.
Eu me sentia a pior criatura desse mundo, deixei a mulher que mais amo enfrentar tudo aquilo pra que? O que resultou a minha decisão? Além de magoa e sofrimento para ambos? Talvez Bella nunca viesse a me perdoar, e eu não a culparia por isso.
Senti a dor aumentar só de pensar nessa hipótese, só de pensar que talvez eu nunca chegasse a conhecer nossa filha.
-Bella... – sussurrei num tom baixo, agoniado. – Eu... Eu quero conhecê-la, eu já a amo...
Bella me olhou piedosa enquanto eu soltava um soluço baixo. Ela caminhou na minha direção e se sentou ao meu lado.
-Edward... – ela levantou meu queixo forçando-me a olhá-la. – Não é nem por nada disso que eu não quero que você a conheça... Eu poderia muito bem passar por cima de tudo isso... – Ela deu um sorriso, mas seus olhos não sorriam também. – Mas, mesmo ela se alimentando de sangue... Mesmo ela sabendo que é diferente... Que é especial... Ela não sabe que existem vampiros ou lobisomens, eu nunca contei nada disso à ela... – Bella explicou levemente desnorteada. – Como posso chegar para ela agora e não só dizer que todos os tipos de criaturas mágicas que ela lê em livros existem e mais, o pai dela é um vampiro! Simplesmente... Não posso fazer isso...
Eu nada disse, apenas abaixei minha cabeça, Bella tinha razão. Isso era incoerente.
Ridículo, nossa filha jamais aceitaria.
-Com licença... – Alice se pronunciou quebrando o silêncio da sala. – Posso opinar?
Como nem Bella nem eu dissemos nada, ela prosseguiu.
-Por que você não a deixam decidir? – perguntou ela. – Eu conheço minha sobrinha. E sei o quão desenvolvida é sua inteligência. Por que você não conta à ela a verdade e a deixa decidir se ela quer ou não conhecer e conviver com os Cullen?
Franzi o cenho, Alice só poderia estar louca, minha filha deveria ter um ano e meio no máximo, nem falar direito ela deveria saber, até parece que ela entenderia algo do tipo.
-Alice... Nossa filha só tem um ano e meio... – lembrei-a e olhei para Bella esperando por sua incredibilidade também, mas esta estava pensativa.
-Na verdade... – Bella começou a dizer ao perceber que eu a fitava intrigado. – Minha filha tem uma inteligência extremamente acelerada, ela tem uma inteligência de aproximadamente uma garota de 17 anos. – explicou ela.
Fiquei em choque, isso era sério? Mas pela expressão séria de Bella e Alice eu podia ver que era. Meu rosto se iluminou, talvez esta fosse minha ultima chance.
Encarei Bella suplicante.
-Por favor, Bella... – implorei num sussurro. – Eu imploro, deixe-a decidir.
Bella ficou muito tempo quieta, pensando no que eu havia lhe pedido, mas por fim acabou por concordar com um suspiro pesado.
-Eu realmente espero não me arrepender disso... – Bella disse cansada. – Eu sei que pagarei muito caro por isso mas já está na hora dela saber a verdade.
Me iluminei, havia esperança afinal. A alegria que sentia naquele momentos era indescritível, mas durou apenas uma fração de segundos pois assim que Bella se levantou do sofá, ela cambaleou e começou a cair. Eu a peguei antes que tocasse no chão e a deitei no sofá, estava inconsciente. Ela havia desmaiado.
Booom, para compensar o meu "sumiço" eu postei 2 capitulos de uma vez
Sendo que um deles, como vocês vieram é ENORME! Sério gente, só nesse capitulo foram 22 páginas de word u.u
Ufa u.u Cansou u.u
E sabe o que vai me dar energia de novo?? Muitooooos comentários! \o/
Espero que tenham gostado!
Beijos,
Marry.*
