Todos os personagens pertencem a Masashi Kishimoto. A história é de autoria de Carina Rissi do seu livro Mentira Perfeita.

Essa fanfic é uma adaptação.

Capitulo 34

Sasuke

O relógio marcava dez e onze quando o interfone tocou naquela manhã de domingo, anunciando a chegada de minhas novas hóspedes. Dona Tsunade tivera alta naquele dia, e ela e Sakura viriam do hospital direto para cá.

Eu tinha arrumado a casa toda, dei um tapa no banheiro e até coloquei uma vela aromática — Kakashi disse que as mulheres gostavam disso. Sakura aparecera no dia anterior e me ajudara a limpar o quarto onde ela e a tia dormiriam. Ela fez questão de deixar claro seu descontentamento com a situação não falando comigo. A única vez em que me dirigiu a palavra foi para me perguntar se poderíamos adiar o jantar em que eu a apresentaria aos meus pais, naquela noite, como tínhamos combinado.

— Fica tranquila, já cancelei — contei, e ela voltou a me ignorar.

O que era bom, de certa maneira. Toda aquela raiva certamente faria Tsunade acreditar que tínhamos mesmo terminado.

Diabos, de boba aquela mulher não tinha nada. Sakura estava certa: era uma péssima mentirosa, e nem todos os seus esforços convenceram sua tia de que realmente tínhamos um relacionamento. Confesso que fiquei boquiaberto quando Tsunade me falou no carro:

— Eu sei que você e a Saky não estão juntos de verdade, que ela só está tentando me fazer feliz com a ideia de um casamento iminente.

Naturalmente, fiz o que qualquer pessoa faria numa situação dessas.

Neguei.

— Não sei de onde a senhora tirou um absurdo desses, dona Tsu. A Sakura jamais fingiria alguma coisa. A senhora sabe como ela é...

— Por isso mesmo eu sei que ela está mentindo! O que eu não entendo é por que você está fingindo ser apaixonado por ela.

Eu podia ter respondido aquilo de mil maneiras diferentes. Qualquer merda teria sido mais aceitável do que o que eu disse.

— Eu não estou mentindo, dona Tsu. Eu realmente estou louco por ela.

Uma expressão de surpresa e esperança dominou seus traços contorcidos pela dor.

— Oh! Então... eu me enganei? Vocês estão envolvidos?

— Eu só penso nela, dona Tsu.

E desde aquele momento a verdade continuava ali, me encarando de frente, de cima, de todos os ângulos: eu amava Sakura. Amava como jamais amei ou viria a amar alguém. E sabia que a convivência com ela seria complicada, que ela estava magoada comigo. Um tipo de mágoa profunda, que não seria fácil de apaziguar.

Mas eu só queria que ela sorrisse mais, que seus ombros não estivessem sempre tão eretos, como se esperasse pelo pior, que ela não me olhasse com tanta decepção. Sobretudo esta última.

Por isso eu sabia que tinha feito a coisa certa ao oferecer minha casa a elas.

Uma mulher na idade de dona Tsunade não podia tomar banho numa tina na lavanderia. Eu nunca deixaria minha mãe passar por uma humilhação dessas. E, se a tia estivesse confortável e bem instalada, então talvez Sakura relaxasse um pouco.

A batida na porta me fez disparar para a entrada e abri-la. Sakura trazia uma mochila em cada ombro e uma expressão assassina no rosto delicado.

— Bom dia — ela disse, sem nenhuma emoção.

— Vai entrando. Agora a casa também é sua.

— Apenas por um tempo. — Ela passou por mim. Uma das mochilas me acertou na cabeça, e tenho quase certeza de que foi de propósito.

— Sasuke, meu querido — Tsunade começou, o rosto ainda pálido. A seu lado, lhe oferecendo o braço, estava um rapaz que me pareceu vagamente familiar. Ele trazia duas malas enormes. — Obrigada por ter nos acolhido. Não sabe como eu estou agradecida.

— O que é isso, dona Tsu? É um prazer ajudar a senhora.

— Ah, meu amor... — Beijou minha bochecha. — Já conhece o Naruto?

Então aquele era o tal Naruto. E, diabos, ele não era a cruza do Gollum com o Chewbacca que eu havia imaginado. Na verdade, ele era a cara do Clay Matthews III, o jogador de futebol americano do Green Bay Packers, só que mais jovem e menos inflado.

Que bosta.

— E aí? — cumprimentei.

— Beleza — ele respondeu, direto. — Onde eu coloco as malas?

— Primeira porta à esquerda.

Ele foi entrando, e Sakura, que retornava para a sala, fez meia-volta e o acompanhou. Eram íntimos. Muito íntimos, se ela o deixava entrar em seu quarto.

— Me mostre a casa, querido? — Tsunade pediu.

— Claro. Bem aqui de frente é a cozinha...

Mostrei os cômodos a ela em dois minutos. Naruto me encontrou na sala e disse que precisava de ajuda com uma mala. Estranhei um pouco — quase ninguém pedia a minha ajuda para nada —, mas o acompanhei. Ao chegarmos à garagem, ele apontou para o carro, que havia pegado emprestado com um amigo, segundo ele dissera, e abriu o porta-malas.

Então, jogou um trambolho do tamanho de uma van sobre mim. A força do choque fez minha cadeira rolar até colidir contra a parede, assim como a parte de trás da minha cabeça.

Apenas quando Naruto estava sobre mim, empurrando a mala com força de encontro ao meu peito, me dei conta de que não fora um acidente.

— Nunca mais a faça sofrer — ele disse entredentes. — Essa foi a primeira e última vez que eu a vi chorar por sua causa, estamos entendidos?

— Eu sabia que você gostava dela — empurrei a mala e a ele com força.

A bagagem caiu no chão com um baque surdo.

Ele se endireitou e cruzou os braços.

— Gosto muito mais do que você pode imaginar ou compreender. Se a magoar de novo, eu mato você.

— O que te preocupa é a possibilidade de eu a magoar de novo ou o fato de ter esse poder?

— Não banque o engraçadinho comigo. — Deu dois passos para mais perto, chutando a mala para o lado. — A Sakura é a pessoa mais importante do mundo pra mim. E ela já passou por muita coisa nesta merda de vida. Eu não vou permitir que um babaca feito você a machuque de novo. Estou pouco me lixando que você esteja nessa cadeira. Ainda vou te arrebentar se você a magoar de novo.

— Eu não tenho intenção de magoar a Sakura. Não que isso seja da sua conta. O que acontece entre mim e ela não te diz respeito.

Ele ficou me olhando de cima, os olhos apertados.

— Ela te contou sobre nós?

Então havia uns "nós", porra.

— Não. E tudo o que eu preciso saber é que ela está agora arrumando as coisas na minha casa, não na sua. Que ela ligou para mim quando a tia passou mal, não para você.

— Isso porque eu não tenho carro, e moro num sobrado exatamente igual ao dela. Ela não queria vir, Sasuke, e você sabe disso. Ela me disse que vai ser um pesadelo conviver com você.

— Então eu vou ter que fazer ela mudar de ideia.

— Você não merece uma mulher como a Sakura — ele cuspiu.

— Nenhum homem neste planeta merece uma mulher como a Sakura — corrigi. — A menos que ele seja capaz de fazer chover estrelas enquanto dança com ela ao som de Frank Sinatra. Ainda assim — cheguei mais perto, elevando o queixo, desafiando-o —, ela está na minha casa agora.

A raiva faiscou em seu rosto enquanto ele continuava a me encarar. No entanto, algo mudou, mas não tive tempo de descobrir o que era.

— O que está acontecendo aqui? — A voz de Sakura chegou aos meus ouvidos.

Naruto acabou cedendo e desviou os olhos para ela. E sorriu, o filho da puta.

— Nada, cerejinha. Só estávamos nos conhecendo melhor.

Cerejinha? Pelo amor de Deus!

Afastei-me do cara e me virei para ela. Estava parada a poucos passos, os olhos indo de mim para Naruto com desconfiança.

— Tem certeza? — ela insistiu. — Porque eu tive a impressão de que vocês estavam discutindo.

— Foi só impressão — garanti.

— Você sabe que eu falo um pouco alto. — Naruto riu.

— Humm... Tudo bem, então. Acabou? Pegamos tudo?

— Sim, esta é a última. — Naruto fechou o porta-malas. — Mas, se você lembrar de algo de que precisa, é só me ligar que eu trago.

— Obrigada, Naruto. — Ela o abraçou pela cintura. — E agradeça à sua mãe também. A tia Tsunade já está com saudade.

— Não por muito tempo. Minha mãe deve fazer uma visita logo, se estiver tudo bem...? — ele me perguntou.

— O Naruto é filho da Kushina — Sakura explicou.

Ele era da família, então. Que maravilha.

— Problema nenhum. — Eu me inclinei para a frente, pescando a alça da mala.

— Eu venho te ver sempre que der. — Ele pegou as mãos de Sakura e as aproximou do rosto, beijando uma, depois a outra. — Não sei como vou sobreviver com você assim tão longe.

— Não é tão longe. Mas também ando me fazendo essa pergunta. Vê se não some, tá?

Ele tocou o queixo dela, erguendo seu rosto para o dele.

Soltei a mala, que caiu no chão com estardalhaço, assustando Sakura e a fazendo pular um metro longe de Naruto.

Melhor. Bem melhor assim.

— Opa. Escorregou. — Sorri para ela.

Naruto me lançou um olhar severo, mas eu podia jurar que havia um pouco de diversão também.

— Acho melhor eu ir — ele disse, por fim. — Até mais, Cerejinha.

— Tchau, Naruto.

Ele entrou no carro e saiu da vaga calmamente. Sakura o observou desaparecer, soltando um suspiro tristonho. Voltei a pegar a mala e a acomodei o melhor que pude sobre meu colo. Então, com alguma dificuldade, consegui mover as rodas e me aproximar dela.

— Vamos?

— Não tem outro jeito, tem? — Ainda muito furiosa comigo, ela saiu andando, sem olhar para mim.

— Não, Pin — falei baixinho, para que ela não pudesse ouvir, enquanto a seguia. — Para a minha sorte, não tem não.

Continua!

Viu vim mais cedo rsrsrs... Aí como é bom férias kkkkk

Capitulo dedicado a minha Bela 21 pelo comentários de sempre!