Naomi se levantou, indo atrás do Hisoka que já havia se acalmado. Encontrou-o junto a mesa da escrivaninha.

– Bom dia!

– Oi, bom dia! – ele fez com uma das mãos sinal para que se aproximasse.

Ao se aproximar, a mulher teve a cintura abraçada e puxada contra o corpo dele, que estava sentado. Ele beijou-lhe em direção do umbigo, acariciando-lhe a lateral do quadril. Ela pousou os lábios na nuca do outro e começou a beijar-lhe os cabelos, ainda com o cheirinho do xampu que havia lavado suas madeixas.

– Como é gostoso isso. – Naomi deixou escapar, apreciando aquele momento.

– Como dormiu, anjinha?

– Muito bem... como não dormia há muito tempo. – disse ela, agora lhe acariciando os cabelos.

– Vamos ter um dia longo, hoje.

– Terá alguma luta para hoje?

– Não... a próxima luta será daqui há alguns dias.

– Humm... que vai pedir o café?

– Eu peço hoje... a não ser que queira fora do quarto.

– Prefiro aqui, só com você.

Ele puxou-a para o colo e começou a beijá-la seguidamente por todo o pescoço e colo dela, fazendo a morena se contorcer um pouco manhosa. De repente, os olhos de Naomi pairaram sobre um papel sobre a mesa. Reconheceu o certificado de luta, mas não leu com detalhes por estar um pouco inalcançável para ela ler detalhadamente. Naquele certificado, estava a luta de Hisoka contra Kuroro. Mas ela não ousou em pegar o papel.

– Enquanto você pede o café, eu vou ver o que o gatinho quer... – disse ela, se levantando do colo dele, que se levantou em seguida.

Antes de seguir Naomi, Hisoka guardou o papel em uma das gavetas da mesa.

– Ela vai querer saber disso aqui de qualquer jeito. – disse ele, para si mesmo.

...

– Hoje vamos começar o treinamento básico. Primeiramente, quero saber seu tipo de Nen.

– Há tipos de Nen?

– Sim. São seis ao todo. O meu, por exemplo, é o de caráter transformador, meu Nen é do tipo Transformação. E eles são desenvolvidos a partir de diversas características, desde as emoções até a própria personalidade. Os Transformadores tem a habilidade de altera a consistência do seu Nen, podendo materializá-los ou intensifica-los com seu Nen.

– Humm... – ela prestava atenção.

E Hisoka lhe apresentou um copo d'água, pondo em frente à moça.

– O que é isso?

– É um tipo de avaliação de Nen mais antigo. – tirou um pequeno pedaço de papel e colocou na água – agora, você usará o Ren e concentrará sua energia nas mãos. Coloque suas mãos em cada lado do copo.

Hisoka parou de falar, esperando que ela fizesse isso.

– Pronto, assim? – perguntou Naomi.

– Isso. – o ruivo se posicionou atrás dela, observando-a posicionar as mãos em cada lado do copo – concentra-se no pedaço de papel.

– Cada coisa que acontecer com esse papel vai descrever meu tipo de Nen? – ela virou a cabeça para perguntar a ele.

– Mais ou menos por aí... mas vamos devagar – Hisoka virou a cabeça dela e a fez olhar em direção ao copo – pode prosseguir.

Naomi fez de acordo com o que Hisoka havia lhe ensinado sobre o Ren. Ela sentia uma sensação agradável de força dentro de si. Assim como havia sido orientada, deveria se familiarizar com a sua aura, identificando-se com a sensação que sentia ao aprimorá-la no treinamento. Hisoka esperou um minuto para Naomi realizar o teste do copo d'água.

– Pronto, vamos ver agora. – ele saiu de trás dela e pegou o copo. Nenhuma ação em relação do papel. E provou a água colocando um pouco em seu dedo. Naomi observava meio confusa.

– Está provando a água? O que isso tem a ver com o pedaço de papel?

– Existe um tipo de Nen o qual não altera a ação do papel, e sim o gosto da água. E um outro tipo de Nen que cria partículas dentro d'água.

– Ahhh... agora estou entendendo melhor esse teste com a água, Hisoka! Deveria ter me falado isso antes.

– Mas eu já havia lhe falado um pouco disso antes, Naomi. – disse ele, rindo para ela enquanto lambia o dedo. Olhou para este e deduziu algo – bem, não alterou o sabor.

– Olha... não houve ação alguma com o papel...

– Vamos fazer de novo o teste... talvez você não conseguiu usar seu Nen corretamente.

– Vamos.

E assim, a morena repetiu o teste. E um efeito curioso e diferente do que Hisoka esperava aconteceu: o papel afundou na água, parecendo se dissolver dentro dela.

– Sim, aconteceu algo com o papel! – exclamou a outra, sem deixar de executar o Ren.

– Uma ação diferente... – Hisoka pôs a mão no queixo, pensativo – então... talvez você seja...

Tipos de Nen de acordo com o Teste do Copo D'água

Se o volume da água aumentar, o usuário é do tipo Reforço.

Se o gosto da água mudar, o usuário é do tipo Transformação.

Se algum tipo de partícula aparecer dentro da água, o usuário é do tipo Materialização.

Se a coloração da água mudar, o usuário é do tipo Emissão.

Se a folha ou o papel se mover na superfície, o usuário é do tipo Manipulação.

Se a folha ou papel secar ou houver outra consequência diferente das demais, o usuário é do tipo Especialização.

– Parece que temos uma Especializadora aqui... – disse Hisoka – esse tipo de Nen é único, Naomi! Não sabe a infinidade de aprimoramento que você pode obter sendo uma Especializadora. – comentou o ruivo, aparentemente contente com o progresso da Naomi. Ao mesmo tempo em que sentia uma pequena frustração, pois gostaria que ela tivesse o mesmo Nen que ele.

– Legal... – disse ela, observando a folha ficar quase invisível.

– Pessoalmente, analiso o Nen das pessoas de acordo com a personalidade delas.

– E o que você achou que eu fosse?

– Eu até imaginei que poderia desenvolver Especialização, mas fiquei entre Transformação e Materialização. É um pouquinho sonsa e com os impulsos sempre à flor da pele.

Naomi riu daquilo.

– Sonsa, eu?

– Mas só um pouco. Eu sou sonso, mesmo. Traço dos Transformadores. E a dificuldade de controlar impulsos é traço dos Materializadores.

Naomi percebeu que ele estava certo. Em seu interior, lembrou-se como foi difícil resistir a Eros e que soube lidar com isso diante do Hisoka, sem mostrar tanta insegurança principalmente quando o namorado lhe fez aquela surpresa de despedida de solteiro. Sempre teve dificuldade em controlar os impulsos – fazendo isso com "extra" força de vontade. Juntamente com seu jeito de camufla-los.

– Mas e a personalidade dos Especializadores? – ela perguntou.

– Os de caráter especial costumam ser pessoas carismáticas, atraentes e sim, sonsos também. Eles sabem como esconder e preservar seus sentimentos e suas ações mais secretas. – e apontou o dedo em direção a ela – sim, você é atraente... parece que consegue atrair as pessoas para si por alguma razão. Sim, conseguiu conquistar facilmente a mim e ao Kuroro quando esteve em nossas mãos como refém...

Naomi compreendeu isso quando se lembrou das diversas pessoas que se envolveu com ela sem sequer ter procurado conhece-la. Ficou meio encabulada diante daquilo.

– E pelo que soube... você atraiu algumas outras pessoas para si, não é?

– Acho que sim... mas nenhuma delas tem tanta significância para mim da forma que você tem. Nisso eu sei que não estou sendo sonsa. – disse ela, olhando para aqueles belos orbes do seu amado.

– Huummm... – Hisoka brincou, fazendo-se de desconfiado. Mas no fundo, sabia que ela não mentia.

– Bom, e agora? Qual será a próxima etapa do nosso treinamento?

– Agora vamos adaptar esse poder de Especialização. Você tem que criar uma habilidade com esse poder. E sendo Especializadora, pode criar diversas habilidades coligadas aos outros tipos de Nen. Os tipos mais próximos ao seu são Manipulação e Materialização. Vamos ver aqui...

Hisoka voltou a pegar o folheto com o diagrama de Nen e apontou aos dois os quais se referia.

– Olha... é disso que eu falo. Cada Nen tem uma ligação com os mais próximos. O meu, por exemplo. Lembra que te falei sobre meu poder mais cedo, não?

– Sim.

– Como um Transformador, tenho a habilidade em transformar as propriedades de sua aura para que ela imite as propriedades de alguma outra coisa. Posso alterar a consistência do meu Nen, podendo materializar ou intensifica-lo. E o que temos perto da Transformação? Intensificação e Materialização. Certo?

– Certo.

– Eu até posso alcançar a prática de Nen mais distante, mas não é efetivo, entende?

– Então... no meu caso é mais fácil usar outros dois tipos além do meu? E para mim, seria manipulação e materialização?

– Sim... mas o seu Nen é particular em poder manipular todos os outros mais facilmente que um Intensificador ou um Transformador. Você tem a chance... de tornar-se mais poderosa que eu. – ele fixou seus olhos nos dela, que o olhou. Rapidamente, ela deu um selinho nos lábios do seu então "professor".

– Desculpa. Não deu para resistir. – disse a outra.

– Heh...

E ele revidou o selinho com um beijo mais natural, segurando a cabeça dela por trás. Naomi correspondeu ao beijo puxando os lábios dele contra os seus. Ficaram assim por segundos, até que o próprio ruivo afastou-se.

– Agora é hora de treinamento. Isso, podemos deixar para depois.

E prosseguiram.

...

E os dias se passaram. Naomi progredia em seu treinamento, já podendo controlar seu Nen nas formas mais básicas. Mas a forma de poder Naomi não conseguia concretizar. Hisoka havia lhe dito que poderia se manifestar da forma mais variada que outros usuários de outros tipos de Nen. Enquanto meditava concentrando-se, teve uma ideia. Queria uma forma de poder de melhor defesa que melhor ataque. E veio algo em sua cabeça.

– Naomi, venha já aqui! Pare já de ficar se escondendo!

A pequena garota se metia por meio dos móveis de sua casa, fazendo a mãe e a empregada procurar por ela.

– Naomi! Apareça já! – ordenava a mãe aos berros.

– Estou invisível, não posso ser vista por vocês! – disse a garota detrás do grande piano.

– Deixa de asneiras! Senão não terá passeio à tarde! – ameaçava a mãe.

– Patroa, eu vou procurar pelos corredores. – disse a empregada, indo até onde queria.

– Eu fico aqui na sala! – disse a mulher bem vestida.

A garotinha de maria-chiquinha no alto de cada lado da cabeça se meteu por debaixo do piano. "Estou invisível!" pensava para si. Nessa idade, Naomi apreciava brincar de ser invisível, dando alguns sustos em seus pais. Seu pai já sabia e, quando achava a pequena, a pegava nos braços e jogava para cima, brincando com ela; já a mãe não apreciava esse tipo de atitude, sempre punindo-a, só se acostumando quando Naomi já era mais crescida e estava parando de brincar disso. Com isso, Naomi aprendia a se proteger, de evitar ser encontrada. Com essa brincadeira, cansou bastante não só os pais como também alguns colegas de escola que a perseguiam. Mas no fundo, era divertido. Poder ser invisível para fazer diversas travessuras. Coisa que foi desaparecendo com o passar dos anos...

...até aquele momento. Foi quando aquela sensação gostosa e nostálgica lhe veio à mente. Sim, por que não isso? Invisibilidade. Não era suficiente para um ataque perfeito, mas para uma defesa perfeita. Decidiu então moldar sua habilidade Nen para aperfeiçoar-se na invisibilidade.

E se pudesse ser invisível, por que não tornar objetos invisíveis? Até pessoas invisíveis? Naomi sentiu aquele espírito infantil e travesso inspirá-la. Poderia ser uma combinação perfeita com a Manipulação e a Materialização. Foi o que ela concluiu.

– Pensei nisso na hora certa! – disse ela, para si mesma.

Com esse poder, poderia escapar de ser atacada. Poderia se defender sem ser atingida com tanta facilidade. Com isso, ela concluía que seria assim sua manifestação da sua habilidade Nen. Mas resolveu guardar para si e não falar nada para Hisoka – mas já sabendo que, um dia, teria que falar. Afinal, ele estava a treinando. E sua habilidade foi despertada por ele. Ela sabia que devia tudo a ele por saber usar seu Nen. Um dia depois, quando foi questionada pelo próprio novamente se já havia encontrado uma forma de usar seu Nen, ela contou sua ideia.

– Invisibilidade?

– Sim. Baseei-me na minha velha mania de gostar de ser assim, passar por despercebida. Quando criança, eu amava brincar de invisibilidade com meus pais e outras pessoas. E então pensei nisso, como uma boa forma de me proteger.

Hisoka fez uma cara indecifrável. Esperava algo mais ameaçador. Mas não era ruim a ideia, de fato. E ele não poderia interferir nisso, pois isso era algo pessoal, como foi com ele ao desenvolver suas técnicas.

– Mas... é uma coisa tão defensiva, apenas. Acho fraco ainda assim, apesar de não ser tão ruim essa ideia.

Naomi o olhou, desanimada.

– Não sei aprimorar de outra forma. Além disso, estou aprendendo. Posso aprimorar isso com o passar do tempo. Quem sabe se não consigo uma técnica melhor que a invisibilidade? – ela tentava tirar aquela cara de confuso do mágico.

– Talvez... mas eu te deixo um conselho já: ataque e defesa são habilidades que devem andar juntas... entende?

– Tudo bem...

– Minhas habilidades são ótimas defesas, mas também são ótimos ataques. Suas habilidades de defesa devem estar equilibradas com as de ataque. Seja em qualquer situação, Naomi.

– Certo.

Ele a pegou pelas mãos e observou-lhe a aura que circulava bem ativa e poderosa. Aquilo também o contagiava.

– Mas é como você mesmo disse: está no começo. Tem muitas coisas a aprender...

– ...Naomi, quero te pedir algo. – ele começou a falar sério, mas não assustador. Mas Naomi achou aquilo meio estranho. Será que era algo muito sério envolvendo ela?

– Diga.

– Tenho uma coisa a te pedir. Será em relação a minha próxima luta. Eu... não quero que assista. Nem mesmo se estiver aqui. Não quero que ligue a TV.

– Ué, por que?

– Por que sim.

– É algo arriscado e não quer me ver aflita, não é?

– Sim... também. Mas também quero te proteger de alguém...

– ...você fala do... Kuroro?

– Sim. É com ele mesmo quem vou lutar.

Naomi desviou os olhos brevemente.

– E... quero que fique protegida aqui. Ele sabe que está comigo e suspeita até que já saiba usar o Nen...

– Mas até aí... qual seria o grande perigo?

– Dele te roubar sua técnica, até mesmo sua capacidade de usar o Nen.

– Roubar minha técnica de... ?

– Sim, ele é um Especializador igualzinho a você. E experiente em descobrir a habilidade dos outros, ele pode te usar até contra mim.

– Isso nunca... mas... não disse para mim que não lutaria mais com ele porque ele estava fraco?

– Sim, era o que eu pensava. Mas ele insiste em lutar comigo, agora. E agora, sou eu quem vou acabar com ele.

– Mas... e se você...

– Não vai acontecer nada de ruim comigo. Mas presta atenção, Naomi. Confia em mim. Sempre confiou esse tempo todo, assim como eu confio em você.

– ...Hisoka.

– Se eu não voltar amanhã até às 8 horas da noite... quero que pegue suas coisas e volte para York Shin por segurança. Você tem o vale de retorno para lá, assim como eu tenho. Então, pode fazer isso com segurança.

Naomi sentiu certa insegurança.

– Por que está me pedindo para que eu volte?

– ...sei que isso não estava nos planos, mas... não tenho como deixar de enfrentar alguém que pode ser uma ameaça grande para mim... e quero acabar com ele, mas não quero rastros seus aqui.

– Mas eu não quero deixar você de novo!

Hisoka sentiu certo dó daquela criatura que lhe falava com sinceridade. Naomi se levantou e foi até a janela. Sentia um aperto dentro de si. Ele não saiu de onde estava e virou-se para ela.

– Naomi... não vou te deixar novamente como antes. Mas quero que esteja segura se eu não voltar até essa hora.

– ...estou receosa. Hisoka... – virou-se para olhá-lo – ...essa luta é arriscada para você, não é?

Ele confirmou meio encabulado com a cabeça.

– ...e teme em me deixar sozinha aqui caso... você perca a luta de forma trágica, não é?

– Não por isso... – disse ele, indo até ela e acariciando as madeixas escuras – mesmo eu vencendo... eu quero acabar com ele e alguns que já estejam aqui para obedecê-lo em qualquer ordem. Não quero que seja capturada novamente. – ele se levantou e foi até ela, segurando-a firmemente nos braços, porém sem machucar – Naomizinha... você não é mais aquela garota frágil que conheci. Sabe muito bem se virar e proteger, melhor que no passado. E você não está sozinha. Confia em mim. Voltarei, não vou fazê-la esperar mais.

– ...sinto que mente só para me confortar. Desculpa... mas... – ela se desmontou ali, abraçando bem forte aquele homem que amava, deixando algumas lágrimas descerem pelo canto dos olhos – não quero te perder... mais uma vez.

– Naomi... eu também sinto essa mesma insegurança. Você me entende, agora?

– Por mim, eu mesma acabava com esse cara agora mesmo!

– Ele é um nível bem elevado, Naomi... somente eu posso esmaga-lo.

– ... ele está te obrigando a isso, não é?

– Indiretamente sim... e é por isso que quero dar um jeito logo nessa situação... e o jeito é acabar com ele fora dessa luta... por isso quero que faça isso por mim... quero encontra-la segura em sua casa. – ele se inclinou para beijá-la na nuca e continuou a falar com os lábios encostados nela – sei que tenho uma vida arriscada demais para ter alguém importante ao meu lado... mas eu quero arriscar tudo para ter você sempre segura.

– E não quer que nem assista mesmo a luta?

– Acha que com essa fragilidade emocional vai conseguir se concentrar e seguir meu plano? E temo que você faça alguma loucura. Por isso que não quero que me siga quando eu sair para a luta. E tampouco tente fazer alguma coisa fora do quarto. Somente se... eu não voltar até esse horário. Prometa-me?

– ...ah... prometo... mas estou insegura.

– Naomi, – ele voltou a encará-la nos olhos – isso não é difícil para você. Vai se acostumar, logo. Temos muitos desafios pela frente até chegarmos ao topo da montanha. É assim as coisas. Mas não duvide dessa vez.

– Sinto-me sozinha diante de cem pessoas perto de mim se não houver você no meio!

Hisoka não pode evitar um suspiro. Era agradável ser amado daquela forma. Um pouco nostálgico, também. Ele sabia que não era tão fácil enganá-la, mas ele tinha confiança em sua vitória e em sua expectativa de acabar com o Kuroro, mesmo que seja fora da luta. Mas Naomi já estava desconfiada do pior, como sempre. E então, uma ideia louca veio na cabeça da morena.

– Sei que há um risco de morte por sua parte, Hisoka, não me engana!

O ruivo permaneceu calado. Continuou a ouvi-la sem interrompê-la.

– ...então... se temos esse risco entre nós... gostaria de pedir uma coisa. Algo que não me fará sentir sozinha e que poderei ter de você e que ninguém poderá tirar de mim tão rapidamente...

– ...o que seria? – ele sentiu que tinha que interromper, pois não estava entendendo onde ela queria chegar.

– ...um filho.