Ufa! E depois de quase ter sido o capítulo 5, o 8, e o 12... Trago para vocês o capítulo 18 de CdE! XDDD

Melhor tarde do que nunca!

Preparem-se por que a coooisa vai pegar fogo!


Agora! Respondendo aos últimos reviews!

Isabelalina12 – O que você faria com um barbante no carnaval? ;D Obrigado pelo contato! Ainda não consegui mandar um e-mail para ti ;-; Ta tudo tãaao corrido! Mas obrigado pelo coment!

LadyCapuccino – Isso mesmo! Muito obrigaado! *-* Mas isso do pedido é verdade viiu! ;D
Eu imaginei que isso acontecer XDD Até o Word confundiu, por isso avisei por que a dica ta no título né ;D

Hmmm, e será mesmo que era Sampa...? :O Se fosse por que ficaria nervoso? Seria só ciúmes...? Hmmm Não sei não viu O.õ

Mais uma vez obrigado pelo comentário!

Pamela – Hahaha XDDD Eu até mesmo comprei um celular para conseguir escrever mesmo no caminho da faculdade, e também ficar online, claro XDDD Hmmm~ Sobre sentir falta...Tenho em mente algumas ideias, Espírito Santo que o diga!

Será Sampa? Estaria com ciúmes? Hmmm~ Só posso dizer que São Paulo é muito inseguro...

Muito obrigado a todos! E boa leitura!


Capítulo 18 - Coisas como...Cuidar de crianças!

A última reunião dos Estados antes do recesso estava para começar... Mas...

- Maldição! Onde ele está?

- Atrasando-se numa reunião em sua própria casa...

- Ah, deve ser a parada do transito, sakas?

O encontro, no entanto, foi brutalmente interrompida quando o 'mal falado' chegou ofegante a reunião. Mas não foi necessariamente a presença DELE que causou espanto...

- São Pa-

- Desculpa! Eu...Tive um contratempo... - A suas costas, o "contratempo", ou melhor, "a contratempo" tinha cabelos castanhos encaracolados até sua cintura, e olhos muito verdes.

- Mas,...O que?! - Exclamava Brasília já se levantando... Não podia ter trago uma humana qualquer a reunião muito menos...

Mas foi a seguinte frase, a responsável pela total suspensão da inútil reunião daquela tarde...

- Papa! - Cantarolou amedrontada a jovenzinha abraçando em busca de proteção as pernas paulistas.

- PAPA?! - Berraram praticamente todo o Brasil.

- E-e-eu juro que posso explicaaaar!

-.-.-.-.-.-.-.-

- VOCÊ ENGRAVIDOU ALGUÉM É ISSO?!

Já fazia mais ou menos que São Paulo havia chegado a reunião, e se sentado com a pequenina sobre seu colo, e aproximadamente 29 minutos que Brasília berrava esperando uma explicação que ele mesmo não dava oportunidade de ser dada...

- Eu já disse que posso explicar Brasília...

-... Sim, uma explicação... - Repetiu distraidamente Rio de Janeiro, observando a pequena de tal forma, fazendo-a esconder o rostinho na camisa de seu "papa".

-...Rio, pare, ocê ta assustando ela...- Suspirou cansado o mineiro, num tom mais áspero que o normal - Brasília, deixa ele explicar...

- É TOTALMENTE INCONCEBIVEEEL!

- ...Eu já disse que posso explicar... Você sabe que eu sou estéreo!

- Mas você pode ter usado uma das suas falcatruas paulistas!

- HÃ?! QUE FALCATRUAS PAULISTAS?!

- E EU QUE SEI!

- ISSO NÃO FAZ O MENOR SENTIDO!

- Aaah! P-papa!

- Rio! para de encarar ela! Brasília por favor!

- ...Eu não estou encarando...

- P-papa! - Choramingava...

-...-

O mineirinho observava estranhamente irritado a situação, enquanto a bagunça parecia não ter fim, quando Amazonas e Pará começaram a competir para ver quem descobriria primeiro quem era a mãe, Bahia se aproximou querendo brincar com a pequena, e Rio Grande do Sul simplesmente não acreditar que alguém teve coragem de 'namorar' o paulista.

- Minas...Você ta bem? - Perguntou um pouco apreensivo Espírito Santo observando o vizinho - ... Você geralmente não se irrita tão rápido...

O mineiro não respondeu de imediato, pensando em alguma desculpa para dar... Olhando de relance para Rio de Janeiro que seguia encarando a menina, e logo se voltou ao espírito-santense.

- ...Eu num tive tempo di tomá meu café em casa hoje...I meus pães de queijo simplesmente acabaram...

- Oh...

-...Certo...Já chega - O mineiro se levantou - ...CAALEEEM A P***** DA BOCA TODOS!

Silencio total e atônito foi seguido após essa frase. São Paulo estava de boca aberta, e Paraná bateu contra a própria testa.

- SENTEM-SE TODUS I O PRÓXIMO ******************** QUI COMEÇA UMA CONFUSÂO EU VÔ GARANTI DE ENFIAR UMA ENCHEDA BEM NO MEIO DO - censurado-

- B-brasília...Eu peço licença para ir comprar pão de queijo... - Sussurrou o pequeno do sudeste, mas com o silêncio que fazia, foi claramente ouvido.

-...Concedida Santo Espírito - Sentenciou quando todo se sentaram o Espi saiu disparado da sala

- Agora expliqui Sampa.

-...Ah...Claro...éh...Ah! Eu ia dizer que essa criança não é minha...Só me...Seguiu...

- VOCÊ PODIA TER DITO ISSO ANTES!

- Quieto!

-... Desculpa Minas...

E assim, depois de trinta e cinco minutos de discussão totalmente inútil e estressante se você for um mineiro sem café-da-manhã, São Paulo explicou que simplesmente esqueceu de colocar gasolina ontem a noite, então acabou vindo correndo de metro, e que sem perceber em alguma parte do caminho essa menina começou a segui-lo, e quando enfim notou e tentou falar com ela, a mesma começou a chorar abraçando-o e murmurando algumas coisas incompreensíveis e o chamando de "papa"... E guarda nenhum acreditou em sua historia, e sob o aviso de ser preso por abandono de menor, acabou tendo que trazer a pequenina.

- E por que então ela fica te chamando de papa então? - Questionou desconfiado o carioca

- Sei lá, talvez eu lembre o pai dela ou algo assim...

- Humf

-Tche, que guria confundir-te-ia com um pai? - Perguntou com graça Rio Grande do Sul.

- ...Eu simplesmente odeio ter que concordar, mas eu num sei...Quero dizer - Observou a cabeça da pequena que lhe abraçava pelo pescoço escondendo-se do fluminense com sua gravata - ... Eu nem sou bom cuidando de criança...

- Num vem cum essa – Colocou Rio.

- Magiina que num sabe – E Mato Grosso

- Era o que me faltava – Acrescentou Paraná.

- Pois é, eu tivemos uma infância difiiiícil – Ironizou Minas com os demais entre sorbos de café, observando de canto de olho o carioca que seguia com expressão seria os movimentos da criança. – Ocê cuidava bem pur dimais Sampa, issu sim

- Own~ Brigado! - Fez cara de manteiga derretida o paulista. E curioso olhou para o Rio, que desviou o olhar irritado.

- Hmmm~ Pensando bem, esta rapariga parece ser europeia... - Mudou o rumo da conversa Santa Catarina, observando bem o rostinho pálido e olhos verdes da jovem - Talvez não fale nosso idioma...

- E o que uma criança europeia fazia perdida no seu metro São Paulo?!

- Vindo do meu metro...Eu não duvido de nada Brasília...Você se surpreenderia com as possibilidades... - Começou inconscientemente a fazer cafuné na pequenina. – Já contei que outro dia tropecei num cara com uma foice...?

- Mas... - Interrompeu a amazonense de negros olhos - O fato de parecer europeia não tira em nada a possibilidade dela ser tipicamente brasileira...

Um murmúrio de concordância correu pela mesa.

- Assim complica muito - Resmungou o brasiliense.

- Pois é ! – Concordou São Paulo. A menininha já dormia tranquila sobre seu colo, enquanto o mesmo distraidamente fazia cachos no seu cabelo, sob a vista de certo moreno de luzes - Rio Grande do Sul tem uma put* cara de europeu e aturamos ele até hoje

- Hahá! Olha quem está a falar! - Rebateu o gaúcho - O Sr. Made in Nipo-Talia.

- CÊ ME CHAMOU DE QUE?!

- Aaaai - Estremeceu a jovem, acordada pelo grito.

- OLHA O QUE CÊ FEZ Ô DO LENÇO!

- Tche! TU QUE ESBRAVEJOU ASIATICO!

- Tsc, Vamos pequena...Não chora - Começou a dar pequenos saltinhos com as pernas para acalma-la - Não ligue para o tio mal...

- Tio Mal?!

- Oh, Deus...Dai-me paciência...Dai-me paciência... -Rogava Brasília massageando a testa - Por que se o senhor me der força...AH! Se o senhor me der fooorça!

- Oxê, Rapaiz, onde foi Minas Gerais? - A Baiana tentava acalmar seu 'chefinho' notando a falta do mineiro.

- ... Mandou todos a merda e foi comer pão de queijo lá fora... - Respondeu distraído Rio de Janeiro, a pequena tinha parado de chorar e agora brincava com Campinas.

- Er...Certo...

- Paciênciaaa! Por favoor!

- Cade Campiiinas~ - Escondia os óculos do rosto, para que a pequena tentasse achar distraído-a dos loucos a seu redor.

- Ah vamo Brah, ela é até bunitinha!~

- ...Não piore as coisas Bahia...

- É. Precisamos fazer alguma coisa com essa... - O de olhos azuis deu uma pausa respirando fundo - ...Menina.

- Certo...Rio tem razão... – recompõe-se a capital, e o seguinte disse sussurrante - ...Frase que eu nunca pensei que diria...

- Eu ouvi isso!

- Er...Cof cof, de qualquer forma! Quantos anos tem essa criança? - A observou pegar o óculos feliz e entregar para seu "papa" que voltava a escondê-los para uma nova busca.

- ...Uhm...Me parece ter uns quatro, ou cinco - Respondeu o sem-óculos

- E age como se tivesse dois...

- Avê Maria! O que deu em você Riozinho? - A jovem negra voltou a sentar-se com os nordestinos após acalmar o brasiliense - Ta estranho...

- Ha, Puberdade talvez - Sugeriu com graça o cearense.

- Ô Pai ô!

São Paulo só o encarou sem dizer nada.

- Não ligue pra ele – Sussurrou tranquilo o paulista para a criança, de tal forma que só ela e o carioca acabaram conseguindo ouvir – Só não chora minha pequena, só não chora...

TUM

O fluminense levantou-se batendo com força as duas mãos na mesa durante o ato, chamando a atenção de todos, até do paulistano, que no entanto, por estar sem óculos olhou para o lado errado...

- ...Eu vou...Ir almoçar alguma coisa. - E antes que Brasília pudesse lhe reaprender, pegou seus documentos e saiu da sala.

- Visse - Resmungou Pernambuco, como todos observando a estranha retirada. - Dépois os problemáticos du Brasil somos nós!

-...O problema do Brasil é o conjunto de todos vocês - Seguiu Brasília fechando a cara de mal humor. Como não ser grosseiro e severo com esse povo?! - Quem ele acha que é para sair assim...

- ... Devolve o óculos para "papa" ? - perguntou o paulistano tateando para achar as mãozinhas e pegar Campinas de volta. Levantando-se em seguida com a pequena nos braços.

- "Para Papa"?! E aonde pensa que vai?!

- Buscar minha região, só sobrou eu aqui... - Caminhou com cuidado em direção da baiana - Bahia cuida dela para mim?

- He? Eu de mainha di novu? - Disse apontando para si mesma surpresa.

- Há! É uma ótima chance de leva-la para o ladu nôrrrdestino dâ força! - Brincou Ceará

-...

- Ei, era uma piada...

- ... - Virou de costas caminhando em outra direção - Santa Catarina...

- Era uma piada! P-i-a-d-a! Seu senso de humôr paulista num entende isso?!

Ignorou o comediante voltando-se para o sul.

- Santa...- Olha para o gaúcho e este devolve o olhar, enquanto bebia o chimarrão, dado pelos irmãos para que não continuasse a discussão com o paulista e assustar ainda mais a pequena - ... Ah esquece...

- Ei! Eu não disse nada!

- Só ver sua cara já me disse que é uma péssima ideia.

- COMO É?!

- Tio mal! – repetiu a garotinha apontando feliz.

- ...

- Own~ Que gracinha ela aprende rápido... – E deu as costas uma vez mais, enquanto Paraná e Santa Catarina tentavam deter Rio Grande do Sul de esfaquear São Paulo...Literalmente falando. – Amazonas?

- Hã? Eu?

- Eu cuidaria bem melhor dela!

- Cale a boca Pará! Eu sou mulher, e as mulheres são melhores nisso, e mais! Qualquer mulher amazonense seria miiiil vezes melhor nisso que qualquer paraense!

- Aaaah é?! Pois qualquer mulher OU HOMEM paraense seria dois mil vezes melhor nisso que qualquer amazonense!

- ACHA MESMO?! - Começou a exaltar-se a jovem, e foi-se declarada o inicio da competição...

-... – O paulista voltou-se para os outros lados, e ao ver Goiás não estava presente nesta reunião... E não conhecia muito bem as outras nordestinas como para confiar este trabalho. Tinha um problema.

- Chega de confusão por hoje por favor! - Impôs Brasília – Me entregue a criança, busque o resto da sua região, e ligue para alguém da sua prefeitura vir busca-la, eu cuido dela enquanto isso.

- ...Você Brasília?

-...É, eu.

- ...

-...

- Eu vou deixar-la com a moça da recepção... – E com dificuldade pegou suas coisas e começou a sair da sala.

-... VOCÊ ESTÁ INSINUANDO QUE EU NÂO CONSIGO CUIDAR NEM MESMO DE UMA CRIANÇA!?

- Foooi cê que disse, eu nãaao falei nada~ - E retirou-se brincando com a menina...

-... Eu ainda o espanco... – Resmungaram alguns Estados...

-.-.-.-.-.-.-.-

-...Ah...Era aqui que vocês estavam...

Rio de Janeiro chegou a uma espécie de sacada de vidro onde aqui e ali possuíam mesas para que os hospedes daquele hotel-empresarial pudessem descansar de suas gastas e estressantes reuniões. Uma das mesas da direita longe do bar-café encontravam-se Espírito Santo, bebendo a gargalo uma cachaça, e Minas comendo calmamente um grande saco de pão de queijo.

- XIm, cansou da reunian tiambem? - Minas tentava responder com dificuldade enquanto seu vizinho virava uma cadeira, e apoiava o peito onde deveria ser as costas, e os cotovelos no topo do encosto.

- Algo assim...

- Cê ta bem Rio? - O fluminense levantou o rosto, encontrando-se com a expressão preocupada de ES, não conversaram tanto quanto gostaria desde antes do natal... Mas, sem responder, tornou a recostar a cabeça sob os braços.

- ... É por causa daquela menina? - Perguntou sem enrolar o moreno-café pegando outro pão de queijo - Ela te incomoda?

- ...Não...- Sem que os dois vissem, colocou a mão no bolso, pegando uma carteira e a observando detidamente por entre os braços. ES franziu as sobrancelhas confuso, Minas apenas sorriu de lado, meio nostálgico e triste, bebendo mais um pouco de café.

- Intão, é por causa da atitudi di Sampa?

- ...Ele é só um idiota – Seguiu na sua posição, impossibilitando a visualização de sua expressão, vendo atentamente uma espécie de fita em forma de um laço azul, de seda ou cetim, que estava guardado como um amuleto, dentro do objeto que segurava.

- Atitude? - Espírito Santo questionou, meio perdido na conversa.

- Ele é um estúpido...Está sempre estressado, trabalhando, e arranjando problemas para si mesmo e para os outros...Vive discutindo com o Sul, o Nordeste e até mesmo o centro-oeste e norte se der na telha! E conosco não é diferente... Até com tu Minas ele consegue implicar... Mesmo com um desconhecido, ele é assim, com todo mundo...O tempo todo...Mesmo comigo, embora eu tente... Sempre da briga, o tempo todo...

- Onde cê quer chegar Rio...? – Perguntou Espi

-...Ele sempre foi...Desse jeito nervoso, fechado, mas as vezes era...Diferente...porém, depois da...da...Tu sabe...- fechou os olhos com força, enquanto delineava a fita com os dedos- Isso piorou muito...E ele nunca mais foi do mesmo jeito conosco... Desagrada-me...Que ele simplesmente seja...Diferente, só por causa de uma criança que veio do nada...Me irrita...Isso não é justo..

"Não chores ,nos meus braços poderás ficar... Só não chores pequeno...Meu pequeno"

Com os olhos fechados, pode apreciar algo como uma lembrança, uma voz jovem e consoladora, e uma sensação quente...Apertou o laço com mais força, quase machucando a própria mão.

- ...Depois da revolução... Tudo piorou...Nunca mais será como foi como antes...

Espírito Santo arregalou os olhos ficando absolutamente preocupado, da conversa que tiveram antes em sua casa, bem soube como era difícil para o carioca falar assim da Revolução, estava realmente ,muito apreensivo para fazê-lo assim. Minas em contra partida fechou seus olhos.

- Sampa é du tipo difícil di lida, e sei qui ele si fecho muito mais conosco depois di tudo...- Apertou as mãos com força por baixo da mesa também - Sempri tentava si fazê di forte, mesmu quando num era... Tentavá sé carinhoso quandu não podia ...

- ...Sei...

Espírito Santo suspirou triste, sentindo-se excluído... Sensação que pensou... Realmente pensou que não sentiria mais depois de tudo que estava passando ao lado de Rio de Janeiro, mas... Por mais que Sampa dissesse que era a favor de ajuda-lo com Minas... O mineiro quando falava dele parecia tão...

- Pessóas solitárias, inseguras, temerosas... - Começou o mineiro ainda olhando pro horizonte, enquanto remexia distraído sua xícara de café -...Costumam dar-se melhô com animais...O até mesmô crianças.

Rio levantou um pouco a cabeça, vendo seu vizinho enquanto falava.

O fluminense não pode evitar lembrar-se de Cometa, aquela peste de cavalo que tanto lembrava seu dono, e que no final das contas, ao menos ele não o achava o animal de todo ruim.

- E ainda assim, sempre haverá ispaçu nu seu coração prá'queles ispeciais prá ele... – Disse como comumente fazia para acalmar ânimos, e meio que ajudar Rio com Sampa... Mas... Dessa vez sua frase saiu um pouco mais áspera... Por algum motivo

Talvez estivesse imaginando, pensou Espi... Afinal, Rio não notará nada...

Não que Rio costumasse notar alguma coisa, mas...

- Pô mano! Era ai onde cês estavam?!

Mal tinha terminado sua frase, Rio de Janeiro ergueu-se com o intuito de sair, sem mais.

- Ei, onde cê vai? - O paulista recém chegado aproximava-se da mesa.

- ... - O quase-loiro se virou para sair do pequeno restaurante, passando ao lado do paulistano, sem olha-lo, ou trocar qualquer palavra, enquanto o mesmo perguntava-se com expressão confusa o que raios tinha acontecido...E instantes depois o som da porta abrindo-se.

- Mas o que? - Minas suspirou longo e pesadamente antes de responder a pergunta do de óculos. Porém, não foi realmente necessário. São Paulo já se encaminhava apresado em direção à porta que segundos antes o outro usara. Minas sorriu, até algo triste.

- Foi atrás dele? - Perguntou descrente Espírito Santo - Cê acha que...

- Esperu que sim - Disse, ainda sorrindo – Afinal, Sampa sempre acaba indo atrás dele...

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

- Ei Rio...

- ... -

- O que deu em você?...

-...-

- ...Droga meu! Fala alguma coisa!

Rio de Janeiro andava a passos largos em direção á saída daquele grande hotel, sendo seguido de perto por seu vizinho.

- ... O que tu quer?

- ...Cê ta agindo estranho, geralmente cê só é idiota e barulhento, então e-

- E o que te importa como eu geralmente sou, ou deixo de ser?! - Exclamou parando abruptamente

- ...Como é?... - Parou também, surpreso.

- Tu pode ser um estúpido bipolar, briguento, e estressado com todo o país, e eu não posso estar diferente um único dia, que isso te incomoda?

- Rio, eu s-

- Imagine então ter que aturar essas mudanças por quase quinhentos anos!

- Eu realmente não estou te entendendo Rio! Onde quer chegar?!

- Onde TU quer chegar com isso?! Como alguém te reconheceria se tu insiste em mudar tanto?! - Apertou inconscientemente a carteira em seu bolso. - Eu já estou cansado disso...E sim, eu estou diferente hoje SIM! E dai?! Posso mudar quando eu quis-

- NÂO! - Quase gritou o paulista, assustando o carioca, e chamando a atenção de alguns que passavam.

-... Q-quero dizer...eh...Cê é o Rio! Tem que ser chato, ser alegre, ser irritante, esse é você! - Disse o último mais firme, porém algo...Temeroso? - ...Eu não...Quero que...Cê mude...

Sua última frase havia sido tão, mais tão baixa, que tinha quase certeza que foi coisa de sua imaginação... Claro...São Paulo nunca diria isso...Não é...?

...Ainda assim, não pode evitar surpreender-se.

- Tu não manda em mim - Respondeu cortante, ainda de costas - Minha economia não depende da sua, eu não preciso de tu e de teus sermões - Recomeçou a andar - O que eu faço ou deixo de fazer não te importa.

Mal pode dar três passos e sentiu uma mão agarrar com força seu pulso. Por algum motivo estranho que não sabia explicar, as batidas do seu coração começaram a disparar, embora ignorou como pode tal ato.

- Cê também não manda em mim, não é mais Capital, e mesmo quando era, eu não te obedecia.

- ...Me solta...

- Não...Não vou, por que pra mim você é mu- E um longo e incomodo silencio seguiu-se após isso, mas...

- "Mu"? Mu o que?...Eu sou um Mu? Isso é algum novo tipo de ofensa na sua casa?! - Virou-se pela primeira vez para o paulista

A cena que encontrou foi no mínimo...Cômica. Sampa tinha travado, literalmente travado, parecia até uma estatuazinha. Seu rosto estava muito, mais muuuito vermelho, e parecia quente também, pois seus óculos haviam embaçado, impossibilitando a visão de seus olhos.

- Ah...he... - E ele meio que murmurava alguma coisa não-entendível e atropelada, que Rio não sabia se era português, italiano, japonês, os três juntos, idioma de outra colônia...Ou droga de língua nenhuma.

-...Sampa...?

O Carioca apenas erguia a sobrancelha confuso, enquanto o paulistano gesticulava algo com as mãos como um verdadeiro italiano, diga-se de passagem que o Carioca apenas achou que ele tava se abanando, ou tendo algum estranho ataque "paulista". Era nessas horas que sinceramente perguntava-se por que ainda tentava entende-lo

- Ah...Mu...Rtadelaa! - Ajeitou os óculos embaçado - Eu adoooro MordadeÍla! E você?

- ...-

Um bom jeito de fugir de uma discussão, é simplesmente mudar de assunto, e a chance aumenta se o assunto não tiver nem pé nem cabeça. Claro, esse ensinamento só faz algum sentido de você for um Estado... Ou alguém um pouco perturbado...

- Tu...É...Perturbado São Paulo... É sério... - Porém o Estado com nome de mês parecia assustado demais com a situação mental de seu vizinho para lembrar no momento o motivo pelo qual estava indo embora - ...Tu bateu a cabeça ou algo assim?

Mas antes que qualquer um dos dois pudesse formar mais algum dialogo extremamente inteligente sobre... Mortadelas, um grito de uma mulher soou pelo corredor.

Quando os dois Estados chegaram até a sacada que a pouco tinham saído, na origem do grito, mal puderam acreditar na cena que encontraram. A criança estava de alguma forma inexplicável brincando num minúsculo parapeito, a 'secretaria' de rosto redondo e cabelos compridos estava quase ajoelhada no chão, assustada e sem saber o que fazer. Ambos ficaram abismados.

Não apenas estava num minúsculo pedaço de chão há três andares do chão. Como tinha em mão o pote de pão de queijo do mineiro, o qual tacava feliz na cabeça das pessoas que passavam na calçada.

- MALDITA CRIANÇA INFÉLIZ! - Berrava Minas tentando alcançar a menininha.

- M-minas!

O mineiro voltou ao piso firme quase espumando pela boca, isso não tinha a menor graça. Além de ser absolutamente perigoso! E... COM SEUS PÃOS DE QUEIJO! Depois de ter cuspido um deles dado de bom grado e corrido pro parapeito fazendo carreta! Essa menina era um monstrinho em forma de criança! Ainda mais num dia que seu humor estava horrível.

- Eu vó pegá ela - Levantou uma cadeira.

- V-V-VOCÊ NÂO VAI TACAR NELA NÉ?! - Exaltou-se exagerado o espírito-santense - E-eu sei que ela é grosseira m-mas...É uma criança!

- Devia. Máh só vou usar di escada e... - Se pendurou no parapeito para esticar o objeto, mas... A menina jogou fora o resto dos pãezinhos, e o mínimo de espaço no chão era mais que suficiente para ela saltitar em cima de mais alguns pobres pães - ISSO JÁ É DIMAIS!

Balançou com raiva o objeto em sua mão, quebrando alguns vidros de tempero, quase acertando Espírito Santo e o... A perna da cadeira se soltou do resto.

- RIO! Cuidad-

TUM

Ao se virar para ver o que tinha acertado, e ver Sampa caindo no chão, Minas Gerais assustou-se, perdendo o equilíbrio e caindo.

- MINAS!

Alheia a tudo isso, de um saltinho a menina alcançou o jardim da outra sacada do prédio, subiu o vidro, e seguiu saltitando segura.

Em meio ao corre-corre para saber o que estava acontecendo, a jovem de rosto redondo saiu correndo para chamar ajuda.

Espírito Santo agilmente subiu na sacada, lançando um olhar preocupado ao irmão mais novo, e logo pulando atrás do mineiro, que felizmente caiu em alguns arbustos no térreo, só um pouco arranhado. Mas São Paulo não tivera tanta sorte...

Havia sido acertado em cheio, tentando desviar o objeto de acertar um deles, caido no chão e batido a cabeça na quina da sacada.

- Sampa...Sampa?! Tu ta bem?! Me responde! - Buscou algum resquício de sangue, suspirando aliviado quando não o encontrou.

E antes que a bagunça se tornasse ainda pior, usou de todas as suas forças, mais a ajuda da adrenalina do momento para tirar o paulistano dali, apoiado em seu ombro.

Com o máximo de cuidado que podia, e amaldiçoando Minas Gerais, o levou a uma pequena sacadinha, onde havia um banco, e uma maquina de refrigerante. Sentou-se no banco de madeira, deitando devagar o mais velho.

Passaram-se pelo menos vinte minutos angustiante que o carioca sacudia loucamente seu vizinho, logo tentava dar tapinhas em seu rosto, e quando o fluminense já estava ficando desesperado, começou a acariciar o rosto gelado do mais alto, sentindo-se nervoso e aflito.

O paulista começou a abrir os olhos devagar, para o absoluto alivio de Rio de Janeiro que sorriu bobamente com o feito, mas...

O olhar do paulista estava desfocado, perdido... Como se não estivesse totalmente em si.

E então, voltou-se ao carioca e franziu ligeiramente as sobrancelhas.

- Que bom que tu acordou Sam-

- ...Quem és tu...?

E o mundo inteiro do fluminense veio abaixo.

- T-tu está brincando n-não é...? C-como que... N-não pode...Sampa!

- ...Sampa...? – Repetiu confuso ladeando a cabeça.

Sentiu um desespero indescritível lhe invadir. No que o mais velho levantava-se observando tudo ao redor com uma curiosidade quase infantil.

Isso não podia estar acontecendo...Simplesmente não podia! Todos esses anos! ...Não podia simplesmente ter se esquecido de tudo!

Sentia seus olhos doerem numa súbita vontade de simplesmente chorar, tentando respirar fundo e se acalmar... Tinha que dar um jeito... Quando finalmente se acalmou um pouco, embora ainda sentisse uma dor indefinível em seu peito, notou que o paulista não estava mais do seu lado, e assustado logo o encontrou observando maravilhado uma maquina de refrigerante.

- ... São Paulo... Chega de brincadeira brô...

O mais velho não respondeu, ainda vendo a maquina de todos os ângulos possíveis, Rio franziu o rosto estranhado.

- Ei!

-Que és? – Questionou emocionado apontando para o equipamento.

- Como assim "Que é-"...Oooh... – Se deu conta, observando do aparelho para o paulista.

Esquecer até mesmo o que era uma maquina de refrigerante? Viu como o paulistano seguia cutucando o objeto maravilhado... E essa forma de falar...

- São Paulo – Chamou outra vez, sem resposta – São Paulo!

Tomou a mão do outro chamando-lhe atenção.

- ... Que és "São Paulo"...? – Perguntou como se nada – E isto... – Aponta pra maquina.

- ...Uma maquina de refrigerante.

- Oooh... Que és "maquinha"...e "reférante"

- Refrigerante...

- Reférante...

A essas alturas Rio de Janeiro não sabia se tinha um ataque de pânico ou de fofura, muito, muito gay...

Foi ai que notou que o mais alto estava sem óculos, e Campinas jazia no chão, e no entanto, parecia enxergar tudo muito bem e...

Sentiu seu coração dar um salto.

Com ambas as mãos envolveu o rosto do paulista, fazendo-o olhar diretamente em seus olhos.

Os olhos azuis do carioca contra...

Os absurdamente claros e azuis olhos do mais velho, tão semelhantes ao céu de uma claríssima manhã.

-Ai. Meu. Pai... – Comentou chocado sentindo o coração disparar, e sentindo a boca seca. – S-s-são V-vi-vi-vicente...

- ... Estás bem...?

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

- Foi por aqui que ela disse? – Questionou Amazonas chegando a sacada de vidro, seguida de perto por Pará – Cérteza?

- Se tu tivesse esperado a Branca saberíamos!

- Por que você num para de me aporrinhar e acha a criança?!

- Pois eu-! – E parou, e no instante seguinte com um gritinho por parte da amazonense a puxou contra o próprio corpo.

E antes que a nortista pudesse reclamar, no entanto, um grupo de resgate passou correndo com uma maca pelos corredores.

- Q-que isso? – Disse algo ruborizada contra o peito do mais alto, que também observava preocupado. – Acha que tem...Alguma coisa háver...?

- Num sei... É melhor voltarmos, a "criança", não esta por aqui...

- ...Certo... – Concordou a amazonense num raro momento de entendimento – Hmm... Pará?

- ...O que? – Respondeu ainda vendo o caminho pelo qual a maca acabara de passar.

- Tu podi me soltar agora...- É, eu déveria né – Disse com um meio sorriso aproveitando-se da ocasião. –Mas sabe? Outra maca podi pássar a qualquér momento! Melhor num arriscar~

Sorriu se achando

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

- Visse a arrogância du paulista! Pur issu nunca fui com a cara dele! – Exaltava-se Pernambuco junto a Ceará procurando a menininha por ordens de Brasília.

- Num lembre de ti ter pedido pra defender eu.

- Além du- Deu uma pausa - ... Ainda esta arretado comigo...?

- ...Não...

- ... Pensei que depois do Natal... E do Ano novo estivêssé tudo bem entre... – Limpa a garganta - ...Nós...

- Essi é o problemá Pernambuco – E o mais velho sentia um estremecimento indescritível cada vez que o menor o chamava pelo nome, e não simplesmente por "Perna" – Mesmu depois di estarmos vivéndou juntos, e mesmu com as festas. Num existe "nós" cuntinua sendo você... E eu.

- M-mas...

- COMO ASSIM ELE ACERTOU UMA CADEIRA EM SUA CABEÇA E CAIU?! – Ouviram ambos um berro que o fizeram sobressaltar-se.

- Será Brasília...?

- Achu que não... Nem ele berra tão altu...

Os nordestinos esticaram o pescoço para ver um pequeno grupo na saída do hotel, realmente entre eles não estava Brasília, apenas Espi, Paraná e Rio Grande do Sul que tampava os ouvidos com uma expressão de desagrado, e embora não conseguissem ver, Santa Catarina estava mais a frente, conversando com o motorista de uma ambulância, e devido a um caminhão por sorte não chegara a escutar o berro do irmão mais velho.

- Vó embora, num estô a fim di ficar ouvindo discussões hoje.

E o pernambucano suspirou cansado, antes de seguir e mais novo de volta para os quartos.

Espírito Santo se mostrava realmente assustado com a reação do paranaense, que começava a questionar como tudo isso havia acontecido.

- E-eu... B-bem.. – Gaguejava o capixaba – A-a menina roubou os pães de queijo e... Puxou pro parapeito...Minas esta muito estressado hoje... Nunca o vi assim... E o sequestro do pão de queijo não ajudou!... E caiu... Acertou Sampa com um-

Parou repentinamente sua frase ao notar que Rio Grande fazia sinal como se cortasse o próprio pescoço atrás do paranaense, como se dissesse "Não diga isso a ele! É merd* na certa!"

Mas logo teve ambos os ombros tomados pelo sulista que o sacudiu repentinamente.

- Anda muzhchina(homem)!

- E-eu...E-eu...E-eu... – Sentiu os olhos começarem a umedecer-se. Esse Paraná estava lhe dando medo.

- Pare com isso tche! O esta assustando – Adiantou-se o gaúcho a soltar seu irmão de seu filho adotivo – Vás a lastima-lo! Controla-te! Bens sabes que São Paulo é forte o suficiente como para estar bem passe o que passe! E Minas se não o estivesse não teria dado uma carrera(corrida) atrás da guria!

O capixaba ergueu as sobrancelhas até o teto, absolutamente impressionado com o que o Rio do sul falava do paulista, por mais que fosse verdade, ainda era uma surpresa ouvi-lo de um de seus mais terríveis rivais. Ou o segundo colocado no ranking discussões.

O sulista mais velho se afastou, respirando profundamente, como tentando acalmar a si mesmo, no que o gaúcho fez sinal ao espírito-santense para posicionar a suas costas, o que ítalo-brasileiro fez prontamente.

- ...Me desculpe - Soltou algo tétrico, ainda tentando se acalmar com a respiração, e apesar do tom de voz, sua expressão já parecia normal - ... Eu vou procura-lo... Quero saber e-xa-ta-men-te o que aconteceu... Cuida da Santa pra mim.

E simplesmente saiu algo ligeiro.

Espi se voltou quando ouviu o longo suspiro de seu padrasto.

- Barbaridade!...Desculpe por isso Santo... Ele fica hmm... Um tanto fora de si quando tratasse da família...

- ... Nunca vi...Ele ASSIM antes...

- HÁ! – Estalo repentinamente assustando o do sudeste – MIRA! Vês como não sou eu o problema? Santa nunca a acreditado em mim! Sempre disse que sou um mau irmão que só atrapalha as citas(encontros) dela! E que eu devia de ser mais parecido com Paraná! Mas ao menos eu nunca há quebrado o braço de nenhum guri por terminar así que así (simplesmente, sem grande motivo)... Mas ele nunca o fez na frente dela! E ninguém crê em mim! Mas tu viste o que há feito! Vês como eu tinha razãaao! O problema aqui não soy yo! Haha!

Cantava gloria feliz esquecendo-se de toda a situação, o capixaba não pode deixar de franzir o rosto preocupado. Nenhum Estado nesse país podia ser normal...?

- A propósito - Deixou de lado a risada de vitória do irmão mais novo e se virou ao menor - Se amas mesmo o mineiro este, recomendo-te que vá logo atrás de Paraná... Sabes, quando esta assim pode fazer qualquer coisa...E quando digo-te isso quero dizer... QUALQUER COISA, creio que só contra Sampa e Santa não farias nada...Pois não garanto o pescoço de Rio de Janeiro ou Minas no processo também.

Espírito Santo o observou em pânico.

- COMO É?!

- Vêeees!? Eu tinha razãooo! Não é coisa de irmão mais novo! Ele é mesmo meio maníaco!Agora tenho uma testemunha!haha!

- M-mas...I-isso é realmente... Verdade?! - Voltou-se para o corredor disposto a segui-lo em prol de seu mineiro - V-vou atrás dele e...Espera...Como sabe que eu amo Minas...? E... Ah deixa pra lá... Mas você não se importa...?

- Bah, não. Sou bem tolerante pra essas coisas, só odeio que Sampa me chame de Viadu, o que não sou - Fez expressão de desagrado - Ele deve ser mil vezes mais que eu!

Nesse instante Espi não pode deixar de pensar em Rio e SP juntos e "É, definitivamente ele é" E num agradecimento saiu correndo atrás do seu Tio postiço...Embora já não tinha certeza de querer fazer parte dessa família assim...

- Só se se certifique de ficar por cima quando roolaar! – Gritou o gaúcho para as costas do capixaba, que ficou absolutamente rubro em ter a infelicidade de ouvir.

- Ficar em cima no que? – Questionou a catarinense com certa malicia.

- Hã...Futebol – Respondeu simplesmente com um sorrisinho inocente.

- Hmmm..

- M-mas de todos modos... Conseguiu descrever Sampa para eles? – Apontou com a cabeça a ambulância.

- Sim, disse que eras um homem alto, de óculos, sério e resmungão... Hmm...

- Ooh, bela descrição. Se não fosse pela altura acabariam a levar Brasília.

- E tu poderias ser um pouco menos grosseiro! Devia parecer-te mais a Pázinho, que fica calmo independente da situação! – E com "Hunf!" deu as costas ao irmão caçula, que estava com um tique no olho pelo comentário infeliz.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

Por sorte, Paraná também era pequeno, e não dava passos muito largos a diferença de Sampa ou Rio de Janeiro, então logo conseguiu alcança-lo rápido.

Tinha um olhar sério, e até algo perdido, e caminhava com firmeza, mas não demorou a perceber que era seguido.

- ... Hmm... Pa-Paraná.

- O que? - E seguia com aquele tom de voz tétrico e assustador.

- ... O que... Pretende fazer...?

- ... Eu só vou... Dar uma palavra com meu... "irmãozinho"...

- M-mas foi um acidente!...Ele nunca...! E-eu tava lá! V-vi que foi sem querer... Por isso...

- Eu sei.

- ... - Parou repentinamente, mais logo continuou a segui-lo - ... Então...

- Temos que conversar. Não é normal que se descontrole dessa forma... Tu disse que ele estava de um estranho mal humor... Eu notei isso, e acho que sei o por que.

Espírito Santo não respondeu de imediato, pensando que Paraná não tinha mais lá muita moral pra falar de descontrole... E começou a ter um certo receio quanto ao tipo de criação de São Paulo dera a esses Estados quando pequenos para serem assim hoje...

Mas Espi... O que se espera de crianças criadas por um bandeirante com tendências assassinas para proteção?

- M-mas...É... - Tentava inventar uma desculpa para salvar seu mineiro.

- Rio Grande do Sul não me escuta mais... Sinto que estou falhando terrivelmente como irmão mais velho... E agora isso - Comentou com desagrado, observando todos os cantos por algum sinal do mineiro, ou mesmo da criança - ... E ele também não deixa de ser meu irmãozinho menor.

- M-mas... Er...Hmm... P-pode ser perigoso! Paraná parou. - Como é?

Espi sorriu, algo nervoso.

- C-como eu disse... Ele esta muito nervoso e... Não creio que... Seja uma boa hora pra discutir com ele...! É... Bem forte e... Cê pode se machucar...?

- Hmm...Tem razão...

- Sério?! – Sorriu esperançoso.

- Vendo como estão as coisas, seria uma imprudêncea menha ir até lá com mãos vazias. Obrigado

E desviou o caminho entrando no que parecia ser uma futura Copa do hotel, vasculhando entre os materiais de construção.

- ESPERA! Não era isso que eu queria dizer...! Eu...!

- Ah! Isso serve! - Tirou, para completo pavor do capixaba, uma torneira, ligada ainda com um pedaço de cano de aço. Como um bastão... Com uma peculiar ponta, jogou para trás apoiando nas costas. - Da! Definitivamente serve.

- M-m-m-m-m-m-mas! - O capixaba estava em pânico.

- Calma, não é como se eu fosse mata-lo.

- Ni-ni-ni-ninguém falou em matar!

E para seu absoluto espanto, o paranaense soltou uma risadinha.

- Suas reações são tão engraçadas

O do Sudeste abriu e fechou a boca inúmeras vezes, mas sem achar um comentário forte o suficiente que conseguisse parar o sulista.

Mas como se para um homem com um sorriso tétrico e uma torneira de aço em mãos?!

Aaaah, muitos Países dariam milhões pela resposta...

- Ta tudo bem... Eu já estou mais calmo, obrigado mas... - Cutucou a ponta do nariz com o indicador da mão que não segurava a torneira - ... Sampa ainda me preocupa... Você poderia procura-lo para mim...?

- Co-como é?! - Questionou em plano de " E deixar você matar meu mineiro?!, o de sangue norte-europeu pareceu notar, por que logo emendou.

- Preciso conversar a sós com ele...

- Mas...É que...Eu me importo com ele e...

- Eu percebi, mas é que... Hmm... Não me leve a mal... Ele é todo reservado e... Não acho que falaria com mais alguém lá... E eu o conheço a tempo suficiente pra conseguir 'tirar' isso dele - E ao ver a expressão a sua frente - ...Sem ser a força. Mas estando só eu. Me desculpe...

- Ah...Certo...Entendi...

Sentiu-se algo excluído novamente, e absolutamente doido... No final parecia como se... Todos pudessem pertencer a vida do mineiro...Menos ele...Todos poderiam pertencer a vida do sudeste, , menos ele... Pois quando o conheceu... Paraná e ele já estavam sobre os cuidados de Sampa...E a esse meio não pertencia... Estando com Bahia enquanto o sudeste ia se formando...

- ...Eu realmente sinto muito...

E isso lhe deixava... Realmente muito triste...

Nem se quer imagina que os problemas do mineiro tinham origem em algo muito semelhante a isso... Mas com outro alguém envolvido.

- ...Tudo bem... Eu vou...Procurar Sampa...Então...

- Isso. Obrigado, e quando acha-lo... Me liga... Quero saber como esta. Tem como marcar meu telefone? - Espi segue observando cabisbaixo o chão ao tempo que o sulista dita seu número - Vou estar esperando.

- ...Certo... Mas...Não machuque Minas...

O paranaense apenas sorriu, sem, no entanto, responder

Espi virou-se para sair, fazendo uma ideia de que Rio não devia estar muito longe de onde São Paulo fora acertando, levando-se em conta que o mesmo não conseguia carrega-lo. Mas logo voltou-se ao Tio postiço lembrando-se de algo.

- Eu vou... Mas deixa essa... Essa coisa aqui - Apontou para a torneira e cano.

Outra vez o sulista de sardas não respondeu, apenas sorriu, sorriso que fez o espírito-santense sentir um arrepio.

Mesmo assim, logo ouviu o som do aço batendo no chão. E um pouco mais tranquilo, saiu em busca dos outros dois problemáticos de sua região.

Só que não contava que... Assim que sumiu da vista do loiro, o mesmo deu uma embaixada para reaver seu cano, e seguiu pelos corredores como se nada.

Lembrava ao paranaense um pouco até de quando fechava as mãos e fingia esconder alguma coisa e Mato Grosso bem pequeno sempre acreditava. Não imaginava que ele era tão inocente, ao julgar que andava armado.

Mas bem, ele fora criado por Bahia depois de tudo. Era natural, pensava.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

O homem de tendência psicóticas para a proteção, que criara seus pequenos de forma duvidosa ria feliz e com graça da cara encharcada do carioca, que idiotamente deu uma latina da maquina de "Refíreranti" para o paulista ver, e depois de chacoalhar muito para ver como funcionava, Sampa conseguiu abri-la, fazendo-a atingir em cheio a cara do vizinho, que cotejava coca-cola do cabelo.

O fluminense xingava baixinho, mas sem saber exatamente saber se culpar Sampa por isso, sobrou para a fabrica que montara a maquina, e os estadunidenses donos da Coca-cola. Ao tempo que seu metrossexualismo se encontrava indignado. Esse refrigerante corrosivo acabaria com seu cabelo.

São Paulo que achava divertido tanta "água" caber nesse potinho, e sair com tanta força! Seguia observando feliz, quando notou dois detalhes curiosos.

Ao tempo que Rio seguia xingando e tentando se limpar, o ex-bandeirante se aproximou, sem querer usando de suas habilidades de aproximação silenciosa da época das bandeiras, sem que fosse notado, e prontamente lambeu a bochecha do mais baixo, curioso sobre o gosto dessa "água negra". Talvez o pote fosse alguma fruta muito dura, pensava sobre a latinha.

O quase- loiro deu um salto de surpresa, assustando o mais velho que rapidamente olhou ao redor buscando se tinha encontrado algum animal perigoso, não ligando a surpresa ao que realmente tinha feito.

Rio seguia muito vermelho com tudo, a aproximação, a lambida... Por mais que estivesse confuso e com mentalidade infantil, o corpo de um homem seguia ali a sua frente, e tê-lo assim perto ainda o fazia sentir estranho, ao tempo que o coração acelerava ainda mais.

E quando São Paulo teve a certeza que não havia nada, tornou ao vizinho, achando o gosto daquela água muito familiar... Junto a um gosto salgado, que provinha da própria pele do litorâneo.

E sem esperar que o fluminense se recuperasse, SP foi para sua curiosidade número dois. Colando ambos os corpos, e fazendo com que os olhos do surfista quase chocassem contra os lábios do mais alto, devido à diferença de alturas absolutamente clara agora.

E o mais velho tomou entre suas mãos a gola da camiseta do menor. Aquela vestimenta era tão estranha.. E tão leve... Encontrou então os botões, indo averigua-los notando estranho sua posição.

E desabotoo os três botões disponíveis, e se não fosse o fato do carioca estar usando uma camisa polo hoje, provavelmente teria sido quase desnudado.

O litorâneo sentiu sua respiração tensar-se, e seu pulso estava descontrolado. O ítalo- brasileiro só então percebeu que usava também roupas tão estranhas quanto, e também com botões.

Só que a diferença era que os botões iam até o final da roupa.

Sem notar o nervosismo do companheiro, acabou indo para sua própria roupa curioso. Mas mal tinha soltado dois botões, teve a mão detida pelo menor.

- Não faça isso com meu juízo, por favor - Soltou meio ido, e por costume num tom galanteador e meio rouco.

E sem poder controlar-se, e ignorando seu orgulho em questão da altura, ficou um pouco de pontas de pé para poder alcançar os lábios do maior, e logo toma-los.

Sampa não abriu a boca, mas isso realmente não pareceu importar ao vizinho, nem se quer fechou os olhos, como o mesmo fez... Apenas observou com as sobrancelhas franzidas... Não achando a sensação ruim, e até mesmo notando-a familiar...

E logo tornou a se afastar, rubro de vergonha, e gaguejando.

- I-isso...Isso...D-desculpa...E-eu...Er...

- Qué és esto que fizestes...?

- Ah... -Envergonhou-se ainda mais ao pensar que teoricamente era o primeiro beijo de Sampa - ...Um...Beijo...

- Ooooh! - Sua animação era definitivamente infantil. E ainda sorria.

E logo lambeu os próprios lábios, o que soo absolutamente sensual para o fluminense que acabou deixando escapar um suspirinho.

E achando tudo muito interessante, São Vicente repetiu o movimento, dando também um selinho nos lábios do 'velho amigo'.

- Cara...O que cês estão fazendo...?

Ambos se sobressaltaram, separando-se e voltando-se a entrada da sacada, onde Espírito Santo os observava com a sobrancelha magamente franzida.

- E nós aqui pensando que algo péssimo tinha acontecido com São Paulo... - Foi se aproximando - E vocês ai se catando, eu não acredito nisso! Minas em perigo por ISSO?!

E quando estava bem próximo, Sampa se aproximou dele, agachou-se para total espanto do capixaba, e ciúmes do carioca, e também o beijou.

- Não! Não! Não pode fazer isso com todo mundo! Só comigo! Comiiigo! -Disse sem pensar o fluminense separando os dois.

Tão logo o fez, o paulistano franziu as sobrancelhas em sua direção.

- Por que...?

- Por que não - Retrucava já de mau humor, ao tempo que ES seguia em estupefação.

- ...És algo ruim...?

- ...É!

- ...Então me fizeste algo ruim? - Fez uma expressão de desolação que só fez o coração do coração do Brasil dar um salto.

- N-não!Claro que não!

- ...Não...? - Podia quase sentir como os olhos do paulista começavam a se umedecer, era realmente toda uma criança agora...

E Rio era péssimo com crianças, afinal, ele nunca criara nenhuma...Male má era um bom tutor para Brasília...

- I-isso..Isso..É algo que só se faz ...hã... Com permissão!SIM!É isso!

-...Permissão...? - Ladeou cabeça.

O capixaba ainda observava o céu desorientado. Como de um momento a outra uma pessoa esta comendo pão de queijo, pula da sacada atrás de seu amor platônico, segue apavorado seu tio postiço e acaba sendo beijado por seu meio-irmão?!... Tinha dó de si mesmo...

Ironicamente, Rio se saiu bem melhor que Lisboa há séculos atrás, quando SP igualmente viu um casal se beijando e testou com a pequena baiana ao seu lado... E no fim todo o escândalo que Lisboa fez sobre o caso fez com que o paulista pensasse por muitos anos que beijar era algo muito ruim e errado. Por isso, São Paulo sorriu, achando de alguma forma esta cena familiar.

- Entãao... Eu tenho permissão para fazer-te isto? - Disse aproximando-se sem esperar resposta e beijando uma vez mais o carioca, que não se opôs nem um pouquinho.

- Com certeza - Respondeu mais uma vez sem pensar, ido pelo sensual da situação.

- Ehém... - Fingiu uma tossida o espírito-santense para chamar a atenção. - Já acabaram...?

- Eu peço-te desculpas por minha conduta - Disse São Paulo, fazendo RJ desejar com todas as forçar ter um gravador. Nunca na vida. NUNCA, voltaria a ouvir Sampa falar dessa forma com alguém...Se até mesmo com o imperador ele era rude.

Espi no entanto, ainda surpreso, e preocupado com Minas não se tocou, respondendo simplesmente um "Repita quando quiser" pois seu "Eu Gay" foi bem mais forte que seu medo de que Rio o enforca-se.

E antes que SP se adiantasse novamente tendo agora a `permissão' do capixaba, o quase-loiro o segurou pelo braço, lançando um olhar assassino ao recém chegado.

- ...E...Quem és tu...?

- Espírito Santo. - Respondeu como se nada, fazendo o fluminense bater contra a própria testa. Ainda não tinha percebido nada de errado com o paulista

Mas não era sua culpa realmente...Estava muito acostumado que lhe perguntem coisas assim.

- Ooooh...

- Agora você e o Rio podem parar com isso? Eu quero mostrar pra Paraná que Sampa esta bem e salvar a vida do meu mineirin!

- ...Rio..? - Repetiu o mais velho franzindo as sobrancelhas e observando ao redor. Do que esta criança falava? Não havia nenhum rio correndo por ali...Não conseguia ouvir seu som...Por sinal, o único som que ouvia era do vento, e o grunhir de um animal muito estranho...

Ou seja, carros e buzinas.

- Bem Sampa...Acho melhor cê tomar uma boa xícara de café, fazer sua melhor cara de saúde e vir comigo AGORA! Eu trouxe café comigo!

Silencio. O paulista não respondeu. Ainda olhando ao redor buscando a tal nascente do rio.

- ...São Vicente, ele esta falando com tu...

- Oooh!...Hmm... Qué és café...?

- Café é...OH MEU DEUS! O QUE ACONTECEU COM ELE?!

- SÓ AGORA TU PERCEBEU?!

- AI MEU DEEEUS! – Berrou repentinamente o capixaba colocando ambas as mãos na cabeça desesperado – ELE PERDEU A MEMORIA! DEEEUS! PARANÁ VAI ME MAAATAR!

São Paulo deu um pulo para trás assustado com o repentino berro, entrando na defensiva algo alarmado. E Rio quase caiu no chão.

- HÃ? Do que tu ta falando?! Paraná te matar?! Ele não mata nem uma mosca!

- VOCÊ NÂO VIU O QUE EU VI! – Exclamou ainda em pânico pensando no bem estar de seu Mininhas. Que há essa hora acabara de encontrar-se com Paraná.

- Não seja ridículo! E Pare de gritar! Tu esta assustado ele! – E ironicamente gritava de volta, fazendo o paulistano afastar-se mais alguns passos, buscando alguma rota de fuga naquela estranha copa de árvore, lê-se, sacada de um prédio.

- Assustador vai ser Paraná quando souber que Sampa não lembra nem o que é café! – E se aproximou do mais velho que ficou duro como pedra com o movimento, pensando em alguma coisa para se defender. O Capixaba pós a mão no seu ombro – Alguma coisa ele TEM que lembrar...Quem sabe conseguimos enganar o sulista um po-

E o corpo do paulistano processou uma solução independente de sua cabeça confusa, tomou a mão do menor e o jogou com tudo para trás junto a seu corpo, acertando o chão em um golpe de Kung Fuu. Rio de janeiro apenas abriu a boca abismado acompanhando a cena como se de uma câmera lenta se tratasse.

- Nooooossa! Tem razão! Ele não esqueceu de tudo!

- Minha costeeelaa! – Choramingava – Minha coooluuuna! MALDIÇÂO! Por isso ele criou um bando de psi AI! Coticos! – Umas lagriminhas saíram de seus olhos – Acho que eu nunca mais vou levantar! Fraturei meu baço! Meu rim! MEU PANCREAS!

O carioca simplesmente ignorou seu fraturado irmão, para aproximar-se lentamente do paulista que parecia em um ligeiro pânico, afastando-se um passo a cada um dado pelo outro.

- Calma Sampa... Calma... Esta tudo bem...

E o mais velho não parecia nem minimamente convencido disso.

Então para desespero de São Vicente, suas costas bateram contra o caule, concreto, da árvore- prédio. Deixando- o sem alternativas.

- Por favor se acalma... Eu não vou te fazer mal, jamais. -Colocou ambas as mãos nas bochechas do mais alto, atento no caso de algum movimento ofensivo. - ...Mesmo que... Tu não lembre de mim, continua sendo alguém mu-

E parou abrindo ligeiramente os olhos e a boca, vendo o rosto assustado do mais alto. Essa frase... Então era justamente isso que São Paulo estava a ponto de lhe dizer antes de ouvirem o grito e ele ser acertado desse jeito?

Aproximou-se um pouco mais.

- Tu é mu...Muito importante para mim Sampa, demais. – E lhe concedeu outro suave beijo nos lábios, deixando-se levar, imaginando essa mesma frase saindo dos lábios paulistas.

O ex-bandeirante não soube como reagir muito bem, por que ainda não tinha certeza se isso que fazia era algo bom ou ruim. E não se lembrava de te ter dado a tal "autorização" para fazê-lo.

- ...Eu não autorizei-te a fazer isto – Disse em baixo tom, inseguro, e Rio sorriu galante com essa resposta com ares infantis.

- Tu aprende rápido, mas eu sou o único que não preciso de autorização.

- RIIIOO~ SEU PEDOFILOOO! – Gritou Espi ainda tacado no chão.

- QUIETO!

E Sampa tensou-se de novo com os gritos.

- Ah desculpa!...Os gritos... Devem te lembrar os colonos...Não é...?

Vicente não respondeu.

- Quando...Quando eu era pequeno – Espírito Santo abriu os olhos ligeiramente se levantando com cuidado, impressionado com o que ao parecer Rio iria contar... – Tu...Me acalmava assim...

E envolveu com ambos os braços o corpo do ex-barão, num forte abraço, encostando sua cabeça quase em seu pescoço.

- ... Sempre funcionava... Tu lembra-se...Disso?

Sampa não respondeu, mas seu corpo sim, sentindo uma estranha e quente sensação em seu coração. Algo nostálgico. Mas não retribuiu o gesto.

- ...Não sei... – Rio se afastou um pouquinho, o encarando nos olhos - ... É tudo muito dúbio... Onde eu estou? E...Quem sois vocês?

Colocou a mão na cabeça, se voltou para Espírito Santo que levantava devagar, tentando entender como o derrubou, fechando os olhos numa expressão de dor.

- D-dói

- Calma, calma...- Seguiu o carioca - Não pense mais nisso...Esta... Tudo bem...

São Paulo o observou por algum tempo com uma expressão meio vazia, como se processando a informação. E então tornou a sorriu infantilmente, e Rio a beija-lo quase instantaneamente.

- Rio... Para, cê vai confundir ele mais... – Espi sentado no chão.

- É-é que é viciante! Sério!

- ... – O capixaba bateu a mão contra a testa.

E aproveitando a distração do mais velho, outro beijo.

- TO FALANDO SÉRIO!

- Desculpa!

Com extrema dificuldade levantou-se, entre resmungos, e enfim ficando de pé.

- Vamos fazer assim...Eu...Vou falar com...Paraná... É melhor que ele saiba o quanto antes... Talvez ele possa ajudar, afinal conhece Sampa há muito tempo...

- Hmmm... – Completou desgostoso – Eu vou ficar com Sampa então... Ver se consigo fazer ele lembrar-se de algo...

- Certo... – Andou dolorido até a entrada da sacada – AH,e vê se da um tempo para ele, OUVIU?!

Assim que sairá SP se voltara para Rio, o observando curioso, e por algum motivo pegou sua mão e começou a brincar com seus dedos. "Calma" lhe remetia a essas coisas, mas não sabia por que...

E Rio achou isso absolutamente fofo, Então repentinamente o mais velho decidiu sentar-se no chão, e o carioca o imitou, e os movimentos em suas mãos continuavam...

Voltou-se ao maior e tornou a beija-lo, dessa vez um pouco mais lento, e Sampa foi aprendendo que se fecha os olhos quando isso acontece, e essa aprendizagem só fez seu companheiro se empenhar mais, beijando repetidas vezes, inclinando-se sobre o corpo do outro, mais e mais, quase deitando sobre o mesmo, em beijos e beijinhos intermináveis, e altamente viciantes.

- Hmm – Soltara o paulista, enquanto sentia uma estranha, mas familiar sensação quando seu corpo começava a esquentar.

E o quase-loiro afastou-se observou a cena. O maior ruborizado, de olhos fechados e acabando de produzir um mini suspiro, e sem mais tornou a tomar aqueles lábios em vários mini-beijos incessantes, e logo começou a descer por seu pescoço inevitavelmente.

São Paulo sentiu-se absolutamente estranho, com um formigamento no seu baixo-ventre, sentia-se inquieto, e havia sons semelhantes a exclamações de dor lutando por sair de sua boca. Sua visão começava a nublar, e sua cabeça estava ainda mais desorientada, entre sensações e lembranças perdidas. Sentia-se zonzo, mas estranhamente não queria que essa sensação parasse.

Lembrou-se repentinamente de uma mulher de pele negra e sorriso incerto. E o nome "Sófia" lhe veio à mente

Rio, porém parou assim que sentiu algo duro atingir sua cabeça.

- SAI DE CIMA DELE PEDOFILO! Mudei de ideia! VOCÊ! Conta para o Paraná EU fico aqui com Sampa!

- M-mas...

- ANDA LOGO!

E foi praticamente chutado dali pelo espírito de irmão mais velho de...Espírito Santo.

Rio de Janeiro foi atrás do Russ...Paraná, e de Minas.

Ah, Espi também voltou por que provavelmente ia acabar se perdendo e não achando ninguém... De qualquer forma...

- ...Você esta bem...?

- Me... Sinto estranho... – Comentou algo sufocado, fazendo Espi ruborizar-se automaticamente.

- É-é-é fome! V-vou buscar algo pra você comer! – E saiu apavorado para a sacada oposta onde acontecerá o acidente.

Não seria ele a explicar para São Paulo a "história das abelhinhas"

O paulista tornou a se deitar, não achava que era isso que sentia, mas preferiu não comentar, tentando focar a mente na imagem que vira antes... E outras imagens difusas passavam por sua cabeça.

"Azul", "mão", "capital", "Colo" e "cabelo", e sem perceber em meio a todo o esforço mental que fazia, acabou caindo no sono.

-.-.-.-.-.-.-.-.-

- ...Vae me dezer agora o que esta acontecendo com você?

Minas Gerais suspirou, limpando o sangue de seus lábios, e encarando o céu daquela tarde.

- ... Por que te interessa tanto saber?

- Mih... Mal nos falamos, mas eu não sou São Paulo, você não me engana... Já te vi agindo assim antes, e geralmente eram pelo mesmo motivo... - Passou a mão distraidamente em sua sobrancelha cortada. - Eu achei que você já tinha superado, mas...

- ...

- ...Pensei que depois de conseguir separa-los, você não se meteria mais nesse assunto - Seguiu sem contar palavras, observando o mais novo de esguelha.

O mineiro puxou as pernas para mais perto do corpo com os braços, e apoiou a cabeça nesse monte.

- ... Eu não devia di té feitu aquilo...

- Imaginei...Você deve ter muito medo que Sampa descobrisse o que fez... Você mentiu para ele...

- ... - Apertou os olhos com mais força

- ...Eu nunca contei...Mas eu vi o quanto ele sofreu por causa disso...

- E-eu...Eu não me conformava...Era tão frustrante...

Paraná tornou a encara-lo

- E-eu! E-eu tava sempri ali! E...Ainda assim...! Queria uma chance também! E... - Fechou os olhos - Nunca pensei qui ia acabar comu acabou...

- Não é possevel planejar esse tipo de coisa...

- Eu só quiria qui ele! Gostassi di mim tantu quantu...! É tão injustu! Eu nunca di verdadi nunca tive realmenti uma chanci...!

- Eu realmente não queria tomar partido nesse assunto... Perguntei por cima aquele dia... Que buscávamos fantasmas, mas nada...Ainda assim não posso mais ficar quieto com isso...Por que você... Simplesmente... Não fala pra Sampa que... Rio nunca soube de nada, que Lesboa nunca falou nada, e acaba com tudo isso de uma vez?

- NÃO! - Exclamou exasperado sobressaltando-se em pânico - Não! Não! Ele num podi sabé! ME ODIARIA! Odiou Rio por isso! S-se s-se descobrisse que foi eu ele-e-ele! - Escondeu o rosto entre as mãos, respirando descompassado - Não, não, não! O R-rio um dia eli podi perdoar...M-mas eu...! Eu...!...Não possu! Por favor não!

Paraná assustou-se também, colocando uma das mãos no ombro do menor.

- C-calma... Minas...Calma...

- E-eu não! - Era notavel que algumas lágrimas escorriam por entre as mãos - Pur isso eu...! Tentei disfazer o qui fiz...!...S-sem ter qui contar...N-não posso contar... J-já demorei tantu... De-depois das revoluções para eli...Olhar para mim di novo...Q-quando ele q-quebrô nossa união... E-eu!...N-não foi vingança! E-eu juro! N-não...N-não foi um movi-movimentu contra eli...E-e sim contra s-sua decisão...! C-contra o no-novo presidente!

- Eu sei...Calma Mih, eu sei...

- M-mas eli não! A-acha qui eu...O ataquei pur trás! Achou qui...A-achou qui... - E já estavam presentes os soluços - Eu n-não queru qui eli me trate...Q-qui eli me veja...Como faz cum Rio Grande du Sul...

- Aaah, Mih, por favor...Tu estas mesturando as coisas... São casos totalmente diferentes... Sampa emplecava com Reo Grande mesmo antes da Revolução... Ele era ...Muito amigo de São Pedro, talvez você não lembre bem...Esses dois são assim agora por revalidade entre potencias e... Acho que Sampa tenta achar em Reo Grande algo de São Pedro, do amigo que ele perdeu...

Levantou o olhar para o céu, lembrando-se das discussões que ambos tinham frequentemente há séculos atrás.

- São Pedro achava graça nas implicâncias de Sampa... Já Reo Grande fica realmente erretado com elas... É uma pena... Mas no fundo, Sampa num ficaria tranquilo se não tivesse ao menos alguém para descutir sempre

- A-ainda assim e-eu...!

Virando o corredor, Rio de Janeiro escutou as vozes conhecidas, e se aproximou de outra pequena sacada, distraído pensando em como reaver a memória de Sampa.

- Não se preocupe com Sampa...Sério... Ele preza-te muito, se não quiser contar...Tudo bem...Mas eu acredito nele, acredito que entenderia... Você devia se preocupar mesmo é com Reo de Janeiro.

O mencionado levantou a cabeça ao ouvir seu nome, e colocou atenção no que era dito.

- ...Por que Rio di Janeiro?

- ... Por que ele sim vai ficar com muito ódeo de você se souber que esta tentando joga-lo pra cima de Sampa de qualquer jeito pra "melhorar" sua situação...

O carioca franziu as sobrancelhas em desgosto, encostando-se á parede para ouvir melhor.

- Eu poucu me importu cum o qui Rio acha ou deixá di achar - Disse com raiva e frustração, sem pensar, tornando a esconder o rosto entre as pernas.

- Minas!

- Si eli num fossi tão estúpido já estaria cum São Paulo, se num fosse pela minha ajuda eli nunca daria um passo siquer... São Paulo perdi tempu cum uma pessoa assim - Tacou venenoso, tentando extravasar toda a sua frustração com palavras.

- ...Você e ele realmente nunca se deram muito bem...Mas... São da mesma região...Num esqueça disso.

- Infelizmente.

"Concordo" Refletiu o fluminense, em pensar que chegara a confiar nesse ser... Até mesmo junto com Espi foram os primeiros a descobrir que era Gay... Sempre teve a impressão enquanto Capital que o menor não lhe suportava... Parece que no final das contas tinha razão...

Espi...Ah, Espi... Se seu amado odiava o carioca sem motivo, merecia receber um.

Sim, um bom motivo. Por que Rio de janeiro sabia ser absolutamente péssimo se realmente se propusesse.

Não fora temido quando Capital a toa.

Mas tinha coisas mais urgentes que se preocupar agora...

Pegara o celular de ES que havia recolhido no chão quando ele caiu, por que o seu tinha sido esquecido na sacada de vidro, e ligou para Paraná, afastando-se e enfiando-se em outra sala.

- Ah! Meu celular...É o Santo... Ué...A ligação caiu... O que será que aconteceu...

Minas Gerais apertou o ferimento que tinha no braço, pensando nas poucas e boas que ouvira do paranaense sobre o que aconteceu hoje, já se preparando para mais.

Não esperaria menos do primogênito de Sampa.

- ...Vou tentar ligar... Hmm...Caixa postal...Que estranho...Ah! Recebi uma mensagem - Abriu e leu " Precisamos de vc, vem rápido" imediatamente se levantou - Minas, eu estou preocupado... Vou ver o que aconteceu. Fiquei aqui, não quero que Sampa te veja todo machucado.

O próprio sulista limpou o sangue que ainda tinha a mostra, jogando seu cabelo curto como podia em cima do corte, e dobrando suas mangas rasgadas.

Minas ergueu as sobrancelhas, o mais velho falava até mesmo como se seus ferimentos não fossem sua culpa, como se não fosse ele mesmo que chegara gritando e ambos começaram a brigar.

Paraná saiu rapidamente do recinto cruzando um corredor, ao tempo que o mineiro fechava os olhos, pensando nos atuais acontecimentos... Sabia que o caminho que escolhera era o mais doloroso.

Mas preferia ele... Em vez da verdade.

O paranaense mal cruzou o corredor, e quase trombou convenientemente com Rio de Janeiro.

- Ah...!

- Paranáaa! Que bom que te encontrei! - Mentiu descaradamente tomando o pulso do mais novo - Eu estava te procurando!

Sim, cuidaria de Minas Gerais mais tarde e com mais tempo. Sua preocupação agora era muito mais importante.

- São Paulo está mal... Espi disse que tu talvez podia ajudar... Ao ver... Ele perdeu boa parte da memória com as batidas.

O sulista ficou absolutamente pálido, muito mais do que já costumava ser, e seguiu rapidamente o ex-capital, exasperado.

Não demoraram praticamente nada para voltarem à sala, encontrando Espírito Santo sentando no chão ao lado do...Corpo deitado de São Paulo.

- O QUE ACONTECEU?! - Exclamou Paraná.

- ESPI!

- WAAAAAAAAAAA! POR FAVOR NÃO ME MATEM! - Levantou-se de um salto colocando ambas as mãos para cima, como se estivesse sendo autuado - QUANDO EU VOLTEI ELE JÁ ESTAVA ASSIM!

- TU DEIXOU ELE SOZINHO!?

- F-F-F-FOI SÓ UM INSTANTE! F-FUI COMPRAR ALGO PARA ELE COMEEER! Não me maaatem! Eu não fiz nada!

E nesse instante, Sampa se mexeu, resmungando algo como " Devolva minha arma...São Pedro".

E um suspiro de alívio passou pelos três, embora a vida inteira do capixaba ainda passasse na frente de seus olhos... É, 400 anos é muito, essas coisas levam tempo.

- Ah...Que bom... - Voltou-se ao carioca - Tu não disseste que ele tinha... Perdido a memória? Acaba de falar de São Pedro...

- Eu não sei...Ele a pouco deu uma de Bruce Lee em cima do Espi...Não sei o quanto ele lembra...

- E DOEU MUITO!

- ... O que ele disse...?

- ..Não sabia o que era uma maquina de refrigerante... Mas sabia o que era um mortal, não se lembra de Espi...Nem... De mim... E esta respondendo por "São Vicente"

- S-são V-vicente...?! M-mas isso foi há muito tempo!

- Eu sei... Não sei por que ele resmungou de São Pedro agora...

- Talvez esteja recordando de algumas coisas enquanto dorm-

E repentinamente Sampa levantou-se coçando os olhos, e encarando um assustado Espi...

E seu croissant cinco queijos...

São Paulo mexia o narizinho tipo um ratinho, interessado no que Espírito Santo segurava.

- Hãa...Você quer...?

O mais velho balançou a cabeça afirmativamente, totalmente interessado naquilo que cheirava tão bem e familiar.

- ...Ah, claro, ele lembra do queijo... - Colocou o carioca com ódio irônico cruzando os braços.

- ... Talvez... Ele lembre de coisas... Menos mentais e mais físicas... Como um cheiro, um movimento... Ou uma sensação...

O paulista terminava maravilhado aquele lanche, definitivamente aquilo era a melhor coisa do mundo! Ia dar um beijo em Espírito Santo, mas...

- EEI! Não faça isso!

E o maior finalmente voltou-se para a porta, percebendo os outros dois.

- Ooooh, ola...

- OH BLOODY HELL! Os olhos dele!

- É eu sei...

- God! Como isso?! - Paraná deu alguns passos em direção ao velho tutor ao tempo que este o seguia com o olhar curioso - E está vendo perfeitamente!

- ...Eu sei... Muito estranho isso...

- Não é possível que a visão dele seja algo psicológico!

- Vindo de Sampa...Eu não duvido de mais nada...

O paranaense sentou-se na frente do maior, algo inseguro.

Espi levantou-se então, e foi para o lado de Rio de Janeiro.

- ...Papa... Tu não lembra de mim...?

São Paulo observou o menos detidamente, franzindo as sobrancelhas algo desapontado consigo mesmo... Não queria dizer não para aquela pessoa, aquele rosto e olhos redondos...

Ao tempo que o carioca voltava-se a Espi erguendo as sobrancelhas numa pergunta silenciosa que dizia "Papa?! Como assim Papa?!" O capixaba por sua vez deu de ombros sem entender.

O paranaense entrecerrou o olhar triste, ao não obter uma resposta.

- Hãaa... Calma Paraná... - Dizia já em defesa ES, com medo que o sulista se descontrolar de novo.

- Calma... - Repetiu o ex-bandeirante, tomando as mãos de Paraná que as mexia inquietas desde que se sentara e começou a brincar com seus dedos.

- Aah...Verdade... Ele fez isso comigo também... Eu não sei por que...

E ambos parados na porta surpreenderam-se quando o jovem loiro começou a chorar silenciosamente.

- P-papa...!

- ...Ficar calmo... - Tornou a repetir seguindo o gesto.

- ...Paraná...?

- ... E-eu sei que é difícil m-mas...

- E-ele...Costumava fazer isso quando eu era pequeno... E-eu mexo muito as mãos qu-quando estou nervoso e... - Secou seus olhos com a mão do outro ainda sobre as suas

- Fazia tanto tempo que...

Rio de Janeiro entrecerrou o olhar não com ciúmes, mas com tristeza... Chegara a abraçar Sampa mas...O maior ao ver não esboçara nenhuma reação...

- São Paulo pode...Não ter sido o melhor tutor do mundo... Era severo, cansei das tantas e tantas vezes que chegara ferido e quase inconsciente na fazenda em que morávamos... Quantas e quantas vezes tive eu que cuidar de Minas, Mato Grosso, e Rondônia no pouco tempo que ficara conosco..

-...Eu me lembro...- Seguiu o carioca - Então eu ia pessoalmente atrás do paulista e ficava horas berrando com ele por ser um imprudente... - Colocou a Ex-capital com nostalgia.

Tanto Sampa quando Espi se voltaram a ele.

- Aaaah sim, eu tentava colocar Mato Grosso para dormir para ele não ouvir os gritos...Já Minas sempre escapava do quarto...E ele não gostava nada disso...

O carioca franziu o nariz com o quesito Minas, mas não comentou nada vendo ES de canto de olho.

- Mas ainda bem que você ia...Eu era um desastre tentando enfaixa-lo... E quando tu ia embora...Ele estava devidamente enfaixado.

São Paulo abaixou o olhar meio tonto e enjoado, com a vaga sensação de seu rosto quente, ao tempo que via em sua mente como duas mãos tão grandes quanto as suas lhe enfaixavam.

- Mas era tu que limpava o sangue dele...

- Ainda assim

- Eu só não entendo... - Intrometeu-se Santo, por que estava cansado de ficar de lado nesses assuntos - Como esse ser doce a base de açúcar se tornou aquele bandeirante louco e homicida

- Sobreviver... - Suspirou - Eu não o conheci quando era São Vicente... Mas Bahia me contava que... Ele costumava ser assim... Era assustadiço, carinhoso e sentimental... E assim quase encontrou a morte...

Rio entrecerrou o olhar.

- Acho que...É algo parecido com Reo Grande...Ele costumava ser fofo e assustado também...O que ambos passaram... Momentos muito difíceis...Que os fizeram mudar... Eu sei que Sampa pode ser insuportável às vezes, mas...Ele é o que é...E ninguém pode mudar isso...

Sampa tornou a ver o sulista.

- ... Esse é meu medo...Não podemos ensinar SP a ser SP, é por tudo que aconteceu, que ele é assim hoje...Vocês podem estar animados com a perspectiva de transforma-lo em alguém mais fácil mas...

O Paraná soltou um solitário soluçar

- ...Eu sempre acreditei que no fundo...Que os dois eram a mesma pessoas... – Completou o fluminense em voz baixa, e só o capixaba realmente pode ouvir

- Geeente, calmaaa- Exaltou-se Espi - Não falem como se fossem assiiim, eterno...As vezes ele só...Hmmm...Q-quero dizer...

- Calma~ - Repetiu mais uma vez puxando o sulista para perto e bagunçando seus cabelos, quase o sentando em seu colo - Por que choras pequeno...?

O carioca foi abrindo os olhos devagar com essas conhecidas palavras.

- Bagunçava assim o cabelo de Mato grosso, e colocava Minas no colo - Explicou Rio com amargura - É...Ele recorda-se de seus...Importantes pequenos...

- Rio... –Apiedou-se o capixaba colocando uma mão no ombro do menor.

Lembrava-se vagamente agora, dos poucos momentos que vira São Paulo cuidando das Capitanias quando pequenas.

Já o vira bagunçar os cabelos de Mato Grosso, colocar Minas em seu colo enquanto conversavam... Lembrava-se dessas coisas... E ao ver... São Paulo também...

Viu como um rubro Paraná tentava se desvencilhar do colo do maior, que sorria feliz ao conseguir seu objetivo. Acalma-lo, ou quase. Nunca parou pra pensar que era por isso que fazia aquelas coisas... Tentar passar uma calma que o mesmo não possuía, afinal, não podia fazer isso com palavras... O conhecendo, acabaria em um desastre ou com ações concretas, já que também era péssimo em demonstrar seus sentimentos ...

Talvez... Muitas das coisas que o paulista fazia eram assim... E não somente neste caso... Fazer algo que... Fique subentendido... Como uma ideia que existe na cabeça não tem a menor obrigação de acontecer... Isso não era uma música?

Sentia um vão em seu coração vendo o olhar algo perdido do maior frente à explicação de Paraná sobre a situação, São Paulo era como uma concha de retalhos, dos mais diferentes tecidos e cores... E essa concha havia se rasgado em vários e vários pedaços... Alguns retalhos seguiam juntos, e outros se desmembraram... Mas o que seu coração egoísta mais se queixava era que... O retalho pertencente a sua pessoa... Fosse qual fosse seu tamanho, cor, ou importância, seguia desaparecido... E não havia nem mesmo um gesto, uma ação subentendida para alivia-lo desta tensão.

E o pior... Era ver o paulistano tão feliz alheio a tudo isso. Uma parte sua queria simplesmente envolve-lo, protegê-lo de tantas lembranças em sua maioria dolorosas, que o tornaram uma pessoa assim... Tão seca e severa... Tão diferente da pessoa de suas lembranças que... Há séculos atrás era apaixonado, quando nem sabia se o ser que conhecera era humano, capitania, homem ou mulher, nem mesmo conhecia seu nome ... São Vicente... Aquele pequeno carinhoso e afetuoso, assustado, mas valente, sorridente... E expressivo.

Que com o passar das décadas, se autoconvenceu que havia morrido... Mesmo suspeitando que... De alguma forma... Até que a verdade foi estampada na sua cara quando os olhos do maior toram-se azuis outra vez... Mas eram tão absolutamente diferentes que... A total mudança seguia equivalente a ruína daquela criança.

"- Por isso eu não sabia o que fazer... – Lembrou-se dele mesmo, sentado em seu sofá entrelaçando entre os dedos uma fita azul, enquanto contava tais coisas a Espírito Santo, sentando ao seu lado -... Provavelmente foi com a imigração europeia que...Que os olhos dele voltaram...Acho que foi... Entre 1890... Na República da Espada... Estávamos em transição do império né, era uma época difícil...Meio que nossa primeira ditadura... Tudo era tão complicado... E com isso... Eu me senti ainda mais perdido... E...Meio que...Me enfiei de cabeça no meu trabalho, me afastei um pouco de São Paulo por um tempo...

- Você se enfiou a cabeça no trabalho para evitar...São Paulo... – Repetiu Espírito Santo erguendo as sobrancelhas – Isso é tão... N-nossa...

- Eu estava confuso, ta?! Além do que, não foi difícil... Essa transição foi muito complicada e me manteve muito ocupado...

- ...Mas você acha que ele percebeu...? Digo... Que cê começou a evita-lo...?

- Hã?...Duvido... Estávamos todos ocupados... Não... Ele não deve ter notado... Eu fui bem discreto... E se tivesse, teria me questionado sobre...

- Aaaah, claaaro, por que cê é muito discreto, e ele é suuper comunicativo.

- Onde quero chegar é que! – Seguiu tentando ignorar o comentário do irmão mais velho - ... Era tipo...Reencontrar o amor que... Tu não vê há...500 anos

- O que já é muito por si só!"

E ainda assim faltava algo... Os dois eram a mesma pessoa, mas... Quando possuía um, sentia a falta do outro... E vice versa...

Pois... Por mais que este agora a sua frente fosse o São Vicente que se apaixonou há séculos atrás... A ideia de não conviver mais com estressado, língua afiada, bipolar, amante de queijo, seco, grosseiro ...E sexy paulista... Aterrava-lhe.

Queria seu São Paulo de volta! Não importa o quão grosseiro e esnobe fosse às vezes! Ou como era difícil de entender. Queria que São Vicente se lembrasse dele, por mais doloroso que as lembranças fossem... Por que... Essas lembranças eram São Paulo.

O paulistano repentinamente começou a rir, ao ver ou o paranaense explicava muito mal, ou o lado sádico de Sampa já despertara.

- São Pa-...Vicente, falo sério! E...E... Tente se lembrar ao menos de...Bahia?! – Tentava já chegando na 25ª opção de Estados brasileiros.

- Bahia...?

- Hmm...

- Nada...?

- Hmm...

- Nadinha...?

- Hmmmmm

- Nadica de nada?!

- ...Não logro concentrar-me si não paras de questionar-me...

- Ah... Desculpa...

- Não lembro

- HÃ!?

E Sampa soltou mais uma risadinha, esse jovem a sua frente era tão expressivo!

- ...Ela é alta... Pele negra... Olhos redondos...

- Hmmm – A imagem trazida de volta pelas emoções que o carioca lhe proporcionara voltou a sua mente - ...Recordo-me..

- Sério?! – Paraná só faltava dar um salto e ser o primeiro paranaense a chegar à lua. Espi cutucou RJ para que prestasse atenção. – Te recorda?

- ... Creio que sim...

- God! You remember! Remembeeer! Bloody hell you remember!

- ….Hã….- O paulista ladeou a cabeça, aliviado que o paranaense parecia mais calmo - Sim!

- Viiu! Ele lembra!

Espírito Santo suspirou, provavelmente só estava concordando para que o paranaense ficasse mais tranquilo.

- Que mais que você se lembra?!

- Hmmm... Hã...

- Então?!

- ...Eh...

- Paraná! Isso não é um interrogatório! Por favoor! RIO! - Voltou-se ao irmão - Fale alguma coisa!

Mas o menor parecia não prestar atenção, observando distante o paulista.

- M-mas ele tem que lembrar de alguma coisa!

Nesse instante, São Paulo sobressaltou-se quando seu celular vibrou em seu bolso, o tirou devagar um pouco assustado, achando que fosse algum inseto. Dos muito esquisitos.

E o tacou no chão, sem chamar a atenção.

- ...Minas...? - Conseguiu ler nele.

- Minas?! Lembrou-se de Minas?! – Exaltou-se Paraná sem pensar. – Ao menos dele tu lembras!

Espírito Santo imediatamente voltou-se ao carioca, que já se encontrava saindo da sacada com a vista baixa e olhar perdido, cansado e desapontado. Sem saber o que mais poderia fazer.

- Paraná! - Reclamou

- O que foi?! – Respondeu sem entender.

O capixaba, no entanto não fora o único a notar a saída, São Vicente observava com a sobrancelha franzida o gesto, sentindo um desconforto estranho, incomodo, levantou-se, e enquanto Paraná e Espírito Santo discutiam, saiu atrás da ex-capital.

- Espera Sa- Tentou o sulista.

- ...Deixa ele ir Parará – O parou ES – Ele foi atrás de Rio por conta própria e...

"Afinal, Sampa sempre acaba indo atrás dele..."

Lembrou-se do que Minas disse...

- ...É melhor assim... Você deve saber tão bem quanto eu que... De alguma forma estranha e bizarra, esses dois sempre acabam se entendendo.

-... Hmm... Mas não sempre... – Suspirou triste o paranaense observando a saída, estando ambos agora sozinho, sem mais o som de passos se afastando.

- Hmm... Paraná...? - Chamou a atenção algo relutante o capixaba, vendo como o sulista se levantava e tirava a poeira de suas roupas.

- ... Se for sobre Minas, ele esta bem... Já conversamos... Ele... meio que já "botou pra fora" o que estava encomodando-o...

- ...Adianta eu te perguntar o que era...?

- ...Desculpe-me Santo... Não... Se alguém deve falar-te é ele mesmo, converse com ele mais tarde...Só... Deixe ele... Amadurar um pouco as suas ideias...

O capixaba respirou profundamente resignando-se.

- Posso... Perguntar outra coisa...? - Ao ver que o jovem loiro lhe prestava atenção seguiu - Hmmm... Eu não imaginei que...Eh...E Sampa fossem assim tão...Ligados... Quero dizer, já vi ele algumas vezes passando café por debaixo da mesa pra ti...Mas... "Papa"?! Isso eu nem imaginava!

- Ah... Isso... - Desviou o olhar ruborizando-se numa velocidade não-humana! -... N-não costumo... Fazer isso...C-com frequência... Hmmm...

- Aah... Sei... É tipo... Aquela cartada pra pedir um favorzinho...? - Ergueu uma sobrancelha tentando quebrar o gelo.

- É-é tipo isso e... N-não! Q-quero dizer... Eu o chamava assim quando...Pequeno..

- Hmm...

- Eu...Bem...Fui o premero que ele encontrou e-e-então – E continuava ruborizando-se mais se possível – E-ele meio qu-que me tratava mais...P-por filho d-do que p-p-por irmão...

- MINHA NOSSAA! – Berrou surpreso o ítalo-brasileiro, fazendo o paranaense chegar numa cor que qualquer médico o mandaria direto para a ala de emergência. – D-desculpa minha surpresa...Mas é que... Eu via até que bastante Sampa quando bandeirante... Por causa de Bahia...Mas... Ele só levava Minas...

- Sim, era realmente muito difícil eu ir junto, sempre ficava fechado dentro da fazendo - Disse como se nada, vendo que o celular do paulista encontrava-se no chão.

- HÃ?! Tipo...Trancado?!

- Algo pelo estilo

O capixaba o observava de boca aberta, certo que... Certo que ele nunca foi uma província muito sociável, mas ainda assim... Isso era demais!

- Pensei que você tinha dito que Sampa era um bom tutor! E não que ficava prendendo você!

O paranaense depois de recolher o aparelho do chão levantou-se e franziu a sobrancelha para o capixaba. Entendendo então o problema.

- ...Ah... Tu dizes sobre isso de eu ficar na fazenda...?

- Claro!

O paranaense deu uma risadinha algo forçada indicando o banco daquela sacada para que ambos pudessem se sentar.

- Veja bem... Ele tentava sempre que possível ser bom conosco ainda mais por que... Sabia que feria nossas terras... E nossos antigos nativos com suas ...Bandeiras. Não posso dizer que fomos uma grande família feliz, mas... Ao menos tentamos, os tempos eram difíceis...

- Mas te prender...

- Eu meio que sempre vivi no meio do fogo cruzado. Hoje com as intermináveis discussões de Sampa e Reo Grande... E antes... Pela disputa de terras... Entre Portugueses e Espanhóis... A divisa da conquista dos dois reinos... Não podia simplesmente ficar passeando por ai...Tive problemas com isso até mais de 1800...

- Ah...Eu...Hm... - Não sabia exatamente o que dizer, era meio desconfortante muitas vezes não saber com exatidão a história um dos outros.

- Eu ficava com a guarda na fazenda, ou sob os cuidados de São Pedro, que também era especialista em lidar com os espanhóis, se é que me entende - Deu um sorrisinho tétrico que rapidamente o do sudeste captou a ideia afastando-se um pouco - ...Então, eu sempre cuidava de Mato Grosso e Minas na ausência de Sampa, e de Rondônia o pouco que ficou conosco.

- Isso explica muita coisa... - Resmungou baixinho - Ah... Mas...Desculpe... Por que Minas estava sempre com ele...Você sei lá...Nunca teve raiva dele por poder...Sair assim e ... Você não?

Afastou-se ainda mais, sabia que perguntava demais e provavelmente de coisas absolutamente pessoais mas... Seu 'diretismo' capixaba era mais forte que seu bom-senso!

Não que tivesse realmente um bom sendo... Bom...

- ...Raiva é uma palavra muito forte... - Comentou fazendo círculos invisíveis sobre a maça comida do celular do paulista - Inveja...? Sim... Ainda mais quando criança é meio impossível não ter... Mas eu entendia...Já presenciei conflitos quando transitávamos por territórios... E os danos que isso tudo causava... Nele e em mim... Então eu entendia... Mas isso dificultou muito sobre conseguir minha...Independência dele, ele achava que eu era muito frágil...

- Hmm... –" Eu também achava" Pensou o capixaba levantando-se e pegando um refrigerante na maquina que ali se encontrava, tentando digerir melhor esta história. Paraná era sensato... Era bom saber que no País existia alguns, e ainda por cima desde pequeno.

- ... E Minas sempre foi uma criança absolutamente levada, ele fugia por entre as pernas dos guardas da fazenda...

E Espírito Santo cuspiu todo o refrigerante, que por pouco não atingira PR.

- O QUE?!

- Já escapou cavando também... Ah! E uma vez por um lago, nessa, eu tive que ir atrás dele por que Sampa não sabia nadar

- Céus...- Tornou a sentar-se descrente - Então... São Paulo era obrigado a leva-lo...?

- Aaah não, ele começou a fazer isso depois de Sampa começar a leva-lo para os lugares, era meio que pra ter certeza que ia.

- Hã?! Como assim?! ...Não entendi

Paraná respirou profundamente relutante.

- Minas nasceu com pele mais morena

- Sim, e dai? - Não entendeu o ponto.

- Em meio a uma época de escravidão, e ainda aos cuidados de um bandeirante, que estava cercado dos maiores comerciantes de escravos da época. Mesmo mulato, um menino forte e saudável... Não foram poucos os que o queriam como escravo...

- Ooh... - E sua ficha caiu.

- O meu problema era "externo" entre reinos e divisas... O dele era qualquer pessoa que estivesse a seu redor, mesmo ele sendo especial... Ainda era uma criança... Não seria difícil alguém toma-lo e negocia-lo como escravo... Ainda mais com a falta de mão de obra que o movimento de Holanda sobre a África causou... Bem sabe que nossos nativos não bem serviam os portugueses... Enquanto era pequeno, era um alvo muito fácil...

Paraná virou o celular, vendo que havia uma mensagem de Minas Gerais.

- Foi por isso que colocou Minas aos cuidados do mais temível que existia naquela época. Ele mesmo... Uma vez Sampa ficou preso por um mês por quase matar um homem que ofereceu... "compra-lo" dele...

- Noossa... E como o desgraçado não morreu?!

- Aaah, ele morreu

- Hã?!

- Parece que um 'dos homens de Sampa' o matou por vingança, algo assim - Deu de ombros - Mas não fala isso pra Minas não, melhor.

- C-certo...

- Mas talvez... No final... Criar Minas dessa forma...Tenha sido pior...

- ...Como assim?

- ... Ele acabou...Hmm... Meio que se apegando...Demais a Sampa... E...Sabe, essas - " E se apaixonando por ele" seguiu em pensamentos, por que não era bobo e muito menos cego, sabia e bem que o capixaba tinha uma queda...Um verdadeiro tombo pelo mineiro. - Estar sempre do lado de Sampa...

- Oooh...Entendi... - Concordou desanimado observando a latinha em suas mãos.

Paraná abriu a mensagem em que se lia apenas "disculpa...". A peça já estava montada depois disso...

Mesmo depois de Minas crescer, tornar-se uma província e conseguir proteger-se sozinho... Queria continuar a estar perto do paulista, receber sua atenção, ser parte do que o outro fazia. Ser alguém especial.

Embora existisse uma difícil "barreira" a ultrapassar. Uma Capital que já possuía este lugar.

- ... Eu queria ter... Feito parte de tudo isso... - Resmungou o capixaba, enquanto soltava distraidamente o lacre da latinha - Enquanto minha região se formava... Eu pertencia à outra... E acabei voltando de gaiato..

- Eu sei como você se sente...Sério - Respondeu a mensagem com um ":D " para poder tranquilizar o mineiro. - .. Eu fui o último a ingressar na região sul... Não é a toa que muitos achem que eu seja o caçula...

- Sériio?!

- Hehe... É verdade...E... Sabia que um dos meus nomes já foi "Espírito Santo"?

- Hã?! SÉRIO?!

- É! Vila Rica do Espírito Santo, mas na maior parte do tempo fui Curitiba, e depois tu já sabe.

Em sua animação, o capixaba deixou escapar a lata que segurava em mãos que rolou no chão até parar, com os dizeres "Quanto mais São Paulo melhor" apontado para o corredor.

Paraná já sentia-se mais tranquilo... Torcendo internamente para que Rio de Janeiro conseguisse algo mais do que ele...

Sorriu de lado, e se alguém podia algo com São Paulo, esse era Rio de Janeiro.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

Sentia-se simplesmente horrível... Era como se uma mão envolve-se seu coração e o apertasse como se quisesse sufoca-lo. Não respirava com precisão... Sentia-se tonto... Perdido...

Não sentia ciúmes nesse momento... Sentia-se outra vez um inútil na vida de uma das pessoas mais importantes da sua!... Como fora para São Paulo depois da revolução... Um inútil...

Tão desorientado estava que nem sequer notou como passos incertos o seguiam pelo corredor.

Era assim... Que São Paulo sentiu-se quando...Não o reconhecera?! Quando não notou que aquele bandeirante agressivo era a pessoa que procurava?! Arrasado que tudo que viveram juntos...Simplesmente fora esquecido?

Sentia-se uma vez mais a pior pessoa do mundo.

Quando um passo seu foi interrompido, quando pela segunda vez naquele dia, uma mão o envolveu e parou seu caminho. A mesma mão que a primeira vez.

- Espera! A-adonde vás?!

Sentiu seu coração dar um salto, e fechou sua boca para o caso de seu coração tentasse escapar.

- T-tu...Me... Seguiu...? - Questionou ainda de costas.

- ...Eu não sei por que saíste...

- ...Pediram para tu ir atrás de mim...?

- ...Não...

- ...Então...Po-por que...?

- ...- O paulistano fez uma pausa antes de responder, entrecerrando os olhos em genuína duvida - ...Eu não sei...

O carioca não se virou... Seguiu imóvel, tentando tranquilizar seu pulso, sua respiração.

- ...Por algum motivo... Eu só... - Seguiu o paulista meio incerto sobre dizer isso ou não - ... Não queria que fosse embora...

Rio virou tão rápido que assustou o paulistano, e provavelmente causou um torcicolo futuro.

- ...P-por que eu sou mu...muito importante para você...? - Questionou com o que acreditava que ia dizer o paulista a primeira vez que o parou... Antes de serem interrompidos e envolvidos em toda essa situação.

Era quase como voltar no tempo, um Deja Vúu se Rio soubesse francês, em pensar que... Pouco mais de algumas horas lamentava todas as mudanças, e contrastes da personalidade do mais velho... E agora... Só queria tê-lo de volta, com suas esquisitices e manias... Com suas dolorosas e boas lembranças. Queria São Paulo e todo seu avesso ser...

São Paulo franziu as sobrancelhas em dúvida.

- ... Eu não sei...

- Mas tu me seguiu...

- Por que saíste - Seguiu como se fosse óbvio, mesmo sem querer. E ao continuar recebendo o olhar fixo do carioca, desviou o olhar incomodado, e sentindo um frio estranho na barrida. Talvez ainda estivesse com fome.

- Hmm... - Rio de Janeiro também desviou o olhar batendo levemente a cabeça contra a parede, apoiando-se na mesma. - ...Eu não sei o que fazer...

- ...Desculpa...

- ...Não é culpa sua... - Passou as mãos exasperado pelos cabelos.

- ...Eu queria...Lembrar... - Entrecerrou o olhar, ver o outro naquele estado lhe dava uma sensação de incomodo, perturbação.

Mas não como no jovem loiro...Diferente.

- ... Eres... Diferente...

- ...Diferente ...Como...?

- ... Eu não sei...

-... Tem algo... Que tu sabe...? - Perguntou tentando ao máximo não parecer rude.

Em vez de uma resposta, Rio de Janeiro sentiu, e era como se uma carga elétrica corresse por todo seu corpo quando sentiu os braços do mais velho envolverem suas costas em um inconfundível abraço. Abobando-o completamente.

Ainda mais com o que se seguiu.

- Rio...Calma-te... Eu estou aqui.. - As palavras pulavam de sua boca, como se não fosse ele mesmo que as dissesse. Apoiou o queixo no ombro do menor - Rio...

- TU DISSE O MEU NOME! - Exclamou deixando escapar algumas lágrimas, virando rapidamente o paulistano e o abraçando-o de frente.

Não lhe importava no momento se o dissera por que Paraná, ou Espi o contara, ou deduziu de alguma forma, era especial, era diferente.

Ignorando uma vez mais o fato de que a mente do mais velho estava confusa, e que mal lembrava o que era um beijo, tomou seu queixo e roubou seus lábios deixando o mais velho sem alento pela surpresa.

São Paulo fora pego de absoluta surpresa, abrindo os olhos como pratos, enquanto seu corpo e mente entravam numa difícil discussão. Sua memória física bem sabia o que era um beijo, até demais, mas sua cabeça não computava o que estava acontecendo...Então não sabia como mexer-se sentindo como a língua contraria invadia sua boca.

E seu corpo frustrado de não conseguia tomar nenhuma ação, recorreu as mãos do paulista, que agarraram com possessão as costas do menor, sem qualquer autorização de sua cabeça. Sentia-se enjoado, e completamente bem! E estava ficando definitivamente sem ar, tonto, mil imagens passavam na sua cabeça, aquela sensação tão familiar em sua boca, aquele beijo tão desesperado, seu corpo vibrava, sua mente entrava em curto.

Seus olhos começaram a voltar-se para cima, ao tempo que iam se entrecerrando totalmente tontos pelas sensação prazerosa, e seus pulmões já protestavam fervorosamente, por isso uma das mãos começou a tentar afasta-lo, sem sucesso.

Sua mente parecia uma montanha russa em loop infinito, o gosto, a sensação, o calor, sentia que ia enlouquecer, sentia-se perdido, e ainda assim que estava no lugar certo, mas precisava de ar.

- Ehém... - Rio sobressaltou-se se afastando na hora do paulista, ainda tendo que o segurar para que o mesmo não escorregasse pela parede.

O paulista deu uma baforada como se não respirasse há séculos, e talvez fosse sua imaginação, mas o carioca tinha quase certeza de ter escutado um "idiota" daquela boca, ainda tentando não escorregar com o olhar algo sufocado.

E Rio de Janeiro deu de cara com Paraná, de braços cruzados e um olhar tetricamente euro-asiático, e Espírito Santo, que batera a mão contra a testa incapaz de acreditar na capacidade de seu fratello.

- E-e-eu po-po-posso ex-explicar!

Antes que Paraná pegasse alguma arma russa de algum lugar místico, ou tirasse um soco inglês do bolso, Espi com muita coragem entrou na frente do irmão.

- ELE É UM IDIOTA! Impulsivo! Inconsequente! Imprudente! Mas não é uma má pessoa e realmente gosta de Sampa! Por favor não o trucide! - E por via das dúvidas puxou sua arma para o caso de uma recusa.

Odiava sua p*ta impulsividade, e essa p*ta coisa de irmão mais velho, se pensasse bem, Rio de Janeiro se sairia muito melhor numa briga com Paraná do que ele e seus 1 metro e 64! ONDE ESTAVA COM A CABEÇA!?

O sulista deu um sorriso milimétrico, que nenhum dos dois conseguiu notar, respeitava um movimento assim, em prol da família, por mais idiota que essa fosse... E virou-se para São Paulo que passava a mão pela cabeça como se estivesse com enxaqueca. E de volta para Rio de Janeiro, que observava o irmão mais velho atônito. E internamente ES tremia mais do que vara verde.

- ELA ESTA INDO PARA AI!

- TCHE! QUE MENINA É ESSA!

- VISSE CEARÁ VAI PRU OUTRU LADO!

O som de pessoas colidindo e muitos palavrões encheu o ar.

- Parece que ainda não pegaram a criança - Seguiu Paraná casualmente como se todos estivessem sentados numa mesa tomando café.

Quase em seguida, viram uma pequena silhueta aproximando-se em passos rápidos.

- PAPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

E como se fosse à câmera lenta a pequena deu um salto caindo com tudo sobre o paulistano que tinha acabado de conseguir levantar, fazendo-o perder o equilíbrio e cair em direção à escada. Rio de Janeiro que era o mais próximo, por muito pouco conseguiu agarrar o braço do paulista, e fazendo quase uma bola para proteger ambos, acabou fazendo os três rolaram escada abaixo.

- BLODDY HELL!

- AAAAH! NÃAO! DOIS NÃO! MALDICIONE!

- Ô pai ô! - Exclamou Bahia que fazia as buscas no andar de baixo, aproximando-se apressada do grupo. - Cês táo bém?

Rio de Janeiro levantou-se rápido notando que por azar São Paulo ficara por baixo, mas a criança em compensação parecia bem, assustada, mas bem, voltou-se para o paulistano, este trazia os olhos fechados e uma expressão de dor no rosto.

- Bahia, vê se a criança se machucou em algum lugar - Delegou Rio de Janeiro sentando-se ao lado do maior.

Sem questionar a mais velha levantou a menina devagar, vendo de relance o paulista.

- Ei, ei...Acorda... - Não queria chama-lo de São Vicente assim, na frente de Bahia, teria muito que explicar. Deu uns tapinhas no rosto do maior, se posicionou novamente em cima dele para analisa-lo melhor. - Vaamos, não nos assuste...De novo!

Ignorando a baiana olimpicamente deu um pequeno selinho no paulista, achando-se ô príncipe da Bela Adormecida, ou simplesmente mantendo seu vício recém-adquirido, em seguida voltou a dar tapinhas em seu rosto.

- ...Ela esta bem... - Respondeu Bahia com as sobrancelhas franzidas com a cena... Será que tinha perdido alguma coisa...?

- Rio...

- Sim! Sou eu!

Paraná e Espírito Santo já observavam tudo da escada, aflitos.

- Cê ta bem Rio?!

- Ele esta respondendo?!

- Está!

Bahia apenas observava a cena calmamente, com a sobrancelha erguida, enquanto tentava acalmar a menininha que se debatia em seu colo.

- ...Rio...

- Sim, o que tu quiser... - Disse aproximando-se do rosto do maior para melhor escuta-lo, afinal falava num fio de voz. - Dói algo?! Consegue respirar!? Quantos dedos tem aqui?!

- Rio... - Respirou fundo abrindo os olhos algo mareado, e confuso - Tira essa bunda gorda de cima de mim...!

Os três Estados ali presentes suspiraram aliviados, e Rio simplesmente tacou-se definitivamente em cima do maior para abraça-lo e distribuir beijinhos por seu rosto, esfregando sua bochecha com a do maior, ao tempo que Paraná reclamava para dar-lhe espaço para respirar, e Espi guardava a arma com lágrimas nos olhos agradecendo o fato de ainda estar vivo.

São Paulo apenas via pontos rosas e laranjas sobrevoando no céu, enquanto um urso marinho tentava sufoca-lo, e um cachorro branco imaginário de asas dançava ao seu arredor. Ok, nada mais de bebidas inglesas, nunca mais!

E nada fazia realmente muito sentido.

Bahia seguia observando com cara de paisagem, essa situação era quase tão estranha quanto quando encontrou Sergipe amarrado a um ventilador de teto...

E quando o sushi gigante, com o qual SP sempre sonhava quando comia chocolate antes de dormir, lhe avisou que devia levantar-se antes que os demais Estados chegassem, o paulista ficou verdadeiramente em pânico.

- O QUE ESTA ACONTECENDO AQUI?! – Berrou Brasília aproximando-se da cena junto com Pará, Rio Grande do Sul e Pernambuco, que arfavam cansados, passando a mão na testa onde tinham acertando uns aos outros na colisão.

Rio de Janeiro que havia caído na real. Lê-se levado um beliscão de Paraná, tinha conseguido sentar o paulista com a ajuda do sulista, ambos fazendo cara de inocente.

- A menina derrubou Sampa da escada – Respondeu rápido antes que os outros dois Estados dissessem alguma burrada.

- ESSA CRÍA É UM MOSTRO!

- ATÉ MESMO DEU W.O NU PAULISTA!

- EU SOU AFAVOR DE AMARRA-LA AGORA!

E a menina assustada de tanta gritaria conseguiu enfim soltar-se da baiana, porém rapidamente foi capturada pelos fortes braços do urso mari- Rio de Janeiro.

- Como vocês tem coragem de tentar algo com uma criançinha tão fofa e adorável?!

Silencio total e absoluto, até mesmo por parte da criança, e todos os Estados presentes observavam com as sobrancelhas ao teto como o carioca, que há poucas horas atrás parecia querer atacar a pequena com o olhar, a abraçava junto a um semi-consciente São Paulo.

Bahia foi a única que sorriu de lado.

- Vocês deviam é ter vergonha de tratar assim uma criança! – Alegava a pessoa mais sem moral do mundo para tal, além do que, passara metade do dia 'atacando' uma quase-criança.

Mas tinha moral suficiente para, entrecerrando o olhar de forma perigosa, informar os Estados mais velhos do perigo iminente.

- Ah não Eli vai começá o sermão di capital – Resmungou Pernambuco para Pará.

- Dê novô?! Eli nunca vai supérá issu?! – Seguiu o paranaense.

- Bater em retirada? – Propôs o gaúcho em tom baixo para os outros dois.

Os três confirmaram com a cabeça aceitando este como o melhor plano, e aproveitando Brasília como distração escapuliram pelas escadas. E de lá cada um seguiu um caminho diferente, PE ainda encontrou CE no meio do caminho procurando-os e o levou longe dali em cima do ombro como se o estivesse raptando, sob os protestos de um não tão irritado cearense.

Na cena, Rio de Janeiro já escandalizava a pelo menos um minuto, para um lacrimejante brasiliense.

- Uma verdadeira lastima! Que diria nosso pai ao souber que perdemos absolutamente um dia INTEIRO a causos de uma criança! Batendo-se uns nos outros, e danificando patrimônio privado! TU Brasília devia encarregar-te de que algo assim não ocorra! Minas Gerais acertando Estados da MESMA região e os deixando inconsciente! Inconcebível!

Por algum estranho motivo a criança ficara repentinamente quieta nos braços do carioca, achando esses gritos muito familiares.

- D-d-desculpa...! – Quase estava ao ponto de chorar Brasília, assustado com a postura severa do mais velho.

- Exijo uma espécie de punição a tudo isso! Vamos ter que levar São Paulo a medicar-se devido a Estados que saíram do SEU controle!

E no que tomou tempo para respirar e tomar fôlego, Bahia entrou na frente do Distrito Federal.

- Táis solicitações seráo concebidas Sr. Ex-capital – Colocou Bahia em tom de aviso, cruzando os braços, e entrecerrando o olhar, num conflito invisível de ex-capitais – Ti aconselhu cuidá di Sampa, e posicionar-si depois.

O fluminense respirou fundo, acalmando-se, passando a mão pelos cabelos sob o olhar atento da baiana.

- Ta.

E dito isso deu as costas aos dois e voltou-se ao paulista, não antes da menininha mostrar a língua para um pasmo Brasília.

- Calma... Ta tudu bem Bra – Sussurrou Bahia agachando-se um pouco para ficar na altura do menos – Deve té acuntecidu algo sériu cum Sampa prá Rio ficá assim, vamus falar cum ele depois, ta?

- T-ta... – concordou algo trêmulo.

- Agora Rio, achu qui cê concorda qui o melhô é léva-lu a um médico... – Seguiu a baiana passando a mão na cabeça da capital.

- Tem uma ambulância lá fora... – Completou Paraná adiantando-se até Rio para ajudá-lo a levantar o maior.

- ...Eu já vou leva-lo... Sampa... Tu sabe quem sou eu...? – Sussurrou na orelha do maior que o observou meio tonto.

- ...Rio de Janeiro...

O carioca sorriu inevitavelmente.

- ... Em que ano estamos...?

- ...1975...?

Franziu as sobrancelhas com a resposta, Paraná também e Espírito Santo a essa altura já abandonara o recinto atrás do paradeiro do seu mineirinho.

- ...Quem é o presidentAA?...- Tentou dar uma dica

- ...Elizabeth...?

- ...Certo...DEFINITIVAMENTE ele ainda não ta bem... – Colocou Rio vendo os demais, e no entanto, com um sorriso no rosto que dizia algo como "F*da-se, ele lembra de mim".

- Piiiiirolito que bate bate~ Pirolito que já bateu~!

- .Deus – Brasília arregalou os olhos, Bahia ergueu as sobrancelhas.

- Batatiiinha quando nasce esparrama pelo chão~ Um, dois, três indiozinhos~!

-... Isso que significa pirar na batatinha... – Conclui sabiamente o carioca, observando o paulista de olhos fechados com a cabeça confortavelmente sobre o peito do menor.

- Quem manda nela sou eu~

- Eu vou chamar os socorristas! -Saiu alarmado o paranaense abandonando o grupo.

- ... Pasta~~~~~!

Menos de cinco minutos depois, o paulista estava sentado na maca da ambulância, por que sua cabeça doía o suficiente para nem conseguir se deitar, novamente apoiado sobre o carioca que encontrava-se ao seu lado, depois de lançar um olhar mortal a um enfermeiro que disse que não poderia ficar ali...

- O QUE RAAAIOOOS ACONTECEU COM SÃO PAULO?! – Berrou Brasília recuperando toda sua capitalzisse.

- Senhor! Por favor! Não grite! Pode perturbar o paciente...Ainda mais... – Pediu novamente Rodrigo, o pobre enfermeiro.

- Looonga história...

- Hmm~ Queijo~

E ao ser absolutamente ignorado, o enfermeiro foi verificar o pulso do paulista, tentando ignorar esse bando de loucos. Logo o hematoma em sua cabeça, e ido conversar com o motorista. Ao ver não era nada grave, mas ainda tinham que buscar mais cinco pessoas que se machucaram dentro do prédio.

Entre elas os gêmeos Mato-Grosso que começaram a se espancar ao não entrar num acordo, Minas por razões paranaenses, Paraná por razões mineiras, e a jovem que o paulista tinha entregado a criança.

Aaah, sim, a criança fizera um estragos... Ou talvez apenas os Estados...

- Até parece que ele bateu a cabeça!

- Aaaah! E bem forte! Mais de uma vez ainda!

- E... Hã?!

- Looonga história, eu já disse. Será que vocês não podem perguntar isso diretamente a Minas?

- Como é!? Qual o problema de VOCÊ nos explicar o problema?!

- Eu quero ficar a sós com ele – Foi direto ao ponto, fazendo sem perceber Bahia dar um verdadeiro sorriso de ponta a ponta.

- Mas!

- Vamos embora Brasília...

- M-mas!

- Vamus meu rei... – Disse com um pouco mais de firmeza – Deixi os dois a sós... Minas vai nus explicá o que aconteceu...

- E esta menina?! – Colocou infantilmente como quem dizia " Por que ela pode e eu não?!"

- Ela pode ficar... – Comentou passando a mão na cabeça da pequena, que dormia cômoda em seus braços.

- Como ela perdeu o medo de você assim de uma hora pra outra?!

- Eu sou f*da. Além de ser um exímio na arte de cuidar de crianças! – Colocou extremamente ególatra jogando o cabelo para trás e tudo, com direito a pose e vento na hora certa.

E Bahia merecia um prêmio por ter conseguido segurar o riso frente a tal..."Verdade"...

E mesmo contrariado o brasiliense assentiu, sem notar a piscadela que a nordestina dera a ex-capital, que fingiu não ter notado.

- Eeeeentãooo... – Recomeçou o carioca quando estavam enfim a sós passando carinhosamente os dedos sob o rosto do maior – Tu lembra mesmo de mim...?

- ... Que pergunta idiota... – Resmungou como resposta, inconscientemente aconchegando-se mais sob o tórax do fluminense - ... Rio, meu...Vizinho idiota... A muitos anos...

- É... – Concordou tirando alguns fios de cabelo do rosto do moreno – Anos demais...

- Hmmm...

E suavemente uniu os lábios de ambos sem tocar a cabeça do mais velho.

- Por que cê me beijou?! – Exaltou-se mais ou menos.

- ... Por que é viciante – Respondeu simplesmente delineando aqueles lábios com os dedos, fazendo o mais velho ruborizar-se e desviar o olhar apenado.

- Idiota!...N-não lembro de...Ter te dado permissão pra isso! – Comentou embora não parecia realmente muito contrariado

Rio de Janeiro apenas sorriu mais com essa resposta, tornando a beija-lo, dessa vez em sua testa, como o mesmo paulistano fazia, fazendo-o ruborizar-se cada vez mais pelos atos estranhamente carinhosos do mais novo.

-...Argh...Me sinto enjoado...

- Talvez tu esteja esperando ilhinhas? – Sugeriu com um sorriso malandro no rosto. – Saiba que eu posso ser um ótimo pai!

- HÃ?! – Voltou-se assustado – Aii, minha cabeça...

- Nada~ Então... Vou direto ao ponto...

- Hmmm...

- ...Eu...Hmmm... Queria te dizer isso...Já a algum tempo...Eu estava tentando achar... A melhor oportunidade e ...B-bem...

- Achei que cê ia direto ao... Ponto – Resmungou amaldiçoando-se pelo peito do carioca ser tão confortável.

- ... Certo... – respirou fundo...E mais uma vez...E logo outra...

- E...?

- TuQuerSairComigo? – Disse de maneira rápida e atropelada – TipoUmEncontro!

- Hmm...Ta... - Resmungou sem entender realmente, só para o carioca ficar quieto – Pode ser...

Rio de Janeiro, no entanto não se mostrou triste pela resposta desanimada, muito pelo contrario, sorriu triunfante e maroto.

- Então~ No dia do meu aniversário... Vamos ter um encontro...Não uma saída pra um boteco ou algo assim! Algo mais...Romântico~

- Hmm... PERA O QUE?! – Virou-se esquecendo da dor latente e abrindo os olhos como pratos.

- Perdeu prey boy – Brincou tomando o queixo do paulista – Tu já topou~

E se conteve por pouco de dar outro beijo de língua nos lábios entre abertos e pasmos do paulista.

Então... Teriam um encontro...

- SÓOOOOOOOOOFIIIIIIIIIIIIIIII IIIIIIIIIIIIIIIIIIIAAAAAAAAA AAAAA!

Uma mulher vinha correndo a todo o vapor em direção aos dois que se sobressaltaram.

- SÓFIA! SÓFIA! – A menina que acordou repentinamente pulou dos braços o carioca e correu em direção de uma belíssima mulher loira – Meniiina! Tu quase me deu um infarto!

Com um carregadíssimo sotaque carioca...

A menina observou do Rio de Janeiro à jovem, e dela de volta para o fluminense.

- Ta zuando que ela acha que eu pareço à mãe dela?! – Colocou assim que Paraná e Espírito Santo, algo choroso, saíram em direção à ambulância também.

- Szerelmem. Ez oké? – E logo um homem evidentemente estrangeiro, que fez todos os presentes erguerem a sobrancelha.

Era como a cópia fiel e autenticada de São Paulo..Até óculos meia-lua usava!...Só que de barba... E húngaro.

E outra vez a menina olhou confusa do paulista ao europeu.

- ... Meu Deus...Sampa tu até que ficaria bem de barba...!

- CALA A BOCA!

- Pensando bem, por alguns instantes ela foi tipo nossa filhinha~

- MAIS UMA SILÁBA QUE SAIR DESSA SUA BOCA CÊ QUÊ VAI ENTRAR NESSA AMBULÂNCIA!

E em vez disso, o carioca apenas tornou a beijar o mais velho, fazendo o possível para não fazer som.

- SENHOR! Por favor deixe o paciente respirar!

- Köszönöm! Köszönöm! Köszönöm! – Agradecia o rapaz.

- Aiii! Filhinha tu quase matou a mãe de susto! Obrigada moços! – Abraçava desesperada agradecendo aos Estados por terem informado a polícia.

- PapaS! MamaS!

E a bagunça foi absolutamente instalada, envolvendo enfermeiros, cariocas grudentos e cariocas que berram, crianças perdidas...

Mais um dia completamente normal para os Estados do Brasil, claro.

- Santo... – Chamou o paranaense observando atentamente como Sampa chutava o estomago da ex-capital e acertava o enfermeiro no seu lugar.

- ...Oi...? – Questionou já temendo o pior.

- ...Depois fala pro Reo, que se de alguma forma ele fizer papa sofrer de novo...- Afiou o olhar, e o capixaba deu dois passinhos para o lado. – Eu pessoalmente o castro... Entendeu?!

- Que desperdício!

- Que fique bem claro. ENTENDEU?!

- S-s-sim senhor!

E faltavam pouco mais de uma semana para o fatídico encontro...

- PAPAAA~


Pampaaaaaaaaaaaaaaaam~

AAAARGH! Me esforcei para fazer um capítulo menor e...FICOU MAIOR MALDIÇÃO! MAAAIOOR! AAAAAAAARGH!

-.- Droga...

Mas eu tenho uma boa notícia para vocês! O capítulo 19 já tem data de postagem! Anotem ai no seu calendário!

03/março!

Me digam suas opiniões, façam suas perguntas! O final esta chegando geente ;D