TEPT – Capítulo 32
"Será apenas um adeus?"
PDV BELLA
Eu sabia o que estava vindo. Eu sabia desde o dia em que assumi para mim mesma o que sentia por Edward.
E, desde que eu faço parte de uma geração que pesquisa até mesmo os remédios que vai tomar ou as doenças que pode ter, eu obviamente havia "googlado" sobre a atitude que um médico deveria ter ao descobrir que uma paciente estava apaixonada por ele.
Ele tinha todo o direito – Além de obrigação moral e ética – de indicar outro médico que pudesse dar continuidade a meu tratamento, desde que fornecesse todas as informações que tinha sobre minha condição.
Nada mais fácil do que me indicar para James que, como assistente durante grande parte da tese de Edward, já tinha conhecimento e acesso a tudo.
Dessa forma, Edward não precisava nem mesmo de algum tempo até se desligar do meu caso. Tudo estava pronto.
Eu sabia o que estava vindo durante todo o tempo. Mas um dos maiores motivos pelo qual eu nunca havia tido coragem de dizer a ele o que sentia, era exatamente porque eu sabia, mas não estava preparada.
O aperto em meu peito anunciava que eu precisava fazer alguma coisa.
"O medo não pode te paralisar, Bella".
O medo de perdê-lo me impulsionava a lutar.
Mas eu não sabia nem mesmo até que ponto James sabia das coisas e muito menos até que ponto era prudente que ele soubesse.
- Edward... Será que nós podemos conversar em particular? – Eu implorei, procurando por qualquer sinal de emoção em seu rosto, mas ele estava as escondendo muito bem.
- Não creio que seja prudente.
- Por favor, Edward! Eu preciso me explicar...
- Bella, não creio que seja prudente. - Edward repetiu, mantendo seu tom apático e inflexível. - Além disso, James é seu médico agora. Você não deve ter segredos com ele.
- Porque você está agindo desse jeito comigo? – Eu perguntei, chocada. Edward sempre havia sido tão doce e, de repente, ele estava me afastando sem qualquer lamentação.
- Bella, eu estou agindo como devo agir. Se há algo que você queira conversar, devemos tratar o assunto na frente de outras pessoas, para que não surja qualquer mal entendido.
- Eu não vou te causar problemas, Edward. – Eu soltei o ar que nem sabia que estava prendendo. – Eu sei que a culpada sou eu.
- De toda forma, as coisas ultrapassaram o limite do que é ético, Isabella. Eu preciso me afastar do seu caso. Nossa relação médico-paciente está comprometida. E isso é prejudicial a seu tratamento.
- Você nunca será prejudicial a meu tratamento, Edward...
- Além disso, eu não posso me arriscar a comprometer a Clínica Cullen em um possível processo.
- Eu não vou te processar! - Eu me exasperei com sua ideia absurda. - Porque você está pensando nisso? Eu não vou fazer isso com você! Nem com a Clínica! Jamais!
- Então fique aqui. – Ele assentiu calmamente. - Aceite o tratamento de James.
- Deixe que eu me explique, pelo menos. – Eu insisti mais uma vez.
- Não é necessário, Bella. Quanto menos expandirmos este assunto, melhor será. – Ele me sorriu um sorriso triste e cansado. – Eu preciso ver um paciente. Você pode tratar qualquer assunto que seja com James. A partir deste momento ele estará disponível para atendê-la, seja nas sessões ou pelo telefone, em casos de emergência. E, caso ele ache necessário, ele mesmo designará um assistente para quem você também possa ligar.
- Então... Eu não devo mais te ligar? – Deus, eu quero morrer. E meu peito está tão apertado que eu estou com medo de realmente sufocar.
- Eu estou me desligando de seu tratamento. – Ele assentiu novamente, como se isso explicasse tudo. E, de certa forma, realmente explicava. – Com licença.
Enquanto Edward se levantava da mesa e deixava a sala, eu comecei a ouvir um choramingo baixinho. Eu não sabia se era meu ou se eu estava ouvindo outra pessoa.
"Mamãe?" – Eu ouvi minha própria voz, ainda criança, assustada com alguma coisa.
"Não!" – Mamãe gritou desesperada.
- Bella? – A voz de James me puxou um pouco para o mundo da realidade e eu fiz o possível para me prender a ele. – Querida, vai ficar tudo bem.
Mas quando eu puxei o ar, ele simplesmente não veio. Assim como quando eu era criança e fui tratada de asma por muito tempo sem solução alguma. Apenas anos depois eu descobri que a suposta asma, na verdade, era uma pseudo-asma – Uma manifestação da ansiedade que eu sentia ao presenciar as brigas entre meus pais.
- Bella, você está bem? – James examinava meu rosto, preocupado.
- Eu. Não. C-consigo. Respirar. – Eu respondi entre soluços e golfadas de um ar seco, que não penetrava minha garganta direito.
- Bella, fique calma. Olhe pra mim e fique calma. – Ele falava pausadamente, enquanto puxava o telefone do gancho e chamava o posto de enfermagem. Em instantes, a Sra. Copper estava na sala e eles começaram a me levar para algum lugar, que eu não identifiquei mais.
Tudo estava confuso, até que eu apaguei.
-x-x-x-x-x-
PDV EDWARD
- Carlisle, nós podemos conversar um instante? – Eu o procurei assim que cheguei à Clínica.
- Claro. – Ele me olhou preocupado e eu sabia que minha cara não estava das melhores. Depois de buscar Bella na festa de Alice, e deixa-la no dormitório, aos cuidados de Ângela, eu voltei para minha casa e passei a noite em claro, tentando entender o que havia acontecido.
E até aquele momento, eu continuava da mesma maneira: sem entender absolutamente coisa alguma.
- Sente-se. – Carlisle indicou a cadeira à sua frente e eu me ajeitei. Bem que eu queria que ele iniciasse outro assunto, mas ele só ficou lá, quieto, esperando que eu começasse. Então, eu suspirei.
- Eu estou aqui como seu subordinado e preciso que você trate este assunto como meu supervisor médico e empregador.
- Certo. – Ele assentiu, mantendo um vinco entre as sobrancelhas.
- Eu estou tendo problemas com uma paciente e quero passar seu tratamento aos cuidados de James.
- Que tipo de problemas? – Ele se reclinou na cadeira, parecendo entender que a conversa seria longa. Eu suspirei mais uma vez, tomando coragem para confessar. Eu adoraria manter Carlisle bem longe do assunto, já que ele poderia sair daquela história muito prejudicado, mas eu sabia que - e talvez, exatamente pelo mesmo motivo - ele, mais do que ninguém, precisava saber a verdade.
- Ela me beijou.
- Hum... – Ele gemeu em análise. Seu tom não externava qualquer julgamento. – Isto aconteceu aqui dentro da Clínica?
- Não.
- Quem é a paciente?
- Isabella Swan.
- Ela se declarou, fez insinuações, tentou manter relações sexuais com você?
- Oh, Deus! – Eu esfreguei meu rosto entre as mãos. Eu não sabia o que era mais constrangedor: tratar estes assuntos com Carlisle ou pensar estas coisas em relação à Bella. - Não. Ela só estava bêbada.
- Ela já havia lhe dado algum sinal de que isto poderia acontecer?
- Não que eu percebesse. – E eu juro que havia passado cada detalhe em minha mente procurando por estes sinais. Como eu pude não perceber que ela faria isso? E pior: como eu pude retribuir ao que ela fez?
- Você já conversou com ela sobre o que aconteceu?
- Não. Mas, quando eu conversar, eu já quero ter sua liberação para que James assuma o tratamento.
- Por quê? – Carlisle franziu as sobrancelhas.
- Não é ético que eu continue.
- Eu entendo. Mas Bella sempre foi uma paciente tão especial para sua tese. Eu acho que você poderia, ao menos, fazer essa transição com mais calma...
- Não acho prudente. – Eu o cortei e Carlisle me olhou por um instante.
- Edward, o que realmente aconteceu? Explique-me do começo.
- Bella foi à festa de Alice com um garoto da faculdade, eles beberam, Alice ficou assustada, me chamou e, quando eu e Bella ficamos sozinhos, ela me beijou.
- Você não acha que está agindo de forma exagerada com fatos que me parecem até bem comuns para uma garota da idade de Isabella?
- Não é algo bom para uma garota com o histórico dela! – Eu me indignei que ele estivesse tão calmo.
- Ela pode nem saber o que estava fazendo. Talvez ela não tenha te beijado de forma consciente. Você, como uma figura em quem ela aplica muita confiança devia ter mais calma e tentar entender...
- Eu não sei se tenho condições de agir assim. – Eu suspirei longamente e Carlisle me olhou por um instante, até que suspirou também.
- Edward, há algo mais que eu precise saber?
- Eu não abusei da minha paciente. – Eu me expliquei, como se ele estivesse me acusando.
- Mas você está confuso com o que aconteceu. – Carlisle afirmou calmamente.
- Eu não estou confuso. Eu estou... Chocado! Isso nunca havia acontecido comigo!
- Edward, acredite: isto não é uma coisa propriamente incomum. A figura do psiquiatra é uma figura de confiança. A pessoa se abre, recebe ajuda, aceitação, compreensão... Muitos pacientes acabam confundindo essa atenção com um sentimento maior. Você não é o primeiro a passar por esta situação, e não será o último.
- Você já passou por isso?
- Sim. – Carlisle afirmou tão calmamente, que eu até tive uma esperança de que, um dia, eu poderia me sentir daquela mesma forma. – E eu tive calma para que minhas atitudes não prejudicassem ainda mais o tratamento da paciente.
- O que você quer que eu faça? – Eu o encarei, exasperado.
- Que você trate esta situação como um médico deve trata-la.
- O que isso significa? – Carlisle não podia estar dizendo que eu não estava sendo profissional! Eu estava sendo muito profissional! Aliás, eu não estava sendo nada além de profissional!
- Você precisa ser honesto comigo, Edward. Mais que isso! Você precisa ser honesto consigo mesmo. Eu já fui beijado por uma paciente e eu sei que isso não me deixou abalado como você parece estar. O que está acontecendo entre você e Isabella?
- Deus! Não está acontecendo nada entre nós, Carlisle! Quem você pensa que eu sou? Eu jamais me aproveitaria de uma paciente!
- Eu não estou falando sobre se aproveitar. Eu sei que você não faria isso. – Carlisle continuava mantendo sua calma, enquanto meu desespero só parecia aumentar.
- E sobre o que você está falando, então?
- Sobre paixão. Interesse. Atração física... Há tantos nomes e termos que podem se aplicar...
- Você não pode estar falando sério... – Meu queixo devia estar tocando o chão. – Eu sou um médico, Carlisle.
- Sua profissão não anula sua condição humana, Edward. Isso pode acontecer. Embora...
- Embora seja antiético e imoral! – Eu o interrompi, percebendo que eu estava até mesmo sendo ríspido com ele.
- Essa questão está mexendo demais com você, Edward. Eu só quero que você entenda os motivos antes de sair agindo de forma impensada.
- Eu... – Eu engoli seco, respirei fundo, e tentei fazer com que minhas palavras tivessem qualquer coerência. De certa forma, eu sabia que Carlisle estava certo, mas eu não queria entender nada, porque eu, na verdade, estava morrendo de medo das conclusões às quais eu poderia chegar.
- Espere alguns dias até se decidir. - Ele insistiu mais uma vez.
- Carlisle, - Eu suspirei. - Não acho que seja prudente.
- Então seja honesto comigo. – Ele exigiu dessa vez.
- Eu estou confuso. – Eu confessei, por debaixo de meu fôlego. – E eu não sei o que isso tudo significa.
- Você gosta dela?
- Ela é minha paciente.
- Não foi isso que eu te perguntei.
- Eu não posso gostar dela. – Eu fui sincero. – E eu nem sei mesmo o que estou sentindo. Preciso desse tempo. Preciso me afastar. Antes que ela confunda ainda mais as coisas.
- Ou você. – Carlisle pontuou.
- Ou eu. – Eu finalmente assenti.
- Eu só fico preocupado com a reação dela, Edward. Nossa principal obrigação é preservar a paciente.
- Eu correspondi.
- O que? – Carlisle parou, me encarando, confuso.
- Quando Bella me beijou, antes que eu realmente me desse conta do que estava acontecendo, eu correspondi ao beijo. Eu errei. Eu comprometi meu trabalho e coloquei em cheque o nome da Clínica Cullen. Eu não posso me dar ao luxo de correr esse risco novamente. Por favor, Carlisle: eu preciso me afastar.
Carlisle permitiu que eu passasse o caso de Bella à James, mas não ficou completamente feliz. Ele queria que eu esperasse, apesar de tudo. Seu medo era a forma como Bella poderia reagir.
Mas o meu medo era como eu poderia reagir.
Eu não estava pronto para estar em torno dela naquele momento. Eu precisava me afastar um pouco para tentar compreender o quadro geral.
Encontra-la novamente quase doeu fisicamente. Eu estava incomodado, desconfortável, e parecendo um idiota de um adolescente. Dizer que eu estava passando seu tratamento para James foi um dos piores momentos da minha vida. E me mostrar indiferente fez com que eu me sentisse horrível.
Eu precisei sair da sala antes que enlouquecesse, deixando que James lidasse com a reação de Bella sozinho.
Carlisle estava certo: eu estava fazendo tudo errado. Deus! Eu era um completo idiota. Minha carreira estava acabada.
Eu fugi feito uma criança e me enfiei na sala de Emmett, que mal sabia o que fazer com a bagunça que eu estava.
- Beba a droga da água, Masen. Você sabe que não posso te oferecer nada mais forte aqui. O que aconteceu com você, afinal de contas?
- Problemas pessoais. – Eu achei melhor não envolve-lo também.
- E desde quando você não me conta seus problemas pessoais? – Ele franziu as sobrancelhas, parecendo estar realmente preocupado. – Edward, é algo com a Clínica? Como administrador dessa empresa, eu devo me preocupar com alguma coisa?
- Está tudo bem, Emmett. Eu já falei com seu pai.
- Certo... – Ele pareceu ponderar sobre a questão. - Vamos sair hoje à noite? Você parece estar realmente precisando relaxar.
- Acho que não é boa ideia...
- Prometo que você não precisa me dizer nada que não queira. – Nós dois olhamos para a porta quando alguém bateu.
- Dr. Masen? – Uma enfermeira bem assustada apareceu quando a porta foi aberta em um instante. – Dr. Cullen está chamando o senhor na sala de emergências.
- O que houve?
- Isabella Swan está se sentindo mal. Parece ser uma crise respiratória.
- Oh! – Eu queria correr, mas meus pés ficaram presos ao chão.
- Vá, Edward! – Emmett me acordou, quase me empurrando porta a fora. – Vai logo! Pelo amor de Deus, não deixem ninguém morrer aqui dentro de novo! Por favor!
_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_X_
Olá, meninas!
Preciso confessar que sinto muita falta de escrever rápido e conseguir postar várias vezes por semana. Nesse ritmo de agora, a estória demora a andar...
Mas eu só sei escrever assim. Preciso de um bom pedaço para desenvolver cada parte.
Estou trabalhando para concluir a fic, sei como ela termina, mas ainda tem bastante coisa que precisa acontecer antes do fim.
Então... Fiquem por aqui! Me façam companhia até o fim!
Beijinhos
Boa Semana.
Seguem as respostas de suas reviews:
192939: Olá, leitora nova! Seja bem-vinda. Obrigada pelo elogio...
Beatriz Andrade: Ai, caaaaalma! Dr. Masen todo assustado com a Bella. Ele não tem condições de decidir se envolver com a Bella assim, tão rápido e do nada. Ele precisa de calma. Não o pressionem.
Deh M. Oliveira: Edward agora vai ficar de olhos bem abertos com essas pacientes assanhadinhas! Rsrsrs
Isa Alonso: Ué, gente! James vai ser o médico. Isso estava até normal. Agora... Para saber como vai ficar a Bella, já vamos ter que esperar o próximo capítulo mesmo.
LucianaM: Hum... Também não é assim, neh? Vocês são muito apressadinhas! Rs
Amanda: Que bom que você está melhor! Boa semana e boa sorte com todas as provas.
Sophia – PT: Hoje saiu com nome! Êeeeh! Acho que o Edward está bem com medo de ficar colocando muito ponto em i e descobrir o que não quer saber.
