Percy's POV

Após trocarmos de roupa, Annabeth e eu fomos para o corredor, encontrar Bryan. Eu não tinha ideia do que podia ser tão importante ao ponto de ele vir ao nosso quarto às 3 e meia da manhã, mas ele realmente deveria estar falando sério quando disse que poderia nos ajudar na missão.

- Diga Bryan, o que é que você encontrou? – perguntou Annabeth, que assim como eu voltara a colocar as roupas de mais cedo, ela tentando arrancar informações de Bryan.

- Não sei explicar, só sei que está no porão do hotel.

Agora eu fiquei confuso.

- Como você foi parar no porão do hotel? – perguntei, e pude sentir minha testa se franzindo.

- Meio complicado de explicar, pois nem eu sei como fui parar lá. – respondeu-me Bryan, o que fez com que Annabeth e eu trocássemos olhares.

Descemos no elevador, e eu me pegava olhando para Annabeth pelo canto de olho. Eu não conseguia tirar da minha cabeça a imagem dela usando aquela camisola um tanto quanto... Provocante, e também não consegui esquecer como era macia a sua pele, suave e delicada, como minhas mãos percorreram sua cintura, como seus lábios ficavam vermelhos após nossos beijos. Não saia de minha mente a forma como seus dedos passaram por meu tórax, a forma como seu rosto assumia um tom extremamente vermelho quando ficava envergonhada, eu também não conseguia deixar de admirar seus cachos loiros emoldurando seu rosto e seus olhos cinzas tão penetrantes e estratégicos, que eu conseguia ler tão bem. Eu estava tão apaixonado por ela, e tão preocupado com a missão que estava por vir.

Estávamos diante de uma enorme porta de ferro, segundo Bryan, ela dava para o porão. Olhei para ele como quem diz: "Como você conseguiu abrir isso?". Mas nem precisei perguntar, pois logo tive minha resposta, foi simplesmente Annabeth tocar na porta que ela se abriu.

- Não estava trancada. Isso é... Um pouco estranho. – disse finalmente – Hotéis costumam ser rigorosos com a segurança, até mesmo quando se tratam de porões.

Ela estava certa, como sempre, mas ali dentro poderia haver uma pista sobre nossa missão.

- Bem, seja lá o porquê do motivo de estar aberta, temos que entrar para saber o que tem ai dentro. – disse eu passando pela porta e entrando no porão.

Me deparei com artigos de luxo em todas as direções, quadros que pareciam ser caros, enfeites com bordados e pedras preciosas, poltronas reclináveis, tudo o que você possa imaginar. Eram muitos objetos, mas nada que parecesse ajudar na missão.

- O que pode ter aqui de tão interessante e que pode ajudar na... – comecei a dizer, mas logo fui interrompido por Annabeth, que ficou de olhos arregalados ao olhar para algo na parede atrás de mim. E logo depois exclamou:

- Di Immortales! Não pode ser! Isso é impossível! Isso não deveria mais existir!

Olhei na mesma direção que ela, um delta dourado estava na parede, e no mesmo instante, Annie se dirigiu até ele.

- E não deveria ser dourado! Era para ser azul! Como o encontrou?

Bryan pareceu confuso, na verdade, eu estava confuso, esperava nunca mais ver aquele símbolo, há não ser no laptop de Annabeth. Aquele era o símbolo de Dédalo, o símbolo do Labirinto. Mas logo o Harpper respondeu a pergunta:

- Eu estava dando um volta e vim parar aqui, estava vendo alguns quadros quando quase deixei um deles cair da parede, atrás dele estava isso ai, pensei que fosse importante e fui chama-los. – ele olhou minha cara de assustado- Vocês conhecem isso? – perguntou ele enquanto ambos nos aproximávamos de Annabeth – Sabem o que é?

- Sim! – respondi, e como Annabeth continuava a olhar para o delta, continuei – É o símbolo do Labirinto de Dédalo, labirinto esse que...

- Que tem passagens para todos os lugares do mundo. – disse Bryan maravilhado.

- Conhece a história? – perguntei.

- Sim, claro que sim! Conheço algo sobre a mitologia grega, mas na verdade, essa era uma das histórias favoritas de minha mãe. – ele pareceu ficar meio pensativo – Está me dizendo que essa é uma das passagens? Eu nem sabia que era isso, só os chamei porque senti que era importante.

Annabeth olhou para mim, trocamos olhares preocupados: "Aquilo não deveria existir, Dédalo está morto!"- era o que parecia que Annabeth queria dizer, e através dos olhos tivemos um conversa silenciosa, concordamos que aquilo era muito estranho.

- As passagens eram muito comuns Bryan, mas não deveriam mais existir, Dédalo morreu, e sendo assim, o Labirinto deveria ter morrido com ele. – disse Annie de forma controlada, eu sabia que ela estava lembrando o verão que havíamos passado abaixo dele.

Sabia disso porque eu também estava me lembrando dele, naquele verão havíamos perdido muitos amigos, e Cronos também havia se reerguido usando o corpo de Luke, Rachel havia nos ajudado na missão, Annabeth ficara cheia de ciúmes, eu ficara cheio de ciúmes por causa da forma em como ela protegia e acreditava em Luke. E no final... Era ela quem estava certa.

- Dédalo morreu? – indagou Bryan.

- No verão passado. –disse eu – Foi necessário, para que pudéssemos vencer Cronos, na verdade, ele se sacrificou por isso.

Bryan ficou pensativo, e meus olhos desviaram-se novamente para o símbolo na parede.

- Você abriu a passagem?

- Não! –respondeu ele- Nem sei como se faz isso, só o que fiz foi passar minha mão sobre o delta.

A testa de Annie ficou franzida.

- Mas é assim que se abre uma passagem do Labirinto, é necessário um toque de um meio-sangue. Deveria ter sido aberto assim que o tocou.

Bryan deu de ombros.

- Talvez seja porque eu não sou um meio-sangue, sou uma aberração – disse ele ironicamente.

Pensei um pouco.

- Talvez, se eu tentar...

Annabeth segurou meu braço, impedindo-me de seguir em direção ao meu objetivo.

- Percy não sabemos o que a passagem vai revelar, podem sair os piores monstros, o labirinto deve estar aos pedaços.

Ela estava certa, mas tínhamos uma missão para resolver.

- Temos uma missão, e aqui- disse eu apontando para a parede - Podem haver pistas sobre o que devemos fazer a partir de agora.

Ela me soltou.

- Ok! Tudo bem! Pode ir.

Ergui uma sobrancelha.

- Não ganho um beijo? – perguntei, e reparei em como Bryan parecia sem graça pelo fato de estar ali.

Annabeth sorriu e se aproximou lentamente, seus lábios há centímetros dos meus, mas ao invés de receber o beijo que queria, ela apenas em deu um beijinho no rosto, bem de leve, e mesmo assim deixou minha pele formigando.

Feito um idiota, coloquei a mão por sobre o lugar em que um segundo antes ela havia me beijado.

- Isso não foi o que eu esperava, esperava um beijo de verdade. – disse eu reclamando.

- E ganhará. – disse ela sorrindo, com um ar de inocente, e me dando esperanças – Depois que descobrirmos o que existe ai dentro.

Olhei para ela, sabia que não iria adiantar em nada ficar insistindo com Annabeth, ainda mais com Bryan nos olhando. Suspirei, a sensação de formigamento permanecia em meu rosto, e pensando no que faria a seguir, passei meus dedos por sobre o delta dourado.

Mas para meu espanto, não ocorreu o que deveria, a passagem não se abriu, continuou fechada, o delta nem ao menos se iluminou com meu toque.

Confuso, tentei mais uma vez: nada!

- Deveria ter aberto! – disse Annabeth- É sempre assim que funciona! Só precisa de um toque de um semideus, era o que Dédalo disse, e ele era um filho de Athena também, sabia do que estava falando.

- Certeza de que era assim? – perguntou Bryan, e começou a falar, mas não prestei atenção, uma ideia se formava em minha mente.

Annabeth havia dito que Dédalo era um filho de Athena, e eu sabia disso, mas ouvi-la dizendo isso me fez pensar se ali não seria algo secreto, algo que somente um filho da deusa da Sabedoria poderia ter acesso...

- Annabeth, tente você! Você é uma filha de Athena, assim como ele, tente!

Ela me olhou de forma interrogativa.

- Acha que é necessário ter algum parentesco com Athena? Se fosse assim Bryan teria conseguido abri-la!

- Talvez seja necessário ser filho, não neto. – olhei para Bryan, ele ainda não parecia ter aceitado a ideia de ser neto da deusa- É só uma teoria.

Ela pensou e assentiu, indo diretamente para a parede, ficando de frente para ela e passando os dedos suavemente pelo símbolo.

A parede se dividiu em duas, ficando uma enorme abertura no meio, dentro não era nada doo que eu tivesse imaginado, nada de ruínas, nada de monstros, apenas...

- Uma biblioteca? – perguntamos Bryan e eu, descrentes, enquanto olhávamos mais atentamente para dentro do vão das paredes.

A biblioteca era enorme, e simples, lembravam aquelas dos colégios, só que possuía uma vasta seleção de livros, era tão grande, que eu senti que poderia me perder ali dentro, literalmente falando.

Os olhos de Annabeth brilhavam enquanto ela adentrava o enorme salão, cheio de estantes, que eram tão altas que chegavam quase ao teto, possuía tantos livros, que minha dislexia já atacava.

- Isso é... Fantástico!- ela exclamou, sabia que ela achava a coisa mais legal aquele monte de livros, mas eu não conseguia ver nada de fantástico ali, na verdade, eu não conseguia ler um livro se quer, pois as palavras não faziam sentido.

- Fantástico? – perguntou Bryan – Metade dos títulos estão pulando para fora das páginas e vindo me minha direção!

Annabeth deu de ombros e se virou para nos olhar.

- Não importa! Isso é fantástico, acabamos de descobrir a biblioteca de Dédalo, a maior que existe no mundo! Maior do que as que os mortais construíram! Dizem que aqui existem todos os livros, e a história de todos.

- Quer dizer que a história de todos está mesmo traçada? – perguntou Bryan.

Nisso eu me lembrei das parcas, de como havia me visto em seus olhos, um arrepio percorreu meu corpo.

- Não é assim! – disse Annabeth – Não é o que iremos fazer, mas o que fazemos, embora eu acredite que seja um mito inventado pelos mortais... No entanto, há quem diga que tudo o que uma pessoa faz em sua vida é registrado nesse livro, e que só pode ser lido se a pessoa sobre a qual é o livro abri-lo e que só pode lê-lo quem for filho da deusa da sabedoria, além da própria pessoa-personagem, é claro.

Minha cabeça deu um nó com as informações de Annabeth.

- Depois eu explico melhor! – disse ela olhando ao redor, seus olhos percorrendo as enormes fileiras sem fim.

- É melhor darmos uma volta por aqui, quem sabe não encontramos algo? – Bryan parecia estar certo, eu também sentia que havia algo para descobrirmos ali.

- Sim, é melhor, mas devemos ficar todos juntos, não sabemos se aqui é seguro, ou se é como no Labirinto.

Todos assentiram, e ficamos caminhando por alguns minutos, e já podia sentir meus olhos ficando pesados, eu estava com sono, e podia ver que os outros também estavam.

- É melhor irmos dormir, de manhã podemos vir aqui e...

Num movimento desajeitado acabei esbarrando numa das estantes e derrubando algumas dezenas de livros no chão, alguns caindo abertos.

- Nossa Percy! Que bagunça! – disse Annabeth enquanto se abaixava e me ajudava a pegar os livros caídos – Só você mesmo para esbarrar numa estante tão grande!

Ela olhava as capas dos livros que pegava, e um dos que estavam abertos chamou sua atenção, ela o lia atentamente, mas não consegui ler, mesmo estando em grego, tudo porque estava ocupado guardando o resto dos livros.

- É Percy, não é possível que não a tenha visto, tem mais de 4 metros de altura!

Bryan falou mais alguma coisa, mas não prestei atenção, pois Annabeth me lançou o olhar mais mortal que eu podia receber, um olhar de fúria.

- Você beijou a Rachel?! - disse ela se levantando, sua voz levantando algumas oitavas.

- Hum? – perguntei sem entender o porquê de ela estar falando isso, pois eu nunca havia contado aquilo para ela, pois queria evitar aquela reação.

- Está escrito no seu livro! – disse ela me passando um livro com capa azul-marinho, no qual o título era: "Perseu Jackson".

Meus deuses! – pensei – Por que sempre tem que ter algo para estragar tudo?

- Annabeth deixe-me explicar!

Ela olhou nos meus olhos, os seus escuros como uma tempestade.

- Não quero suas explicações Percy! Não preciso delas, vá falar com a Srtª. Dare Perfeita, pois ela é "mais fácil de se conviver" do que eu!– disse ela repetindo as palavras que um dia eu havia pensado, e se virando para correr pelo enorme corredor de estantes, sendo seguida por mim, que estava sendo seguido por Bryan.

Eu só queria falar o quanto a amava, e tudo o que ela fazia era correr de mim.

Por que Annabeth Chase tinha que ser tão complicada? Eu não sabia, só sabia que a amava, e que não queria perde-la por causa de alguns pensamentos e algumas conversas que estavam num livro.

Continuei correndo atrás dela, mas a perdi numa das curvas, e por um momento, senti meu coração pesado no peito.