Come up to meet you, tell you I´m sorry
You don´t know how lovely you are
I had to find you, tell you I need you
And tell you I set you apart
Tell me your secrets, And ask me your questions
Oh let´s go back to the start
Nobody said it was easy
It´s such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start
Vim te encontrar, te dizer que eu sinto muito
Você não sabe quão adorável você é
Eu tive que encontrar você, te dizer que eu preciso de você
E te dizer que eu te deixei de lado
Conte-me os seus segredos e pergunte-me suas dúvidas
Oh, vamos voltar ao começo
Ninguém disse que isso era fácil
É uma vergonha nós nos separarmos
Ninguém disse que isso era fácil
Ninguém nunca disse que seria tão difícil
Oh, leve-me de volta ao começo
The Scientist - Coldplay
CAPÍTULO 33 – DE VOLTA AO COMEÇO (PARTE 1)
EDWARD POV
No exato momento em que escutei o trinco da porta se fechar, foi como se o meu coração tivesse sido arrancado. Bella não me queria mais. Ela não pediu para eu ficar.
O meu mundo acabou... tudo o que eu mais queria na minha vida tinha ficado atrás daquela porta. Mesmo tremendo, resolvi esperar alguns segundos, ou, quem sabe, minutos... ainda tinha esperança que ela viesse atrás de mim, mas... nada aconteceu.
O que foi que eu fiz?
A minha percepção de tempo e espaço estava alterada. Tudo em meu corpo doía. Eu ainda sentia seu gosto e seu cheiro em mim, mas, ao mesmo tempo, era como se fosse um sonho. Uma vida perfeita que só existia na minha mente vazia. Eu me sentia sem chão.
Olhei novamente para a porta e chorei. Meus olhos pesados e meu corpo dolorido reviviam suas palavras duras. Ela não me queria mais.
Caminhei sem rumo. Cheguei à rua escura e vazia. Sombria como a minha alma. Eu tinha perdido a minha outra metade. Minha vontade de viver...
Cheguei, mesmo sem perceber, à porta da casa dos meus pais e me senti estranho e ainda mais perdido... aqui não era mais meu lar. Tudo estava na casa dela. Na nossa casa. Eu só estava completo ao seu lado, sentindo o seu cheiro e seu corpo agarrado ao meu. Como eu poderia viver normalmente agora sem ela? Como eu poderia dormir e acordar sem tê-la ao meu lado, envolvida em meus braços?
Meus olhos, embaçados pelas lágrimas que saíam sem controle, visualizaram a varanda dos meus pais. Eu não tinha coragem de entrar. E se ela me abandonasse de verdade? Eu queria, mesmo à distância, velar pelo seu sono. Pensar em quanta dor ela também estaria sentindo, assim como eu. Mas, por que ela não me pediu pra ficar? Eu queria tanto...
Suas palavras voltaram a me assombrar, como fantasmas que vagueavam na minha frente. "Edward... eu não posso." Ela não podia mais, mas por quê? "Assim eu não quero. Assim eu desisto..." Sua voz quase sussurrando me trazia ainda mais dor. Ela tinha desistido de mim.
Pensar em seu nome nos meus lábios fazia meu corpo tremer. Bella. Isabella. Eu a chamei pelo nome que um dia prometi não chamar mais. Lembrei das nossas conversas. Das nossas promessas. Principalmente da mais importante: que só sairia da sua vida se ela quisesse. Mas nunca pensei que doeria tanto.
Sentado na varanda, eu não sabia o que fazer. O que seria da minha vida agora? Como poderia viver sem ela?
Fechei os olhos e revivi nossa conversa dolorosa.
"CHEGA, Edward... por favor..." Meu corpo tremeu com suas palavras. "Você me acusou de várias formas, Edward. Achou que eu me aproximei de você pela aparência. Achou que eu quis Rob ao invés de você. Mas eu sempre estive aqui... sempre. Eu estava acreditando que você me amava. Sem reservas... mas você não confia em mim. Jamais me amou profundamente, Edward. Sempre teve tudo ao seu controle, não é?"
Eu a olhava... perdido. Isso não estava acontecendo. Eu SEMPRE a amei. Lágrimas escorriam dos meus olhos sem controle. Ela não tinha entendido nada do que eu disse? Mas que porra!
"Você só acredita nas coisas que fazem parte dos seus conceitos, Edward." Soluços fortes saíam do seu corpo e eu quase fui ao seu encontro para diminuir a sua dor, que vinha em ondas na minha direção. "E a partir do momento que as coisas saíram do seu controle, você prefere desviar... culpar os outros. A mim." Bella se levantou e ficou de costas pra mim. "Eu o amo, Edward. Insanamente. Mas não estou disposta a ser sua servente sexual enquanto você fica remoendo minha culpa. Sinto muito, Edward, mas assim eu não quero." Eu não queria acreditar em tudo o que estava acontecendo. Bella estava terminando comigo. Eu queria acordar desse pesadelo. "Eu o amarei por toda a vida... saiba disso. Mas somente quando você me amar da mesma forma... somente quando você desejar meus defeitos... minhas deficiências... meu coração... somente desse jeito é que eu vou querer. Pois é desse jeito que eu amo você".
"Você está errada... eu..." Ela tinha que compreender o que eu sentia. Eu estava com medo...
"Pare, Edward. Por favor. Ou então me fale: não confia em mim por quê? Porque você fica remoendo dentro de você se eu gostei mais do seu irmão? Ou se eu tenho uma vida passada tão suja que vai descobrir outras coisas? Ou, pior, você pensa que eu o amo porque você é meu... 'estepe', já que seu irmão não me quis. É isso, não é?"
Era isso mesmo que eu achava? Eu tinha medo de ser comparado ao meu irmão? Era isso que me consumia por dentro? Nem eu sabia o que sentia nesse momento.
"Por favor, Edward. Vá embora". Ela não me queria. Não ia me ajudar a me reerguer?
"Bella... você está me mandando embora? É isso?"
"Não, Edward. Eu estou tentando sair inteira dessa relação destrutiva. Você não me ama incondicionalmente como eu amo você. Existem limites nos seus sentimentos. E isso, definitivamente, não me faz bem".
Eu precisava dela insanamente, mas também precisava de ajuda. Nem eu entendia o que estava acontecendo comigo, mas, porra, também era difícil pra mim. Ela não confiou em mim. Ninguém confiou em mim!
Um sentimento de traição atravessou meu peito. Eu sempre estive por ela! Eu compartilhei minha vida e meus sentimentos o tempo todo. Eu queria ser completo, eu me entreguei por inteiro à nossa relação. E ela nunca me contou sobre o seu passado.
O que foi que eu fiz?
Eu precisava tanto da sua ajuda... sempre fui a pessoa centrada e que ajudava a todos, mas agora estava perdido e com medo, mas Bella não entendeu. Ou fui eu? Tudo na minha vida tinha um motivo. Tudo tinha sido programado e Bella invadiu minha mente e meu corpo. Será que ela também não entendia que eu precisava da sua ajuda? Nunca mais seria completo sem ela novamente...
Minha cabeça rodava de tantos sentimentos conflitantes. Eu queria voltar lá e mostrar pra ela que estava errada, mas não seria culpa minha? Eu era um covarde então? Mas, por que ela não me ajuda? Eu preciso de você, Bella...
"Oh Bella... não me deixe... não me deixe..."
Novas lágrimas desceram pelo meu rosto e senti uma dor ainda mais intensa dentro do peito... eu não queria perdê-la...
"Bella... eu te amo tanto... me ajuda..."
"Essa é sua palavra final, Bella? Depois que eu sair dessa porta, não voltarei." Ela tinha que entender que não era minha culpa nosso rompimento. Eu queria que ela enxergasse que eu estava tentando. Mas já estava doendo tanto. Tive medo da sua resposta.
"Já disse... eu quero tudo, Edward. Quero todo o romance e conto de fadas de antes. Você pode me dar isso de novo?"
O conto de fadas...
"Sinto muito... Isabella".
"Porra... por que o conto de fadas? Nossa vida já não era perfeita, porra?" Comecei a tremer, de raiva. Quem afinal tinha culpa?
Eu me machuquei muito. E eu a machuquei.
Até agora as palavras 'eu desisto' doíam em meus pensamentos. Ela desistiu de nós, mesmo quando eu disse que não conseguia viver sem ela.
"Hey, cópia. O que faz aqui?"
Levei um susto ao ouvir meu gêmeo falando comigo. Rob! Onde ele estava... eu precisava do meu irmão agora. O que eu faria da minha vida sem Bella? Quando o vi, algo dentro de mim desabou ainda mais. Meu irmão sempre foi meu melhor amigo. E eu sempre o invejei por seu espírito livre. Claro que ela não o esqueceria. Ele era muito mais digno do que eu.
Lágrimas rolaram dos meus olhos ao pensar nisso e meu coração se apertou. Eu jamais imaginei que passaria por uma situação como essa. Ela não me queria mais...
"Ela não me quer. Eu sou um fraco. Ela disse que queria o conto de fadas, Rob. Ela me perguntou se eu confiava nela... eu... eu não consegui responder." Mais lágrimas saíram dos meus olhos. "Ela me mandou embora da vida dela".
Soltei um longo suspiro. Mais lágrimas desceram sem controle... Deus, dói tanto...
"Edward... você não confia nela?" Bella... ela também me fez a mesma pergunta.
"Eu... Oh meu Deus..." Trouxe minhas mãos ao meu rosto. "Eu fiz tudo errado... mas eu... eu contei tudo da minha vida pra ela, Rob... tudo... e ela nunca me disse... nunca falou... porra, ela me viu... e tinha você. Eu fiquei com medo de ser um... como ela mesma disse, um estepe seu".
Essa foi uma das confissões mais dolorosas da minha vida. Eu jamais me senti tão impotente.
"Edward? Olhe para mim." Levantei meus olhos e ele pôde ver o que eu sentia, minha dor estava em seus olhos. "Eu a magoei. Tratei Bella igual às vadias que eu comia na Europa. Ela devia me odiar mortalmente. Se fosse assim, ela nem deveria falar com você. Eu não sou uma boa lembrança para ela, tenho certeza. Então, por que você acha que seria meu estepe? Esqueceu o quanto você lutou por ela? Ou as coisas boas que ela te fez? Cristo! Onde foi parar o cara maduro e cheio de si que é meu gêmeo? Isso não é você!"
Isso não sou eu. Eu não era ninguém nesse momento. Nem eu mesmo achava que essa era minha vida. Estava tudo errado e não tinha como consertar nada. Por que lutar, quando a batalha está perdida. Eu desisto. Também.
"Ei... to falando com você!" Ouvi sua voz feroz e parei. O que ele queria afinal? Eu não era nada mesmo...
"Você está certo, Rob. Isso não sou eu. Mas nada muda o fato de que ela agora me odeia e que não me quer de volta".
Suspirei e vi quando ele puxou seus cabelos com impaciência. Ele não podia entender. Ninguém poderia. Fui em direção às escadas. Eu precisava ficar sozinho agora.
"Tudo bem... tudo bem." Ele me acompanhou. "Vamos mudar de assunto então." Continuei andando e ele começou uma conversa. "Hum... eu fiquei na casa da Kristen ontem, sabia?" O quê? "Cara, eu transei a noite toda com ela, acredita?"
Agora eu sabia que isso só poderia ser uma realidade paralela. Como tudo podia ficar tão fodidamente diferente assim? O que esse demente queria dizer com isso? "A mulher te abandonou, você sofreu pra caralho e agora vem me contar que passou a noite transando com ela? Definitivamente você não parece comigo!" Eu nunca a aceitaria de volta. Mas e se fosse Bella?
"Tudo bem... eu mereci isso. Então, posso te contar uma novidade?"
Dei alguns passos na escada e parei, me voltando para ele. Puta que pariu, Rob enlouqueceu agora? "Se você vai me contar alguma posição do kama sutra que ainda não existe e praticou com ela, juro por Deus que te jogo lá fora!"
"Porra, cópia, você acha que tudo na minha vida é sexo?" Cruzei os braços: E não é? "Tudo bem... muito da minha vida é sexo, mas não é isso que eu quero contar".
Fiquei parado na escada, aguardando sua resposta. Acho que nada mais nessa noite me surpreenderia agora. Onde estava a sanidade das pessoas?
"Bom... seria demais te pedir ajuda agora? Eu queria... bem... eu estava fim de ir ao antigo laboratório... você topa?"
Nunca mais diga nunca, Edward, gritei para mim. O que meu gêmeo estava fazendo comigo agora?
Tanto tempo. Tantos anos lutando e sonhando com esse momento e ele chega. Mas eu não conseguia processar o sentimento. Rob de volta. Rob totalmente de volta. Mas eu precisava de um tempo agora. Eu precisava pensar. Em mim. Na minha vida. Eu precisava chafurdar em sofrimento. Eu queria Bella de volta...
"Hum... você quer dizer agora? Eu estou sem cabeça, Rob. Eu me sinto um lixo nesse momento, desculpe".
"Nada disso." Ele subiu alguns degraus até mim. "Você sempre encheu a porra do meu saco pra voltar. Sempre jogou na minha cara que eu abandonei tudo e que estava sendo moleque. Prove pra mim que você estava certo. Não deixe essa história acabar com meu irmão foda e muito profissional. Eu... eu preciso de você, cara. Não vou conseguir sem você".
Meus olhos se encheram de lágrimas novamente. Cada palavra dita por meu gêmeo era verdade. E dizer que precisava de mim era golpe baixo.
"Por favor... irmão. Me ajude?" Ele disse finalmente, me desarmando, relembrando que ele também precisava de mim.
"Você não joga justo, sabia? Rob... eu não... estou sem cabeça pra isso".
"Então, só vamos lá comigo. Vamos sair daqui um pouco? Não quero ir sozinho." Meu gêmeo disse com a mão no meu ombro. Eu não sabia como negar. Limpei as lágrimas do meu rosto e respirei fundo. Foda-se então. Eu sofreria sozinho depois.
"Vamos então tomar um banho e tirar essa roupa amassada e colocar aquelas roupas brancas horríveis que você tanto adora. Afinal, o médico nesta merda é você".
Não ouvia direito suas palavras, devido ao zumbido na minha mente. Ao mesmo tempo em que ouvia o socorro do meu irmão, meu corpo dolorido ainda sofria os espasmos da separação. Eu parecia um viciado sentindo os efeitos da abstinência. Mas sofreria sozinho. Ninguém tinha culpa da minha dor. Concordei com a cabeça e continuei subindo as escadas com ele ao meu lado. Cada passo era doloroso. Eu estava no modo automático.
Entrei em meu quarto e o vi tirando a chave da porta quando eu entrava no banheiro. O que ele queria com a porra da minha chave?
Dei um sorriso triste, pensando em como meu irmão estava preocupado comigo. Claro que pensei em me trancar no quarto e não sair mais daqui. Mas isso antes do seu pedido. Eu iria acompanhá-lo. Por mais que eu estivesse sofrendo, jamais deixaria de apoiar meu irmão. Ele precisava de mim.
Entrei no banho, tremendo ao sentir a água bater em mim. As palavras de Bella ecoavam na minha mente. Conto de fadas... Confiança... Eu estava errado então?
Passei as mãos pelos meus cabelos e fiquei um bom tempo debaixo d'água. Eu estava com tanto medo agora...
Vesti a primeira roupa branca que apareceu na minha frente e assim que abri a porta ouvi risadas no andar de baixo. Parei por um momento e respirei fundo. Eu estava fazendo isso pela felicidade do meu irmão, mesmo sendo tão difícil.
Obriguei meu corpo a andar e desci as escadas, dando de cara com meu pai e meu gêmeo na porta. Meu pai me observou intensamente, percebendo algo errado e ficou sério. Porra. Agora não.
"Edward... você está melhor?" Meu pai perguntou e eu não queria conversar com ninguém mais agora. Fugi logo do assunto.
"Sim, pai. Vamos então, Rob?"
"Onde vocês estão indo, com essas caras de cansados? Vocês dormiram, por acaso?"
Sono era o que me faltava. Eu não conseguiria dormir.
"Eu quero reabrir o laboratório, pai." Rob disse rapidamente, mudando o foco da conversa. Eu quase sorri em agradecimento. Não queria falar sobre meu sofrimento com ninguém.
Meu pai, no mesmo instante, abriu um grande sorriso e eu percebi que não era só eu que almejava esse momento. Toda minha família sentia falta do meu gêmeo.
"Sério? E vocês estão indo agora?" Assentimos. "Eu posso ir junto?"
Dei de ombros e Rob concordou alegremente.
Saímos de casa no carro do meu pai e eu nem sequer dei um segundo olhar ao Volvo. Eu não queria pensar em Bella. Estava sem forças para dirigir.
Ao chegar ao hospital, entramos e eu não conseguia ver nem falar com ninguém. Esse lugar, essas pessoas... Tudo me lembrava dela. Entrar no laboratório foi um alívio. Aqui as lembranças eram outras. Pelo menos aqui, eu conseguia respirar sem sentir dor. Meu coração não pesava tanto agora.
Expliquei ao Rob o que foi alterado e reformado nesse tempo que ele estava fora. Eu e meu pai nos esforçamos para manter tudo como era, só melhorando algumas coisas. Trocamos equipamentos, quando eles precisavam ser atualizados. Rob só assentia e olhava vidrado para tudo. Como se estivesse em outro tempo.
Assim que terminei de explicar tudo, meu pai cruzou os braços e olhou para o Rob, enquanto eu olhava fixamente para a janela. Será que ela estava dormindo?
"Bem... e então eu-" Rob começou a falar, mas fomos interrompidos pelo som do alto-falante.
"EMERGÊNCIA... PLANTONISTAS DO PS, ENTRADA DE CRIANÇA COM CHOQUE ANAFILÁTICO. RISCO DE MORTE".
A palavra criança sempre me deixava em alerta e corri no mesmo instante em direção à entrada da emergência. Quem seria? Meu pai me acompanhou pelos corredores
"EMERGÊNCIA GRAVE. PEDIATRIA E CIRURGIA, FAVOR COMPARECER URGENTE AO PS"
Assim que chegamos, eu não consegui respirar por alguns segundos, antes de perceber a realidade à minha frente. Bella. Minha Bella... com meu sobrinho. Masen. MASEN.
Masen precisava de mim. Meu lado protetor gritou na minha frente, eu precisava ajudá-lo. Seu corpinho estava estendido sobre a maca e Bella estava toda coberta de vômito. Corri até eles e comecei a dar comandos, entrando no modo automático, mesmo sofrendo por meu sobrinho.
Todo o meu foco ficou em Masen e enquanto me aproximava, vi Bella o colocando no oxigênio ao mesmo tempo em que aplicava a dose de epinefrina. Chamei por Alec e Carmem.
"Alec, me dê o estetoscópio* agora e também minha lanterna clínica* *, preciso ouvir a respiração dele e checar suas pupilas... tragam minha maleta também, RÁPIDO." As vozes ao redor deixavam tudo mais confuso e tumultuado. "Carmem, ajude meu pai a afastar todo mundo." Eu precisava ver seus sinais vitais primeiro. Peguei o pulso de Masen para sentir sua pulsação, ao mesmo tempo em que pegava os equipamentos trazidos por Alec. Nesse momento ouvi a voz dela. Bella.
*Estetoscópio: aparelho utilizado pelos médicos para amplificar sons corporais, como por exemplo, ouvir a respiração e batidas no coração do paciente. Na maioria dos casos, esse aparelho fica continuamente com os médicos, pendurado,mas nesse caso, Edward estava sem ele.
**Lanterna clínica: pequeno aparelho para fazer exame nos olhos. Checa as pupilas dos pacientes, para identificar desorientação. Para quem não se lembra, foi o mesmo aparelho usado pelo personagem do Dr. Carlisle, após o quase acidente da Bella no filme Crepúsculo.
"Eu já apliquei a epinefrina, Edward. Acho que foi reação a nozes. Seu vômito estava com um cheiro forte".
Olhei rapidamente para ela e assenti enquanto já desviava o olhar. Eu não queria me perder. Mas fiquei extremamente emocionado por ela esta aqui. Pela minha família.
"Carmem, vá à frente e separe o bloco cirúrgico e corra para chamar o alergologista* de plantão. AGORA".
*Alergologista: médico especialista em alergias.
Fui junto com Alec e Felix, que levavam a maca para o bloco cirúrgico, enquanto fazia os primeiros procedimentos. Os sinais vitais dele estavam muito instáveis e Masen ainda corria risco de morte. Eu estava preocupado com meu sobrinho, enquanto sentia Bella ficando para trás. Eu não pude olhar, e nem queria. Não nesse momento.
Masen estava com muita febre e sua freqüência respiratória e cardíaca estava me preocupando, pois ele não estava respirando direito.
"Carmem? CARMEM?" Onde estavam esses enfermeiros? Ângela apareceu do meu lado.
"Pois não, Dr. Cullen?"
"Ajude-me com as luvas e me dê o laringoscópio* que eu vou fazer um exame na garganta dele".
*Laringoscópio: instrumento utilizado para o exame da laringe.
Comecei a colocar o dedo e percebi que ele tinha um edema na laringe e estava muito inchado. Ele precisava respirar melhor. "Alec?"
"Sim, Doutor?"
"Prepare o oxigênio. Verifique sua saturação. Vamos entubá-lo. AGORA." Alec também era um bom assistente. Nesse momento Carmem chegou. "Onde você estava?"
"Liberando a autorização do CTI da pediatria também, Dr. Cullen, a pedido do seu pai e o Dr. Xavier, o especialista, que já está a caminho".
"Então prepare o bloco cirúrgico, pois vamos fazer uma lavagem estomacal. Quero eliminar qualquer vestígio de noz do seu corpo e anular novas reações alérgicas. Ângela, prepare para sedá-lo, não quero que meu sobrinho sofra".
"Sobrinho?" Escutei várias vozes ao mesmo tempo.
"ALGUM PROBLEMA? Andem logo!"
Comecei a realizar os procedimentos médicos, com todos ao meu redor, mas minha mente não se desconectava de Bella. Afinal, o que ela fazia aqui? Ela estava de folga do plantão, pois ela tinha muitas horas. O que tinha acontecido afinal?
Meu coração começou a bater mais forte diante da proximidade com ela. Como ela tinha socorrido meu sobrinho?
"Ainda bem que Bella já tinha administrado a epinefrina, Dr. Cullen. As reações inflamatórias foram amenizadas pela rapidez dela... não é a toa que ela é uma excelente profissional de enfermagem. Isso se não for a melhor que já conheci".
Olhei para o lado e fiquei prestando atenção nas palavras de Ângela, enquanto conferia os dados vitais de Masen. Sim, Bella era perfeita em tudo o que fazia. O que eu fiz para perder a mulher da minha vida?
"Você tem razão, Ângela. Ela é maravilhosa".
"O senhor quer pedir os exames de rotina?"
Fiquei temporariamente suspenso. Ela sempre foi maravilhosa. Perfeita. Eu era um idiota!
"Dr. Cullen?"
Pisquei os olhos algumas vezes e voltei à realidade. Eu precisava dar um jeito na confusão da minha vida.
"Sim. Vou pedir um Hemograma* completo, EAS** e RAST***. Peça ao Alec para administrar anti-histamínicos de 8 em 8 horas diretamente na veia, quero verificar com o Dr. Xavier a melhor dosagem dessa medicação, Masen é muito pequeno e pode haver complicações até seu quadro estabilizar. Por favor, faça agora a coleta do material para os exames, já te entrego a requisição".
*Hemograma - exame que avalia as células sanguíneas de um paciente, ou seja, as da série branca e vermelha, contagem de plaquetas, reticulócitos e índices hematológicos. O exame é requerido pelo médico para diagnosticar ou controlar a evolução de uma doença.
**EAS: Exame de urina rotina
***RAST: exame de sangue que indica se a pessoa pode ter reações alérgicas à determinadas substâncias.
Carmem já estava terminando a lavagem enquanto eu acompanhava a respiração de Masen e verificava continuamente seus sinais vitais. Eu tinha que me concentrar e fazer a coisa que eu mais amava na vida. Porque o ar que eu respiro, neste instante, estava do outro lado desse bloco cirúrgico. E eu precisava voltar a respirar. E como todos afirmavam, ela tinha sido perfeita. Como sempre.
Enquanto assumia o tratamento do meu sobrinho, meu tempo trabalhou em contagem diferente. Eu fazia as checagens, verificava pessoalmente as administrações dos medicamentos e acompanhava passo a passo a evolução do seu quadro clínico. Eu não queria deixar nada passar e ter certeza que estava tudo perfeito.
Fiquei ao lado de Masen e mesmo ele estando no CTI, eu era o único permitido neste momento. Era a primeira vez que tratava alguém da minha própria família, e devo dizer que foi uma das coisas mais difíceis que já fiz. Meu sobrinho era um bebê e vê-lo nessa maca era de partir o coração.
Mesmo com todo esse sofrimento e angústia por não saber mais o que fazer, não conseguia me desligar. Eu pensava em Masen e ao mesmo tempo em Bella. Eu tinha jogado a minha felicidade pela janela?
Meu pai veio algumas vezes para acompanhar Masen e passar as informações para minha família. Eu o deixei sedado enquanto o tubo de oxigênio não pudesse ser retirado, por isso eu mesmo fiquei observando-o durante todo o dia e a noite. A idéia de transferi-lo para o CTI pediátrico foi perfeita, assim ele estaria dormindo na maior parte do tempo. E lá era mais tranqüilo, ajudaria na sua melhora clínica.
Eu não tinha mais noção do dia, mas senti minhas pálpebras cansadas. Sabia que tinha virado mais de um dia no hospital, pois as primeiras 24 horas eram essenciais. Sem perceber, acabei cochilando...
Sonhei com Bella. E, para minha tristeza, ela estava se despedindo de mim. Eu só sentia dor e ao abrir os olhos, cheguei à pior conclusão da minha vida.
Eu era mesmo um babaca!
Como poderia perder a mulher da minha vida sem lutar? Como pude deixar que meu orgulho e prepotência me dominassem enquanto a minha felicidade escorria pelos meus dedos? Eu não estava preparado para perder o controle das decisões e isso me matou. Eu disse as piores coisas para Bella... Eu estava com medo, mas agi da pior maneira...
Com o corpo dolorido fui em direção a Masen. Seu quadro estava maravilhosamente bem, em poucas horas poderia tirá-lo do CTI e transferi-lo para um quarto. Fui até a cafeteria e comi um sanduíche. Passei por Alec e o avisei que tentaria tirar novamente um cochilo de duas horas, e pedi que ele me acordasse.
Ao abrir os olhos, vi que já era dia. Fui até Masen e pude ver uma melhora visível em seu aspecto. Ele já estava até um pouco corado, mas ainda sob efeito do sedativo. Foi a primeira vez que sorri. E mais lágrimas caíram pelos meus olhos. Meu sobrinho estava vivo e fora de risco finalmente.
"E então, Dr. Cullen?"
Virei o rosto e sorri para meu pai, que estava ao meu lado neste momento. "Graças a Deus, pai. Ele está bem!"
"Também, depois de quase dois dias aqui dentro. Mas você foi perfeito filho, parabéns!"
Abracei meu pai e mais lágrimas desceram. Eu estava ficando um fodido babaca que não parava de chorar.
"O mérito não é só meu pai. Foi de Bella também." Sequei minhas lágrimas. Só em falar seu nome em voz alta, meu corpo se arrepiava.
"Sim, filho. É verdade. Quero que saiba que foi ela que o trouxe de carro".
"Como?" O quê?
"Kristen bateu na casa dela, filho... não se martirize mais, essa mulher é perfeita pra você. Acho que se você não casar com ela, outro vem e a rouba de você".
Uma dor ainda pior se apossou do meu corpo. Como assim rouba de mim?
"O que você quer dizer com isso, Carlisle?"
"Eu só quero alertá-lo para o inevitável. Sei que ambos estão sofrendo, por alguma coisa mal resolvida. Dá pra ver no semblante dos dois. Não esqueça que Bella não tem raízes aqui em Forks e se você não tomar um jeito, eu vou acabar perdendo uma das minhas melhores enfermeiras... e você, bem, sabe a medida da sua perda".
Com um tapinha nos meus ombros meu pai me deixou pensando em suas palavras, que martelavam na minha cabeça. Eu me sentia ainda mais inútil. Como assim raízes? Onde eu estava com a cabeça esse tempo todo, que nunca prestei atenção a esse GRANDE detalhe. Porra, eu não sabia nada da minha Bella.
"Vai transferi-lo agora, não é? Vou levar sua mãe para descansar um pouco..."
Não escutei o restante das palavras do meu pai, pois seu pequeno discurso me destruiu. Eu estava tão preocupado com minha dor e minhas dúvidas, que em nenhum momento pensei sobre isso. Como pude ser tão estúpido? Eu estava ainda mais errado. Ele tinha razão... eu a estava perdendo...
"Dr. Cullen?"
Virei o rosto em direção à Carolina, outra enfermeira.
"Sim?"
"Acabei de transferir o pequeno para o quarto 209. Ele já pode receber visitas?"
"Sim, Carol. Aproveite e deixe liberado para os pais de Masen entrarem. Kristen Stewart e Robert Cullen. Eu autorizo".
"Ok e... doutor?"
"Pois não?"
"O senhor é o melhor pediatra que conheço, meus parabéns!"
Assenti e fui lentamente em direção à sala de espera, onde com certeza estavam os pais de Masen, mas minha mente remoia todas as palavras do meu pai e Bella. Eu estava me comportando com ela como um prepotente machista que só pensava no próprio umbigo. Bella sempre foi tão perfeita e feita pra mim. SOMENTE pra mim. Nunca me exigiu nada e sempre me amou. Eu não deixaria nenhum imbecil roubá-la de mim. Eu só tinha que torcer pra que ela ainda me perdoasse... ou não?
Por Deus, o que eu fiz?
Eu não faria a mesma coisa que meu gêmeo. Eu não fugiria dos meus erros. Eu mostraria a Bella que poderia ser melhor... eu precisava ser melhor pra ela. Nem que isso me fizesse partir para a terapia!
Cheguei ao corredor e dei de cara com meu irmão deitado no sofá de espera e com Kristen. Eu terminaria essa etapa e correria até a casa de Bella, ou melhor, à nossa casa para conversarmos.
"Edward. Graças a Deus, como Masen está?"
Fui em direção ao Rob, mas fui parado por Kristen, que correu e me abraçou.
"Calma, Kris. Ele agora está melhor..." Eu a acalmei. Masen estava bem, afinal.
"E então, Edward. Fala logo, em nome de Deus..." Rob disse impaciente.
"Bom, ele ficou em observação, por quase 48 horas. Agora ele não corre mais risco. Apesar da gravidade da intoxicação, os primeiros atendimentos foram essenciais. Eu o entubei e sedei, pois estava tudo inflamado e não queria que ele sofresse, ou sentisse dor... mas acho que meu pai explicou isso. Administrei algumas doses de anti-histamínicos de oito em oito horas. Ele também estava muito febril. Mas, enfim... agora está tudo bem. Acabei de transferi-lo para um quarto... ele deve acordar a qualquer momento".
"Onde ele está? Meu Deus, onde está o meu bebê?"
Sorri para ela e contei a novidade. "Já autorizei a sua entrada e a de Rob. É o quarto 209, pode ir por ali..."
Me assustei quando Kristen desapareceu da minha frente em segundos. Ela correu desesperada até a entrada. Balancei a cabeça quando vi a ansiedade que ela estava de ver o filho.
"Obrigado, cópia. De verdade. Não sei o que faria se você não estivesse aqui." Rob disse, me surpreendendo.
"Eu fiz o meu trabalho, Rob." Disse sinceramente.
"Não, e você sabe disso. Já estamos aqui há quase dois dias, você não dormiu, não deve ter se alimentado direito e nem saiu do lado do meu filho esse tempo todo. Agradeço muito por ter um irmão tão foda cuidando dele".
Sorri para ele. "Eu comi na lanchonete e cochilei no quarto ao lado do CTI. Não fiquei tão pavoroso assim como você. Acho que se as mulheres de Forks nos vissem agora, tenho certeza que escolheriam a mim." Diante da minha epifania anterior, consegui até me soltar mais. Eu tentaria conversar com ela novamente. Ele gargalhou.
"Até parece... elas sabem que sou o mais gostoso. Só preciso tomar um banho e dormir um pouco. Você não é páreo pra mim e sabe disso." Rob deu um passo e me abraçou forte. Meu coração se alegrou por eu ter tido a oportunidade de ajudá-lo e de salvar meu sobrinho.
"Cópia... preciso te contar um coisa." Ele me soltou e colocou as mãos no bolso e me olhou de uma maneira estranha. "Sabia que foi Bella que salvou Masen?"
Já sabia disso, mas agora eu resolveria meus problemas sozinho. Não precisava mais de Rob me perturbando sobre minhas atitudes. E, como reflexo dos meus pensamentos, na mesma hora meu sorriso morreu. "Não quero saber dela agora".
"É mesmo? Nem o fato de que a Kristen foi à nossa casa desesperada e como não achou ninguém, bateu na porta da Bella que, imagino, estivesse magoada e ferida devido à separação de vocês, e mesmo assim fez os primeiros atendimentos a caminho do hospital? Que ela deixou de lado qualquer traço egoísta e abraçou a confiança que Kristen depositou nela, salvando a vida do seu sobrinho? Pense nisso, idiota. Quero ver depois de quanto tempo você vai acordar pra vida. Depois que um panaca melhor do que você roubá-la para sempre, caralho? Eu espero que não".
Ele se afastou em direção ao CTI e nem sequer olhou pra trás, me deixando pasmo e sem reação.
Puta que pariu, todo mundo resolveu me falar isso agora? E se alguém realmente a roubasse de mim e a levasse embora de Forks? E se ela nunca mais me quisesse?
Fechei os olhos diante da dor dessas perguntas, com medo de algumas respostas, mas, antes de sair do transe, senti duas mãos pequenas me apertarem.
"Será que podemos conversar um pouco?"
Nota da Irene: Oi meninas... queria ver a cara de vcs quando perceberam que o capítulo acabou ai... ahahahah.
Bem... foi super corrido e complicado escrevermos essa parte. Eu escrevi umas 7 paginas e mandei pra Titinha que passou dias pesquisando (com a ajuda da Rafa) sobre os procedimentos médicos no Masen. Mas o bom é que esse capítulo está todo em nossa cabeça e a Titinha inclusive já escreveu mais páginas, mas nem sempre poderemos postar semanalmente.
EU e ela temos que virar madrugadas para conseguir escrever e está sendo super complicado, mas fazemos com o maior prazer. Então para não ficar na correria que passamos essa semana, eu prefiro não marcar data para o próximo post, e assim que terminarmos de escrever e revisar, avisaremos aqui e no orkut sobre o dia das postagens.
Quero agradecer tbm a Ju, por revisar o capítulo mesmo a gente tendo entregado tão em cima.
Meninas, espero que estejam gostando e nós prometemos que vcs amarão a parte 2 desse capítulo e eu juro que a história vai andar, a gente só precisa explicar bem o lado de cada um nessa história.
Até a próxima pessoal!
