PORCELANA

Sinopse: Quando ela entrou na clínica psiquiátrica nunca imaginou apaixonar-se por um paciente, que cuida dela como sua boneca de porcelana. Será mais forte o amor, doçura e paciência do que os traumas e problemas?

Disclaimer: A história pertence a Kira, os personagens a Stephenie, e a mim somente a tradução.


Capítulo 37 – As Verdades

Podia ouvir a voz de Jasper no fundo da minha mente. Falava de maneira pausada e tentava passar um toque de confiança. Era assim em cada sessão. Sabia de cor o que ele disse e tinha coisas melhores para pensar como, onde estava Bella?

Ela não estava na sessão de hoje.

Após o fim de semana em sua casa, não tínhamos tido comunicação, então não havia nenhuma maneira de saber se viria hoje, este poderia ser o motivo da sua ausência aqui?

Tentei me acalmar. Ela não podia ser chateada.

Apesar de sua recusa diante meu pequeno desejo não estava chateado com ela. Ferido, talvez, sim. Mas não chateado, nunca com ela.

Ainda lembrava da alegria desse domingo, cada um dos momentos que passamos. A grande surpresa que me deu, até me ajudou em minha visão para o futuro. Tinha aberto uma porta para algo em minha vida. E eu tinha percebido outra coisa ainda mais importante. Era com ela com quem desejava passar cada momento, era com ela que eu queria estar. E talvez não seria agora, algum dia quando ela desejar tanto quando eu.

- Quer começar, Edward? – Jasper perguntou e minha expressão horrorizada deve ter delatado o fato de que eu não tinha idéia do que estava pedindo.

- Desculpe... Eu não sei o que...

- Eu posso começar Dr. Withlock? – disse Tanya.

- Certo, comece. –Jasper concordou.

- Meu nome é Tanya Denali e bem estive internada nessa clínica por três meses. Eu...

- Não há necessidade de contar as suas razões, Tanya, faça-o somente se você se sentir pronta.

- Estou doutor – Sua voz soava segura, mas suas mãos tremiam em seu colo. Nunca a vi tão vulnerável e tão forte ao mesmo tempo. – Já sabem como é a escola, pressões sociais, discriminação por isso ou aquilo, rumores e fofocas. A poucos sortudos que não são afetados, no mínimo, vivem suas vidas na sombra. Isso não aconteceu comigo. Cheguei nessa "maravilhosa" escola nova, onde todos queriam ser meus amigos, mas ninguém realmente queria. As garotas diziam amar minha roupa, meu estilo, que era linda, mas nas minhas costas era outra coisa. Começaram a rodar fofocas e boatos. Que era uma vadia, uma vagabunda e muitas outras coisas. – riu sarcasticamente – no principio não dei importância. Mas, então, as palavras tornaram-se maus-tratos, piadas cruéis e humilhação. – Algumas lágrimas deslizaram em sua bochecha, abraçou-se para evitar tremer. – Cheguei a um ponto que tinha pavor de ir à escola, mas não dizia nada aos meus pais. Eles já tinham problemas suficientes sem o meu. Logo comecei a odiar a minha vida, a odiar todos ao meu redor, desejando distância. Até que um dia tentei fazê-lo. Pegue uma faca de cozinha e fui para meu quarto. Cortei meus pulsos que com esgotamento e eu deitei na cama esperando tudo acabar.

Ela passou sua mão sobre os olhos lacrimejantes removendo as lágrimas. Eu também senti a umidade invadir meus olhos. Ela também tinha sofrido. Mas quem nesta sala não o tinha feito?

- Acordei numa cama de hospital com meus pais chorando ao meu lado. Eu me senti pior por fazer isso a eles. Passe algum tempo no hospital, um psiquiatra falou comigo e me sugeriu que eu me internasse por alguns meses. Obviamente assim foi, mas não foi tão mau como eu pensava. Ao menos, as enfermeiras falavam e riam comigo. Eu fiz um amigo – disse dando-me um sorriso – e creio que superei um pouco do medo, que se formou em mim.

- Como você foi recebida em sua casa? – Jasper perguntou.

- Mamãe e papai falam comigo todas as noites, me sufocam um pouco, mas eu sei que é porque se importam. Minhas irmãs Kate e Irina também se aproximaram de mim. Eu mudei de escola porque os meus pais tinham medo de que voltassem a me incomodar. Estou bem na minha nova escola e eu acho que vou ficar bem. – Tany concluiu.

- Bem Tanya, estou feliz em saber como sua família apoia você. Você tem sido muito forte para superar isso – Jasper acrescentou.

- Edward você quer falar? A decisão é sua, se você quiser compartilhar sua história conosco.

Eu apertei as mãos em sinal de ansiedade.

Estava preparado para contar a história conhecia por fragmentos? Que ainda não assimilava totalmente?

- Acho que sim. Meu nome é Edward – suspirei audivelmente – estive internado por dez anos.

A maioria dos presentes me olharam surpreso. Sim, acho que ninguém ficou esteve tanto tempo e logo saiu.

- Meu diagnostico é algo como "dissociação da realidade", não sei muito bem do que se trata, jamais entendi – comentei lembrando a única vez que Carlisle falo sobre a minha condição comigo – Quando eu tinha sete anos eu... – engoli o caroço na minha garganta, era agora ou nunca. Você superou ou não, Edward? – presenciei o assassinato da minha mãe. Devido a isso eu tive um choque e as pessoas responsáveis pensaram que seria melhor que eu vivesse em um orfanato em vez de me levar para o meu tio, que era o único parente que tinha vivo. Não lembro muita coisa, é tudo confuso e incompreensível. Tempos depois pude ir morar com ele e sua esposa, ainda que depois foi hospitalizado aqui. Aparentemente, anos mais tarde e ainda não saia do choque. – resumi não queria dar detalhes de meus primeiros cinco anos aqui, já estava suficientemente horrorizado. – Aqui é o meu único alívio era desenhar e a companhia de uma boneca de porcelana que havia adotado como uma figura com vida. – Eu me senti tonto falando sobre isso, mas fazia parte da minha história – tinha pertencido à minha mãe e em meu desespero infantil a havia apegado. Eu... muitas coisas aconteceram aqui, eu encontrei alguém que me ajudou a acordar desse sonho tão bizarro em que vivi. Uma pessoa extremamente boa e gentil que não fugiu de mim apesar de tudo. - Eu pensei na minha Bella e tudo o que era para mim. Absolutamente tudo o que me fazia feliz e me faz e eu não pude deixar de sorrir por ela – Eu conheci um médico que teve sua cota de ajuda no meu caso. – Olhei para Jasper e sorri, ele também teve méritos, apesar de que ele mesmo não acreditava – eu fiz uma boa amiga – busquei Tânia entre o circulo para também sorrir para ela – e recuperei uma parte da família que tinha perdido. Eu voltei a morar com meus tios e eles fazem o seu melhor para cuidar de mim, realmente os amo, apesar de tudo. Minha namorada e eu nos amamos e eu tenho o seu apoio. E eu acho que tenho um bom futuro pela frente.

Quando terminei notei minhas mãos ainda fortemente apertadas, molhadas pelo suor. A secura na garganta delatava o esforço com que havia relatado parte da minha história, e as poucas lágrimas que passavam pelo meu rosto me dizia o quanto dia lembrar, mas também o leve que me sentia dizer que já não seria tão difícil como agora. Apreciei o fato de que Bella não estava aqui, ela também teria chorado e eu não aguentava vê-la chorar.

Jasper disse algumas palavras encorajadoras para mim, mas infelizmente o meu pulso seguia trovejando em seus ouvidos e me impedia de ouvir bem.

Jasper voltou a perguntar quem mais queria participar com sua história. A maioria já o tinha feito, só faltavam os gêmeos.

A garota, Jane, não parecia ansiosa para falar, mas seu irmão levantou a mão.

- Quer falar Alec? – ele assentiu

- Meu nome é Alec Volturi – apertei os dedos para reconhecer o seu sobrenome. Volturi como Aro Volturi. – Eu estava internado em uma clínica na Itália. Eu...

- Alec, se você não se sentir bem não o faça – lhe pediu Jasper. E se podia notar como o menino tremia. Sua irmã pegou a mão dele, mas não parecia tranqüilizar-se com esse gesto.

- Está bem doutor. Pela primeira vez quero ser corajoso. – sussurrou. Sua irmã disse algo a ele.

"Você sempre foi corajoso"

- Meu pai era um médico. Ironicamente um psiquiatra. E minha mãe, uma mulher doente. Ela sofria de constantes dores de cabeça que a impediam de sair da cama e cuidar de minha irmã ou de mim. No começo meu pai tentou ajudar, mas se cansou e deixou à sua sorte. Uma noite, ele retornou e foi para seu quarto, minha irmã não estava. Escutei de discutiam e fui ver. Eu tinha talvez cinco anos, mas eu lembro dos gritos. Ela não conseguia se levantar e eu acho que desmaiou de dor de cabeça. Ele ainda estava furioso. Jogava coisas contra as paredes, disse maldições uma e outra vez e eu observava da porta, pegou uma garrafa de uísque e bebeu em um gole, em seguida, olhou para mim e eu congelei. Me arrastou para o seu escritório e me deu uma surra – as lágrimas corriam pelo rosto Alec. Sua irmã pediu-lhe para não continuar a contar qualquer coisa, mas ele recusou.

- Depois daquele dia ele começou a descontar em mim tudo o que estava dando errado. Ele dizia: "Se não é você seria com Janie. Você não quer eu bata em Janie, certo Alec?" Eu não queria que batesse nela como em mim. Janie era mais delicada, eu era seu irmão mais velho. Eu devia cuidar dela.

- Inevitavelmente mamãe morreu. Mas as agressões não diminuíram, até que em uma ocasião sua irmã, tia Didyma nos visitou de surpresa. Ele não bateu em mim de forma que poderia ser visto tão facilmente, mas ela o fez.

"Quem te bateu Alec?" Perguntou alarmada. Eu disse a verdade e perguntou por que nunca disse nada.

"Porque eu não queria que ferisse a Janie" disse chorando de medo só de pensar que a machucasse

Ela começou a chorar, me pegou nos braços e pegou Janie e nos tirou da casa onde morávamos. Nos afastou dele, nos levou com seu marido para a Itália. Não voltamos a saber do papai.

- Eu disse para não chamá-lo assim – Jane repreendeu enquanto ela continuava tentando acalmá-lo.

- Fui levado a um hospital onde me examinaram, mas eu não podia deixar que me tocassem. Eu estava com medo que alguém me machucasse novamente. Gritava, chutava e chorava. Só tia Didyma e Janie me acalmavam. Um médico lhes disse que seria bom que me internassem por alguns dias a acompanhar-me, mas não dicas tia Didyma. Ele disse que tinha sofrido muito e não me deixaria sofrer mais. Mas no tempo do meu estado de saúde piorou, tinha pesadelos e não podia ficar o contato físico com outra pessoa além de minha irmã. Então, o marido da minha tia, Mark, insistiu para que pudesse ver um psiquiatra. Estive alguns meses internado, mas eu não suportei estar aqui e voltei para casa rapidamente. Ainda hoje eu não suporto ficar perto de muitas pessoas, eu fico ansioso e não posso deixar de sentir pânico.

A voz de Alec parou em um sussurro.

Minha mente lentamente processou toda essa informação. Aro Volturi não só arruinou as vidas de estranhos. Também havia arruinado a de seu filho.

Jasper se levantou para atender Alec, ainda que fez todo o possível para não se aproximar muito. Poucos minutos depois, Alec se acalmou e Jasper seguiu. Não escutei bem os outros que se seguiram não poderia deixar de seguir olhando os gêmeos. Me dava tristeza o seu passado, mas ainda mais que não superou.

- Foi um prazer estar com vocês – disse Jasper no final da sessão – Esta é a última sessão que terão comigo, eu vou voltar para a Inglaterra em breve, mas devo dizer que todos tiveram um grande progresso e estou feliz por vocês.

As pessoas que estavam lá se levantaram, mas eu não podia.

Ele ia embora? Ele tinha desistido de Alice?

Estava disposto a segui-lo para perguntar quando notei que Jane e Alec seguiam sentados. Algo em mim despertou para vê-los. Eles sofreram como eu ou talvez mais. Seu próprio pai os feriu e deixou cicatrizes sobre eles.

- Estão bem? – perguntei sem me aproximar muito deles.

- Estamos bem – Jane respondeu secamente. E logo me ignorou – vou ver se já vieram por nós, certo? – disse com carinho para seu irmão.

- Você foi muito corajoso – comentei ao ficar sozinho com ele.

- Por quê? – perguntou ainda nervoso.

- Por cuidar de sua irmã desse jeito.

- A amo muito, nunca deixaria ninguém machucá-la. Mas agora disse que ela não deixara que ninguém me machuque.

- Ela te ama.

- Sim. Ela tem sido muito boa para mim. Embora algum dia se canse de cuidar de mim, não a culparia.

- Ela te ama isso nunca vai mudar. E quando você ficar bem poderá cuidar dela.

Ele riu.

- Você é a primeira pessoa que usa " quando você ficar bem", além do Dr. Cullen.

- Sério?

- Realmente, ele vem tentando há vários meses. E o único otimista sobre o meu caso.

- Ele tem razão.

- Pode ser. – Comentou em descrença.

Sua irmã se aproximou de nós dando passos largos e olhou para mim com raiva. Alec se levantou e disse adeus com um aceno de mão.

- Vá na frente – lhe pediu Jane e ele o fez.

- Nem meu irmão nem eu queremos sua piedade - disse quando Alec se foi.

- Não é piedade. Eu só queria ser amável.

- Obrigada, mas outra vez não precisamos. Nossa mãe morreu e nosso pai é um bastardo que espero que hoje em dia esteja apodrecendo na cadeia, mas ainda assim continuamos em frente. Eu tento fazer pelo meu irmão e por mim. Então mais uma vez não precisamos bondade. – Disse de maneira acida. Ela se virou nos calcanhares e voltou para a rua.

Eu só fiquei lá olhando para ela sair.

Alec não era o mais danificado dos dois. O ódio e a raiva corroíam Jane e talvez isso não fosse melhor do que ter um transtorno mental. Mas, ainda assim, não a culpava.

.

.

.

Carlisle estava dirigindo para casa e nós dois estávamos em silêncio total. Regularmente não era assim, mas nessa ocasião tinha muitas coisas em mente. Havia tantas perguntas que eu queria fazer assim que comecei com a primeiro em minha mente.

- Bella não foi hoje?

- Tem uns dias de folga.

- Certo – respondi aliviado. Próxima pergunta – Por que você não me disse que você estava cuidando de Alec Volturi?

Notei que ficou tenso com a minha pergunta.

- Te incomoda?

- Claro que não – respondi ofendido – Só quero saber porque eu descobri hoje.

- Não pensei que se interessaria, você já tem problemas suficientes em sua vida para que algo mais te incomode.

- Isso não me incomoda. Fiquei surpreso em saber quem eles eram, me surpreendeu ainda mais a história, mas nunca senti rejeição por eles. Eles sofreram como eu, talvez mais.

- Então... – perguntou ainda sem entender o meu ponto. Ele manteve os olhos fixos na estrada, mas completamente atento em mim.

- Eu odeio que me esconda as coisas. Eu sei que você faz. Todo mundo faz isso e eu não gosto.

- Por que você acha?

- Eu ouvi você falar Esme, com Jasper de coisas que não me disse.

- Ouça a Edward, eu sei que você quer dizer e por isso... – O carro parou e percebi que estávamos em um lugar desconhecido para mim. – ...estamos aqui.

Ele tinha estacionado o carro na frente de uma casa enorme, era semelhante a sua. Esta parecia ser uma pequena mansão.

Silenciosamente saiu carro e o segui sem entender. Passamos por o extenso campo que devia ser o jardim, mas não havia nenhuma flor. Parecia abandonada há muito tempo.

Chegou à grande porta de madeira e puxou a chave. Olhei para ele interrogativamente.

- Algum tempo atrás Esme te disse a idéia de que você poderia viver na casa que foi de seus pais. Eu quero que você conheça o local antes de tomar uma decisão. - Disse antes de empurrar a porta.

Meu coração se afundou. Embora essa idéia já não era muito atraente para mim não quis contradizê-lo, eu queria conhecer essa casa. Eu queria mesmo que nunca o havia manifestado o desejo de recuperar uma parte do que foram as minhas lembranças junto dos meus pais.

Caminhe silenciosamente atrás de Carlisle enquanto passávamos pelo que deve ter sido o quarto. Havia poucos móveis e estavam cobertos por lençóis brancos e poeira.

- Ninguém veio a esta casa nos últimos anos. – Carlisle comentou quando começamos a andar pelos corredores.

Eu senti que tinha que lembrar de algo, qualquer coisa nesta casa, mas tudo parecia tão estranho.

- Nesta casa, seus pais tiveram os melhores momentos de sua vida. Aqui começaram a vida juntos e a sua vida também.

Os quartos vazios não significavam nada para mim, tapeçaria danificada, mobiliário encurralado, não me fazia referencia a um lar

- Nada me parece conhecido – eu disse com a voz estranhamente rouca.

- Nem a mim – Carlisle respondeu – depois de seus pais se foram, a casa já não parece à mesma. Você pode subir, se desejar. – Indicou as escadas.

Hesitante subi o primeiro degrau, e o seguinte e o seguinte, antes que percebesse estava correndo nas escadas.

Cheguei ao segundo andar e o lugar era semelhante à parte debaixo. Poeira e desolação.

Eu não sabia o que esperava encontrar, apenas sentia que devia correr.

Percorri os quartos sem saber o que queria, talvez uma indicação de que em algum momento estive aqui, em algum momento fui feliz aqui, mas não encontrava nada.

Finalmente alcançando a maior sala, era a que meus pais haviam ocupado. Surpreendentemente, os móveis ainda estavam em seus lugares. A cama grande ocupava o centro do quarto, havia uma penteadeira pequena em um canto. Eu me aproximei dela e movi alguns frascos que haviam ali, coberto de poeira, mas era uma visão familiar. Esse quarto, era familiar. Movi minhas mãos percorrendo as coisas na penteadeira até que toquei em algo que chamou minha atenção. Uma pequena caixa circular, a peguei em minhas mãos e abriu. Uma melodia tocou ao abri-la e imediatamente lembrei.

Era a caixinha da minha mãe, o colocava junto a mim para me fazer dormir, me lembrava da melodia. Era o que cantarolava no dia que me encontraram, era o que cantarolava para Bella quando ela estava dormindo.

- Eu achei que iria parar aqui – escutei a voz de Carlisle atrás de mim. – O único quarto que esta mais ou menos intacta.

- O único que encontro lembranças. – disse mostrando a caixinha de música.

- Ah, a apreciada caixa de sua mãe. Eu quase fiquei louco quando seu pai lhe deu. Foi seu primeiro presente e, embora seja tão humilde, ela o amou.

- Eu posso levá-lo comigo?

- Claro que você pode – respondeu com voz paternal.

Passei alguns minutos olhando o quarto, mas não havia nada mais, então Carlisle e eu saímos da casa sem dizer uma palavra.

- O que você esta pensando? – Carlisle perguntou quando estávamos entrando no carro.

- Nada, realmente. Eu apenas pensei que ao entrar na casa iria me lembrar de muitas coisas dos meus pais. Não foi assim, sinto-me decepcionado.

- Bem, não foi para esse objetivo que veio, mas pelo menos você tem uma pequena lembrança, não é?

- Acho que sim – eu disse apertando a caixinha no meu bolso. – Então, qual foi o ponto de vir?

- Eu queria saber qual seria a sua decisão.

- Eu não quero viver lá – respondi sem pensar. A casa não era minha, não me lembrava de nenhuma lembrança ruim ou boa. Mas simplesmente não era a minha casa.

- Eu entendo. Quando você decidir onde quer viver, procuramos um lugar para você.

- Carlisle, eu pedi a Bella para viver com ela. – comentei antes de continuar com seus planos para mim.

Não comento nada, parecia como se a idéia o incomodava.

- Ela disse que não, certo?

- Sim. – Comentei triste.

- É o melhor – murmurou entre dentes, e isso me incomodou.

- Por que é o melhor?

Edward, você deve compreender que ainda está um pouco instável sobre o seu humor.

- Sim, e?

- Você pode ter algum tipo de crise, você não tem medo em algum momento possa machucar Bella enquanto estiver irritado?

A simples idéia me horrorizou.

- Eu nunca a machucaria! – respondi com mais força do que eu queria. – Eu não sei como pode pensar nisso. Isso é o único que eu jamais faria.

Seus olhos estavam cheios de contradição.

Ele est[a consciente de sua mais recente crise? – Eu me lembrei do que Jasper tinha perguntado naquela ocasião.

Que crise?

- Carlisle o que aconteceu na minha última crise no hospital? – perguntei desejando uma resposta verdadeira e temendo a sua recusa em dar-me.

- Por que você menciona?

- Algum tempo atrás, você e Jasper falaram sobre isso. Você disse que eu não me lembrava.

- É melhor que não o faça – respondeu rapidamente.

- Eu quero saber. Pare de me esconder coisas.

- Quero te proteger – disse com a voz em um murmúrio.

- Não preciso que me proteja! Quero a verdade! Que tanto custa perceber que quanto mais mente para mim e mais esconde, menos confiarei em você?

Suas mãos apertaram o volante,eu sabia que tinha chegado a um ponto de sofrimento para ambos.

-Não poderia suportara verdade.

- Diga a verdade! – rugi cheio de angú mãos tremiam sem que pudesse controlá em minha mente ligava os pontos do que conversamos, mas temia o resultado.

- Não.

Eu cerrei os dentes para não gritar. Então o que eu havia desejado, enquanto estava naquela casa aconteceu.

Um flash de memória me bateu. Mas não uma memória de meus pais, não uma memória boa.

Bella tinha medo pintado em seu rosto. Queria soltar do meu aperto. Ela me pediu para deixá-la ir. Ela chorava.

Minha respiração ofegou em meus pulmões, quando de repente o entendimento sobre o medo de Carlisle me atravessou.

- Eu a machuquei não foi? – perguntei com uma voz angustiada – Nessa vez, no hospital. A encurralei contra a parede...

- Não, Edward, não. Não foi sua culpa... – dizia Carlisle enquanto tentava manter sua atenção na estrada, coisa que era difícil tendo sua atenção focada em mim.

Mas não escutava, porque a cena foi se repetida uma e outra vez na minha cabeça. Como um vídeo.

Com dor apertei meus dedos contra meu braço. Era a mesma dor que havia causado a Bella.

Carlisle chegou em casa e quase teve que me arrastar para fora do carro.

Ele continuou negando tudo. Que não foi culpa minha. Mas é claro que não era verdade.

Carlisle me levou para um dos sofás na sala e foi buscar sua pasta. Mas eu não o esperei. Não era com ele que eu queria falar. Meus pés me levaram para a porta.

Sabia o que fazer.

Eu tinha que ir até a Bella.

Ela era a única pessoa que poderia me dizer a verdade de como haviam acontecido as coisas. Embora eu tinha certeza do que tinha acontecido. Tudo o que eu realmente precisava era de vê-la.

As ruas de Chicago estavam geladas, mas nessa ocasião não notei, meu único pensamento era chegar a Bella. Chegar e...

O que mais? O que lhe diria?

Somente de lembrar do seu rosto de medo fazia meu estomago revirar

Cheguei ao prédio de Bella em automático e eu subi as escadas quase inconscientemente. Ao estar de pé em frente a sua porta as minhas mãos tremiam, mas eu precisava vê-la.

Bati na porta com força.

Ouvi os passos do outro lado e então a fechadura abrindo-se.

Os olhos de Bella se iluminaram quando me viu, mas quase imediatamente notou meu semblante obscuro.

- Edward, que surpresa. Entre – pediu um pouco nervosa.

Ela se aproximou de mim e me beijou.

- O quê? – Perguntou ainda confusa.

- É por que você tem medo que eu volte a te machucar, que não quer que eu viva com você? – soltei sem pensar. Era a idéia que havia se formado em minha cabeça enquanto caminhava e não conseguia deixar de pensar que era a razão.

Seus olhos me olharam com confusão e agonia. O que eu menos queria era machucá-la.

Mas precisava de sua resposta. Eu precisava saber a verdade.


SPOILER DO ÚLTIMO CAPÍTULO - 37

- Espere... Edward... Não... Não vá – disse entrecortada. As lágrimas não lhe permitiam falar claramente.

A olhei sem dizer nada. Esperava que ela dissesse alguma coisa, mas ela só olhava para mim enquanto enxugava as lágrimas que tinha derramado.

- Por favor, Edward, por favor não faça o mesmo dessa vez. – Bella suplicou com uma voz chorosa.

O meu coração caiu aos pés. Ela realmente pensou que eu iria machucá-la. Ela realmente tinha medo de mim.

Meus pés não seguraram meu peso e eu cai no chão. A dor devido ao impacto devia me fazer reagir, mas tudo que eu conseguia pensar era em Bella.

Eu senti sua presença ao meu lado. Ela estava preocupada, e ouvi sua voz me chamando. Sua mão segurando a minha enquanto eu estava desesperado para soltar-me dela.

- Solte-me – consegui falar. Tinha os pensamentos nublados em mim, todos incoerentes, todos sem sentido, todos sem sentido. O único lógico, o único real ali era Bella. Ela e que devia ficar longe de mim, por seu bem.


OMG Tadinho do Edward! Parece que nada fica bem por um tempo grande. O que vai acontecer com eles agora? Ele vai se afastar dela? No último capítulo? Sem final feliz? :/

Vamos caprichar nas reviews gente, a fic ta acabando, e vocês sumiram das reviews. Sábado de tarde eu venho com o último capítulo. Corações aflitos.

Bjs

xx