Capítulo 35 – Fogaréu (EdD 82)

Começava a madrugada, e Leah e Sirius ainda terminavam de jantar. Na verdade, agora mais conversavam do que comiam e bebiam. Ele usava botas e jaqueta de couro; ela, um elegante sobretudo e xale. Era o restaurante mais chique da cidade. Tomavam vinho tinto. Sirius havia comido truta ao molho de amêndoas. Leah comeu filé de picanha ao molho de mel e pimenta. De sobremesa, um doce de goiabada frita com farofa de nozes, e sorvete de queijo cremoso.

Ele detestava esse tipo de comida chique, cheia de frescura, mas, de fato, queria agradar Leah, e mesmo que ela não fosse tão exigente no dia a dia, sabia que ela adorava massagear seu Eu milionário de vez em quando.

- Acho que é hora de irmos embora. - suspirou o homem, terminando uma tacinha de licor de cacau.

- É. - concordou Leah, suspirando.

A conta chegou, entregue pelo maître, e ele puxou o caderninho pra si delicadamente, antes que Leah o tocasse. Ela abriu a boca, mas ele piscou o olho, pedindo silêncio:

- Deixe que é minha. - sorriu Sirius. Ela cruzou os braços, sorrindo torto. Ele abriu o caderninho e bateu os olhos na conta, arregalando os olhos e engasgando-se ao olhar o preço, guinchando fino. - O QUÊ?...Ah, meu Deus... - gemeu, murchando.

Leah riu, balançou a cabeça e pegou o caderno, depositando nele seu cartão de crédito e devolvendo ao garçom, sem sequer olhar o valor.

- Não faça essa cara. - riu Leah, assinando a nota, consolando. - Não me importo de pagar a conta. Sou uma mulher muderna.

- Sei. - gemeu o grifinório, levantando-se e puxando a cadeira de Leah, para que ela fizesse o mesmo. - Que mico. Te chamar para um jantar romântico e você ter que pagar a conta porque o pobre aqui não tem o suficiente.

-... Romântico? – perguntou ela, já na porta do restaurante, antes de entrar no carro.

-... Chique. Eu falei chique. - corrigiu Sirius.

- Hum. O que vale é a intenção. - sorriu a mulher. - Obrigada pelo jantar. É bom se distrair de vez em quando.

Apesar de rir e sorrir de vez em quando, ela estava visivelmente triste e abatida. Sirius sabia que era porque Kojiro estava de volta, e não era mais seu marido. Mas era uma decisão dela. Não agüentou não falar sobre o assunto, e esperou chegar em casa:

- Leah... que cara é essa? Não gostou do programa?

- Adorei. - disse, tentando não parecer deprimida. - Só estou meio... cansada.

- É Kojiro, não é? - perguntou, seguindo-a até a cozinha.

- Não, não é. - suspirou, tomando um copo de água gelada e um remédio.

- É, é sim. - repetiu Sirius, olhando as costas dela, sério. - Se não fosse, você não teria nem que estar tomando essas merdas de comprimidos trouxas. Se te machuca tanto, por que inventou essa historinha pra ele?

- Não inventei nada. - reclamou Leah.

Sirius a puxou pelo braço, pressionando-a contra a porta da geladeira, onde ela acabava de guardar a garrafa de água.

- Pare de ser falsa, mentirosa e egoísta!

- Falsa? Mentirosa? Egoísta? EU? - reclamou.

- Sim, você! Mentiu pra Kojiro, o homem que te amava, que deve te amar, mas que você resolveu enganar por pura insegurança. De certo estava já se cansando dele e usou essa desculpa da falta de memória do pobre coitado pra poder se livrar dele e voltar pra sua vida de luxúria, né não?

Se a ex-bruxa ainda tivesse poderes, já teria arremessado Sirius no jardim, mas era apenas uma mulher indefesa sendo segurada por um homem forte. Não podia fazer nada.

- Você não tem o direito de me julgar! Quem pensa que é? – xingou. - Me solte!

- Não solto. - disse, firme. Olhou-a seriamente, segurando os braços dela, que nada podia fazer para se soltar. Ele deu um meio sorriso, dizendo: - Gosto de ter você assim.

Leah parou de se debater, olhando-o chocada. Ele voltou a sorrir:

- Deve estar sendo terrível viver assim, justo você, que era tão prepotente, não? Estar tão frágil, indefesa e dominada. Ah, e, claro... carente.

Os olhos dela brilharam. Sirius a apertou com mais força:

- Sabe... - sussurrou, sorrindo torto. - Acho que, de fato, Kojiro era o único homem capaz de ter você nessas condições, não?

-... Que quer dizer? - sussurrou, aterrorizada.

-... Quero dizer que ele era um homem de uma indiscutível sorte.

Leah tremia da cabeça aos pés de pavor. Ele a apertou com mais força contra a geladeira, aproximando seu rosto do dela. Por mais força que fizesse, Leah não se livrava dele. Encolheu o corpo, quando sentiu a respiração de Sirius lhe tocar o rosto:

-... Covarde. - murmurou, antes que ele lhe tocasse com os lábios.

Sirius parou. Afastou o rosto, olhando-a. Leah tremia, com os olhos ainda brilhando. Sirius soltou a amiga:

-... Quê?

-... Covarde! - desabafou Leah, baixando a cabeça, começando a chorar. - É isso o que você é, um covarde, Sirius!

- Do que você está...?

- Você sabe o quanto estou fragilizada! - soluçou, com raiva. – E, ainda assim, tentou se aproveitar. Você sabe que estou fodida, que estou triste, arrasada, que não tenho mais Kojiro! E, ainda assim, você quer se aproveitar do fato de que estou completamente indefesa!

Sirius se assustou. De fato, não era justo. Mas era tão desesperador ver Leah naquele estado... Ela, sempre forte, sempre auto-suficiente, poderosa, orgulhosa, confiante... Agora parecia uma mulher frágil, comum, acuada, deprimida e indefesa. Sirius a olhou com a boca entreaberta, sem reação. No fundo, talvez, ele só quisesse protegê-la.

- Sirius, não! - choramingou Leah, fechando os olhos, quando ele segurou seu rosto com firmeza, usando as duas mãos.

- Leah, acalme-se! - pediu Sirius, em voz baixa. - Por favor... Por favor!

Ela tremia, com as mãos sobre as dele, balançando a cabeça sem parar.

-... Eu uma vez prometi ao Kojiro que eu iria cuidar de você se ele faltasse. Foi ele quem pediu. Me desculpe. Eu só queria cumprir a promessa. Ou mais do que isso...

Leah parou de se mexer. Abriu os olhos, olhando o amigo. Escutar que "Kojiro havia pedido" a fez parar, a fez "amolecer". Seria verdade?

Sirius respirou fundo, olhando-a nos olhos, e sussurrou:

-... Eu só quero poder cuidar de você, Leah. - e, em seguida, beijou-a.

Sirius apertou seu corpo contra o dela, puxando seu rosto. Sentiu que Leah apertava sua cintura, mas as unhas dela não lhe machucavam, o casaco de couro era forte. Instantes depois, Sirius a soltou. Parecia literalmente ter voltado a si. Olhou-a quase apavorado. Ele piscou, olhando para os lados, dando um passo para trás, encostando-se na mesa da cozinha:

-... Desculpe.

-... Desculpar? - murmurou Leah, entre os dentes, curvada, com a mão na boca. - Desculpar você?

- Eu não... digo... Ah, não! - lamentou, pondo a mão na testa. - Me desculpe. Perdoe. Você tem razão. Covarde, fui covarde. Por favor, Leah, não chore...

- Eu não agüento mais isso tudo! - desabou Leah, tremendo. Isso apavorou Sirius mais ainda. Ele nunca imaginara ver Leah naquele estado. - Você era a única pessoa que eu tinha pra confiar, Sirius. Você era o único amigo que tinha me restado! E agora?... - ela soluçava, tremendo. - Eu... eu odeio! Odeio estar nessa maldita condição! Não posso sequer te matar por isso! Não posso nem sair daqui dessa casa, atrás de Bellatrix pra me vingar dela ter destruído a única coisa que realmente me sustentava de pé! Não posso fazer nada! Nada, a não ser ficar aqui nessa maldita casa lacrada magicamente, indo pra lá e pra cá de carro, sempre em lugares igualmente seguros, só nas proximidades ou na vista de meia dúzia de bruxos; tive de conviver com um débil mental que babava na roupa, que em outra época foi o homem que eu mais amei na vida!

Leah pôs as costas da mão na boca, chorando sem parar. Sirius estava apavorado de verdade:

-... Você vai ter Kojiro de volta. E todo o resto. Eu sei que vai. - sussurrou, sem reação.

- Cale a boca, Sirius! - vociferou, desolada. - Você já mentiu e me enganou o suficiente! - e saiu da cozinha.

Um instante depois, Sirius respirou profundamente, sabendo que não podia ir atrás dela. Sentou-se na mesa, apertando a cabeça com as mãos. O que tinha feito?


Leah entrou no quarto derrubando tudo. Por um instante, aquele "furacão" parecia ter voltado. Mas, sem magia, ela pôde apenas empurrar e chutar coisas. Sabia que as paredes eram vedadas com mágica. Nenhum som escaparia dali.

Chorava, furiosa. Usando apenas a mão direita, ela empurrou o antigo espelho da penteadeira e o lançou na porta da varanda, junto com dois vasos de cristal com água e flores. O espelho se partiu ao meio, e a parte do meio, do suporte de madeira, cedeu, expondo para o alto os grandes e afiados cacos de vidro, presos nas gretas da porta de madeira da varanda. Leah ofegou, rangeu os dentes e avançou com o punho direito na direção dos cacos para partí-los, mas um tranco a parou com a mão ainda para cima. Olhou para trás e viu Kojiro. Kojiro! Ele estava de volta, em casa, ela tinha se esquecido completamente disso! Mas onde ele estava, que ela não viu quando entrou, furiosa? Leah olhou para trás, e viu o banheiro aceso.

Kojiro não disse nada. Usava uma calça social e uma camisa branca aberta, e segurava Leah firmemente pelo pulso.

-... O que você estava fazendo...? – perguntou Leah, ainda soluçando, assustada com o que tinha feito. Pior, com o que ele tinha visto ela fazer.

- Estava sem sono. Você me disse que eu era um empresário importante e poderoso. Então, resolvi procurar algum terno, para ver se eu ainda me lembrava como era... Para ver se me reacostumo com essa coisa de ser mauricinho.

Leah, respirando pela boca, pareceu "melhorar". Foi a vez de Kojiro, ainda na mesma posição, perguntar:

- E você? O que você estava fazendo? – perguntou, sério, sem largar seu punho.

Ela baixou a cabeça, voltando a chorar, soluçando:

- Estou cansada... Estou cansada de ser fraca.

Kojiro piscou, pensativo, e agachou-se na frente dela:

- Ser fraca? Corrija sua frase. Estar fraca.

Leah o olhou em silêncio. Ele continuou, sério:

- Todos nós um dia ficamos fracos por um tempo. Então, no momento, você está fraca.

-... Não, não estou. Eu, no fundo, sou... – Leah foi falar, mas seus soluços deram brecha para Kojiro lhe cortar.

- Leah, infelizmente, eu não me lembro de você, ou de qualquer coisa que tenhamos passado juntos. – falou, olhando-a nos olhos. Em seguida, completou, calmo -... Mas, não sei porque, eu simplesmente não consigo conceber a idéia de que "ser fraca" possa ser aplicado à sua pessoa.

Leah baixou a cabeça, soluçando baixinho. Kojiro gentilmente a ergueu, segurando-a pelos braços, tentando não tocar em suas mãos, que estavam sujas de sangue.

-... Vamos sair de perto desses cacos. Você pode se machucar.

Em seguida, ele a guiou para o banheiro. Kojiro foi buscar uma vassoura para varrer os cacos de vidro. Chegou na cozinha e viu Sirius sentado na mesa, com as mãos fechadas sobre a boca, pensativo. Os dois trocaram um silencioso olhar. Kojiro pegou a vassoura e voltou, mas parou, antes de sair da cozinha, e disse:

-... Sirius, alguma coisa dentro de mim está morrendo de vontade de te socar.

Sirius riu, nervoso:

- Faz sentido. De qualquer forma... Perdoe-me.

- Perdoar? O quê?

- Eu não posso cumprir sua promessa. A de cuidar de Leah, caso você faltasse para ela. – disse, simpático.

Kojiro ergueu as sobrancelhas. Sirius completou, sorrindo dolorido:

- Eu não sou capaz de segurar, cuidar ou lidar com a Leah. No fim das contas, a verdade é que não sou homem o suficiente pra ela.

- Ok. – respondeu, automático, sem entender nada, indo para o quarto.

Chegando lá, Kojiro varreu os cacos para o canto, pôs mais ou menos as coisas no lugar, ou num canto seguro para não ferir ninguém. Insistiu para que Leah dormisse na cama de casal, depois de tomar um bom banho. As costas da mão dela havia se cortado, então ele a ajudou, depois do banho, a passar uma gase e fazer um curativo no lugar. E, enquanto ela pegava no sono, ele pacientemente leu um livro, na cama de solteiro, sob a tímida luz do único abajur intacto do quarto semi-destruído.


A cidade amanheceu animada. Várias pessoas arrumavam os últimos detalhes. Alguns infelizes ansiosos já corriam pelas ruas com suas túnicas e alguns moleques enchiam a paciência, tocando as malditas matracas sem parar.

Harry, Mário e André foram para junto dos organizadores da procissão para ajudar. Hermione, Fernanda e Sandrinha foram para o outro lado, também para ajudar. Leah ficara em casa com Tio Gon, que havia aparecido de manhã para filar café e ficara para cuidar da mão dela. Kojiro tinha ido para o Rio de Janeiro, ansioso, reencontrar a turma da empresa e recomeçar a vida.

Enquanto isso, na sala de uma grande fazenda colonial, de frente para um grande relógio de madeira antigo, um velho bruxo trajando um terno negro rodou os ponteiros, marcando dez e quarenta e cinco da noite. Em seguida puxou as correntes do relógio, fazendo-o ranger. Fechou o vidro e virou-se para Voldemort, Bellatrix e outros bruxos de máscaras de comensal:

- Está feito. – disse, fazendo Voldemort sorrir. – O Chaos iniciará sua execução às dez e quarenta e cinco desta noite.

Voldemort cerrou os olhos e elevou a voz:

-... E qual a previsão do tempo para hoje, Bella?

A bruxa se aproximou da varanda, sacando sua espada e a erguendo para o céu. Sorriu, olhando o horizonte de colinas:

-... Tempo bom durante o dia, com poucas nuvens. Nuvens carregadas se aproximando ao entardecer... – e finalizou apontando a espada para uma grande massa de nuvens brancas e fofas. Elas se moveram, lá longe, fazendo ecoar um trovão, o que fez a bruxa sorrir mais ainda e finalizar: - ... Mas a noite está propícia a grandes tempestades!

-... Excelente. – sorriu Voldemort.


A tarde caía, tingindo Ouro Preto de dourado. Todos que participariam da Procissão do Fogaréu vestiam suas túnicas.

- 'Bora lá virar bandido. – sorriu André, vestindo seu capuz pontudo. – Temos Jesus pra capturar.

Os meninos sorriram e se vestiram.

-... Já que tem que ser assim... – murmurou Harry, vestindo-se.

Todos prontos, começaram a pegas suas tochas, ainda apagadas, e as matracas. Mário pegou uma matraca e pôs-se a batê-la, o que fez André lhe enfiar a mão de raiva em tempo recorde. Entre risos, Harry se sentiu mais leve: os rapazes voltavam a brincar, depois de dias de tristeza absoluta.

Todos caminhavam para o local do início da procissão. Harry se mantinha no meio do povo, perto dos colegas, apesar de ser bem difícil. Naquela multidão onde todo mundo era igual a todo mundo, com aquelas roupas.

A noite chegou e as tochas foram acesas. Harry sentiu o peito apertar e a cicatriz doer, coisa que há tempos não acontecia. Mas ele sabia o porquê dessa dor: provavelmente era porque ele sentia-se um comensal da morte ali, mascarado, incógnito. Sabia que todos ali eram "vilões". Prenderiam Jesus Cristo, condenariam e matariam um inocente. Mesmo que só representando, não deixava de ser excitante e emocionante, até para quem não estava acostumado com a tradição.

Harry virou-se e olhou para o alto do paredão de pedras que dava para uma viela, numa praça. Este paredão tinha cerca de três metros de altura e subia a ladeira, afunilando a concentração da procissão. Acima do paredão, na praça, várias pessoas esperavam ansiosas o início da cerimônia, debruçadas na mureta de ferro preto. Foi quando Harry parou e ficou fitando as pessoas lá no alto.

Idosas que saiam de casa usando véus e velas acesas nas mãos. Senhores de idade que vinham de suas roças com a família, de terno e chapéu. Famílias da cidade. Crianças, jovens e mulheres. O olhar de Harry finalmente parou num grupo de jovens garotas. Olhava para a menina do meio, que, inclinada sobre a grade, espiava a multidão às costas do rapaz.

Ela estava arrumada e muito bonita; sorria contente, ansiosa. Seus olhos brilhavam sobre as luzes das tochas de fogo, e as luzes lhe davam contornos de sombras que pareciam dançar em seu rosto e corpo. Harry lentamente pareceu esquecer daquela muvuca em que se encontrava. Era só ele, ali, parado, a olhando. Será que se ele acenasse, ela responderia? Ou se ela cruzasse seu olhar com o dele, ela o reconheceria sem sequer precisar acenar? Harry, do jeito que a conhecia, tinha quase certeza da segunda opção. Mas a voz de Leah ressoou em sua mente:

"Quer um conselho? Não fique com Hermione."

"Ora essa, porque não?", pensava Harry sem tirar os olhos da amiga. Qualquer cara normal e em sã consciência ficaria com ela!

Mário - ele reconheceu pela voz - lhe bateu a mão no ombro:

- Vamos pra frente. Acho que vão querer que você substitua mesmo o Kojiro e capture Jesus. - e percebeu a distração dele. -... Que foi?

Harry pôs-se a caminhar e disse, sorrindo debaixo do capuz:

- Nada não. Só estava pensando se não seria melhor eu deixar o coitado do Jesus solto e ir capturar uma outra pessoa.

Mário fez um "Aaahhh", sem entender nada, e, assim, a procissão saiu.


Kojiro chegou na própria empresa se sentindo um alienígena, apesar de todos estarem em festa com sua volta.

- Guilherme! - sorriu o amigo Esteban, argentino naturalizado brasileiro, um dos principais diretores. - Que bom ver você de volta!

-... É bom estar de volta, também.

O amigo conduziu Kojiro até o ultimo andar do prédio da sede da empresa. Mostrou por alto as outras empresas que dividiam o prédio, nos andares abaixo. No elevador panorâmico ele encontrou outros conhecidos.

- Bem vindo á nossa sala real. - riu o amigo. - Aqui fica sua sala, a minha e a dos outros diretores.

No último andar, Kojiro conheceu a área da presidência. Foi até a sala de Esteban e caminhou por um longo corredor de carpete vermelho e luzes douradas, até a curva para sua sala, a da presidência.

Por um instante, Kojiro achou que já tinha chegado na sua sala, mas era apenas a ante-sala da presidência. Ao fundo, as grandes portas de madeira maciça. Na ante-sala, uma bancada em semicírculo, também grande, com fax, computador de LCD e uma grande cadeira. Um enorme sofá de espera, cafeteira, bebedouro e uma mesa de delicados licores.

-... Essa é a sala da nossa secretaria, a Sra. Silva. Nosso braço direito. Digo... nossa perna. Sem ela a gente andaria mancando. – riu. - Lembra dela?

-... Hum... Não. - confessou.

- Olha só quem está de volta! - disse uma voz feminina, vinda do corredor. - É bom ver você aqui de novo.

Kojiro e Esteban olharam para trás e viram a secretaria. Ela abraçou Kojiro:

-... A família esta completa de novo. - sorriu Esteban.

- Ficou bem nesse cabelo. - sorriu a secretária. - Dizem ser gostoso de passar a mão.

- Bom, vamos lá, Kojiro, mostrar sua sala.

Kojiro ficou abismado com ela. Era enorme. Sua mesa era de madeira maciça, em forma de "u". Uma enorme cadeira de presidente, dois tapetes persas no chão, uma estante cheia de livros e, ao fundo, os vidros escuros com a vista para a cidade.

- Puxa. - exclamou.

Ficou uns vinte minutos conversando com Esteban, que o atualizou. Com o tempo, Kojiro se sentiu mais seguro e familiarizado. Até começou a lembrar de poucas coisas, como onde guardava um documento, ou os ramais de telefone. Esteban se despediu Kojiro ainda ficou uns 10 minutos sozinho antes que a secretária entrasse.

-... Com licença?

- Claro, ah... Maria. Pode entrar. - disse, levantando-se e fechando a pasta e o notebook. - Na verdade eu estava aqui só fuçando, já estava indo pra casa.

- Mas não vim dizer que está na hora de ir embora. – sorriu. - Na verdade, é nessa hora que tudo começa a melhorar.

Kojiro a olhou, desconfiado. Olhou-a dos pés à cabeça: vestia um elegante terno vermelho, de saia e salto. Seu cabelo frisado e loiro estava preso num coque. Ela era jovem. Bonita. Atraente. Escultural. Kojiro se sentiu extremamente constrangido.

-... Sua ex-esposa está na cidade? - perguntou, olhando as unhas, parecendo despreocupada. Todos já sabiam da decisão de Leah. Obviamente que ela, Maria, não poderia deixar uma oportunidade de ouro dessas escapar.

- Ahm... Não, ela ficou em Minas. - comentou, inseguro.

- Ainda bem. Ela é um pé no saco.

- Ah, é? - perguntou, levemente ofendido.

- É, você sabe, ela não vai com a minha cara. Por motivos óbvios.

-... Que coisa, não?

Kojiro sentiu o corpo gelar. Simplesmente não entendia mais nada! O que era aquilo? Era o que ele estava pensando? A secretária passou os dedos pela borda do terno de Kojiro, sobre a camisa branca e sorriu, provocante:

- Ahm... - murmurou Kojiro. - Senhora da Silva... digo... Maria... Bem... O quê?

- Ora essa. - sorriu, tentando ser o mais natural possível. - Seria um pecado que você tenha realmente se esquecido de nós.

- De nós...? - gaguejou Kojiro. -... QUE nós?

- Guilherme. - disse, pondo as mãos na cintura, parecendo bravinha. - Terei de fazer você se lembrar? Tudo bem, sem problemas.

E, sem pestanejar, ela puxou o pescoço de Kojiro, lascando-lhe um beijo na boca.


A procissão caminhava silenciosa pelas ruas da cidade, iluminando-a com as tochas. O único som vinha das matracas sendo batidas. Caminhavam para o alto da cidade, na Praça Tiradentes. No caminho, Hermione e Fernanda encontraram Tio Gon.

- Assistindo, senhor Gon? - perguntou Hermione. - Não achei que fosse assistir...

- Ah, eu gosto. - comentou, apoiado na bengala.

- Ei. - lembrou-se. - Leah me disse que o senhor é um dos melhores ferreiros de que se tem notícia. Poderia dar uma olhada na Espada dos Deuses?

Tio Gon a olhou, levemente ofendido:

- Ver as condições da Espada dos Deuses? Você deve estar brincando.

-... É verdade, senhor Gon. E se de repente ela tem algum problema? Há quantos séculos está lacrada? O senhor poderia ao menos limpá-la e afiá-la. Sei que espadas desse porte só podem ir para as mãos dos melhores ferreiros. Ela tem de estar em boas mãos, e não vejo nenhuma mão melhor que a do senhor.

Tio Gon sentiu-se particularmente atingido pelos elogios - coisa que Hermione obviamente calculou bem - e pigarreou:

- Tudo bem. Vamos buscá-la. Dou uma revisão nela.

Hermione concordou e foi até a república, algumas poucas ruas da praça. Fernanda e Tio Gon foram atrás.

- Escutem... Vocês não acham arriscado andar com uma coisa dessas no meio da rua? - perguntou Fernanda.

- Ah, não... - disse Hermione, pegando a espada de seu suporte, em casa, e saindo com ela nas mãos. – Bom, não acho que teremos problemas. Os seguidores das trevas estão longe. E, com esse movimento, duvido que tentem alguma coisa.

- Sim. COF. - tossiu o velho Gon, na rua, concordando. - A procissão está cheia de bruxos. Ninguém se atreveria a atacar.


A multidão chegou á Praça Tiradentes. Mário empurrou Harry:

- Vai indo, Harry. - disse, ao seu ouvido. - Acho que é você quem vai exibir o estandarte.

Harry caminhou entre a multidão, na direção do altar de pedra. Trombou com alguém e olhou para trás. A pessoa o encarou. Harry deu as costas, e saiu, sem entender direito. Era todo mundo tão igual com aquela roupa... alguns instantes depois, outra pessoa se aproximou, e sibilou para aquela que trombara com Harry:

-... Não perca seu tempo, Bella. Teremos nosso momento de glória. Vamos.

E, assim, alguns encapuzados se afastaram da multidão. Enquanto isso, Harry se preparava para subir ao altar.


Na sala escura da grande fazenda, o relógio antigo acabava de se aproximar de dez e quarenta e cinco. A sala se enchia de seu tic-tac pesado e seco. Assim que o ponteiro tocou o numero nove, o relógio badalou.

Seguiu-se um seco TEC e uma badalada que sacudiu a estrutura da fazenda toda, tamanha amplitude. O "DON" do relógio ecoou. Uma explosão de luz azul iluminou a sala, e esse mesmo feixe de luz foi disparado para o alto, na direção do céu, em linha reta, atravessando o telhado. E desapareceu em seguida, deixando a fazenda às escuras, no mais absoluto silêncio.


- Hermione! - chamou Fernanda. - A procissão já chegou à Praça Tiradentes, vamos!

A garota, que vinha caminhando calmamente para trás com Tio Gon, apressou-se, com a Espada dos Deuses embrulhada num pano bege. Entregou-a para o ancião, apressada:

-... Vamos na frente, tem problema? - perguntou.

- Vá com Deus. Não tenho pressa. Não nessa idade. - pigarreou, com a espada nas mãos. Olhou para o alto do morro, e fixou o olhar no céu. - Ei.

-... Que foi?

Os três olharam. O céu se enchia de nuvens. O único local com estrelas era o céu acima da Praça Tiradentes. E, do alto, um círculo de luz se formava, girando, aumentando de velocidade.

-... O que é aquilo? - perguntou Hermione.

Tio Gon paralisou. E, sem tirar os olhos do céu, balbuciou:

-... Alguém ativou um Chaos.


N.A 1: Leah e Sirius! Bom, nesse capítulo aconteceu uma coisa que ninguém esperava, mas muitos queriam ao menos saber como seria: o shipper S/L. Desde o início da série eu deixei claro que Leah e Sirius não ficariam juntos. Porque, na época em que a EdD foi lançada, a Aline Carneiro estava publicando sua série Prometeu, em que a principal PO era a Sheeba, uma bruxa morena, que era par romântico de Sirius. Para evitar qualquer reclamação de "plágio" e comparações entre as duas séries, eu decidi deixar bem claro que Leah e Sirius NÃO seriam um par. Anos depois, quando saiu o livro 5 e eu "reeditei" a EdD, incluindo alguns spoilers do livro (como a Bellatrix e a Tonks), eu aproveitei e coloquei o Kojiro aparecendo logo no início da série. Até mesmo antes da própria Leah! Está lá, no capítulo 2 da série, no Episódio 1, Azkaban. Até então, Kojiro só era citado na EdD Quadribol (que na época era ainda a Saara, uma fase só), na cena em que Leah dorme com um urso panda.

N.A 2: De fato, nunca tinha me passado pela cabeça nem mesmo fazer esse beijo. Apesar de que Kojiro continuaria com problemas mentais até o final da EdD Brasil, onde ele morreria. (AHEIM?) É, já spoileei vcs. Não sei se depois que terminar a EdD Brasil eu escrevo os capitulos que seguem na morte e pós-morte de Kojiro... mas... enfim. Kojiro ia morrer, e Leah e Sirius ficariam juntos na última fase, a Réquiem, lembrando, claro, que não significa q eles seriam felizes para sempre, são dois fortes candidatos a morrerem na série. Mas meus planos mudaram, e eu acabei tendo idéias tão mais legais que mudei tudo. Vocês verão. Não precisam me chamar de JK, que muda de idéia do nada, eu escrevi toda a linha do tempo da EdD entre a Azkaban e a Quadribol. Só o capítulo das trevas eu modifiquei o "roteiro" até pouco tempo atrás, enquanto escrevia Fantasma do Navegante e Medo do Escuro, já que eles tratam de assuntos que deveriam estar guardados a sete chaves. :)

N.A 3: Os Sirius e Leah devem estar possessos com esse beijo. Paciência. Eu simplesmente não consegui imaginar eles se beijando pra valer. Como Innezita já me falou, se Kojiro não fosse... o Kojiro, talvez Sirius e Leah funcionasse. Mas, com ele, não tem como. Nem com ele, nem sem ele, afinal, quando não tinha Kojiro, tinha Lilian, e, bem, ELES são as "almas gêmeas" de Leah. Não Sirius. Kojiro, apesar de comum e trouxa, é a versão masculina da Lilian... perdoem-me! Se alguém quiser fazer shortfics Sirius e Leah, sintam-se a vontade... xD

N.A 4: Kojiro e... Maria Vlagina, a secretária boazuda! O.O SOCORRO. Parem o mundo que eu quero descer! Internem-me num hospício, pq eu to doida... to doida, to doida, to doida, to doida, to doida, to doida...!!!!

N.A 5: Harry e Hermione. (desenha um coraçãozinho com os dedos) É a velha história... a JK mandou a gente reler os livros dela. E depois disse q nem ela mesma leu tudo de novo. ...NÉ?... Mas deixando HP de lado, meu processador queimou, e tive dores nos braços, por isso demorei. Mas estou melhorzinha, e comprei um Core 2 Duo (lindo!). Espeor não demorar mais tanto tempo assim. Sinto falta!

N.A 6: Dumbledore é gay! CARALHO! Pq a JK não deixou isso CLARO nos livros? Pq aquela história dele e do seu grande rival não me pareceu suficiente pra acusar ele de veado. Mas quem sou eu pra falar disso, fazendo Leah e Lilian do jeito que faço, HÁ! De qualquer forma, a JK tem muito mais obrigação q uma inútil ficwriter como eu, então, eu acho que ela se fudeu, falando q ele era gay só DEPOIS q ACABOU a série, e ainda por cima correndo o risco de associarem a homossexualidade à pedofilia, afinal, o professor foi acusado disso nos últimos livros. JK realmente deveria ter RELIDO os livros antes de sair abrindo a boca. De qq forma, foda-se, continuo adorando tio Dumbão, mesmo sendo Tio Dumbiba. Mas a JK deveria calar a boca. Sem contar que é uma puta hipocrisia os fãs xingarem as fics slashs do Dumbledore com seu grande rival Grind(não lembro o resto rs) e agora acharem lindo eles terem se apaixonado. Só acham lindo pq a JK falou? Que ela diga que acha lindo retardados pularem de penhascos, então. Odeio gente hipocrita. Cuzões. -.-

N.A 7: Spoileio vocês acerca disso ou não?... Tá, spoileio: Dumbledore na EdD é casado. Com uma MULHER, tá? xD

N.A 8: Ah, sim. Den Chan minha beta querida amada e que quer me matar pq odeia Sirius e Leah (ela é Leah/Lilian e Kojiro/Leah, heh) me lembrou de explicar o que diabos é uma matraca! ) Bom, Matraca é um instrumento feito de madeira, uma placa de madeira que eles fazem, pregando nos dois lados dela uma argola de ferro, e ficam girando ela sem parar, fazendo as argolas baterem com força na madeira , sem parar. Procurem no google por matraca em imagens. Faz um barulho ensurdecedor e muito seco e alto. Insuportável. É usada geralmente nas procissões da Semana Santa que têm um toque mais "fúnebre ou macabro. É por isso que matraca refere-se a pessoa que fala muito. Fala muito, alto e sem parar, deixando a gente sem noção. EdD é cultura! Mineira. É claro. :D

N.A 9: Den Chan, que betou o capítulo, em disse: "Estou na terceira página e ODIANDO cada linha!" Hahahahha ela não poupou elogios a Sirius e Leah e à secretaria de Kojiro. Eu respondi, feliz: "Tá vendo? Eu não me contento em fazer merda, tenho que joga-la no ventilador!". Ora, vocês me perdoam, não perdoam? Capítulo curtinho, esse. Até o próximo capítulo, que é beeeem maior:)