Marcas de um pecado

Muten

\Capítulo Trinta e Sete\

Dia 01…

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Fechando os olhos, deixou sua cabeça cair para trás, e bater na parede do exterior da cabana. Desde o primeiro ataque a Kagome, não conseguia dormir direito. Antes, por estar zelando pela saúde e segurança dela. E agora devido as dores ocasionadas pela punição da quebra do Pacto Sanguíneo. Uma dor que nenhum Youkai gostava de sentir ou almejava sentir. Por isso, havia-se a necessidade de pensar muito bem, antes de fazer um pacto com uma Humana.

Inalou o ar com força, e fez uma careta ao sentir o cheiro de Aya, muito mais forte que o cheiro da terra molhada pela chuva. Nunca antes havia pensado que o cheiro da mulher, que fora a causa de muitas de suas discussões com seu pai, iria lhe trazer tanto enjôo.

Aya ainda deveria estar escondendo algo dele. Nenhum Youkai Vampiro obedeceria um Leopardo, por mais influência que ele tivesse. Mesmo que possuísse uma joia mágica em suas mãos, um Vampiro jamais sorriria e o obedeceria.

Nada lhe tirava da cabeça que ela tinha um Mestre. Um Homem que apenas deveria tê-la enviado até lá por causa de sua ligação com Batsu. Ele poderia estar vendo nesse fato, uma nova oportunidade contra a cidade Proibida. Afinal, a primeira havia falhado.

Olhou para o céu, e estreitou os olhos. Talvez aquilo realmente houvesse acontecido. Aya deveria ter sido enviada à Batsu para enfeitiçá-lo. Assim daria ao seu Mestre, o que quer que ele almejasse. Mas ele não esperava que as coisas ocorressem da forma como ocorrera. Não esperava que Inu no Taisho agisse para interromper aquele romance. E, com seu plano arruinado, decidira atacar às cegas.

Sim. Aquelas suposições pareciam se encaixar perfeitamente.

Abriu os olhos e observou Miroku se aproximar e sentar diante dele. Um pote estava em suas mãos. O cheiro da substancia em seu interior lhe deixando claro que aquilo era o medicamento para o ferimento em sua barriga.

# Não reclame, por favor. – ele disse com um leve tom de irritação, antes que o Hanyou dissesse alguma coisa. – Colabore comigo e deixe-me ver esse machucado. Sango ameaçou arrancar minha cabeça, caso não viesse aqui passar isso no buraco em sua barriga.

Inuyasha ergueu a sobrancelha e, mesmo com cara de poucos amigos, retirou a camisa. Agradecendo por ninguém poder vê-lo, devido a madeira que rodeava toda aquela cabana até a pequena escada de três degraus. Já era ruim ser analisado por ser um Hanyou, não queria mais olhares sobre si por causa daquele ferimento.

# Ao menos não está tão feio quanto no primeiro dia. – Miroku fez uma careta quando tirou os curativos antigos. – Ao menos não corre mais o risco de abrir e voltar a sangrar. – passou um pouco da pasta sobre o ferimento. – Eu ouvi o que Aya disse sobre ser uma bruxa.

O Houshi foi direto ao assunto. Mas Inuyasha não se importou com o fato de ele estar espionando e ele nem ao menos ter notado isso. Desta forma não necessitaria narrar a história para eles. Aquilo lhe era desagradável em demasia para ficar sendo recordado repetidamente.

# Acho que ela está omitindo certos detalhes, Inuyasha. - Miroku continuou. - Nenhum Vampiro obedeceria as ordens deles. E já nos ficou claro que o Youkai a conhecia.

# Sim! - ele disse, se recordando que durante os flash de memória que tivera de Kagome, havia visto a cena dela e do Youkai Vampiro no quarto. Ali, ele havia citado o nome de Aya, deixando claro que estava envolvido naquilo juntamente a ela. - Mas ela não quer abrir a boca para falar. Fica negando constantemente que não obedece às ordens de ninguém. Que não tem nenhum mestre. Mas não consigo pensar direito no momento. - soltou o ar com força pelos lábios. Estava sem rumo algum. A dor da perda não o deixava pensar em quase absolutamente nada.

# Vire de costas. – mandou, e foi prontamente obedecido. – A dor está tão insuportável assim?

# Mais suportável agora. - ele anunciou depois de um tempo, sentindo-o arrancar os curativos de suas costas. - Mas acho que mereço isso. - disse com pesar. - Nem ao menos o corpo dela eu tenho.

Miroku sentiu a dor dele.

Pior do que perder quem se ama, era perdê-lo e não ter como enterrá-la. Não ter um corpo para velar. E Inuyasha, além de saber que Kagome havia sofrido uma morte horrível, não teria como rezar por ela e dizer uma última palavra de despedida. Abaixou o olhar e em seguida olhou para o céu. Desde a morte de Kagome, sentia um estranho vazio em seu peito. Um vazio que lhe dizia que o clima estranho era bem vindo. Como se a natureza também chorasse pela perda dela.

# Sinto muito, Inuyasha. - Miroku disse num sussurro triste, assim que terminou de passar a pasta no ferimento. - Sinto muito, mesmo. Se precisar de qualquer coisa, sabe que eu estou aqui como seu amigo. Sei que me detesta, e na maior parte do tempo quer me arrancar a cabeça, mas eu realmente considero você um amigo. - Inuyasha franziu o cenho ao ouvir aquilo. - Além do mais, Kagome é minha prima. - ele sorriu fracamente. - Além de meu pai, ela é a única família que eu conheci.

Assim que Miroku terminou, e ele tornou a se vestir, o viu olhar para o céu e em seguida para a porta da casa de Aya com uma expressão de desagrado. Miroku seguiu o olhar dele.

# Também acha que ela não fugiu ainda por temer ser pega por seu verdadeiro mestre, não é mesmo? – Inuyasha fez um leve gesto positivo.

Por alguns momentos, chegou a pensar que talvez ela tivesse vindo ali por ordens das Miko, mas o pensamento fugira de sua mente tão rápido quanto a penetrara. As Miko não teriam permitido que aquilo acontecesse. As Miko, como Kagome havia lhe dito uma vez, não mandariam terceiros fazer trabalhos que elas julgavam ser delas. Elas não se aliariam a Youkais Vampiros. E Vampiros não se aliariam a elas.

# Acha que ele irá matá-la por ter falhado em qualquer que fosse a missão para o qual ela o enviou. É por isso que ainda não a matou? Quer chegar ao meste? – perguntou depois de alguns instantes.

# Quero encontrá-lo. E apenas o conseguirei por meio dela. E… ele será muito menos misericordioso que eu. – olhou seriamente para Miroku.

# Para lidar com Vampiros, ele com certeza o é. Acha que ele pode ser o mesmo responsável pelo ataque à Batsu e sua ida à Shima no Ten?

O Hanyou abaixou e ergueu a cabeça lentamente. Seu silêncio deixando claro que não mais queria falar a respeito daquilo. E depois que Miroku se afastou, Inuyasha fechou os olhos e deixou que mais uma lágrima escorresse de seus olhos. Jamais iria conseguir que seu coração fosse curado da dor pela perda de Kagome.

ღ.ღ.ღ

# Eles usam restos de animais para fazer as armas… Interessante. – Yuly disse enquanto analisava um bumerangue que havia sido feito com osso.

O objeto, de pé, ia até sua cintura e pesava muito. A superfície era extremamente bem polida e refletia um pouco de sua imagem. E enquanto passava a os dedos, com cuidado nas laterais do objeto, notando-a ser extremamente afiada e cortante, viu que havia um ali que tinha quase o seu tamanho. Haveria a necessidade de um treino intenso para que alguém manejasse aquela arma sem se machucar e com perfeição.

# Como elas conseguem segurar isso? – analisou a arma, apontando-a com terror.

# Os Taiji-Ya são conhecidos por suas armas. – Akani falou, passeando diante da parede que era tomada pelos mais variado tipos e tamanhos de espadas e armas brancas e pontiagudas. – Todos os Youkais que matam têm seus restos purificados e o que eles vêem utilidade, reaproveitam.

Depois de serem convidadas para um belíssimo café da manhã em companhia de todos os Taiji-Ya, haviam recebido a autorização para andarem pelo pequeno clã. Haviam caminhado por todos os lados, olhando as crianças, mas não haviam visto nenhum bebê com dias de nascido. E, sem a criança, ali estavam elas, na casa de armas matando a curiosidade de ver as armas que aqueles homens e mulheres usavam para se defender.

# Elas parecem ser bem acolhedoras, agora que se passou a hostilidade, não?

Giny se pronunciou, fazendo movimentos com uma espécie de tridente. Movimentos perfeitos e que ela encerrou batendo com o bastão da arma fortemente no chão. Afinal, Giny era uma das melhores guerreiras mais novas que elas tinham. A Miko era ótima com bastões e objetos similares.

# Sim… - Yuly disse, largando o grande bumerangue de osso de lado. – Parecem bastante unidas. – voltou os olhos para Akani. – Bem diferentes das Miko. – Akani a encarou. – Não ceiamos juntas, Akani. Ao menos não assim. Nunca havia reclamado de nada e muito menos contestado, porque nunca havia visto nada diferente… mas é obvio que eles são mais unidos e acolhedores que nós.

# Sim! – Akani disse seriamente, lançando um rápido olhar para Giny. – Nós… desconfiamos demais. Somos produto de um meio que acredita que deve ser frio e evitar certos tipos de contatos para não cairmos. Crescemos nos acostumando a idéia de que ou seremos mães ou morreremos totalmente sozinhas sem nunca termos experimentado nada. Ou… se somos mães, temos que rezar para darmos a luz a uma menina, senão não veremos mais nossos filhos. – olhou para a lareira. – Miko não têm vida longa e muito menos sabem o que é vida. – olhou para Yuly. – Eles sim. Vêem mais a violência que nós, de fato… mas vêem muito mais amor e carisma também.

Yuly fez uma careta. A menina, se alguém perguntasse a Akani, não havia nascido para ser uma Miko. Deveria ter nascido para ser uma daquelas donzelas que governariam uma nação quando alcançassem a maior idade, e que se casaria com um homem com quem teria filhos. Yuly era como tantas outras em Shima no Ten, e assim como ela era. Alguém que estava sendo forçada a ser algo apenas por ter nascido no lugar errado.

Esse era o problema de Shima e de tudo o que estava em seu comando. Ser Miko, assim como a mãe de Kagome havia dito uma vez, era uma sina sim; algo do que não se podia fugir, mas algo com o que só os amaldiçoados pelo dom da Hama deveriam sofrer. E ainda assim, ela acreditava que a Hama devia ser deixada de lado se a Miko almejasse viver. Assim como ela o quisera depois de ver a queda de Mizuni e o emergir de Haru. Assim como ela tentara fazer antes de ser capturada e ter seu futuro destruído.

# Daqui a alguns anos estaremos extintas. – Giny largou o tridente de lado, andando pelo local e pegando um dos martelos que eles deveriam usar para bater no metal e fazerem as espadas.

# De fato. – Akani disse. – Não existem mais Miko Legitimas e cada vez mais nasce menos de nós. Não se encontram mais nenhuma nascida longe de Shima no Ten. A tendência é sumirmos do mesmo modo que surgimos.

# A criança Miko não é legítima? – Yuly se levantou de onde estava. – E dizem que ela virá para retomar a gloria da raça.

# Ou trará a destruição. – Akani informou. – Por isso há Youkais atrás dela, embora ninguém saiba como eles descobriram a esse respeito. O poder que este bebê carrega é grande demais. Se um deles a encontrar antes de nós, pode facilmente corrompê-la e a colocar contra nós. E não poderemos nos defender dela. Uma mulher com poderes maiores que o de Midoriku é uma rival terrível. Midoriku matou milhões, sozinha. O bebê pode repetir o mesmo, mas com nossa raça.

Yuly estremeceu e virou o rosto. Akani aproveitou esse momento para avançar e parar diante da mesa feita de ossos, que estava a poucos metros da lareira. Ali, havia mais armas fascinantes, e uma que chamou sua atenção. Era uma pulseira de metal, e desta pulseira, saiam três garras pontiagudas, e pode notar pelo brilho dela, afiadas.

Pegou o objeto pela pulseira e deslizou o dedo pelo arco, até chegar a ponta, onde, levemente espetou seu dedo. E enquanto via a pequena gota de sangue se formar no local atingido, ficou a imaginar que espécie de Youkai tinha garras como aquela. Afinal, aquelas três garras, podiam causar um dano enorme.

# Acha que encontraremos? – a voz de Giny a arrancou de seus devaneios.

# O que? – questionou, se virando sem compreender o que a companheira dissera.

# Acha que encontraremos o bebê antes dos Youkais? – repetiu-se.

Akani franziu o cenho. Suas sobrancelhas, quase se tocando enquanto olhava para a porta da casa de armas com atenção. Na verdade, ela não fazia idéia daquilo e temia que a resposta legítima daquela questão fosse a negação. Tsubaki não estava as guiando como uma Soberana deveria fazer. Era óbvio que os Youkais estavam mais preparados que ela. Temia que eles encontrassem o bebê e elas jamais soubessem disso. Ao menos não até o dia em que, crescida, viesse matá-las.

# Eu espero que sim… - sussurrou. – Realmente espero que sim.

ღ.ღ.ღ

# Trouxe algo para você comer. – Sango disse, se abaixando ao lado de Inuyasha e estendendo um prato e um copo de suco para ele. Estivera preocupada com ele durante todo o dia, e se cansara de vê-lo naquele estado, e sem se alimentar, por isso, sentia-se na obrigação de ir até ele. – Não faça isso, Inuyasha. – o censurou quando ele virou o rosto. – Tem sangue Youkai correndo em suas veias, isto é um fato, mas não é por isso que pode passar horas sem comer. – esticou mais o braço com o prato, depois de colocar o copo no chão. - Até mesmo um daiYoukai necessita comer.

O Príncipe de Batsu não faz gesto algum denunciando que iria pegar o prato. E Sango suspirou frustrada, abaixando a mão, mas não o suficiente para que o prato ficasse longe das vistas dele. Podia dar as costas para ele e deixar que ele decidisse sozinho quando seria a hora perfeita para voltar a se alimentar, mas não iria fazê-lo. Na época em que perdera sua família, necessitara de alguém que lhe abrisse os olhos e arrancasse do abismo em que se encontrava presa. E Inuyasha estava precisando disso também.

# Você acha que está fazendo certo ao se torturar dessa maneira, Inuyasha? – perguntou a ele, mas, ele continuou em silêncio, fingindo ignorá-la. – Você acha que sim, mas não está. – respondeu por ele, e abaixou a cabeça. – Quando minha família inteira morreu eu fiquei deste modo também. Achei que o mundo tinha desabado sob meus pés. Achei que a culpa era minha. Que eu não tinha sido boa o suficiente. Que eu não era digna deles. – o olhou, e pode vê-lo franzir o cenho. – Por vezes desejei me matar. Achei que as punições de Keiko, eram o que eu realmente merecia por ter sido fraca.– deitou a cabeça no ombro. - Eu sei como se sente Inuyasha. Eu realmente sei…

Ela engoliu seco; sua voz falhando por alguns momentos, e Inuyasha olhou-a de soslaio.

# Por muito tempo fiquei a me censurar e não me importava por quantas horas eu chorasse ou lamentasse. Nenhuma delas pareciam o suficiente. Até que um dia... eu percebi... - ela fez silêncio, e olhou para Inuyasha, esperando pelo momento que ele olhasse para ela. - Estava fazendo tudo errado. Minha família me amava e deveria estar sofrendo por mim. Que minha família sofreria, por mim, se estivesse viva. - engoliu seco. - Eles me amavam. Gostavam de me ver sorrir, e queriam me ver feliz. - tocou o braço dele. - Kagome também te amava, Inuyasha. Ela não iria se sentir bem lhe vendo desta maneira. Ela iria querer saber que você estava lutando para ser feliz. Lhe ver sorrindo.

Inuyasha virou o rosto e olhou para Sango, antes de abaixar o olhar para a mão que o tocava. Sim, era verdade, Kagome lhe amava e iria sofrer se soubesse que ele estava daquela forma, e não planejava se reerguer nem tão cedo.

Inalou o ar com força e o soltou com ainda mais força, controlando a vontade que tinha de chorar. Não queria que Sango e nem ninguém lhe visse chorar, especialmente depois de ter passado horas isolado na floresta durante a noite anterior, derramando lágrimas por causa da perda de Kagome. O que tinha de fazer agora, era se reerguer e fazer o que havia planejado fazer juntamente a jovem Miko. Sabia que era o desejo dela que ele voltasse a Batsu, e ele iria voltar a cidade onde nasceu e reencontrar seu pai.

# Você tem razão, Sango. - rompeu o silêncio pela primeira vez, tocando a mão de Sango com uma das suas, enquanto a outra se estendia para aceitar o prato com comida.

A Exterminadora sorriu aliviada, por ter conseguido fazer com que Inuyasha lhe permitisse se aproximar dele. E inclinando-se um pouco para frente, voltou os olhos para o ferimento que ele ainda tinha na barriga e deveria estar ficando infeccionado por não estar sendo tratado como deveria.

# Eu estou bem. - o Príncipe disse, ao notar para onde o olhar de Sango se dirigia, depois de engolir uma das colheradas da comida. - Miroku refez o curativo mais cedo. Nem está doendo mais.

# Não deve estar doendo por outro motivo, e não por estar bem. - a moça rebateu, sem ocultar sua malcriação e irritação. - Você esta se apoiando nas dores do pacto rompido, por isso não está sentindo esta. - indicou o local do ferimento com a cabeça, e ao notar o olhar de Inuyasha, abaixou a cabeça. - Miroku me disse que vocês Youkais, passam dias sentindo dor quando perdem a Companheira.

# A dor diminui depois de um dia. - explicou, olhando para a comida em seu prato. - Mas fica constante por mais ou menos sete dias. Tudo depende de como era sua ligação com a Companheira. - fez uma careta. - Como eu e Kagome éramos ligamos mais que qualquer outro, acho que passarei os sete dias assim. Mas... nada mais justo.

Inuyasha sentiu Sango apertar seu braço com leveza, mas não voltou os olhos para ela. Achou que seria melhor empurrar um pouco de comida para dentro antes que desistisse e visse que era melhor ficar com fome.

# Já sabe o que vai fazer?

# Vou deixar Aya ir e tentar descobrir quem é o mestre dela. Vou seguí-la sem que perceba. Depois de matar o bastardo, e acabar com a raça dessa vermezinha traidora, vou caçar os Youkais que atacaram Kagome. - ele respondeu seriamente, olhando para frente. - E depois... - olhou para Sango. - Vou para Batsu.

# É uma boa idéia. - ela revelou em tom baixo. - Mas ao menos espero que aguarde até esse ferimento sarar para fazer isso. - torceu os lábios. - Não quero perder mais um amigo, Inuyasha. - os dois se encararam por longos minutos. - É claro que vou com você até Batsu, se é isso que está se perguntando. Além de querer conhecer a cidade e não ter mais para onde ir, acho que talvez não seja saudável ficar sozinha com Miroku. Conheço-me... o matarei no primeiro deslize que ele cometer.

Houve silêncio entre eles, e Inuyasha aproveitou o momento para acabar de comer e beber o suco que Sango também havia trazido. Já imaginava que os dois não fossem deixá-lo sozinho, mas ouvir a Exterminadora anunciar aquilo, estranhamente, o deixara mais calmo. Se ficasse sozinho, temia acabar por não voltar a Batsu. A solidão poderia fazê-lo se afundar ainda mais na dor da perda. E Kagome realmente não iria gostar de vê-lo de tal forma.

ღ.ღ.ღ

Kagura batia com o leque no queixo enquanto Kana se abaixava ao lado do bebê e procurava a marca que diria se a criança era ou não a que queriam. E seus olhos se estreitaram quando Kana largou o bebê ao lado dos corpos dos pais e se colocou de pé.

# Encontrar esse filhote está se provando algo mais difícil do que imaginava. - resmungou, dando as costas para Kana. Desde que havia acontecido o inicio da última profecia de Midoriku, Naraku não a deixava em paz nem sequer um minuto e a irritava com suas constantes ameaças. - Sinto que minhas dores de cabeça serão mais constantes agora. - queixou-se tocando a têmpora.

# Midoriku, obviamente, não facilitaria tanto assim as coisas. - Kana disse, olhando para o espelho em suas mãos, o virando vez ou outra como se estivesse analisando uma pintura com cuidado. - Ela sabia que Youkais iriam acabar vindo atrás da menina que carrega tanto poder. Por isso se preocupou tanto em falar em enigmas e não dar as pistas para apenas uma pessoa.

# Pena que Naraku não conseguiu este outro pedaço. - abriu o leque para se abanar enquanto olhava para o céu. - Aposto que ele nos levaria diretamente para este filhote.

Kana fez um gesto vago com a cabeça, olhando ao redor. E seus olhos totalmente negros, voltaram-se novamente para o espelho, que agora refletia imagem de três Miko caminhando lentamente pelo campo. Duas delas segurando as rédeas de cavalos, enquanto a que se encontrava ao meio segurava com firmeza um mapa. E a Youkai sorriu enquanto a face da lider daquela equipe foi focada.

# Maemi... - a Youkai sorriu, sua voz cantante e infantil, chamando a atenção de Kagura, que se movimentou apenas o bastante para ver a imagem que a irmã analisava. - Ela em breve estará aqui.

# Conhece? - questionou erguendo a sobrancelha, procurando em sua mente alguma lembrança daquela mulher. Naraku nunca mandava Kana sem ela para fazer qualquer que fosse o trabalho que ele desejava.

# Maemi! - repetiu o nome. - A lider de um dos grupos de batalha das Miko. Nos encontramos uma vez... Naraku me pediu um... favor... enquanto você estava ocupada com Yami. - explicou-se ao notar a curiosidade de Kagura.

Kagura ageitou sua postura e fechou o leque com violência. Mas o barulho e a brutalidade, misturadas a sua expressão, não abalaram Kana. Nada abalava a pequena menina que não podia ser identificada por ninguém, nem mesmo por uma Miko extremamente poderosa. Afinal, como Naraku adorava dizer, ela era o nada.

Ouvir falar de Yami lhe incomodava mais do que as constantes ameaças de seu criador. Mas imediatamente deixou esses pensamentos de lado.

# Maemi tentou me matar. - ela disse sem emoção, um sorriso estranho surgindo novamente em seu lábios. - Ela não é capaz de conjurar uma Hama no Ya, mas sabe usar de outros artifícios para se livrar de seus oponentes. - as sobrancelhas de Kagura se uniram. - O que eles chamam de Magia Miko. Só não são tão raras quanto a Hama. São eficientes também, mas não tanto quanto a Hama. - explicou-lhe, abaixando o espelho.

# Hum... - Kagura ageitou sua postura olhando para um dos caminhos que dava entrada para o vilarejo. - Vai querer esperar por elas? - questionou, pedindo para que ela se negasse. Não estava a fim de lidar com aquelas mulheres.

# Não! - negou, quase cantando. - Podemos esperar um dia mais propício para nos encontrarmos com Maemi.

Kana olhou para Kagura, sabendo exatamente o que se passava na cabeça da irmã. Ela queria saber o que ela havia ido fazer para Naraku e como conhecera aquela Miko. Mas não podia lhe contar. Naraku exigira total segredo, e mesmo que quisesse rompê-lo não poderia. O criador delas sabia exatamente como descobrir cada pequeno movimento praticado por ela, e as palavras que abandonavam seus lábios. Mas Kagura também não lhe perguntou nada. Ela conhecia Naraku, sabia que devia temê-lo.

# Naraku deseja nos ver! - anunciou em tom baixo. E, com um gesto leve, Kagura mostrou compreender e seguiu a irmã em silêncio.

ღ.ღ.ღ

Encostou-se a porta do cômodo. Seus braços se cruzando enquanto seus olhos escuros se fixavam na mulher que se encontrava sentada, sobre a confortável poltrona no canto menos iluminado daquele cômodo. Suas pernas estavam dobradas e escondidas sob seu vestido, e bem abraçadas contra o seu peito. Seus olhos levemente avermelhados, mas pelo que ele sabia ser falta de sono, permaneciam vidrados e fixos sobre a cama a sua frente.

# Lya me disse que ouviu comentários estranhos... - anunciou em tom baixo, para que ela notasse sua presença sem se assustar.

Preferia se aproximar dela e tocá-la, mas sabia que aquela, naquele momento, era a melhor maneira de chamar sua atenção. Ela poderia ainda não estar preparada, afinal, a barreira que ela erguera para deixar mais fraca a conexão deles, ainda existia. E sorriu quando ela piscou e desviou os olhos para ele, parecendo interessada naquele assunto. A viu estender a mão em sua direção o chamando para ficar perto dela, e lentamente se aproximou, deixando-a capturar sua mão.

A pele dela estava fria, ele notou com desgosto, a observando guiar sua palma até seu rosto. Yuki fechou os olhos e alisou seu rosto com as mãos dele. A pele de sua face, estava parecendo três vezes mais fria que o resto de seu rosto. Ele moveu a mão, alcançando seu queixo e o empurrando para cima de modo que a fizesse olhá-lo.

# Sua pele está fria.

# É natural. - ela disse, forçando o rosto para desviar do olhar dele. - Mas o que Lya escutou? - questionou, ele sabia, apenas para mudar de assunto.

# Ela ouviu dizer que talvez eu esteja lhe espancando. - disse, e ela pôde notar, pelo tom de voz dele que ele não gostara nada de saber daquilo. E percebeu, ele gostou menos ainda de vê-la sorrir com aquilo, afinal se afastara um pouco dela.

Ele a amava. Ela era fora a primeira mulher que ele aprendera a amar, respeitar e proteger. Jamais a ferira. Jamais erguera nem sequer a voz para ela, quanto mais sua mão. Dizer que ele estava levantando a mão para feri-la era algo que ele não podia tolerar e muito menos perdoar. Isso era uma blasfêmia. Um pecado sério contra sua honra.

# Não vejo graça nisto. - resmungou, a sentindo apertar ainda mais sua mão, num pedido de que não se afastasse.

# Perdoe-me, Koi. - ela sussurrou. - Mas elas devem estar crendo nisto por causa dos vestes e dos lençóis sujos de sangue que Lya recolheu. - tentou encontrar uma explicação lógica para isso. – Pedi para ela ser discreta… mas é difícil esconder algo assim. – deitou a cabeça para o lado. – E por eu estar desaparecida e trancada neste cômodo desde então... - ela sorriu fracamente para ele, e soltou sua mão. Mesmo a temperatura quente do corpo Youkai dele, não conseguira aquecê-la.

Viu-a estremecer e em seguida voltar os olhos para o seu objeto de atenção antes de ele entrar.

Na cama, o corpo da Miko que ele havia salvo de quase ser devorada por animais, estava deitado. A pele clara, se possível, parecia tão frágil como cristal. E era quase translúcida, parecendo brilhar sob o tecido fino e branco do lençol. Os lábios estavam fracamente arroxeados e suas pálpebras, avermelhadas. Os ferimentos que ela tinha por todo o seu corpo - especialmente aqueles haviam sido feitos por ele - estavam todos cobertos, mas ele podia ver, pelas gazes limpas, que não sangravam mais.

Sobre ela, uma fina camada azul perolada fazia um arco de uma ponta a outra da cama, formando o que parecia ser uma tampa, para que ninguém tocasse o corpo dela. Para que ninguém sentisse o cheiro dela.

# Proibi que qualquer um se aproximasse daqui. - ele disse, entrelaçando seus dedos aos dela. - Você não acha que também não seria melhor para você, ficar longe daqui?

Ele sabia que vê-la a estava ferindo. Mas sabia que o que mais a incomodava naquilo tudo, era o fato de o peito dela não estar subindo e descendo, como deveria ser. Pelo fato de ela não estar respirando e nem seu coração estar batendo.

# Não posso deixá-la. - a voz dela soou trêmula, e ele abaixou o olhar para ela, podendo ver uma lágrima escorrer de seus olhos. - Preciso estar por perto quando a mente dela despertar. Proibir que a mente dela absorva a escuridão. Além do mais... Não quero sentir aquilo novamente. Não quero lhe dar as costas novamente. A abandonei e deixei sofrer uma vez. Tudo isso por que eu não pude prever… - puxou o ar com força pelos lábios. - Não vou fazer isso novamente.

# Você nunca deu as costas para ela, Ashke. - ele disse se abaixando ao lado dela. - Você fez tudo o que estava a seu alcance para salvá-la. Para protegê-la. - conseguiu o olhar dela.

Ela sorriu e tocou seu rosto. Suas mãos ainda mais frias, quase o fazendo estremecer.

# Sua temperatura caiu ainda mais. - Sesshoumaru anunciou com preocupação, fechando as mãos ao redor da dela.

# Não se preocupe... vou ficar bem. - ela disse.

# E Inuyasha? - ele questionou com cautela.

# Seu Youkai não tomará conta dele. - sorriu levemente. - Ela o impede. O coração dela ainda existe e está ligado ao dele. Não permitirá que o dele seja consumido pelas trevas. Ela o está acalmando. - olhou para Kagome, e em seguida voltou os olhos para seu esposo. - Pode me deixar sozinha, Koi? - ela questionou carinhosamente. - Preciso disso... Quando estiver pronta... sairei. - sorriu. - E depois... acho que nossa filha está a sua procura. Não seria bom que ela lhe visse saindo daqui. Não quero que ela veja isso.

Sesshoumaru beijou as mãos dela e se colocou de pé, aceitando as palavras dela. E foi-se afastando pouco a pouco dela, até suas mãos se soltarem, em direção a porta. E antes de sair, lançou um último olhar a ela, e em seguida para o corpo sobre a cama. Inuyasha obviamente deveria estar atrás do corpo dela. Sabia que de uma forma ou outra, seu meio-irmão iria acabar se reencontrando com ele novamente, depois de anos. E um sorriso formou-se em seus lábios, enquanto fechava a porta a suas costas.

Em pensar que mesmo apesar do preconceito de seu pai pela raça, Inuyasha acabara apaixonado e ligado a uma Miko. E em pensar que esta era a filha da mulher que seu pai maldissera e amaldiçoara em seus pensamentos por tê-lo feito ir contra ele. Por tê-lo feito deixar tudo o que lhe era de direito para trás. Como seu pai reagiria a tudo aquilo? Era fato que Myouga dissera que ele estava menos rancoroso. Mas nada mudava o fato de que ele ainda odiava aquelas que haviam tirado dele a mulher que ele mais amou.

Caminhou lentamente pelo corredor, em direção ao local onde sabia que sua filha se encontrava. Se Inuyasha não viesse diretamente ao encontro dele, ele o traria até ali. Ele necessitava saber da verdade a respeito de tudo. Ele precisa saber a verdadeira históra da familia.

ღ.ღ.ღ

Inuyasha respirou profundamente enquanto olhava para o céu, sentado no alto da árvore atrás da cabana de Aya, tentando ignorar os resmungos de Miroku enquanto Sango tratava dos ferimentos em suas costas e barriga. Depois de mais uma discussão sobre algo que, para ele, não tinha dado importância, Sango havia acertado Miroku com um soco na cabeça e o feito se sentar ali sob ameaças de que faria o braço dele ser mastigado por Kirara. E sob o olhar da pequena gata deitada a poucos metros dele, Miroku movia o braço com cautela a cada cinco minutos.

Aos poucos, enquanto Sango limpava o veneno que ainda abandonava suas costas, Miroku foi desatando o nó que imobilizava o braço direito dele. E assim que terminou, não conseguiu evitar um suspiro de alívio. Graças aos medicamentos de Kagome, dos cortes agora só restavam as cicatrizes. Abriu e fechou a mão direita três vezes, antes de girar o braço, satisfeito em ver que a dor estava quase que totalmente eliminada. Em pouco tempo poderia voltar a usar a maldição em seu auxílio.

# Como está o braço? - ouviu Sango perguntar.

# Bem melhor do que antes. – anunciou como se aquilo não fosse nada, antes de fazer uma careta. - Quanto veneno será que ainda vai sair dai? - quis saber, enquanto a sentia parar de tocá-lo para esperar que o líquido nocivo deixasse seu corpo antes de tornar a limpá-lo.

# Não tenho idéia. - suspirou cansada. - Myeki usou muito em você e você estava quase que totalmente tomado de amor por ela. - debochou. - Mas acho que em breve ele parará. - acrescentou de imediato, deixando claro que não queria se aprofundar naquele assunto. - Ele está bem mais claro do que antes. Mas eu também não sou nenhuma especialista neste assunto.

# Isso é um bom sinal. - Miroku disse, levando em conta o seu precário conhecimento em medicina.

Sango fez um leve gesto com a cabeça e lançou um discreto olhar a Inuyasha. Olhar que o Hanyou, por estar de olho neles, notou com bastante eficácia. Ela sabia - pelo brilho nos olhos dele - que ele estava novamente pensando em Kagome, afinal de contas ela sabia muito a respeito de tratamentos e ervas medicinais.

Mas Inuyasha não permaneceu a encarando por muito tempo, sentindo a aproximação de alguém, seu nariz e orelhas se moveram, segundos antes de ele saltar da árvore, assustando Miroku e fazendo Kirara desviar a atenção do Houshi. Ele podia sentir o cheiro da ansiedade enquanto o Senhor da cidade, seu filho e mais duas pessoas vinham obviamente em sua direção.

# O que eles querem? - Inuyasha se perguntou em tom alto, dando alguns passos a frente, ficando embaixo da proteção contra a chuva, entre Sango e Miroku, e os quatro que aos poucos se aproximavam deles.

Sango e Miroku olharam de Inuyasha para o pequeno grupo de homens que se aproximavam cobertos por capas de chuva, se fazendo a mesma pergunta. E iam se colocar de pé, quando Inuyasha fez um leve gesto de negação, deixando claro que poderia lidar com aquilo sozinho enquanto ela tratava dos ferimentos de Miroku.

# Inuyasha… - o chefe o saldou, retirando o capuz assim que entrou em baixo da proteção, e Inuyasha fez um leve gesto com a cabeça. - Miroku! Sango! - os dois repetiram o mesmo gesto de Inuyasha. - Fiquei sabendo que abandonarão a cidade amanhã. - ele disse, seus olhos se fixando em Inuyasha. - Gostaria de saber o que farão com esta assassina.

# Ela irá conosco. - Inuyasha foi direto. Mas sua resposta não pareceu agradar o senhor e muito menos seu filho.

# O que irá fazer com ela? Se for matá-la, deveria fazê-lo aqui. - ele disse quase acusador. - Que garantia temos de que ela pagará pelos crimes que cometeu se levá-la intacta daqui?

Inuyasha franziu o cenho, tentando ignorar a informação que aquele tom trazia. Já havia entrado naquela discussão com o chefe de Kiseki antes e já deixara bem claro o que estava planejando. Como aquele homem ainda podia ousar achar que ele deixaria Aya sair impune de seus crimes depois do que ela aprontara? Depois do que ela fizera com sua Contratante?

# Em primeiro lugar… acho que deixei bem claro que o que vou fazer com ela, é problema meu. - começou em tom friamente cauteloso, percebendo e ignorando o leve tremor do chefe. - Em segundo lugar… acho que concordamos que Aya está tudo, menos intacta. O fato de eu não tê-la matado ainda não quer dizer o contrário.

# Nós…

# Já discutimos isso. E se bem me lembro já havíamos chegado a um denominador comum. - ele anunciou antes que o homem pudesse falar alguma coisa. - Concordei que, já que não iria matá-la, iria deixá-la ao menos se tratar.

Lembrou-se da discussão que haviam tido em determinado momento. Afinal, para Kiseki, cujo patriota havia sido um médico, não importava os crimes ou que espécie de pessoa estava entre eles. Com relação a saúde e cuidados todos eram iguais, e deveriam receber tratamento para seus ferimentos.

# A vida dela é minha. - Inuyasha disse imediatamente. - Foi a mim que ela traiu. Era a mim que ela servia antes de vocês a conhecerem. Então o destino dela pertence a mim.

Houve silêncio. Silêncio onde o chefe do vilarejo engoliu seco e todos os outros se mantiveram estáticos como se qualquer movimento pudesse explodir uma batalha entre os dois. Sango aproveitou esse momento para continuar a limpar as costas de Miroku e ignorar o incomodo que o olhar de Kiseki lhe passava.

# Ótimo! - o chefe disse brutalmente por fim. Como se estivesse irritado pelo fato de saber que não conseguiria fazer nada para mudar a mente do Hanyou e deixar a mulher com eles. - Não iríamos querer o corpo de uma assassina bastarda em nossas terras. Nenhuma pessoa que matou e ajudou na desgraça de outras mulheres merece ser enterrada aqui e muito menos deveria ser enterrada em outro lugar. Leve-a! - disse como se aquilo fosse desejo dele desde o início. - Queimaremos tudo o que ela tocou e pisou para limpar nossas terras. Isso é o tratamento que esse tipo de pessoa merece.

A suas costas, Inuyasha sentiu Sango se contrair. E fazendo um leve gesto com a cabeça, Inuyasha assentiu e os assistiu dar meia volta e retornarem para o lugar de onde haviam vindo. Virou-se, podendo ver a jovem Exterminadora, comprimir os lábios com força enquanto terminava o trabalho de tratar dos ferimentos de Miroku. Abriu a boca para dizer algo a respeito daquilo, afinal de contas sabia o que ela deveria estar pensando, mas ao notar o que ele pretendia, ela negou veementemente com a cabeça.

E daquela vez, Inuyasha decidiu ouvi-la. Se ela não queria falar àquele respeito, iria aceitar a decisão dela. Ao menos por enquanto. Não iria deixar que ela se sentisse mal por aquelas palavras.

ღ.ღ.ღ

# Quer dizer que além de um trabalho ele também quer me ver? - os olhos azuis brilharam em cobiça, enquanto o sorriso surgia nos lábios finos. - Achei que ele não quisesse me ver mais, nem banhado em poder e glória. - ironizou. - O que ele deseja de mim, agora? Espero que não sejam informações sobre as Miko… ele sabe que agora, não posso mais ferir a barreira de Shima no Ten.

Kagura ajeitou sua postura e estreitou os olhos, enquanto via o homem de cabelos negros - presos em uma perfeita trança - andar de um lado ao outro do pequeno quarto da fortaleza onde ele vivia. A armadura em prata brilhava sobre a precária luz da lua que entrava no aposento que dava a ele a visão de todo o reino que ele controlava.

# Não me peça para tentar explicar as atitudes dele para você, Yami. Não consigo entender Naraku. - Kagura disse com frieza.

Yami sorriu, seus dentes afiados brilhando enquanto seus olhos se fixavam em Kagura e depois na taça que ele mantinha nas mãos. O liquido vermelho que ali estava, podia, de longe, ser identificado como sangue até por quem não possuía um bom olfato.

# Não se preocupe, Kagura querida. - ele disse, girando a taça com cuidado. - Acho que nem Naraku se entende. - sorriu debochadamente. - Ele é apenas um louco, forte e tolo o bastante, para criar sua própria destruição. - indicou-se. - Mas… - pigarreou. - Apenas espero que ele não me queira lá novamente. Minha última visita a Shima foi extremamente dolorosa e não pretendo repeti-la. - ele moveu o braço esquerdo, mostrando as queimaduras que ainda existia ali. E deu com os ombros. - Não sei por que isso passou a acontecer de uma hora para outra. - falou como se Kagura houvesse lhe questionado àquele respeito. - E parece que a barreira ficou ainda pior depois que a quinta profecia de Midoriku começou a se concretizar e Haru foi expulsa da Ilha. Mas não faço idéia da razão…

# Achava que a energia Miko não podia lhe ferir. - Kagura disse, se recordando da maneira como ele gostava de se gabar daquilo.

# Não pode. Ou ao menos não podia. Meu corpo apenas aguenta um certo nível de poder. Para que eu possa aguentar mais que isso, é necessário que eu possuía e tome o sangue de uma Miko puramente legítima. E não vemos mais uma dessas andando por ai. A não ser, é claro… o bebê que você tem de encontrar.

Kagura franziu o cenho e abriu seu leque com violência, deixando claro a ele que havia compreendido, e não gostara do tom que ele utilizara. Ele riu. Uma risada que ela julgava ser tão fria quanto a de Naraku. E quando deu por si, ele estava a pouco passos dela, tocando-lhe o braço.

# Meu poder é único, meu bem. - ele sorriu, voltando ao assunto de Shima no Ten. - Sou muito mais do que qualquer vampiro, de fato. Mas assim como eles apenas sobrevivo a uma quantidade de Hama… e a Hama que passou a rodear Shima no Ten, e que estranhamente vem aumentado a cada dia que se passa, é muito mais do que posso suportar. Poderia sugar a energia, mas meu corpo poderia explodir em milhões de pedaços se fizesse isso. - ele coçou o queixo. - Por isso não vejo o que Naraku possa querer discutir comigo.

A Youkai se manteve inexpressiva. Imaginava o que Naraku podia estar querendo, mas não iria se atrever a tentar falar algo a respeito disso. Na maioria das vezes sempre estava errada sobre Naraku e não queria gerar problemas para si mesma.

# Mas... de qualquer forma... Diga a ele que irei vê-lo. - ele sorriu e depois pegou o pergaminho que ele havia jogado de lado logo depois de lê-lo. Pergaminho onde também havia a fotografia desenhada de uma mulher. - Assim que eu encerrar a vida desta mulher, como é desejo dele. - ele sorriu enterrando o pergaminho enrolado em sua taça de vinho. - Não é tão bom quanto o de Miko… - o pergaminho se incendiou. - mas ainda assim… - ele moveu a taça, misturando as cinzas ao sangue antes de beber todo o conteúdo da taça. - O sangue de bruxas jovens também é incrivelmente delicioso.

Tsuzuki...

ღ.ღ.ღ.ღ.ღ.ღ.ღ.ღ.ღ

Muten - Mestre


Ai foi mais um capítulo para vocês. :P

Gostaram?

\o/

Antes de qualquer coisa eu gostaria de pedir desculpas pela demora e tudo mais. Mas demorei pelos seguintes motivos.

1º Tempo... tempo... tempo... mais criatividade. É terrível saber o que quer escrever e não conseguir.

2º Meu estabilizador explodiu... Sim ele explodiu sem mais nem menos... a sorte é que eu estava no quarto, senão teria pegado fogo em tudo... ai sim eu iria ficar muiiito triste. Como isso aconteceu ainda é um mistério... mas meu pc está sã e salvo.

3º Fiquei sem internet. A Oi fez o que não devia... papai ficou revoltado e o resultado foi como ela diz: simples assim. Papai cancelou o plano. Mas estou com uma linha nova. - O único problema agora é que meu número de celular de negócios ainda está desabilitado... está sendo a maior confusão habilitá-lo novamente.; E eu realmente necessito dele. Masss... no final tudo dá certo. :P O capítulo chegou fresquinho da beta para vocês.

hehehehe

Mais uma coisinha... gostaria de pedir mais desculpas, mas hoje vamos ficar só com os agradecimentos das reviews. :P Estou sem tempo e eu gostaria muito de explicar algumas coisas para vocês. Espero que esteja tudo bem, assim. :P

É um seguinte:

Quanto ao fator morte de Aya: Foi explicado neste capítulo por que ele simplesmente não arranca logo as vísceras da pequena traidora, mas vou enfatizar aqui: ele sabe que ela é peixinho... e ele quer o grandão por trás dela. Não conseguirá fazer isso se não conseguir tapeá-la e fazê-la levá-lo até seu mestre. Desta maneira ele irá conseguir a vingança não só pelo que aconteceu a Kagome, mas as explicações sensatas sobre o ataque a Batsu e a razão pelo qual ele foi parar em Shima, um mundo de distancia.

Ps.: Mas... como já foi colocado em um capítulo *que no momento não me lembro qual foi* Não era intenção do Inimigo mandá-lo para a ilha Miko. Naraku foi responsável por tudo e acreditava que o herdeiro estivesse mortinho.

Quanto ao fator ódio de Inuyasha: Coloquei neste capítulo a razão pelo qual ele não foi consumido pelo lado Youkai dele. Embora o coração de Kagome não esteja batendo, como a mãe dela disse, ele ainda existe... ou seja ele ainda está conectado ao de Inuyasha, mesmo que ele não sinta essa conexão. E em vida, Kagome protegia Inuyasha. Ela continua a fazer o mesmo enquanto se encontra em um estado 'vegetativo'. Ela não está deixando ele ser consumido pelo ódio, pois se isso acontecer ele vai se perder.

Ps.: Sim! Vai ser explicado esse pequeno detalhe: Por que o coração deles continuam conectados mesmo com ela aparentemente morta.

Fator Yami: Nosso primeiro vilão *aquele que estava loucamente atrás de Kagome em Shima* voltou a aparecer. Vou deixar claro algumas coisas sobre ele... Sim! Ele trabalha para Naraku. Sim! Ele é uma das invenções de Naraku. Não! Ele não obedece Naraku incondicionalmente. Ele sabe que é mais forte que ele e como ele mesmo disse "Naraku é tolo o suficiente para criar sua própria destruição" E Yami fez várias coisas sem que Naraku soubesse.

A mãe de Kagome vai explicar tudinho. Desde sobre o nascimento dela até o ritual que foi feito para salvá-la.

Eeeee... acho que é tudo. ¬¬' Estão me apressando aqui em casa e acabei por perder a linha do pensamento. Qualquer coisa eu posto no próximo. :P

Agradecimentos:

HP / Aninha / Nai #2ª review... 2º* está certo.# / Aline L. / Nami-chan / Bchibi / Sango Lee / Acdy-chan / Lari-chan / Thays / Sayonara / Mary-Bell / / Aline C / Sara / AnnaClara / Hyuuga Mitha / Lyla Moon / DaySerafini / Agome chan / Lilo

Obrigada a todas por continuarem lendo, e me mandando reviews! ^-^

E espero que eu continue agradando. ^.^

Beijokas

Telly Black!