Discleimer: Inuyasha e Cia. Não me pertencem, mas a história sim.
O dinheiro não traz felicidade. Me de o seu e seja feliz. :D
Ela é o cara.
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A toca do lobo.
Bem como posso explicar o que senti quando entrei na toca do lobo pela primeira vez e percebi que tudo era uma armadilha?
Foi algo inexplicável, completamente surreal, é essa é a palavra perfeita para descrever o quarto de Kouga: surreal.
Ele era tão surreal – não consigo parar de usar essa palavra – que nem parecia parte da faculdade, como se, ao entrar ali eu tivesse, acidentalmente, entrado em alguma dimensão paralela.
Havia no centro bem debaixo da janela uma enorme cama boxe de casal, à direita, escorado a parede o guarda-roupas, mas não era qualquer guarda-roupa, era o guarda-roupa, tipo, ele era tão grande que não levava para Narnia, Narnia simplesmente cabia inteira lá dentro! No canto ao lado estavam uns dois pufes e lá em cima na parede uma TV de plasma, a esquerda estava –acreditem se quiser – um minibar, com dois banquinhos para sentar, balcão, prateleira de bebidas e tudo, o chão era todo acarpetado.
Já deu pra entender porque me senti presa em uma armadilha né? Bem se não deu paciência, vamos chegar lá.
_Tente não espalhar pelos no meu carpete cara de cachorro, Jackotsu ficaria furioso. – Kouga estava dizendo.
_Quem é Jackotsu? – Inuyasha me perguntou.
Ainda sem falas com o lugar, eu pisquei, até recuperar-me do choque, e então disse:
_Kouga seu pilantra!
Kouga parou sua explicação sobre o que havia no minibar e porque ele estava ali – algo sobre o pai dele dizer que um ambiente só se torna verdadeiramente sofisticado quando se há bebidas de classe expostas nele, mesmo que não a bebamos – e olhou-me confuso.
_O que?
_Você me pegou direitinho na sua arapuca! – acusei.
Kouga inclinou a cabeça de lado.
_Que arapuca?
_Essa! – e abri os braços – Esse quarto irreal aqui!
Kouga olhou a volta, depois me encarou.
_Algo errado com ele?
_Nada, esse que é o problema! – bati o pé no chão. – Por Buda, como você espera que eu seja capaz de ir embora daqui ao fim de nove dias e deixar tudo isso para trás?!
Então é isso. Foi assim que o lobo pegou-me em sua armadilha: mostrou-me um quarto bom demais para ser deixado para trás.
_Ah isso... – ele olhou a volta – Bem, eu não me incomodaria se você ficasse. Falando sério, fique o quanto quiser se transfira de quarto se for o caso!
Finalizou empolgado, só que não acho que ele esteja falando sério, não depois da quantia que ele pagou para se livrar do último colega de quarto. Inuyasha colocou o braço sobre os meus ombros e disse:
_Esqueça lobo, vá arranjar o seu próprio neurótico por limpeza.
_Quando foi que virei seu criado pessoal? – resmunguei.
_De qualquer forma. – Kouga dirigiu-se á porta do banheiro, mas não chegou a abri-la – O banheiro é aqui, vocês tentem não entupir o ralo da banheira com cabelos, Jackotsu fica realmente zangado.
_Inuyasha é o cabeludo aqui. – falei. – Você tem mesmo uma banheira?
_Coisa simples. – falou – Papai queria colocar uma com hidromassagem aqui, mas mamãe não deixou, desde aquele episódio comigo e Naoko, que não vale a pena ser mencionado, que ela não confia mais em me deixar sozinho com uma dessas.
_Então você é mesmo um daqueles bad-boys ricos que andam por ai esbanjando o dinheiro dos pais. – afirmei.
_Isso não vem ao caso agora.
_De novo. Quem é Jackotsu? – Inuyasha insistiu desta vez para ninguém em especial.
_O que mais...? – Kouga pensou um pouco – Ah sim, não misturem suas roupas sujas com as minhas, porque se Jackotsu tiver que lavar roupas a mais, ele vai querer aumento.
_Eu vou continuar insistindo até alguém me responder. – avisou Inuyasha – Quem é Jackotsu?
_Eu cuido da minha roupa e da de Inuyasha. – falei – Levo-as para lavar na lavanderia pública a duas quadras daqui, toda terça-feira.
Kouga olhou Inuyasha.
_Até lava a sua roupa?
Inuyasha encolheu os ombros.
_Insistência dele.
No inicio Inuyasha até se ofereceu para que nos revezássemos quanto a isso, eu levava uma semana e ele na outra, mas eu recusei, porque como é que eu ia explicar a presença das roupas intimas feminina – e também sem falar que eu não ia deixar um estranho lavar minhas roupas, e se fizesse alguma coisa errada? Como esquecer o amaciante, ou então colocar sabão demais ou de menos? Nem pensar.
Acabo lavando a roupa dele por isso também: não quero que ele use algum material errado ou de pouca confiança e depois guarde as roupas junto com a minha. Quer dizer, isso podia me dar alguma alergia. Porque eu sou alérgica a um sabão em pó... Que não lembro o nome agora.
_Bem, de qualquer forma, espero que nenhum dos dois ronque.
_Não. – neguei.
_Mas às vezes o Higurashi acorda gritando no meio da noite. – afirmou Inuyasha.
Chutei-o por isso.
_Não foi o que ele perguntou! – reclamei.
_Higurashi você dorme ali, afinal é meu hóspede. – Kouga apontou a própria cama.
Saltei para trás de olhos arregalados.
_E você dorme onde?
_Ah. – ele aproximou-se da cama e começou a abrir uma gaveta que tinha nela, que na verdade não era uma gaveta, era sim uma segunda cama. – Aqui.
_Nem pensar! – falei – Não posso te deixar dormindo no chão Kouga.
_Tudo bem, é só por alguns dias.
_Mesmo assim!
_Não tem problema, é sério. – ele começou a pisar no colchão – Viu? Ele é bem confortável.
_E eu durmo onde? – Inuyasha.
Kouga o olhou com as mãos nos bolsos.
_Você é só um cachorro, durma no chão.
_Como é?!
E assim, apesar de haver uma espaçosa cama de casal e mais um colchão extra, perdemos umas duas horas discutindo sobrem quem dormiria onde, Inuyasha insistia que por ser um hospede não podia ser colocado para dormir no chão, Kouga retrucava que ele só estava ali de intrometido, e nenhum dos dois gostou da minha ideia de que alguém podia dormir no guarda-roupa – mas qual é? Aquela coisa é tão grande que da pra morar lá dentro!
E assim acabamos tirando nos palitinhos – e o perdedor se arranjaria para dormir.
Kouga acabou ficando com a cama, e Inuyasha com o colchão extra, Buda deve estar brincando comigo, como assim eu fiquei sem nada? Devia ter concordado com Kouga de que Inuyasha deveria dormir no chão, quando tive a chance.
_Não precisa se preocupar Higurashi. Você pode ficar com a cama. – Kouga afirmou.
_Com você nunca! – respondi.
_Fique com a cama.
_E você onde vai dormir lobo? – Inuyasha quis saber.
Kouga encolheu os ombros.
_Tenho uma rede guardada no guarda-roupa.
_Uma rede? – repeti.
_É.
_Você é o que, algum índio? – perguntou Inuyasha.
Kouga o fuzilou com os olhos.
_Eu comprei quando viajei para a América do Sul, ano passado.
_Por que não disse antes que tinha uma rede? – perguntei.
_Eu queria ver o cara de cachorro dormir no chão. – respondeu digitando alguma coisa no celular.
_Oras seu...!
Acreditem se quiser, mas meia hora depois chegou um par de homens para colocar ganchos para redes no quarto de Kouga, e eu nem sei da onde eles vieram.
Mas em fim, admito que depois de ter resolvido esse problema, eu e Inuyasha acabamos nos acomodando bem rápido no quarto de Kouga, especialmente eu, que já no primeiro dia lá, descobri embaixo do balcão do minibar um pequeno armário cheio de guloseimas, mais um pequeno frese, ao lado de uma mini geladeira recheada de coisas, ao lado destas um forno de micro-ondas, e também tinha uma sanduicheira, de forma que nem sequer sai para ir jantar na cantina.
Ao invés disso preparei pipocas, coloquei "Cisne negro" para assistir on-line – até a internet dele é mais rápida! – e me joguei na cama de Kouga, que era realmente confortável, para assistir. E foi assim que Inuyasha me encontrou quando chegou.
_O que você...?
_Sh! – fiz imediatamente.
_Mas onde você arranjou...?
_Sh!
_Para de fazer isso!
Suspirei e dei pausa no filme.
_Que foi?
_Onde arranjou essas pipocas?
_Olhe ali no mini bar. – apontei – Debaixo do balcão.
Inuyasha torceu o nariz, mas mesmo assim foi até o minibar.
_WHAT THE FUCK?! – gritou de detrás do balcão – Esse lobo esta estocando comida para o inverno ou o que?!
_Também fiquei surpreso quando achei. – afirmei enfiando um punhado de pipoca na boca.
Inuyasha levantou-se.
_Por que está tudo escuro afinal?
_Não achei o interruptor. – virei-me para o notebook e tirei o filme do modo pausa.
Inuyasha começou a andar pelo quarto e tatear as paredes, parecendo procurar o interruptor, sem sucesso ele tentou até procurar no banheiro, ligou e desligou a luz de lá varias vezes, parecendo acreditar que a luz do quarto a imitaria, e só depois de várias tentativas é que desistiu pegou um refrigerante na mini geladeira e veio se sentar comigo na cama.
_O que está assistindo? – perguntou pegando algumas das pipocas.
_Cisne negro. – respondi.
E assim passamos a assistir o filme juntos, ainda estava no começo, por isso ele não perdeu muita coisa. Embora algumas partes tenham me deixado bem constrangida, e me fizeram fechar os olhos, eu até que estava gostando bastante do filme.
E Inuyasha também, pelo visto, já que algum tempo depois quando Kouga chegou...
_Hã? Gente pipoca na minha cama...! – começou a reclamar.
_Sh! – fizemos os dois.
_Mas eu só estava dizendo...
_Sh! – repetimos extremamente concentrados no filme.
_Querem me ouvir! – reclamou.
_Sh! – nem lhe demos bola, porque enquanto dançava os braços de Nina tornavam-se asas.
_Da pra pararem com isso?
_Sh!
_Caramba parece que eu entrei num ninho de cobras!
_Kouga eu vou ter que te colocar pra fora daqui? – perguntei sem desgrudar os olhos do filme.
_Mas esse quarto é meu! – protestou. – E por que está tudo escuro?
_Não achamos o interruptor. – Inuyasha respondeu.
_Ah, esqueci-me de explicar isso a vocês. – e então ele disse: – Luzes.
E de repente, tudo ficou claro.
Meus olhos, que já haviam se acostumado com a penumbra, ficaram terrivelmente sensíveis quando a luz apareceu do nada, e começaram a lacrimejar, mas me recusei a fechá-los por alguns segundos, porque não queria perder nem um pedacinho do final do filme.
Ao meu lado Inuyasha cobria os olhos e dizia uma porção de palavras não muito bonitas em direção a Kouga – que no momento tinha ido ao banheiro.
Quando Kouga voltou estávamos de novo de olhos grudados na tela, agora vendo Nina morrer, ele sentou-se no minibar e esperou que acabássemos.
_Já? – estava tomando um picolé.
_Já. – respondi.
_Certo. – Kouga ajeitou-se onde estava sentado – Eu só não entendi porque estavam vendo um filme na internet, quando eu tenho um aparelho de DVD e uma porção de filmes bem ali!
E apontou para o canto onde estava a televisão e os pufes.
Inuyasha encolheu os ombros.
_Quando cheguei, ele já estava assistindo o filme.
Kouga olhou-me.
_Eu só queria ver à quão rápida era sua internet. – respondi.
_E então?
Suspirei.
_Esta cada vez mais difícil imaginar-me indo embora daqui.
Kouga jogou a cabeça para trás e riu, acho que ele gosta da ideia de eu ficar por aqui.
Inuyasha foi o primeiro a dormir, eu ainda fiquei acordada por mais algum tempo mexendo na internet, até capotar no sono, e Kouga ainda estava vendo televisão a essa altura.
Em média enquanto o ser humano precisa de oito horas diárias de sono, o lobo precisa de apenas três, acho que isso se aplica a Kouga.
Foi assim o meu primeiro dia na toca do lobo.
Acordei confusa e sem saber onde estava não reconheci a enorme e confortável cama onde me encontrava deitada, sentei em um repente e olhei a volta, mas não reconheci o ambiente em que me encontrava.
Estiquei as pernas para fora da cama e tentei levantar-me, mas para minha surpresa não foi o chão que meus pés pisaram, foi a cara de Inuyasha, e só então me lembrei de que estava, por algumas noites, hospedada no quarto de Kouga, juntamente com Inuyasha, e tarde demais, também me lembrei de que Inuyasha não estava mais dormindo em uma cama ao lado da minha e sim em um colchão ao lado da minha cama.
_Oh! – fiz inclinando-me para frente e vendo-o deitado ali, com o meu pé na sua cara – Desculpe por isso.
Inuyasha agarrou meu tornozelo e o ergueu de tal forma que minha perna ficou em um perfeito ângulo de 90° com relação ao meu corpo.
_Qual o seu problema afinal? Por que sempre tem que acordar tão cedo?
_Força do hábito. – respondi.
Ele pegou meu outro pé, que estava pisando em seu tórax e também o ergueu, depois empurrou minhas penas de volta para cama, e se sentou.
_Maldição, nem as galinhas acordam tão cedo! – praguejou.
Eu sorri sem graça e passei as mãos nos cabelos tentando tirar minha franja da cara, ela já estava me cobrindo os olhos novamente, decidi que, como não estou falando com Sango mais tarde falaria com Kohaku e lhe perguntaria se ele sabe cortar cabelo também.
_Mas parece que Kouga acorda ainda mais cedo que eu. – comentei quando percebi que a rede na qual ele disse que dormiria, não estava atada no quarto.
Inuyasha cruzou os braços e fixou o olhar em algo além de mim.
_Duvido muito.
Confusa, olhei na mesma direção em que ele olhava, e surpreendi-me, pois pude ver claramente, Kouga dormindo dentro do guarda-roupa, através das portas entreabertas do mesmo, de costas para nós, coberto até acima dos ombros por um lençol e descansando a cabeça em um edredom todo dobrado.
Voltei a afastar a franja dos olhos, só para ver melhor aquela cena tão peculiar.
_Por que ele está dormindo ali? – perguntei.
Eu não quis acordar Kouga para perguntar, e nem deixei que Inuyasha o acordasse.
_Como estão te tratando no quarto 96? – Kohaku, sempre gentil, me perguntou algum tempo mais tarde, enquanto tomávamos café da manhã.
Quebrei o primeiro ovo no copo, antes de responder:
_Muito bem, na verdade Kouga até me cedeu à cama dele, e deu o colchão extra para Inuyasha.
_E onde ele está dormindo?
Corei.
_No guarda-roupa.
Kohaku piscou.
_Como assim no guarda-roupa?
_Ele... Disse que tinha uma rede, mas quando acordei hoje cedo ele estava dormindo no guarda-roupa.
Por um segundo pareceu que Kohaku diria algo, mas ai, bem nessa hora, meu celular começou a tocar, com uma rápida olhada no visor vi que era minha mãe e levantei com um salto do meu lugar.
_Tenho que atender, volto já!
Tomei meu ovo cru de um gole só antes de sair correndo para atender.
Dessa vez fui mais cuidadosa, e corri direto para o dormitório masculino, quase acabei entrando no meu quarto, mas na última hora lembrei que estou no quarto do Kouga agora e saí correndo pra lá.
Atendi assim que me tranquei lá.
_Pronto.
_Alô mamãe. É assim que você deve atender Kagome. – ela me repreendeu – Eu vou ligar de novo, e atenda corretamente dessa vez.
E desligou na minha cara.
Olhei sem acreditar para o celular. Como assim? Quer dizer que eu dei toda essa corrida pra n...! Esta tocando! Atendi:
_Alô mamãe.
_Muito bem Kagome! – mamãe comemorou isso é inacreditável – Eu liguei para falarmos daqueles comerciais para a sua amiga que quer ser modelo.
_Jura? – me animei. – E então?
_Eles já tinham outra modelo.
_Ah. – minha animação afundou igual ao Titanic.
_Mas não se preocupe, vou arrumar outra coisa para vocês duas!
_Que quer dizer com "Vocês duas"?! – exasperei-me – Eu só quero algo para ela!
_Mas deixando isso de lado. – mamãe mudou de assunto – Sota me ligou anteontem.
_Ah é mesmo? – murmurei deitando-me na cama sem um pingo de animação.
_Ele liga sempre, uma vez por semana. – ela continuou, senti uma pequena alfinetada pelo falo de eu nunca ligar – Mas estou preocupada Kagome.
Imediatamente sentei-me ereta.
_Por quê? – perguntei – Ele esta passando por dificuldades?!
_Não, longe disso. – suspirou – Na verdade ele está se adaptando muito bem lá, e é isso que me preocupa.
Fiquei confusa.
_Como assim?
_E se ele não quiser mais voltar Kagome? E se ficar para sempre morando no exterior?!
E acabei passando os próximos quinze minutos tentando tranquilizar minha mãe falando do quanto Sota amava o Japão, e que provavelmente devia estar louco para voltar, mesmo nas férias de verão, para nos ver, e foi ai que descobri o grande problema: Sota não voltaria para as férias de verão.
Parece que tinha muitas obrigações com o time para abandoná-lo assim no meio do ano, mesmo que estivessem de férias.
Ele prometeu vir no final do ano, mas mamãe estava inconsolável.
Quando voltei para a mesa na qual tomava café da manhã com Kohaku – mais de vinte minutos depois – encontrei Inuyasha ali, combinando alguma coisa com Kohaku.
_Então pode ser hoje à noite? – o ouvi perguntar enquanto me aproximava.
Kohaku concordou.
_Acho que sim.
Com um sorriso Inuyasha lhe estendeu a mão, e Kohaku apertou-a, mas deu de cara comigo quando se levantou.
_ O que haverá hoje à noite? – perguntei.
Ele sorriu-me enigmático.
_Você logo vai saber Higurashi. – e esfregou meus cabelos – Afinal você está metido no meio também!
Quando ele foi embora retomei meu lugar em frente à Kohaku.
_Era sua mãe?
Perguntou-me antes que eu pudesse perguntar o que eles estavam combinando.
Antes de responder bati um ovo na mesa e o quebrei diretamente dentro da boca.
_Sim. – peguei um guardanapo e limpei a boca.
_E como foi?
Suspirei.
_Horrível!
Kohaku inclinou a cabeça de lado, mas eu balancei a cabeça.
_Não dá pra falar aqui.
Mesmo que falássemos baixo há muitos youkais com audição apurada. Kohaku pareceu compreender isso.
Depois de ter quebrado meu jejum com os ovos resolvi começar a tomar meu café da manhã, porque se eu comer só os ovos acabo vomitando, e ai, de tanto vomitar vou acabar morrendo desnutrida e desidratada.
Hoje optei por um café da manhã tradicional japonês.
Tinha acabado de separar meus hachis quando Kohaku empurrou pela mesa um bilhete escrito em um guardanapo:
Ela não conseguiu arranjar um trabalho para a irmã do Naraku?
Suspirei e balancei a cabeça. Comecei a comer o arroz.
Kohaku empurrou outro bilhete por cima da mesa:
O que vai fazer agora?
_Eu não tenho ideia.
Continuei comendo, e ele já estava escrevendo outro bilhete, quando Sango apareceu, imediatamente bufei e virei o rosto, apoiado o queixo numa mão continuei a comer, mal humorada agora.
_Kohaku. – a ouvi dizer – Uma garota me deu isso, disse que você esqueceu na sala.
_Obrigado, mana. – ele disse claramente desconfortável, pobre Kohaku, sempre no meio do fogo cruzado – Almoçamos juntos?
_Sim.
Sango ainda deteve-se ali por mais uns vários segundos, mas me recusei a olhá-la, e por fim ela suspirou e foi embora.
_Por quanto tempo vocês pretende ficar sem se falar? – Kohaku perguntou-me parecendo mais do que um pouco desconfortável.
_Não sei. – respondi desistindo do meu café da manhã. Perdi a fome.
Sango com certeza não deve estar se sentindo muito solitária, afinal ela tem Miroku com ela.
_Mas você está sofrendo. – Kohaku afirmou – E a mana também.
_Sango?
Kohaku mexeu-se desconfortável, como se tivesse acabado de trair a gêmea, mas por fim disse:
_A senhorita Kikyou procurou-me há alguns dias, ela disse que ultimamente a mana tem tomado banhos muito longos.
Esse é um hábito de infância da Sango, enquanto que eu como ovos crus quando estou triste, ela prefere tomar banhos, banhos bem longos, diga-se de passagem.
_Muito longos quantos? – perguntei curiosa.
_Hum... – fez Kohaku – Ela costuma levar uma cadeira.
_É como dizem. – falei – Cada louco com suas manias.
E levantei-me.
Por ser sábado hoje normalmente não teria treino, mas temos um jogo marcado para não daqui muito tempo, e o treinador insistiu em marcar conosco um treino extra, então lá estávamos nós, em plena tarde de sábado, enfileirados lado a lado no campo de futebol enquanto o treinador gritava com a gente – o homem parece não saber falar de outro jeito!
_Kouga. – chamei, Kouga estava parado a minha esquerda – Kouga!
_O que? – ele respondeu.
_Por que estava dormindo dentro do guarda roupa hoje de manhã? – perguntei. Aquilo tinha me incomodado o dia todo – Achei que tivesse dito que tem uma rede.
_E tenho. – ele respondeu – Mas os empegados de papai disseram que eu tinha que esperar no mínimo 24h para poder usar a rede, para dar tempo ao gesso de secar por completo.
_Miroku e eu temos um colchão extra lá no quarto. – disse Kohaku, do outro lado de Kouga – Estávamos guardando para o Inuyasha, mas como ele não vai mais precisar...
Kouga ergueu uma mão.
_Obrigado, mas não precisa é sério. – falou – Porque a essa altura o gesso já deve ter s...
_VOCÊS NÃO ME OUVIRAM MOCINHAS? – o treinado gritou de repente, na cara de Kouga, e então se moveu para gritar na minha cara: – EU DISSE PARA FORMAREM DUPLAS! – e depois foi gritar na cara de Kohaku – ENTENDERAM?!
_Sim senhor! – dissemos juntos, resistindo ao forte impulso de bater continência.
O treinador afastou-se dois passos, apontou Kohaku e Kouga.
_Você das sardas, vai fazer dupla com o lobo!
_Sim! – disseram os dois, rapidamente se debandando dali.
Olhei de um lado para o outro e percebi estar sozinha, a fileira de jogadores havia simplesmente desaparecido.
_Hã... – ousei falar – E quanto a mim?
_VOCÊ HIGURASHI! – ele gritou na minha cara, será que ele sabe que sou capaz de escutá-lo mesmo que ele não grite em plenos pulmões a quinze centímetros do meu rosto? – VAI FORMAR DUPLA COM NARAKU!
Naraku estava sentado na arquibancada, colocando as chuteiras. Empalideci.
_Mas...!
O treinador, que já tinha começado a se afastar, virou-se quase espumando pela boca, e eu acovardada sai correndo sem dizer mais nada, antes que ele decidisse que o time tem que treinar pênalti e me colocar como goleiro – o que faz de mim tecnicamente um alvo – e sim ele já fez isso antes.
Mas antes eu tivesse ficado e me arriscado a ser o alvo humano do treinador, garanto que teria sido menos doloroso.
Foi logo no começo, quando ainda fazíamos os alongamentos, tínhamos que apoiar o calcanhar no ombro do nosso parceiro e então inclinarmos até tocar a ponta da chuteira – e só pra constar Naraku é quase uma cabeça mais alta que eu – por sorte durante esses meses treinando futebol eu ando ficando quase tão flexível quanto uma bailarina, consigo até tocar as palmas das mãos no chão sem dobrar os joelhos! Mas estou me desviando do assunto, do que é que eu estava falando mesmo? Ah é, já me lembrei, então como eu dizia, estávamos praticando os alongamentos, quando Naraku disse entre os dentes para que ninguém mais além de mim ouvisse.
_Você tem quinze dias, ou então todos aqui vão saber quem você é.
Eu fiquei paralisada.
Naraku deveria estar segurando a minha perna e garantindo que eu não caísse, mas de alguma forma o imbecil me deixou cair – e eu tenho certeza que não foi acidente! – e eu acabei caindo por cima do meu joelho direito, doeu tanto que achei que tinha quebrado de fato eu gritei tão alto que tive certeza que Sota lá nos E.U. A. me escutou.
Kohaku me ajudou a levantar, e tentou me levar para a enfermaria, mas eu recusei, Kouga e Inuyasha por sua vez tentaram partir pra cima de Naraku, mas foram impedidos pelo treinador... Garotos são sempre tão violentos.
Fiquei o resto do treino sentada num canto do gramado massageando o joelho.
No final meu joelho não estava quebrado, ainda bem, também não parecia ter torcido deslocado ou rompido algum ligamento, foi só um baque, por isso consegui ir – mancando – sozinha para o vestiário.
Mas infelizmente Kouga e Kohaku são do tipo que só acreditam vendo.
_Não vou tirar as calças! – protestei.
_Só queremos ver seu joelho, senhorita. – disse Kohaku.
_E pra isso eu ia ter que tirar as calças, porque não dá pra enrolar a perna da calça até acima do joelho! – argumentei – E eu não vou tirar as calças!
_Só que foi uma queda feia, tem que nos deixar olhar! – insistiu Kouga.
_Não! – recusei-me.
_Por favor, senhorita Kagome tire as calças. – pediu-me Kohaku.
Nunca achei que ouviria coisa sequer semelhante a isso vindo de Kohaku, será que foi a cabeça que eu bati e não o joelho? E agora estou em coma tendo algum sonho maluco?
_Não! – dei um passo atrás – E não insistam!
_Mas que coisa, não seria como se essa fosse a primeira vez que você fosse tirar as roupas na frente de alguém! – impacientou-se Kouga – Eu já te vi em fotos, e só queremos ver seu joelho!
_Aquilo era diferente! – falei vermelha – Era trabalho!
_Kagome... – Kouga chamou com uma voz tenebrosa – Não nos obrigue a tirar essa calça à força!
Afastei-me vários passos com os olhos arregalados de horror, Kouga de um passo a frente, mas Kohaku – meu anjo da guarda! – o impediu.
_Ninguém vai tirar nada de ninguém aqui á força. – disse seriamente.
Kouga suspirou.
_Certo, me exaltei. – admitiu. – É que estou realmente preocupado com este seu joelho.
_Não foi nada demais.
_Então pense em nós como médicos.
Cruzeis os braços.
_E onde estão os diplomas?
_Senhorita Kagome. – chamou-me Kohaku apoiando-se em um joelho a minha frente – Se não nos deixar olhar, vou ter que chamar a mana.
Paralisei. Ela realmente faz falta, percebi de súbito, por ela ser garota eu tiraria a calça para que ela visse meu joelho, mas não quero Sango aqui, não quero vê-la, não quero falar com ela!
_Não precisa chamar Sango. – falei por fim – Mas o Kouga vai dar o fora daqui!
Kouga olhou-me surpreso.
_E eu por quê?
Girei os olhos.
_Porque Kohaku é como um irmão. E preciso de alguém para vigiar!
Kohaku levantou-se, e olhou Kouga por cima dos ombros.
_Ela tem razão. – afirmou.
_Tá! – bufou virando-se – Avisem-me se precisarem de alguma coisa.
Depois que a porta se fechou atrás dele, Kohaku também se afastou e sumiu por trás dos armários, eu suspirei desafivelando o cinto e desabotoando as calças, puxei a barra da camisa o máximo para baixo – embora não fosse necessário, já que ela por si mesma já batia quase no meio das minhas cochas – e me sentei no banco, esticando a perna com o joelho machucado sobre ele.
Segundos depois Kohaku retornou, trazendo um rolo de ataduras e um produto spray.
_Isso é bom para baques. – explicou-me entregando o produto spray e se ajoelhando ao meu lado para olhar meu joelho.
De fato ele não estava tão inchado quanto achei que estivesse quando tomava banho, embora de fato latejasse de dor e estivesse com um grande hematoma, roxo como uma uva, trinquei os dentes quando Kohaku amassou-o um pouco.
_Dói?
_Sim. – quase rosnei.
Tempo demais com Inuyasha? Talvez.
Kohaku estendeu a mão e eu lhe entreguei o Spray, enquanto com a outra mão ainda segurava a barra de minha camisa.
_Isso pode arder um pouco. – avisou enquanto sacudia o produto.
_Tudo bem.
Ele destampou o produto e espirrou-o em meu joelho, era gelado, e ardeu um pouco, mas nada que não fosse suportável.
_Também vou enfaixar para que você possa caminha melhor. – disse – Deveria colocar um pouco de gelo também, mas pela manhã vai estar melhor.
_Certo.
_Como esta sua situação com Naraku?
Olhei para cima enquanto ele massageava meu joelho, sempre tão gentil.
_Não muito bem. – respondi – Ele me deu mais uma quinzena como prazo, antes de me delatar.
_Isso é mal. – ele concordou – Levante um pouco o joelho, vou enfaixa-lo.
Assenti e dobrei levemente a perna.
_Se é dinheiro que ele quer, eu posso arranjar. – disse Kouga colocando a cabeça para dentro do vestiário.
_Kouga! – guinchei arremessando contra ele o Spray para baques de Kohaku.
Acho que como não esperava essa reação de minha parte o lobo não teve tempo de se desviar, e acabou sendo atingido bem no meio da testa, e caindo para trás.
_Ah francamente, aquilo doeu! – ele reclamou vinte minutos mais tarde, sentado no mesmo banco onde eu estava antes, esfregando o local atingido, onde provavelmente nasceria um galo.
_A culpa foi sua. – cruzei os braços – Mandei não olhar.
_Verdade. – Kohaku concordou.
_Só queria ajudar... – ele fez uma careta parando de esfregar a testa vermelha – Então Naraku quer um bico de modelo para a irmã dele?
_É.
Ele suspirou e levantou-se para caminhar até o espelho.
_Por que não me disseram antes? – perguntou observando-se – Eu podia ter falado com Suzuka, ela esta sempre precisando de modelos.
_Suzuka? – repeti.
Kouga virou-se com um sorriso.
_A honrada Senhora Suzuka. Já ouviu falar?
Pisquei.
_Espere. Você estava falando de Takaiama Suzuka? Esta Suzuka?
_É. – respondeu simplesmente.
Fiquei tão espantada que quase caí.
_Como poderia não conhecer? Ela é simplesmente a maior, melhor e mais famosa designer de joias de todo o Japão! Talvez do Oriente!
_Pois é. – Kouga apoiou-se na pia – Ela gosta de se gabar disso com alguma frequência.
_Como você a conhece? – perguntei. E então me dei conta do sobrenome – Takaiama! Não me diga que são parentes!
Kouga olhou para cima.
_Sou filho dela. – respondeu – O único filho dela.
Ai. Meu. Buda.
*.*.*.*
Acordei de repente no meio da noite, quando do nada, dois dedos de Inuyasha estalaram como chicotes em minha testa.
_Ai! – reclamei abrindo os olhos de uma vez só.
O rosto de Inuyasha flutuava acima do meu, seus olhos dourados em perfeito contraste com a escuridão que nos cercava.
_Sh. – ele fez – Vem comigo.
_Pra onde? – perguntei com a voz arrastada de sono. – Esta tarde!
Ergui o pulso para ver que horas eram, mas me dei conta que não usava relógio e simplesmente cobri meus olhos com o antebraço.
_Levanta logo! – Inuyasha sussurrou pegando o braço com o qual eu cobria os olhos e o puxando até que eu ficasse sentada – Vamos, vai ser divertido!
Fiquei sentada meio tonta na cama.
_Do que você esta falando? – perguntei bêbada de sono.
_Anda logo!
Inuyasha novamente agarrou meu braço e me puxou, quase não tive tempo de colocar o pé na frente e evitar cair, ele me deixou calçar os sapatos, mas não esperou que eu amarrasse os cadarços, antes de sair me puxado por debaixo da rede de Kouga e noite afora.
*.*.*.*
Pronto desde 01/07/14, finalmente, eu e essa minha mania de anotar tudo!
O lado bom de estar de férias? É que estou de férias. O lado ruim? É que fico tempo demais em casa com Serpente. E sempre que ficamos muito tempo juntos nós brigamos, eu me estresso com ele, e fico sem qualquer humor para escrever, agora o menino deu para implicar com qualquer anime que vejo!
Ele reclamou de Kaichou Wa Maid-Sama! Porque não suporta o Usui, por ele ser perfeito demais, reclama de Hell Girl pela Ai Enma ser o que é, reclamou de Kamisama-Hajimemashita porque Nanami "É uma inútil, mas não é inútil o suficiente", reclama de Ouran High School Host Club porque Haruhi é uma menina, daqui a pouco ele começa a reclamar de Fruit Basket porque morre de pena do gato... Francamente!
Irmãos caçulas são irritantes. -.-'
Mas pelos menos agora ele foi passar uns dias de férias na praia com minha tia e primas, e vou ter uma folga dele, mas em fim não querem me falar dos seus para eu me sentir um pouco melhor?
Respostas as review's:
Priscila Cullen: E como! Acho que a Kah é a personificação do exagero! KKKK
Ah sim ele esta mesmo, só quem não percebeu ainda foi a Kagome! ^^'
Demorei menos que o normal desta vez, né? :D
Marieta100: E daqui pra frente a interação entre eles só vai aumentar! :D
Kiaraa: Errou. ^^
Porque o Sesshoumaru já descobriu, ele é demais, descobriu logo de cara, só que não perguntou nem falou nada porque isso não interessa a ele. :D
E não é? A Sango é a pessoa que a Kagome mais confiava no mundo, e ai... BAM! Fica difícil mesmo perdoar, mas, por sorte, a nossa Kagome não é muito rancorosa... Bom, não tanto assim, e na hora do desespero você vai ver, ela vai procurar Sango de novo. ;)
Nem demorou tanto esse capitulo né? ^^
ThaliCarvalho: O Miroku... Normal, na verdade ele esta até aliviado porque Higurashi é uma garota, mas a Sango... Bem você viu né? Por dentro ela esta arrasada – e a conta de água é prova disso.
E não é? Ele é muito do sabidinho! KKKK E a briga deles então pra ver quem dormia onde? KKKK Quero ver é depois ele tirar aqueles dois do quarto dele!
Pois é, é a vida, nossa Higurashi é tão esperta para certas coisas... E tão lenta para outras...
Belle: Admito que tentei mais uma vez entre a postagem do ultimo capitulo e deste aqui, mas novamente não tive sucesso, e passei mal o resto do dia... Então desisti de vez. Até terminar as fanfics? Então isso é nunca né? Já que eu mal termino uma já estou começando outra. ^^'
Riquinho versão tarado? KKKK Eu ri dessa! Mas dessa vez nosso querido Kouga é inocente, ele não fez nada, fugir do território do lobo? Isso é tudo que Kagome não quer, e ai é que esta o perigo!
Sim, nosso Sesshy é divo! U.U Contar para o Inuyasha ele não vai, mas chamá-lo de retardado por não ter percebido antes... Ai já é outra coisa!
Ah bem que eu queria ter postado dia 12/07 para você, mas mesmo que o capitulo já estivesse pronto eu não consegui criar uma oneshort a tempo, e gosto de sempre que posto um capitulo das fanfic's postar uma oneshort também. Sinto muito querida. ó.ò
Thas: Olá leitora anônima, saiba que mesmo em anonimato seu carinho pela fanfic é um grande incentivo. ^^
carol-bombom: Ovos crus, nossa Kagome é realmente bizarra.
Quarto do Kouga é uma armadilha porque é bom demais para ser verdade, ele é surreal. :D
Não ele não mataria Miroku... Porque no fundo, bem lá no fundo mesmo, nosso amado e meigo Kohaku é tão sádico quanto a irmã, então o estilo dele é mais... Torturar. *sorrisinho diabólico*
EllenChaii: E quem falou em acabar a fanfic? *espantada* Eu sou muito apegada a ela, não consigo me desfazer de "Ela é o cara". *agarrando os personagens com olhos marejados* Não, senhorita, você ainda vai ter que me aguentar por mais algum tempo aqui! :D
Eu até tento aparecer por lá, mas meu velho Percy tem cada vez mais problemas. Y.Y
Agome chan: E quem não riu? Nossa Kagome é realmente muito bizarra!
KKKK Você foi a única que não ficou feliz com a solução do Sesshoumaru! Não desiste mesmo né Agome chan?!
