J.K. é a dona, só estou me divertindo. E não estou ganhando dinheiro com isso.
Por favor, não me processe, eu não tenho nada.
Agradeço a todos os bons autores que li. Com certeza muito influenciaram.
E como disse um deles, se você reconhecer algo, não é meu.
Capítulo 36 Anna
Enquanto eu viver...
Elisabeth rodeou o castelo devagar. Não que realmente precisasse se preocupar.
A capa invisível, herança de família, a protegia, garantia sua segurança.
E era menos arriscado que usar diffindo. Os quadros não poderiam vê-la sob a capa.
Entrou. Deu dois passos.
Madame Norra. Rodeando-a. Miando. Impedindo-a de continuar. Apertou os lábios.
'Gata do inferno.'
Conseguiu finalmente contorná-la. Afastou-se rápido, antes que Filch...
Viu-o no fim do corredor, chamando pela gata. Apressou-se para as escadas.
Parou. A respiração entrecortada do esforço. Precisava ter cuidado.
Mesmo que não pudessem vê-la, aqueles retratos malditos poderiam ouvi-la. Respirou mais devagar.
Voltou a andar. Estava dentro.
Não importa o que acontecesse. Nada teria a ver com ela.
Em nenhum momento poderiam suspeitar que estivera no castelo por um segundo sequer.
Minerva observou Nina ressonar. Não que sua presença ali fosse realmente necessária.
Elisabeth tinha ido. Fora um alívio. Mesmo as proteções, não precisavam mais ser colocadas.
Apesar de saber que "ele" não concordaria. Aquele... Nina se moveu, arrancando-a de seus pensamentos. Viu-a acalmar-se. Levou a mão ao seu cabelo. O rosto ainda estava pálido. Mas parecia bem melhor.
Talvez amanhã já pudessem deixá-la retornar para seu quarto. Poderia ficar de olho nela.
E já era hora de fazê-la voltar à normalidade. Apertou os lábios. Dentro do possível, é claro.
A discussão daquela tarde a tinha deixado irritada. Principalmente com Albus, que quase não falara.
Podia entender a preocupação dele com o mundo bruxo. Com a guerra.
Mas não conseguia aceitar que precisassem sacrificar inocentes. Ou mesmo os não tão inocentes.
Já tinham perdido demais para aquele demônio. Que influenciava tantas vidas. E as tirava.
Mas não Nina. Não a sua Nina. Olhou-a. Tinha havido muito tempo desde que se sentira assim.
Quase uma... mãe. E aquele...
Severus. Deslocou-se na cadeira, contrariada. Não. Não ia pensar nele.
Se era um...
Minerva.
Virou-se para a porta.
'Falando do diabo.'
Ele acenou para ela de fora da enfermaria. Apertou mais os lábios. Um pouco de irritação que sobe.
Estranhou que estivesse ali. E que a estivesse procurando voluntariamente, sabendo que ouviria.
Levantou-se. Bem, ele ia perceber agora com quem estava lidando. Foi até a porta.
Pronta para voltar a argumentar. Foi então que viu-o segurando a vara, sem entender.
Obliviate!
Estava voltando para seu quarto.
Franziu a testa. Parou por um instante sem conseguir lembrar. O que tinha que fazer mesmo?
Ah, sim. Dormir.
'Está ficando velha, Minerva.' – disse a si mesma.
Tudo estava bem. Embora as coisas parecessem um pouco confusas. Nina estava bem.
Era o que importava.
Podia dormir tranqüila.
'Sua vaca prenha. Sua prostituta trouxa! Você me pagará. '
Estava andando pelos corredores. Ainda disfarçada como Severus.
Suportando com a vara discretamente escondida, o corpo flutuante da vaca, coberto com sua capa.
Poção polissuco. Tinha sido fácil demais, até agora.
Usara obliviate em Minerva. Dera-lhe a sugestão de ir dormir.
Não havia defesas na enfermaria. Não que não pudesse com elas, uma vez sozinha.
O problema era o tempo para colocá-las abaixo. No fim, Minerva resolvera o problema para ela.
Sorriu. Não ia correr o risco daquela cadela acordar. Usara um feitiço.
Melhor se o feitiço atingisse também a criança. Não que se importasse.
Agora estava ali. Só as escadas foram ruins enquanto controlava a capa.
Seu destino estava próximo. O sorriso se alargou.
Até que se lembrou de "quem" era no momento. O mestre de poções não era conhecido por seu sorriso.
Prestou atenção em alguns quadros que dormiam. Tomando sempre cuidado com os fantasmas.
Faltava pouco.
Só esperou que Lucius cumprisse sua parte. Estava cumprindo a dela.
Ele bebeu mais um gole pequeno. Perdido nas chamas.
Recordando de novo do que tinha acontecido até ali. De como ela voltara para Hogwarts.
E do que sentira enquanto ela estava em Londres... Fechou os olhos. Estar longe tinha sido inferno!
Moveu-se, abrindo-os. Levantou a garrafa de novo, lembrando de... Parou. Percebendo de repente...
Que sua decisão tão difícil de não se importar, tinha sido facilmente esquecida.
Na mera hipótese dela que está ferida.
Gemeu, desgostoso.
'Você está ficando velho e mole, Snape.'
A garrafa completou o caminho até seus lábios. Um gole. Que não distraiu sua mente.
Da tristeza que vira em castanhos, aquela tarde na enfermaria, quando ela lhe perguntara se...
Sacudiu a cabeça. Mesmo assim, não conseguiu afastar de si as lembranças. Voltando a pensar.
Na forma como ela parecia perdida. Nas lágrimas em sua face... Fechou os olhos de novo.
Sem querer sentir o que tudo aquilo provocava nele. Mesmo que fizesse seu peito quase...
Abriu os olhos, encarando o fogo. Não.
Era melhor lembrar que sua vida não era dele, pensou sombrio. Principalmente agora.
A garrafa se elevou de novo. O movimento parado ao meio quando a viu em sua mão.
Atirou-a na lareira, irado, espatifando-a, vendo as chamas se elevarem em contato com o líquido.
Irritado consigo mesmo. Mais uma vez.
Precisava ficar sóbrio! Levantou-se exasperado.
Cada uma das reações, planos e ações em que ele pensara exigiriam atenção total.
Se houvesse uma chance... Se ele tivesse tempo. Antes de...
Apoiou as mãos na lareira. A testa franzida, a boca numa linha fina.
A possibilidade de que as coisas se complicassem cada vez mais presente.
Mesmo com Elisabeth longe.
Havia a informação de que Nina estava em Hogwarts.
Havia Lucius e o Senhor Escuro. A Ordem.
E a tempestade.
A qualquer momento.
Elisabeth parou. Chegara. Baixou-a no chão frio.
Concentrou-se. Fazendo como um dos alunos do quarto ano lhe ensinara.
Passeando pelo corredor, pensando intensamente. Ouviu um estalo.
A porta.
Sorriu. Abriu-a enquanto meneava discretamente a vara em direção ao local onde pensava estava a maca.
Direcionando-a para dentro do quarto e fechando a porta ao passar.
Tateou, puxando a capa. Contente ao descobrir que acertara.
O corpo de Nina adormecida foi descoberto. A barriga se destacando.
'Cadela horrorosa.'
Olhou em volta. O quarto estava completamente fechado. Grades na janela muito alta.
Exatamente o que precisava. Havia também uma cama. Torceu os lábios.
Não seria necessário. A vaca não duraria tanto. Sentiu a roupa ficar grande nela.
Olhou para suas mãos. Voltara ao normal. Trabalhou rápido.
Pegou um vidro dentro de um dos bolsos. Abaixou-se arrancando um dos fios do cabelo castanho.
Colocou-o dentro do vidro e sacudiu. Voltando-o para o bolso. Olhou para a maca para verificar.
Meneou a vara novamente transfigurando suas roupas da forma apropriada.
Olhou para o corpo no chão. Chegara a hora.
Moveu a vara. Não podia haver nenhum erro. A mágica não poderia ser detectada.
Mas precisava acordá-la para que funcionasse. Preparou-se.
- Silencio.
Não ia se arriscar. Abaixou-se encostando a vara no peito da outra.
- Enervate!
Escutou o gemido.
Nina se moveu. Abriu os olhos. Olhando sem entender a semi-escuridão.
Escutou murmúrios, percebendo que havia alguém na sala. Voltou-se para aquela direção.
Dois olhos azuis e frios. Abriu os seus de forma desmedida. A boca escancarada. Em medo.
Uma vara que se move. Mais murmúrios.
Uma dor afiada em seu ventre a fez gritar. Algo morno entre suas pernas. Pânico. Dor.
Não! Não... Por favor não... – encarou o brilho gelado em azuis com angústia.
Mais murmúrios. E estava dormindo de novo.
Afastou-se. Vendo satisfeita a mancha que começava a se formar na camisola.
Pegou o vidro no bolso e o bebeu, fazendo uma careta. Ao gosto.
E ao pensamento de que teria que se transformar... naquilo. Sacudiu a cabeça. Tinha pouco tempo.
Pegou a capa e devolveu o tamanho normal para a vassoura que estivera miniaturizada em seu bolso.
Foi direto para a porta. O peso em sua barriga que a incomoda. Xingou.
Devia ter esperado até chegar às masmorras. Agora não havia outro jeito.
Cobriu a si e à vassoura com a capa, montando-a e procurando equilibrar-se.
'Maldita trouxa'
Mas então o sorriso voltou. Em antecipação ao que estava por fazer.
Havia batidas na porta.
Abriu os olhos, levantando a cabeça. Franziu as sobrancelhas, os olhos alerta. Era tarde.
As mãos largaram a pedra da lareira.
Dirigiu-se ao escritório, fazendo a porta do quarto fechar-se atrás de si.
Entre! – disse, sentando-se na cadeira atrás da escrivaninha.
A porta se abriu.
A última pessoa que ele esperava. Não parou para pensar que ela não entrara direto.
O que infernos você está fazendo aqui! – levantou-se, os olhos lançando chispas.
Ela deu um pequeno sorriso, ignorando deliberadamente o que os olhos dele diziam, entrando e fechando a porta. Estava atrasada. A qualquer momento Lucius...
Eu quis falar com você.
Esqueceu-se de tudo em que estivera pensando. Aquela imprudente...
Maldição! Você devia estar...
Severus. – ela o interrompeu, aproximando-se enquanto ele rodeava a mesa – É importante. – falou baixo, olhando-o enquanto ele se aproximava cada vez mais.
A voz dela estava estranha. Isso não o acalmou.
Onde diabos está Minerva? – segurou seu pulso – E Pomfrey? Como a deixaram...
Eu as convenci. – interrompeu-o, seria a qualquer momento – Eu...
Você vai voltar imediatamente para a enfermaria! – ele se virou em direção à porta, puxando-a.
Os lábios femininos se torceram.
'Não tenho tempo para essas bobagens!'
Severus, solte-me! – puxou o braço com força inesperada para uma grávida em recuperação, mas ele não o soltou; só parou, virando-se para ela irado.
Viu os olhos negros. Aproveitou o momento. Agiu.
Havia os braços dela em volta de seu pescoço. E lábios sobre os seus. Insistentes.
'Maldita barriga!'
Mas continuou a beijá-lo. Pensando de novo em como esse homem, esse bruxo, mexia com ela.
E então... após um momento de hesitação, a mão dele subiu para seus cabelos.
Braços à sua volta. O beijo sendo correspondido. Apreciou-o. Até que se lembrou.
'Então é assim que você beija essa... prostituta trouxa?'
Interrompeu-o, irada, afastando-se. Olhou-o. Furiosa.
Eu precisava de uma despedida. – tentou falar baixo, esconder a raiva – Obrigada. – disse com ironia; respirou – Agora eu vou dizer o quer era tão importante: – encarou-o – Eu não quero que você se aproxime mais de mim. – falou devagar, com entonação – Eu não o quero mais em minha vida. – olhou-o firme – Entendeu? Nunca mais!
Viu castanhos brilhando, com uma luz diferente. Ignorou o que sentiu. Sua expressão se endureceu.
Respirou.
Não vou discutir essa...
'Insanidade.'
... isso, – concluiu rígido – neste momento. – empertigou-se, refugiando-se em raiva – Há coisas mais importantes. – moveu-se para a porta – Vou acompanhá-la de volta à enfermaria. – falou áspero, abrindo-a – E esperar que você tenha mais juízo e fique lá. – disse duro, voltou-se para olhá-la ameaçador – Ou me certificarei pessoalmente de que não se mova da cama até amanhã. – sibilou baixo entre os dentes.
Mordeu o lábio, olhando-o. 'Inferno.' Tinha esperado mais reação dele. Viu-o abrir a porta.
'Não.' Precisava convencê-lo. Era importante. Ele não poderia estranhar quando voltasse e não a encontrasse. Teria que deduzir que fugia dele. E quando a achassem, se achassem, não poderia haver nenhuma suspeita. Teriam que pensar que o que acontecera fora em decorrência da fuga desesperada.
Ainda não acabei! – deu um passo para trás, provocando mais raiva em pretos – Eu...
Já acabou! – rosnou alto – Você... – seu braço queimou; controlou-se – Irá para sua cama. Agora! – rosnou, apertando a mão com força.
Ela tinha percebido o movimento disfarçado. O modo como o braço dele estava rígido. Sorriu.
'Bem na hora, Lucius.'
O Lord o está chamando não é, Snape? – falou com ironia, vendo o modo como a mão tremeu um segundo enquanto o braço se contraía novamente – Vá – incitou – Seu mestre o está chamando. – não perdeu a testa franzida – Eu irei para a enfermaria. – aproximou-se dele, olhando-o firme – Mas quando voltar fique longe de mim, entendeu? – continuou dura – Eu quero que você nunca mais se aproxime de mim de novo. – negros – Ou eu resolverei isso do meu jeito. – ameaçou.
Passou por ele e pela porta, saindo em disparada. A barriga atrapalhando-a. Evitou xingar.
Olhou para trás. Ele apareceu na porta. Ela continuou, rápida e virou no corredor.
Nina! – gritou exasperado, a mão agora sobre o braço.
Alguma coisa o estava incomodando. Hesitou menos de um segundo. Foi atrás dela.
Ao virar o corredor e ficar fora da vista dele, Elisabeth cobriu-se com a capa sem parar de correr.
Ela escutou os passos atrás de si.
Até que ele parou. Indeciso entre segui-la ou atender ao chamado.
Sabendo, pela intensidade da dor em sua marca, que qualquer demora seria regiamente punida.
Xingou alto, esfregando o antebraço e voltando para seu escritório.
Precisava pegar a capa e a máscara. Além de seus vidros.
Ela teria que esperar.
Olhou para trás. Ele não a seguia mais. Reduziu a velocidade.
Sorriu sozinha, afastando-se. Retirando a capa.
Já não precisava mais dela.
Ia abrir a porta. Parou repentinamente.
Percebeu o que o incomodava. Rosnou na dor intensa.
' "O Lord o está chamando não é, Snape?" '
Ela nunca falara com ele assim. Nunca dissera... o Lord. Nunca o chamara... Snape.
Virou-se. A voz. E seus olhos...
Voltou sobre seus passos. O mais rápido que conseguiu controlar. Segurando o braço que queimava.
Ignorando o coração apressado.
Ela continuou. Subindo as escadas. Deixando que os retratos a vissem. Fazia parte do plano.
Um som. Olhou para trás.
Nada. Franziu a testa.
Nunca era nada. Apressou o passo. O efeito da poção já devia estar passando.
Não ia correr riscos desnecessários.
Não agora.
Chegou no corredor. A respiração rápida pela subida acelerada. Abriu a porta, entrando e fechando-a.
Elevou a vara em direção ao corpo no chão..
Obliviate!
Não. Não ia correr riscos desnecessários.
Sumiu com a maca. Verificou o resto. Urgente. Cobriu-se com a capa.
Saiu dali. Com sorte demorariam a encontrar a vadia. E então...
Já não teria importância.
Ele a seguia pelo corredor. Misturando-se às sombras. A dor em seu braço intensa.
Amaldiçoando-se por não ter percebido antes. O rosto duro, tenso. Vendo-a subindo as escadas.
Rápida demais para uma grávida. Bem demais para quem estivera de cama.
Quando chegou, o corredor estava vazio. Franziu mais a testa.
Apertou os lábios segurando um sibilo com a nova onda de dor. A mão da vara que apóia o braço.
Olhou em volta. Isso não era possível. Foi até o fim do corredor. Nada.
'Inferno sangrento!'
Ele não podia tê-la perdido. Verificou cada canto. A testa franzida em contrariedade e irritação.
Não! Por Merlin, era um espião! Não podia simplesmente tê-la perdido. Apertou os lábios.
Ser enganado por uma... Olhou com atenção. Procurando. Foi ao fim do corredor. Estava escuro. Os retratos dormiam. Voltou. Perdera algo, tinha certeza. O tempo estava passando. A dor contínua que o fazia querer rosnar. Junto com a raiva. Precisava fazer alguma coisa! Precisava encontrá-la. Precisava...
Um estalo. Voltou-se atento. Uma porta. Aproximou-se rápido, erguendo a vara.
Um segundo para controlar a dor. Explodiu-a, entrando, a vara em punho.
O que viu quase fez seu coração parar.
-Pomfrey!
Não se importou. Não se importou realmente em acordar todo o castelo.
Pomfrey!
Onde estava a maldita mulher? Um dos fantasmas espiou nele e desapareceu.
Continuou pelo corredor. O murmúrio que diminuiu o peso de Nina, dando-lhe mais agilidade.
A dor que ele tentava ignorar incomodando-o.
Olhou a face pálida. Tinha visto o sangue. Em quantidade. Novamente.
'Maldição!'
POMFREY!
Ei! Vai acordar todos nós! – o retrato há uns dois metros à sua frente reclamou.
Faça alguma coisa de útil e avise Minerva ou o diretor! – rosnou para o retrato sem diminuir o passo – Agora! – gritou quando percebeu pelo canto do olho que ele não tinha se movido.
Está bem! Está bem!
Os retratos se alvoroçaram.
Ouviu um miado. Madame Norra.
Filch.
Professor o quê... – parou no início do corredor ao ver quem ele carregava.
Chame Pomfrey. – ordenou sem diminuir o passo, a voz tensa.
Filch fez uma careta de contrariedade. Negou a pequena parcela de inquietação que sentiu.
Agora mesmo, professor. – saiu andando na frente dele.
Em sua opinião aquela trouxa só trazia confusão. Mas ninguém ia ouvi-lo, não é mesmo?
Mais rápido! – a dor em seu braço e a preocupação que só faziam piorar seu humor.
E agora ainda conseguia que o professor Snape gritasse com ele.
Sim. É claro, professor.
"Hunpf! Trouxas.'
Andou mais rápido para buscar Pomfrey. Não ia fazer mais nada para ter o homem em seus pés.
Finalmente, chegou à enfermaria. Colocou-a na cama.
Percebendo que as vestes pingavam com seu sangue. Puro desespero que lava sobre ele.
Olhou para o rosto pálido.
POMFREY!
Estou aqui! – ela disse do corredor – Estou aqui! Não precisa gr... – parou ao ver o sangue – Oh! Doce Merlin…
A bruxa foi rápido até Nina. Trabalhando com a vara. Um segundo para sua fúria no professor de poções.
O QUÊ, EM NOME DE MERLIN, VOCÊ FEZ DESSA VEZ? – não tinha mesmo desviado os olhos do que fazia, o coração disparado ao ver a extensão da perda, as mãos trêmulas.
Não respondeu; embreando o braço, a respiração rápida com a dor.
Severus. – Albus estava na porta – O quê...
A face de seu mestre em poções preocupou-o. Franziu a testa.
Não se lembrou de vê-lo embrear o braço daquela forma e ainda assim não fazer nada a respeito.
Olhou a cama. Franziu mais a testa. Foi até lá. Falou baixo com Pomfrey, tirando sua varinha.
Minerva chegou, ainda fechando o roupão.
Mas o quê está... – parou olhando para a cama – Merlin... – sua voz sumiu.
Ele a olhou. Os olhos se desviando pela primeira vez de Nina. Fúria que o atravessa.
VOCÊ! Onde infernos estava você, que a deixou ir! – rosnou furioso, impedindo-se de avançar nela.
Minerva o olhou, perdida, o coração disparado.
Eu... – desviou os olhos para a cama de novo – Nina... – a voz trêmula com preocupação.
'Não de novo. Não, Merlin. Não de novo. Ela não vai agüen...'
Sacudiu a cabeça. Desespero.
Pomfrey? – pediu devagar, indo lentamente para a cama, percebendo pelos gestos da bruxa e do diretor, que tentavam tudo ao seu alcance.
Severus começou a se mover em direção à Minerva. Tentando ainda, apesar da dor, usar um resto de sanidade e se conter de pular no pescoço da bruxa, a mão esfregando sem parar o antebraço esquerdo.
Você devia estar vigiando-a. Não permitir que ela...
Severus! – o diretor o interrompeu – Não é hora para acusações. – suspirou ao ver o brilho em pretos – Minerva, aproxime-se. Você será mais útil aqui.
Minerva se moveu para perto de uma Pomfrey frenética. A expressão rígida.
Os olhos traindo seu desespero e angústia.
Venha Severus, – Albus foi até ele, estendendo a mão para seu ombro.
Ele deu um passo atrás, os olhos dirigindo-se ao rosto do homem mais velho.
Numa pergunta muda. Albus suspirou. Não tinha uma resposta.
Vamos nos sentar. – não o olhou – Não seremos de nenhuma ajuda assim.
Eu não vou sair daqui! – rosnou.
Olhou para Pomfrey, murmurando à Minerva, que meneou a vara chamando poções do armário.
Não, você não vai. – o diretor concordou, movendo a mão, duas cadeiras se aproximaram deles – Mas precisamos dar algum espaço a elas. – sentou-se – Agora, – olhou-o – me conte o que aconteceu.
Severus não se moveu. Não falou. Os olhos voltados para a cama. A mão esfregando o braço.
O diretor suspirou de novo, sem comentar a mão que se movia. Ou quemestava na cama.
Ouvindo os murmúrios. As varas movendo-se. As poções sendo trazidas. Preocupado.
Olhou Pomfrey e Minerva levantando o lençol para terem privacidade enquanto retiravam as roupas sujas de sangue. E então para seu professor, que tinha os olhos fixos onde as bruxas trabalhavam.
A mão esfregando o braço. A respiração curta por causa da dor.
Não perguntou. Havia muita coisa sendo arriscada agora.
Mas de novo, a decisão não era dele.
Merlin os ajudasse se tivessem que continuar sem as informações que Severus trazia. Mas ele não exigiria mais do homem à sua frente. Não mais do que ele já havia dado. Era tempo.
Ambos sabiam que ele não duraria muito mais. Não depois de tudo o que vinha acontecendo.
Depois de tudo o que ele percebera, nas entrelinhas do pouco que seu mestre em poções lhe contara.
As poções. Lucius. Ele não duraria muito. Era chegado o fim de seus serviços como espião.
Mesmo que ele ainda insistisse em ir. Ambos sabiam que a reunião desta noite poderia ser a última.
E que ele provavelmente morreria nas mãos de Voldmort.
E isso ele não podia permitir.
Merlin o ajudasse, ele não queria mais ter que se preocupar que Severus sabia o que podia acontecer.
E que não se importava. Não queria mais ter que se entristecer nessa constatação.
Verificou de novo na cama. De uma certa forma, havia sido tirado dele a decisão de impedir Severus.
Talvez algo de bom acontecesse de toda aquela tragédia.
Se Nina sobrevivesse.
Olhou-os com pesar. Sem conseguir deixar de pensar, que devia ter estado aqui!
A coruja que ele pensara ser de Madame Máxime tinha provado ser um artifício.
Algo para tirá-lo de Hogwarts. Tinha voltado o mais rápido que pôde.
Preocupado com seu mestre em poções. Pensando que era um ardil para impedi-lo de proteger Severus.
Mas não tinha pensado em Nina. Suspirou.
Tinha detectado magia escura enquanto movia a varinha sobre ela.
Olhara para Pomfrey e soube que ela também percebera. Um feitiço. Ou uma poção.
Tentara. Mas o que quer que fosse já tinha ido muito longe no corpo dela.
Só podiam cuidar de suas conseqüências. E aguardar.
Seria perigoso demais movê-la para Saint´Mugos. E não havia garantias de que faria diferença.
Suspirou de novo.
Seria uma longa espera.
Elas foram parando devagar. Pomfrey levou a mão aos olhos, secando-os. Afastou-se em direção à Albus. Minerva colocou a mão na testa de Nina, numa carícia, soluçando.
Severus vigiava-as. Algo o incomodou ao ver o gesto. Medo rastejou. Aproximou-se em dois passos.
As pernas trêmulas quase não o sustentaram quando percebeu que ela respirava. Mal. Mas respirava.
Pomfrey? – voltou-se para a bruxa, levando de novo a mão ao braço esquerdo, sem perceber.
Pomfrey parou de falar com Albus e limpou os olhos antes de se virar. Não podia falar tudo.
Não há nada a fazer agora. Só esperar. Eu... – a voz tremeu, mas achou que ele tinha que saber – Temo ter arriscado o bebê com as poções que tivemos que usar. – respirou, a voz baixando – Mas não havia mais nada a ser feito.
Ele voltou-se para a cama de novo. Não ia pensar no bebê. Não agora.
Minerva o observou. Levou a mão à boca. Voltou-se, indo em direção à Albus na porta.
Precisavam conversar. Estava preocupada. Não conseguia lembrar-se direito do que tinha acontecido.
Severus olhou para a mulher na cama. Lentamente sua mão foi até o rosto pálido. Acariciou-o.
Nina. – sussurrou, pela primeira vez sem se importar que vissem.
Havia murmúrios em suas costas. Murmúrios que ele não escutava.
Uma nova onda de dor o fez silvar, fechando os olhos.
Severus...
Abriu os olhos, entendendo a pergunta não pronunciada. Endireitou-se; controlando a respiração.
Estou bem, Albus.
O diretor suspirou. Suas desconfianças só seriam sanadas quando executasse um feitiço em Minerva.
Mas antes...
Há qualquer coisa que eu possa fazer, Severus? – perguntou suave.
Severus voltou-se para a face pálida. A mão de novo sobre o pulso esquerdo.
Não, Albus. – olhou-a – Não há mais nada a fazer.
Murmúrios atrás de si.
Pedaços da conversa entre Minerva e Albus. Que revertera um feitiço da memória em Minerva.
... e então eu fui falar com Severus. Dizer à ele o que eu pensava sobre a conversa dessa tarde e...
Eu nunca estive aqui. – interrompeu-a sem se voltar – Estive nas masmorras até que... – parou.
Mas...
Não fui eu, Minerva. – disse duro – Alguém se fez passar por mim. – seus olhos não tinham saído do rosto na cama – E por Nina. E essa... "pessoa" – raiva o tomou com uma suspeita; ele queria matar! – foi me procurar nas masmorras. – rosnou baixo, respiro – Provavelmente o plano era que a encontrássemos só quando... – não conseguiu dizer a palavra – fosse tarde demais.
Nina estava imóvel. Ainda podia ser tarde demais.
Seu braço queimou mais uma vez. Segurou-o.
Levantou-se.
Albus. – chamou, o diretor se voltou para ele.
Havia algo a ser feito. Mas ele seria amaldiçoado se a deixasse sozinha agora.
Azuis encontraram negros.
Horas de vigília.
Ele estava na cadeira. A cabeça tinha tombado por um momento perto da mão branca como papel.
Depois de verificá-la novamente, uma Pomfrey tristonha tinha se acomodado na cama do hospital.
Sacudira a cabeça para Minerva que estava numa poltrona transfigurada de uma cama.
Ambas se recostaram para esperar.
Albus tinha desaparecido.
Mais horas.
Levantou-se para esticar as pernas. Sua veste que lança sombras no chão de pedra. Seu olhos se moveram. Não conseguiu desviá-los. O chão ainda estava manchado com sangue. Dela.
Gemidos o trouxeram do estupor.
Moveu-se rápido à cama. Nina se moveu fracamente. A mão que vai até a barriga. A respiração rápida.
Pomfrey! – algo estava errado, tinha visto a quantidade de poção do sono que ela bebera.
Ela pulou da cama. Minerva se levantou. Não soube se tinham estado dormindo ou não.
Nina gemeu de novo, virando-se de lado. Pomfrey chegou até a ela, afastando-o.
Deixe-me vê-la, Severus. – o semblante preocupado, a mão que meneia a vara ativamente.
Sabia que Nina não poderia estar assim, não com as poções que tinha tomado.
Não. Alguma coisa não ia bem. Pensou se por um momento se... Impossível. Não era a poção do sono.
Ele mesmo preparava as poções que vinham para a enfermaria. E sempre tomara muito cuidado.
Não havia possibilidade de erro.
Uma raiva surda começou a dominá-lo ao pensar que podiam estar escondendo algo dele.
Pomfrey? – exigiu duro.
Pomfrey respirava rápido, deu-lhe um olhar breve. Parecia perdida.
Eu não sei. – sacudiu a cabeça.
Maldição, mulher! Você TEM que saber! – uma suspeita que dá forma, começando em seu coração.
EU NÃO SEI! Sei que há algo errado e onde é, mas não sei... – não podia dizer, não sem falar com Albus primeiro, e... foi então que seu olhar desesperado viu a mão de Nina – O bebê!
Ele gemeu baixo. Ela não teria condições. Não agora.
- Não. – sussurrou.
Sabia o que significava.
Vida.
Morte.
Nina se moveu e gemeu mais alto. Olhou-a. Desespero. Apertando seu coração.
Não. – disse alto, virando-se para Pomfrey.
Ela levou um momento para compreender, olhando-o pasma.
Mas... – começou, o semblante tornando-se horrorizado.
Severus. – Minerva o olhou assustada, entendendo as implicações.
Não! – rosnou – Dê um jeito! Ela não vai agüentar. – respirou, ainda encarando-a – Elas não vão agüentar. – completou baixo.
Pomfrey parecia aflita. Minerva estava pálida.
Mas para isso eu terei... Terei... O bebê pode...
Não quis saber. Não tirou os olhos da bruxa.
Que Merlin o perdoasse. Voltou o rosto para o de Nina, crispado na dor.
Esperava também que Nina o perdoasse.
Severus... – Minerva tentou de novo, recuperando-se.
Faça! – vociferou sem se virar.
Pomfrey tentou regularizar sua respiração. Aprumou o corpo. Percebeu que estava tremendo.
Minerva, – a voz abalada – por favor, pegue a poção regenerativa. – disse baixo, controlando-se.
Minerva olhou de um ao outro. O rosto angustiado. A extensão do que acontecia se abatendo sobre ela.
Depois moveu-se. O coração pesado. Não ia discutir. Soube lá no fundo que não havia outro jeito.
Snape voltou a olhar o rosto pálido.
Sem querer parar para pensar no que sentia.
Eles tinham ganho algum tempo.
O que quer que havia de errado não poderia ser um feitiço.
Não tinha acabado ao uso de finite incantaten ou dos outros feitiços para reverter.
E se fosse uma poção. O corpo já tinha absorvido. Simplesmente não havia tempo para descobrir qual.
Só reagir.
Surpreendentemente, e na medida do possível, o bebê estava resistindo.
Seu coração tinha se acelerado até o ponto em que Minerva achou que pararia.
Mas Pomfrey fora rápida. E seus esforços tinham ajudado. Olhou cansada para a cama.
Eles tinham ganho algum tempo.
Só esperava que fosse o bastante.
O sol estava entrando pela janela. Iluminando a enfermaria.
E ela ainda estava viva.
Levantou-se num ímpeto, indo até a janela. Apertando as mãos na amurada.
Fingindo não ver que tremiam. Fechou os olhos de novo.
Dois dias.
De vigília. Incertezas.
Ela voltara a perder sangue. Preocupando-os, mesmo que tivesse sido em pouca quantidade.
Pomfrey, Minerva e ele tinham se revezado. Albus também esteve lá. Não permitira ninguém mais na enfermaria. Hagrid não tinha gostado. Sua voz ecoando no corredor, antes que Minerva lançasse o feitiço do silêncio. Roupões negros não tinham se afastado dela. Apesar dos esforços das bruxas. E em uma das vezes, em que fora de forma mais dura expulso por Pomfrey, que alegara que um homem em roupas sujas e sem comer não ajudaria uma grávida doente, tinha encontrado Firenze. O centauro tinha demonstrado um interesse sincero na recuperação de Nina. Respondeu com um aceno.
Pensamentos negros dominando-o agora que a saúde dela permitia que sua mente se desviasse para outras coisas. Algo que não conseguia afastar de si...
Elisabeth. E vingança. Doce e muito ansiada vingança.
Na volta, tinha sido convocado ao escritório do diretor.
Xingou mentalmente, mas atendeu.
Consolou-se. Logo... Muito logo. Rangeu os dentes. Ela pagaria. Se a cadela pensava que iria...
Apertou as mãos, dizendo a senha com mais ênfase que o necessário.
Não podia ter certeza. Não realmente. Embora quisesse com todas as forças que houvesse um culpado.
Alguém em quem pudesse descarregar a raiva que estava dominando-o.
Interferindo em todos os seus pensamentos. Aquela... raiva insana.
Que fora uma das coisas que o ajudaram a ir a Voldmort em primeiro lugar.
Que estava nele mesmo enquanto se preocupava com Nina.
Elisabeth. A maldita... Ele a mataria!
Talvez estivesse em Azkaban amanhã à noite. Talvez ainda hoje.
Entrou. Albus, como sempre, tinha antecipando seus pensamentos. E dito que ela estava longe, visitando seu pai. Fornecendo informações sem que ele pedisse. Confirmando o álibi. Dizendo que tinha checado.
"- Inocente até que se prove o contrário, Severus." – sua maldita frase favorita.
Que não sumira com o brilho que queimava em pretos.
O diretor lhe disse sobre a versão dos retratos e o que conseguira saber com a reversão do feitiço de memória colocado em Minerva. Tudo apontava para ele, Severus Snape.
Mas o brilho nos olhos do diretor, junto com suas palavras, o haviam tranqüilizado quando se levantara da cadeira num ímpeto irado. E quando não tinha se acalmado, ainda decidido a dar vazão à sua raiva, vira pela primeira vez Albus Dumbledore ameaçar usar seu poder nele. Em pé. Chamando-o à razão. Falando sobre Nina. Que ela ainda não estava fora de perigo. Que precisava dele lá.
"E que podia ter sido qualquer coisa. – azuis o encararam – Mesmo Lucius." – dissera.
Só conseguira sair quando dissera que não buscaria nenhuma vingança sem certeza.
Não sem antes escutar Nina. Tinha rangido os dentes ao descer pela gárgula.
Sede de sangue em seu coração. Raiva em seus olhos.
Mas tudo tinha sido varrido de sua mente quando meia hora depois que ele chegou ela deu nova crise.
Perdendo sangue de novo. Minerva não estava. Tinha afinal sido convencida a ir descansar.
Pomfrey chorou disfarçadamente, quando finalmente conseguiu controlar, afastando-se.
Um último olhar no mestre em poções de Hogwarts que estava inclinado sobre a cama.
A mão segurando a mão branca de Nina.
Severus Snape estava olhando para a mulher na cama. O coração disparado.
Vendo como a vida era frágil.
Cinco dias.
Fechou os olhos um instante, abrindo-os logo depois.
Não tinha sobrado muito tempo para descansar. Embora não tivesse acontecido mais nenhum problema e a recuperação estivesse indo bem, ainda poderia haver perigo. Mas Pomfrey achou que podiam parar de lhe dar a poção do sono e diminuir as outras. Sem verbalizar sua preocupação em arriscar ainda mais o frágil bebê.
Virou a cabeça um pouco para ver o rosto diante dele.
Os pensamentos voando à reunião da Ordem esta noite. E à ausência da resposta à coruja que enviara a Lucius na noite do chamado.
Era isso.
Tinha acabado.
Sua vida não valia mais nada.
Respirou, tornando a fechar os olhos. Imóvel.
.-.
Acordou algum tempo depois com uma mão em seu rosto.
Abriu os olhos, encontrando castanhos. Levantou a cabeça. Mergulhando neles.
Perdendo a noção do tempo. E de quanto dele tinha passado.
Nina respirou. Havia a pele morna sob sua mão. Sua filha em sua barriga, mexendo-se sem parar.
O ar morno. O sol. E ela estava viva. Perdida em pretos.
Não importou o cansaço. O peso em seu corpo. A pequena cólica que a incomodava.
Ou olhos azuis que tinham estado em seus pesadelos.
Acariciou o cabelo preto. Sentindo a textura em seus dedos. Tudo estava certo.
Você está bem?
A voz dele estava estranha. Lembrou de uma outra vez, há muito tempo. A mesma pergunta.
Sim. – mas o tom era baixo, cansado.
Não tirou os olhos dela.
Nada mais importava.
Enquanto se perdiam. Encontrando-se.
.-...-.-
Eles tinham conversado. O tom dele tornando-se duro. Exigente.
Perguntando o que tinha acontecido. Não satisfeito com as respostas.
O estado dela impedindo-o de usar magia.
Frustrando-o. Fazendo com que respirasse para se acalmar.
Enquanto percebia que ela estava preocupada. Assustada.
Inspirou.
Não era hora.
Não ainda.
Foi quando Pomfrey chegou com Minerva.
Ambas que manifestaram sua felicidade em vê-la bem. Enquanto ele se afastava.
Finalmente indo para seus quartos. Para pensar. Planejar.
Antes de ir até Albus. Enfrentar a Ordem.
E a tempestade.
.-...-.-
E agora estamos cegos e surdos! – completou levantando-se da cadeira.
Moody...
O olho girava para todos os lados, mostrando a irritação de seu possuidor.
Não, Albus! – inclinou-se para frente, apoiando as mãos na mesa da cozinha da sede da Ordem – Quer que acreditemos... – engoliu, controlando a fúria – Sabemos a verdade: tudo isso foi só uma desculpa!
Os outros não se manifestaram. Suas expressões eram diferentes. Lupin já tinha tentado argumentar, depois de controlar a raiva ao descobrir o que tinha acontecido a Nina. O que aquele... seboso tinha deixado acontecer. Minerva não estava. Ainda cuidava de Nina.
O que vocês têm que entender é que...
Que Severus, o Seboso, sonserino, ex-comensal. – pontuou cada palavra com um acento irônico – O mesmo Severus que conhecemos, fez tudo isso... por uma trouxa? – riu com deboche, mas a expressão continuava séria, furiosa.
Albus suspirou. Era uma sorte que Severus ainda não tinha chegado. A discussão já se estendia.
Não, Moody. – disse levantando-se, definitivo – Quero que confie em minha palavra quando digo que uma outra escolha não foi... possível diante das circunstâncias. – concluiu sério, olhando por sobre os óculos.
Eles se calaram. Severus estava chegando. O diretor olhou-os, advertindo-os silenciosamente.
Ah! Severus. Muito bem. Nós o estávamos esperando. – Albus cumprimentou-o.
Não perguntou por Nina.
Snape olhou à sua volta. Percebendo o silêncio. Imaginando sobre o que falavam.
Vendo em algumas expressões o que pensavam. A face do mestre em poções tornou-se mais dura.
Lendo a raiva. E outras emoções. A desconfiança. E o desprezo. Como sempre.
Deu um sorriso sarcástico. Apoiou as costas em um canto nas sombras. Os braços cruzados.
Desafiando-os silenciosamente a questionarem-no. Atento. Pronto.
Albus recomeçou a falar antes que qualquer um o fizesse.
Nada tinha mudado.
Como sempre.
Mesmo odiando-o, eles ainda precisavam do pouco de informações que tinha.
Então tiveram que engoli-lo, enquanto os ignorava. Dirigindo-se apenas ao diretor.
Explicando por entre os dentes às vezes, o que podiam ou não fazer a partir dali.
Deixando que Albus completasse seus monossílabos. Sobre Lucius. E sobre o que poderia acontecer à hierarquia, agora. Ignorando o fato de sua cabeça estar à prêmio; fazendo com que fossem advertidos de que ainda precisavam encontrar o esconderijo dos novos comensais entre os trouxas. E das poções que fizera para o Senhor Escuro. Fingiu não ouvir os murmúrios, entregando os antídotos ao diretor, que os distribuiu, enquanto resmungava para lembrá-lo sobre os feitiços redescobertos de pergaminhos antigos. Feitiços que estavam sendo modificados e testados em trouxas. Não deixando de dar apartes curtos e ácidos. Apartes importantes, mas cínicos. O diretor tinha começado a falar sobre os novos planos que o Ministério estava pensando em seguir quando uma mensagem apareceu sobre a mesa, junto com uma pena de Fowkes. Ele descruzou os braços ficando alerta. Albus a pegou, lendo-a. A expressão séria ao voltar-se.
Severus. – estendeu-a para ele.
Aproximou-se da mesa num segundo, pegando-a com rapidez. Saindo em disparada ao ler as primeiras linhas. Ignorando completamente as expressões e murmúrios raivosos dos outros membros ao verem o que pretendia. Indo até a lareira e jogando flú que tirou de um bolso chamando Hogwarts.
Não estava lá quando o diretor explicou o porquê de suas ações; e o quê o fez arriscar a segurança da Mansão Black e da Ordem usando flú. Ou quando as expressões começaram a mudar.
Várias ainda incrédulas. Enquanto o Lupin era advertido pela voz baixa de Dumbledore para ficar e terminar a reunião. Pensando se ainda havia dúvida nos membros da Ordem, sobre quem tinha prioridade no momento para o mestre de poções. Enquanto se preparava para seguir seu professor, preocupado.
.-.-.
Ele chegou. A porta estava fechada.
Pomfrey! – chamou, mas já estava trabalhando com a vara.
Colocando as proteções abaixo. Ouvindo a voz de Nina. Ignorando Pomfrey e Minerva brigando com ele quando entrou. Só os gritos de Nina incomodaram-no, fazendo com que parasse no meio do caminho.
Havia alvoroço na enfermaria de novo.
Um pensamento gélido cruzou sua mente. Ela podia estar em trabalho de parto.
Antes da hora.
Maldição! O que houve agora? – rosnou, mas não se moveu mais.
Saia! – Minerva disse de perto da cama – Você está perturbando-a!
Traga mais poções, Severus! Rápido! – Pomfrey exigiu, sem se desviar do que fazia.
Ele a olhou tentando entender. Até que viu os vidros na bandeja perto da cama.
Ficou mais pálido. Saindo dali para chamar as poções com Accio. Correndo o risco que se quebrassem pelo caminho. Só para não sair dali. Enquanto Nina gritava de novo. Quase sem forças.
'Maldição! Será que você não a deixará em paz?'
Perguntou ao nada.
'Eu não deixarei que a leve!'
Concentrou-se mais. A respiração rápida.
Morda isso, Nina. Eu não posso dar-lhe mais poção para dor. – ouviu a voz de Pomfrey, Nina gritou, o grito saiu estrangulado através da "mordaça", terminando num choro triste – Agüente, querida. Vai dar tudo certo!
Esperou que fosse verdade.
Esperou sinceramente que fosse verdade.
Algumas das poções haviam realmente se quebrado.
Ele havia buscado mais. Agradecendo aos céus por pensar que um ataque poderia ser iminente.
Ou não haveria tantas à disposição. Poção revitalizadora. Para dor. Repositora de sangue. E outras.
Várias que simplesmente não podiam ser usadas. Outras que tinham sido usadas além da conta.
Quando voltou o diretor já estava lá. Falando baixo com Pomfrey. Minerva parecia perturbada.
Como se tivesse acabado de descobrir algo. Estreitou os olhos. Desconfiado.
Albus mantinha Snape do lado de fora.
Refletindo. Pomfrey tinha confirmado silenciosamente que era o mesmo problema de antes; a poção, ou o feitiço que tinham usado nela e ainda agia em seu corpo. Havia um encantamento... Mas ia...
Levantou-se. Talvez.
Sim. Talvez, fosse a única solução. Ela não agüentaria muito mais.
Voltou-se para Severus ao ouvir seus passos. Ele não tinha recebido bem o pedido de Pomfrey, permanecendo, ignorando-a silenciosamente. Até que ela ameaçou deixar que cuidasse de Nina sozinho. Foi quando ele resolveu atender Albus, e sair.
Snape parou. Levantando a cabeça. Os olhos negros pregados na porta da enfermaria. Imóvel.
Percebeu de repente que Albus tinha desaparecido.
Viu-o surgindo no corredor logo depois, passando por ele e entrando no quarto. Acalmando as vozes de Pomfrey e Minerva. Fechando a porta em sua cara com um meneio da mão.
Enquanto ele encarava a madeira antiga, furioso. Havia silêncio. Até que o diretor saiu, pouco depois.
Ignorando seus resmungos e rosnados. Tentando acalmá-lo por ter colocado, falando que era para o bem de Nina.
Respirou. Mesmo que não lhe dissessem, ele sabia.
Lutavam por Nina.
Mas também por sua criança.
Sua filha.
Que podia ou não sobreviver.
Fechou os olhos.
Outro grito estrangulado veio do quarto.
Ele tinha exigido que não fosse colocado nenhum feitiço de silêncio.
Podia ouvi-las. O que diziam. O que faziam. A voz de Nina. Cada vez mais fraca.
E os gritos de dor. Em intervalos. Gritos. Intensos. Terríveis. Abafados.
Mas agora, eles tinham parado. E todo o som que podia ouvir era de alvoroço.
Aproximou-se da porta.
Albus o segurou.
Elas chamarão, Severus.
Percebeu que respirava mais rápido. Tenso. Esperando.
Até que um som diferente se fez ouvir.
Não entendeu. Não acreditou. Atônito. Voltando-se para Albus, que tinha exclamado algo.
E vendo seu sorriso.
Parabéns, Severus. – ele lhe deu um pequeno tapa nas costas, o rosto prazeroso, onde os olhos cintilavam – Você é pai!
Sentiu os joelhos bambearem. Ficou difícil respirar. Firmou-se.
O som continuou.
Mais alto.
Nina respirou. A testa suando. O gosto amargo da última poção que Pomfrey lhe dera, quando a dor tinha sido forte demais e quase desmaiara, ainda em sua boca. Forçou-se a manter os olhos abertos.
Percebendo pela primeira vez, os semblantes cansados mas prazerosos, de Pomfrey e Minerva.
Respirou de novo. Ainda em dor. Os olhos nublados.
Recebendo de Minerva, que murmurava, e o pequeno ser que se remexia, nos braços da bruxa.
Sentindo o coração derreter. Esquecendo tudo. O cansaço. A dor. Diante daquela coisinha pequena.
Que pareceu se acalmar de encontro ao calor de seu corpo, quando o pegou.
Soltou uma exclamação. Sem perceber que a porta tinha se aberto.
E que alguns pares de olhos a olhavam murmurar para Anna.
Antes de se afastarem discretamente.
Deixando só um par de olhos escuros. Num rosto pálido. Imóvel.
Enquanto ela tocava sua filha. Ainda trêmula. Rindo e chorando ao mesmo tempo.
Uma sensação diferente em todo seu ser.
Severus as olhava.
Emoção que o percorre inteiro.
Fazendo-o tragar duro. Sem saber como lidar com isso. Mantendo o rosto quase impassível.
Inconscientemente. Usando os anos de prática. Os olhos nelas.
Anna resmungou mais alto. Nina levou a mão até a camisola. Trazendo-a para perto de seu seio.
Completamente envolvida naquele universo. Onde só existia ela e Anna.
Snape deu mais um passo. Sem perceber. Como se quisesse entrar naquele mundo.
Vendo quando Nina afastou a camisola. E aquele... ser pequenino moveu o pequeno rosto.
Buscando o bico de seu peito. Sugando. Barulhenta. Sem entender porque sentiu-se de repente, solene.
Escutando o som do riso de Nina. Que segurou a pequena mão com seus dedos.
E como ela franziu a testa de repente. A mão afastando a manta. Como se procurasse algo. Ansiosa.
Até que ele percebeu que ela conferia. Contando todos os dedinhos.
Não conseguiu suprimir um pequeno e rápido sorriso.
Percebendo de repente, com estranheza, que tremia.
Respirou.
Saindo dali. Incapaz de lidar com tudo que estava sentindo.
Com tudo que estava acontecendo.
.-...-.-
Foi muito tempo antes que se moveu. Apoiado na lareira com as mãos.
Os olhos ora fechados. Ora perdidos nas chamas.
Emoções desconhecidas percorrendo-o por inteiro. Dominando-o.
A lembrança do que tinha visto gravada em sua mente.
Fazendo-o insensível a tudo o mais.
O coração mais rápido.
.-...-.-
Era noite alta quando voltou à enfermaria.
Vendo Pomfrey ressonando em uma das camas.
E Nina. Meio adormecida. Com um pequeno embrulho nos braços. Protetora.
Tentou afastar tudo o que estava acontecendo fora de Hogwarts da mente. O perigo.
Sua inutilidade. Fechou os olhos.
Respirou. Observando-as por um bom tempo.
Uma sombra rápida de ressentimento passando por pretos.
Antes de ir.
Já era de tarde no outro dia.
Ele chegou rápido. Quase correndo pelo castelo vazio.
Dobby tinha ido até ele. Com um recado para ir até a enfermaria.
Viu Minerva com o pequeno embrulho nos braços. E Nina que dormia.
Reprimiu um suspiro exasperado. Vendo a bruxa vir até ele.
Eu preciso ir. – murmurou para ele – Não vou demorar. Fique aqui.
Mas como inferno você...
Severus! – sibilou baixo – Nina precisa descansar para se recuperar. Pomfrey estava exausta. Ela voltará em duas horas. – fingiu estar brava – E eu preciso ir. É urgente. Não há mais ninguém. – desviou os olhos para a menina em seus braços – Ela vai acordar daqui a pouco querendo se alimentar. Nina cuidará dela até que eu volte. Você só precisa ficar aqui para o caso de algo acontecer. – olhou-o séria.
Não citou a palavra responsabilidade. Achou que não seria necessário.
Ele bufou.
Ela evitou um sorriso. Colocando Anna no pequeno berço alto que tinha transfigurado para ela.
Voltou.
Você não será de muita ajuda parado aí. – ignorou como ele brilhou nela – Sente-se naquela cadeira.
E saiu. Sem lhe dar tempo de retrucar.
Ainda não tinha certeza se aquilo tinha sido algum tipo de ardil. E odiava ser manipulado.
Ele a faria pagar se confirmasse isso, jurou. Respirou.
Mas resignou-se. Movendo-se. Sem querer pensar se tinha aceitado isso rápido demais.
Aproximou-se devagar. Para não perturbá-las.
Não sentou-se de imediato. Olhando para a mulher que dormia. O rosto cansado. Pálido.
Sombras escuras sob seus olhos. Suprimiu o impulso de tocar seu rosto.
Desviando pretos para... sua filha.
Seu coração disparou no pensamento. Algo percorrendo seu corpo.
Ela era... sua filha.
Estremeceu. Buscando a cadeira. E sentando-se. As pernas estranhas. Tragando ar.
Sem conseguir desviar os olhos. Observando-a. Sem sentir o tempo passar.
Era tão... pequena. Tão frágil. Viu-a dar um pequeno suspiro.
Parou de respirar. Não pensou. Foi mais forte que ele.
Levou a mão. Hesitante. Percebendo como estava trêmula ao tocar no rosto minúsculo.
A pele morna e suave sob seus dedos.
Sentiu-se quase derreter, quando ela se moveu de encontro a sua mão.
Nina abriu os olhos. Ainda sentindo-se cansada. Então paralisou. Com a cena diante de si.
Fechou-os logo depois. Fingindo dormir. Para não interferir no que acontecia. O coração disparado.
Tentando disfarçar a respiração rápida. Até que ouviu Anna acordar.
E seu resmungo se tornou impossível de ser ignorado.
E ela voltou a abrir os olhos. Vendo que ele já tinha afastado a mão.
Olhando-a. Em silêncio. Como se não confiasse em sua voz.
Viu sua filha. O som que fazia aumentando. Sabendo que devia estar com fome. De novo.
Moveu-se devagar. Em direção ao berço ao lado da cama. Um pensamento que cruza sua mente.
Fingiu não conseguir alcançar Anna. Olhou para ele.
Vendo-o respirar pesado. Os olhos em choque ao perceber o que ela esperava.
Não!
Minerva avisou que não demorará. – a voz estava rouca.
Quase teve pena dele. Vendo-o se levantar, como se quisesse se afastar. Respirou olhando-o.
Ela não vai conseguir esperar. E eu estou dolorida demais. – justificou, a voz cansada.
A respiração dele continuava rápida. Levou a mão à vara.
Você não vai usar magia nela!
Ele a olhou. Teria rido da expressão que cruzou rápido por seu rosto em outras circunstâncias.
Eu só vou levitá-la até você.
Não! – moveu-se.
Mordeu o lábio exagerando sua reação no pequeno movimento. Parou.
Viu que ele continuava rígido. Observando-a, preocupado. Os sons vindos de Anna que aumentam o volume.
Tentou de novo.
Você só precisa colocá-la em meus braços. – falou baixo.
Ele as olhava. Tenso. E respirou. Tentando controlar-se.
Ela pode cair. – murmurou.
Sentiu seu coração se enternecer.
Não cairá.
Ele ainda ficou imóvel. Parecia necessitar de todo seu controle. Viu as narinas dilatadas. A respiração intensa. Imaginou por um momento se ele simplesmente iria fugir dali. Não. Era Severus Snape.
Impediu-se de sorrir, quando ele se moveu muito lentamente, em direção ao berço.
Ainda parecia hesitar. Os gritos de Anna cada vez mais intensos.
Ela está bem enrolada. Não haverá nenhum risco. – controlou a vontade de consolá-lo.
Observou a luta no homem à sua frente. Admirando seu autocontrole.
Pensando que eram tolos os que diziam que sonserinos não eram corajosos.
Ele finalmente levou as mãos ao pequeno embrulho. Segurando-o com cuidado. Movendo-se devagar.
Até que ele a depositou em seus braços. E se endireitou. Como se precisasse se recuperar.
Tragou ar. Olhando a mulher que segurava o pequeno embrulho gritante.
E o modo como ela abriu a camisola revelando seu seio.
Quase gemeu; irritado na reação imediata de seu corpo na visão.
Enquanto ele era prontamente sugado. E os gritos paravam de repente.
Levantou os olhos. Surpresa dele não ter ido imediatamente. Encontrando pretos. Semicerrados.
Sentindo o rubor subir ao perceber onde eles tinham estado.
Antes que ele se voltasse saindo dali.
Sem ter certeza se tinham brilhado, quando viram seu rubor.
.-...-.-
Estava encarando as chamas novamente.
Sentindo que precisava se afastar.
Pensar.
Absorver.
.-...-.-
Apesar do recado de Albus, tinha faltado às refeições no dia seguinte.
Mas não conseguiu evitar de "encontrar" Dumbledore pelos corredores.
Que o convidou a andar ao seu lado. Conversando.
O assunto desviado habilmente para o que acontecia na enfermaria.
Enquanto discorria sobre ele, sem esperar resposta. Até que chegaram ao escritório.
E o assunto mudou.
Para a Ordem. A guerra.
Apesar de não comentarem no chamado a que ele havia faltado.
Mudando tudo.
Suspirou, olhando a porta.
Ele não tinha vindo.
Fechou os olhos. Tinha que descansar. Não tinha muito tempo. Era amamentar, fraldas, banho...
E em meio a tudo isso, havia a lassidão, estranha. Que Minerva tinha dito fora pela perda de sangue.
Pomfrey a havia advertido. Ainda não estava bem. Mesmo que sua recuperação fosse excelente.
Do ponto de vista "trouxa", é claro. Evitou um resmungo a isso.
Desviando os olhos rapidamente para Anna que ressonava no berço improvisado por Minerva. Precisava aproveitar todos os momentos que ela lhe dava para dormir. Mas não estava conseguindo. Agora que a agitação que Anna causava tinha abrandado, não podia desviar seus pensamentos. Percebendo de repente, que ele não aparecia há dois dias.
Hagrid tinha vindo, trazendo flores enormes e estranhas para ela, naquele seu jeito, e chorado ao ver Anna. Mesmo Filch tinha aparecido por alguns minutos, meio sem graça.
Anna suspirou. Pensou em tudo que acontecia e em seu choro pequeno a cada momento. Duvidou que tivesse conseguido sem Minerva e Pomfrey. Ou Winky.
Que tinha chegado timidamente, junto com Dobby, oferecendo seus serviços por pedido do diretor.
Tinha ficado excitada quando soubera do novo bebê em Hogwarts. Mas se recusara a subir. E Dobby tinha ido a Dumbledore. Esta tinha sido a história que Dobby cochichara quando Winky não estava prestando a atenção à eles.
E amanhã ela iria para o quarto. Minerva tinha dito que havia preparado tudo. O berço seria transportado.
Haviam comprado mais roupas para Anna, alegando que aquelas que tinha comprado em Londres não eram "adequadas". Tinha entendido. Eram muito... trouxas.
Suspirou. Talvez Anna fosse uma daquelas crianças abençoadas e fosse tranqüila. Depois de tudo o que acontecera em sua gravidez seria uma bênção.
Virou a cabeça, olhando o teto.
Ele não tinha vindo.
Não tinha vindo vê-las.
Mordeu o lábio. Fechou os olhos.
Não ia pensar. Não mais. Anna logo acordaria querendo mamar.
Agradeceu silenciosamente que já tivesse tomado banho. Mesmo que tivesse sido com Pomfrey do lado de fora da porta falando com ela todo o tempo para ter certeza de que não tinha desmaiado.
Suspirou de novo.
Ele as estava ignorando.
Sentiu a raiva surgir de repente.
Respirou. Estava cansada demais para sentir raiva.
Não era verdade. Estava magoada.
Mordeu o lábio. Mas isso não impediu uma lágrima de rolar. Virou a cabeça para a parede.
'Voltei a chorar. Eu tenho que parar de me importar. Parar de chorar.'
Mas não conseguiu. Olhos negros que queimam em sua memória.
'Ou vou acabar odiando você.'
Fechou os olhos.
O quarto estava perfeito. Evitou as lembranças.
Era o mesmo. E não era.
Ela tinha mudado.
Olhou em volta. Parecia maior. Mas a porta que não estivera lá antes mostrava que tinham usado mágica para arranjar um espaço para o guarda-roupa com as coisas de Anna e para o berço.
Suspirou. Não tinha dormido muito. Anna tinha tido dor de barriga. Graças por poções milagrosas.
Tinha conseguido amamentá-la até que dormisse. Fora então que percebera que não tinha pensado nele.
Até agora.
Decidiu.
Não ia ficar parada.
Ele podia ignora-la.
Mas não ia fazer o mesmo com sua filha.
Não ia deixar.
Ela foi procurá-lo.
Os mesmos corredores. Lembranças demais. Respirou, tentando se controlar.
Não tinha certeza se ele tinha reorganizado as proteções.
Me deixe entrar.
A porta se abriu.
Viu a mesma sala. Entrou.
A escrivaninha. A porta do laboratório à direita. Meio escondida. A do quarto, à esquerda.
Suspirou. Empurrou a porta do quarto, devagar.
O que quer aqui? – ouviu a voz seca.
Ele estava sentado no sofá.
Ela se aproximou. Não havia sentido em preâmbulos. Não com ele.
Tem quatro dias que você não sai daqui. Que não vai às refeições. Ou ver Anna.
'Nem a mim.'
O que eu faço não é da sua conta. – sibilou sem olhá-la.
Mas ela percebeu o tom estranho. Cansado.
Sua visita acabou. Vá embora. – ele mandou.
Eu não vim fazer uma ... – avançou.
Vá embora! – ele gritou.
Ela parou. Assustada. Ele nunca gritara com ela dessa forma.
Hesitou. Viu-o se abaixar. Foi até ele. Apesar do medo. O coração disparado.
Severus. – sussurrou
Ele não estava sentado. Estava ajoelhado. Em frente ao sofá. Dobrado sobre si mesmo.
Seu coração se apertou. Doendo. Em preocupação. Aproximou-se.
Por favor fale comigo. – pediu suavemente, ansiosa – O que está acontecendo?
Eu mandei que saísse. – ele murmurou rouco – Obedeça.
Mordeu o lábio. Ele não a queria. Mas ela podia perceber que havia dor. Chegou mais perto.
Eu não posso. – seu coração estava pequeno – Quer que chame Pomfrey? – a voz quebrando – Ou alguém?
Não conseguiu ver nada diferente. Só que ele parecia apertar a barriga.
Não. – parecia estar piorando – Não adiantará. – o tom estava baixo, rouco.
Controlou a vontade de chorar. Sentindo a agonia tomar seu coração.
Quer algum de seus vidros? – tentou de novo.
Olhou-a.
'Como se eu já não tivesse tomado de todos eles!'
Não respondeu. Trincando os dentes.
Tentando resistir ao chamado. Tendo certeza do resultado se o fizesse.
'Oh, Deus.'
Por favor, – implorou – fale comigo.
Ajoelhou-se perto dele. Ele não se mexeu. A respiração ruidosa.
Tocou seu cabelo. Ele moveu a cabeça. Mas não evitou o toque.
O que você tem? – Não conseguiu impedir as lágrimas – Me diga o que eu posso fazer?
Ouviu um gemido. Abraçou-o. Doente de preocupação.
Ele olhou para ela. Os olhos em dor. A testa suada. Não parecia ter dormido. A fisionomia exausta.
Só... Vá... Embora!
Não posso! – as lágrimas desciam – Eu não posso.
Raiva pareceu crescer nele. Com a dor. Ele se moveu.
Veja!
Mostrou o braço esquerdo. Trêmulo.
Na parte interna. A marca. Horrível. Negra. Vermelha. Parecendo... Pulsar!
Ele recolheu, apertando-o de novo.
O gado está sendo chamado. – ele murmurou com dificuldade – Para a matança!
Ela gemeu, angustiada.
Curiosidade satisfeita. – ele buscou ar – Agora... vá
Ela estava horrorizada. E apavorada.
Ah, Severus. – murmurou antes de abraçá-lo, soluçando.
Ignorando a resistência dele,ainda dobrado sobre si mesmo. Puxando-o. Ajeitando-o.
Fazendo-o deitar-se no chão com ela. E apoiar a cabeça em seu peito.
Enrodilhando-se à volta dele. A dor em seu coração insuportável. Começou a falar baixinho.
Vendo a dificuldade com que ele respirava. Em como resistia a ela ainda.
Parecendo se conter para não gemer. Ela beijou sua cabeça.
Sussurrando,todo o tempo, a prece que sempre a ajudara.
Imaginando se ele ouvia as palavras.
Enquanto ela murmurava. A voz dolorida. E limpava as lágrimas. Que insistiam em descer.
"Deus, nosso Pai. Que sois todo poder e bondade.
Daí a força àquele que passa pela provação.
Daí a luz àquele que procura a verdade."
Escutou-o gemer. Apertou-o mais.
" Ponde no coração do homem, Senhor, a compaixão e a caridade.
Deus, dai ao viajante a estrela-guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.
Pai, dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai."
Beijou sua cabeça de novo. Acariciando seus cabelos.
"Senhor, que a Vossa bondade permita aos espíritos consoladores, derramarem por toda parte,
a Paz, a Esperança e a Fé.
Deus, um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a terra. Deixai-nos beber na fonte dessa bondade fecunda e infinita. E todas as lágrimas se secarão, todas as dores se acalmarão."
Percebeu que a respiração dele já não era tão difícil. Que ele estava se acalmando. Devagar.
"Um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.
Assim como..."
Foi acabando bem baixinho. Deixando que ele se tranqüilizasse. Percebeu que ainda sentia dor.
Ele recomeçou a ficar tenso. A respiração mudando.
Ela recomeçou a sussurrar.
Acordou com um peso em seu ombro. Dolorida. Abriu os olhos.
Ouviu a respiração suave. Perto de seu rosto. Ficou imóvel.
Mas a dor foi piorando. Até que ela não agüentou. Tentou se mover bem devagar. Mudar a posição.
Ele acordou. Ela lamentou. Olhou-a. Desvencilhou-se dela. Como que arrependido.
Ela suspirou quando o viu se erguer. Esperava pelo menos um abraço de agradecimento.
Ajuda para levantar já estava bom.
Sentou-se, esfregando a perna que estava dormente. O corpo dolorido. Ficou em pé.
Ele estava fazendo alguma coisa na mesa ao lado da porta. Provavelmente chá.
Ela andou até ele. Devagar. Viu-o parar, se apoiar na mesa.
Você está bem?
Ele não respondeu. Movendo-se. Mesmo de perfil, parecia cansado.
Por que suas... poções não funcionaram? – tentou de novo.
Silêncio.
Por que as estou tomando há dois dias. – foi a resposta baixa, enquanto ele pegava um vidro.
Não completou que estavam demorando cada vez mais a fazer efeito.
Que mesmo entorpecer-se não pararia o Senhor Escuro de buscá-lo. De provocar dor. Propositalmente.
Um mestre que não tolerava que sua intimação não fosse prontamente atendida. Apertou os lábios.
Ela se aproximou mais. Ele estava falando. Era uma mudança. Franziu a testa.
Dois dias?
Ele moveu a varinha. Havia duas xícaras.
'Maldição. Fale comigo!'
Porquê?
Demorou. Vendo as sombras que já não deixavam os olhos dele.
Isso não é da sua conta. – voz dura.
Ela sentiu a raiva subir.
Uma maldição que não é! – disse irritada; furiosa – Seu... idiota arrogante! Eu quero saber porquê!
Ele bateu a xícara na mesa. Quebrando-a.
Muito bem! – ele se virou, furioso, chegando muito perto – Por sua causa! – gritou nela, como se estivesse se controlando para não tocá-la, a respiração morna em seu rosto.
Ficou pálida. Muda. Ele olhou-a agressivo. Sentiu-se encolher por dentro. Controlou-se.
Porque eu não desempenhei bem minhas... "funções". – continuou num rosnado – Faltei ao último "chamado" enquanto você estava na enfermaria. – aproximou-se mais, encarando-a, vendo a palidez dela – Porque agora ele já deve saber sobre você. E o bebê.
Seu estômago se contorceu. Ficou difícil respirar. Demorou. A raiva em pretos foi dominada.
Mas a expressão continuou de pedra. Ele se afastou.
Elizabeth... – murmurou, ainda sem acreditar.
Não sabia que tinha pensado alto. Até que viu o olhar dele, irônico.
Sim. Elizabeth.
Ela sentiu o chão tragá-la. Olhou-o.
Ela sabe sobre... você... e Dumbledore?
Ele devolveu. Uma vontade insana de magoá-la.
Talvez.
Seu coração perdeu uma batida.
A compreensão abatendo-se sobre ela de repente. Estendeu a mão e segurou na mesa. Tonta.
Deus!
Ele a olhava. Olhos brilhantes. Vendo a consternação. O desespero. Quase com curiosidade.
Não precisa se preocupar. – disse sardônico – Não vai acontecer nada a vocês enquanto estiverem em Hogwarts.
Ela riu, sem alegria.
Não estava pensando em nós. – murmurou, olhando-o.
Ele hesitou. E então deu-lhe as costas tirando a vara.
Reparo!
Viu os cacos se juntarem de novo. Outra vez uma xícara. Indo em direção à sua mão ao "Accio".
Você ainda acha que há alguma chance de... voltar?
Havia o barulho de lenha na lareira. Porque essa estúpida não ficava calada?
Não. – foi a resposta seca.
Sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. Ela tinha realmente estragado tudo dessa vez.
Ele estava em perigo. Voltando ou não. Haveria dor. Muita dor. Firmou-se. Fechou os olhos.
Absorvendo. Imaginando. Se ele estava melhor. Que antes. Enquanto servia ao Lord Escuro.
Abriu-os, sentindo-os arderam mais.
Trêmula. Tentando ignorar a aflição por tudo o que causara a ele.
Pelo que ele dissera dela. Tentando ignorar, que ele estava em perigo. Por sua causa.
Sinto muito. – falou baixinho, a voz embargada.
Ele deixou a xícara. Imóvel. Tragou ar. Ruidoso.
Sentindo a raiva se levantar de novo. Dominando-o. Insana. Voltou-se outra vez, os olhos luzindo ao aproximar-se dela num átimo, a raiva transformando-se em fúria muito rápido, enquanto ele apoiava uma mão de cada lado de seu rosto, apoiando-as na parede.
Você sente muito? – falou em seu rosto, irado, buscando-a quando ela tentou afastar o rosto dele – VOCÊ sente! Porquê? – avançou nela, o corpo tocando-a, empurrando-a.
Ela não se moveu. Calada. Ia enfrentar. Era culpa dela. Olhou em pretos. Um lágrima desceu.
Exatamente pelo quê você sente muito? – rosnou – Por aparecer aqui e me infernizar durante todo o último ano? Por me fazer passar por tolo? – ela viu a frustração nos olhos duros – Por interferir em coisas que você não entendia? – segurou-a pelos ombros, encarando-a, insano – Ou por me roubar? – acusou, de repente frio.
Soltou-a, afastando-se um pouco. Os olhos brilhantes. A respiração rápida. Buscando controle.
'Roubar?'
Agora que já concordamos. – ironizou – É melhor você ir. – ordenou baixo, com desprezo.
Doeu.
Eu nunca te roubei. – aquilo era verdade.
Ele ignorou, encarando-a enquanto mantinha os punhos cerrados, dominando-se.
Ela viu como ele estava longe. Como se não a conhecesse mais. Indiferente.
Ficou ali, parada, tentando entender. 'Roubar?'
Não. – sussurrou.
Ele pareceu se perder. As juntas dos dedos brancas da força com que fechava as mãos.
Vá embora! – vociferou baixo, perigoso, avançando para ela – AGORA!
Outra lágrima desceu. Secou-a, de qualquer jeito. Respirando.
A dor por ela toda. E angústia.
'Não.'
Sentia se coração bater pesadamente em seu peito, disparado.
Sacudiu a cabeça. Não ia sair assim. Ele podia ter razão no resto. Mas ela nunca o tinha roubado.
Não ia deixar que ele juntasse uma acusação falsa a tudo de ruim que ele pensava sobre ela.
Tentou ignorar a dor que causara a ele. E a dor que sentia, pelo que ele dissera dela.
Mordeu o lábio, em desespero. Tentando ignorar, que ele estava em perigo. Por sua causa.
Sem conseguir aceitar, que se afastava dela. De forma definitiva.
Seu coração estava apertado demais. Dolorido demais. Não podia deixar que isso acontecesse.
Se ela se fosse. Estremeceu no mero pensamento. Talvez nunca mais conseguisse voltar.
E ela não roubara nada dele. Ele não podia escorraçá-la. Ia fazer com que explicasse porquê dissera isso. Não depois do que tinha acontecido hoje. Do que tinham dividido.
Sim. Qualquer coisa. Para não ir. Sem ter como voltar.
Tentou arranjar mais argumentos... Simplesmente não podia ir.
Sacudiu a cabeça. Juntou coragem. Levantando os olhos para pretos. Enfrentando-o.
'Não vai me machucar.' – tentou dizer a si mesma, diante da expressão dele.
Só depois. – continuou parada, trêmula – Que você me explicar porque disse isso.
Ele olhou-a, depois de respirar ruidosamente. E ela viu o desprezo. Sentiu-se encolher por dentro.
Negros em fúria. Face talhada em pedra. Longe dela. Não mais seu Severus. Só Snape.
Demorou. Pensou que ele a machucaria desta vez. Que ele a jogaria para fora.
Mas a raiva em pretos foi controlada.
Muito bem. – ele rugiu baixo, enquanto se aproximava mais
Viu-a parar de recuar o corpo. A expressão continuou de pedra. Aproximou a face.
Ela molhou os lábios, tremendo, tentando não fugir. Viu a palidez e o suor no rosto dele.
Porque – falou entre os dentes, intensamente – você me faz ter vontade de fazer coisas terríveis.
Ela sentiu a agressão. Dura. E viu o desprezo. A respiração se acelerou, não ia chorar.
Ele viu a ansiedade. A aflição. Chegou mais perto, os olhos estreitos.
E porquê você me traiu. – acusou duro.
Viu a incredulidade. A quase revolta. Pela acusação que ela achava injusta.
Isso não é verdade! – tentou controlar o tremor na voz – Eu nunca... – moveu a cabeça em negativa, implorando compreensão – Nunca...
SIM! – ele gritou.
Ela o viu mudar. A expressão insana. Inclinando-se para ela.
A raiva. Transformando-se em fúria. Junto com algo mais.
E você me roubou. – rosnou, avançando para ela, transtornado.
Ela foi se afastando. Assustada com a força do que via em seu rosto. E com as palavras. Loucas. Enquanto ele avançava. A porta estava às suas costas. Ela tentou desviar. Escapar. Ele a cercou, rápido.
Colocou os dois braços à volta dela, impedindo-a de fugir. Acusação em toda a sua face.
Você me deixou sem nada! – vociferou bem perto.
Sentiu novamente a respiração dele em seu rosto. A expressão fechada. Em tumulto.
Molhou os lábios. Ele desviou os olhos para eles.
Eu nunca...
Mentira! – ele a apertou com o corpo, avançando mais – E eu te odeio por isso. – sussurrou em seu ouvido, antes de afastar o rosto para conhecer castanhos.
Não conseguiu acreditar. Mesmo vendo nos olhos dele, o que ele dizia. Misturados à dor. E à revolta.
Sentiu uma pontada no peito. Os olhos se enchendo de lágrimas de novo. Em dor.
Seus lábios tremeram, percebendo, que não havia como convencê-lo, de que ela não fizera.
O que quer que ele pensasse que ela tinha feito.
Olhou-a. Viu a consternação. A dor, a impotência. Ficou contente, que ela sentisse, como ele.
Eu juro. Eu nunca faria... nada que... – tentou, as lágrimas descendo.
Ele a ignorou. Os olhos em seu rosto.
E havia castanhos. Pasmos. Com o tormento. A revolta. Que viu em pretos.
Mas fez! – rugiu – Você me tirou tudo! – rosnou devagar – E não posso perdoá-la por isso. – murmurou sombrio – Porque não pode me devolver o que me tirou. – continuou, a respiração morna em seu rosto – Não pode mais me devolver...
Pretos. Atormentados. Desesperados.
Minha vida. – não reconheceu a voz dele – Minha antiga vida!
Castanhos.
E compreensão. Lenta.
'Oh, Deus.'
Entendeu. A extensão. De tudo.
Não teria mais utilidade como um espião. Para Dumbledore, ou para a Ordem.
Mesmo o respeito, de seus alunos... Um sonserino. Com uma trouxa! Quase gemeu. E uma filha.
E Voldmort... Ele não seria mais um deles. Estremeceu. Haveria vingança. Segurou outro gemido.
E ele estava em perigo. Firmou-se. Fechou os olhos. Abriu-os.
Carvão. Em tumulto. E dor.
Não conseguiu mais enxergá-lo direito.
Eu sinto muito. – murmurou, engoliu em seco, as lágrimas descendo – Não sei o que... – piscou, mordeu os lábios trêmulos com força, sem saber o que dizer.
Um soluço. Dolorido. Arfou.
E havia desespero. Em castanhos. Brilhantes. Nublados. E em pretos.
Ele viu os lábios tremerem mais. Ouviu o gemido. Que ela não pôde reprimir. E então...
Lábios sobre lábios. Duros. Intensos. Molhados.
Dividindo. O tumulto. As emoções. Ansiosos. A respiração ruidosa.
E havia braços. Que apertavam. E mãos. Que agarravam. Seus cabelos. Qualquer coisa. Com força.
Pressionando-a. A ele. Enquanto eles se afogavam. Um no outro. Em desespero.
Até que ele interrompeu. De repente. Respirando alto.
Separando-se dela. Largando-a. De qualquer jeito. De novo. Como se sentisse nojo.
Afastando-a da porta. E saindo.
Deixando-a lá. Enquanto batia a outra porta, atrás de si, com violência.
Ela rugiu.
O corpo descendo.
Enquanto se ajoelhava.
Watson e Caleiach - Obrigada por me citar na entrevista. Valeu mesmo. Não imaginam minha emoção quando li. Vou ver se consigo publicar lá de novo.
Sett - Obrigada por sua paciência.
Joyce - Seja bem vinda!
Amanda Dumbledore - Você é ótima.E excelente tradutora.
Granger - Orkut! E agora... o mundo! Obrigada.
Harue Chan - Você escreve muito bem.
Lessa - Obrigada por tudo.
Mki - Meus meninos continuam amando seus desenhos. E você vai ganhar o troféu assiduidade do grupo!
Mariana, e tantas outras - eu me inclino diante de vocês. Obrigada.
Eu sempre vou responder a vocês pelo menos via e-mail.
É uma pena, mas se responder todo mundo pessoalmente não vou conseguir colocar um capítulo a cada 15 dias no máximo.
Que tal terminar antes de junho?
Mas por favor, não esqueçam de me alimentar.
Reviews.
Estou com fome.
Reviews!
Desulpe a demora pessoal. Vida real, sabem como é.
Agradeço imensamente todas as reviews. E me desculpo por não respondê-las uma a uma. Vocês sabem o que eu sinto. Eu as amo.
Sem elas eu já teria parado de escrever há tempos.
Um forte abraço em todos (não se esqueça de que agora temos homens lendo!).
