Ai ai ai pessoal! Só mais 3 capítulos e tudo estará solucionado! Já escrevi o final, já sei quem é o ladrão e isso me dá muita emoção... TT Minha primeira fic, super revisada, me sinto tão lisonjeada... Não esperava que fossem gostar tanto assim. Muito obrigada a todos! E vamos seguir com mais um capítulo.

Capítulo 37

Perdão

A última semana de aula chegou. Todos estavam animadíssimos com os preparativos para a formatura. O pessoal da comissão formada por Aioria, Lígea, Saga, Aioros, Ísis e Miro decidiram fazer uma votação para o paraninfo das duas turmas. O paraninfo era uma espécie de professor querido que faria um discurso sobre o ano letivo e as turmas. Cada sala teria um paraninfo. Na sala A o escolhido foi Kim de Biologia. Na sala B, Galileu de Física e Química.

Depois da conversa com Calíope, Miro estava se sentindo bastante inibido, principalmente quando precisava trocar pequenas palavras com a orientadora. Aristóteles chegou a comentar com a esposa que Miro esteve faltando e se desinteressado pelos estudos. A musa inspiradora do garoto começou a se sentir culpada por ter dado bola inconscientemente para ele. Teria sua chance para um esclarecimento melhor sobre o assunto com o aluno grego.

Shina foi junto de Nínel e Shaka visitar Afrodite na prisão. Ficaram assustados com o estado atual do garoto. Tinha emagrecido muito e chegou a dizer que estava sendo torturado pelos seus companheiros de cela. Era realmente digno de pena. Shina deixou a delegacia aos prantos.

Os irmãos Aioria e Aioros também o foram visitar junto com Shura. Quando viram o sueco, Aioros precisava soltar seus comentários inconvenientes. O espanhol soltou um riso sarcástico.

-Veja pelo lado bom, Afrodite! Você nem precisou de academia para emagrecer!

-Você deve estar cheio de amantes!

-ME LEVEM DE VOLTA PARA A MINHA CELA! – Gritou o sueco para o policial que esperava ao lado de fora da pequena sala onde ele recebia as visitas. –NÃO QUERO MAIS VER NINGUÉM DAQUELE COLÉGIO! Quero que minha mãe volte logo de viagem e me arranje um advogado para sair daqui!

-Aioros! Você precisa de tratamento mental! E Shura, você é um animal!

As provas finais também haviam chegado. Os grupos de estudos estavam completamente dissolvidos. Depois que Miro contou a Kamus que era ele o responsável sobre o envolvimento do francês com Anisah, não conversaram mais. Kamus achou uma ótima oportunidade de deixar aquela situação bem resolvida. Em um dos intervalos, chamou o grego para uma conversa.

-Faz tempo que não nos falamos.

-Se você veio me chamar de iludido, Kamus, vai perder seu tempo.

-Não, vou te chamar de mestre das ilusões.

-Por que?

-Miro, você tem noção do que você fez?

-Depende...

-Você se meteu na minha vida, enviou flores para uma garota em meu nome sem minha permissão e o que é pior, me escondeu esse tempo todo que foi você. Mentiu para mim quando eu perguntei se você sabia de algo.

-Ora, Kamus. Se eu deixasse aquela situação em suas mãos você nunca a teria conhecido. Esnobaria ela e se acharia o máximo por isso. Você acha beleza numas atitudes...

-Eu não gostei do que você fez. Não achei legal da sua parte.

-Não gostou de ter conhecido uma garota tão especial? Você é bicha.

-Não, não sou bicha. Não gostei da atitude. Foi um ato inconseqüente. Podia ter ficado um clima muito chato entre mim e Anisah.

-O que importa é que deu certo.

-Não, Miro. Não é isso que importa. O que importa é fazer a coisa certa.

-Ah Kamus! Sem essa! Você teria dado um fora sem ao menos conhecê-la!

-Eu tenho sentimentos, Miro. Diferentemente do que você acredita.

-É, eu sei que você tem. Mas você foge deles.

-Mudando de assunto, você vai querer estudar?

-Sim, claro. Nos vemos hoje à tarde?

-Sim. Duas horas estarei na sua casa.

Aldebaran estava estudando com Mu, Saga se juntou ao irmão e a Máscara da Morte. Conduzia melhor o estudo dos dois amigos. Shaka e Nínel passaram a se encontrar pra estudar também, assim como Dohko e Lígea. Aioros se sentia mal por ter que dividir a mesa de casa com o casal de namorados formados por Aioria e Marin. Shina e Shura estavam se dando bem também, apesar da italiana estar sempre ausente. Ísis preferiu estudar sozinha. Mas não negava que Aioros lhe fazia falta. Dava ótimas risadas com as trapalhadas do rapaz, quando ele não derrubava nada nela, obviamente.

Fizeram as provas e todos tinham quase certeza de que haviam se saído bem nos resultados. Teriam que esperar a formatura para saber quem estava em recuperação. Aioros tinha certeza de que ficaria para Matemática. Aioria tinha convicção de que havia passado em tudo assim como Miro. Kamus e Shaka não faziam a mínima questão de se gabar. Kanon e Máscara da Morte estavam preocupados com Grego e nada mais. Fizeram todas as provas sem colar. Dohko e Lígea também estavam felizes, mas preferiam aguardar os resultados, assim como Marin, Ísis e Nínel. Aldebaran estava mais receoso com Literatura, enquanto Mu deixava para se preocupar mais com Filosofia. Saga e Kia sabiam que teriam que fazer provas de recuperação de todas as matérias. Teriam de esperar um mês a mais para se livrarem da escola.

Anisah procurou novamente Kamus para agradecê-lo pela ajuda. Pelo que sentia, não ia precisar passar suas sonhadas férias estudando matérias da escola.

Na última reunião da comissão foram decididos os trajes dos formandos. Terno para os garotos e vestidos longos para as garotas. Também precisavam eleger dois oradores da turma, um de cada sala de aula. Os oradores fariam o discurso dos alunos.

Da sala A o eleito foi Saga. Era bom em lidar com o público e se comunicava bem, além de ser popular e ter ganhado o respeito por todos. Da sala B o eleito foi Miro, contribuindo para o seu complexo de grandeza. Apesar disso, o garoto também era bom com discursos. Eles teriam que escrever o discurso juntos e decidir quem falaria o que. Não ia haver problema. Os dois pelo menos se respeitavam.

Fizeram os convites e mandaram para seus pais. Do jeito que as coisas estavam caminhando, a festa ia ser inesquecível. Contrataram a banda que ia tocar, combinaram de homenagear todos os professores além do diretor Shion e a orientadora Calíope. Os seis alunos responsáveis pela comissão de formatura sabiam o que estavam fazendo.

Combinaram dois dias antes de ensaiarem para não fazer feio na hora. Alugaram um salão lindíssimo no Clube de Campo de Atenas para festa. Todos apareceram, exceto Afrodite, por motivos maiores já conhecidos.

As cadeiras já estavam arrumadas na ordem em que eles se sentariam.

Lígea e Ísis coordenavam a equipe que estava enfeitando o salão. Cortinas, toalhas e encosto das cadeiras todos brancos. As flores usadas na decoração eram grandes copos-de-leite. Saga e Miro decidiam se colocavam o cavalete para o apoio do papel no meio do palco ou em algum dos cantos. Miro achava que tinha de ser no meio. Saga achava melhor à direita. A discussão estava engraçada, tanto que todos até pararam para ver.

-Saga, tem de ser no meio, nós somos os oradores, os mais importantes!

-É, Miro, mas aí vamos tapar a banda. Se ficarmos à direita todos poderão vir todo mundo!

-Eu não nasci para ficar nos bastidores! Nasci para brilhar! A estrela brilha no meio!

-É, mas acontece que todos nós somos as estrelas da noite, todos nós estamos formando.

Os alunos riam com vontade ao ver os dois brigando.

-Esse Miro é uma figura! – Comentou o professor Kim com Galileu.

-Um barato! – Galileu aproveitou para rir também.

Depois, Calíope foi chamando os alunos por ordem alfabética e eles foram se sentando nas cadeiras numeradas. Tudo estava sendo muito divertido.

-Eu já vi o meu vestido lá na La Acrópole. É dourado, cheio de pedras! Minha mãe vai trazer um colar lindíssimo do Egito, estilo faraônico, sabem? Estou super ansiosa!

-Vai ficar linda, Ísis! Eu tenho um vestido decotado, lindo, russo. É aberto nas costas. Nem contei ao Shaka, mas acho que ele vai ficar doido!

-Ah vai! Vai MESMO! E o seu, Shina?

-O meu vestido vai ser roxo, bem forte... – Disse ela sem ânimo.

-Ah, Shina... Não fica assim...

-Desculpe meninas, mas não é a mesma coisa sem ele aqui... Ele vai perder uma festa linda... Deu duro o ano todo pra nada...

Ísis e Nínel não sabiam como consolar Shina. Não podiam falar nada, apenas escutá-la.

-Já decidiu seu vestido, Lígea?

-Já... Azul turquesa, de um ombro só, liso, sem bordado, sem nada. Com uma cauda. Acho que vai ficar bom pro meu tom de pele, né Marin?

-Com certeza. Eu vou usar um verde, japonês mesmo, de cetim. O Aioria ama vestidos de cetim.

-Então, manda ver! Temos de estar lindas para nossos namorados!

Kia apenas escutava de longe os comentários de suas amigas.

-E aí, Mu, finalmente eu vou conhecer a sua família toda?

-Sim, Aldebaran. Todos vêm. – Disse ele com o olhar longe.

-Não está animado, Mu?

-Sim, estou sim.

-Não parece.

-Bobagem.

-Sei...

Mais longe Kanon e Máscara da Morte conversavam com Shura, Aioros e Dohko.

-Vamos comprar apitos, confetes pra jogar na hora que cada um receber o diploma. Vai ser animal! Mask e eu já estamos imaginando A festa!

-Isso aqui vai estar lotado de gatinhas! Mas eu já cuidei pra minha escolhida da oitava vir comigo.

-Quem é ela?

-Ela se chama Liége! É linda... Loira... Olhos azuis e pele morena. Gostosinha!

-Você não perde tempo, hein Máscara da Morte?

-Não mesmo, Shura! E você Aioros, vai tentar re-catar a Ísis ou já desencanou?

-Ah Death Mask... Vou tentar, mas tenho quase certeza de que vou levar um não...

-Se você não tropeçar em seus próprios pés, Aioros, acho que ela volta. – Disse Dohko.

Os outros riram do comentário.

-Convidou a Anisah, Kamus?

-Não preciso convidá-la. Ela vem de qualquer jeito.

-Ah é, esqueci que ela é irmã da Kia.

-Pois é.

-Você está animado?

-Sim, tenho que estar, Miro. Afinal, tudo acaba aqui. Depois é uma nova vida.

-Isso não te deixa nervoso?

-Não.

-Insensível.

Kamus olhou para Miro de forma repreensiva.

-Shaka, agora que você já está com a Nínel por minha causa, pode ajoelhar-se e me venerar.

-Hahaha – riu Shaka – Aioria, você é hilário! Por sua causa?

-É, fui eu que mandei ela te beijar sem deixar você pensar. Eu sou demais, né cara?

-Sim, você é convencido demais, Aioria.

Os dois riram gostosamente.

No final do dia, apenas alguns permaneceram no local da futura festa. Calíope pediu para que Mu e Aldebaran entregassem as homenagens aos professores destacados e para que Kamus entregasse uma lembrança para Shion. Enquanto eles aguardavam maiores instruções, Calíope aproveitou o momento e chamou Miro para conversar.

-Soube que você não anda bem, querido. Precisamos conversar.

-Eu acho que não precisamos conversar não, senhorita orientadora.

A voz de Miro soava muito ressentida.

-Miro... Ouça as minhas palavras, com carinho e coração aberto. Largue o que está fazendo e olhe nos meus olhos.

O grego demorou um pouco para conseguir olhar diretamente nos olhos de sua musa inspiradora.

-Você é um rapaz lindo, Miro. Tem um futuro brilhante pela frente. É apaixonado, vivo. Tem muitos amigos, é inteligente... Eu gosto muito de você e tenho certeza de que você vai achar alguém para preencher o seu coração, que não seja eu...

-Não... Não tem mais graça se não for por você, Calíope.

O grego ia começar a chorar. Quando percebeu isso saiu andando para fora do salão. Precisava respirar. Calíope apenas se lamentou pelo rapaz não ter a deixado continuar falando.

Enquanto Lígea conversava com Aldebaran sobre como levar as flores para Galileu, Saga chegou ao seu lado. O grego encarou o brasileiro e Mu, que estava ouvindo as instruções da colega de sala. O tibetano tentava ignorar a presença dele.

-Eu acredito, Aldebaran, que o professor Galileu vai ser o terceiro a contar da ponta. É só pegar as flores naquela mesa ali. – Apontou a grega.

-E depois eu volto pro meu lugar?

-Sim, antes você tira uma fotografia com ele e depois volta para seu lugar.

-Quem é que vai entregar as flores pro Kim? – Indagou Saga, propositalmente.

-O Mu, é claro... – Respondeu Lígea enquanto olhava para a sua prancheta. Fazia alguns dias que ela estava evitando encarar o grego.

-E você já o ensinou como fazer, Lígea?

-Na verdade, é a mesma coisa que Aldebaran.

-Então, posso pegar ele emprestado um pouco?

O tibetano olhou para Saga com pânico. Aldebaran e Lígea se afligiram.

-Por mim, tudo bem Saga, mas se você fizer besteira...

-É cara, a formatura é depois de amanhã.

Saga estralou os dedos e olhou para o colega de sala, seriamente.

-Não vou fazer nada com ele... Apenas... Bater... Um papo.

-E-eu... Er, Saga, pre-prefiro n-não ter essa co-conversa...

-Não vou demorar. Se eu fosse você, não desperdiçava essa chance.

-E por que... Não deveria desperdiçar?

-Tenho umas coisas para te perguntar.

-Dá última vez, você bateu pra depois perguntar.

-Você vai ou não vai conversar comigo?

Mu olhou para os dois e depois para o grego.

-Tudo bem.

Saga concordou com a cabeça, colocou as mãos nos bolsos e saiu andando ao lado do tibetano.

-Aldebaran... Será que não devíamos ir atrás deles?

-Não, Lígea. Deixe-os. Se eles não se entenderem agora, isso nunca mais vai acontecer.

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-Faz tempo que a gente não se fala, não é Mu?

-É...

-Tem namorado muito?

-Nã-não! Saga... Eu...

O grego olhou firme para Mu.

-Mu, você não era assim...

-Eu sei, foi a Kia mesmo que veio pra cima de mim, eu não fiz por mal, eu dizia pra ela que se ela gostava de mim, pra ela terminar... Ela que era teimosa e ignorava o que eu dizia... Além do mais, eu não fiquei com ela depois de tudo...

-Você não era assim...

-As-assim como?

-Mu, acho que as pessoas não te conhecem direito...

-Po-por que... Por que diz isso?

-Você está estranho...

-Saga... Co-como vo-você queria... Er... Que eu estivesse? Estou falando com o cara... Que me deu uma surra... – O tibetano olhou para o chão, envergonhado.

-Olha só... O que eu vou te falar agora vai doer muito em mim, mas eu preciso... É uma forma de eu... Dar a volta por cima.

-Se você...

-Deixe-me terminar, não me interrompa. Sabe Mu, quando eu me apaixonei pela Kia, fiz questão que vocês soubessem. Vi até vocês falarem que iam fazer ela me notar, ficaram felizes com o início do meu namoro... Foi a primeira garota que eu amei de verdade. Minha vida amorosa nunca foi estável, por ela eu senti desejo, paixão...

-Saga, eu...

-Eu pedi pra você não interromper... Mu, eu ainda amo a Kia. E isso dói muito, porque eu sei que ela... Ela ama você...

-Mas eu não vou ficar com ela!

Saga olhou irritado para o colega do Tibet. Mu se calou.

-Semana passada... Ela me procurou.

-A Kia?

-Sim, ela pediu que eu a encontrasse. Eu fui... Ela me contou que foi ela mesma que forçou beijos... Que você sempre teve consciência de tudo, que pediu que ela terminasse... Enfim, ela assumiu toda a culpa.

Mu estava de boca aberta.

-E quando ela tocava no seu nome... – Saga começou a ficar com seus olhos vermelhos, ia começar a chorar – Eu via que os olhos dela... Eles brilhavam de uma forma diferente.

-Eu já disse, Saga... Eu não vou ficar com ela.

-Ela me pediu que eu o perdoasse. E... Eu... Eu perdôo, Mu. Espero que você me perdoe também... Pela surra...

Mu olhava para Saga assustado.

-Eu... Eu entendo, Saga, o motivo de você ter me batido.

-Mas você me perdoa?

-Sim, claro...

-Mu, eu tenho certeza de que você vai ser muito feliz com a Kia. Ela te ama de verdade. E eu sei que... Você também gosta dela...

-Mas e você, Saga?

-Eu... Prefiro não pensar nisso agora. Faça a Kia feliz... Só isso que eu te peço. Faça o que eu não pude fazer.

-Você também a perdoou, Saga?

-Desde o dia em que eu soube da traição... Quando a gente ama de verdade, Mu, não importa o crime que a pessoa cometa... A gente sempre perdoa...

Mu encarou Saga pensativo.

-E ela foi corajosa, assumiu toda a culpa sozinha. Quis te tirar do barco... Não jogue essa chance fora... O caminho está livre. Sejam felizes.

O tibetano ficou observando Saga entrar novamente no salão, caminhando devagar. Seu coração estava estraçalhado.

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O café onde o grupo investigador resolveu se encontrar naquela noite estava cheio. Dohko e Lígea chegaram antes para segurar uma mesa. Kanon e Máscara da Morte apareceram logo em seguida. Cumprimentaram o casal e não acreditaram no que viram. Kamus estava chegando, acompanhado de Anisah.

-Nossa, ATÉ o Kamus. – Comentou Máscara da Morte.

-Pois é, o francês não é tonto não.

-Disfarça aí... – Disse Dohko sorrindo.

-Boa noite.

-Boa noite, Kamus. – Todos responderam.

-Oi gente.

-Olá, Anisah, você vai se sentar conosco, não é?

-Claro.

Os dois se sentaram à mesa. Kamus nunca tinha se sentido tão constrangido. Máscara da Morte, Kanon e Dohko faziam o impossível para não soltarem uma gargalhada fenomenal. Percebiam que o francês estava desconfortável. Lígea percebeu o clima estranho e resolveu iniciar o assunto.

-Bom, não estamos aqui à toa, pessoal. Desde a semana passada não falamos mais do roubo...

-É, a formatura e as provas tomaram nosso tempo...

-Mas agora tudo acabou, Dohko. Podemos nos concentrar de novo.

-Lígea... Eu não sei se eu quero continuar investigando.

-Ora Kanon, mas por quê?

-Porque... Você sabe... Se for meu irmão, tem aquela promessa...

Máscara da Morte olhou para o melhor amigo preocupado.

-Eu andei pensando nisso, Kanon.

-Nessa situação de ser meu irmão, Lígea?

-Sim. Quer mesmo saber o que eu acho?

-Claro.

Lígea respirou fundo. Nunca pensou que fosse dizer o que pretendia para Kanon. Segurou firme a mão de Dohko.

-É um gesto muito bonito se entregar no lugar do seu irmão.

-Era isso?

-Não terminei.

-Pareceu.

-Continuando... Não foi você que armou o esquema para invadir o colégio, não foi você que pegou as provas e não foi você que o manipulou para fazer isso. O único responsável por isso... Foi ele.

-Você está querendo dizer então que o Kanon não deve se entregar no lugar do Saga?

-Sim. Exatamente, Máscara da Morte.

-Vocês já têm certeza de que foi o Saga mesmo?

-Tudo indica isso, não é Kamus?

-Não sei, Dohko.

-Kamus, eu preciso te fazer umas perguntas cruciais.

-Você tem todo direito de me perguntar o que quiser, Máscara da Morte. Se eu vou responder, já é outra história.

Os dois se encararam. Anisah segurou firme na mão de Kamus embaixo da mesa. Estava muito fria.

-Durante o ano todo você fugiu do assunto do roubo. Fazia comentários que davam alusão de que você sabia quem era o culpado, sempre fez questão de não se comprometer. E agora, que você já está envolvido no assunto, qual o seu palpite?

O francês olhou para Anisah. Ela viu o desespero nos olhos de seu ídolo. Kanon, Dohko e Lígea o olhavam curiosos, esperando a resposta.

-Bem... Eu não sei quem foi.

-É só isso que você tem a dizer? Qual é, Kamus! Todo mundo sabe que você esconde alguma coisa! Essa sua imparcialidade é muito suspeita!

-O Kanon tem razão! Kamus, até o Shaka disse nomes! Qual o problema em você dizer quem foi pra você e aí contar a sua linha de raciocínio? – Máscara da Morte se alterou. Novamente o francês olhou para a pequena árabe. Ela apertou mais forte sua mão.

-Kanon... Eu posso dizer que o seu irmão me é um grande suspeito... Mas ainda existem outros.

-Você está dizendo isso só porque a maioria acha! Diga-nos agora, foi você, não foi?

Kamus começou a suar.

-Isso nos irrita profundamente, cara! Você não fala nada!

-Por favor, Kamus, tente ajudar a gente... Eu estou com a consciência muito pesada... Se eu não tivesse dado meu depoimento, o Afrodite não estaria preso...

-Dohko, sua consciência não precisa pesar por isso. O que você disse realmente aconteceu e se você for analisar bem, não ia ser isso que ia condenar o Afrodite. Palavras são diferentes de fatos reais.

-E depois de me dizer isso, o que mais pode nos ajudar, Kamus?

Todos olhavam para ele numa enorme expectativa.

-Está bem, parem de me pressionar, mas antes quero deixar uma coisa clara.

-O que você quer deixar claro, boneco de neve?

-Eu não vou citar o nome de ninguém. Apenas vou dizer meus pensamentos.

-Ah, Kamus! Meu!

-Tudo bem! – Disse Lígea olhando para a dupla dinâmica – Se não for assim, ele não vai falar nada. Vai, pode dizer, Kamus.

-O ladrão queria provar alguma coisa para alguém. Podia ser pra você, Kanon, podia ser pro professor Eugeu, podia ser para ele mesmo. Queria mostrar que podia comandar a situação. Imagino que para ter quebrado aquelas estátuas ele estava agindo inconseqüentemente, não prestou atenção no caminho, apenas onde queria chegar. Passou por cima de tudo e de todos, não acham?

-Sim, mas isso a gente também deduzia.

-Ele foi frio o bastante para deixar o Afrodite assumir seu lugar. Eu também acredito que ele foi o responsável por ter colocado a prova na casa do nosso colega de terceiro ano. Agiu de caso pensado, desde o início.

-Ou não, Kamus. Quando o Miro começou a investigar a pessoa pode ter se visto em desespero e resolveu incriminar o coitado, pois as evidências estariam mesmo contra ele.

-Aí já não sei dizer, Kanon.

-Pessoal... E aquela minha reflexão sobre alguém ter visto o ladrão na hora do roubo?

-Ainda tem isso.

-Vocês acham que temos então uma testemunha ocular? – Kamus arregalou os olhos.

-Sim, com certeza, Kamus. Alguém viu e está se fazendo de morto.

-Mas quem? – O francês começou a suar frio.

-Não sabemos... Tínhamos de dar um jeito de descobrir isso... – Disse Lígea apertando os olhos.

-Mas a pessoa nunca vai falar! Não falou nada até agora! – Máscara da Morte deu um soco forte na mesa.

-A pessoa vai ter que falar. Vai sim. – Disse Kanon determinado.

-Por que tem tanta certeza, Kanon?

-Porque nós vamos bolar um plano, Mask.

-Já aviso de antemão que não vou participar de plano nenhum. Não quero me envolver em escândalos.

-Se você não quiser participar, não participa, mas também não abre o bico, Kamus.

-Mas que plano, Kanon?

-Dohko, se o ladrão sozinho conseguiu fazer tudo o que fez e está dando um baile na gente pra descobrirmos quem foi, nós seis vamos pegá-lo com certeza.

-Explique melhor, Kanon.

-Lígea, com esse plano que estou em mente, não só o culpado vai ser revelado, como a sua testemunha ocular.

-Não estou entendendo como...

Todos agora estavam encarando Kanon com curiosidade.

-O negócio é ser estratégico. Cada um vai ter a sua função no plano, certo?

-Enumere então as funções, Kanon.

-Lígea e Dohko podiam ir até a delegacia levar um convite para o investigador Hipérion comparecer na formatura. Ele não vai recusar. Depois, quando ele estiver bem contente com o convite, vocês podiam pedir a ele que levasse o Afrodite para a festa.

-Hahahaha!! – Lígea gargalhava – Você acha que o cara vai soltar o Afrodite pra ir à festa de formatura, Kanon? O Afrodite recebe visitas algemado, vai conseguir ir pro baile?

-Vocês falam pro investigador levá-lo de qualquer jeito, pois o verdadeiro culpado vai ser revelado lá. Pra ele confiar em vocês.

-Você não acha meio contraditório o Dohko, que "acusou" digamos assim, o Afrodite ir lá e fazer esse pedido, Kanon? – Analisou Anisah.

-Mas o Máscara da Morte e eu não podemos fazer isso também. Ele vai achar que estamos tirando uma da cara dele.

-Qual a sua idéia toda, Kanon?

-Minha idéia, Dohko, era levar o investigador mais o Afrodite pro baile de formatura e forçar o culpado a se confessar na frente de todos. Mas então, pelo visto não vai dar...

-Tudo bem... Então eu participo.

Os cinco olharam para Kamus assustados.

-O QUÊ? VOCÊ vai participar?

-Sim. Eu vou à delegacia e falo com o investigador. Mas só se vocês me assegurarem que ninguém vai ficar sabendo que fui eu quem fez isso e que também eu vou sair ileso dessa história.

-Kamus, você só vai se dar mal se for ou a testemunha ocular ou o próprio ladrão.

-Certo, então, vamos indo Anisah? – Disse o francês olhando para o relógio.

-Vamos.

-Até mais. Amanhã cedo eu passo na delegacia e falo com o investigador.

Eles se despediram do casal e também se prepararam para ir embora. O pai da grega a buscou junto com seu namorado. A dupla dinâmica seguiu no carro de Máscara da Morte. O caminho de volta para casa foi torturante para Kanon. Não percebeu que estava parado em frente ao seu prédio já fazia mais de vinte minutos.

-Kanon... Está tudo bem?

-Não, Mask... Não está...

-Eu... Eu nunca curti concordar com a Lígea, cara, mas ela ta certa... Meu, você já tem um processo nas costas, vai ser reincidente se você se entregar no lugar do seu irmão, Kanon... Pense nisso, cara... Você não tem culpa do roubo.

-Fomos nós que demos a idéia...

-Claro, mas outra pessoa executou a idéia. Não foi você. Não quero ver você, inocente... Atrás das grades... Você é meu parceiro. Ainda vamos aprontar muito!

Uma lágrima escorreu na face de Kanon.

-Não sei, Mask... Do jeito que as coisas andam... Acho que não fico nem pro final da formatura...

-Não, Kanon! Me prometa que você não vai fazer a loucura de se sacrificar pelo seu irmão!

-Não posso prometer pra você, Mask, o que talvez eu não possa cumprir... Boa noite.

Kanon desceu do carro. Os dois estavam chorando. O italiano acelerou com tudo e tomou o caminho de sua casa. Kanon pegou o elevador, com a cabeça completamente pesada.

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-Kamus, estou orgulhosa de você. – Disse Anisah segurando na fechadura da porta de sua casa – Você está fazendo a coisa certa, querido. Eu tenho certeza.

-Eu não queria me envolver, Anisah... De jeito nenhum.

-Kamus... – Ela pegou a mão do rapaz – Você é incrível.

"Só mais um dia e eu me livro desse olhar... Só mais um dia... Só mais um dia..."

-Não sou não.

-É sim. É por isso que eu gosto de você.

-Anisah... Eu...

-Sh... – Ela colocou os dedos na frente dos lábios dele – Não se justifique e nem me peça para não te dizer essas coisas... São coisas que eu sinto, Kamus... E tenho a necessidade de te dizer. Agradeço aos céus... Por ter te conhecido.

-Me... Mesmo?

-Sim, mesmo... Já valeu a pena ter te conhecido, Kamus. Você... É uma jóia rara. Acredito muito em você...

Ela abriu a porta.

-Uma boa noite... Boa sorte... Torço muito por você... Até amanhã.

Quando ela já estava quase terminando de fechar a porta, ele a impediu.

-Bem... Er... Você... Você sempre...

-Relaxe, Kamus... Eu sou sua amiga, não precisa ficar nervoso.

-Já que... Já que eu... Bem...

"Não... Não faça isso..."

-Acho que eu já sei o que você quer! – Anisah sorriu e abriu os braços – Me dá um abraço, daqueles bem gostosos!

Kamus ficou extremamente envergonhado, mas deu o abraço. Seu coração pulsava muito forte e acelerado. Anisah o apertava com força.

Quando se soltaram, trocaram o olhar mais longo de toda a história.

-Bom... Eu preciso entrar... Até mais, Kamus.

-Até... Até mais... Anisah.

A pequena árabe fechou a porta sorrindo. O francês disse bem baixinho, para si mesmo.

-Bonne nuit, Anisah... Je vous adore... Baiser... Mon cherri...

A frase quer dizer: Boa noite, Anisah. Eu te adoro. Beijos, minha querida.