Notas do Autor
Satoshi e os outros ficam...
Os jovens começam...
Capítulo 37 - O passado do Pikachu - final
- Um dia, brincávamos na parte mais afastada do parque com uma bola e a mesma rolou para trás de algumas árvores que ficavam próximas de uma floresta. Eu fui atrás da bola e ao fazer isso, surgiram Beedrill´s. Ela correu para me tirar dali e acabou exposta a eles que atacariam qualquer um que tentasse me defender. Eu usei Thunder Shock, assim como Thunder Punch, derrubando vários, sendo que uma das Beedrill´s atingiu Kaoru no braço, a ferindo. Eu fiquei irado e depois, desesperado para salvá-la, sendo que naquele momento o tempo mudava para nuvens de tempestade. Eu usei Nasty Plot para aumentar o meu poder e frente ao meu desespero para salvá-la, eu evoluí para Pikachu, me sentindo mais poderoso, sendo enquanto eu evoluía um relâmpago caiu em cima de mim, fazendo eu sentir um novo aumento de poder, liberando um Thunder Shock contra elas, as ferindo, conseguindo assim derrubar várias Beedrills, enquanto que as outras fugiam com Kakunas nos braços. O enorme brilho do meu Thunder Shock chamou a atenção das pessoas, sendo descoberto mais tarde que havia um ninho de Kakunas e que elas estavam defendendo o seu território, sendo que o meu ataque as expulsou dali. Não condenaram as Beedrills, pois eu era o alvo e não ela. Kaoru se machucou apenas por ter tentado me defender. Alguns dias depois, tudo mudou... – ele fala tristemente.
- Como assim, amigo? – Satoshi pergunta.
- Ela foi parar no hospital e eu fiquei junto dela até que ela voltou para casa. Algumas horas depois, ouvi novas discussões e vi o vulto do meu criador e da mãe dela brigando do alto da escada, sendo que eu estava na casa junto dela. Eu acordei levemente e vi Kaoru de pijama descendo as escadas, pois ia beber água na cozinha, provavelmente. Ao falar em meu idioma, igualmente sonolento como ela, eu acabei vendo um esgar de raiva em sua face ao olhar para mim. Eu fiquei triste e as minhas orelhas caíram. Eu podia ouvir os outros humanos dormindo, já que eles dormiam no quarto ao lado. A casa estava silenciosa com exceção dos passos dela descendo as escadas e depois, os sons na cozinha. Fiquei alguns minutos acordado com esse rosto dela em minha mente até que adormeci. Eu não deveria ter ficado surpreso, pois nos dias que se sucederam a saída dela do hospital, a Kaoru estava estranha. Meio que parecia ter aversão ou algo assim, comigo. Não tínhamos mais aquela amizade de antes, além de sentir que ela estava diferente do usual. Mas eu achava que era por causa da experiência recente que a abalou. Mesmo assim, eu acho que ela me culpou pelo que aconteceu. Afinal, por causa do incidente, a Kaoru ficou vários dias internada, demonstrando irritação em seu semblante por ter sido obrigada a ficar em repouso.
Ele suspira e torna a falar com o olhar perdido em recordações amargas como o fel:
- Na manhã do dia seguinte, quando eu acordei, ela não estava no meu lado, dormindo e eu senti falta de algumas coisas. Desci e a procurei pela casa. Ela simplesmente desapareceu. Desesperado, fui até o meu Criador, o localizando na cama, sozinho. Ele falava coisas desarticuladas. Tinhas garrafas com cheiro forte em volta da cama. Tentei obter alguma resposta, mas a única que consegui foi vê-lo sair da cama e ir para o banheiro vomitar, para depois ficar letárgico. Um dos auxiliares dele apareceu e ele mandou que me levasse para junto dos Pichu´s. Por vários dias fiquei naquele local, enquanto que não avistava nenhum sinal dela. Apenas os auxiliares apareceriam para cuidar de nós. O meu criador ficava somente em casa e podia ouvir coisas quebrando a noite. Ninguém entendia o que eu falava. Eu estava ficando desesperado. O meu Criador, ás vezes, aparecia ao longe e me olhava com ódio e dor no olhar. Eu acho que eles me culparam pelo ataque das Beedrill´s que causou o ferimento dela.
- Pikachu... – Satoshi murmura tristemente.
Com um olhar sofrido, ele fala:
- Consegui sair do local dos Pichu´s. Afinal, tal ambiente havia sido feito para manter os Pichu´s no local. Eu era um Pikachu, além de ter experiência de batalha. Eu consegui entrar na casa e vi em cima da mesa da cozinha, novas garrafas com cheiro forte, uma pia suja, assim como, objetos empilhados precariamente. Depois, o encontrei chorando na sala, abraçado a algo, sendo que corri para o quarto dela e quando cheguei, vi que estava do mesmo jeito, desde aquele dia e fiquei desolado – o Pikachu força a memória, conforme contava - Ouvi o telefone tocar e em seguida, vozes alteradas, sendo uma delas do meu Criador e a outra, eu não consegui identificar, embora fosse feminina, sendo que não compreendi direito o que falavam e depois, o vi desligando o telefone com uma pancada violenta ao ponto de quebrar o suporte do aparelho na parede. Desci lentamente as escadas e vi a face transtornada dele, ficando com muito medo do meu Criador, temendo o que ele faria comigo se me visse ali. Eu tentei sair dali, mas fui descoberto. A face dele era no mínimo assustadora. Inconscientemente, eu encostei na parede, ficando encolhido, enquanto estava aterrorizado. Ele chamou um dos seus auxiliares para me tirar dali e enquanto este rapaz me tirava da casa, consegui ouvir o barulho de algo quebrando e após vários minutos, o vi saindo de carro. Eu ainda estava desesperado por respostas. Estava tão irritado e revoltado que eletrocutei vários auxiliares que ficaram com medo de se aproximarem de mim. Um dia, o Criador apareceu e disse que "havia chegado a hora e que era a única forma de resolver tudo" e me chamou para a pokéball. Eu acreditei que ele iria me levar até ela e por isso, que mesmo não gostando muito da pokéball, desde que entrei em uma, aceitei entrar e enquanto entrava, ele acrescentou: "A minha filha não irá mais ficar com você. Eu vou dar você a outra criança". Quando ouvi isso, era tarde demais e eu terminei de ser confinado.
Yukiko, Shigeru e Satoshi olhavam com pena para o Pikachu, sendo que o treinador dele murmura irado:
- Como ela pode fazer isso? Abandoná-lo dessa forma? Como ela pode culpá-lo? Você não teve qualquer culpa do ataque das Beedrills. Foi um acidente.
- Qual era a idade dela? – Shigeru pergunta.
- Acho que ela tinha uns sete anos ou algo assim, senão me engano.
- Frente a uma experiência tão ruim e por ser pequena, ela pode ter culpado o Pikachu. – Shigeru fala pensativo – Não seria algo impossível. Mesmo um adulto poderia culpa-lo. A mente humana é complicada. Em meio à dor e revolta, as pessoas sempre procuram alguém para culpar como forma de lidar com a dor, dificilmente aceitando que foi culpa delas como acontece em muitos casos, acabando por acontecer de inocentes sofrerem uma culpa que não é deles.
- Verdade. Isso pode acontecer ainda mais, em uma mente tão jovem. – Yukiko comenta.
- Pelo que ele disse agora, eu tenho mais convicção ainda, de que ele foi abandonado por ela ao culpa-lo pelo que ocorreu. – Satoshi fala, torcendo os punhos.
O roedor elétrico consente e suspira, para depois falar:
- Naquele momento, eu fiquei revoltado, mas já estava dentro da pokéball. Eu não queria mais ficar junto dos humanos. Ser descartado por causa de um ataque que não foi minha culpa e que ela somente se machucou por ter tentado me defender foi revoltante, sendo que cheguei a evoluir, apesar de não ter desejado evoluir, apenas para poder salvá-la. A Kaoru podia ter se despedido de mim e se ela não fez isso é sinal de que ela me culpava também, provavelmente, por ter ficado vários dias internada em decorrência de complicações ou algo assim, somando a raiva dela e quase que aversão nos dias que se sucederam a alta dela do hospital. Quando saí da pokéball, após sentir que estava sendo transportado, eu estava em um local estranho com um homem que eu nunca vi, perguntando se eu estava ansioso para ser escolhido por um treinador. Eu ainda estava revoltado e por isso o ataquei, até ser contido pelos outros que me deixaram inconsciente e que por causa dos meus ferimentos, não pude lutar contra o aprisionamento, de novo, contra a minha vontade. Inclusive, por isso que após ser restaurada as minhas forças, eu batalhei tanto para sair da pokéball. Eu não queria um novo mestre. Eu não queria uma nova desilusão, sendo descartado por ser culpado de algo, que não tive qualquer culpa. O resto, vocês já sabem.
- Com um passado desses, não é a toa que você não queria ficar com um novo treinador.
- Sim. Por isso, eu queria fugir. Eu já havia sido magoado uma vez. Depois de tudo que passamos juntos, sendo que me sujeitei a algo que eu não queria como evoluir apenas para salvá-la, pois se dependesse da minha vontade, nunca desejaria evoluir, eu fui descartado, passando a ser culpado por algo que não foi minha culpa, depois de me sacrificar dessa forma. É no mínimo revoltante.
O seu treinador o afaga, falando:
- Ela não merece a sua tristeza, amigo.
- Obrigado, Satoshi.
A pedido dele, sendo que valeria para os outros pokémons dele, ele não queria ser chamado de mestre ou que usassem o sufixo "sama", com os pokémons concordando.
Nisso, eles param de conversar, enquanto se concentravam em um som que ouviram.
Seguindo o som, os três se deparam com uma Pidgey grudada em um tronco, lutando para puxar um inseto para fora, visando comê-lo e por educação, permitem a Yukiko que realize a captura.
Como não estava muito longe da Pidgey, aproveitando a distração da pokémon que estava demasiadamente compenetrada em sua caçada, Yukiko se aproxima lentamente e após se aproximar, ela ordena com a voz próxima de um sussurro com a Charmander ao seu lado:
- Kibaryuu-chan, use Ember.
O motivo dela não usar o movimento Dragon Rush era porque o ferimento seria pior do que o do Ember e ela não queria usar um golpe tão poderoso contra um pokémon de nível baixo, pois procurava ser o mais gentil possível na captura.
A pokémon tipo Fire consente e rapidamente avança em direção a sua oponente, sendo possível ver a sua animação frente a uma batalha, já que era uma guerreira por natureza, sendo que procurava avançar o mais silenciosamente possível, apesar da dificuldade em fazer isso por causa do barulho da grama sendo pisoteada.
Mesmo com essa dificuldade por causa do tipo do terreno, ela conseguiu se aproximar ainda mais do seu alvo, sendo que a Pidgey somente percebeu a aproximação da Charmander pelo som dos passos dela na grama, quando era tarde demais para se esquivar do ataque de fogo de Kibaryuu. A pokémon selvagem acaba atingida pelo ataque de fogo que a joga contra a árvore em que ela se encontrava, em decorrência da força do impacto do golpe, além de chamuscar as suas penas com ela sentindo dor, enquanto ficava irada, passando a fuzilar a sua oponente com o seu olhar.
- Kibaryuu-chan, use Ember de novo!
Porém, mesmo com dor, a Pidgey consegue se recuperar a tempo e antes que a sua oponente usasse, novamente, o seu ataque de fogo, ela usa o movimento Sand Attack, levantando uma densa nuvem de terra que faz a acuidade do tipo Fire cair, com a mesma colocando as patas em frente ao focinho, enquanto a tipo Flying aproveitava esse momento para levantar voo a fim de se posicionar melhor para atacar.
