Disclaimer: Twilight não me pertence, mas essa história sim, assim como a filha da Bella e do Edward, portanto respeitem!

Vamos à última parte da festa de Claire com seu ponto de vista. Depois, daremos um pequeno salto no tempo para o ponto de vista da Bella.

Ah, e novamente TEM EXTRA PRA QUEM COMENTAR! Uhuuu :D


Capítulo 36: Inesperado

Claire

Eu estava bem certa de que vivia em um sonho nesses últimos dias. Ao menos, desde que fui surpreendida por meu namorado na casa da minha amiga. Sim, essa era a surpresa da festa do pijama que elas preparam para mim. E tinha sido incrível.

Quando cheguei na casa da Ash após o jantar de Ação de Graças, fui recebida com cupcakes, chocolates, pipoca e refrigerante na sala de cinema do enorme apartamento duplex da família Greenberg. Eu estava crente que a surpresa prometida era a comida extra e chocolates Godiva, mas a realidade foi muito melhor do que eu podia pensar.

Em um momento, elas me deixaram sozinha e confusa na sala de cinema. Entretanto, logo em seguida ouvi a música ao vivo começando a tocar no fundo da sala. Quase caí para trás ao avistar Jake vindo até mim com seu violão, as meninas o acompanhando com pandeiro e outro violão, cantando em coro.

O meu namorado estava tocando e cantando a minha música favorita do McSky, "Beautiful Baby". De repente, lá estava eu em choque recebendo uma serenata, aquele tipo de coisa que só acontece em filmes água com açúcar. Eu ria e chorava ao mesmo tempo, incrédula que Jake tinha aprendido a tocar aquela canção só para mim, já que ele mal mexia em seu violão.

Embora eu quisesse que Jake ficasse lá para dormir, concordamos que não seria uma boa ideia. Os pais da Ashley iriam surtar. Fora que eu também não podia mentir: a ideia de passar uma noite inteira com ele me deixava... ansiosa.

Sério, eu nem saberia o que fazer.

Claro que eu fazia uma certa ideia do que esperar, eu tinha acesso a internet e um tumblr, afinal. O problema é que eu não saberia o que realmente fazer, e nem se eu queria de verdade. E isso só piorava meu estado, porque eu sabia que Jake saberia. Ele já namorou uma garota antes.

Era só... tudo muito novo para mim. Só estávamos namorando há seis meses e ainda tínhamos muito tempo para fazer muitas coisas.

Por enquanto, eu estava contente com o que tínhamos. E eu só podia imaginar como seria maravilhoso dormir abraçada ao meu namorado uma noite inteira. Ele era realmente ótimo em abraços. Tão quentinho e cheirava tão bem. Enquanto seus braços me envolviam e suas mãos me tocavam, meu corpo todo sentia uma paz infinita.

Li em algum lugar que isso era só liberação de endorfinas, tipo chocolate na TPM. Mas ficar perto de Jake era melhor do que mil quilos de chocolate.

Nada nos impediu, porém, que assistíssemos ao filme juntos no sofá fofo e espaçoso da sala de cinema. E que a gente desse uns amassos que cada vez mais me deixavam sem fôlego. Eu adorava especialmente quando ele beijava meu pescoço, e ficava rezando para que ele reparasse e repetisse aquilo – eu ficava tímida de apenas pedir que fizesse de novo.

Naquela noite, eu sonhei com Jake dormindo na minha cama.

E agora, o sonho estava aqui comigo. Digo, Jake estava aqui, na minha festa, dançando e me beijando com gosto de melancia, de todos aqueles copos do drink sem álcool que o vovô fez. Ainda bem que meu pai estava bem longe, metido na partida de cartas que os adultos resolveram jogar.

- Tenho tanta sorte por estar dançando com a garota mais linda da festa. – Jacob falou no meu ouvido.

- Ah, até que você também não é de se jogar fora não, viu... – eu ri, só então percebendo o que falei. – Desculpa, eu não sou tão boa nisso.

Jake pegou meu queixo e me beijou uma última vez antes da música acabar.

- Sabe no que você é boa? Bateria. Acho que tá na hora de vocês tocarem, não? São nove horas, daqui a pouco os vizinhos reclamam.

- Ai meu Deus! Vamos chamar as meninas.

Sai correndo atrás das garotas, passei por grupinhos de amigos que me paravam, mas eu não podia ficar. Eu nem tinha percebido que a hora havia passado tão rápido.

Tocamos por meia hora nossas músicas favoritas. Era sempre uma adrenalina ver todo mundo curtindo nosso show, e foi mais especial ainda porque pude ver bem de perto todas as minhas amigas e amigos, minha família e namorado me aplaudindo e vibrando comigo.

Depois do pequeno show, eu fui dançar com as amigas. Nós rebolamos e pulamos feito doidas por quase uma hora, até que minha avó veio avisar que estava na hora de cantar os parabéns. Eu fiz um apelo a ela, esperando escapar e poder dançar um pouco mais com as meninas, mas sem sucesso.

Saí para falar com minha mãe, pois queria que ela convencesse a vovó a deixar a festa rolar por mais uma hora, mesmo com o som mais baixo. Porém, eu não a achei em lugar nenhum. As pessoas disseram que ela estava na mesa com a Kate, mas não adiantou, a minha vizinha também não estava lá.

Na cozinha, minha avó e tia Alice estavam ocupadas arrumando bandejas para colocar os pedaços do bolo com pratinhos e talheres.

- Vó, cadê minha mãe?

- Na piscina com Kate, não?

- Não. Kate também não está lá.

- Ué? Eu estava com elas agora mesmo, Bella disse que já vinha pra cá. Devem ter ido ao banheiro juntas. – tia Alice comentou.

- Vá procurá-la, e por favor, peça que venha nos ajudar. – vovó falou. - E chame seu pai também para ajudar a tirar os cupcakes de lembrança da caixa.

Eu me virei e fui até o banheiro do primeiro andar da casa. Mamãe não estava lá. Subi ao segundo andar, bati nas portas e nada. Já estava ficando impaciente. Voltei para baixo, rodeei a piscina gritando por ela, mesmo com a música alta. Procurei nos dois banheiros da casa da piscina, mas sem sucesso. Elas só podiam estar no quintal da frente, fazendo sabe-se lá o que.

- Mãe? Cadê você? - chamei enquanto passava pela portinhola que levava ao jardim. Olhei na varanda, e não tinha ninguém no balanço branco.

Até que avistei o nosso carro na rua e vi movimento, apesar de estar longe e escuro. Cheguei mais perto, e ela estava fechando a porta com algo na mão.

- Ah, você tá aí! Te procurei pela casa toda. O que houve?

- Só vim pegar as velas que tinha esquecido.

Abriu um sorriso estranho, como se estivesse rindo de uma piada interna. Seu cabelo estava meio bagunçado e sua cara toda vermelha. Ela quase me empurrou para que eu andasse.

- Você tá esquisita... Acho que já deu de bebida por hoje, né?

- Acho que sim, meu amor.

Ainda bem que íamos dormir aqui, porque levar minha mãe para casa assim seria um trabalho.

- Eu ia te pedir pra falar com a vovó sobre continuar a festa com o som baixo.

- Claire... Não acho uma boa ideia, não quero abusar da boa vontade dela. Mas por que não tenta falar com ela você mesma?

- Poxa, mãe, só uma ajudinha, vai!

- Tá bom, tá bom.

- Oba. Ah, ela te chamou pra ajudar na cozinha. Tenho que chamar o papai também. Sabe onde ele está?

Ela sorriu, dizendo. – Não faço ideia. – e saiu para a cozinha.

Depois de achar meu pai saindo do banheiro, voltei para a festa. Tirei mais fotos com o pessoal, dancei mais um pouco e enfim alguém abaixou o som e meu avô Charlie veio rolando o carrinho com o bolo, com velas-estrelas já acesas ao lado da vela escrita "15". Aparentemente, toda minha família estava na cozinha e nesse momento decidiram sair, puxando a canção de parabéns atrás dele e contagiando toda a festa.

Eu sorri, parando no carrinho e assistindo a todos cantando, felizes por mim. Quando assoprei as velas, fechei os olhos e pedi para que eu pudesse ser o mais feliz possível, assim como todas as pessoas que eu amava. Jake, minha mãe e meu pai vieram à mente naquele momento.

Tudo bem, confesso que também pedi para ganhar um carro. Mas isso poderia esperar.

Minha avó consentiu que a festa permanecesse por mais um pouco, e com isso nós terminamos de desmontar tudo bem mais tarde do que o previsto. A grande arrumação ficaria para o dia seguinte – o que não era de todo ruim, já que terminamos todos em uma festinha do pijama da família Cullen. Eu, minha mãe, Rose e tia Alice no antigo quarto do meu pai, onde havia uma cama de casal de quando a mamãe morou aqui. Tio Jasper e meu pai no quarto antigo da minha tia, enquanto vovô Charlie ficou no de hóspedes.

Claro que o quarto das meninas era o mais animado. Nós fizemos tanta bagunça, que minha avó saiu de seu quarto no fim do corredor para dar uma bronca na gente às três da manhã. Inutilmente, lógico, pois ela acabou ficando por lá mesmo para rir das besteiras que minha mãe e minha tia falavam, ainda meio bêbadas.

Quando finalmente comecei a pegar no sono, me veio a vontade de agradecer pelo dia. As imagens da festa e o som das risadas das minhas garotas preferidas em reprise na minha mente. Adormeci com a sensação de que meu desejo seria realizado rapidamente.

xxx

Bella

Mais de um mês após o aniversário de Claire, eu ainda ria quando lembrava da cara de Edward ao ouvir a voz dela nos procurando, e o provocava por conta disso. A culpa havia sido totalmente minha – eu tinha o incitado a ir me encontrar perto do meu carro no meio da festa para nos beijarmos como adolescentes. O misto de pavor alarmante e frustração sexual enquanto eu o escondia atrás do carro era algo que eu não via nele há tantos anos. A situação me fez lembrar de tempos mais inocentes. Eu sabia que era perigoso, mas não podia evitar; Todo o clima de festa, a bebida, aquele fim de semana intenso que eu havia passado com ele me faziam sentir mais aventureira.

O frio na barriga que senti naquele dia tem me acompanhado desde então, e apesar do momento ter sido divertido, esse frisson não era necessariamente positivo. Manter uma relação às escuras não era nada fácil. Tornava-se cada vez mais complicado me policiar sobre o que eu dizia, e achar formas de nos encontrarmos furtivamente no meio da semana. A cada dia, eu olhava para minha filha e sentia vontade de responder a seus comentários sobre minha aparência mais alegre e minhas ausências repentinas.

Tanya foi liberada da clínica na semana do Natal, e apesar de Edward repetidamente me afirmar que nada aconteceria e que ela já estava em outra, minha apreensão ao saber que agora poderíamos nos encontrar na rua a qualquer momento só aumentava. E aquele sentimento angustiante na boca do estômago me perturbava.

O final do ano chegou rapidamente. Claire e eu passamos a festa de ano novo na casa de Kate, como havíamos lhe prometido há meses, e nos divertimos como sempre – ela era uma anfitriã e tanto. Edward passou o réveillon longe de nós, no apartamento de Alice e Jasper, mas sua ligação à meia noite me acalentou como se ele estivesse ao meu lado.

"Eu te amo, Bella. Esse ano vai ser especial. Temos muita coisa boa pela frente, você vai ver... Eu te amo muito", ele dissera enquanto eu chorava e ria ao mesmo tempo sob o efeito de intermináveis taças de espumante. Guardei suas palavras no meu coração e me agarrei à sua esperança para tranquilizar minhas dúvidas sobre o futuro.

Eu só esperava que o início do novo ano fosse um tempo de conclusões e recomeços, como prometia ser. Finalmente, eu e Riley havíamos conseguido fechar o manuscrito do livro biográfico do Le Printemps, e logo na primeira quinta-feira de janeiro fomos à nossa última reunião no Hotel antes da entrega à editora.

Não podia negar que me sentia nervosa. Era a primeira vez que eu me encontraria frente a frente com o pai de Tanya após sua decaída. Eu sabia que era irracional. Não havia como ele saber de nada – Edward prometeu que jamais mencionou algo sobre nós dois ao terminar tudo com ela, e nós estávamos sendo discretos. Ao menos era o que eu esperava.

- Bella, você vai fazer um buraco no estômago de tanto café e outro no chão de tanto andar. O que deu em você? – a voz do meu amigo me chamou de volta à realidade. Estávamos sozinhos na grande sala de reunião à espera dos executivos do Hotel, dentre eles Joaquin Denali e Amanda Nixon, a diretora de marketing.

- Nada demais, Riley. – tomei o último gole da xícara e deixei-a sobre a mesa. Parei em frente a grande janela, suspirando e desejando ter tomado o calmante que descartei antes de sair de casa. – Eu só estou um pouco ansiosa...

- Um pouco?

- Ok, bastante. Será que eles gostaram do que leram?

- Claro que eles gostaram, senão já teríamos ouvido um retorno. – ele me acalmou. – Senta, por favor.

- Não consigo.

- Por quê?

- Estou com agonia nas pernas. Tenho que andar. Sabe como é?

- Eu tenho agonia é de conversar com gente em pé enquanto estou sentado. Por favor, sente-se, ou serei obrigado a ficar te seguindo pela sala. Vai ser ridículo.

Ele me fez rir da situação, e logo me dirigi para ocupar a cadeira ao seu lado.

- Riley... Tem tanta coisa em jogo... Desculpa, vou tentar me concentrar aqui.

- Sem problemas. – ele apertou meu ombro uma vez, e mudou de assunto. - Mas e aí, como foi seu ano novo?

Sorri com sua tentativa de desviar minha atenção e meu nervosismo.

- Foi ótimo. Fiquei na casa da minha vizinha com Claire. A Kate, lembra dela?

- Claro.

- Teve bastante espumante, bastante comida, algumas danças embaraçosas dos anos 80... Ah, e uma partida interessante de Twister com os sobrinhos universitários de Kate que eu tinha reprimido da memória totalmente até agora.

- Parece que foi bem animado. – ele riu.

- Mais do que eu lembrava. E você?

- Nada demais. – ele sorriu e deu de ombros, cruzando os braços. – Só fui convidado pra uma festinha na casa da Annie Leibovitz, e passei a meia noite muito bem acompanhado dando uns amassos num sofá ao lado da Naomi Campbell. Super cheirosa, por falar nisso.

- O quê?! Está falando sério?

- Totalmente. Tenho fotos pra provar. Surreal, não é?

Eu sacudi a cabeça, incrédula. Ele era o único dos meus amigos que eu conseguia visualizar numa situação dessas. Riley era tão simpático e sociável com todos os grupos de pessoas, realmente não era um espanto que conseguisse circular em festas de celebridades de Nova York.

- Só você mesmo, Riley. Depois quero ver as fotos e saber todas as fofocas que você presenciou nessa festa. Mas então... Quem é essa pessoa que você deu uns amassos perto da Naomi?

- Ah, uma modelo brasileira. Gisele alguma coisa, não peguei o nome dela direto.

- Fala sério! – eu ri, batendo em seu braço levemente.

Ele sacudiu a cabeça e sorriu meio encabulado.

- Ela é fotógrafa da Vogue, a gente se conheceu há três meses num coquetel. Jane Ford, ela é inglesa. Garrett nos apresentou.

- Espera, eu conheço a Jane, adoro o trabalho dela. Ela é tão bonita, é ex-modelo, não?

- Sim, e é muito engraçada. Meio doidinha, do jeito que eu gosto. Estou gostando muito dela.

- Que bom, Riley. Você merece alguém que te faça bem. Fico feliz por você. – falei sorrindo, vendo o bem-estar em seu rosto. Mesmo depois de meses, eu ainda me sentia estranha por ter rejeitado suas investidas. Ele era um amigo tão bom, eu só desejava ver sua felicidade.

- Obrigado, Bella. Espero que dê certo dessa vez... Bom, e você, nenhum beijo de meia noite?

- Nenhum beijo, mas tive uma ligação. Serve?

- Interessante. – ele assentiu e abaixou a voz, falando mais sério. – Ele é um cara de sorte. Muita sorte. Espero que ele tenha consciência disso.

Meu coração acelerou no mesmo instante, e senti as palmas voltando a suar. Apenas ri para disfarçar.

- Você nem sabe quem é ele!

- Será que não?

Antes que eu pudesse pensar no que dizer, uma revoada de ternos cinzas adentrou o salão, me salvando de última hora. Rapidamente entrei no modo profissional para ouvir o que tinham a dizer sobre meu trabalho de meses. Como o previsto, o livro foi lido e relido pela equipe e aprovado por todos. Devíamos fazer alguns ajustes e corrigir algumas datas, e em uma semana iria para a prensa. Ao ouvir a palavra final de Joaquin, Riley e eu trocamos um grande olhar de alívio, além de felicitações mútuas pelo bom trabalho que fizemos.

Já eram quase oito da noite quando a reunião terminou e fomos liberados. No entanto, enquanto eu atravessava o saguão do hotel em direção à saída, ouvi saltos apressados batendo no chão atrás de mim e meu nome ser chamado por uma mulher. Virei-me para encontrar a secretária que estivera comigo no salão há poucos minutos.

- Desculpe, Srta. Swan. O Sr. Denali pediu que eu viesse chamá-la, ele quer falar com você.

Olhei para Riley, que me acompanhava e ele sorriu ligeiramente, já se dirigindo para a saída.

- Alguém vai ter que fazer hora extra com o chefe, e não sou eu. – ele brincou. - Boa noite, Bella. Qualquer coisa, me ligue.

- Tudo bem. Tchau. – suspirei, desgostosa com a situação e me forçando a acompanhar a secretária em direção a sala de reuniões no térreo. Antes que eu entrasse na porta, porém, ela tomou outro rumo e entrou em um dos elevadores. Um pequeno alarme em minha mente foi acionado. – Há algum problema?

- Não... Não sei, na verdade, desculpe.

- Onde estamos indo?

- Para a sala do Sr. Denali. – ela lançou-me seu sorriso duro de secretária, e calou-se até o elevador parar no último andar. Fui guiada para dentro da sala e deixada à sós com Joaquin Denali, que apesar da sua baixa estatura e seu corpo doente, mantinha-se imponente em sua larga cadeira de couro preto.

Eu já tinha estado ali, mas dessa vez a grandeza da sala me intimidou. Sorri com insegurança, e sentei-me na cadeira à sua frente.

- Aceita um café? – perguntou Joaquin, cordial como sempre.

- Não, obrigada.

- Boa escolha. Eu também não tomo café depois das seis da tarde, não quero dar sorte pra minha insônia.

Eu assenti, concordando. Porém, eu não tinha mais tempo nem os nervos para conversas frívolas. Limpei a garganta e prossegui.

- Então... Há algum problema com o manuscrito?

- Não, não! Está tudo perfeito, superou todas as expectativas.

- Que bom, obrigada. – suspirei. - Eu e meu parceiro levamos esse livro muito à sério. Foi um projeto muito bom de trabalhar, de verdade.

Ele assentiu.

- Eu estou realmente muito satisfeito com o seu trabalho... Por isso, quero te fazer uma nova oferta.

- Sim?

- Estive conversando com a Amanda, pensando em outros projetos para o nosso marketing. Ela achou que seria uma boa oportunidade investir em internet, TV, documentários, além do mercado editorial. Tudo no ramo de turismo e hotelaria, criando conteúdos próprios e também patrocinando projetos já existentes.

Eu sorri, empolgada com a proposta.

- Parece muito interessante. E qual seria meu trabalho?

- Eu gostaria de te convidar a fazer parte da nossa equipe, que já está quase toda montada. Devemos começar o quanto antes. A proposta é que você percorra estados americanos no próximo mês, acompanhando uma equipe que fará um documentário sobre mochileiros nos Estados Unidos. Suas entrevistas tem uma visão muito peculiar, então pensamos em você para roteirizar o documentário, e colocar toda a experiência também em formato de livro.

Ele falava tão depressa, que eu mal conseguia acompanhar. Mas uma coisa havia me deixado com um pé atrás, e a animação que eu senti antes ia se esvaindo.

- Nesse projeto eu teria que viajar, é isso?

- Sim. Acredito que em dois meses vocês conseguiriam o material. Quando são suas férias na revista?

- Ahm... Julho. Sempre em julho. – "nas férias de Claire", completei mentalmente.

- Tudo bem, não se preocupe com isso, você sabe que se eu falar com Carmen, ela te libera em um minuto.

- Joaquin, eu não sei se... – antes que eu pudesse terminar minha frase, ele me cortou.

- Por favor.

Sua mão deslizou pela mesa com um pedaço de papel retangular, que eu logo identifiquei como um cheque. Olhei para aquilo sem saber como proceder, e meu peito deu um salto ao ver o valor. De susto e de medo.

Não era um cheque da empresa Le Printemps, como os que eu costumava receber ao fim de cada semana desde que comecei a trabalhar como freelancer para eles. Esse cheque estava em seu nome. Isso nunca havia acontecido antes, em qualquer lugar que eu já tivesse trabalhado. Um arrepio percorreu minha espinha.

- 40 mil dólares? É muito maior do que o valor de mercado por esse serviço, Sr. Denali... – falei, tentando ser delicada. - Isso é mais do que eu ganho por ano.

- Sim, eu sei. – ele sorriu. - E agora eu estou te dando a oportunidade de conseguir isso em três meses de trabalho… quatro, no máximo.

Algo estava errado, mas eu não queria remoer ou tentar entender. Não precisei nem refletir sobre a proposta, já estava decidida por mim. Eu não tinha condições de ficar tanto tempo fora de casa.

- Sr. Denali, me desculpe, mas… Viajar não é uma possibilidade pra mim, no momento. Meu trabalho na revista é pesado, e estou num cargo novo há poucos meses, só agora começamos a nos estabilizar. Não posso colocar ninguém no meu lugar. E ainda tem a minha filha... Não me sinto confortável deixando-a sozinha em casa por tanto tempo.

- Sua menina pode ficar com o pai, não?

Claro que poderia. Edward adoraria tê-la em casa por meses, eu sei o quanto ele desejava passar mais tempo com ela. Mas eu queria evitar qualquer menção a ele nessa conversa, então inventei uma desculpa qualquer.

- Na verdade, não sei se ele estaria disponível para ficar com ela em tempo integral, nós já temos um acordo. O senhor sabe como ele é ocupado.

- Edward? Tenho certeza que ele ficaria, meu genro é doido por aquela menina. E ele terá ajuda da minha filha, caso Claire precise de uma figura feminina, se é isso que te preocupa. Seria até bom que elas convivessem por um tempo para se conhecerem melhor, já que em breve Edward e Tanya estarão dividindo o mesmo teto, como você bem sabe.

Meu peito deu um salto desconfortável.

Algo em sua voz não parecia normal. Nada dessa conversa estava parecendo normal. A forma cínica como ele falou a última frase me fez perceber que eu precisava me impor.

- Bom, não acho que seja o melhor momento para discutirmos sobre minha filha. Além disso, Edward e Tanya terminaram há meses, o senhor deve saber. – expliquei calmamente.

- Ah, aquilo foi só uma rusga. Agora que ela está de volta, se recuperando, tenho certeza que vão se entender de novo.

Eu fiquei tão chocada ao ouvir suas palavras, que me recolhi na cadeira e me calei por longos minutos. Observei o brilho no olhar dele. Era frio, pragmático e tão incaracterístico da personalidade dócil que eu conhecia dele. Joaquin estava determinado.

E então, de uma só vez, eu entendi o que estava acontecendo ali.

Ele sabia.

De alguma forma, Joaquin sabia sobre Edward e eu e estava tentando me afastar da cidade – me afastar de Edward - para beneficiar Tanya. Provavelmente na esperança de que eles se acertassem enquanto eu estivesse longe.

A humilhação que senti só não foi maior do que minha raiva. Respirei fundo para conter um choro. Era minha vez de jogar.

- Eu agradeço a oferta, mas vou recusá-la. – Tentando copiar o seu tom cínico e seco, empurrei de volta o pedaço de papel que me zombava à minha frente. - Não estou precisando desse dinheiro no momento, e nem tenho interesse em viajar a trabalho. Se o senhor aceitar, eu posso indicar outras pessoas. Talvez até o próprio Riley, ele já viajou a algumas cidades no projeto do livro.

Ele abriu um sorriso travado, e devolveu-me o cheque.

- Não precisa no momento? Isabella, pegue esse dinheiro e ponha na poupança da sua menina. Para a faculdade.

- Sr. Denali, eu já tenho um planejamento sobre as despesas da Claire, e está tudo sob controle. Novamente agradeço, mas vou recusar.

- Isabella, nós queremos você para esse projeto, não vou deixar você sair daqui até aceitar. O valor não é suficiente?

Eu olhei para o senhor a minha frente sem acreditar no que ouvia. Tinha que fazê-lo falar.

- Por que está fazendo isso agora? O que está por trás disso, Sr. Denali, fale a verdade.

- Não há nada por trás. – houve uma falha na sua voz imposta e agora ele parecia tremer sutilmente. – Nós apenas queremos a melhor pessoa para nossa equipe.

- "Nós queremos"? Esse cheque não é corporativo. Me desculpe, Sr. Denali, mas eu não nasci ontem, e considero um insulto o senhor pensar que eu aceitaria essa proposta absurda. Onde quer chegar com isso tudo?

Sua boca abriu, mas as palavras morreram ali. Com um suspiro, ele se levantou, me contemplou por um momento e então andou em direção a grande janela de sua sala. Eu estava pronta para sair porta afora quando ele enfim falou.

- Isabella, sua filha tem treze anos agora?

- Fez quinze em novembro.

- Você já deve ter visto ela passar por uma dor de ouvido, um joelho ralado, uma nota baixa na escola... Com certeza você sabe o quão devastador é ver sua filha sofrendo, não?

Era uma pergunta retórica, mas mesmo assim eu assenti a cabeça para suas costas. Joaquin continuou, olhando a rua barulhenta pela janela.

- Eu vi a minha filha sofrer quando a mãe morreu, depois quando não conseguia se adequar na escola, quando não conseguia lidar com seus demônios... Tanya sempre teve problemas, e por mais que eu tentasse, nunca consegui fazê-la feliz de verdade. Até que ela encontrou Edward e eu vi a minha filha se transformar. Pela primeira vez na vida, eu a vi feliz de verdade, mesmo com todos os problemas. – ele virou-se para me encarar, porém seu olhar permaneceu no chão. – Por favor, entenda, Bella.

Eu sabia.

- Sinto muito por tudo o que vocês passaram, Sr. Denali. É realmente triste... Mas eu não consigo entender porque a minha vida pessoal está em pauta aqui, o que eu tenho a ver com tudo isso.

- Eu tinha um plano pra vida dela. Finalmente Tanya estava conseguindo se estabilizar, eu sabia que ela ficaria bem com Edward, que ele iria cuidar dela por mim. Mas então tudo aquilo aconteceu, eu achei que ia perder minha filha quando ele terminou o noivado... – sacudiu a cabeça, lembrando-se da recente tormenta. – E eu sei que ele terminou por sua causa.

Ao ouvir isso, meu sangue ferveu para me defender, porém uma parte da minha consciência tentou escolher as palavras certas para não me complicar mais.

- Não foi por minha causa. – afirmei. - Eles terminaram porque Edward não queria mais estar com ela, não havia sentido em continuar num relacionamento sem futuro.

Joaquin se aproximou, como se eu não tivesse dito nada, sentando-se em sua cadeira. Eu o segui com olhar.

- Por favor, saiba que eu não tenho nada contra você, Bella. Mas eu faria tudo pra garantir a felicidade da minha filha. Você faria o mesmo como mãe.

Comecei a buscar pela memória tudo o que Edward já havia contado a respeito de Joaquin e Tanya. Como ela tinha crescido num colégio interno, pois seu pai nunca soube lidar com a menina órfã de mãe. E como agora Joaquin estava doente e havia feito Edward prometer cuidar de Tanya quando ele não mais pudesse.

Eu não ia aguentar, eu precisava me defender. Rezei para não estar ultrapassando nenhum limite e falei com calma.

- Tanya não precisa de Edward para ser feliz, nem que eu me afaste dele. Ela precisa de amor, de atenção, de compreensão, de cuidado, e eu acho que a única pessoa de quem ela sempre quis ter tudo isso foi o senhor, e nunca conseguiu ter. Eu sei que o senhor está doente, mas espero que consiga...

Ele me interrompeu.

- Você não sabe de nada, Isabella! – sua voz alterada ressoou na sala. - Você não tem ideia de como é difícil!

- Eu não sei e não estou aqui pra te julgar, mas falo da minha própria experiência como filha. Eu venho de uma família complicada, meus pais são separados há anos. Eu vejo meu pai algumas vezes por ano, ele mora numa cidade próxima, mas a minha mãe… Minha mãe cortou relações comigo quando eu engravidei, eu praticamente fui expulsa de casa. Ela nunca aceitou, tanto que agora mora a quatro mil quilômetros de mim.

Seu rosto suavizou ao ouvir aquilo.

- Sinto muito, Bella.

- Eu tive pessoas maravilhosas me ajudando, mas eu sinto a falta dela. Muito. Deus sabe o quanto eu já sofri por me sentir rejeitada. – falei e suspirei. - Joaquin, eu não conheço a fundo a sua história, é verdade, mas eu sinto que Tanya precisa do senhor. Como ela poderia ser feliz sendo tão dependente de Edward, vivendo a vida inteira com um amor sem reciprocidade? Dê atenção a sua filha enquanto é tempo. Ela precisa do senhor mais do que ninguém.

Ao me calar, tentei recuperar o ar que gastei despejando tudo aquilo. Do outro lado da mesa, Joaquin manteve-se quieto e absorto. Sabia que meu tempo aqui havia acabado, então levantei-me, juntando minhas coisas para ir embora. Antes de sair, porém, perguntei a única coisa que eu necessitava saber no momento.

- Tanya está por dentro do que se passou aqui hoje?

Ele me olhou com olhos marejados.

- Não... Ela não sabe de nada. Não tive coragem.

- Tudo bem. – abri a porta. – Desejo sorte a vocês. Realmente desejo que consigam se resolver e viver em paz. É tudo o que eu mais quero pra mim também.

Sai sem olhar para trás. No elevador, respirei fundo, sentindo o peso do dia inteiro nas costas e a vontade de chorar enrolada numa bola de edredom na minha própria cama. No entanto, eu sabia que seria impossível aguentar a ansiedade de esperar até o dia seguinte para falar com Edward. Com dedos trêmulos, liguei para ele, assim que sentei em meu carro.

- Estava pensando em você... – ele atendeu, e apesar do burburinho ao fundo, pude ouvir o sorriso em sua voz que sempre me aquecia. Mas eu estava tensa demais para namorar por telefone agora.

- A gente precisa conversar.

- Uau, não mereci nem um Oi, então a coisa é séria. O que houve?

- Eu acabei de sair do escritório do seu chefe... Ele sabe de tudo.

- O quê?!

- Você não está em casa, né?

- Não, estou num happy hour, aniversário de um amigo. Mas é um pub aqui perto, três quadras de casa. Podemos nos encontrar lá.

As engrenagens começaram a funcionar na minha cabeça ao perceber a obviedade: a casa dele, que ficava no apart-hotel da empresa de Joaquin Denali, a poucas quadras do Hotel de Joaquin Denali – fora outros imóveis que o cara provavelmente tinha por toda essa região de Nova York. De repente, eu não me sentia mais nem um pouco segura de ir para o apartamento de Edward.

- Na verdade, é melhor não... Eu passo aí pra te buscar. Me dê as direções.

Quando estacionei na frente do bar, vi Edward lá dentro se despedindo dos amigos e amigas. Alguns eu reconhecia do trabalho, outros não, mas era um bom grupo. Eu sabia que ele raramente saía para se divertir assim, e minha consciência pesou por tirá-lo desse momento.

- Oi. – falou ao entrar no carro, e eu deixei que me beijasse por um instante antes de colocar o cinto, seus lábios maltratados pelo frio que persistia na cidade.

- Oi... Me desculpa por te roubar dos seus amigos.

- Tudo bem, eu não ia ficar muito tempo mesmo. Não é tão divertido quando você é o único sóbrio da mesa.

Dei a partida e comecei a dirigir sem rumo. Só precisava de um lugar confortável. Passamos muitas ruas em silêncio, enquanto eu tentava reorganizar as coisas na minha cabeça. Edward foi o primeiro a falar.

- Então... Sobre o que você me falou no telefone...

- Joaquin sabe sobre nós dois.

Ouvi seu suspiro cansado.

- Tem certeza?

- Absoluta.

- Porra, não é possível. Só se ele contratou um detetive particular.

- É totalmente possível, Edward. Nós não estávamos em segredo absoluto. Não sei se você percebeu, mas você trabalha pra Joaquin, mora num apart-hotel da empresa dele, com gente empregada por ele entrando e saindo da sua casa... Esse tempo todo ele teve total acesso a tudo o que se passava lá.

- Bella, eu... – ele tentou contestar, mas enfim cedeu, bufando. - Merda. Você tá certa. Eu sou muito idiota mesmo, achando que podia esconder qualquer coisa debaixo do nariz dele.

- Nós dois fomos idiotas. – praguejei, irritada comigo mesma por me deixar levar. Eu é que queria esconder a relação por algum tempo. Eu deveria ter sido muito mais cautelosa.

- Estou surpreso que Tanya não tenha me procurado ainda...

- Não, Joaquin me disse que ela não sabe de nada, e pelo jeito ele não quer contar.

Quando percebi, estava estacionando em frente ao Café dos nossos primeiros encontros. Enfim um porto seguro. Desliguei a ignição e virei para Edward.

- Mas o problema todo não é esse... Joaquin me chamou pra conversar a sós, logo depois da nossa última reunião sobre o livro. Ele veio me fazer uma proposta sobre um projeto novo que eu nem sei se existe de verdade. Queria que eu aceitasse 40 mil dólares pra ficar longe da cidade por três meses.

Seus olhos alargaram.

- Meu Deus.

- Foi tão humilhante, Edward.

- Eu nem sei o que dizer... Não consigo imaginar Joaquin fazendo uma coisa dessas.

- Mas ele fez.

Edward estava perplexo, e eu quase tive pena de estourar sua bolha do sogro perfeito. Eu sabia o quanto ele admirava Joaquin Denali como pessoa e profissional. Foi Joaquin quem lhe ofereceu sua grande chance de mudar de vida com esse emprego anos atrás, afinal.

- Mas por quê ele faria algo tão baixo?

- Você sabe melhor do que eu o motivo... Quando eu insisti que ele contasse o porquê, ele disse que queria proteger Tanya, garantir a felicidade e bem-estar dela ao seu lado. Deve ter achado que me deixando fora do caminho, você se acertariam. – expliquei. - Eu obviamente não me aguentei e falei tudo o que eu pensava sobre eles, como ele deveria cuidar da filha ao invés de se preocupar comigo, basicamente.

Sacudindo a cabeça, incrédulo, Edward segurou minha mão e beijou.

- Me desculpa por te colocar nessa posição. Eu devia ter tido mais cuidado, não podia imaginar que ele faria algo assim.

Vê-lo tão afetado fez meu coração derreter um pouco.

- Tudo bem, não é culpa sua. É que...

- O que foi, Bella? Fala.

- E se isso afetar seu emprego? Por minha causa? Eu realmente estou com medo das consequências serem maiores do que eu pensava.

- Joaquin não chegaria a esse ponto... Ele deu a entender isso durante a conversa?

- Não, mas depois de hoje eu espero qualquer coisa dele.

Ele assentiu voltando-se para si, perdido em pensamentos e mexendo nervosamente no cabelo. Quando voltou para mim, pareceu ter feito uma resolução.

- Vou conversar com ele amanhã.

- Não! – eu quase gritei.

- Bella, eu preciso. Ele não pode tentar interferir na minha vida pessoal e sair ileso. Eu não sou mais genro, agora eu sou apenas um funcionário, e ele sabe disso. É contra o código moral da empresa.

- Ele é o dono, ele faz as regras. Por favor, não fale. – eu implorei. – Só vai complicar a situação ainda mais, pra mim e pra você.

- Não dá, Bella. Eu vou falar com Joaquin. Quero cortar o mal pela raiz, fazê-lo entender que tudo acabou. Além do mais, acho que eu preciso desse encerramento também com ele. Eu... Eu fiz uma promessa que sabia que não seria capaz de cumprir e agora o destino está vindo me cobrar.

Eu amava o fato de Edward ter amadurecido e se tornado um homem responsável e que honrava com sua palavra. Mas nesse momento essa sua virtude me deixava zonza de receio.

- O que você vai dizer?

- Não sei ainda. Vou pensar com calma.

- Tenha cuidado, por favor.

- Joaquin não é perigoso, pelo contrário. Ele só... É muito perdido na vida.

- Ele tentou me subornar, Edward.

- Eu sei que você está com medo. Eu também estou. – ele ergueu a mão para acariciar meu rosto. – Quando escolhi ficar com você, eu já imaginava que as coisas se complicariam antes de melhorar, você sabia também. Só... confia em mim.

- Ok... – Virei sua palma e a beijei, desejando que ele estivesse certo.

- Quer comer alguma coisa? – perguntou, inclinando a cabeça para o Café ao lado.

- Acho melhor não, fiquei de ir buscar Claire depois do trabalho.

- Onde ela está?

- Na casa da Rachel. As meninas ensaiam toda quinta, lembra?

- O garoto está lá?

- Jacob? Acho que sim, ele costuma acompanhar os ensaios.

- Então com certeza ela nem vai perceber se você chegar um pouco mais tarde. Talvez nem se esquecê-la por lá a semana toda.

- Provavelmente. – eu ri, apesar de tudo.

- Vamos. Estou com saudades...

A verdade é que eu também estava. Nos vimos rapidamente sábado, quando ele foi buscar Claire, e antes disso só no Natal na casa dos pais dele, sem muita liberdade. Concordei, então, depois de enviar uma mensagem para minha filha, e prometendo não demorar.

Entramos no lugar que fora, meses atrás, campo neutro para conversas tensas que adiamos por anos. Ao contrário daqueles encontros, dessa vez sentamos lado a lado numa mesa com banco. O seu calor foi bem-vindo – não somente pelo frio que fazia lá fora, mas pela sensação de calma prazerosa que me trazia.

Conforme a nova fase da nossa relação avançava, eu queria mais e mais dele, e queria coisas que as escapadas, as mensagens e telefonemas não supriam. Eu desejava o seu sexo, mas ia muito além disso. Estava sempre sendo pega de surpresa ao redescobrir várias coisas sobre nós dois, e uma delas era o quanto a sua presença me fazia bem.

Eu sentia falta de apenas tê-lo por perto sem interrupções; Seus olhos que brilhavam ao me ver, sua atenção, sua pele que deixava a minha eletrizada, sua gentileza com todos ao redor, o jeito de falar e de rir e todos os pequenos detalhes que faziam dele o meu Edward.

- Ei, que houve?

Sua voz suave me resgatou dos meus pensamentos.

- Ahm?

- Está quieta. Já disse pra não se preocupar com aquilo...

Eu sorri.

- Na verdade estava pensando como eu sinto falta disso. – segurei sua mão sob a mesa. – De estar com você. Às vezes eu acho que o tempo que temos não é suficiente.

Sua feição e seus olhos intensificaram sobre mim.

- Você sabe que por mim estaríamos juntos o tempo inteiro, não sabe?

- Eu sei. Só estou chateada porque achei que já estávamos quase lá. Mas depois de hoje... Não sei, fiquei intimidada de novo.

- A gente vai dar um jeito nisso. – ele se aproximou e envolveu meus ombros com um braço, me apertando e beijando minha têmpora.

A garçonete chegou para anotar nossos pedidos, e quinze minutos depois, estava de volta com duas sopas de cebola com queijo gruyére gratinado. De sobremesa, uma torta de maçã recém saída do forno tão gostosa, que eu devorei meu pedaço e ainda pedi um pouco da dele. Gulosa, ele brincou, mas me deu na boca seu pedaço mesmo assim.

Em meio a comida, os beijos roubados e seu abraço me lembrando que eu estava segura ao seu lado, eu me senti quase normal. Senti que ficaria bem e que conseguiríamos dar um jeito em toda a bagunça. Juntos.


N/A: ENVIAREI CENA EXTRA PRA QUEM COMENTAR. É o trecho da Bella e Edward escondidos na festa da Claire, porque achei divertido. Se não tem conta aqui, deixe seu email em frase COM ESPAÇOS e SEM ARROBA! Caso não esteja a fim de expor seu email na internet, deixe outra forma de contato (face ou twitter, sem links e arrobas, pois são apagados).

Foi um capítulo de transição, mais curtinho do que o último, mas que é necessário pras mudanças da reta final da história. E aí, o que acharam?

Até breve, beijos!