Capítulo 37 – Please Don't Leave me Forever

PoV Bella

Eu sou uma total e completa idiota.

Acho que a insegurança me deu um tapa na cabeça e me deixou meio mal do juízo. Desde o fatídico dia em que soube da notícia que Alice ia confessar o que tinha feito com meus documentos, eu não tenho conseguido falar direito com Edward.

Por qual motivo?

Justamente esse. Porque sou uma total e completa idiota.

E agora eu me perguntava: O que me deu na cabeça para despejar as coisas em cima dele daquele jeito? Porque eu falei tudo aquilo, porque abri minhas inseguranças e fui grossa? No mínimo eu havia o assustado, e muito. Ele devia estar com muita raiva de mim, porque agora simplesmente não falava mais comigo; Não atendia minhas ligações, não respondia meus emails e também não entrava no Skype.

E já haviam passado dez dias do dia que Alice e eles foram à delegacia. Minha impressão era que mais do que nunca, estávamos nos afastando para sempre. Fechando um ciclo.

Afinal eram dez dias sem falar com Edward. Dez dias sem saber notícias dele.

As outras notícias me vinham porque Jasper me mantinha informada por email. Alice foi presa pela confissão, mas ainda estava esperando julgamento. E todas as vezes que eu falava sobre Edward com ele, ele desconversava, e dizia que eles não tinham se encontrado por esses dias, que ele devia estar ocupado com os pais. Eu sabia que Carlisle e Esme estavam tendo problemas no casamento, mas era impressionante como Edward sempre usava os dois como desculpa.

Se James ainda estivesse vivo, penso que estaria em pânico. Eu sentia uma fina tensão no ar que me dava medo. Era como se todos pareciam estar me escondendo alguma coisa.

Aquela manhã acordei determinada a jogar meu orgulho de lado e ser a chata da vez. Eu ia ligar para todo mundo, mas ia encontrar Edward e por mais que a distância impedisse, ia fazê-lo me contar o que estava acontecendo, e porque que ele estava se afastando de mim daquele jeito. Se fosse pelo modo como o tratei no dia em que ele me deu boas notícias, já tinha dentro de mim que pediria desculpas sem pensar, porque só eu sabia como ele me fazia falta. Só eu sabia o que estava passando longe dele. E esperava que ele se sentisse do mesmo jeito, que ele ainda sentisse minha falta e que principalmente, que ainda sentisse alguma coisa por mim, mesmo que por algum motivo todo esse sentimento tivesse diminuído.

As vezes eu me pegava perguntando se esse afastamento estava esfriando meu coração, se eu ainda realmente gostava dele como antes, ou se eu conseguiria e até poderia viver sem ele, mas tinham noites que eu simplesmente necessitava de Edward ao meu lado. Como a noite passada. E isso me realizava de que os mesmos sentimentos ainda viviam em mim, por mais que estivessem escondidos. Poderia ser até mesmo um mecanismo de defesa que eu tinha, para me magoar menos com a distância.

Levantei, vendo que o tempo definitivamente já não estava mais tão agradável assim. Estávamos no terceiro ou quarto dia de inverno, e todo o calor pelo qual a Australia me recebeu, estava se dissipando. Os vinte e seis graus foram embora sem nem se despedir, e a televisão ligada no meu quarto me fazia ouvir da mulher do tempo que hoje alcançaríamos sete graus.

E lá estava eu me sentindo em Atlanta de novo.

Parecia um dia ótimo para ficar em casa, e tentar falar com Edward de toda e qualquer forma humanamente possível. Ligaria para Jasper, Emmett, Rosalie, Esme e até Carlisle se fosse preciso, mas eu conseguiria saber onde ele estava, e porque não queria mais falar comigo.

Terminei de escovar os dentes e coloquei uma calça de moletom, com uma camiseta de manga comprida. Prendi meu cabelo e fui até a sala, procurar por Tia Bree. No inverno ela fechava sua galeria de artes e dava-se um mês de férias para descansar. O que era bem legal porque depois de quase quatro meses, nós realmente podíamos passar algum tempo juntas de verdade, fazendo compras, ou até mesmo comendo pipoca e assistindo filmes antigos no TCM.

Pela maior parte do tempo, evitávamos falar sobre minha mãe, a mudança para os Estados Unidos e qualquer coisa parecida com isso, pelo qual eu ficava agradecida. Apesar de eu não ter contado os maiores problemas que deixei em Atlanta, Bree sentia que eu não estava muito feliz, então o tempo em que estávamos juntas, era apenas diversão. Ela soube o que aconteceu com Edward, e soube de boa parte do meu relacionamento com ele, então só isso já era o suficiente para ela entender porque eu não estava satisfeita de estar morando na Austrália. Dei sorte de ela compreender que se fosse por outras circunstâncias, eu estaria mais do que feliz de estar novamente com ela, e morando juntas.

- Bom dia, Belldandy! – ela falou sentada na pia da cozinha, tomando uma tigela de açaí. Eu dava graças ao céus de malhar diariamente com Riley, porque do contrário, eu já teria recuperado todo o meu peso.

- Bom dia, tia... – falei me espreguiçando e sentando no sofá com uma das pernas embaixo de meu corpo. – Hoje é dia de preguiça, não é?

- É. Hoje está bem frio. – ela deu mais uma colherada. – Estava pensando em fazer um fondue mais tarde. De queijo e chocolate, com tudo que tem direito! Que tal?

- Ai meu Deus, você vai me fazer correr quilômetros com Riley amanhã, só para ter uma desculpa para comer essa orgia gastronômica! – ri.

- Comer sem culpa não engorda, sabia? – ela falou de boca cheia, e com os lábios roxos da fruta. – E falando em Riley, ele ligou hoje de manhã. Duas vezes. – ela levantou uma sobrancelha, e na hora vi onde ela queria chegar. – Acho que devíamos chamá-lo para o fondue.

- Não me venha com esse olhar. – estalei a língua e peguei uma de suas almofadas feitas com Saris originais, vindos de uma de suas viagens ao Vietnã. – Eu e Riley somos apenas amigos. – bufei alto. – Porque as pessoas tem tanto problema com amigos do sexo oposto? Só porque é homem e mulher, tem que estar se agarrando?

- Não fique na defensiva desse jeito, só falei para chamá-lo hoje a noite. Ele não é seu amigo? – ela desceu do balcão e veio para o sofá, sentando-se ao meu lado. – Então pronto. – deu mais uma colherada no açaí. – E não me venha com essa. – ela apontou a colher para mim, com a boca ainda cheia. - Eu sei como ele olha pra você, e eu dou uma de minhas obras de arte para a caridade ou para as freiras de Sidney se você negar que ele já não deu em cima de você. – ela terminou sua tigela e colocou em cima da mesa.

Eu não ia falar que ele tinha dito que daria em cima de mim se eu fosse solteira. Isso provaria que Tia Bree estava certa, e ela ficava insuportável quando tinha razão.

- Enfim... – passei meus dedos pelo tecido fino da almofada. – Eu não estou na defensiva..

- Está. – ela me cortou. – Edward está tendo algum problema com Riley?

- Estava. Agora eu não sei. Tem um tempo que não falo com ele. – olhei para baixo, sentindo meu peito apertar pela falta de aproximação da pessoa que mais me importava.

- Vocês não estão se falando. – ela constatou. Era muito fácil conversar com Tia Bree, e eu sentia falta disso. Rosalie era muito intensa e Carmela me ouvia, mas com Bree era diferente. Apenas fluía, sem eu precisar me explicar muito.

- Isso não é motivo, você sabe. – ela me olhou com piedade, e por segundos eu não gostei. Mas logo depois entendi que ela estava ali para me ajudar. – Acho que se ele está incomodado ele tinha que falar o motivo. Até porque vocês estão longe, as coisas são muito mais difíceis quando a distância se enfia no meio.

- É, eu sei. Por isso que hoje dei a mim mesma um ultimato para entrar em contato com ele. Vou ligar para todo mundo. Todos os conhecidos que temos em comum, e vou dar um jeito. Eu não sou idiota e patética ao fazer isso, sou?

- Claro que não! – ela me olhou incrédula. – Se eu fosse você eu faria a mesma coisa. Orgulho só atrapalha, meu amor.. faça isso! – ela se levantou, pegando a tigela e indo até a pia. – E falando em telefone, ligue para Riley. O menino já ligou duas vezes.

- Vou ligar.

Hoje eu tinha combinado com Riley que não iríamos correr. No último mês, havíamos aumentado o ritmo, subindo algumas ladeiras de Peppermint Grove, e correndo até Port Beach, lugar onde, ainda quando estava calor, deixávamos o carro e mergulhávamos no mar depois de correr. Riley algumas vezes ficou surfando e eu continuava pegando sol, contribuindo cada vez mais para minha marquinha de praia, que Edward tanto havia gostado da última vez que nos falamos pelo vídeo.

Mas, com o inverno chegando, caminhar pela praia simplesmente era loucura. E ontem, pegamos um vento horrível no momento em que atingimos a Port Beach Road. Antes mesmo de chegarmos em casa, senti minha garganta, e já fui avisando que passaria a manhã seguinte em casa, evitando que a gripe surgisse de vez.

Procurei meu celular por toda a casa e não encontrei. Então resolvi usar o telefone de Tia Bree e falei com Riley. O problema foi que derrubei meu celular no chão de seu carro, e não percebi. Falei que ia até a casa dele buscar, e foi o que fiz. Nem me preocupei em trocar de roupa, apenas coloquei meu tênis e peguei um táxi, chegando em pouquíssimo tempo à casa de Riley. No inverno o trânsito ficava muito mais tranquilo.

Riley morava em um loft em frente à baía, em um prédio de apenas cinco andares. Era a terceira ou quarta vez que eu ia até lá, não costumava frequentar muito seu apartamento, mas sempre que chegava, fazia questão de subir os dez lances de degrau pela escada. Dessa vez subi ainda mais rápido, tentando esquentar meu corpo, e notei que a porta já estava aberta.

Riley estava terminando de bater uma vitamina, e notei que seu cabelo estava molhado. A prancha estava encostada no corredor perto da porta, e percebi que ele devia ter surfado pela manhã.

- Não me diga que você se enfiou na água nesse frio. – falei me aproximando e olhando de forma curiosa o que tinha dentro do copo de seu liquidificador.

- No inverno é quando tem as melhores ondas. – ele riu, terminando de colocar umas folhas de hortelã naquele líquido esverdeado. – Quer clorofila com hortelã?

- Deus me livre. – eu já tinha tomado clorofila com Tyler, na época que eu ainda estava fazendo dieta, e aquilo era simplesmente terrível. Eu chegava a ficar enjoada só de ouvir o nome sendo pronunciado. – Enfim, vim só buscar meu celular, não vou te atrapalhar e deixei Tia Bree sozinha em casa...

- Bella... acho que precisamos conversar. – ele parou de apertar o dispositivo do liquidificador e virou-se de frente pra mim. – Esperei que você chegasse aqui, porque provavelmente se eu falasse isso por telefone você ia surtar e me odiaria para sempre.

- O que foi? – franzi o cenho, e minha mente começou a divagar rapidamente por inúmeros motivos dos quais eu ficaria de verdade puta da vida com Riley. Mas não existia nenhum. Nenhum mesmo. Nós nos dávamos muito bem, e nunca havíamos nem sequer discutido.

- O seu telefone tocou. E como era um número daqui de Perth, achei que poderia ser você, procurando pelo seu celular. Atendi e...

- E? – eu não estava entendendo nada.

- Era Edward.

Depois que ele falou isso, eu acho que ainda fiquei uns bons cinco minutos tentando realizar se eu estava delirando, ou se ele realmente estava me falando aquilo. Como assim era Edward? Como assim número de Perth? Edward estava aqui?

- E o que aconteceu? Vocês conversaram? – minha voz começou a alcançar algumas oitavas, e por um lado eu sabia que estava sendo patética. Mas... era Edward. Falando com Riley. Em um telefone de Perth.

Deus, era muita informação.

- Não conversamos, ele apenas perguntou por você, eu falei que você tinha esquecido o celular, daí ele perguntou quem era, eu respondi, ele desligou e..

- Você tem certeza que era Edward? – meu coração já estava na garganta nessa hora.

- Ele perguntou por você, Bella. – ele suspirou. – E eu perguntei quem era, ele disse que era Edward. Era ele sim. – ele me olhava, provavelmente tentando me decifrar. Minha cara devia estar impagável. Eu de verdade não sabia o que pensar. Minha vontade era de gritar, e principalmente gritar com Riley, mas meu senso comum fez eu me acalmar. A culpa não era dele. De acordo com ele, o que apareceu em meu celular era um número de Perth, então ele não tinha culpa. Se aparecesse o nome de Edward na telinha, ele provavelmente não teria atendido, teria?

- Riley, eu tenho que ir pra casa. – falei, passando a mão nos cabelos e querendo arrancar cada um de meus fios, um por um. – Eu tenho que ver o que aconteceu. Tenho que descobrir que número é esse e porque Edward está ligando dele.

Riley apontou para o aparelho em cima de sua mesa de jantar e peguei, mal me despedindo e descendo pelos novamente dez lances de escada daquele prédio, chegando na portaria com minhas pernas quase dormentes. Procurei em meu celular pelo tal número e redisquei. Chamou algumas vezes e depois uma mulher atendeu.

- Parmelia Hilton Perth, em que posso ajudar?

Hilton? Edward estava hospedado no Hilton?

Edward estava na AUSTRALIA? MESMO? Como?

- Ah, oi... é... – tentei respirar fundo, antes que a mulher do outro lado da linha começasse a achar que eu era uma louca. – É que eu recebi uma ligação importante vinda desse número em meu celular, e estou retornando...

- Qual é o nome do hóspede? – ela falou em um tom de voz monocórdico, daqueles que não estava dando a mínima e não se importava se eu quisesse explicar qual meu problema ou não.

- Edward Cullen... Edward Anthony Cullen... – minha boca tremia e minha voz ensaiava falar. Ela definitivamente ia me achar louca.

- Só um momento por favor.

Enquanto esperava, saí pela rua, procurando por táxis, mas a Lei de Murphy me pegou de jeito, deixando a avenida completamente vazia. Fui andando até uma rua mais próxima, que costumava ser mais cheia, e fiquei esperando um táxi aparecer.

- Senhora, a senhora sabe o número do quarto? – a atendente apareceu com sua voz indiferente do nada, chegando a me dar um susto.

- Não, não sei... eu nem sabia que ele estava na cidade, eu... ele me ligou, e eu preciso falar com ele... – eu soava tão desesperada que já estava esperando pelo momento que ela iria desligar na minha cara. – Por favor.

- Senhora, aqui tinha um Edward Cullen, mas a reserva dele para até o fim de semana foi cancelada e tenho a impressão de que ele já foi embora, pois as chaves encontram-se conosco.

- NÃO! – dei um berro no telefone, enquanto fazia sinal para um táxi que vinha na outra quadra. Minha mão tremia enquanto eu sacudia ela em direção à rua, e minha vontade era de gritar, ou chutar alguma coisa. – Ele não pode ter ido embora! Verifica isso pra mim por favor?

- Só um momento. – essa mulher de verdade não tinha emoção? Ela não estava vendo que eu estava desesperada? Mas também, o que eu esperava? Que uma atendente de hotel fosse me entender e virar minha melhor amiga para sempre? Que patético.

Isso não podia estar acontecendo. Ele não podia ser tão cabeça dura a ponto de vir até aqui e ir embora só porque Riley atendeu meu celular. Seria? Em poucos meses de convivência como um casal, nunca achei que Edward faria uma coisa dessas, sem ver os dois lados da moeda. Já tínhamos aprendido com nossos próprios erros no passado, que primeiro deveríamos ouvir o que cada um tinha a dizer, antes de tomar uma decisão definitiva.

O táxi parou, e tive dificuldade de falar meu endereço para o taxista, porque minha voz já estava praticamente embargada no choro. Ele olhou pra trás, perguntando se eu estava precisando de ajuda, e eu simplesmente sacudi a cabeça, agarrada com meu celular, esperando que a atendente falasse que tinha sido um erro, que Edward ainda estava hospedado, a pouquinhos metros de mim, e que finalmente íamos nos ver.

- Senhora, acabei de confirmar, ele saiu há meia hora atrás, e deixou o quarto.

- Está bem. Obrigada. – fechei o flip do celular, sentindo que finalmente o ciclo tinha sido fechado. Se ele já não queria falar comigo antes, agora então é que nunca mais eu ouviria sua voz.

Encostei minha cabeça na janela e fiquei observando as pessoas do lado de fora, vestidas em seus casacos e andando pela rua. Algumas sorriam, e senti inveja da felicidade delas. Eu queria estar feliz. Eu sempre quis ser feliz, mas sempre alguma coisa impedia. Minha vida era afundada em más interpretações e mal entendidos.

Meu celular vibrou e dei um pulo, quase deixando escapar um grito. Vi que tinha uma mensagem, e na ansiedade de que fosse Edward abri rápido.

De: Tia Bree
Mensagem: Meu amor, estou indo ao mercado comprar as coisas para o fondue. Não esqueça de convidar Riley. Quer alguma coisa? Me responda. Beijoquinhas da tia mais linda do mundo.

Fingi um sorriso, mas na realidade nem sei porque sorri. Minha vontade não era essa. Desliguei o celular, sem me importar em responder. Eu não queria nada. Não queria nem o fondue. As coisas agora tinham acabado de perder a graça pra mim.

E eu esperava do fundo do coração que Tia Bree não se importasse de não fazer o fondue hoje.

Senti o carro parar, e o taxista muito simpático falou com delicadeza que tínhamos chegado em nosso destino. Paguei a ele, dando cinco dólares a mais, e desci do carro, achando que minha vida tinha acabado para sempre. O taxista agradeceu e falou para eu ter fé que tudo ia se ajeitar.

O que eu faria se Edward continuasse com essa raiva de mim? E pior, sem poder me explicar? Sem poder falar e contar as coisas que aconteceram e assegurar pra ele que ele era a pessoa pra mim, a pessoa que sempre quis, e principalmente o cara que amei desde que era a gorda do colegial, fazendo propositadamente ele reprovar em química por pura dor de cotovelo.

Será que ele não confiava em meus sentimentos?

Subi os quatro degrauzinhos que davam para a casa de Tia Bree, e abri a porta desolada, pensando no que fazer. Minha principal vontade agora era de deitar na cama e dormir até que toda a angústia saísse de meu peito. Tirei os sapatos na porta e joguei a chave na vasilha de vidro, sentindo o frio da casa escura. Fui até a cozinha, bebi um copo de água tentando tirar o seco que se montava em minha garganta. Voltei para meu quarto, arrastando meus pés pelo piso, louca para fechar os olhos.

Abri a porta rápido e quase dei um grito quando vi quem estava sentado em minha cama.

Edward.

As lágrimas começaram a sair de meus olhos sem nem pedir licença. Todo o choro que eu estava forçando para conter não me respeitou, e eu não conseguia nem falar um ai.

Ele estava sentado, com os cotovelos apoiados nos joelhos, e me olhando com aquele olhar semicerrado, pelo qual eu sentia tanta falta. Eu acho que a primeira vez que vi Edward em minha vida, ele estava justamente fazendo esse olhar, e foi algo que me matou logo à primeira vista. Me torcia. Contorcia. Me deixava fora de si.

Mas ele provavelmente estava puto da vida comigo. Ele havia ligado pra mim e Riley tinha atendido. Eu tinha que me explicar.

- Edward, eu... Riley... o telefone...

Ele se levantou e deu um sorriso no canto dos lábios, vindo em minha direção e me abraçando. Bem apertado, onde eu podia sentir cada parte de seus braços, mãos, todos eles conectados com o meu corpo, me fazendo sentir mais protegida do que nunca. Eu não me importei em beijá-lo. Sua mera presença e seu abraço apertado já estava me dando uma paz, uma tranquilidade tão grande, que eu poderia ficar assim até acordar desse sonho.

Será que eu estava sonhando?

Levantei minha cabeça e olhei bem nos olhos de Edward, procurando por uma resposta. Procurando pelo momento em que ia acordar ainda dentro do táxi, vinda de um sono bem pesado, causado pela decepção. Mas não. Ele continuava ali, sorrindo para mim.

- Se Riley não tivesse sido bonzinho me ajudando hoje, provavelmente eu teria ido até a casa dele e arrancado cada um de seus membros. Se é que você me entende. – ele deu um beijo em minha cabeça.

- Como assim? O que aconteceu? Riley te ajudou em que? – perguntei, sentindo seus polegares embaixo de meus olhos, limpando minhas lágrimas. Eu estava fora de mim. Acho que minha ficha ainda não tinha caído. Eu ainda não acreditava que Edward estava aqui, e comigo.

- Calma meu anjo. Respira, ok? – ele riu. – Eu cheguei hoje de madrugada em Perth. Esperei dar umas 7 da manhã para te ligar, e quando liguei Riley atendeu. – ele suspirou, me dando outro beijo na cabeça. Como ele podia estar falando isso tão casualmente? Ele não estava puto? – No começo confesso que quis quebrar o telefone do hotel, mas engoli minha raiva, falei com ele, ele explicou que você tinha esquecido o telefone com ele no dia anterior, e deu a idéia de eu fazer essa surpresa.

- Eu vou matá-lo. – enterrei minha cabeça no vão do ombro de Edward, exatamente ali entre o pescoço, onde era o melhor lugar do mundo. – E vou matar você também. Esse tipo de brincadeira não se faz! – dei um tapinha em seu peito, e ele fingiu estar machucado. - Mas vou deixar isso para depois, quero aproveitar cada segundo de você. – abracei-o novamente e ele riu, me aconchegando em seus braços.

Foi aí que me toquei que eu tinha milhões de coisas para perguntar para ele. Como ele estava aqui? Ele havia sido absolvido do caso de James? E porque ele estava aqui? E porque ele não me avisou antes? Porque passou os dez dias sem falar comigo? Bree sabia? Jasper sabia?

Nos abraçamos apertado, mais uma vez, de uma forma tão segura, provavelmente na intenção de assegurarmos que nunca mais íamos nos separar. E eu não queria isso. Eu não queria que ele fosse mais embora, por mais que essas fossem suas primeiras horas no país. A antecipação de que ele provavelmente teria que voltar para os Estados Unidos e me deixar aqui já me consumia de forma absurda.

- Quanto tempo você vai ficar? – foi a primeira coisa que minha boca perguntou, totalmente sem filtro.

- Quanto tempo você quiser. - Ele deu um sorriso leve, me beijando suavemente. Seus lábios encontraram os meus, matando a saudade carregada de angústia, e causando alívio em meu coração. Sentir a textura de sua boca, seu hálito, o cheiro de sua colônia de barbear, e até mesmo o cheiro característico de sua pele, me deixava em um estupor sem tamanho.

Parecia que eu estava em alfa, e por algumas vezes me causava até tontura. Mas era uma tontura gostosa, que me fazia ter ainda mais vontade de tê-lo perto de mim, como se eu necessitasse daquilo para respirar.

Nosso beijo cessou, transformando-se em alguns selinhos com uma certa pressão dos lábios, e sorri, já sabendo o que responder.

- Se for quanto tempo eu quiser, eu acho que quero para sempre. – ao ouvir minhas palavras ele riu, nos balançando levemente.

- Infelizmente estou brincando, meu anjo. Devo ficar uns dez dias. Foi o tempo que consegui de liminar com o juiz, para vir te visitar. Ainda não fui completamente absolvido do caso de James. – ele franziu o cenho, claramente chateado, e dei mais um selinho em seus lábios, trazendo-o novamente para mais perto de mim, tão perto que não havia mais espaço entre a gente.

- Não tem problema. – falei, tentando fazer com que ele se animasse, mas recebendo aquela notícia como uma faca em minha garganta. Eu não queria que ele fosse embora, e mesmo que os dez dias fossem muito especiais ao lado dele, os dias após sua volta para casa seriam ainda piores do que os últimos meses que passamos sozinhos. – Vamos aproveitar o tempo que a justiça nos liberou.

- Que ironia não? – ele franziu o cenho, de um jeito muito sexy e me olhou. Eu não sei se era pelo tempo em que tínhamos passado separados, mas tudo nele estava lindo, e perfeito, e altamente sedutor. Eu chegava a ter vontade de mordê-lo. – Dois advogados sendo fodidos pela própria justiça.

- Acontece. – falei. Eu não conseguia ter mais raiva com nada. A única coisa em que eu estava me focando agora era aproveitar cada segundo que tínhamos.

Deitamos em minha cama, e me aninhei em seus braços e peito, sentindo até o cheiro de suas roupas, que eu sentia tanta falta. Fiquei brincando com os botões de sua camisa cinza enquanto ouvia as notícias do caso de Alice, do caso de James, e principalmente de meu caso com o consulado.

Estava praticamente tudo na mesma, mas Edward disse que Jasper estava correndo atrás do meu caso primeiro, porque o que eles mais queriam era que eu voltasse para os Estados Unidos, o que poderia acontecer a qualquer momento, de acordo com Edward. Depois que Alice contou que ela tinha sido a culpada pelo sumiço, era somente uma questão de tempo para que o Consulado me aceitasse de volta, mesmo que fosse com documentos temporários.

Contou também de Rosalie, Emmett, falou como Alice estava se virando na prisão, - nada bem diga-se de passagem, - e o quanto Jasper estava com pena dela, e fazendo de tudo para tirá-la de lá. Eram tantos problemas rondando a nossa própria vida, que estávamos dando mais ênfase a isso do que aos nossos próprios clientes, no escritório.

Ele me disse que no começo ficou triste comigo por eu ter pedido para passar a ligação para Jasper, mas não teve a intenção de ficar os dez dias sem falar comigo. Ele queria resolver muitos casos pendentes de clientes do escritório antes de viajar, procurando amenizar a carga de trabalho enquanto não tinha ninguém na direção, e acabou protelando uma surpresa que era pra ser em no máximo três dias. Mas três dias viraram cinco, e depois sete, e chegaram a dez. Por sorte, no nono dia ele conseguiu embarcar, e me falou que tinha certeza que eu devia estar em pânico. Mas pediu desculpas, e me deu um beijo tão carinhoso, que eu não tive como perdoar. Não era hora pra ficarmos agindo com orgulho.

Entramos no assunto do escritório, e como tínhamos combinado antes, mudamos todo o corpo financeiro. Eu nunca mais confiaria em Aro. Não depois do que ele fez comigo quando James me acusou. Porém pedi para que Alec ficasse, porque de todos ali, acho que era o único em quem eu confiava.

Victoria e Mike ainda continuavam como nossos monitores, mas Edward ressaltou a vontade que ele tinha de contratar Mike como seu auxiliar. Cheguei a rir e estranhar, porque os dois viviam brigando, mas aparentemente tudo estava diferente agora.

Bom, contanto que não fosse Victoria, eu não me importava. Sim, eu ainda tinha ciúmes dela. Afinal, por mais que fosse passado, eles não deixaram de transar na escada de incêndio.

E Jasper, óbvio, pegaria os outros vinte e cinco por cento novamente. E agora ainda discutíamos a probabilidade de mudarmos o nome para Swan, Cullen & Whitlock. Era um nome bonito, não?

Isso quando eu voltasse para os Estados Unidos. O que ainda era uma incógnita. Combinamos que não íamos falar sobre isso, porque de verdade me deixava angustiada, e Edward continuava achando que estava se esforçando muito pouco, quando ele claramente dava toda a sua alma para que eu voltasse logo.

Depois de um tempo simplesmente paramos de falar de trabalho, e voltamos para assuntos banais. Contei de minha vida na Austrália, ouvindo algumas bufadas toda vez que Riley era mencionado, mas fiquei satisfeita e aliviada que Edward tinha aprendido com o nosso passado, que devíamos confiar um no outro, e não em terceiros. Eu pedi desculpas, óbvio, por todo meu comportamento imbecil com ele, e expliquei de minha insegurança. Edward era perfeito; Ele simplesmente riu, e falou que me entendia, mas que sentia muito ciúmes de Riley. Eu também entendia ele.

Edward contou de seus pais, falando que a situação ainda não estava muito boa, e por mais que eu perguntasse qual o motivo para que eles estivessem brigados assim, parecia que ele não queria me contar. Eu só esperava do fundo do meu coração que eu não estivesse envolvida com isso.

Uma batida leve se deu na porta e falei para entrar, já sabendo quem era.

- Ó, que bonitos os pombinhos! – Tia Bree falou apenas com a cabeça na porta. – Vejo que já se encontraram.

- Você também já sabia disso, tia? – falei sorrindo, aconchegando minha cabeça no peito de Edward enquanto ele passava seus longos dedos por meus fios de cabelo.

- Nem vem! – ela levantou as mãos, se protegendo. – Ele que apareceu aqui no momento em que você saiu de casa, e óbvio que deixei ele entrar. Mas como é bonito meu sobrinho hein? – ela falou, me deixando envergonhada. Eu e Edward estávamos no status de namorados ainda, e eu não estava acostumada a intimidade familiar. – Bom, vou deixá-los sozinhos. Só vim para avisar que o fondue está marcado ok? Nós três e... um amigo meu.

- Um amigo? – arregalei meus olhos, e só não soltei Edward porque eu realmente não queria me afastar. – Como assim, tia?

Edward riu enquanto Bree revirou os olhos pra mim.

- Antiga amizade. – ela falou cantando. – Não nos víamos a muito tempo, e acabamos topando no supermercado. Como eu não queria ficar de vela do casalzinho, resolvi convidá-lo, e ele aceitou! – ela sorriu, fazendo pose de modelo. Figura.

- Que ótimo! Isso é muito bom! – respondi rindo.

- Sim, sim... maravilhoso! – ela parou, olhando para a parede e sorrindo, provavelmente tendo lembranças dessa "antiga amizade". – Mas enfim, deixarei vocês sozinhos. Se forem sair, marquei o fondue para às oito, tudo bem ?

- Tudo bem. – respondemos juntos.

- Bree, obrigado por tudo. – Edward falou.

- Disponha, sobrinho! – ela deu um saltinho curto e fechou a porta, cantarolando pela casa até que sua voz sumiu.

- Que vergonha. – falei escondendo meu rosto em seu peito.

- Vergonha de que, meu anjo? – ele inclinou sua cabeça no travesseiro, me olhando.

- Não sei. Não estou acostumada com essa relação família-namorado. – falei baixo. – Ela te chamando de sobrinho, como se fôssemos casados, e...

- Deixa ela me chamar do que quiser. Adorei ser sobrinho dela. – ele sorriu, me dando um beijo na testa. – E então, o que quer fazer?

- Nada. Quero ficar com você. Agarrada até não poder mais.

- Por mim é uma ótima idéia. – Edward falou rindo e logo depois bocejando.

- Quer dormir um pouco? Você chegou de madrugada de um vôo cansativo, deve estar exausto... – falei baixo.

- Contanto que você não desgrude de mim, acho que vou aceitar descansar um pouco. Coloco o alarme para umas cinco horas e vamos dar um passeio antes do fondue, que tal?

- Ótima idéia. – levantei, apagando a luz do quarto, e vendo Edward tirando os sapatos e a calça jeans, ficando apenas de boxers e enfiando-se em meu cobertor.

Eu não podia estar mais realizada. Meu coração dava pulos de alegria de saber que ele estava aqui, comigo. A calma, tranquilidade e o ressonar de Edward logo me fizeram dormir junto com ele.

O despertador de seu celular tocou por volta de cinco horas da tarde, e apesar de apertarmos no "soneca" por três vezes, por fim resolvemos levantar e dar uma volta pela orla da baía. Edward nunca tinha vindo à Australia, era sua primeira vez em meu país, e por mais que eu adorasse a idéia de passar o dia inteiro no quarto com ele, eu queria mostrar um pouco da cidade, um pouco da minha cultura.

Andamos de mãos dadas, mas o frio estava tão cortante que voltamos para casa em pouco tempo. Após tomarmos banho, começamos a ajudar Tia Bree na cozinha com os preparativos para o fondue. Ela ficou horas no telefone com o "misterioso" convidado, e assim que confirmou que ele realmente vinha, saiu correndo para se arrumar. Edward ficou cortando umas frutas no balcão da pia ao meu lado, enquanto eu mexia o chocolate na panela.

- Sua tia é muito engraçada. – ele falou rindo.

- Ela é uma figura mesmo. É igualzinha a minha mãe. Fisicamente e no jeito de ser.

- Sério? Sua mãe era assim?

- Uhum... – abaixei a cabeça, tendo lembranças do jeito que minha mãe sorria. Ela era tão perfeita...

- Me desculpe por trazer esse assunto à tona. – ele veio até mim, com um pedaço de maçã, e o guiou até minha boca. Parti meus lábios e peguei a maçã de seus dedos.

- Não tem problema. – falei depois de mastigar a fruta, e trouxe a colher de pau até a palma de minha mão despejando o chocolate e oferecendo a Edward. Ele pegou minha mão delicadamente, passando sua língua por toda a extensão, até mesmo por meus dedos, que não estavam com o doce. Minhas pernas começaram a falhar e o silêncio, que fazia nossa respiração ficar ainda mais alta, só deixava meu organismo ainda mais tenso.

- Eu tava com tanta saudade. – ele falou baixo, muito baixo, fazendo seu hálito vir todo em meu rosto, deturpando qualquer sanidade que eu pudesse sonhar ter no momento. Inclinou seu rosto e descansou seus lábios na pele do meu pescoço, dando beijos suaves, mordidas leves, e por vezes pude sentir sua língua passeando por ali, me deixando arrepiada literalmente.

- Eu também estava. – fechei meus olhos, ainda sentindo seus lábios passeando por meu pescoço, e agora ombros.

- Oi, marquinha de biquíni... – ele falou baixo, com a boca afundada em minha pele. Dei um risinho baixo, e senti sua mão invadindo a barra de minha camiseta, descansando em minha barriga já quente de antecipação, ansiedade, tesão... eu estava sentindo tanta falta disso.. falta de me sentir querida, de sentir Edward me querendo, me desejando... – Prazer em conhecer você...

- Ela estava louca para te conhecer sabia? – brinquei. – Desde aquele dia no skype que você nos abandonou. – falei em tom brincalhão para ele ver que aquilo eram mágoas passadas.

- Ah, ela vai me conhecer. – ele deu um riso rouco. - Faço questão de conhecê-la melhor hoje à noite. – ele subiu seus beijos, chegando na altura de minha orelha, dando uma mordida no lóbulo. – Conhecê-la por inteiro, sabe? – sua voz estava embargada, e ele respirava fundo, sentindo o cheiro de meus cabelos.

Dei um suspiro fundo, já sentindo meu baixo ventre se remexer.

Senti um cheiro de queimado e desliguei o fogão rápido, para que o chocolate não queimasse e o nosso impulso sexual acabasse arruinando o fondue que Tia Bree estava tão animada em fazer. Ainda mais agora que tínhamos visita. Edward riu, e deu um beijo em minha testa, voltando a cortar as frutinhas.

De certa forma, por mais que minhas partes femininas estivessem gritando para ter Edward por perto, e de todas as formas possíveis, fiquei feliz que ainda não tínhamos transado. Uma das minhas maiores inseguranças no nosso relacionamento foi justamente esse, de ser baseado em sexo, e hoje, principalmente, ele estava mostrando que estava aqui comigo meramente por minha presença, somente para estar perto de mim, e não porque estava querendo me ter na cama.

Não que ele não fosse escapar de mim essa noite.

Acabamos arrumando quase todo o fondue, pois Tia Bree passou horas se arrumando. Colocamos as duas panelinhas, com queijo e chocolate em cima da mesinha de centro que tinha entre o sofá e as poltronas, colocamos os guardanapos, a garrafa de vinho, e no momento em que fui trazendo a bandeja com os pães e as frutas, Bree saiu do quarto toda arrumada, e aparentemente nervosa.

- Meu Deus, parece uma adolescente em seu primeiro encontro. – falei brincando, enquanto Edward se sentava no sofá.

- Me deixa. – ela riu. – Mas estou bem? Estou muito arrumada para isso? Ou acha que devo me arrumar mais?

- Está ótima. – falei me sentando ao lado de Edward. – Não está, amor? – dei uma cotovelada de leve nele, e ele sorriu, assentindo com a cabeça.

- Está tão linda quanto a sobrinha. Família linda, posso dizer. – ele falou, de forma tão charmosa que eu não culparia Tia Bree se ela realmente caísse de encantos por ele também.

- Ai que charme esse menino! – ela riu, balançando seus pés de um lado pro outro.

Sabia.

A campainha tocou e ela deu um pulo, correndo em direção à porta. Assim que abriu, um cara alto, moreno, entrou e acenou timidamente para todos nós, dando um sorriso no canto de seus lábios. Tinha a mesma faixa de idade que Bree, e gostei logo de cara. Parecia ser muito simpático.

- Pessoas, esse é Sam. – ela falou animada. – Sam, essa é minha sobrinha Isabella, e seu namorado Edward.

Nos cumprimentamos, e por sorte tudo fluiu normalmente. Em nossa terceira garrafa de vinho já estávamos gargalhando, contando casos engraçados, e começou a parar de ter graça no momento em que Tia Bree levantou e resolveu trazer um álbum lotado de fotos de quando eu era criança. A essa altura já estávamos sentados no chão, ao redor da mesinha de centro, e resolvi me levantar, levando as panelas já vazias para a pia e fugindo do constrangimento.

- Oooolha, ela peladinha em pé na banheira! – Bree gritou, e Edward inclinou seu corpo para ver a foto.

- Vocês querem parar? – joguei um pouco de água em cima das panelas, mas deixei-as daquele jeito e voltei para sentar ao lado de Edward. Ele encostou suas costas no assento do sofá e passou seu braço esquerdo por meus ombros, me trazendo para perto de si.

- Deixa o menino te ver quando era pequena, Belldandy! – Bree deu mais um gole no vinho e continuou a folhear algumas fotos, alcançando umas de sua faculdade. Sam ficou entretido e os dois começaram a olhar as fotos, dando espaço para que eu e Edward entrássemos em uma pequena bolha, só nossa.

- Adorei ver Dona Isabella Swan peladinha... – ele falou baixo, passando o nariz por meus cabelos.

- Pedófilo. Eu era um bebê. – brinquei. – Sem contar que você já me viu pelada, não tem graça nenhuma...

- Não tem graça? – ele respirou fundo mais uma vez em meu cabelo. – É a melhor coisa do mundo te ver pelada... na minha frente... – sua voz estava completamente grogue pelo vinho. Eu também estava muito alta, e o jeito que Edward falava comigo só estava piorando. – O que me lembra que estou doido para ver a marquinha de biquíni que vem assombrando meus pensamentos nos últimos dias...

- Crianças, o vinho acabou! – Bree falou bem alto, meio que estourando nosso pequeno espaço e nos fazendo acordar de nosso pequeno transe sexual. – Vou com Sam no Seven Eleven comprar mais. Querem que a gente traga mais alguma coisa?

- Camisinhas... – Edward sussurrou em meu ouvido, me fazendo rir.

- Nada tia, obrigada... – falei, sentindo minhas bochechas mais vermelhas do que já provavelmente estavam. Será que os dois tinham percebido que estávamos desse jeito e queriam nos deixar sozinhos?

Eu esperava que sim.

No momento em que a porta bateu, eu me vi com mais tesão do que qualquer pessoa no mundo pudesse imaginar. Parecia uma adolescente em plena puberdade, louca para ficar sozinha em casa e ter um tempo com seu namoradinho do colégio. Edward encostou o braço no assento do sofá, apoiando a mão em sua cabeça e ficou me olhando, enquanto enrolava um pedaço de meu cabelo em seu dedo indicador.

Demos uma troca de olhares meio cúmplice. Ambos sabíamos o que queríamos e o que provavelmente ia acontecer em questão de segundos. Ele inclinou seu rosto em direção ao meu e me beijou, puxando meu lábio bem devagar para dentro de sua boca, e mastigando-o, como se fosse chiclete. Achei estranho, mas do nada passou a ser muito excitante. Era algo meio primitivo, meio animalesco, e foi assim que minha calcinha começou a ficar molhada. Demais.

Suas mãos subiram por minhas pernas, passando pelo tecido fino das minhas calças de yoga, e alcançaram o elástico das mesmas, me puxando para mais perto. Edward ajeitou-se no chão e me levou para seu colo, onde sentei e coloquei uma perna de cada lado de seu corpo. Seu rosto estava na altura de meus seios, e ele levantou a cabeça, me olhando nos olhos.

- Gostosa. – ele falou dando um beijo exatamente no meio de meus seios, ainda por cima do pano de minha camiseta. As mãos, que nesse momento estavam em minha cintura, foram subindo, subindo, carregando minha camiseta com elas, e quando dei por mim, já estava de sutiã. Edward sorriu, puxando a parte que cobria um de meus seios com os dentes, e expondo o mamilo que já estava duro. Ele sugou com tanta vontade, que naquele exato momento eu achei que no mínimo teria um orgasmo involuntário. No máximo, aquilo seria a minha morte.

Eu precisava tanto me aliviar que meus quadris começaram a se mexer involuntariamente no colo de Edward. Ele me segurou com força, me colocando sentada na mesinha de centro, e ficou de joelhos, enquanto desabotoava sua camisa. Envolvi seu corpo com minhas pernas, de forma brincalhona, e ele sorriu, semicerrando seus olhos em minha direção.

Absolutamente delicioso. Deus, como eu o queria.

Quando sua camisa já estava no chão, puxei-o pelos ombros para perto de mim, e nos beijamos novamente. Edward foi inclinando-se em minha direção, tirando meu sutiã e levando meu corpo a deitar na mesinha de centro, derrubando copo, guardanapo, prato... tudo pelo caminho. Rimos do barulho do vidro batendo no chão. Estávamos em um estado de necessidade tão grande, que pouco importávamos se alguma coisa estava quebrada. Nós também havíamos passado muito tempo quebrados, e estava na hora de consertar, de uma vez por todas.

Eu te quero tanto, Bella... – ele falou junto com um grunhido, passando suas mãos por meus seios, barriga, quadris, chegando a barra de minha calça. – Eu desejei tanto por esse momento, por essa hora... – ele soltou mais um grunhido, fazendo meu baixo ventre entrar em colapso, apenas ao ouvir. – Céus, como eu senti sua falta.

- Eu sou sua Edward.. – minha voz já saiu basicamente como um gemido a essa altura do campeonato. – Eu estou aqui, e sou sua...

Ele começou a falar algumas coisas, provavelmente palavrões, que no momento eu realmente não conseguia decifrar. Eu estava muito fora de mim pra isso. Edward pegou na barra de minha calça e puxou com força, me deixando apenas de calcinha em cima da mesinha de centro.

Quando achei que aquela posição ia ficar realmente muito estranha para nós pois a mesa era muito pequena, Edward pensou bem adiante e segurou meus braços, colocando-os ao redor de seu pescoço. Segurou minhas coxas, quase perto da dobra de meus joelhos e me pegou no colo, circulando minhas pernas ao redor de seu quadril.

Nos beijamos loucamente. Acho que como nunca havíamos beijado antes. Edward foi andando pela sala, trombando na poltrona, na quina da parede, me levando junto com ele, e não afastando nossos lábios nem um minuto que fosse. Sua mão esquerda espalmava minhas costas, unindo nossos corpos e me segurando de encontro a si, enquanto a direita cravava seus dedos em meus cabelos, não deixando que minha cabeça se afastasse, e não separando nosso beijo furioso.

Edward me imprensou em uma parede, fazendo minhas costas queimarem do contato, mas eu realmente não estava dando a mínima para isso. Eu queria ele de todas as formas. Todas.

- Merda, eu não quero mais esperar um segundo sequer... – ele grunhiu pela milésima vez, me carregando e senti o mármore gelado da bancada que dividia a sala da cozinha agraciar meu bumbum. Ele me colocou sentada ali, e soltou seus braços de mim, afastando um pouco seu corpo mas nunca perdendo o contato visual.

Apoiei meus braços na superfície da bancada, e inclinei meu corpo um pouco para trás, balançando minhas pernas e sorrindo, num ato de tentar provocá-lo ou parecer sexy. Parece que deu certo porque Edward deu um sorriso safado de volta, enquanto tirava seu cinto e abria o zíper da calça jeans.

Eu podia morrer de tanta ansiedade.

- Estou louco para estar dentro de você.. – ele abaixou as calças e a cueca em um único movimento e se aproximou, falando essas exatas palavras em meu ouvido, enquanto passava sua barba em meu rosto e cheirava meu cabelo. – É tudo o que mais quero... – ele se colocou entre minhas pernas, e as afastou, com suas mãos segurando meu joelho.

- Então vem.. – sussurrei, sentindo ele me puxar para mais perto de si, fazendo meu corpo deslizar em direção à beirada da bancada.

Edward pegou na barra de minha calcinha e levantei meu quadril para facilitar sua saída. Ele jogou-a no chão, e foi aí que realizei que estávamos no meio da sala, e que Tia Bree poderia voltar a qualquer momento, ainda por cima com Sam. Que ótima primeira impressão, não?

Porém, a adrenalina desse pensamento, me deixou ainda mais desesperada por transar com Edward ali, e naquela hora.

Suas mãos voltaram para meus joelhos e foram subindo por minhas pernas, passeando por minha virilha até chegarem em meu ponto sensível. Ele passou a mão devagar bem em meu centro, aplicando uma pressão de leve, e meus músculos se contraíram com a sensação, me fazendo esfregar as coxas uma na outra, de tanta vontade. Ele sorriu, mordendo um pedaço de sua bochecha, com a cara mais cínica do mundo.

- Só pra você saber... está totalmente aprovada essa sua marquinha... – ele desceu os beijos de meu rosto para pescoço e ombros, enquanto sua mão abandonava o meio de minhas pernas e seus dedos passeavam pela marca que a parte de baixo do biquini tinha feito em mim.

Eu não conseguia adquirir forças para responder então apenas gemi. E o nome dele escapou de meus lábios, fazendo com que ele me apertasse ainda mais, de forma a beliscar um pedaço da minha coxa.

- Você me deixa louco, Bella... – ele agarrava minhas coxas, enquanto falava entredentes.

- Edward eu quero você... – gemi. – Em mim... agora... – passei a língua em meus lábios e engoli seco. Eu estava em estado deplorável. - Não quero mais esperar.

Ele sorriu novamente. Um sorriso diabólico, e seus olhos cor de mel ficaram me fitando, me deixando ainda mais tensa e em níveis extremos e incansáveis de puro tesão. Como ele tinha todo esse poder comigo?

Foi aí que senti Edward dentro de mim. Ele me invadiu com ferocidade, me fazendo soltar um gemido bem mais alto, e involuntário, causado por puro êxtase. Envolvi meus braços em seu pescoço e minhas pernas em sua cintura, agarrando-o de forma a nunca mais deixá-lo ir embora, apertando nossos corpos um contra o outro e me sentindo definitivamente completa.

Sinceramente, estávamos tão loucos, que não era necessária tanta preliminar assim. Ele não protelou para começar o ritmo delicioso, compassado, e delirante. Nossos gemidos combinavam, minhas unhas cravavam um pouco abaixo de sua nuca, e tive que me frear para não morder com força a pele de seu ombro e pescoço.

Ele enroscou seus dedos da mão direita nos cachos que se formavam nas pontas de meus cabelos e aproximou seus lábios de meu ouvido. Fechei os olhos enquanto ouvia coisas como "você é deliciosa", "minha deusa", "que corpo perfeito", entre outras milhares de frases que são difíceis de lembrar devido ao meu estado no momento.

Encostei minha testa em seu ombro, sentindo meu corpo entrar em pequenos espasmos de prazer, e não segurando os gemidos que Edward arrancava de meu corpo. Ele também gemia. Deus, como gemia... um gemido perfeito, que misturava o ar que ele respirava com o meu nome, e só contribuía para levar ao orgasmo.

- Bella, eu não sei se vou conseguir esperar, meu anjo... – ele falou com muito esforço, enquanto seus dedos cravavam em meus quadris, onde certamente deixariam marcas.

- Não precisa... – minha voz até saiu diferente. – Não precisa, não precisa... – as palavras saíam como arfadas. – Eu estou quase lá também, ahhh... – não me segurei e mordi seu ombro. Com força.

Edward deu um grito forte, entredentes, e vindo direto de sua garganta. Seu corpo todo tensionou e eu podia ver pelos músculos de seus braços e costas, que ele estava chegando no ápice.

Eu estava com vontade de falar todos os palavrões do mundo nesse exato momento. Porque meu orgasmo veio, e batendo forte, tão forte que eu era capaz de gritar até perder a minha voz.

- Puta merda... – Edward não freiou sua boca dos palavrões como eu, e ainda deu mais umas estocadas, antes de relaxar seu corpo e me abraçar de forma protetora.

Foi difícil recuperar a respiração. E posso falar sem dúvida que essa tinha sido a melhor rapidinha que tínhamos dado em nossa vida. Lembrei das vezes que tínhamos feito isso, e simplesmente não se comparava. Talvez poderia até ultrapassar aquela vez perfeita na parede, com seu uniforme de futebol americano, mas esse momento, esse nosso agora, tinha sido perfeito demais.

Não sei quantos minutos se passaram, mas ficamos ali, trocando carícias, palavras doces e pequenos beijos. Suspirei fundo, me sentindo nos picos e extremos da felicidade, mas afastei nossos corpos, indicando que devíamos nos vestir. Já tinha dado tempo suficiente para Tia Bree voltar, e eu não queria vacilar com a primeira visita de seu "talvez então futuro namorado".

- Sua tia ainda não voltou... – ele riu bem baixo, porém ainda ofegante, dando beijos molhados em meu ombro.

- Alguma coisa me dizia que ela ia demorar... – falei rindo, e dando um beijo em sua têmpora um pouco molhada de suor.

Edward falou alguma coisa sobre "entrar nessa família" que eu não consegui entender, mas quando perguntei, ele desconversou. Me pegou no colo e me colocou com delicadeza no chão, pegando minhas roupas, e não deixando de sorrir.

Ele se abaixou no chão e apoiei minhas mãos em seu ombro, para que ele me vestisse. Subiu a calcinha por minhas pernas, ainda dando beijos em minhas coxas, e depois foi a vez da calça. Achei fofo que ele ajeitou o elástico dela em minha cintura, dando um beijo em meu umbigo, levantando para me ajudar com o resto das roupas. Me virei de costas para que ele colocasse meu sutiã, e fiz um rabo de cavalo com meus cabelos, para auxiliá-lo.

- Sabia que eu te amo? – ele falou assim que terminou de mexer com o fecho e me abraçou por trás, ajeitando meu cabelo em um de meus ombros. – Muito? Como nunca amei ninguém em minha vida? – suas palavras vieram como sussurros, que me preenchiam de felicidade.

- Eu também te amo, Edward. – suspirei. – Sempre te amei. Desde que me entendo por gente. E você não sabe como estou feliz de que você está aqui.

Ele deu um beijo carinhoso em minha nuca, ainda causando sensações incríveis em mim, e era esse tipo de coisa que me colocava na realização de que o resto de nossa noite seria perfeita.

E era a única coisa que eu precisava.


Sorry pela demora! (já tô me tornando repetitiva, né?)

Espero que gostem do capítulo, quero saber suas opiniões!

Um beijão e um ótimo final de semana! 3