Helloooo!
Tô de volta de novo! Terceiro capítulo em um mês (férias suas lindas!)
Obrigada por todos os reviews meninas!
Jenna: pois é, eu também me acho muuuuito má! É a última vez que faço a Lily sofrer, juro! Hahaha! (de resto, foi a JK né)
Nathalia: Mais um capítulo rápido, uhu! Vou tentar aproveitar minha última semana de férias pra escrever ainda mais ;)
Lais: obrigada por comentar! A Dorcas vai surpreender mais um pouco nesse capítulo também (além de outras surpresas hehe)
Guest: Olá! Essa música já teve no cap. O Poder de Madonna, dá uma olhada ;)
Espero que gostem desse capítulo! Ah, e não se preocupem, esse não é o último ainda. Apesar do título, faltam mais dois e o epílogo, ok?
Beijos!
O fim da jornada
Sophie:
- Pessoal, está na hora de compor! – Mister D entrou na sala totalmente animado, e gritamos de animação de volta.
- Meditando para ganhar inspiração – John disse, fechando os olhos.
- A competição final está próxima. Sendo a última, temos que fazer bonito. Temos que empatar a todo o custo – ele disse, escrevendo "competição final" no quadro. – E nós podemos fazer ela ficar perfeita... compondo!
- Vai ser incrível – Alice cantarolou, enquanto vibrávamos.
- Professor, só uma pergunta – ergui a mão. – Caso empatemos... O que vai acontecer?
- Bom, provavelmente vamos ter que fazer um número relâmpago – Mister D explicou. – Mas temos vários na manga que já fizemos antes, como One, Hello Goodbye, entre outros.
- Moleza – Dorcas comentou. – É só eu fazer um solo que teremos a vitória garantida.
Maria bufou, e começamos a compor antes que uma nova discussão desagradável começasse.
Como da outra vez, pensávamos em ter uma música com a colaboração de todos. Uma frase de um, outra frase de outro, alguém com uma rima que fizesse a combinação perfeita. E também teria as composições individuais, pra quem quisesse. A melhor ganharia um solo (será que Lily acertaria mais uma vez?).
Não estava muito inspirada pra isso. Preferi ajudar bastante a música principal. O tema foi bem difícil de escolher, mas Mister D tinha uma base para nos ajudar. Era um som bem animado, mas era difícil achar uma letra que combinava com o ritmo.
Passamos os dias seguintes nisso, afinal, não tinha mais coisas pra fazer além de ter o coral à mente. As aulas já haviam acabado, e tínhamos essa semana para aproveitar o castelo e os amigos. Os exames também já tinham passado, com a benção de Merlin.
Porém, nós do coral já estávamos atarefados mesmo assim. Alice com a correria dos vestidos (não só os da competição, mas também os da formatura de domingo). John, Franco, Emelina e Mister D bolavam a melhor coreografia. Era difícil encontrar alguma tão boa quanto a da Sonserina, porque eles simplesmente detonavam nisso. O resto de nós praticava o vocal e compunha, e assim todo mundo ali estava fazendo sua parte. Bom, talvez Dorcas seja uma exceção...
- Estou preparando minhas cordas vocais – ela justificou, quando Emelina disse que ela estava só estorvando.
- Se você não compuser, nem versos você vai ganhar – falei, e só assim ela foi ajudar.
Ninguém parecia estar preparando alguma composição pessoal, ou pelo menos não estava deixando isso visível.
- Então Lily, não teremos mais uma linda música feita por você dessa vez? – perguntei, e ela riu.
- Eu até poderia fazer, mas não quero chorar no palco – ela disse, mordendo o lábio, se referindo à perda dos pais. Ninguém gostava muito de tocar naquele assunto. – Mas você poderia fazer, hein So?
- Eu? Ah, não tenho o dom – dei de ombros. – Sou boa de rima, não de letra.
- Boa de rima é bom o suficiente – ela sorriu. – Você poderia compor alguma coisa sobre... Uma despedida de Hogwarts, talvez? Daria algo bem melodramático.
- Não sou tão boa assim – repeti, e Lily riu.
Enquanto isso, toda a escola só falava da competição que se aproximava na sexta. Todo mundo falava que a Sonserina estava treinando para o mais perfeito dos números, enquanto a Grifinória estava fazendo absolutamente nada. Deixamos que eles continuassem a falar isso, para serem surpreendidos depois.
- Eu que espalhei isso – Dorcas confessou depois. – Falei com um garoto da Corvinal enquanto um grupo de fofoqueiras da Lufa-Lufa passava, falando que eu estava preocupada com o desempenho terrível de todos e a falta de preparação. Não precisam me agradecer, eu sei que sou incrível.
Continuamos a compor, ao mesmo tempo em que treinávamos um pouco da coreografia e também dávamos ideias para ela. A sala de música virou uma sala de estudos, praticamente.
Acho que todo mundo estava se esforçando mais naquela hora do que numa aula de História da Magia. Mas até que isso chegava a ser óbvio.
David:
- Um, dois, três, quatro! – John dizia, ensinando os passos aos outros ali, em cima do palco. – Pro lado, gira, perna direita, pulo pra esquerda!
- Nunca pegarei esses passos na vida! – Sean disse, ofegante. – Minha perna não se move quando eu quero, e minha coordenação motora é uma droga.
- Talvez se você mexesse mais seu bumbunzinho jovem você teria resultados – Dorcas disse.
- Você consegue, Sean! – Lily o apoiou.
- Afinal, por que estamos já treinando os passos? Não terminamos nem uma estrofe da música ainda, e a aquele segundo verso ficou um lixo – Dorcas reclamou.
- Ei! Eu que fiz! – Beth protestou, e Dorcas nem deu bola.
- Nós já temos o ritmo, Dorcas – expliquei. – É o suficiente para já treinarem a coreografia. Acho que a letra não faz diferença.
Continuei a observá-los treinando, quando Nina chegou ao meu lado, me oferecendo feijões de todos os sabores.
- E então, como está indo? – ela perguntou.
- Estou nervoso – suspirei. – Dá para ver que ele estão dando o melhor de si, mas a Sonserina é extremamente talentosa quanto a dança e... Não vencemos ela nenhuma vez, desde que ela entrou para a competição no lugar da Lufa-Lufa.
- Pra tudo tem sua primeira vez, Dave – Nina disse, calmamente. – E que Merlin nos ajude que seja essa.
- Não sei – suspirei novamente. – Eu quero muito que eles ganhem. Principalmente para aqueles que estão se formando. Não quero que saiam daqui com essa derrota.
- E não vão. Você tem que acreditar neles, para que eles acreditem em si mesmos também – Nina pegou em minha mão. – E você tem que acreditar em você também, sendo o excelente professor que você sempre vem sendo.
- Obrigado, Nina – sorri para ela, agradecendo mentalmente por ela estar ao meu lado. – Espero que dê tudo certo, só assim pra gente conseguir ganhar da equipe de Julian...
- Ouvi meu nome? – o mesmo apareceu sabe-se Merlin da onde, fazendo Nina se assustar e derrubar os feijões pelo chão.
- Pelos calções de Merlin, Julian! – ela exclamou.
- O que está fazendo aqui? Estamos em treino! – falei, alarmado, ao mesmo tempo em que todos paravam de dançar no palco para observar. – Está tentando no espionar?
- Espionar? Pra ver o que? Os passinhos medíocres dos seus alunos? Não, obrigado, não invejamos isso em vocês – Julian jogou o cabelo de lado. – Só quis ver se o auditório estava livre, mas pelo visto não.
- Deixei um recado na sala dos professores – rosnei, irritado.
- Ops, nem vi – ele soltou um risinho. – Meus alunos usarão mais tarde, sendo assim. Será o último treino antes da competição, então podemos esperar.
- Último treino? – Nina questionou. – Mas ainda estamos na segunda!
Julian riu, e apertou a bochecha de Nina.
- Será que a gravidez está atrapalhando sua linha de raciocínio? O coral da Sonserina está treinando esse número final há meses, estão até cansados de dançar a mesma música! Foi escolhida há meses, também, especialmente para a competição final. Jessie seria o cantor principal, mas como ele saiu tivemos que arrumar alguém logo.
- Gravelle.
- Não achamos coisa melhor – ele disse com desdém. Estava ainda mais estúpido do que antes, se isso era possível. – Em todo o caso, um bom treino pra vocês. Talvez com o resultado da sexta vocês aprendam a não deixar as coisas pra última hora. Au revoir!
E se afastou, mas não antes sem jogar o cabelo de lado.
- Como eu odeio o seu irmão – Maria comentou, do palco.
- Tirou as palavras da minha boca, Maria – Nina disse.
Depois de olhar extremamente irritado – e também preocupado – para a saída do auditório, mandei todos voltarem ao treino. Percebi que haviam ficado ligeiramente desanimados depois do que Julian havia dito.
- Seu irmão não ajudou em nada, não foi? – Nina comentou, tristemente.
- Estou com medo do que teremos por vir.
Ficamos um pouco em silêncio, apenas observando eles treinando – e ao mesmo tempo se divertindo.
- Mas ele não podia estar falando a verdade, podia? – Nina voltou a falar. – Estão com o número pronto há meses? Eles nem sonhavam que entrariam na competição antes!
- Na verdade, tenho uma teoria – falei, ainda sem tirar os olhos do palco. – Os sonserinos nunca deixariam de participar de alguma competição, então desde o começo do ano, quando Dumbledore anunciou que haveria uma competição de corais no castelo, os membros da Sonserina montaram um coral secreto, assim por dizer. Treinavam sempre, enquanto eu e você travávamos uma batalha. Acho que sabiam que podiam entrar a qualquer momento na competição – suspirei, voltando meu olhar a Nina. – Eles são espertos, então estão um passo à frente de nós.
Nina franziu a testa, pensativa.
- É... Pode ser.
- Tenho quase certeza disso. Mas tudo não deixa de ser injusto, também.
- David... – ela segurou minha mão novamente.
Ergui minha cabeça para olhar em seus olhos, e vi ela sorrir mais uma vez.
- Eu estarei ao seu lado, e estarei lá pra quando vocês conquistarem a vitória – ela falou, como se não tivesse ouvido o desdém de Julian ou meu depoimento pessimista.
- E se nós...
- Vocês vão – ela interrompeu, rindo. – Pare de ficar pra baixo, você é o treinador deles! Agora você tem que ser positivo, animado e nunca, nunca deixarem eles de lado. Ouviu bem?
Soltei uma risada baixa.
- Acho que eu consigo fazer isso.
- Muito bem – ela riu junto a mim. – Mas agora eu vou pra cozinha, estou estranhamente faminta – ela acariciou a barriga. – O bebê mal cresceu e eu já estou devorando tudo o que encontro. Isso é bom?
- Depende do ponto de vista – falei. Ela riu novamente, me deu um beijo e foi em direção a saída.
Fiquei a observá-la, e uma mistura de pensamentos veio à minha cabeça. Pensamentos sobre o futuro, pensamentos sobre tudo o que iria acontecer depois de tudo isso... E, inevitavelmente, Nina estava presente em todos eles.
Lily:
- VAMOS FOFOCAR!
Fiquei surda com o grito agudo de Dorcas, assim que ela entrou no dormitório. Havíamos marcado a última festa do pijama nossa em Hogwarts para aquele dia, e Dorcas estava doida pra papear com seus assuntos sem importância mais uma vez.
Estavam presentes além de mim e Dorcas: Maria (cortando Dorcas o tanto que podia, e Dorcas surpreendentemente não retrucando de volta), Alice, Sophie, Emelina, Beth e Sean. Pedimos para que Louise se juntasse a Audrey e Geovana no outro quarto, e ela educadamente aceitou.
- Dorcas, estamos aqui pra compor, não pra fofocar – Emelina disse, com os pergaminhos em mãos.
- E fofocar – Dorcas disse. – O que é uma festinha do pijama sem fofocas? Nada, nadica!
- Pra que fofocar se você não tem mais aquele jornal idiota? – Maria falou despreocupadamente, mastigando uma varinha de alcaçuz.
- Você pode xingar a mim, xingar minha mãe e minha caligrafia, mas nunca, jamais, insulte duas coisas: meu jornal e meu cabelo! – Dorcas xingou, quase gritando.
- Se vocês forem brigar, me avisem. Assim já tiro um cochilo – Sophie falou, ajudando Emelina com os pergaminhos.
- Gente, tenho que concordar com Dorcas dessa vez, somente dessa vez – Beth disse, deitada em sua cama. – Não vai ter graça todas aqui e não fofocarmos nem sequer um pouquinho.
- Obrigada, Elizabeth – Dorcas agradeceu.
- Não agradeça, Dorcas. E não se acostume.
- Já sei – Alice disse, alegremente. – Vamos falar de garotos!
- Você namora. Não tem graça – disse Dorcas.
- E você dorme com namorados alheios. Acho que também não deve ter graça – Maria cortou.
- Vou te ignorar em três, dois, um... – Dorcas voltou a olhar para Alice. – Então fale, Alice. O que quer dizer sobre seu namorado?
Alice fez uma cara chateada.
- Infelizmente não tenho novidades...
- Eu disse – Dorcas rolou os olhos.
- ... mas vocês devem ter, certo? Nossa formatura será épica, principalmente o baile! Não passaremos sozinhas, certo?
- Certo. Passarei com as minhas amigas solteiras – Maria falou, desanimada, pegando mais varinhas de alcaçuz. – Isso se meu namorado não tivesse...
- Dormido com a Dorcas, sabemos – foi Dorcas mesmo que disse. – Já está irritando com seu mesmo discurso.
Maria virou a cabeça para Dorcas com um olhar fulminante, e soltou um dos piores palavrões de seu dicionário.
- Depois dessa poluição sonora de Maria, não podemos deixar de constatar que falar de meninos é uma péssima ideia – falei, olhando para Maria com cautela.
- Você está querendo fugir desse assunto, Lily queridinha, porque não quer falar sobre James – Dorcas soltou uma risadinha maliciosa. – E então, quando vão se acertar?
Corei. Pelo visto eu havia me esquecido como controlar aquilo (eu geralmente pensava em coisas avulsas para evitar que o sangue chegasse ao meu rosto, e depois de um tempo passou a funcionar). E então eu me lembrei do acordo que eu havia feito com Sirius, e aí piorou tudo. Depois de tudo pelo o que eu passei dias atrás, eu havia totalmente esquecido do assunto. E Sirius também, obviamente, mas eu não o lembraria. Não estava disposta a pensar em James, pelo menos até o final da competição.
- Nem vou te responder, Dorcas – falei simplesmente, depois de muito pensar.
- Ah, por que não? – Dorcas se ajoelhou ao meu lado. – Ainda pensa nele? Sonha com ele? Olha pra bunda dele? Dorme com o casaco dele?
- Como você sabe... – agora sim, uma tremenda beterraba. – Alice!
- Desculpa, Lily! – ela mordeu o lábio. – Já faz tanto tempo que eu sem querer deixei escapar...
- Argh – bufei, me odiando por ruborizar. – E que história é essa de olhar pra bunda dele?
- Colega, você nunca olhou pra bunda do James? Nem quando namoravam? – Dorcas quase estava chocada, se não fosse pelo sorriso questionador.
- É claro que olhei – confessei.
- E não olha mais?
- Dorcas e sua inconveniência – Maria suspirou.
- Olha ou não olha? – Dorcas pressionou.
- Não ando tendo tempo.
- Tire uma foto!
- Dorcas! – bufei, enquanto as outras davam gargalhadas.
- Uma boa ideia essa. Por que será que nunca pensei nisso? – Alice disse, ainda rindo.
- Eu teria vários retratos, mas é difícil tirar disfarçadamente com um trambolho daquele – Dorcas deu de ombros. – Quando inventarem uma máquina mais moderna, quem sabe.
- E você ainda sugerindo que eu tire uma da bunda do James – eu disse, ruborizando mais uma vez, só de imaginar aquela cena.
- É só você pedir pra ele. Tenho certeza que ele não recusaria – Dorcas deu de ombros. – Ah, tantos traseiros bonitos nesse castelo... o de Sirius é bem bonitinho, e o de Amos Diggory então... uau!
- Que tarada, Dorcas! – Sean disse, mas não deixando de se divertir.
- Todo mundo tem seu lado tarado, colega. Por que nós, garotas, não podemos ter? O que é bonito deve ser admirado, claro que deve! – Dorcas fez um gesto com a mão. – Ou acha que entre eles não há comentários de nossas bundas e seios? Beth, você, principalmente.
Beth sorriu orgulhosa.
- Ok, vamos parar um pouco de falar de garotos e bundas e pensar mais um pouco na composição da música? – Sophie disse, olhando tristemente para os pergaminhos. – Sean, uma ajuda, por favor!
Sean sentou ao lado de Sophie e Emelina, e começaram a murmurar algumas sugestões na letra.
- Eu iria aí ajudar vocês, mas não estou a fim – Beth disse. – Meu cérebro já trabalhou muito, e acabei chegando na conclusão que não sou boa nisso.
- E eu vou é dormir – Maria disse, já ajeitando as cobertas.
Quando Dorcas começou a falar mal de Stanton, xingando-a de todos os adjetivos sujos e animais possíveis, vi que era melhor eu ir ajudar Sean e os outros. No final da noite, havíamos terminado duas estrofes. Mostraríamos para Mister D amanhã.
Dorcas acabou cochilando quando enjoou de falar mal da cor de cabelo de Stanton, e aos poucos todo mundo foi adormecendo. Acho que fui uma das últimas.
Me peguei pensando em James. Isso geralmente não era bom. Quero dizer, era. Mas ao mesmo tempo não era. Não consigo explicar... É James! Tudo relacionado a ele não fazia sentido algum!
Droga. Vou parar de pensar nele, senão não consigo dormir.
Ou ao contrário.
Droga.
Argh.
Droga.
Sean:
- Sean! Ei, Sean!
De todas as pessoas que eu imaginava que estaria me chamando, ela seria a última.
- Jenny, oi! – falei, sorrindo, quando ela se aproximou.
Eu tinha que reconhecer que infelizmente Jenny e eu havíamos nos afastado nos últimos tempos, bem diferente de toda a nossa união que costumávamos ter. Não sei se foi porque talvez ela não aceitasse muito que eu (e agora Benn) havíamos assumido nossa homossexualidade, ou se ela não gostava de ver eu com Lily (ciúmes, talvez?). Mas devo levar em conta também que toda vez que conversávamos ela fazia questão de alfinetar todos os meus amigos, o que não era legal. Nossas conversas nunca mais foram as mesmas. E, mesmo assim, eu fiquei muito feliz ao ver que ela ainda lembrava de minha existência.
- Como você está? – perguntei, simpaticamente.
- Estou ótima, apenas descansando antes de ir embora, como todo mundo – ela sorriu. Parecia de bom humor. – E quanto a você?
- Melhor do que nunca. Treinando bastante para a competição – falei, mostrando os pergaminhos que segurava.
- Ah, sim. Todos estão muito ansiosos para a competição – ela disse, tal como uma conversa despreocupada devia ser. – E eu estarei lá pra torcer por você.
Definitivamente, eu não esperava por aquilo. Jenny riu quando fiz uma expressão surpresa.
- Ahn... Obrigada, Jenny – sorri.
- Eu sinto muito, Sean – ela disse, quando começou a caminhar ao meu lado, pelo corredor. – Andamos muito afastados, e como eu conheço você desde criança... Não quero perder essa amizade.
- Concordo totalmente, Jenny. Estou muito feliz por você pensar assim também – falei, e foi aí que ela estendeu o braço. Entrelacei o meu e continuamos a caminhar.
- Você se lembra quando recebi minha carta de Hogwarts? Foi naquele dia em que nossos pais e os pais de Benn tomavam café da manhã. Minha mãe fez uma cara assustada, já que nem imaginava que bruxos existiam. Todo mundo ficou me olhando como se eu fosse uma abominação, enquanto você e Benn comemoravam – ela riu, e eu também. Como me esquecer daquele dia? Foi a primeira vez que ouvi a menção de bruxos na vida, e nunca imaginaria que eu seria um também. – Eu fiquei com muito medo no primeiro momento, e vocês com um pouquinho de inveja. Um ano depois Benn recebeu a carta, e você também... Nossos pais nunca ficaram tão chocados com aquela coincidência.
- Eu estou chocado até hoje, acredite – rimos novamente. – Como eu fui o último, fiquei triste porque vocês dois eram bruxos e eu não. Foi um alívio quando minha carta chegou.
Ficamos andando por aí e relembrando coisas do passado, e também o que havíamos vivido no castelo. Afinal, Jenny também se formaria nesse ano. No final acabei até me esquecendo das composições e as preocupações com a competição. Era bom relaxar um pouco.
Depois Jenny se despediu de mim, desejando boa sorte e um beijinho no rosto. Aquilo me deixou feliz. É bom saber que não havíamos nos afastado de vez.
E, pra completar tudo, Benn veio falar comigo depois, enquanto eu estava na biblioteca compondo. Fiquei ainda mais feliz.
- Acho que você é a única pessoa desse castelo que está na biblioteca – ele sussurrou. Soltei uma risada baixa.
- E então por que você está aqui? – sussurrei de volta. Benn sorriu.
- Te segui. Ia te dar um susto, mas fica difícil quando se tem Madame Pince dando uma de guarda bem na porta da biblioteca – ele deu de ombros, se sentando na cadeira de frente a mim. – E aí, nervoso para a competição?
- Muito – soltei um suspiro.
- É, eu também estaria – ele disse, sorrindo. – Mas fique tranquilo. Vocês são ótimos, senão eu é que estaria na final contra a Sonserina.
- E por falar na competição, Jenny veio me dar boa sorte hoje – falei, e Benn ergueu as sobrancelhas.
- Sério? Tem certeza que era Jenny? – ele perguntou, e eu ri baixo. – Verificou se não era algum aluno que havia tomado uma Poção Polissuco...?
- Era ela. Também fiquei surpreso, e também muito feliz.
- É, isso é ótimo – ele falou, pensativo. – Talvez a TPM dela passou, depois de tantos anos.
Tentei não gargalhar, e por pouco não consigo. Benn ria baixo.
Benn também me desejou boa sorte, e aí eu tive a segunda surpresa do dia. Benn deslizou sua mão sobre a mesa até a minha, e me olhou de um jeito que nunca havia olhado antes.
- Dê o melhor de si, Sean.
Apenas assenti, ainda perplexo. Benn se afastou, me dando um sorriso antes de sumir.
Oh Merlin, o que foi aquilo?
Demorei um pouco para entender: eu, Sean McBouth tinha acabado de ganhar uma cantada de Benn!
Só não gritava de felicidade porque Madame Pince estava de olho em mim, senão...
Emelina:
- Oi, James! – sorri assim que me sentei ao seu lado no sofá, na sala comunal.
- Olá, Lina – ele disse, sorrindo de volta.
- O que está fazendo aí? – espiei em seus pergaminhos. Ele pareceu sem graça.
- Ahn... Nada – ele sorriu. – Algumas composições.
- Individuais? Ah, eu estou tentando compor também – falei, me balançando, nervosa.
- Alguma coisa errada, Lina? – James me olhou, cautelosamente. – Parece... Ansiosa.
Olhei para ele e sorri, sem graça. Soltei então um suspiro.
- Eu preciso falar com alguém sobre isso, e acho que você pode me ajudar. Pensei em falar com Sophie ou Alice, mas as meninas tendem a espalhar assuntos mais rapidamente, você sabe – falei, suspirando novamente.
- Pode falar. Estou te ouvindo – ele disse, prestativo. Nunca havia percebido o tanto que ele era legal.
O problema era: como começar aquele assunto? Comecei a pensar, enquanto James esperava, de sobrancelhas erguidas, totalmente curioso. Céus, como estou nervosa!
- Bom, é... – pensa, Emelina! – Como é a paixão?
Que droga de pergunta, Emelina! Como você é burra, garota!
- Hã? – James franziu a testa.
Segunda chance, vamos lá. Pensei e pensei, então tirei um sapo de chocolate do bolso e comecei a comer. Talvez isso ajudasse.
- Hum – engoli o chocolate, percebendo que ajudou. Eba! – Você sabe que eu já namorei Benn, e pelo que eu saiba o que eu sentia por ele era mais... atração. Não sei se um dia cheguei a amá-lo, e eu tenho certeza que ele nunca me amou. Foi um relacionamento muito estranho e uma perda de tempo total, você sabe... Mas onde eu quero chegar é...
James esperou, sempre sorrindo gentilmente.
- Como é estar apaixonado, afinal? – soltei de uma vez, com boca cheia e tudo. – Como você se sente, o que você... Como é? Eu sei que você sempre sentiu isso pela Lily e eu sei que é uma coisa bem forte. Talvez você possa me explicar.
James riu, balançando a cabeça.
- Se apaixonar... Pra alguns é a melhor coisa do mundo, pra outros é a pior coisa que pode acontecer – ele disse, colocando seus pergaminhos de lado. – Lina, quando você se apaixona por alguém, você não percebe de cara. Você... Fica bobo. Extremamente bobo.
Não ajudou, já que eu sou naturalmente boba.
- E? – perguntei.
- Você começa a pensar muito na pessoa, sem perceber, e deseja estar com ela o tempo todo. Tenta chamar a atenção, caso ela não ligue muito pra você – ele riu, olhando para a frente, pensativo. Provavelmente Lily estava em seus pensamentos. – Você fica pensando no que ela poderia estar fazendo, no que ela poderia estar pensando... E, acima de tudo, você faz de tudo pra fazê-la feliz, já que está feliz só de estar ao lado dela.
Muito bem, vamos ponderar. Eu ando pensando muito naquela pessoa? Ah, sim, sem dúvidas. Ando até sonhando com ela! Quero estar ao lado dela? Digamos que estou muito magoada por não estar conversando com o indivíduo no exato momento. Se quero chamar a atenção dele pra mim? Bom, ele anda me ignorando e isso está me deixando louca!
- Por quê pergunta isso, Lina? – James já havia parado com seus devaneios e chegou pra cortar os meus. – Está se apaixonando por alguém?
- Não, não... – menti, dando uma risada sem graça (que saiu estranha, por sinal).
- Sim, você está! – James riu, e eu ruborizei. – Não fique assim, Lina. Não é algo pra se envergonhar, e também não sairei por aí espalhando. Mas quem é a pessoa?
Mordi o lábio. Se eu abrisse a boca, o nome da pessoa sairia automaticamente.
- Lina? – James perguntou novamente, todo sorrisos.
- Não, não é uma coisa boa! – falei, aborrecida, tentando não soltar o nome. – É horrível, James! É horrível!
- Por que diz isso?
- Porque... – soltei um suspiro pesado. – Porque eu magoei demais essa pessoa. Quero dizer, eu não a magoei diretamente, na verdade foi sem eu saber. E agora eu sei de tudo, e não sei se ela me aceitaria.
- Mas é claro que te aceitaria, Lina, por que não?
- Porque eu estava com Benn, e essa pessoa estava sempre lá, na esperança, e eu... – afundei meu rosto nas mãos. – Eu não percebi.
- Ora, isso não é uma coisa ru... – James parou de falar, e então sua voz saiu surpresa. – Por Merlin, é de Aluado que está falando?
Ergui minha cabeça tão rapidamente que senti meu cérebro se deslocar.
- Não! – neguei rapidamente, mas não adiantou nada: corei.
- Emelina, finalmente! – ele me abraçou, rindo alegremente. – Vai contar pra ele?
- O quê? Não!
- Acabou de confirmar – James fez um gesto da vitória. Droga, eu sempre caía nessa!
- James, eu não sei o que eu faço – choraminguei. Como diz o ditado: se já está no inferno, abraça o capeta. – O que eu faço, James? O que eu faço? Acho que o Remo me odeia!
- Te odiar? Isso é a coisa mais impossível de acontecer, Lina – James riu. – Fala pra ele. Mas fale a verdade, exponha tudo o que sente. Você tem que convencê-lo de que está sendo sincera.
Continuei a encará-lo, esperando por mais dicas.
- Como? – perguntei, já que ele não falava mais nada.
James suspirou, ainda sorrindo.
- Olha, Lina, Remo está na esperança por muito tempo. Já ficou muito magoado por tudo e está muito ferido... – disse James. – Seja convincente. Seja verdadeira com ele, e tudo dará certo. Você vai saber o que fazer.
Ser convincente. Ser sincera. Honesta. Expor meus sentimentos. Na teoria não parecia difícil, já na prática...
Mas eu precisava ter coragem. Eu diria a Remo. E seria hoje.
E seria agora.
Remo:
Jantar no Salão Principal. Estavam todos juntos – exceto por uma pessoa a qual me senti aborrecido por sentir falta –, aproveitando os últimos jantares em Hogwarts. Em menos de uma semana tudo aquilo terá simplesmente acabado...
- Eu odeio a Stanton – Dorcas dizia, e todo mundo resmungou, exaustos daquelas mesmas palavras todo santo dia. – É sério, gente. Aquela garota não é desse mundo, ela é maligna! Vocês acham que eu sou uma vaca? Pois ela me supera e é muitas vezes pior!
- Então é por causa disso que você odeia ela? – Sirius perguntou, de boca cheia. Eu e os outros rimos.
- Também! E por ter roubado meu... Meu jornal! – ela fingiu choramingar, depois parou no segundo seguinte. – Vocês não tem raiva dela? Ela falou mal de vocês no jornal também!
- Se fôssemos ligar pra tudo o que lemos naquele jornal... Era pra eu já ter é me matado – Sophie disse, se servindo com suco de abóbora.
- De fato – James concordou.
- Vocês são uns bocós – Dorcas disse, torcendo o nariz. – Mudando de assunto, por enquanto, cadê a Emelina?
- Deve ter se perdido de novo – John disse. – Esses desmemoriados...
Alicia lhe deu uma cotovelada.
- O que tem contra nós, John? – ela disse, com sua voz fininha. Seus cabelos hoje estavam verdes, iguais aos da mãe. Sinal que estava feliz.
- Nada, nada...
- Combinamos de jantar juntos todos os dias, agora! Ela não podia ter faltado – Alice disse, magoada.
- Ah, Emelina sempre foi uma tratante – Dorcas deu de ombros. – Remo que o diga...
- Eu e o mundo inteiro já aprendemos a te ignorar, Dorcas – respondi simplesmente.
- Ah, olha ela chegando aí! – Lily disse.
Lá vinha ela, e não sorrindo alegremente como costuma a fazer, e sim parecendo nervosa. Previ más notícias...
- Demorou, Lina – Sophie disse. – Onde esteve?
Ela não respondeu. Ficou encarando a todos, e depois olhou para James.
- Emelina? – Sean perguntou, e ela então respirou fundo.
- Tenho algo a dizer – ela disse, num tom alto. Sua voz saiu trêmula.
- Por que está gritando, criatura? – Dorcas franziu a testa.
- Tenho algo a dizer! – ela disse ainda mais alto, e o Salão inteiro ficou em silêncio, inclusive os professores.
- Emelina...? – Sophie perguntou, surpresa.
- Ela está drogada? – ouvi Dorcas perguntar pra alguém.
- Ahn... – ela olhou para todos os lados, nervosa com todos os olhos postos nela. Tentei entender o que se passava, e fiquei imaginando se era algo relacionado à pancada que sofrera na cabeça tempos atrás. Acabei por ficar bem preocupado com aquilo, se ela não tivesse voltado a falar.
- Quando eu entrei no castelo, no começo desse ano, nunca imaginei todas as coisas que iriam acontecer – ela dizia, e eu podia ver suas mãos tremendo de nervosismo. – Os novos amigos que eu ia fazer. Amigos muito especiais, que eu somente conhecia de vista, e que acabaram por se tornar minha família.
Vi os outros sorrirem, e Alice prestes a chorar – algo comum.
- Mas eu estou aqui para destacar um – ela disse, calando os cochichos. – Foi o jeito menos legal de se aproximar uma pessoa, tenham certeza disso. Eu me tornei próxima desse amigo, mas infelizmente eu tenho uma péssima percepção das coisas. Não percebi que eu podia ter encontrado a pessoa pela qual eu sempre procurei.
Silêncio total no castelo. Eu havia prendido a respiração, e sentia os olhares de meus amigos em mim.
- Ao invés de ter percebido, fui procurar a pessoa mais desnecessária para namorar, sem ofensas Benn – ela disse, em direção ao garoto na mesa da Lufa-Lufa. Alguns riram. – Eu demorei muito para perceber, é verdade. Era pra eu ter olhado ao meu redor e visto que o que eu estava perdendo.
Consegui enxergar pequenas lágrimas brotando de seus olhos, enquanto as meninas levavam a mão a boca, mal acreditando.
- Dizem que a pessoa certa pra você é como um pacote com as melhores coisas, e que dentro vem a amizade, o companheirismo, a paixão e tudo o de melhor. Eu acho que eu encontrei meu pacote, mas não sei se ele ainda pertence a mim – ela olhou para as mãos trêmulas, e as lágrimas caíram. – E, um amigo me disse que... Quando se está apaixonado... Você pensa na pessoa o tempo todo, e quer estar sempre ao lado dela. Isso me ajudou um pouco na minha percepção.
Somente uns sonserinos cochichavam alguma coisa pejorativa em sua mesa, mas todos apenas observavam Lina, inclusive eu.
- E eu me apaixonei pelo meu amigo. Talvez tarde demais, não sei. E talvez eu sempre sentisse isso e não sabia, porque eu sou meio lerda – ela deu de ombros. – O caso é... Que eu só queria que ele soubesse que eu estou arrependida de ter sido tão idiota e lerda e burra. Eu queria ter voltado ao tempo e ter aproveitado mais, ter aproveitando todo o pacote.
E, então, Emelina se virou para mim.
- Me desculpe, Remo – ela disse, secando as lágrimas. – Por ter demorado tanto pra perceber.
As pessoas cochichavam, e James e os outros pareciam querer gritar, pois estavam estranhamente vermelhos.
Todos esperavam por minha reação, e eu até estava com medo que Lily ou Alice gritassem comigo para que eu fizesse alguma coisa. Antes que isso acontecesse, me pus de pé. O Salão calou-se novamente.
Me aproximei de Emelina, e observei seus olhos tão vermelhos. Tirei o cabelo do seu rosto, e disse, com um leve sorriso:
- Eu sempre te pertenci, Emelina.
Então eu a beijei, e o Salão explodiu de aplausos e vivas.
Acho que ninguém conseguiria entender o tanto que eu esperei por aquilo, poder finalmente abraçá-la e senti-la correspondendo. Ver seu sorriso enquanto eu acariciava seu rosto. Ver ela soltando um gritinho e pulando em meu pescoço enquanto o Salão ainda comemorava.
Alice já desabava no choro, sendo consolada por Franco. Nossos amigos ficavam de pé para aplaudir e gritar "finalmente!" sem parar.
Eu não tinha mais nada a dizer. Acho que só um "estou me sentindo o cara mais feliz do mundo" já basta.
James:
Devo dizer que a atitude de Lina me deixou bem animado, e até um pouco feliz por ter a ajudado naquilo. Mas, agora, eu precisava usar todos aqueles conselhos para mim mesmo. Com o fim das aulas, percebi que não queria passar os últimos dias em Hogwarts sem Lily.
E então tomei coragem. Não, não ia me declarar para ela (não agora). Eu tinha outra coisa em mente.
- Lily, oi – eu a encontrei sentada numa poltrona na sala comunal.
Ela sorriu.
- Olá, James.
- Bom, eu... Tenho um convite pra te fazer.
- Convite?
- É – me sentei ao seu lado. – Eu compus uma música.
- Individual? Ah, isso é ótimo! – ela disse, animada.
- Sim, e eu já mostrei para Mister D. Ele aceitou, mas... – soltei um suspiro. – Eu não quero fazer um solo. Acho que não é muito normal um garoto fazer o solo na competição, assim, sem ninguém.
Lily esperou, seus olhos brilhando de curiosidade.
- Então eu pensei se... Se você não queria fazer um dueto comigo – falei, mostrando o pergaminho. – É a última competição, e eu simplesmente adoraria cantar com você.
Ela pareceu surpresa, e então sorriu novamente.
- Claro, é claro que eu faço dueto com você – ela disse, me deixando feliz e aliviado. – Mas você vai ter que aguentar falação da Dorcas.
- Já estou acostumado – dei de ombros, e ela riu.
Estendi o pergaminho para ela, e ela foi passando os olhos pela letra. Obviamente eu não diria a ela que ela foi a base para a composição.
- Uau – ela disse, com uma expressão surpresa. – É incrível.
- Espero que seja incrível suficiente para ganharmos.
- Ah, é. Dá pra tirar uma boa coreografia dela – ela disse, voltando a olhar o papel. – Não sabia que você compunha tão bem.
- É, às vezes – falei, e ela sorriu.
- E então, vamos treinar?
Fomos juntos para a sala do coral, e eu fiquei a ensinar os ritmos e os tons que eu havia pensado para a música. Lily aprendeu rápido, e teve momentos em que eu pensei que ela havia percebido o porquê de eu ter escrito aquela canção.
Tal como ela havia dito, Dorcas começou a reclamar quando Mister D anunciou que eu havia feito uma composição individual.
- Sempre Lily e James, Lily e James é o casal principal, sempre e sempre! Afinal, só tem eles no coral!
Até Mister D a ignorou, enquanto Maria a rebatia, dizendo que ela não fazia nada a não ser reclamar.
A composição da outra música estava completa, e então começamos a fazer o ensaio geral. Dorcas finalmente se calou quando recebeu um verso importante da música, junto a Emelina.
Enquanto isso, Mister D e Nina faziam uma coreografia para eu e Lily. Foi uma parte bem estranha, eu tenho que confessar. Ficamos um dia inteiro treinando, no final do dia eu estava quebrado, mas valeu a pena. Era divertido estar ali com Lily, e ela ria toda vez que, sem querer, pisava no meu pé, ou quando algum passo não dava certo. Até que foi um dia bem legal, no final das contas.
- Dançando grudadinho a Lily? Já vi que isso não vai dar certo - Sirius riu, e eu inevitavelmente tive que sorrir.
No dia seguinte os treinos continuaram. Nos reuníamos na sala de música, com medo de que algum sonserino espiasse quando estávamos treinando no auditório.
Quando estávamos descansando, largados pelo chão da sala de música, Emelina pôs-se de pé.
- Eu sei que temos todas as músicas prontas, mas eu estava fazendo uma composição também – ela disse, chamando Remo e Sirius com um gesto. – Nem está terminada, mas eu quero mostrar pra vocês mesmo assim.
- Tem certeza? – Sirius perguntou, meio incomodado.
- Pegue seu violão, Sirius – ela disse simplesmente, e então sorriu para Remo, cantarolando – Meu primeiro dueto com meu namorado!
Sirius pegou o violão, e tanto ele quanto Aluado pareciam incomodados (e com uma expressão como se segurassem o riso).
Sirius começou a tocar, e em seguida veio Emelina.
In the middle of the night, I'm in bed all alone
Don't care if you're glass, paper, Styrofoam
When I need some water, baby
Coffee or Gin
You're the only thing, I wanna put them in
Todo mundo fez uma cara de quem não estava entendendo. Lily comentou baixo comigo que achava que era alguma propaganda de TV.
My cup, my cup
Sayin' "what's up?"
To my cup, my cup
More than a friend then a silly pup
My cup
You know what it is
Sayin' "what's up?"
To my cup
(ahh)
Sayin' "what's up?"
To my cup
(ahh)
Sayin' "what's up?"
To my cup
(ahh)
Sophie e Maria seguravam o riso com muita dificuldade, enquanto Sirius fazia um cara de "eu avisei". Aluado também parecia querer rir.
- E então? – Emelina perguntou, com vivacidade.
- Isso foi um lixo! – Dorcas comentou, sem dó.
- Ahn... Adorei seu... Ritmo, Lina – Mister D disse, sorrindo amarelo. – Uma música bem agitada é sempre bem-vinda. Obrigada por compartilhá-la conosco.
Emelina pareceu muito feliz, e mostrou a língua para Dorcas depois.
Enfim, treinamos pelo resto do dia e, durante a noite, fizemos uma reunião na sala comunal para discutir a respeito de uma ideia que eu e Lily havíamos tido mais cedo, enquanto ensaiávamos nosso dueto. Todo mundo pareceu concordar, e então combinamos de falar com Mister D amanhã.
- Qual ideia?
- Mister D, você vem sempre nos ajudado tanto nos ensaios, nas músicas e na coreografia que então resolvemos dar um pequeno presente para você – Alice disse, animada.
- Como é a última competição, achamos que fosse uma boa ideia um terceiro número – Lily disse, e Mister D fez uma expressão confusa.
- Terceiro número? – ele franziu a testa. – Vocês compuseram outra música?
- Não, e é esse o presente – disse Sophie. – Vamos fazer uma performance de sua música preferida!
Mister D sorriu, quase que emocionado.
- Vocês tem certeza disso? – ele perguntou, rindo. – Porque teremos que treinara ainda mais do que já estamos treinando. Acham que aguentam?
- Com toda certeza! – John falou, indo em direção à porta e assobiando. – E ainda vamos ter mais gente pra nos ajudar!
Moreau voltou a ficar confuso, até que um grupo de pessoas entrou na sala. Ali estavam os outros garotos do time de quadribol, algumas das líderes de torcida, Eric, Alicia e Benn, convidado por Sean e Emelina.
- Será nosso último número. Temos que fazer bonito – Sophie disse, com um sorrisinho.
Os recém-chegados se juntaram a nós, e foi aí que Mister D ficou ainda mais satisfeito. Ficou a observar todo mundo ali, com um brilho nos olhos.
- Certo, então – ele disse, e seu sorriso se alargou. – Vamos fazer bonito.
Alice:
A sexta-feira havia chegado. Todo o castelo estava pura animação, enquanto nós no coral apenas sofríamos. Sofríamos sim, de nervosismo e correria.
Tivemos vários impasses durante o dia. Primeiro que eu tive um tremendo trabalhão com os vestidos. Como as Griffies também dançariam, tive que encomendar mais vestidos, e felizmente tive a ajuda de Nina. Devo dizer que ficaram lindos, cheio de brilhos e camadas de tecido. Mas os problemas desanimaram completamente, como quando o vestido de Beth ficou largo e tivemos de apertar (ela emagreceu pra caramba desde a última medida). E, no caso de outro vestido, ele acabou não entrando em uma das líderes de torcida. Foi uma tremenda dor de cabeça, mas conseguimos acertar no final das contas.
Já os jogadores tiveram problemas no treino. Muitos deles, mesmo depois daquele número no jogo, tinham muita dificuldade para pegar alguns passos. Um deles acabou discutindo com Sirius e até rolou briga. Eles se desculparam mais tarde, mas mesmo assim eles se atrapalharam no treino final. Ficaram treinando pelo resto da noite anterior.
Aí veio o nervosismo e o pessimismo. Lily acordou quase chorando (e eu quase chorei junto), mal querendo comer (James teve que obrigá-la). Dorcas veio trazendo fofocas, que conseguiu dar uma olhada no vestido das sonserinas e que estavam simplesmente maravilhosos.
- Quero um daqueles! – Dorcas choramingou.
- O nosso está tão lindo quanto – defendeu Sophie.
Os jogadores estavam muito pra baixo, e até ficamos com medo de que eles desistissem de participar de última hora. Emelina também estava totalmente pra baixo, e Remo tentava animá-la. Todo mundo estava nervoso ou com pensamentos amedrontados, nada mais que isso.
- Se perdermos acho que vou me atirar da Torre de Astronomia – disse Sean. Está na cara que ele estava andando muito com Lily.
Como o auditório estava sendo preparado para hoje, apenas nos reunimos na sala de música e treinamos pela última vez durante a tarde. Finalmente fizemos todos os passos sincronizados e comemoramos no final do número.
- Eu acredito em vocês, pessoal – Mister D disse, com uma Nina contente a seu lado.
Voltamos para o dormitório sentindo como se fosse outra final de quadribol. Nos corredores só se falava disso. Pessoas já carregavam cartazes e a animação era total. Recebíamos mensagens de boa sorte enquanto passávamos, e sonserinos vaiavam e gritavam ofensas. Filch corria pra lá e pra cá, tentando dispersar tantos alunos andando por aí e aqueles que colavam cartazes enormes na parede. No jantar estava pior. Parece que as pessoas tiraram o dia pra falarem alto, e nós mal ouvíamos uns aos outros enquanto comíamos.
Comecei a me sentir ligeiramente enjoada. Não comi muito – e nem os outros também –, e só queríamos ficar um pouco longe de tanta falação. Nós meninas e Sean nos reunimos em nosso dormitório, e ficamos quietos por enquanto, aproveitando o silêncio.
- Em poucos dias teremos ido embora – Maria interrompeu o silêncio, largada em sua cama. – Não é estranho?
- Sete anos nesse castelo... – Sophie murmurou. – Não sei se estou pronta pra isso.
Mais silêncio. Comecei a chorar, e Dorcas bufou.
- Como você é chorona, garota – ela se colocou de pé. – Vamos deixar isso pra depois, porque, não sei se vocês se lembram, temos uma competição pra daqui duas horas!
Começamos a nos arrumar. Os vestidos vermelhos com brilhos dourados era a única coisa que se via naquele quarto, fora todas fazendo a maquiagem e arrumando o cabelo uma da outra com feitiços. Logo as outras Griffies chegaram, anunciando que todos já tinham ido para o auditório, e o quarto lotou de vez. Uma hora e meia depois, todas estavam prontas.
Quando chegamos ao camarim, já podíamos ouvir a plateia do lado de fora. Senti um frio na barriga e comecei a perceber minhas pernas começarem a tremer. Franco se aproximou.
- Ei, fica calma – ele disse, falando calmamente. – Tudo vai dar certo.
- Eu não quero perder de novo, Franco – murmurei, enquanto Franco me abraçava. – Não quero.
- Não vamos, não se preocupe – ele me consolou, com a voz baixa. – Não vamos, Alice.
É por isso que eu amo meu namorado.
Fiquei um pouco melhor depois disso, e todo mundo começou a sussurrar para si mesmo, talvez rezando, talvez tentando lembrar dos passos e da canção original que havíamos feito.
Bem que Merlin podia nos ajudar agora. Seria o máximo.
Dorcas:
Eu sabia que ela estava no dormitório (tinha ido buscar o laço do vestido que havia esquecido), e foi pra lá que eu fui. Não sei se eu deveria fazer aquilo, mas andei pensando muito nisso, o que não é normal. Eu, Dorcas Meadowes, sou um tipo de pessoa decidida, que tem a resposta na ponta na língua e não pensa a respeito antes de fazer. Eu amo ser assim.
Mas essa era uma ocasião diferente. Não é uma coisa que eu normalmente faria, mas como eu vou deixar Hogwarts daqui a três dias e consequente e felizmente todos os idiotas daqui (com algumas exceções), acho que eu podia fazer isso. Não que eu esteja arrependida (uma Meadowes nunca se arrepende!), mas é para as pessoas verem que eu tenho um coração e mereço pertencer a casa Grifinória (aprenda, Gravelle! Sua traidora! Tomara que você tropece numa escadaria, torça o tornozelo, caia e saia rolando os degraus até o Saguão de Entrada!). Em todo caso...
Confirmei que ela estava lá assim que entrei no quarto. Ela se virou quando ouviu o barulho da porta, e bufou em seguida.
- Fala sério. É a melhor pessoa com quem eu poderia ficar sozinha agora – Maria balançou a cabeça, ainda procurando pelo laço. – Se não ganharmos a competição eu já vou poder declarar esse o pior dia do ano! Quero dizer, descartando aquele dia em que eu vi você e Jason juntos...
E continuou a reclamar, estressando e jogando as coisas por todo lado em busca do laço. Fiquei aguardando ela se acalmar, mas perdi a paciência e fui ajudá-la. Achei o laço em dois minutos, é claro.
- Obrigada – ela disse simplesmente, pegando o laço com desconfiança.
- Não está amaldiçoado, garota – reclamei, enquanto ela ainda me olhava estranho. – Quer que eu amarre?
- O que você quer, Dorcas? – ela me olhou com ódio, mas nem liguei. Eu nunca ligo, aliás. – Me deixa em paz.
E saiu em direção à saída, mas parou quando eu disse:
- Eu não transei com Jason.
Se virou lentamente, com o laço ainda nas mãos.
- O quê?
- Eu não transei com Jason – repeti, não alterando minha expressão. Eu não sou dessas. – Nada aconteceu naquela noite.
Ela continuou a me encarar, esperando que eu desmentisse. Aguardei.
- O-O quê? – gaguejou. – Do que está falando?
- Francamente, Maria, não deu pra entender? Nada aconteceu naquela noite, eu apenas fiz que você pensasse que tinha acontecido.
Ela ficou parada, boquiaberta, ainda olhando para mim.
- Vai ficar assim pra sempre? – suspirei.
- Dorcas, o que aconteceu? – ela perguntou, se aproximando lentamente. – O que aconteceu naquela noite?
Eu esperava que ela não perguntasse, e que somente dissesse "tudo bem" e saísse e beijasse Jason de uma vez, acabando com tudo aquilo. Por que essas pessoas amavam complicar as coisas?
- Eu deixei Jason bêbado – fui direto ao ponto. – Peguei um uísque de fogo de uma garota da Corvinal, que dizia que deixava a pessoa completamente bêbada num estalar de dedos. Eu fiz com que Jason tomasse, e fui pra cima dele...
Maria piorou sua expressão. Isso que nem escutou a história inteira.
- ... mas ele resistiu, Maria. Ele não cedeu – falei, mais séria do que antes. – Disse que tinha namorada. Mas não dei o braço a torcer.
Provavelmente ela havia se esquecido de respirar, então fui falando rápido. Não queria testemunhar uma morte.
- Não tive outra escolha senão dopá-lo com uma Poção do Sono que eu havia pegado por via das dúvidas – dei de ombros. – Ele desmaiou, e só precisei montar a cena. Despi ele, me despi e espalhei as roupas pelo chão, e só dormi junto com dele.
Finalmente Maria voltou a respirar, dessa vez arfando. Sua cara passou de incredulidade para nojo e asco, e eu novamente não me importei.
- Você...! – ela disse, numa mistura de caretas. – Não acredito que você fez isso, Dorcas!
Ela continuou a arfar, e foi aí que se aproximou e deu um tapa forte no meu rosto. Tombei para o lado, quase me desequilibrando. A droga do tapa doeu, porém me acordou um pouco, e até me senti um pouco fragilizada.
- Você é doente, Dorcas! Doente! – começou a gritar. – Como você conseguiu dormir à noite sabendo que armou essa coisa ridícula? Por que você insiste em conseguir felicidade própria destruindo a vida dos outros? Qual é o seu problema?
Ainda acariciando meu rosto – que estava provavelmente estava vermelho – senti a raiva subindo pelo meu pescoço.
- Qual é o meu problema? – ergui minha voz ao mesmo tom do que o dela. – O problema, Maria, é que eu também mereço ser feliz! Também mereço ter alguém, mereço fazer duetos românticos, mereço ser amada!
Ela não respondeu, e senti, com irritação de mim mesma, uma lágrima descendo. Me convenci de que era uma lágrima de raiva.
- O que...
- Como você acha que eu me sinto vendo que todos os meus amigos tem alguém, estão ou pelo menos estiveram apaixonados? – gritei, minha voz saindo rouca por causa do choro. – Você e Jason, Lily e James, Sophie e Sirius, Alice e Franco, Remo e Emelina e até o John! Eu sou a única, a única, Maria, que nunca foi amada! Eu sou a excluída, como Stanton disse, eu não tenho ninguém!
A expressão de Maria mudou subitamente para... pena. Odiei aquilo. Odiei a mim mesma. Por que eu estava dizendo aquilo?
- Eu sou Dorcas Meadowes – murmurei, virando as costas e secando as lágrimas. – Eu não preciso de ninguém, eu não posso chorar...
- Dorcas... – Maria disse, me fazendo voltar a encará-la. – Eu sinto muito por você, eu...
Foi minha vez de querer estapeá-la. Aquela cara de dó estava me deixando louca. Ninguém tem dó de mim! Ninguém!
- Dorcas, você vai encontrar alguém – Maria disse, calmamente. – Não precisa sair acabando com relacionamentos pra isso. Alguém vai aparecer na hora certa...
- Não – balancei a cabeça, ainda secando meu rosto. – Eu sempre sonhei em me formar completamente realizada, em tudo, sabe? Mas eu não tenho nada. Tudo o que eu sempre quis simplesmente não aconteceu.
- Mas...
- Chega disso – interrompi, e tentei parar de fungar. – A Sonserina logo vai apresentar, e eu não quero perder.
Caminhei até a saída do dormitório, mas antes virei para ela.
- Jamais conte o que aconteceu, pra ninguém – pedi, e ela assentiu. – Apenas... Vá ficar com Jason.
E fechei a porta atrás de mim. Respirei fundo e ergui a cabeça.
É, Dorcas Meadowes... Você não anda muito bem.
David:
Dorcas e Maria foram as últimas a se juntarem a nós no meio da plateia – provavelmente houve mais uma briga. O número da Sonserina estava prestes a começar, depois de a voz invisível ter anunciado que estavam prontos.
Nina segurou minha mão e a apertou firme quando as cortinas se abriram. Vislumbrei somente um holofote, posto numa garota que rapidamente reconheci como Gravelle.
All my life I've waited for the right
Moment to let you know
I don't wanna let you go!
But now I realize there's just no perfect time
To confess how I feel,
This much I know is real!
So I refuse to waste one more second
Without you knowing my heart
A cara de espanto de Nina refletia a minha, assim como a dos outros: eles também haviam feito uma canção original!
Baby, 'cause I don't need anything else but your love!
Nothing but you means a thing to me, I'm incomplete!
When you're not there, holding me, touching me,
I swear all of the rest could just disappear
And I wouldn't even care, as long as you're there!
Não demorou muito para que os outros alunos chegassem e começassem a dança. Ah, aquela tão temível dança! Passos perfeitos dignos de bailarinos profissionais, seguindo o ritmo da música e não errando nem um passo sequer. Senti algo se revirar em meu estômago.
Take these words,
Don't let them go unheard,
This is me reaching out
I hope you can hear me now!
'Cause baby, my heart says stay
Take it, it's yours to break
I'd rather try and lose
Than keep this love from you!
Yeah!
So I refuse to waste one more second
Without you knowing my heart!
Gravelle continuava no centro do palco, mandando ver na voz principal. As garotas da Sonserina tinham um lindo vestido com cores peroladas – consegui entender o desespero de Dorcas – e o número fica ainda mais bonito. Engoli em seco e olhei para meus alunos, vendo suas caras desesperadas e chorosas. Eu também jurava ter ouvido algumas pessoas da plateia fungarem com aquilo.
Baby, 'cause I don't need anything else but your love!
Nothing but you means a thing to me, I'm incomplete!
When you're not there, holding me, touching me,
I swear all of the rest could just disappear
And I wouldn't even care, as long as you're there!
Each day and night that I kept this a secret
It killed me, it's time to share what I feel inside!
Meu desespero foi maior quando Gravelle estendeu a nota – um dos meus maiores temores – fazendo com que grande parte dos presentes ficassem de pé para aplaudir. A dança fica ainda mais ritmada (Julian realmente caprichou na coreografia dessa vez), e tenho também que confessar que a letra foi bem elaborada.
Olhei em direção aos jurados – entre eles Linda – e fiquei ainda mais preocupado ao ver suas expressões satisfeitas e emocionadas.
Oh, I don't need anything else but your love
Nothing but you means a thing to me, I'm incomplete!
When you're not there, holding me, touching me,
I swear all of the rest could just disappear.
And I wouldn't even care, as long as you're there!
As long as you're there!
E a última nota fez meus pelos da nuca arrepiarem, e a plateia vibrou ainda mais. Céus, a dança foi perfeita, a voz de Gravelle saiu perfeita e a música também... Como ganharemos isso?
A plateia parecia não parar de aplaudir, e as meninas logo se colocaram de pé e foram direto para o camarim, provavelmente para chorar. Os meninos as seguiram, e ainda ouvíamos os aplausos quando todos já se encontrávamos na sala.
- O que foi aquilo? – Sirius perguntou, com a expressão ainda chocada.
- Eles detonaram – Beth disse, com uma expressão meio agonizante.
- Perdemos! – Emelina e Alice soltaram, enquanto já choravam.
Soltei um suspiro, quase entrando no desespero deles.
- Nina... – murmurei para ela, num canto afastado da sala.
Ela segurou minhas mãos e pôs-se a acariciá-las, mas nem isso ajudou. Alice continuava a chorar, e Dorcas comentava com Beth o tanto que os passos deles tinham sido "maneiros".
- Você tem que ajudá-los – ela disse, e obviamente estava certa.
Assenti, e me voltei para eles.
- Pessoal, atenção – falei, batendo as mãos.
Eles interromperam as conversas e os choros para me encarar.
- É a nossa última competição. É a última vez de vocês naquele palco, buscando a vitória – eu disse, com a voz mais confiante que pude. – A última chance de mostrar que vocês são bons. Porque vocês são. Os sonserinos foram excelentes? Foram, isso é inegável. Mas nada muda, nada diz que vocês também não sejam. Acreditem, pessoal, porque eu acredito em vocês.
Silêncio completo, exceto pelas meninas que ainda fungavam baixinho.
- Chegamos até aqui, e aqueles sonserinos não vão nos desanimar, porque eu não vou deixar – continuei, e finalmente soei convincente. – Treinamos bastante para isso e enfrentamos tanta coisa... Enfrentamos todas as casas, pessoal, todas! E está na hora de recebemos nosso prêmio por isso, e não vai ser agora que vamos desistir!
Alguns assentiram, e James, Sirius e John tinham um grande sorriso no rosto.
- Lembrem-se da sensação da vitória... Lembrem-se de como é aquilo, e vocês vão ver que podemos ganhar isso – falei, e então estendi o braço. – Vocês estão comigo?
John ficou de pé num salto e correu para estender a mão também, e logo veio James, Sirius e Franco. Lily, Sophie, Maria e Dorcas também se aproximaram, e logo todos estavam ali, numa roda, inclusive Nina. A confiança logo tomou conta, quando todos diziam palavras positivas e riam da piada mais suja que John poderia ter soltado naquela hora.
- Vamos ganhar aquele prêmio – falei, olhando para todos e sentindo um orgulho que acho que nunca senti na minha vida. – Grifinória!
E todos gritaram, numa só voz:
- GRIFINÓRIA!
Lily:
Quando saí do banheiro e dei de cara com aquele... ser, percebi que eu não devia ter o feito. A pessoa apareceu sabe-se lá da onde, e o susto que eu levei não ajudou muito no meu estado nervoso.
- Olá, Evans – Gravelle disse. Acho que eu iria vomitar nela. – Me desculpe pelo susto.
- Já sei – falei depressa. – Você está aqui para desdenhar nossa apresentação, fazer ameaças ridículas e desejar que eu escorre, caia e morra no palco, não é? Pois fique sabendo que eu não estou com muita vontade de te ouvir e perder meu tempo, então suma!
Ela não arredou o pé, mas também não falou o que eu esperava que ela dissesse.
- Na verdade... Eu vim aqui me desculpar – ela disse, e eu poderia ter morrido de susto com aquilo.
- Qual é a jogada? – perguntei, e então comecei a olhar para os lados. – Não me diga que está planejando jogar gosma em mim agora? Isso seria sujo e...
- Não há gosma nenhuma – ela disse, e só agora percebi que ela usava sua voz verdadeira, e não aquela forçada e irritante que virou sua "marca registrada". – Eu falei sério.
Olhei com desconfiança para ela, e fiquei de olho caso houvesse alguma armadilha da piranha.
- Relaxe, Evans – ela disse, e então olhou para o chão. – Eu vim me desculpar com você, e por conta própria – voltou a me encarar. – Me desculpar por tudo o que eu já te fiz.
Sem dúvidas, era uma armadilha.
- Tirar seu namorado daquela forma tão estúpida, te criticar de todo jeito, te humilhar e todas as coisas ruins que eu já te fiz durante todos esses anos – ela dizia, e eu fiquei pasma ao perceber que ela parecia estar sendo sincera. – Não foi muito... Legal da minha parte.
- É, não foi – concordei.
- Sabe, eu... Sempre senti inveja de você, de tudo o que você tinha. Por isso quis roubar seu namorado, seu coral... – ela disse, quase sussurrando. – Acho que isso foi desde o primeiro dia nesse castelo. Eu via que você era uma garota inteligente, esperta... Com o passar do tempo eu percebi que queria ser como você, sempre tão rodeada de amigos. Eu não tive essa sorte, e é por isso que eu tive que arranjar gente de outra casa para me acompanhar.
- Justo da Sonserina? – perguntei com uma cara feia, e ela riu.
- Pois é. E a fama de Garota do Engano não ajudou muito – ela deu de ombros. – Eu fiz coisas horríveis, mas de algum modo eu venho acordando. Depois que James descobriu que estava enfeitiçado, isso me trouxe um pouco para a realidade. Acho que eu passei a perceber que não valia a pena estragar a vida das pessoas... E é por isso que eu estou aqui para pedir seu perdão. James fugiu de mim quando me aproximei, então...
Fiquei apenas a fitá-la. Minha desconfiança e paranoia tinham passado um pouco, mas ainda assim eu a olhava com relutância.
- Eu sei que é difícil, mas eu só quero que você saiba, e também não quero me formar com essa situação pendente – ela voltou a murmurar. – Sei que também não devo estar agradando por estar no coral da Sonserina, mas foi um favor que fiz às minhas amigas. Não deu muito para recusar.
- Sabe que pode tirar a vitória da gente, não é? – falei para ela, e ela assentiu.
- Caso isso aconteça, nem vou comemorar – ela bufou. – Mas vá, Evans. Logo você estará no palco. Só queria tirar esse peso de cima de mim, então você pode pensar mais tarde sobre minhas desculpas.
- Vou pensar – respondi simplesmente.
- Então... Boa sorte. Torcerei por vocês – disse Gravelle, se afastando e acenando.
- Gravelle! – chamei, antes que ela virasse o corredor. Ela esperou. – Seu solo foi ótimo.
Ela sorriu.
- Obrigada, Evans – e foi embora.
Voltando ao camarim, ainda perplexa, vi que os outros já haviam chegado, já que estavam perdidos na plateia antes. Benn estava com os amigos, e Alicia e Eric assistiram à apresentação da Sonserina junto de Suzz (que também passou para desejar a todos boa sorte). O camarim estava lotado, com conversas e treinos de última hora. Eu via Beth dar uma bronca em Sirius porque ele não havia se acostumado em usar os suspensórios direito, eu via Emelina, Dorcas e Remo cantando a parte deles na música, e o resto dos outros treinando para o último número. Acho que seria o mais legal de todos.
Recebemos o sinal para já irmos para o palco, e deu aquela aflição de sempre. Todas as partes do meu corpo tremiam, minha barriga fazia um barulho estranho e eu suava frio. Sim, o negócio era sério.
- Muito bem, pessoal. Boa sorte – desejou Mister D pela última vez.
Todo mundo se dirigiu para a saída, e eu fui para junto de James.
- Você está bem? – ele me perguntou, olhando fundo nos meus olhos.
Apenas assenti, nervosa.
- Tudo vai dar certo, Lily – ele disse, sorrindo de um modo confiante e, depois de depositar um leve beijo em minha testa, saiu. Ele ficaria do outro lado do palco, como havíamos ensaiado.
Caminhei até onde eu deveria ficar, e dei de cara com Jessie.
- Lily, boa sorte – ele disse, gentilmente.
- Ahn, Jessie... Obrigada – sorri levemente.
Ficamos olhando um para o outro por um tempo, sem graça.
- Acho que é só isso – ele disse. – Ah, e... Saiba que eu estou torcendo por vocês. Sim, contra minha casa. Acho que vocês merecem.
Fiquei surpresa, e então sorri novamente.
- Obrigada.
Ele me deu um rápido beijo no rosto e se afastou. Era muita surpresa para poucos minutos.
Fiquei nervosa, e foi aí que me lembrei da primeira vez que fui me apresentar. Um solo meu, onde eu temia esquecer a letra ou fazer coisa pior... Parecia ser a tanto tempo. Tanta coisa mudou...
Havíamos ganhado daquela vez. Será que aconteceria o mesmo hoje?
James:
Estava na hora. Vi Lily do outro lado do palco, e escutei a plateia aplaudir. A música começou.
Face to face and heart to heart
We're so close yet so far apart
I close my eyes, I look away
That's just because I'm not okay
Eu já havia me acostumado com aquela forte iluminação do único holofote em mim e Lily, enquanto o resto do auditório estava completamente apagado. Dava até a impressão que estávamos sozinhos ali...
Passei a me concentrar nos passos da valsa, e tentei interpretar, também. Não era muito difícil; eu só tinha que olhar bem nos olhos de Lily e cantar com o maior sentimento possível... Eu havia feito o mesmo na hora de compor aquela música.
But I hold on
I stay strong
Wondering if we still belong
Percebi que Lily, um pouco depois, começou a mudar sua postura. Seguíamos os passos e rodávamos pelo palco, mas parecia que nem estávamos fazendo aquilo. Só estava ela e eu ali, meu rosto tão perto do dela, e cada toque uma sensação diferente... Algo estava errado, mas ao mesmo tempo estava totalmente certo.
Will we ever say the words we're feeling
Reach down underneath and tear down all the walls
Will we ever have a happy ending
Or will we forever only be pretending?
Will we a-a-a-always a-a-a-always a-a-a-always be
A partir daí foi difícil acompanhar tudo o que havíamos ensaiado. Meus olhos não saíam de seus olhos e de sua boca, e eu via que ela fazia o mesmo. Repetimos os passos anteriores, já que eu (e acho que também ela) havia se esquecido do resto da coreografia. Eu parecia ter me esquecido de tudo...
Keeping secrets safe
Every move we make
Seems like no one's letting go
And it's such a shame
Cause if you feel the same
How am I supposed to know?
Os outros apareceram na cortina de trás, e bem a tempo. Agora eu e Lily definitivamente havíamos parado de dançar, cantando um para o outro e ignorando todo o resto, entrelaçando nossas mãos e olhando de um modo que há tempos não olhávamos. Aqueles olhos verdes eram tão lindos...
Will we ever say the words we're feeling
Reach down underneath and tear down all the walls
Will we ever have a happy ending
Or will we forever only be pretending ?
Will we a-a-a-always a-a-a-always a-a-a-always be
Will we a-a-a-always a-a-a-always a-a-a-always be
Will we a-a-a-always a-a-a-always a-a-a-always be
Paramos de cantar, e somente os outros continuaram. Dei um passo em sua direção, e nunca me senti tão feliz por ela não ter recuado. Acariciei seu rosto, enquanto ela ainda me fitava...
Will we a-a-a-always a-a-a-always a-a-a-always be
Will we a-a-a-always a-a-a-always a-a-a-always be
Will we a-a-a-always a-a-a-always a-a-a-always be
- Pretending... – cantamos somente, e encostei minha boca na dela.
Não sei se a surpresa maior foi ela não ter se afastado (como normalmente faria) ou ela ter levado suas mãos ao meu rosto. Senti algo explodir dentro de mim, algo que há muito tempo estava guardado... Algo que só ela conseguia despertar em mim.
Eu não sabia onde estava, quando e o porquê, só sabia que eu estava ali, finalmente com a Lily. Eu quase não conseguia expressar minhas emoções confusas em meus pensamentos.
Afinal de contas, estava escrito nas estrelas. Agora e para sempre.*
* Música de John Lennon, Woman :3
Nina:
Isso não podia ser bom. O auditório ficou num silêncio mortal, enquanto eu via a expressão chocada de Dorcas, Alice e os outros que estavam fazendo voz de fundo enquanto James e Lily cantavam. Fiquei imaginando a reação de David, que estava assistindo a tudo lá atrás do palco.
Lily e James se separaram, e então olharam ao redor, adotando uma expressão assustada. E então, em uníssono, o auditório inteiro se pôs de pé para aplaudir e gritar. Por essa eu não esperava também.
As pessoas haviam simplesmente amado aquilo, e ficaram um bom tempo gritando. Só fiquei a imaginar se os jurados tinham pensado nisso também.
Lily e James foram se preparar o próximo número, enquanto os aplausos iam cessando. A outra música original começava.
Hey-hey-hey you and me keep on dancing in the dark
It's been tearing me apart
Never knowing what we are
Hey-hey-hey you and me keep on trying to play it cool
Now it's time to make a move
And that's what I'm gonna do
Algumas pessoas já ficavam de pé e batiam palma no ritmo, enquanto Sophie e os outros seguiam a coreografia perfeitamente.
Lay it all down
Got something to say
Lay it all down
Throw your doubt away
Do or die now
Step on to the plate
Blow the door wide open like up up and away
E pronto, no refrão o auditório foi à loucura.
Let's light up the world tonight
You gotta give up the bark and bite
I know that we got the love, alright
Come on and li-li-light it up
Light it up tonight
A plateia gritava tanto – ou talvez mais – como num jogo de quadribol. Pulavam, gritavam, assobiavam e tentavam cantar mesmo sem saber a letra. Enquanto isso, no palco, todos pareciam bem feliz em estarem fazendo aquele número.
Hey-hey-hey you and me turn it up ten thousand watts
Tell me why we gotta stop
I just wanna let it rock
Hey-hey-hey you and me keep on staring at the road
Like we don't know where to go
Step back, let me take control
Remo e Lina ficavam todo sorrisos na hora que se aproximavam para cantar e dançarem juntos (e grande parte das pessoas gritavam mais ainda, já que era o casal mais recente). Alice também cantava e sorria, e foi muito aclamada.
Lay it all down
Got something to say
Lay it all down
Throw your doubt away
Do or die now
Step on to the plate
Blow the door wide open like up up and away
Let's light up the world tonight
You gotta give up the bark and bite
I know that we got the love, alright
Come on and li-li-light it up
Light it up tonight
E todos se juntaram no palco numa dança ritmada e perfeita. A animação e a felicidade de estarem ali, todos juntos, parecia fazer com que a apresentação ficasse ainda mais melhor.
Let's light up the world tonight
You gotta give up the bark and bite
I know that we got the love, alright
Come on and li-li-light it up
Light it up tonight
Let's light up the world tonight
You gotta give up the bark and bite
I know that we got the love, alright
Come on and li-li-light it up
Light it up tonight!
Quase cheguei a ficar surda de tanto que os alunos gritaram e aplaudiram no final da música, e pareciam que não iam parar tão cedo. As luzes do palco se apagaram por um momento, e quando voltaram a se acender parecia que o número no palco havia dobrado. De fato, os jogadores, as líderes de torcida, Benn, Alicia e Eric haviam entrado, e isso fez com que a agitação dos espectadores aumentasse.
A música preferida de David começou, e fiquei arrepiada a partir do momento em que James começou a cantar.
Oh, I remember every little thing
As if it happened only yesterday
Parking by the lake
And there was not another car in sight
And I never had a girl
Looking any better than you did
And all the kids at school
They were wishing they were me that night
As vozes de várias meninas foram ouvidas quando foi Sirius que cantou. Foi bom termos aproveitado a voz de todos dessa vez, assim não teríamos reclamações (principalmente de Dorcas).
And now our bodies are oh so close and tight
It never felt so good, it never felt so right
And we're glowing like the metal on the edge of a knife
Glowing like the metal on the edge of a knife
C'mon! Hold tight!
C'mon! Hold tight!
Quando Benn e Sean cantaram, ouvi mais gritos vindos dos lufanos, gritando o nome de Benn. Gritaram pelo nome de Sean, também, e então me lembrei que eu havia levado ele para o coral da Lufa-Lufa tempos atrás. Sua voz era mesmo incrível.
Though it's cold and lonely in the deep dark night
I can see paradise by the dashboard light
Though it's cold and lonely in the deep dark night
Ah! In the deep dark night
Paradise by the dashboard light
Como dessa vez a música era conhecida, muitos cantaram juntos. Aquele número estava tão animado que não demorou muito para que as pessoas começassem a dançar e aplaudir no ritmo.
We're gonna go all the way tonight
We're gonna go all way tonight is the night!
We're gonna go all the way tonight
We're gonna go all way tonight is the night!
We're gonna go all the way tonight
We're gonna go all way tonight is the night!
We're gonna go all the way tonight
We're gonna go all way tonight is the night!
E então a voz de Lily ecoou pelo auditório, alta, afinada e perfeita. Mais uma vez, arrepiei.
Stop right there!
I gotta know right now!
Before we go any further
Do you love me?
Will you love me forever?
Do you need me?
Will you never leave me?
Will you make me so happy for the rest of my life?
Will you take me away and will you make me your wife?
Let me sleep on it (sleep on it)
Baby, baby let me sleep on it (sleep on it)
Let me sleep on it
I'll give you an answer in the morning
Nunca na vida eu tinha visto uma apresentação que deixava a plateia tão animada quanto aquela. Todo mundo estava indo ao delírio, como se estivessem num show ou algo do tipo. Sensacional!
I gotta know right now!
Do you love me?
Will you love me forever?
Do you need me?
Will you never leave me?
Will you make me so happy for the rest of my life?
Will you take me away and will you make me your wife?
Do you love me?
Will you love me forever?
Let me sleep on it
Will you love me forever?
Let me sleep on it
Will you love me forever?
Eu nunca tinha visto aquele palco tão cheio, também. Os vestidos rodando, os garotos dançando com as garotas, todos sorrindo e tentando vencer o cansaço de cantar e dançar tanto ao mesmo tempo.
I couldn't take it any longer
Lord I was crazy
And when the feeling came upon me
Like a title wave
I started swearing to my God and on my mother's grave
That I would love you to the end of time
(I swore) I would love you to the end of time
Eu queria ter todo aquele fôlego, mas talvez eu estivesse velha demais para isso. Só sei que eu me emocionei, mais do que com uma música de notas baixas e com uma letra depressiva. Me emocionei de ver todos reunidos ali, juntos, confiantes, aproveitando cada último segundo naquele palco e dando o melhor de si. Sim, eu me emocionei e estava prestes a chorar...
So now I'm praying for the end of time
To hurry up and arrive
'Cause if I gotta spend another minute with you
I don't think that I can really survive
I'll never break my promise or forget my vow
But God only knows what I can do right now
I'm praying for the end of time
It's all that I can do (all that I can do)
Praying for the end of time
So I can end my time with you!
It was long ago and it was far away
And it was so much better that it is today
Felt so right
Felt so good, PARADISE!
Aplausos. Gritos. Vaias sonserinas inaudíveis. Era só o que eu podia descrever, enquanto o grande grupo reverenciava no palco, arfando e provavelmente com o sentimento de dever cumprido.
Sirius:
Mesmo ofegantes, suados e acabados, chegamos ao camarim pulando e comemorando tal como a plateia ainda estava fazendo lá fora. As meninas comemoravam com pulinhos, e o resto ainda cantava em completa animação. Parecíamos ter ganhado, sim, mas estávamos com esse sentimento mesmo antes do resultado.
Mister D entrou, e foi acolhido por gritos histéricos e palmas.
- Já ganhamos! Já ganhamos! – fizemos uma roda e começamos a pular, com Mister D perdido lá no meio. – Já ganhamos!
Ficamos comemorando mais um pouco, Mister D nos parabenizando e dizendo que tínhamos ido ótimos, e que o time de quadribol havia feito os passos com perfeição. Continuamos a comentar, e foi aí que puxei Pontas.
- Cara, o que foi aquilo? – perguntei, rindo, enquanto Remo também se aproximava.
- Eu sei – ele espiou Lily, e depois sorriu. – Foi meio que... Inevitável.
- Eu achei que você tinha ferrado a gente, mas na verdade todo mundo amou aquilo – Aluado disse, rindo.
- E então, vai falar com ela? – olhei para Lily também, que nesse momento comemorava junto com Alice e Lina.
- Pretendo, na festa de comemoração – Pontas disse, feliz. – Isso é, se ganharmos.
- Fomos bem demais para perder – falou Aluado.
E nesse momento Nina entrou na sala, e foi acolhida por vários abraços contentes, e demoramos um pouco pra perceber que ela não tinha uma expressão muito boa.
- O que foi? – Dorcas perguntou, o sorriso sumindo. – Ah não, más notícias?
- Está passando bem, Nina? – David disse, pondo as mãos sobre sua barriga.
- Não, não – ela disse, forçando um sorriso. – Vocês foram muito bem, excelentes, pessoal, eu até chorei. Só que...
- Só que o que o que quê? – John perguntou, engasgando-se.
Nina olhou pra todos, e por fim para Lily e James.
- Geralmente, numa competição, quando se envolve o lado profissional com o lado pessoal, digamos que se pode... Perder alguns pontos – ela mordeu o lábio, como se estivesse culpada de nos dizer aquilo. – E no caso seria... O beijo.
Ficamos em silêncio, até Dorcas ofegar.
- Quer dizer que podemos perder a competição por causa da troca de saliva desses dois? – ela disse, apontando de Lily para James. – Não posso acreditar, não posso!
Lily instantaneamente fez uma expressão culpada, e em seguida James também. A animação tinha completamente sumido, e os outros ficaram quietos. Nina havia cortado nosso barato.
- Tem certeza disso, Nina? – Mister D perguntou, e ela simplesmente abaixou a cabeça.
- Sério, vocês dois! – Dorcas disse, irritada. – Por que não se beijaram antes? Nos ensaios? Nos corredores? No Salão Principal igual o Remo e a Emelina? Em qualquer lugar? Vocês tiveram tempo para isso!
- Dorcas... – Moreau repreendeu, com o tom de voz baixo como se tivesse ouvido a pior notícia do dia.
Talvez ela de fato fosse.
Jason:
E aqui vamos nós. Não havia palavras para descrever nosso nervosismo, ainda mais depois da má notícia de Nina. Não tínhamos mais conversado desde isso, com medo do resultado que antes estávamos querendo tanto saber.
Logo fomos chamado por um dos jurados (um dos três que trabalhavam no Ministério). Andamos lentamente, como uma marcha de soldados prontos para a guerra. Alguns deram as mãos, outros rezaram, mas não tinha como fugir daquilo.
Até Nina e Mister D estavam quietos. Não se deram nem ao trabalho de cochichar, como às vezes costumavam fazer. Eles apenas deram as mãos e lideraram a caminhada até o palco. Andamos o mais devagar que podemos, mas era inevitável.
A plateia estava agitada, e vimos muitos colegas nossos da Grifinória gritar nossos nomes quando aparecemos. Toda a equipe da Sonserina já estava ali, lançando sorrisinhos de desdém. Gravelle era a única que nem se dava ao trabalho de nos encarar. O time de jurados estava no outro canto, e entre eles reconheci Madame Rosmerta. Ela acenou e sorriu para Mister D, fazendo com que Nina suspirasse, ciumenta.
Dumbledore fez um gesto com a mão, e as vozes da plateia se calaram, e nós da Grifinória apenas abaixamos a cabeça, como se estivéssemos com vergonha do resultado antes mesmo de ele ser anunciado.
- Foi um ano esplêndido – ele disse, alto. Só escutávamos sua voz, e mais nada. – Apresentações maravilhosas de alunos indubitavelmente talentosos. Passaram por esse palco as lindas garotas da Corvinal, os incríveis garotos da Lufa-Lufa, e agora estamos diante de duas equipes fantásticas que não desapontaram nem um pouco na performance final.
Vamos logo com isso, senhor diretor. Quero ir logo para meu dormitório e dormir até o dia de embora daqui...
- Infelizmente, um só pode ser o campeão da noite. Se nesse papel estiver escrito Sonserina, a vitória é dela – ele disse, se direcionando para a equipe de verde. Uma pequena parte do auditório aplaudiu e gritou. – E se estiver escrito Grifinória, ambas as equipes terão que se preparar para uma apresentação para amanhã, à noite, para desempate.
Nossa equipe foi muito mais aplaudida, e eu me senti péssimo por isso. Mal sabiam eles que provavelmente seriam desapontados.
- E está na hora de saber disso. O campeão que todos esperamos para saber está nesse envelope... – ele levantou o papel. – Vamos saber agora...
Aquele suspense era torturante. Mesmo sabendo que a chance de perdermos era alta, nos juntamos e demos as mãos como geralmente fazíamos. Porém, antes mesmo de Dumbledore começar a abrir o envelope, uma voz interveio.
- Dumbledore, espere! – Nina se adiantou, e cochichos se seguiram. – Preciso falar uma coisa primeiro.
O diretor ergueu as sobrancelhas, seus olhos azuis confusos. Eu e os outros trocamos olhares indagadores, e nem Mister D parecia esperar por aquilo.
Nina respirou fundo antes de dizer, e falou alto o suficiente para todo o auditório ouvir.
- Quando eu coordenava o coral da Lufa-Lufa, eu... – ela hesitou. Demorou um pouco para voltar a falar. – Eu... Sabotei o resultado da segunda competição, fazendo com que minha equipe ganhasse.
Pessoas não paravam de ofegar, e até eu havia ficado surpreso com essa. Nina tinha a pior cara culpada possível, e tinha virado para Mister D e dito "sinto muito".
- Isso é impossível! – um dos jurados disse. – Nossos votos são a prova de sabotagem.
- Mas eu não sabotei magicamente, apenas troquei os papéis – Nina explicou, com tom óbvio. – Foi uma ação completamente comum no mundo trouxa, e por isso foi algo fácil para mim, já que sou professora da matéria. Tenho os papéis originais guardados comigo até hoje, se quiserem ver.
Mais exclamações chocadas pelo auditório. Mister D não se cabia de perplexidade, enquanto Dorcas começou com gritos de protesto.
Dumbledore fez um gesto novamente, e todos foram se calando.
- Nina...? – ele perguntou.
- Sinto muito, Dumbledore – ela disse, de cabeça baixa. – Eu era uma vaca... Não ia aceitar perder de novo. E também estava na cara que eles iam ganhar, não sei por que vocês não perceberam! A apresentação de Somebody To Love deles foi maravilhosa!
John e Sirius também se puseram a protestar para os jurados, enquanto Dumbledore parecia completamente perdido. Pela terceira vez, pediu silêncio.
Caminhou até os outros jurados (um pouco mais de dez pessoas), e começaram a sussurrar freneticamente. As pessoas esperavam, mas também cochichavam uma com as outras.
- Desculpem, gente, desculpem! – Nina chegou até nós, torcendo as mãos. – Eu não podia deixar que vocês perdessem por uma diferença de dois pontos!
- Nina... – Mister D balançou a cabeça. – Sabotar os resultados daquela competição foi a coisa mais... Legal que você poderia ter feito.
Nina fez uma cara que não entendeu, mas Mister D não teve tempo de explicar, já que Dumbledore voltava a caminhar para o centro do palco.
- Em uma breve discussão com meus companheiros do júri, chegamos a uma decisão – disse o diretor. – Não é justo que a equipe da Sonserina perca um ponto, já que não estava sequer envolvida nisso.
Os sonserinos comemoravam, enquanto nós gritávamos de reprovação. Dorcas havia tirado o salto e ameaçava um dos jurados. Teve que ser impedida por Franco.
- E, por um lado – Dumbledore interrompeu o estardalhaço – também não é certo que a Grifinória fique com um ponto a menos, roubado tão injustamente. Portanto, a Grifinória ganha um ponto, empatando a competição e fazendo com que o resultado final esteja nesse envelope.
As pessoas apenas aplaudiram, já que o resultado ainda estava para ser anunciado. Era agora ou nunca. Tudo ou nada. O final de tudo estava naquele papel.
Dumbledore voltou a abrir o envelope. Tudo parecia ocorrer em câmera lenta. Ele tira outro papel de dentro do envelope. Lê. Olha para os dois times. Olha para a plateia.
- E a casa campeã da competição de corais...
Uma gota de suor desceu pela minha testa. Dei uma olhada em Maria antes disso, e vi seu rosto de agonia igual a de todos os outros.
- É...
Apertei mais a mão de Emelina e de Lily que eu segurava. Fechei os olhos, esperando que Dumbledore dissesse a palavra final.
Whoa! Ah!
- GRIFINÓRIA! – Dumbledore gritou. – A CASA GRIFINÓRIA VENCE A COMPETIÇÃO DE CORAIS!
O auditório pareceu explodir. Todos gritaram ao mesmo tempo, e aplaudiam e soltavam urros de alegria. Papeizinhos voavam pelos ares enquanto eu abraçava a primeira pessoa que eu encontrei.
Take me to your best friend's house
Roll around this roundabout
Oh yeah
Take me to your best friend's house
I loved you then and I loved you now
Oh yeah
As meninas começavam a chorar (confesso que eu meio que chorei também), os garotos e eu não paravam de gritar. Uma felicidade imensa brotou de dentro de mim, inexplicável, súbita, maravilhosa.
Todo mundo começou a se abraçar, enquanto a plateia ainda comemorava e aplaudia sem parar. Me aproximei de Maria, mas ela não me abraçou. Simplesmente segurou minhas vestes e me puxou para o melhor beijo que eu já havia recebido dela, ignorando os milhares de papéis que caíam sobre nós.
- Eu te amo – ela disse, e então sequei suas lágrimas.
Don't take me tongue tied
Don't wave no goodbye
Don't wave!
E depois pegamos Mister D de surpresa e o erguemos no ar, jogando-o pro alto e quase matando o professor do coração. Ficamos nisso até o troféu chegar.
Era simplesmente enorme, de ouro, ainda mais brilhantes com as luzes do palco e, em seu topo, um lindo casal de dançarinos transparentes, também muito luminosos. Passou de mão em mão até chegar ao nosso querido professor que, não se cabendo de alegria, também acabou desabando no choro e abraçando Nina.
Take me to your best friend's house
Normally we're making out
Oh yeah
Take me to your best friend's house
I loved you then and I love you now!
Ficamos mais um tempo comemorando no palco, e a plateia continuou por lá para nos aclamar. Os sonserinos já haviam dado no pé, e nós continuávamos a abraçar uns aos outros. Mister D e Nina agradeciam aos jurados, Lily e Sophie agradecia a Dumbledore. Um fotógrafo saiu não se sabe de onde e tirou várias fotos de nós, de Nina, Mister D e do troféu.
A chuva de papéis ainda não havia parado quando tive Maria de volta para meus braços e, mais adiante, outro casal finalmente mostrava-se feliz. Lily e James se beijavam com tanta vontade que haviam tombado para o chão (e ainda assim não haviam parado de se beijar).
Don't take me tongue tied
Don't wave no goodbye
Don't WAVE!
- FESTA NA SALA COMUNAL! – Sirius anunciou, e foi pra lá que fomos.
ONE, TWO, THREE, FOUR!
Don't leave me tongue tied
Let's stay up all night
I'll get real high
Slumber party; pillow fight
My eyes and your eyes
Like Peter Pan up in the sky
My best friend's house tonight
Let's bump the beats till beddy-bye
Aquela sala nunca esteve tão lotada. Uma decoração rápida havia sido feita, com balões de festas e cartazes de vitória para todos os lados. Fomos mais aplaudidos do que nunca assim que entramos na sala, e uísques de fogo foram servidos. Sirius foi o primeiro a abrir a primeira garrafa, espirrando na primeira pessoa que estava na sua frente – no caso, Emelina – tomando uma enorme enxurrada de uísque.
Don't take me tongue tied
Don't wave no goodbye
Don't take me tongue tied
Don't kiss me goodnight
Don't...
A mania pegou, e logo estava todo mundo espirrando uísque por todo lado. Peguei o meu e abri em direção a Maria, que fazia o mesmo contra mim. Havia virado uma guerra. Lily abria uma garrafa diretamente na boca de James, enquanto Dorcas jogava para os ares. Do outro lado da sala, Sophie abria uma em cima da mesa, e a sala inteira foi à loucura. Era uma festa tão grande que nem McGonagall podia nos parar.
Take me to your best friend's house
Roll around this roundabout
Oh yeah
Take me to your best friend's house
I loved you then and I love you now
E foi no momento seguinte que as pessoas gritaram ainda mais: depois de espirrar o máximo de uísque que conseguiu em cima de Benn, Sean foi pego de surpresa pelo mesmo, recebendo um beijo que nunca esperaria. Não houve um que não comemorou, e lá ficaram os dois, não ligando mais para nada e para ninguém.
Don't leave me tongue tied
Don't wave no goodbye
Don't leave me tongue tied
Don't...
Don't leave me tongue tied
Don't wave no goodbye
Don't leave me tongue tied
Don't...
E o que eu fiz? Fui ficar com a minha garota, obviamente. Eu nunca imaginaria que ela me desculparia na vida, mas decidi não tocar no assunto por ora. Ninguém estava ligando para isso.
Havíamos ganhado. Ganhamos, nós ganhamos!
Não havia felicidade maior do que essa de agora. Só tínhamos que comemorar. Comemorar a vitória com os amigos, com quem nós amávamos.
E nada mais importa.
Yeah, yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah
Oooh...
Franco:
Auge da festa. Pessoas de várias casas participavam, e a animação só tendia a aumentar (isso que já se passava da meia-noite). Acho que McGonagall nem se daria ao trabalho de aparecer e nos mandar pra cama. Acho que ela não faria isso.
- Estou tão, mas tão feliz! – Alice chegou, me abraçando. Levantei-a e a girei. – Ganhamos, amor, nós ganhamos!
- Eu nem consigo acreditar. Quem diria, hein? – soltei um suspiro. – Depois de tantas coias que a gente enfrentou, bem que merecíamos.
- Nossa – ela disse, sorrindo de orelha a orelha. – Eu chorei tanto que até desidratei. E quantas surpresas! Nina nos prejudicou no passado e acabou nos ajudando hoje, Benn e Sean ficaram juntos, Lily e James também, Maria e Jason voltaram! É tanta felicidade que não está cabendo dentro de mim!
- E aí casal! – Emelina chegou nos abraçando, junto a Remo. – Vencemos, vencemos, vencemos! Vocês estão tão felizes quanto eu?
- Talvez mais – Alice disse, fazendo uma rápida dança da vitória. – Ai que vontade de... Cuspir na cara daqueles sonserinos! Se bem que a cara de bosta que fizeram já foi suficiente.
- Quero ver se vão ousar jogar aquela gosma na nossa cara de novo – Remo disse, rindo. Emelina abraçou seu pescoço.
- Nunca mais farão isso – ela sorriu, e depois se beijaram.
- Ah, olha lá! – Emelina disse depois, rindo e apontando para um lugar na sala. – Que Merlin seja louvado, finalmente!
E lá estava Lily e James, beijando tudo o que não haviam beijado em tantos meses separados. Nós quatro rimos, e também agradecemos a Merlin.
- Está tudo tão perfeito que eu tenho que bater minha cabeça em algum lugar pra ter certeza se é verdade – disse Lina, e Alice bufou.
- Acho que já andou batendo a cabeça demais, chega.
- Ah, que nada! – ela disse, dançando por aí. Trombou com um aluno da Corvinal, se desequilibrou e caiu de cara no chão. A sala ficou em silêncio quando Remo soltou um grito de preocupação.
Mas em seguida Emelina se pós de pé e soltou um grito de entusiasmo:
- É FESTA!
As pessoas gritaram em seguida, voltando a festejar ainda mais. Enquanto isso, Aluado recuperava a cor do rosto que havia sumido.
A festa continuou, e ficou ainda melhor quando Mister D e Nina chegaram, após conversarem mais um pouco com os jurados. Foram recebidos com muitas palmas e até reverências. Mister D também havia chegado para nos avisar que teremos que fazer um número amanhã pela manhã.
- Um número? Para quê? Nós já vencemos! – Sophie protestou.
- É um número final dos campeões – ele disse, tranquilamente. – Não se preocupem. Só escolham uma música fácil, separem as linhas e cantem. Nada de coreografia ou outra coisa. Vou deixar por conta de vocês.
Apenas assentimos e voltamos a curtir a festa, como o próprio professor e Nina fizeram. McGonagall pouco depois chegou, mas não para cortar e sim participar da festa. Também foi muito bem recebida.
Mais bebidas e até comidas começaram a ser servidas. Arrumaram um rádio e uma música agitada e alta tocava. Isso que tínhamos outra festa no domingo, a nossa formatura. Haja energia pra tudo isso.
Fui dançar com Alice, e cumprimentei Lily e James no caminho. Haviam parado um pouco com os amassos e se juntavam com a galera. Emelina e as Griffies começaram com uma dança maluca mais tarde, a qual uma Dorcas um pouco mais alterada começou a aplaudir antes da hora.
Eu nem me lembro direito que horas aquela festa foi acabar. Ao amanhecer, talvez? Ninguém sabe. Eu acabei ficando bêbado, não de álcool, mas de festa. Não sei se isso existe, mas é o único jeito que arrumei para explicar. Eu estava tão bêbado que nem me lembro quando Slughorn havia chegado, ou quando Pirraça acabou participando da festa, ou o porquê de o fantasma Nick ter ficado girando no teto da Torre. Nem me lembro direito como voltei para o meu dormitório.
Eu só sabia de uma coisa: todos estavam felizes. Sim, todos estavam felizes, e não havia jeito melhor de estar deixando Hogwarts. Simplesmente não havia.
Dorcas:
Acordei com uma ressaca do diabo. Tive que pedir a poção milagrosa de Sirius, e percebi que ele também havia precisado muito dela. O clima naquele castelo estava tão bom que eu, Dorcas Meadowes (sim, euzinha) até estava com uma vontade de morar lá por mais um tempo. É claro que eu ainda estava bêbada, não podia ser... Desde quando eu quero ficar mais tempo na escola?
Em todo o caso, tanto eu quanto os outros recebemos aplausos assim que entramos no Salão Principal. Ah, e Dumbledore também anunciou o resultado da Copa das Casas. Geralmente ele anunciava no jantar, mas ele achou melhor anunciar mais cedo para que a arrumação para a formatura de amanhã começasse mais cedo também (eu não acredito que já vou formar amanhã! Alguém me belisque!).
Enfim, a campeã foi a Corvinal. Não ficamos tão felizes, já que sairíamos daqui sem uma vitória na Copa das Casas. Mas quer saber, quem liga? Fomos campeões do coral e de quadribol, enquanto a Sonserina saiu sem nada. Bem feito, babacas. E, também, não se ganha todas (eu infelizmente tive que aprender isso. Dorcas Meadowes pode sim, perder).
Lily e Emelina foram as que ficaram mais chateadas, já que são as nerds. Mas é bem difícil quando se compete com a casa dos nerds, e como aprontamos mais nesse ano do que estudamos, acho que nossa pontuação não ficou muito boa. Nem liguei muito, também, já que ganhamos muitas outras vezes (graças a principalmente Lily e Emelina, as nerds). Terminamos em terceiro, sendo a Lufa-Lufa a segunda colocada. Sonserina ficou em último! Não há felicidade maior nesse mundo, minha gente!
Ah, e não podemos nos esquecer também que eu precisava causar a discórdia. Fui desfilando lindamente até a mesa da Sonserina, exatamente onde Stanton, Elliot e mais uma cambada de desocupados da Sonserina estavam.
- Olá, Stanton – falei, cínica, e com divertimento na voz. – Dormiu bem? Teve pesadelos? Imagino que deve ter sido difícil, já que foi dormir como uma tremenda perdedora.
- Me deixe em paz, Meadowes – ela rosnou, e eu dei uma risadinha. Ela nem ousou me encarar, a bandida!
- Acho que toda aquela bobeirinha ridícula que publicou no meu jornal não adiantou muita coisa, não é? Sinto muito por você – fiz um muxoxo, e depois gargalhei. – Deve ser triste se formar assim.
Ela não respondeu, e eu ri novamente.
- Mas acho que você aprendeu, colega – falei com orgulho na voz. – A nunca mais falar mal de mim e dos meus amigos. Acho que você já viu que você sempre sai perdendo – dei de ombros. – Como sempre, não é?
Ela me olhou de um jeito mortal, e eu apenas sorri.
- Adeus, adeus! – acenei e mandei um beijinho, só pra provocar e mostrar que eu venci todos eles. É claro, sou uma Meadowes.
Estava saindo do Salão Principal quando dei de cara com o casal. Lá estavam Jason e Maria, me olhando com hesitação.
- Oi, Dorcas – Jason disse, com a voz parecendo amigável.
- Oi – falei simplesmente.
Os dois se entreolharam, e Maria assentiu.
- Maria me contou tudo – ele disse, e então fez uma cara desconfortável. – E para os outros também.
- Ah, ótimo – falei, sem emoção. – Nada como ter a fama de carente que armou pra cima do namorado de outra. Excelente.
- Nós te perdoamos, Dorcas – Maria sorriu levemente. – Apesar de todas as suas tramoias e de todo sofrimento que nos fez passar.
Não respondi a isso, olhando de um para outro com vergonha.
- É isso aí, Dorcas – Jason concordou, e aí sorriu.
- Ahn... – falei, sem graça. Isso não é normal de Dorcas Meadowes. O que há de errado comigo? – O-Obrigada. A vocês, eu...
Tenso. Não soube mais o que dizer, e nem os dois, pelo visto. Fomos interrompidos com a benção de Merlin por Sophie.
- Aí estão vocês! – ela disse, arfando de tanto correr. – Tem gente indo para o auditório já! Número dos campeões, lembra?
E partimos para o auditório, e eu recebi um último sorriso dos dois. Oh, Merlin...
Ensaiamos apenas a música com pressa, escutando o auditório se encher. Foi a primeira vez que não sentimos ansiosos com aquele barulho. Havíamos ganhado porque somos todos incríveis (principalmente eu), e então entramos completamente à vontade naquele palco.
E qual é a melhor música de campeões que nós podíamos ter escolhido?
I've paid my dues
Time after time
I've done my sentence
But committed no crime
And bad mistakes
I've made a few
I've had my share of sand kicked in my face
But I've come through
(And we mean to go on and on and on and on)
James cantou, Sirius cantou, eu cantei (uma parte bem escolhida para mim, devo dizer). A plateia comemorou só de termos começado a cantar aquela música, e então começaram a cantar juntos.
We are the champions my friends
And we'll keep on fightin' till the end
We are the champions, we are the champions
No time for losers 'cause we are the champions
Of the world
Sorríamos para Mister D, que estava escondidinho atrás do palco, apenas assentindo e fazendo sinal positivo para nós. Afinal, nem ele sabia que música havíamos escolhido – e ele até que estava com um pouco de medo, já que o último número que fizemos sem a ajuda dele foi um fiasco.
I've taken my bows
And my curtain calls
You brought me fame and fortune and everything that
goes with it
I thank you all
But it's been no bed of roses
No pleasure cruise
I consider it a challenge before the whole human race
And I ain't gonna lose
Depois foi Sean que cantou, e Sophie também. Todo mundo que quis tinha ganhado uns versinhos. Ficou bem legal até, mas só acho que eu merecia um pouco mais de destaque para variar. Eu sentia saudades daquela primeira apresentação onde eu ganhei um solo... Ah, bons tempos.
We are the champions my friends
And we'll keep on fighting till the end
We are the champions
We are the champions
No time for losers
'cause we are the champions
Of the world
E foi então que busquei meu destaque. Corri até Miste puxei para o palco. Os outros amaram tanto essa ideia que ajudaram a trazê-lo, já que ele era tímido demais para aparecer junto a nós. Mas, no final, ele acabou cedendo. Ele era tão campeão quanto nós.
We are the champions my friends
And we'll keep on fighting till the end
We are the champions
We are the champions
No time for losers
'cause we are the champions
Off the world!
We Are
Champions
Of The
World!
Todos ficaram de pé para aplaudir, gritando "Grifinória!" sem parar (e eu até ouvi meu nome!). Apenas sorríamos e agradecíamos, reverenciando para aquele auditório lotado pela última vez.
Lily:
Se for para comparar meu estado de espírito algumas semanas atrás com o de hoje, dá até pra pensar que eu tenho um sério transtorno de bipolaridade. Tudo que eu chorei por causa dos meus pais eu estava sorrindo agora. Todas essas coisas acontecendo me faziam esquecer daquilo, e então facilitava tudo.
Mas naquele sábado tudo estava estranho. Eu andava por aqueles corredores e ficava pensando: hoje era o último dia. Quero dizer, o último dia normal, antes do adeus. Amanhã o dia seria totalmente dedicado para a formatura, e na segunda já de manhã pegaríamos o Expresso de Hogwarts para voltar pra casa.
Mas que casa? Para onde eu iria agora? Morar com Petúnia está totalmente fora de questão, ainda mais porque aquele Dursley só exala antipatia. Tenho dó dos filhos deles. Acho que eu pegaria uma parte da minha herança e alugaria um lugar calmo para mim, enquanto arrumo algum trabalho. Virar auror? Curandeira? Trabalhar no Ministério? Eu estava sem rumo, então decidi que deixaria esse assunto para depois.
Fiquei a pensar em ontem, e em todas as surpresas que eu tive. Nossa vitória no coral foi a maior delas, e eu nunca me senti tão feliz na minha vida quando Dumbledore anunciou a campeã. A outra, é claro, foi James me beijar. Ou eu que beijei ele? Nos beijamos, e pronto. Naquele momento eu senti meu mundo girar, e me senti tão completa...Agora, provavelmente, ele estava perambulando aí com Remo, Sirius e Rabicho, aproveitando também os últimos dias de marotos nessa escola. Beijei James tanto ontem que até enjoamos (ou não). E estar com ele definitivamente me fazia mais feliz.
Sean e Benn também conseguiram me surpreender. Eu torcia para aquilo, mas não imaginaria que ia acontecer tão cedo. Fiquei tão feliz por ele, e ver aquele rosto branquelo todo coradinho foi impagável. Maria e Jason também reataram – mais um motivo de felicidade – e confesso que não fiquei muito surpresa quando soube que Dorcas havia confessado que havia armado tudo. Eu bem que suspeitei.
Ah, não posso me esquecer da novidade dos alunos agora: pedir autógrafos. Isso mesmo, eu tive que assinar pergaminhos, livros e fotos por aí. Muitas pessoas vieram me dar os parabéns, alguns grupos aplaudiam quando eu passava e queriam tirar fotos comigo também. Me senti uma celebridade, mas mesmo assim fiquei feliz.
Ainda caminhando por aí, acabei me encontrando com Nina.
- Ansiosa para a formatura, Lily? – ela perguntou, enquanto acompanhava minha caminhada.
- Muito. Tão ansiosa que eu nem quero que chegue – dei de ombros, e ela riu.
- Acho que eu consigo entender. Nunca é fácil dar adeus à escola e aos amigos... – ela disse, e pelo visto sabia mesmo como era aquilo. – Tem ideia do que vai fazer depois de ir embora?
Argh, justo na ferida. Me encolhi, sem graça, porque talvez eu seja uma das poucas pessoas que ainda estava perdida.
- Lily, não se preocupe – ela disse, quando viu minha expressão aborrecida. – Eu tenho certeza que não importa qual profissão escolha você vai se sair muito bem – ela se pôs de frente em mim, e segurou meus ombros. Seus olhos eram muito gentis, e tinha um sorriso amigável. – Você é muito talentosa, tenha certeza disso.
- Há outros talentosos por aí...
- Mas você se destaca – disse Nina, e então suspirou. – Lembra quando eu ainda dirigia o coral da Lufa-Lufa, e só pra irritar vocês eu apareci por lá junto com Benn? Ele começou a cantar uma música e você interferiu, cantando junto com ele?
Balancei a cabeça, me recordando e sentindo saudades daqueles dias. Estava perto da festa anual dos marotos, onde só se via adolescentes bêbados e gente caída pelo chão.
- Você se mostrou a pessoa mais corajosa, firme e confiante que eu já havia visto. Não há palavras para descrever o tanto que fiquei surpresa – ela disse, rindo. – Você é muito especial, Lily, lembre-se disso.
É incrível como poucas palavras podem melhorar seu humor. Soltei um sorriso involuntário, e Nina pareceu satisfeita com isso.
- Obrigada, Nina – agradeci, ainda feliz.
- Só falei a verdade – ela riu, e então sua expressão mudou. – Tive uma ideia... Que tal fizermos um dueto? Como sou sua fã, seria uma grande honra.
- Um dueto com você? – parecia uma boa ideia, e fiquei contente com a proposta. – Claro! Se bem que, perto de você, vou até me sentir envergonhada.
- Ora, pare com isso – nós duas rimos, e então seus olhos brilharam. – Eu já tenho uma ideia.
Emelina:
You can like the life you're living
You can live the life you like
You can even marry Harry
But mess around with Ike
Oh Merlin, não acredito que elas iam fazer aquele número! Mas levando em conta a roupa que usavam e o telão enorme e cheio de luzes atrás delas, sim, elas iam fazer. Olhei para as meninas e Sean, e eles tinham a mesma expressão animada que a minha.
And that's...
Good, isn't it?
Grand, isn't it?
Great, isn't it?
Swell, isn't it?
Fun, isn't it?
But nothing stays..
Lily e Nina estavam tão sorridentes no palco! Enquanto isso, os meninos não entendiam muito bem. Tive que explicar para Remo que era um musical – o que não é muito comum de homens assistirem. Somente Mister D, é claro, um fanático por musicais. Seus olhos brilhavam ao ver as duas lá no palco do auditório.
In fifty years or so
It's gonna change, you know
But, oh, it's heaven
Nowadays!
Eu e as meninas gritamos de entusiasmo, e os garotos também. Mesmo não conhecendo o musical, qualquer um ficaria agitado ao ver Nina e Lily tirando aquele roupão enorme para mostrar um vestido vermelho e cheio de brilhos embaixo e começando a dançar aquela música. As duas fizeram os passos perfeitamente, juntas e sem errar, assim como no musical.
Fizeram os passos com o chapéu, e então veio com a "arma", que eu supus que tinha a varinha camuflada.
And all that...
O telão de luzes explodiu de fagulhas, fazendo com que gritássemos ainda mais.
JAZZ!
E terminaram um número recebendo muitas palmas e gritaria da nossa parte. Foi perfeito, maravilhoso, lindo. Eu queria ter feito aquele número... Não sei porque não tive essa ideia antes.
- Lindas! – gritamos, ainda aplaudindo. As duas se abraçaram, e depois reverenciaram.
- Perfeitas!
- Gostosas! – e em seguida John levou um tapa na cabeça.
- Essa é a minha namorada, com orgulho! – James disse. Isso me lembrou da época em que ele dizia isso de Gravelle. Na época deu nojo. Hoje, com Lily, foi a coisa mais fofa do mundo.
E também era bom saber que minha memória finalmente estava voltando por completo. Esses eram detalhes que até então eu não me lembrava, e agora simplesmente veio na cabeça.
Tudo estava entrando nos eixos. Finalmente.
Sean:
O clima estava super leve e divertido na sala de música. Sophie, Emelina e Dorcas davam um show na sala, repetindo o número que haviam feito na audição, há meses atrás:
Forever, forever, you'll stay in my heart
And I will love you
Forever, and ever, we never will part
Oh, how I love you
Together, together, that's how it must be
To live without you
Would only mean heartbreak for me
Aplaudimos e assobiamos muito quando elas terminaram, rindo e reverenciando. Pouco depois Mister D chegou, sendo aplaudido por todos. Sorria e agradecia, chegando a corar.
- Muito bem, pessoal, muito bem – ele bateu as mãos, como sempre costumou fazer. Era tão triste pensar que isso em breve acabaria... – Como sabem, hoje e amanhã são os últimos dias em que todos vocês estarão sentados aqui, todos juntos. Mesmo que não tenhamos mais competições para nos preocuparmos, já que ganhamos o troféu, cantar nunca é demais, certo?
Concordamos, juntos e animadamente. Mister D sorriu mais um pouco, e em seguida fez uma expressão misteriosa.
- Mas podemos treinar para outra coisa – ele olhou para nós de um jeito estranho, até soltar: - Vou pedir Nina em casamento.
O grito em uníssono que demos foi tão alto e agudo que provavelmente o castelo inteiro ouviu.
- Ah, meu Deus! Que coisa linda! – Lily guinchou, enquanto aplaudíamos e parabenizávamos Mister D. Ele corou mais um pouco.
- Obrigado, obrigado – disse ele, enquanto John dava tapinhas em suas costas e dizia "boa, garotão!". – Eu conto com a ajuda de todos vocês para esse momento ser perfeito, aceitando também todas as ideias possíveis. Pretendo propor amanhã, antes do baile.
- E eu ainda sou solteira – Dorcas disse, irritadíssima.
- Ah, isso é tão lindo! – Alice suspirou. – Quem diria, hein Mister D? Você e Nina Stanley, sua pior inimiga no começo desse ano letivo!
- Pois é... – Mister D balançou a cabeça, sorrindo. – As voltas que o mundo dá.
- A proposta vai ser perfeita, Mister D – disse Jason, contente. – Pode deixar com a gente.
- Então, vamos começar, certo? – ele disse, sorridente e um pouco ansioso.
- Mister D, antes de começarmos, posso dizer uma coisa? – levei a mão ao ar.
- Claro Sean, fique à vontade.
- Na verdade não é exatamente dizer, e sim cantar – falei, indo até o centro da sala.
- Lá vem – Dorcas bocejou.
- Eu sou péssimo de discursos, então vou direto ao ponto – eu torci as mãos, meio sem graça. – Eu só queria dizer que... Os meus dias com vocês foram os melhores, e que todos vocês são os melhores amigos que eu poderia ter arranjado. Mesmo com todas as desavenças, brigas e momentos desconfortáveis, eu não trocaria isso por nada nesse mundo.
Recebi muitos sorrisos, principalmente de Lily, que piscava para mim. Alice logo começaria a chorar, então continuei.
- E já que grande parte de vocês vai embora, e que tudo isso vai simplesmente acabar... Eu pensei nessa música para vocês, a respeito de todas as coisas boas que passamos juntos.
Me virei para os músicos, anunciando a canção que eu queria. Eles logo começaram, tal como eu havia pedido.
Say good-bye to not knowing when
The truth in my whole life began
Say good-bye to not knowing how to cry
You taught me that
And I'll remember the love that you gave me
Now that I'm standing on my own
I'll remember the way that you changed me
I'll remember
Alice caiu no choro, e Lily, com o braço de James envolta dela, já tentava segurar suas lágrimas, enquanto o mesmo sorria para ela. Mister D fez uma expressão calma, meio que viajando. Os outros apenas se balançavam no ritmo (menos Lina, que fazia um movimento com a cabeça e estalava os dedos).
I learned
to let go
of the illusion that we can possess
I learned
to let go
I travel in stillness
And I'll remember
happiness
I'll remember
I'll remember
Até eu tentei não chorar, porque estando ali naquela sala eu recebi milhares de recordações. Quando fiz meu dueto de Lily que também foi minha audição, quando Maria e Dorcas trocavam tapas em todas as reuniões... Todos os ensaios, todas as indiretas por meio da música, todas as emoções tinham sido vividas ali.
And I'll remember the love that you gave me
Now that I'm standing on my own
I'll remember the way that you changed me
I'll remember
No I've never been afraid to cry
And I finally have a reason why
I'll remember (I'll remember)
No I've never been afraid to cry
And I finally have a reason why
I'll remember (I'll remember)
Pronto, chorei. Sophie e Maria também. Até Dorcas sorria, enquanto Lily havia começado a cantar ao fundo junto comigo, fazendo com que as meninas fizessem o mesmo. Foi mais um momento para eu guardar com carinho entre as minhas lembranças...
No I've never been afraid to cry
And I finally have a reason why
I'll remember
I'll remember
Para sempre.
Lily:
Olá, amor da minha vida. Me encontre no auditório.
P.
Assim que eu vi o "P" e associei com "Potter" já vi que lá vinha coisa. É claro, desconfiei de qualquer outra coisa que pudesse ser, como algum sonserino querendo pregar peça ou algum admirador secreto (eu juro que era o que eu menos queria agora). Fora isso, não conhecia nenhuma outra pessoa que tivesse "P" no nome. Só podia ser o bobo do meu namorado.
E pior que eu errei. Encontrei o garoto no meio do palco, os holofotes todos acesos.
- Sean! – exclamei, quando reconheci seu rostinho lindo. – É você?
- Eu sei que esperava pelo seu outro amor, mas é sempre bom surpreender alguém – ele disse, e então me abraçou.
- Posso saber o motivo do "P"? – perguntei.
- Ora, é do meu segundo nome – ele disse, pondo a mão na cintura e parecendo bravo. – Não acredito, Lily Evans! Não sabia que meu segundo nome era Paul?
- Seu nome é Sean Paul? Desculpe, mas nunca ia imaginar – falei, e ele deu de ombros.
- Evito usar. Não gosto muito.
- E então... Pra que requisitou minha presença nesse lugar tão lindo? – perguntei, olhando ao redor. Estava tão vazio e quieto... Tão incomparável a ontem.
- Você não vai sentir falta daqui? – ele perguntou, vagamente. – De poder vir desabafar sempre que quiser, de estar com os amigos numa apresentação para o público?
- Mais do que você imagina – soltei um suspiro, sorrindo. – Queria ter um desses em casa.
- Isso não chega a ser impossível – ele riu, e eu também.
Ficamos um pouco em silêncio, ainda olhando ao redor e lembrando de todas aquelas pessoas comemorando nossa vitória. Que sentimento bom era aquele...
- Sabe o que me dá vontade de fazer quando subo num palco? – ele perguntou, e então sorriu significantemente.
- Acho que o mesmo que eu.
Ele foi até o pequeno rádio (aquela famoso, mágico e misterioso radinho que eu queria muito ter uma em casa também), e em seguida olhou para mim:
- Tenho certeza que amará essa – sorriu, e então bateu nele com a varinha.
Reconheci ao primeiro toque, e sorri instanteneamente.
I'm limited
Just look at me - I'm limited
And just look at you
You can do all I couldn't do, Glinda
So now it's up to you
For both of us
Now it's up to you
E então apontei para ele. Ele se aproximou, cantando com aquela voz tão maravilhosa e tranquila de se ouvir. Até fechei os olhos para escutá-la ecoar pelo auditório.
I've heard it said
That people come into our lives for a reason
Bringing something we must learn
And we are led
To those who help us most to grow
If we let them
And we help them in return
Well, I don't know if I believe that's true
But I know I'm who I am today
Because I knew you
Ah, eu amava aquela música. Já era o segundo número de algum musical do dia, e eu não me cansava. E não me cansava de cantar, também. Imagino o que será do meu lado cantora quando eu deixasse aquele castelo...
Like a ship blown from its mooring
By a wind off the sea
Like a seed dropped by a skybird
In a distant wood
Who can say if I've been changed for the better?
But because I knew you
Because I knew you
I have been changed for good
Sean sorria para mim, seu sorriso tão puro e encantador. Uma pergunta: por que eu não havia conhecido ele antes mesmo? Até poderia ter me encontrado com ele sem perceber, guiado ele para alguma aula, sem se dar conta que eu estava diante do melhor amigo que uma garota podia ter.
And just to clear the air
I ask forgiveness
For the things I've done you blame me for
But then, I guess we know
There's blame to share
And none of it seems to matter anymore!
Ele segurou minhas mãos e cantamos com toda a emoção, o mais alto que pudemos e lágrimas também descendo. Céus, era incrível como eu facilmente estava me emocionando por esses dias!
Like a comet pulled
Like a ship blown
From orbit as it
Off it's mooring
Passes a sun, like
By a wind off the
A stream that meets
Sea, like a seed
A boulder, half-way
Dropped by a
Through the wood
Bird in the wood
Who can say if I've been changed for the better?
I do believe I have been changed for the better
Sean secou minhas lágrimas, e eu sequei as dele. Demos uma pequena risada por causa disso.
And because I knew you
Because I knew you
Because I knew you
I have been changed
For good
A música foi acabando tão calmamente que deu até uma paz de espírito. Sean continuava a sorrir para mim.
- Não sei o que vai ser de mim sem você nesse castelo – ele disse, segurando minhas mãos com mais firmeza. – Eu te amo, Lily Evans.
- Eu te amo, Sean McBouth – respondi, e então nos abraçamos.
Ficamos assim por muito tempo, abraçadinhos. Amigos... O que seríamos sem eles?
Remo:
- Te achei! – Lina exclamou, assim que eu cheguei na Sala Comunal. – Vamos?
- Para onde? – perguntei, enquanto ela já ia me puxando em direção ao retrato da Mulher Gorda.
- A turma está nos jardins para um piquenique, assistir ao pôr do sol e essas coisas – ela disse, animada. – Não é estranho? Vamos terminar a escola. Parece ontem quando eu recebi minha cartinha.
E então fomos para o jardim, Emelina continuando a falar sobre não querer terminar a escola. Nem eu, aliás. Foram sete anos, quase a metade da minha vida. Não seria fácil dizer adeus a tudo aquilo.
Encontramos todo mundo sentado numa bétula que muitos alunos adoravam e às vezes até brigavam por ela. O lugar também era muito bom, com uma sombra fresca e uma ótima vista para o lago.
Fomos recebidos com muitos "ois", e sentamos para compartilhar a refeição que eles haviam trazido. Todos estavam ali, inclusive Benn e Alicia (eu ia perguntar a respeito de Eric, mas preferi deixar pra lá, já que eu não sabia o que tinha acontecido entre ele e Sophie).
Estava sendo uma tarde completamente agradável. O sol deixava o céu com uma linda mistura de cores. Os pássaros cantavam e a Lula Gigante brincava no Lago Negro.
- Lily, você lembra o que costumava dizer sobre James? – Alice disse, rindo, enquanto conversávamos e comíamos. – Em meados do quinto ano, quanto ele não parava de chamar você pra sair? Que você não sairia com ele nem que tivesse que...
- ... escolher entre ele e a Lula Gigante – Lily completou, para riso geral. – Eu adorava usar esse argumento!
- Pobre Lula Gigante, saiu perdendo – Sirius comentou, e rimos novamente.
- Quem diria, hein? – Dorcas disse com zombaria. – Tanto menosprezou o garoto e agora está aí, só namorando ele.
- Ela não resistiu aos meus encantos – James deu de ombros, e Lily beijou-o levemente. Dorcas revirou os olhos.
- Estava na cara que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde – disse Maria, comendo alguns morangos. – E vocês se lembram também no quinto ano...
- Ah, não! Vamos recordar de coisas recentes para que eu possa participar também! – John protestou, aborrecido, fazendo com que ríssemos.
- Tudo bem, então, mala – Maria disse, represada. – Vamos falar de fatos recentes, tipo... Quando levamos aquela chuva de gosma na primeira competição!
- Nem gosto de lembrar – Sophie se arrepiou.
- Maldita gosma! Espero que a Zonko's se livre daquilo e tire completamente de estoque! – Alice disse, com uma careta.
- E o pior de tudo foi que Lily colocou a culpa daquilo em mim! – James falou, chateado. – Nunca confiando em mim, como sempre...
- Bom, você estava escondendo algo naquela hora em que eu te achei no camarim, bem que podia ser a gosma! – Lily justificou. – Como eu ia imaginar que era o sutiã da Beth?
- O quê? – perguntamos ao mesmo tempo.
- Meu sutiã? – Beth arregalou os olhos. – Que história é essa, James?
- Não olhem desse jeito pra mim! – ele protestou, quando viu várias caras espantadas. – Foi o Sirius!
- Droga, Pontas! Sério que você vai contar isso? – foi a vez de Almofadinhas ficar bravo. – Era pra ser segredo!
- Me expliquem! – Emelina implorou.
- Sirius praticamente me forçou a ir com ele ao camarim na hora que ninguém estava lá, só pra pegar o sutiã da Beth – James disse, e Sirius escondia a cara enquanto isso. – Lily apareceu bem na hora que ele havia me dado pra segurar enquanto ia no banheiro, se não me engano. Tive que esconder pra ela não pensar que fui eu!
- Que safado, Sirius – as meninas comentaram.
- É um cachorro mesmo...
Almofadinhas ergueu a cabeça, envergonhado, e olhou diretamente para Sophie para ver sua reação. Ela não reagiu de forma alguma, apenas continuando a comer e a observar a conversa.
- Sabe o que eu estava pensando no outro dia? – Franco mudou de assunto. – O tanto que a gente pagou mico durante toda a competição. Um número totalmente explícito e safado? Um número em que vomitaram enquanto estava no palco? Fomos os primeiros, sem dúvidas...
- Nem me lembre disso. Minha barriga revira e minha cabeça dói só de lembrar das doses de uísque de fogo – Dorcas resmungou, com a mão sobre o estômago.
- Inesquecível aquela festa – Sirius sorriu, orgulhoso de si. – Não houve melhor.
- E o que vocês fizeram, pelo amor de Merlin! – Alice exclamou. – Se contarmos nem vão acreditar, já que não se lembram...
- É melhor não contar... – todos murmuram.
- Dorcas começou a fazer strip-tease – Franco soltou, sem piedade. Alguns engasgaram, mas Dorcas tratou isso com descaso.
- Faço um agora se quiserem – disse simplesmente.
- E Maria quase fez um também, e não parava de filosofar o tempo inteiro – Alice contava e não parávamos de rir. – Emelina, você ficava cantando com gente que você nem conhecia!
- Sempre fui amigável com todos – ela tentou se justificar.
- Lily estava doidona, James deprimido... – Franco foi se lembrando. – Sophie, não tem ideia do quanto você armou briga.
- Ei! Estão falando de um assunto que eu também não posso participar! – John protestou. – Eu não fui na festa!
- O Remo também estava pra baixo – Alice ignorou John. – Beth, sem comentários pra você...
- É melhor mesmo. Já recebi a notícia que meu sutiã está perdido por aí e não quero mais más notícias...
- Ei gente, olhem que lindo! – Alicia de repente disse, apontando para o céu.
O sol finalmente descia e refletia no lago. Fazia um silêncio completo e total, e aproveitamos para nos calarmos também. Apenas ficamos lá, observando e apreciando aquele lindo espetáculo da natureza. Último pôr do sol que víamos em Hogwarts, já que amanhã nesse horário provavelmente estaríamos nos aprontando para o baile.
- É lindo... – comentei, e então sorri para Lina abraçada a mim. Ela ficava ainda mais bonita com a cor do sol batendo em seu rosto. Ela se inclinou e me beijou levemente, ao mesmo tempo em que Alice puxava a canção:
There are places I remember all my life,
Though some have changed,
Some forever, not for better,
Some have gone and some remain
All these places had their moments
With lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life I've loved them all
Era uma linda música, e era perfeita para o momento. O sol ia descendo e continuávamos a cantar. Um foi colocando o braço nas costas de outro, e logo estávamos todos abraçados e juntos, contemplando aquela paisagem.
But of all these friends and lovers,
There is no one compares with you,
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new
Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before,
I know I'll often stop and think about them,
In my life I'll love you more
Nada melhor do que estar com quem ama e se sentir amado, isso era o que eu acabei por aprender durante todos aqueles anos em que estive ali. Amor dos amigos, principalmente... Nada melhor do que isso.
In my life I'll love you more
In my life I'll love you more
James:
Eu realmente não imaginaria que eu estaria ali. Era o lugar que eu menos esperava estar na véspera da minha formatura.
- Olá, bem-vindos! – o professor alegrou-se quando eu e Lily chegamos.
Estávamos no Clube do Slugue, o clube dos favoritos (e puxa-sacos) do professor de Poções, Slughorn. Tudo começou quando eu e Lily voltávamos dos jardins. O professor nos abordou e Lily fez uma cara totalmente culpada.
- Lily, aí está você! – ele disse, talvez sorrindo por baixo daquele enorme bigode. Não dava para saber. – Te procurei por toda parte!
- Olá, professor – ela respondeu, educadamente.
- Espero que não tenha se esquecido da festa do Clube do Slugue de hoje – ele riu-se. – Provavelmente não se esqueceria, já que mandei os convites há algumas semanas.
- Não me esqueci, senhor – ela disse, sorrindo amarelo. – Estarei lá.
- E acho que já tenho uma ideia de quem vai ser o escolhido pra ser seu acompanhante – ele olhou para mim e sorriu. – Vocês formam um lindo casal.
- Obrigado, professor – respondi, animado e me divertindo com as caras que Lily fazia.
- Bom, nos vemos lá. Não se atrase, Lily!
O professor se afastou, e Lily passava a mão pela cara e estava visivelmente em dúvida se ria ou se mostrava preocupação.
- Acho que vou ter uma festa para ir hoje – falei, e ela não resistiu a rir.
- Desculpe, James – ela disse, ajeitando a gola da minha camisa. – Eu me esqueci completamente dessa festa. Recebi o convite e simplesmente joguei ele de lado. E agora... Você vai ter que sofrer a tortura comigo.
- Nossa... A festa é tão ruim assim?
Lily bufou, e só mais tarde fui descobrir que sim, era ruim. Uma música qualquer tocava ao fundo, enquanto comida e bebida era servida para todos. Até aí tudo bem, até Slughorn começar a falar para todos as imensas qualidades dos alunos presentes. Tinha alunos de todas as casas, e até cumprimentamos uma das líderes de torcida do sexto ano que também estava por lá. Parecia que sua mãe tinha sido aluna de Slughorn também, e hoje tinha um ótimo emprego no Ministério.
E a festa estava se resumindo a isso. O professor ia falando e falando pra todos sobre seus alunos, enquanto começava a ficar meio tonto de tanto beber hidromel. Chegou até a nós e começou a destacar as grandes qualidades de Lily em Poções, e até citou sua bela voz. Disse que só não chamou todos do coral porque não sabia seus nomes. Passou por mim e disse que eu era um excelente aluno, se não fosse tão bagunceiro. É claro que eu ia protestar, dizer que eu sosseguei graças à ruiva, mas decidi deixar pra lá.
Os maiores de idade presente começaram a beber também. Alguém aumentou o volume da música e começaram a dançar. Eu e Lily dançamos por um tempo, ela rindo dos meus comentários a respeito do que Slughorn falava.
- Eu gosto dele, apesar disso – ela disse, depois de muito rir, enquanto dançávamos lento.
- Me diga uma pessoa que você não gosta – bufei.
- Ah, tem várias, James! – ela disse, e começou a contar. – Stanton, Elliot, alguns outros sonserinos...
E parou. Voltou a pensar, mas não disse mais nada.
- Fico surpreso que Gravelle não esteja nessa lista – comentei.
- Ela veio me pedir desculpas, ontem, antes de nos apresentarmos – contou Lily. – Parecia sincera.
- Uau, por essa eu não esperava – falei, surpreso.
- Nem eu – Lily disse. – Ela quis falar com você também, mas ela disse que você fugiu dela.
- Evitar distrações. Não queria me desconcentrar antes de entrar no palco – dei de ombros, e ela riu novamente.
- Pensando bem... Adicione outra pessoa que eu não gosto – ela disse, me olhando como se me desse uma bronca. – Louise Cooper.
- A sua colega de quarto? – perguntei, sem entender, e ela assentiu.
- Ou vai me dizer que você é mulherengo o suficiente para não lembrar que já ficou com ela? – ela disse, e só com sua voz ciumenta eu associei as coisas.
- Até hoje?
- Ela nem me pediu desculpas! – Lily protestou, e eu gargalhei. – Eu sei que nem estávamos juntos naquela época... Mas ela dorme no meu quarto! Era pra ela ter se ligado!
- Bom, se ajuda, eu apenas fiquei com ela porque estava tentando me esquecer de você.
- Não, não ajudou – ela cerrou os olhos, parecendo ameaçadora. – Piorou tudo. Ficar com a minha colega de quarto pra me esquecer? Isso parece mais uma provocação infantil e idiota.
- Certo, certo – cedi. – Foi meio de propósito. Mas eu me senti totalmente culpado depois, pode ter certeza disso.
- Sei.
- Passado é passado, ruiva.
Ela não respondeu.
- Você ciumenta é mais linda.
- E você falando isso é mais babaca.
Soltei uma risada, então a peguei de surpresa e a tombei em meu braço, a fim de beijá-la longamente até ela rir. Consegui, como sempre.
- Bobo – ela me bateu de leve, quando a coloquei de pé novamente. Depois disso, suspirou. – Não quero mais ficar aqui. Slughorn está até roncando no sofá.
- Estou topando ir embora – falei, e ela assentiu.
- Vem, vamos. Temos um lugar melhor para ir.
E saímos de lá, deixando os bêbados e a música depressiva para trás.
Maria:
Havíamos nos reunido mais uma vez. Nesses últimos dias a união era essencial, não? Levamos isso muito a sério.
Give me a second I
I need to get my story straight
My friends are in the bathroom
Getting higher than the empire state
My lover he's waiting for me
Just across the bar
My seats been taken by some sunglasses
Asking 'bout a scar and...
Lily chamou James, e ele entrou no palco, cantando.
I know I gave it to you months ago
I know you're trying to forget
But between the drinks and subtle things
The holes in my apologies
You know I'm trying hard to take it back
E em seguida Jason e Sophie também chegaram, e abraçaram o casalzinho lá no palco. Quando os dois irmãos sorriam, ficavam muito parecidos. Só agora eu havia notado isso.
So if by the time the bar closes
And you feel like falling down
I'll carry you home
E foi aí que todo mundo foi chegando. Subi no palco, e logo veio Sirius, Alice, Franco, Emelina, Remo, Beth, John, Dorcas e Sean. O coral original da Grifinória estava no palco novamente. Provavelmente era a última vez que estaríamos ali todos juntos.
Tonight
We are young
So let's set the world on fire
We can burn brighter
Than the sun
Tonight
We are young
So let's set the world on fire
We can burn brighter
Than the sun
E então mais gente começou a chegar. Sean puxou Benn para cima do palco, e eles deram um selinho. Em seguida veio a amiga de infância deles, a Schain, e parecia até emocionada de ter sido chamada ali. Os três trocaram um longo e forte abraço.
Outro que apareceu foi Jessie. Lily pegou em sua mão e vi que James batalhou para não deixar claro sua irritação. Trocaram um aperto de mão, porém Lily os forçou a sorrir.
Now I know that I'm not
All that you got
I guess that I
I just thought maybe we could find a ways to fall apart
But are friends in back
So let's raise a cup
Cause I found someone to carry me home
Os Bronwen também chegaram. Mesmo que Sophie não estivesse tão íntima assim com Eric mais, foi ela que pegou em sua mão e o trouxe mais pra perto, enquanto John carregava Alicia de cavalinho. Suzz também chegava, e eu e Sean a abraçamos. Nunca nos esqueceríamos da ajuda dela no nosso número da Madonna no jogo de quadribol.
Nina surgiu do outro canto do auditório, e Alice e Franco foram os que a trouxeram para o palco. Foi recebida com abraços calorosos de todos, sorrindo aberta e emocionadamente.
Tonight
We are young
So let's the set the world on fire
We can burn brighter
Than the sun
Tonight
We are young
So let's set the world on fire
We can burn brighter
Than the sun
E a pessoa que mais esperávamos chegou. David Moreau apontou pela entrada lateral, abrindo a cortina e se alegrando com o que via. Eu e mais um tanto de gente corremos até ele e o levantamos no ar. Ele ria, vermelho, ficando tímido. Nina deu um beijinho quando ele foi colocado em segurança no chão.
Carry me home tonight
Just carry me home tonight
Carry me home tonight
Just carry me home tonight
The world is on my side
I have no reason to run
So will someone come and carry me home tonight
The angels never arrived
But i can hear the choir
So will someone come and carry me home
E a última pessoa que chegou sem dúvidas era a mais tímida de todas. Mal havíamos percebido sua presença se Lily não tivesse ido buscá-la. Foi uma cena que eu nunca imaginaria ver na minha vida. Lily pegou na mão de Gravelle e a trouxe até nós, cantando:
Tonight
We are young
So let's set the world on fire
We can burn brighter
Than the sun!
James beijou o rosto de Gravelle – outra cena chocante – e voltamos a cantar com os amigos, rindo de alguma bobeira e abraçando os outros. Eu e Jason chegamos até a Dorcas e a abraçamos, depositando um beijo em seu rosto, cada um em um lado. Ela não esperava por aquilo, mas ultimamente nossa vida estava cheia de surpresas mesmo.
We are young! Yeah, yeah, yeah!
Tonight
We are young
So let's set the world on fire
We can burn brighter
Than the sun!
Emelina abraçava Benn, Lily cantava com Jessie e James com Gravelle. Mister D cantava com Nina, quer dizer, parecia é querer cantar para o bebê que estava crescendo em sua barriga. Os Bronwen cantavam juntos com os McKinnon, e foi assim que terminamos nossa noite de sábado.
Olhando no começo de tudo, quem imaginaria que seria assim que estaria terminando?
So if by the time the bar closes
And you feel like falling down
I'll carry you home
Tonight
Músicas:
1- My Cup
2- As Long As You There
3- Pretending
4- Light Up The World
5- Paradise By The Dashboard Light
6- Tongue Tied
7- We Are The Champions
8- Nowadays / Hot Honey Rag
9- I'll Remember
10- For Good
11- In My Life
12- We Are Young
