Capítulo 37

EDWARD

"O que mãe? Fala!"

"Aconteceram algumas complicações no parto..."

"Puta merda!" Jasper realmente não sabia de nada. Mas isso era o que menos importava no momento.

"Onde está Bella? Onde estão os meus filhos? O que vocês estão me escondendo?"

Desabei em uma das cadeiras, desesperado, e minha mãe se abaixou na minha frente, segurando as minhas mãos.

"Seus filhos estão ótimos. Nasceram perfeitos e saudáveis. São lindos como os pais."

Notei que ela não falou de Bella, e levantei afobado, quase a derrubando sem querer.

"E Bella mãe? O que aconteceu?" Eu já havia começado a chorar. "Por que você não fala dela? Me fala, porra! O que vocês estão escondendo?"

Ela me abraçou, e eu sentia minhas lágrimas molhando sua roupa.

"Ela... Eles... tiveram que levá-la... para a UTI... Para se recuperar."

Soltei da minha mãe, e comecei a perambular pelo hospital, procurando onde ficava aquela porra daquela UTI.

"Você não pode entrar lá, filho. Acalme-se! Eles a estão tratando muito bem. Por favor, não se afobe." Meu pai falou com a mão no meu ombro.

"Não me afobar? Não pai! Eu preciso vê-la! Eu preciso!"

Minha mãe começou a me puxar para longe deles, e eu achei que ela estivesse me levando para lá. Mas no momento que comecei a sentir um cheiro de talco, entendi para onde ela me levava.

Paramos de frente para o vidro do berçário, e lá estavam vários bebês em seu tranquilo sono. Eu já estava mais calmo, mas minha cabeça ainda girava.

"Vem comigo."

Acompanhei-a por mais um corredor, e entramos em um berçário menor, no qual só haviam dois bebês. Uma enfermeira nos viu pelo vidro da porta, e obviamente me reconhecendo, fez um gesto para que eu entrasse.

"Fique calmo por eles, Edward. Eles precisam de você. Vai dar tudo certo meu filho. Tenha força."

Segurei o choro que queria romper de dentro de mim, e segui a enfermeira para que eu pudesse me limpar e chegar perto dos meus filhos.

Lá estavam aquelas duas coisinhas branquinhas, enroladas em mantas brancas dentro da incubadora. Nathan e Sophie. Sorri ao vê-los e deixei as lágrimas que prendia caírem de meus olhos. Eles eram lindos. Tão reais. Tão pequenos...

Passei meu dedo de leve no rostinho deles, e eles começaram a se mover. Minhas grandes mãos eram um contraste tão grande diante daqueles seres tão delicados.

Senti falta de Bella ao meu lado, me perguntei se ela teve a chance de vê-los. De tocá-los. Meu coração se apertou. Com muita relutância eu saí de perto deles. Senti uma falta absurda dela e resolvi me despedir dos meus pequenos para saber sobre a mãe deles.

"Você viu, meu filho, como eles são lindos?"

"Vi mãe."

"Por favor, não fique assim. Você está me matando Edward."

"Cara, daqui a pouco Bella vai estar aqui brigando comigo de novo. Você vai ver só." Jasper tentava fazer piadas, mas eu não tinha ânimo para rir.

"Eu sei gente. Ela vai, eu não vou deixá-la escapar assim. Mas é que... Porra, eu estou assustado. Ela é um pedaço de mim. Se ela não está bem, eu também não estou. É difícil."

Eles assentiram e ficaram em silêncio.

Mas que porra eu estava fazendo sentado aqui? Eu precisava vê-la! Precisava ver com meus próprios olhos como ela estava.

Levantei agitado da cadeira, assustando os outros, e, como se soubesse o que eu fosse fazer, minha mãe se colocou na minha frente.

"Não vou deixá-lo fazer nenhuma besteira."

"Eu tenho que vê-la! Eu preciso!"

"Eu sei Edward, mas espere o médico vir falar com você. Ele virá em instantes. Seu pai o chamou enquanto estávamos lá dentro."

"Então cadê ele? Por que não apareceu ainda?"

"Procurando por mim?" Um rapaz com não mais de 30 anos apareceu ao nosso lado.

"Sim, Doutor Foreman."

"Esse é o médico que está cuidando da minha Bella?"

"Edward!"

"Tudo bem, Senhora Cullen. Já estou acostumado com essa reação. Deixe-me contar minha história a ele." E eu lá estava com paciência para ouvir! Mas não tive escolha. "O único paciente que perdi, foi minha própria mãe. Quando ainda fazia residência e acompanhava um dos mais respeitados médicos dos Estados Unidos. Depois desse dia, me empenho o máximo que posso para não deixar que outros percam seus entes queridos. E tive sucesso em todos os casos. Mas, se ainda assim, preferir que outro médico cuide de sua esposa..."

"Meu Deus! De-des-desculpe por isso Doutor." Passei a mão pelo cabelo sem graça. "Eu não costumo ter esse tipo de reação. Quem sou eu, para julgar os outros? Eu só... Só estou assustado para a porra com tudo isso... Por favor, me desculpe." Ele assentiu entendendo, e eu continuei. "Eu não posso perder a minha pequena. Eu preciso dela comigo. Me ajude, por favor."

Minha mãe colocou uma mão no meu rosto enquanto o médico apontou para que nos sentássemos.

Doutor Foreman me explicou que Bella precisou fazer uma cesariana de emergência, e que no meio dela surgiram algumas complicações. Ela perdeu muito sangue e acabou tendo uma parada cardíaca, mas foi reanimada logo em seguida.

Eu olhava para ele me explicando o restante, mas não conseguia me concentrar. Nada do que ele dissesse tiraria o meu medo de perdê-la. Só quando ela estivesse nos meus braços novamente, com os nossos filhos, eu ia respirar de novo.

Confirmei o que quer que ele tenha perguntado para mim antes de levantar, e fiquei por mais não sei quanto tempo olhando para o nada. Divagando.

Ouvia as pessoas falando ao meu redor, mas não queria responder. Não conseguia. Eles falavam sobre tudo, e sobre nada. Eram zumbidos inúteis. Nenhum era a voz da minha pequena.

Porra!

Eu não aguentava mais!

"Vou ao banheiro."

Achei que tivesse visto um banheiro quando fui ao berçário, e me dirigi para lá. Mas não sei se me enganei, ou se ignorei o banheiro, mas acabei parando na mesma porta de antes, olhando para a enfermeira segurando um dos bebês que chorava.

Quando voltei a mim, notei que eu havia tirado a criança do colo da enfermeira e estava embalando-a.

Foi um momento meio estranho, porque eu me senti meio Ethan. Aquela pessoinha pequenininha, tão frágil nas minhas enormes mãos. Fiquei com medo de segurar no lugar errado, apertar forte demais e quebrá-la.

Fiquei de pé, me balançando enquanto via os olhinhos claros serem fechados e o único som da sala ser a minha voz cantarolando.

"Senhor, eu devo colocá-lo de volta."

"Então esse é o meu menino."

"Sim." Olhei para aquele rostinho lindo, e ri como um bobo.

"Seja bem-vindo Nathan, meu amor. Eu prometo que logo sua mãe estará aqui conosco. Eu prometo."

Entreguei-o à enfermeira, e me lembrei da corrente no meu pescoço. Tirei-a e parti os dois pedaços.

"Será que... Eu posso deixar com eles? Perto deles?"

"Claro, dê-me aqui."

A enfermeira colocou cada uma junto de seu respectivo dono, e eu tive que sair de volta para o marasmo da sala de espera.

Não mesmo!

Olhei as placas do hospital, e segui confiante pelo corredor a caminho da UTI.

Eu acho que pela primeira vez fiquei feliz por deslumbrar as pessoas, e fazê-las me olharem sem reação. Passei por corredores que tenho certeza que não poderia passar, e cheguei à porta que tanto queria.

Respirei fundo ao ler as enormes letras vermelhas na placa acima da minha cabeça e segui em frente.

As pessoas começaram a me olhar de forma estranha, mas as ignorei. Ninguém ia me impedir de ver Bella agora.