Capítulo 36 - Love and Wisdom

A forma de viver o amor é uma sabedoria, arte até, de muito poucos e raros seguidores: consiste em fazer feliz a quem se ama.

(Artur de Távola)

PoV Bella

Por mais que todas as células do meu corpo me implorassem para que eu ficasse deitada e continuasse a aproveitar aquele colchão macio e fofinho, o vazio de não ter Edward ao meu lado acabou me tirando o sono aquela manhã.

Após me espreguiçar, abri meus olhos, procurando por ele, mas a única coisa que vi foi a janela, pincelada por todos os floquinhos de neve que caíam lá fora. Esse lugar era simplesmente incrível. Lindo. Calmante e romântico. Eu tinha que agradecer muito a Alice por ter nos dado de presente essa viagem.

Não só pelo lugar em si; Eu e Edward estávamos passando um dos melhores finais de semana de nossas vidas. Eu ria timidamente toda vez que ele chamava Vermont de uma "lua-de-mel adiantada", mas não tinha melhor descrição que essa. Porque parecia uma lua de mel sim. Passeávamos um pouco depois do almoço, fazíamos bonecos bem gorduchos na neve que se acumulava do lado de fora do nosso chalé.. o resto do tempo ficávamos somente em nosso quarto, e estávamos tirando aqueles dias simplesmente para curtir um ao outro sem ninguém para atrapalhar. Eramos nós. Apenas nós dois e Anthony. E isso rendeu uma proximidade ainda maior do que eu já imaginava que tínhamos. Eu me sentia muito mais a vontade, não tinha tanta vergonha em falar meus desejos, cheguei a andar pelada pelo quarto uma vez e mesmo ruborizando demais, já tinha até falado a palavra "sexo" três vezes...

Era nosso ninho de amor. E eu não queria ir mais embora.

A primeira vez que... fizemos depois de sua volta, na madrugada do meu aniversário, não tinha sido completamente agradável, muito menos confortável, mas supriu uma necessidade que eu vinha passando praticamente o dia inteiro. A médica avisou que eu teria essas vontades do nada, mas nunca pensei que seria algo tão intenso. Edward foi completamente perfeito comigo, se preocupando, me tratando com carinho, e ali, a partir daquele dia, uma porteira gigante de vontades foi aberta. Agora, já tínhamos atingido um nível de conforto tão bom que eu estava começando a achar que precisaria de tratamento. Porque eu tinha vontades o tempo inteiro. Eu queria Edward o tempo inteiro. E bom, ele não estava reclamando disso. Muito pelo contrário.

Já era domingo, nosso último dia em Vermont, mas não deixei de abrir um sorriso ao lembrar de como nos amamos na noite anterior. Edward era o namorado/futuro marido perfeito, e era o maior presente que Deus já podia ter me dado, junto com Anthony. Hoje em dia eu não me sentia tão incompleta ao pensar em Reneé e Charlie. O pai do meu bebê e meu próprio bebê estavam suprindo toda a ausência maternal, me dando todo o amor do mundo. Eu já não me sentia mais sozinha. Eu tinha minha família.

Me espreguicei novamente e bocejei, ainda sentindo a moleza intensa causada pelo sono e pela noite incansável que tivemos. O quarto estava bem quentinho por conta da lareira que tinha passado a noite inteira acesa e o que me cobria era apenas um lençol bem fino, e uma camisola azul de seda, também presente de Alice.

Olhei para trás e sorri ao ver Edward sentado em uma poltrona ao lado da lareira. O quarto estava escuro então só dava para ver um tom amarelado de fogo atingindo seu corpo como se fosse uma sombra, e aquilo era simplesmente lindo demais. Cheguei a suspirar. Ele estava sem camisa, apenas uma calça de pijama azul e branca bem baixa na cintura, e lia um livro, completamente entretido naquelas milhares de páginas.

Levantei bem devagar, esperando que ele não percebesse, mas assim que coloquei meus pés no chão do quarto e ajeitei minha camisola na altura das coxas, ele largou o livro, e me olhou, sorrindo.

- Bom dia minha princesa... vem cá... - ele esticou os braços em minha direção, e só não corri porque seria patético em uma distância daquelas. Me sentei em seu colo e ele me aninhou em seu peito, em um abraço delicioso. - Dormiu bem, anjinho?

Apenas assenti, passando meu rosto por seu peito tão cheiroso, levando minha cabeça para o vão de seu pescoço e respirando fundo. Sim, eu estava manhosa. Mas Edward era perfeito e eu podia ter o luxo de ficar assim. Ele me paparicava do mesmo jeito.

- Gostou da nossa noite? - ele deu um beijo no topo de minha cabeça e eu pude sentir que seus lábios estavam formando um sorriso no momento em que ele me fez a pergunta. Nossa noite realmente tinha sido perfeita.

- Amei... - senti minhas bochechas ruborizando, mas não fiz nenhum esforço para escondê-las. - Como todas as outras, foi simplesmente perfeita... eu amo estar com você. - desabafei. Agora eu não tinha mais tanto receio de falar o que sentia. Nem tanta vergonha. Eu simplesmente falava. E Edward merecia qualquer palavra de carinho que eu pudesse falar.

- Eu também amo estar com você, meu sorriso... - ele afagou minha cabeça, cheirando-a e dando mais e mais beijos em meus cabelos. - Não quero mais passar um dia da minha vida sem ter você ao meu lado.

- E você não vai. Não vamos mais nos separar. - respondi, olhando a aliança em minha mão que estava apoiada em seu peito. Comecei a acariciar o início do pescoço de Edward com meu indicador e ele apenas respirou fundo, apertando sua pegada em mim. - O que estava lendo? - sussurrei. O ambiente estava tão calmo que simplesmente não combinava falarmos alto.

- Um livro sobre maternidade... para entender melhor as coisas que estão acontecendo com você... essas mudanças de humor, essas crises hormonais... principalmente o negócio da falta de ferro, que é o que mais me preocupa...

- Desculpa se meu humor tem sido estranho ultimamente. E prometo controlar minhas crises hormonais... - falei, com apenas um pequeno fundo de verdade. Na realidade eu tinha segurança o suficiente para saber que Edward não se importava com nada disso. E quanto às mudanças hormonais, ele até gostava. Eu bem tinha reparado o jeito que ele tinha olhado para meus seios na noite anterior, antes de beijá-los. Eles estavam bem maiores.

- Eu não falei hora nenhuma que me incomodo com isso, meu anjo. - sua mão direita passeava por meu braço, deixando uma trilha bem quentinha e aconchegante em minha pele. A esquerda fazia a mesma coisa, em minha coxa nada protegida. Alice devia ter feito de propósito ao me dar uma camisola tão curta. - Só estou lendo para entender mesmo.. para não errar com você... para saber como agir quando você precisar de mim... eu quero estar ao seu lado em tudo o que acontecer, e ser aquele a fazer melhorar seus desconfortos... - ele deu um beijo em minha têmpora e ficou com seus lábios ali. - Entendeu, minha menina?

- Entendi. - sorri, dando um beijo leve em seu maxilar. Edward estava com um cheirinho maravilhoso e mentolado em seu queixo e foi quando pude perceber que ele tinha feito a barba. O escuro havia me impedido de ver. - E o que viu sobre o ferro? Será que um dia eu me livro desses remédios? O comprimido é enorme, tenho que sempre partir em dois para conseguir tomar...

- Pelo que li você ainda vai ter que tomar mais um pouco depois que Anthony nascer... para que isso não te prejudique. - ele colocou a mão em minha barriga e acariciou. - Nosso bebê está se aproveitando de todas as suas vitaminas, e tudo de bom que você ingere... é comum você ficar fraca com isso... - ele respirou fundo, ainda passando sua palma por minha barriga. - Ele não faz por mal, mas quero que você se cuide, e continue tomando direitinho, para que nada de ruim aconteça, nem com você, nem com ele.. está bem? - ele falou com sua boca imprensada na lateral de minha cabeça, enquanto me ninava de forma suave e confortante.

- Está bem. - assenti.

- Estamos combinados? - ele sorriu.

- Estamos combinados. - ecooei, revirando meus olhos.

- Está revirando os olhos para mim, Isabella? - ele falou em tom brincalhão, levando sua mão para a lateral de minha barriga e ameaçando fazer cócegas.

- Nem se atreva Edward, não se deve fazer cócegas em mulheres grávidas! - alertei, mas querendo rir.

- Não li isso em canto nenhum do livro. - ele levantou uma sobrancelha.

- Mas é! - ri. - É verdade! - comecei a rir ainda mais quando senti seu rosto vindo na direção do vão do meu pescoço. Edward entrelaçou nossas mãos e começou a me dar pequenos beijinhos com os lábios semi-cerrados, deixando um pequeno rastro molhado e arrepiante.

Ele me deixava louca.

- Isso também não se deve fazer.. - sussurrei. Ele foi subindo os beijos por meu pescoço, maxilar, até chegar no cantinho de meus lábios.

- Você não resiste. – ele falou junto a um sorriso torto, passando seu nariz por minha bochecha e me fazendo ouvir sua respiração bem intensa. – Resiste?

- Não. – engoli em seco.

- Ainda está cedo... quer voltar pra cama? – ele sussurrou sorrindo, subindo sua mão por minha camisola fina, alcançando a barra de minha calcinha. Isso causou um gelado já conhecido em meu estômago, que contrastava absurdamente com o calor do meu baixo ventre. Paraíso.

- O que exatamente vamos fazer na cama? – apoiei minha mão em seu pescoço, encontrando seus fios de cabelo com a ponta de meus dedos.

Ele apenas me beijou.

- O que você acha? – seus dentes brincavam com meu lábio inferior, intercalando com beijinhos. O sorriso de Edward era tão lindo que tirava todo o meu ar algumas vezes.

Nem respondi. Só sorri de volta. Tinha como negar?

Edward esticou seu braço por baixo de minhas pernas e me pegou no colo, andando aquele pequeno e curto espaço entre a poltrona e nossa cama. Eu não parava de rir, com medo de cairmos no chão por conta de meu peso, mas para ele, parecia que eu não tinha engordado nada. Me carregou como se eu fosse uma folha de papel. No momento em que minhas costas encontraram novamente aquele colchão macio e os lábios de Edward começaram a passear por meu corpo, eu tive a plena certeza de que eu realmente não queria ir embora daqui.

Quando abri meus olhos novamente, acho que já era bem mais tarde. Não posso falar a hora exatamente porque o tempo lá fora ainda parecia o mesmo, por conta da neve. Era apenas uma paisagem ameno, azul e branco.

Dessa vez meu corpo estava nu embaixo do lençol. E Edward não estava diferente, deitado de barriga para baixo e abraçado com o travesseiro. Olhei para os traços fortes de suas costas e as pequenas sardinhas que ele tinha ao longo da espinha, não resistindo em percorrer meus dedos na linha que ia de sua nuca até as covinhas antes do bumbum. Sua pele era macia, cheirosa, e eu simplesmente tinha vontade de mordê-lo inteiro. Ele mexeu o corpo, provavelmente tomando conhecimento de meus dedos, e logo abriu aqueles olhos perfeitos e sonolentos para mim.

- Hey. - ele deu um sorriso preguiçoso, com os lábios ainda imprensados no travesseiro.

- Hey.. - passei minha mão por seu rosto. - Desculpa se te acordei. Volte a dormir...

- Pra que fechar meus olhos se estou tendo uma visão tão perfeita? - ele sorriu e levantou seu corpo, apoiando-se nos cotovelos e levando sua mão esquerda em meu rosto, ajeitando meu cabelo embaraçado. - Já deve estar tarde e você ainda nem se alimentou... Está com fome? - seu carinho estava tão gostoso, tão calmante, que por pouco fui uma mãe egoísta e negligente, bloqueando o quanto Anthony estava implorando por comida. Mas o meu estômago foi mais forte.

- Morrendo de fome. Daqui a pouco Anthony me dá uma voadora. - falei baixo, jogando minha cabeça no travesseiro e não tirando meus olhos dos dele. - Mas ao mesmo tempo estou com tanta preguiça... - bocejei.

Edward sorriu enquanto me olhava.

- Own, minha menina preguiçosa... - ele inclinou seu corpo, me dando um beijo leve nos lábios. - O que quer comer? Me fala que eu trago para você..

- Você está me mimando demais, Edward.. - brinquei, acariciando seu rosto. Ele apoiou sua cabeça levemente em meu colo e eu aproveitei para afagar aqueles fios dourados que eu tanto amava.

- Tudo para a mamãe do meu bebê... - ele sorriu, fechando os olhos e sentindo meu carinho em seus cabelos.

- Na realidade... - falei começando a sentir os desejos loucos dentro de mim. - Eu queria pipoca. Bem salgadinha. E M&M's de sobremesa.

Edward levantou a cabeça e me olhou, rindo.

- Estou falando de comida, Isabella. - ele me olhou em uma repreensão brincalhona. - Você sabe que tem que se alimentar, eu falei com você hoje cedo sobre isso..

- Eu sei. Mas eu estou com vontade... Quer que Anthony nasça com cara de pipoca? - dei um sorriso vitorioso.

- Claro que não. Eu vou te dar pipoca. E o M&M's... - eu ia começar a festejar mas ele logo levantou um dedo. - Mas depois que você comer comida decente. - ele voltou a apoiar sua cabeça em meu colo. - Vamos fazer o seguinte? Arrumamos nossa mala, fazemos o check-out, vamos almoçar e compro tudo o que você quiser... você pode comer na viagem de volta.

- Não quero ir emboraaaa... - reclamei. - Quero ficar aqui para sempre com você.

- Eu também, meu sorriso. - ele passou o dedo indicador do meio dos meus olhos à ponta de meu nariz. - Mas amanhã você começa seu colégio, eu começo a trabalhar para Carlisle... temos muito a fazer. - ele sorriu. - Sem contar que seu presente está esperando lá em casa...

- Que presente? - franzi o cenho.

- Eu não te dei nenhum presente de aniversário, esqueceu? - ele segurou a pontinha de meu nariz entre o indicador e o polegar. - Eu demorei para comprar porque precisava da confirmação de algumas coisas... Alice buscou para mim enquanto estávamos aqui.

- O que é? - arregalei os olhos.

- Ótima tentativa. Mas não vou falar. - ele sorriu e levantou-se, vestindo sua boxer. - Vamos, vamos tomar um banho e almoçar. Ainda temos sete horas de viagem pela frente. - ele estendeu a mão para me ajudar a levantar.

Tomamos banho juntos, arrumamos as malas com todas as balinhas de maçã que tínhamos comprado para Alice, - que era viciada e só eram vendidas aqui, - e fomos para um restaurante que ficava bem no centro da cidade. Edward me fez comer legumes no vapor com um grande pedaço de bife, acompanhado por um copo gigante de suco de laranja. Ao final da refeição, eu já nem queria mais ouvir falar em pipoca e M&M's. Eu estava completamente entupida, enjoada e irritada por ele ter me dado tanta comida a ponto de deixar de lado minhas guloseimas preferidas.

- O que foi? - ele falou já dentro do carro, acariciando meu joelho.

- Nada. - falei secamente, olhando para a janela. Eu não tinha nenhum direito de ficar irritada, mas simplesmente estava. Eu sabia que era mais forte do que eu, então preferia ficar calada do que magoá-lo.

- Você está brava comigo porque você comeu a ponto de não ter mais vontade de comer aquelas besteiras? - ele intercalava o olhar entre meu rosto e a estrada.

- Não estou brava. - respondi rápido. - Estou braba.

- Ah, e existe diferença? - ele largou o semblante sério e abriu um sorriso.

- Existe. Brava é quando a coisa é séria, braba é quando é besteira e vai passar.

- Ah é? - ele riu, dando um apertão de leve em meu joelho. - Me desculpe meu sorriso, eu só queria que você comesse direito.. não fiz com a intenção de fazer você perder a vontade da pipoca e do M&M's. Eu juro.

Era simplesmente ridículo como ele estava pedindo desculpas por meu comportamento imbecil. Quem deveria estar pedindo desculpa era eu, não ele.

- Pára! Não tem que pedir desculpas. Eu nem devia estar irritada. Mas estou. É besteira minha. Vai passar. - peguei sua mão e entrelacei na minha, acariciando seus dedos com meu polegar.

- Claro que vai passar. - ele respirou fundo. - E se você quiser, quando fizermos nossa parada no meio do caminho eu compro M&M's pra você. - ele olhou novamente pra mim. - Eu sei que agora você não quer, mas quem sabe daqui a umas três horas? - ele deu um sorriso torto.

Olhei para Edward e abri um sorriso.

- Você é o melhor namorado do mundo, sabia?

- Eu sei. - ele também começou a acariciar minha mão com seu polegar. Nossos polegares se encontraram e ficamos brincando silenciosamente.

- Seu convencido.

- Sou mesmo. Mas eu te amo.

Me quebrou completamente. Eu sentia que podia derreter.

- Eu também amo você.

Assim como prometido, ele parou para comprar meu M&M's algumas horas depois e eu, que já não estava mais irritada, acabei me sentindo culpada por ser chata e ele ser tão atencioso. Pedi desculpas, mas ele nem quis me ouvir. E assim, depois de mais três horas e meia de viagem, alcançamos Long Island. Chegamos em casa. Chegamos à nossa realidade.

Que não era ruim, óbvio que não. Apesar de não estarmos mais sozinhos era muito bom voltar e ver Esme sorridente, vindo me abraçar. O que mais me incomodava era o dia seguinte. Eu teria que ir para o colégio, ele ia começar a trabalhar, e a noção do desconhecido estava mais uma vez me perseguindo e me assustando.

- Como foi a viagem, meus amores? - ela falou ao dar um beijo em Edward, que logo subiu as escadas com nossas malas.

- Incrível Esme... incrível. - sorri quando ela segurou minha mão. - Tenho que agradecer muito à Alice.

- Ela sabia que vocês iam gostar. Vermont é realmente muito lindo, e o lugar dos casais românticos... - ela então respirou fundo e afagou meus ombros, vendo as ruguinhas de preocupação em minha testa. - Está nervosa para a escola amanhã, não está?

Meu estômago contorceu. E não era Anthony o culpado dessa vez, nem os legumes, a carne ou as guloseimas.

- Mais ou menos.. um pouco... estou sim. - desabafei.

- É normal, querida. Assusta porque é novo. Mas tenho certeza que tudo vai dar certo e você vai tirar de letra.

- Tomara, Esme. - respirei fundo sentindo sua mão acariciando meu rosto.

- Deus estará te protegendo. - ela deu um beijo em minha testa. - Agora vá tomar um banho e descansar, seis horas de viagem não é nada fácil. Vocês dois devem estar exaustos.

E eu estava mesmo. Sentia meus pés inchados por ter ficado tanto tempo sentada no carro, e uma indisposição terrível, devido ao peso que Anthony estava começando a exercer dentro de mim. Sem contar que meu girassolzinho provavelmente estava sapateando minha bexiga, porque eu estava com uma vontade absurda de ir ao banheiro. Subi as escadas o mais rápido que pude em toda minha forma grávida, alcançando o primeiro banheiro disponível no nosso andar. Aproveitei para tomar um banho e quanto saí, vi que Edward já tinha desarrumado todas as malas. Quando ele me viu enrolada na toalha com aquela leve protuberância que Anthony causava em minha barriga, abriu um sorriso orgulhoso. Hoje ela já parecia ainda maior.

- Já deixei as balinhas de maçã no quarto de Alice. - ele se aproximou, me dando um beijo na testa e acariciando a área de meu umbigo por cima da toalha. - Vou tomar um banho... me espera para que eu mostre seu presente?

- Espero. - sorri.

- Eu já volto. - ele me deu um selinho e foi para o banheiro.

Coloquei meu pijama, penteei os cabelos e decidi escolheu o que iria usar no dia seguinte, no colégio. Não seria muito difícil porque era uniforme, então não tinha muito o que fazer. Eu já havia comprado as peças com Alice durante a semana, e simplesmente me senti desconfortável ao ver a saia. Ela ficava na altura dos joelhos, mas ainda me incomodava. Então peguei uma calça legging que tinha comprado em alguma de nossas muitas idas à Manhattan e coloquei junto com ela, pendurada em uma cadeira. Escolhi a blusa branca, a gravata e o casaco de lã vermelha, também incomodada que ele não era grande o suficiente para esconder minha barriga. Cogitei pegar um casaco de Edward emprestado.

Eu não queria que soubessem que eu estava grávida. Não por vergonha, claro que não. Eu amava Anthony mais do que a mim mesma, e se fossem em outras circunstâncias, eu contaria aos quatro ventos que estava com meu girassolzinho dentro de mim. Mas como eu já disse, adolescentes podiam ser muito cruéis. Ainda mais com uma menina caipira e grávida. E esse era o meu maior medo. Então queria simplesmente evitar.

Quando tudo já estava pendurado na cadeira, peguei meu par de all stars brancos e uni à roupa. Peguei a bolsa que Jasper tinha me dado de presente e coloquei meu fichário, - que Alice comprou comigo no mesmo dia do uniforme, - e o estojo de canetas que ela também havia me dado no dia da prova. Às vezes eu ria ao imaginar que Alice me tratava como uma filha, ou na pior das hipóteses como uma boneca, porque ela simplesmente me fornecia tudo que eu precisava. E ainda por cima adorava fazer isso. Ela era uma pessoa muito especial. Quando estava fechando o zíper da mochila, a porta do banheiro abriu.

Edward saiu do banheiro que tinha em nosso quarto com apenas uma toalha enrolada em sua cintura e eu fiquei observando-o enquanto ele terminava de se secar e colocar seus pijamas. O cabelo ainda continuava molhado, pingando em sua pele, mas ele parecia não se importar. Colocou a toalha atrás da porta, passou a mão despreocupadamente por seus cabelos, apagou as luzes do quarto, acendeu as do abajur e pegou uma caixa que estava embaixo da cama.

- Feliz Aniversário. - ele sorriu e sentou-se no colchão, esperando que eu me aproximasse.

Sorrindo, me ajoelhei na cama e briguei com a fita que fechava a caixa. Eu estava morrendo de curiosidade para saber o que era, mas a fita parecia querer me começou a me ajudar mas estava tão desastrado quanto eu e começamos a gargalhar. Por fim ele pegou uma tesoura na gaveta da estante e cortou a maldita fita, abrindo a caixa rapidamente. Devíamos ter pensado nisso antes.

- Mac? - perguntei ao olhar dentro da caixa. Tinha outra caixa média lá dentro, toda branca apenas com o desenho de uma maçã e as palavras MAC em cinza.. - O que é isso Edward?

Ele pegou a caixa e colocou em cima da cama.

- É para que você possa administrar melhor seus estudos e seus trabalhos do colégio. - ele sorriu, abrindo a caixa, - dessa vez de forma mais fácil, - e tirando o aparelho fininho de dentro dele.

- Edward, você está me dando um notebook? - falei incrédula. Eu sabia que isso era exorbitante, caro, e Edward não estava em posição de fazer uma compra dessas agora, porque ele nem sequer havia começado a trabalhar.

- Sim, qual é o problema? - ele levantou uma sobrancelha. - E não é só isso. Tem outra caixinha menor aí dentro. - ele apontou para a caixa maior, aberta.

Eu não podia acreditar. Inclinei meu corpo e pesquei uma caixinha menor, de acrílico. Dentro dela tinha um negócio exatamente igual ao que Edward usava para ouvir música, lá em Monrovia.

- É igual ao seu... - falei sorrindo. Eu tinha certeza que isso seria uma grande distração para mim na escola. Se eu me sentisse sozinha, podia somente pegá-lo e começar a ouvir música. - Mas... Edward... para que tudo isso?

- Porque você merece. E agora você é uma aluna de High School. Você tem que ter um notebook e um Ipod. - ele deu um beijo em minha bochecha.

- Mas isso foi caro. Muito caro. E você não podia gastar esse dinheiro... - sacudi a cabeça olhando para as duas caixas em cima da cama.

- Não foi muito. - ele pegou minha franja e prendeu-a atrás de minha orelha. - Eu tenho dinheiro guardado, meu sorriso. Guardo desde que entrei na faculdade, desde que comecei a estagiar... - ele respirou fundo. - Eu sei que tenho que continuar com esse dinheiro guardado para que possamos comprar nossa casa quando Anthony nascer, mas..

- Vamos comprar uma casa? - arregalei os olhos. Ele riu.

- Meu amor, nós somos uma família agora... não vou ficar na casa dos meus pais. - ele continuou rindo. - Nós vamos comprar uma casa sim, só temos que esperar mais um pouco porque o dinheiro ainda não é o suficiente... e eu não quero que Carlisle me ajude nisso. - ele colocou a mão em minha perna, por cima do pijama, e começou a acariciá-la. - Agora eu vou ser pai, vou ser marido, e estou assumindo minha responsabilidade. Eu vou cuidar de vocês, e vou comprar nossa casa.. - ele sorriu.

- Desculpa se transformei sua vida desse jeito.. você só tem vinte e dois anos e já está tendo que assumir tanta coisa... - suspirei.

- E você não está assumindo nada? - ele falou ironicamente. - Sendo que você só tem dezessete, meu anjo? - ele se aproximou e me deu um selinho. - Eu é que tinha que pedir desculpas... você ainda é muito nova e está renunciando demais...

Sacudi a cabeça.

- Edward, é de Anthony que estamos falando... desde quando estamos encarando-o como um fardo? - coloquei as duas mãos em minha barriga. - Isso é errado. Temos que parar de pedir desculpas um ao outro e pensar que se Deus fez assim, é porque é para ser. Se eu vou ser mãe aos dezessete e você pai aos vinte e três, é porque tem que ser assim. É porque foi destinado a acontecer. - suspirei. - E eu tenho certeza que nosso girassolzinho valerá a pena todas as renúncias.

Ele sorriu.

- Exatamente. Então pare com essa de desculpas. - ele me deu outro selinho.

- Você também. - rebati.

- Certo, nada de desculpas então. Pelo menos não relacionado a isso. - ele colocou a caixa com o notebook e o ipod no chão, ajeitando-se melhor na cama e se aproximando de mim.

- Eu não gosto quando você pede desculpas.. - desabafei. - Parece que você está muito errado, sendo que você nunca faz nada de errado. - deixei a posição de joelhos e sentei na cama, me aninhando em Edward. - Você sempre faz tudo certo..

- Vai me deixar ainda mais convencido. - ele apoiou-se na cabeceira da cama e pegou o controle no criado mudo, ligando a televisão.

- Você pode ser convencido. - brinquei, apoiando minha cabeça em seu ombro e olhando para o desenho animado que estava passando. Pensei em Anthony. E no futuro bem breve onde eu estaria assistindo esses mesmos desenhos com ele. - Edward..? - sussurrei.

- Hmm...? - ele acariciava meus cabelos, prestando atenção na televisão.

- Você acha que vou me dar bem na escola?

Ele inclinou a cabeça para me olhar nos olhos e franziu o cenho.

- Claro meu sorriso.. porque não?

- Por nada... foi só uma pergunta... - omiti. Eu estava morrendo de medo do dia de amanhã, mas ao mesmo tempo não queria falar. Não queria parecer fraca.

- Tudo vai dar certo amanhã, meu anjo... - ele deu um beijo em minha cabeça. - Agora vá dormir que amanhã será um dia cheio para nós dois. - a trilha de beijos desceu de minha cabeça para testa, têmporas, bochechas, nariz e boca. - Bons sonhos, minha Bella.

E nos braços dele, adormeci, tentando realmente ter os bons sonhos e não pensar no pesadelo que poderia ser o meu dia seguinte.

Abri meus olhos dando de cara com o girassol na janela, balançando com o vento e um pouquinho iluminado pelo pouco de sol que estava coberto por nuvens. Olhei para trás, procurando por Edward, mas vi que ele não estava. Eu odiava acordar e não encontrar com ele, principalmente no dia de hoje. Meu coração já havia começado a disparar só com a realização de que eu teria que encarar muitas coisas sozinha hoje.

Levantei meu corpo, e após espreguiçar coloquei meus pés no chão, acariciando minha barriga e sonhando com o dia que aquele bom dia se tornaria real.

- Bom dia meu girassolzinho. - falei tentando lutar com um bocejo forte. Olhei para o relógio e vi que eram seis e vinte da manhã. Fui ao banheiro, escovei os dentes e quando comecei a me vestir, Edward entrou no quarto.

- Bom dia meu anjo. - ele pegou em meu braço e me deu um beijo. - Como estou?

Meu queixo quase foi ao pé, porque aquela era a primeira vez que eu estava vendo Edward de terno. E era lindo demais. Assim, a coisa mais linda que eu já tinha visto em toda a minha vida. O terno era cinza, e ele usava uma camisa branca por baixo com uma gravata azul marinho.

Meu coração disparou, juro.

- Lindo... - acho que meus olhos estavam brilhando, porque ele riu. - Muito lindo.

- E você está linda. - ele se aproximou, suas mãos logo procurando minha cintura. A questão é que eu nem estava vestida. Só estava com a saia e de sutiã. - Sabia que uniformes colegiais costumam ser a principal fantasia sexual dos homens?

Minhas bochechas coraram tão absurdamente que ele riu de novo.

- Eu amo seu jeito, meu anjo. - ele ainda dava uns espasmos de riso, mas segurou meu rosto e acariciou minhas bochechas com seu polegar. - Adoro suas bochechinhas vermelhas, adoro o seu olhar, adoro como você consegue ser sexy e ingênua ao mesmo tempo... eu tenho o maior tesouro em minhas mãos... - ele inclinou seu rosto e me beijou.

E naquele momento então é que eu não queria mais ir para o colégio, porque esse beijo acabou de deixando... com vontade. Segurei o pescoço de Edward com minhas duas mãos e aumentei nosso beijo com urgência, tão desesperadamente que ele percebeu.

- Meu anjo... - ele falou em meio ao nosso beijo, dando pequenos selinhos. - Por mais que eu queira continuar isso que estamos fazendo, eu tenho que ir trabalhar.. e você tem que estudar... - ele me deu um beijo com mais pressão em meus lábios e então se afastou. - Me desculpe. Você não sabe como é ruim ter que me controlar com você.

- Eu sei... - bufei. - E eu ainda nem terminei de me vestir. - peguei a camisa branca que estava pendurada na cadeira.

- Deixa eu te ajudar. - ele pegou a camisa de minha mão e abriu todos os botões. Colocou-a em mim, apenas esperando que eu encaixasse o braço nas mangas, e depois começou a abotoar de novo. Assim que terminou, ele se ajoelhou e deu um beijo em minha barriga por cima do pano. - Bom dia, filhão. Cuida bem da mamãe, está bem? Pelo papai.

Sorri, acariciando o cabelo desarrumado de Edward.

Ele levantou-se e também me ajudou a colocar a gravatinha e depois o casaco de lã. E isso me lembrou de pedir outro casaco a ele.

- Para que você quer outro casaco? - ele perguntou desconfiado, mas já estava indo em direção ao armário para pegar.

- Porque hoje está frio, e deve ter ar condicionado nas salas... e eu estou nervosa, então fico com ainda mais frio... - bom, a segunda parte era verdade mesmo. Ficar nervosa me deixava com frio.

- Toma. - ele me entregou um casaco de chuva. Acho que Alice chamava aquilo de trench-coat. - Use isso por cima, é bom que te protege se chover também.

- Certo. - peguei minha mochila. - Obrigada.

Edward foi até o criado mudo e pegou meu celular, aquele que ele tinha comprado em Indiana para mim e eu mal usava. Ele olhou a telinha, e me entregou. - Está quase acabando a bateria, mas leve, para que use se precisar. Se acontecer alguma coisa, qualquer coisa, pode me ligar que eu vou correndo. Eu não estarei muito longe, o escritório de Carlisle fica somente há umas oito quadras do seu colégio.

- Está bem. - coloquei-o em um compartimento que ficava na frente da mochila.

Descemos para tomar café da manhã, o que foi muito rápido por conta da pressa. Acabei não tomando minhas vitaminas e Edward me fez jurar que eu tomaria assim que pisasse no colégio. Pegamos um pouco de trânsito no caminho e uma meia hora depois, estávamos na porta do meu colégio. Edward abriu a porta para mim, e me deu um abraço muito apertado. Eu simplesmente não queria largá-lo.

- O sinal já tocou, meu anjo.. você vai chegar atrasada. - ele falou dando um beijo em minha cabeça. Fechei os olhos e aninhei minha cabeça em seu peito, sentindo o cheirinho de perfume maravilhoso vindo de seu pescoço. Fiquei brincando com a gravata dele, tentando protelar o máximo de tempo possível, mas não adiantou. - Meu Deus, sinto que estou treinando para quando Anthony não quiser ir para a escola... - ele riu baixo, acariciando meu cabelo.

- Oooi Edward! Oi Bella! - uma voz melosa falou atrás de nós. Eu nem queria olhar, porque eu já sabia quem era. Kate. Pelo menos ela era menos antipática que Gail. Gail me dava frio na espinha.

Para minha tristeza, Edward afastou nosso abraço, mas entrelaçou sua mão na minha, provavelmente querendo me dar força.

- Olá. - respondi com um sorriso simpático.

- Estamos atrasadas para a aula, Bella! - ela pegou em minha outra mão, me puxando em sua direção. - Não queira se atrasar para a aula da Sra. Kimber, ela é um saaaco! - ela revirou os olhos e bufou ao mesmo tempo. Ela lembrava muito o jeito de Alice, porém, de alguma forma mais sombria e desagradável.

Com muita relutância soltei da mão de Edward, mas ele ainda teve tempo de segurar meu rosto e me dar um beijo carinhoso.

- Eu venho te buscar, meu sorriso! - ele falou já ficando distante.

Não consegui nem responder, porque já estava sendo completamente rebocada para as escadas daquele colégio.

Até o terceiro tempo estava tudo tranquilo. Metade do meu dia já havia passado e eu não via a hora de chegar em casa. Eu ainda tinha certo pânico das pessoas ao meu redor, e isso acabava me chateando, porque eu simplesmente queria estudar e não conseguia. Algo me impedia. E o pior era que todos estavam colocando suas apostas em mim, e a pressão de não decepcionar minha nova família me sobrecarregava ainda mais.

Fomos para o intervalo, onde dividi uma mesa redonda com Kate, Gail, duas gêmeas chamadas Jane e Irina, um menino que não tirava o Ipod de seu ouvido chamado Seth, e outro enorme, do tamanho de um armário, que atendia por Felix. Gail simplesmente não parava de falar sobre um encontro que teria com um garoto que era aparentemente da alta sociedade. Queria saber qual era o carro dele, se ele daria algum presente a ela, quem ela conheceria nesse tal jantar... a conversa era tão chata que acho que só Kate prestava atenção. Olhei para meu celular, pensando em Edward, e Seth percebeu que eu já estava de saco cheio daquele papo.

- Se prepara que é assim todo dia.. - ele sussurrou, tirando um fone de seu ouvido.

- O que foi, Seth? - Gail perguntou com uma cara antipática.

- Nada, Gail. Continue. - ele deu um sorriso irônico e colocou o fone novamente, voltando a balançar sua cabeça no ritmo de alguma música.

Me arrependi de não ter trazido meu Ipod.

Dei um gole no meu refrigerante, começando a sentir um calor muito forte e minha testa suar frio. Eu ainda estava usando o casaco de Edward, no intuito de esconder minha barriga, e não estava fazendo bem para mim, porque estava me abafando completamente. Foi quando lembrei que tinha esquecido de tomar minhas vitaminas. Procurei por elas em minha bolsa e rapidamente, peguei a garrafinha de água que ainda estava intacta na minha bandeja e engoli aqueles comprimidos enormes.

- O que é isso, Bella? - Kate perguntou, provavelmente tentando mudar de assunto porque também já não aguentava mais ouvir Gail e seu monólogo.

- Ahn? Er... são vitaminas.

- Porque você toma vitaminas? - Gail falou com o cenho franzido.

- Porque... elas me faltam no organismo? - respondi de uma forma que soou irônica, apesar de não ter sido minha intenção. Seth, mesmo com os fones em seu ouvido, riu, e acabou contagiando a todos. Menos a Gail.

O sinal tocou e fomos voltando devagar para nossa sala. Cruzei os braços, ainda numa tentativa de esconder ainda mais a barriga e fui andando pelo corredor, sem a mínima pressa de voltar para a sala. Seth estava no mesmo passo que eu, e acabamos trocando olhares e um sorriso simpático.

- Não se preocupe com Gail, ela é chata assim mesmo. - ele falou. - Com o tempo você se acostuma. Só não dê muita trela. E pode deixar que seu segredo está guardado comigo. - ele desceu o olhar para minha barriga.

- Mas... eu...

- Depois conversamos, tenho que ir para minha sala. - ele sorriu. - Até mais, Bella!

Não consegui nem responder.

Quando cheguei na sala eu já não aguentava mais de tanto calor, e resolvi chutar o balde. Tirei o casaco de Edward, ficando apenas com o de lã que estava por baixo, e quase chorei com o alívio que tive ao sentir o pouquinho de ar condicionado que batia em meu corpo. Me encostei na cadeira, quase afundando enquanto esperava pelo professor, e assim que olhei para o lado, vi o enorme par de olhos em cima de mim.

Gail viu minha barriga.

Foi questão de tempo para que ela começasse a cochichar com Kate, com Irina, com Jane, e as quatro simplesmente não paravam de sussurrar uma com as outras, olhando para mim, na maior cara de pau, como se eu nem estivesse ali. Será que elas não se tocavam que eu sabia que elas estavam falando de mim e me olhando de forma repreendedora?

Respirei fundo, mas a vontade de chorar era grande. Eu odiava que todas as atenções estivessem em cima de mim. Isso me deixava ainda mais envergonhada. Por alguns segundos desejei ser invisível. Coloquei as duas mãos em minha barriga e segurei as lágrimas enquanto fechava os olhos.

- Mamãe te ama.. - sussurrei. - Eu não estou com vergonha da gente, o problema é que isso é muito para mim.. eu não estou acostumada com isso.. me perdoa... - falei para Anthony.

O professor entrou na sala gritando, falando para abrirmos na página trinta e cinco de nosso livro, e eu dei graças a Deus que as quatro meninas voltaram suas atenções para a aula. Mas eu sabia que não seria por muito tempo. A coisa que eu mais queria agora, era sair daqui.

Até mesmo desistir de tudo.

Quando a aula acabou, eu tinha certeza que elas viriam falar comigo. Saí de minha carteira como um furacão, andando rápido por aquele corredor cheio de armários e pessoas. Dei graças a Deus ao ver Edward encostado no carro, já esperando por mim.

- Meu sorriso.. o que foi? - ele falou ao me ver com uma cara provavelmente nada boa.

- Nada.. só quero ir para casa.


Finalzinho tenso, né? :(

Meninas, perdão pelo atraso na postagem, estava viajando! Agora estou de volta!

Por conta do Natal, devo postar Monrovia nesta quinta-feira, 23, ok? Se não, no máximo domingo o capítulo estará aqui.

O que acharam do capítulo? Dêem suas opiniões! Elas são tudo pra mim! :)

Muito obrigada pelas reviews do capítulo passado! Cada uma me dá um sorriso no rosto gigante!

Beijinhos!