Capítulo XXXVI: A carta e a realidade
Kate tentou segurar Tonks e o seu choro depois que ficou sabendo da morte do pai, mas o que mais incomodava ela era que a mãe de Tonks não tirava os olhos dela enquanto ela estava próxima da filha. Andrômeda estava tão alucinada quanto Tonks, mas Remus não saiu do seu lado. Assim com Kate e Hermione ficaram ao lado de Tonks. Parecia algo injusto, a mãe de Tonks que nunca aceitou o casamento da filha agora sendo acudida pelo genro, que apenas pensava no filho dentro de Tonks, o quanto ele estava sofrendo e o quanto aquela angustia dela poderia ser perigoso.
Kate leu tudo da mente de Remus e no fundo ficou feliz por saber que ele estava pensando naquilo. De tanto ouvir Tonks falar do marido, era bom saber que no fundo ele se importava e amava ela e a criança que estava por vir. A única coisa que mexeu com ela foi saber que Remus sabia o motivo da morte do pai de Tonks, queriam a cabeça da menina por ela ter se casado e agora estar grávida de um lobisomem, sujando ainda mais a história de uma família tradicional bruxa.
Kate esperou todos dormirem com os calmantes que Molly fez para procurar Harry para conversar sobre aquilo. Eles precisavam sair dali e voltar à procura das horcruxes e correr contra o tempo antes que eles façam a mesma coisa com toda a família Weasley já que eles também são traidores de sangue e essa era a nova modalidade de Voldemort, matar todos que eram traidores.
Kate entrou no quarto de Ron e Harry enquanto eles estavam conversando. Houve um silencio da parte de Ron, ela se lembrou do que ele falou sobre o ciúmes, então resolveu fazer o que era uma conversa de dois virar de três.
- Ron – Kate o chamou – Não precisa sair, esse é o seu quarto e o que tenho para falar você também pode ajudar ou pelo menos ficar muito mais assustado do que o normal.
Ron ficou. Kate naquele momento percebeu algo que não tinha percebido antes, mas seu cérebro estava começando a ler mentes sem elas perceber, parecia sair controle dela o que era muito mais preocupante do que divertido. Ela não gostava de sair do seu controle.
- O que aconteceu? – Harry parecia apreensivo
- Mataram o pai da Tonks porque querem matar ela, algum tipo de vingança para os traidores do sangue bruxo. Parece que Voldemort resolveu realmente fazer uma limpeza de vez – Kate percebeu que Ron ficou de um segundo para o outro totalmente branco – Eu sei o que isso significa para você Ron, por isso pedi para você ficar. A gente precisa agir logo inclusive sair daqui, já passamos muito tempo aqui.
- Kate, nós não sabemos o que vamos fazer – Harry falou
- Nós vamos até o bairro onde eu morava com a minha mãe antes dela morrer. A casa ainda está lá, podemos encontrar alguma coisa lá e agora contamos com Snape. Ele pode nos ajudar, Harry eu sei que eu devo ir pra lá, pra saber qualquer coisa. Ele pode ter deixado alguma pista, Severo disse que ele se sente arrependido com o que fez com a minha mãe.
- Você foi comigo até a casa dos meus pais, nada mais justo que eu vá com você.
- Mas sem ser seqüestrado – Ron falou assustado – Pelo menos foi o que aconteceu com você Katerine, mas essa história sobre as mortes, o que vamos fazer? Para onde vamos? Não posso deixar que meus pais, meus irmãos, aconteça alguma coisa com eles.
- Precisamos conversar com o Kim, acredito que aqui ainda seja um lugar seguro. – Harry pensou no que Kate estava falando - Se não algum deles que estão dentro do Ministério saberiam.
- Harry, Tonks está dentro do ministério e não sabe sobre isso – Kate o alertou – Talvez devêssemos acampar em alguma floresta, sei que isso pode ser perigoso, mas é o que nos restou. Acredito que estamos muito expostos por aqui. O importante é estarmos unidos, eu acho.
- Então precisamos sair agora daqui? – Ron perguntou
- Não agora, mas o mais rápido possível amanhã. – Kate respondeu – Precisamos dar um jeito em Sirius e Snape, mas acho que a gente consegue transportá-los.
- Sirius está bem – Harry complementou
- Mas Snape não. Não consegui nem terminar de brigar com ele porque fiquei com dó.
- Pelos gritos que a gente ouviu – Ron falou um pouco tímido – Parecia que ele esta totalmente salvo e com uma ótima saúde.
- Pois é, mas depois ele desistiu de brigar comigo.
- E o que você fez? – Harry perguntou ansioso
- O que qualquer pessoa faria no meu lugar – Kate falou baixinho se culpando – Baixei as armas, tentei acalmá-lo, cobri ele e deixei-o sozinho com os pensamentos dele.
- Ele te contou? – Harry aproveitou o momento para tirar suas dúvidas
- Aham – Kate baixou a cabeça – Voltamos à velha vida de sempre, mas admito que eu fique feliz em saber dessas coisas, eu prefiro assim, não sei se eu era forte o suficiente para ter uma relação dessas com Voldemort. Prefiro mil vezes o idiota e insensível do Snape
- Não estou entendo nada – Ron falou quebrando o momento dos dois
Naquela noite todos dormiram bem, menos Hermione que tentava dormir ao lado de Snape, mas parecia que o sono agitado dele não conseguia o fazerele ter uma noite em paz. Além disso, ele estava soando muito e murmurando alguma coisa. Parecia ser reflexo da conversa com Kate.
Hermione ia fazer alguma coisa, mas uma mão a segurou devagar. Snape meio confuso olhou para ela de um jeito daquele nunca tinha olhado antes, um jeito carinhoso que ela jamais poderia imaginar vindo dos olhos daquele homem.
- Fica aqui comigo – A voz rouca de Snape era muita fraca, mas muito decidida.
- Você está com febre – Hermione não queria dizer aquilo, queria apenas aceitar a proposta, mas precisava ser sabia.
- Minha febre vai passar com você do meu lado – Snape deu um espaço na cama e se virou deixando um espaço perfeito para ela se encaixar nele.
Hermione não tinha como recusar, um gesto de um Severo perturbado, mas ao mesmo tempo sincero não podia ser desperdiçado ainda mais em tempos que não se sabia o que vinha no dia de amanhã.
Pensando no amanhã Kate acordou cedo demais, precisava arrumar as situações que estavam acontecendo. Precisava conversar com Tonks, precisava falar com Fleur, Gui e Molly, precisava conversar com Remus, dizer para ele que ele precisava contar a verdade para Tonks e mais que isso precisava voltar as suas origens.
Porém, a confusão já estava formada logo na cozinha da casa. A mulher que não tirava os olhos de Kate falava algumas coisas, Molly outras, Fleur em silencio e Tonks conversando algo com Hermione e Gina estava como sempre a olhando.
Parecia que ela tinha sido a última mulher da casa para participar daquilo, mas ao olhar para a cena percebeu que aquele não era o seu mundo e havia algo muito mais interessante para ela naquela manhã. Dois elfos domésticos encostados na porta.
- Você tem visita – Molly falou, mas Kate a ignorou olhando apenas para Monstro e Dobby – Eles se negaram a falar alguma palavra, querem falar apenas com você.
- Vamos lá fora – Kate falou um pouco apreensiva enquanto os dois elfos iam para fora, Kate nem olhou para traz apenas seguiu os elfos e bateu a porta
- Aconteceu alguma coisa – Tonks falou se levantando da mesa
- Estamos discutindo a morte do seu pai, o que faremos com o corpo ele – Andrômeda gritou para a filha que estava indo atrás da menina – Ela tem os problemas dela, a vida dela, você, por favor, cuide da sua vida.
- Mãe, nada disso vai trazer meu pai de volta, quanto mais um enterro – Tonks foi extremamente ignorante com a mãe – Não jogue seus problemas em cima dela, cuide deles e deixe-a com os dela e quem quer ajudar.
- O que aconteceu? – Kate perguntou olhando para os dois de forma intimidadora – Combinamos que vocês só viriam aqui se tivesse acontecido alguma coisa.
Monstro estava com medo dela, ela fez a mentir, enquanto Dobby apenas olhava para ela ansioso demais para ficar nervoso. Ela conseguiu um momento com os elfos pedindo para que eles ficassem de olho na sua casa e na região para que se houvesse algo diferente eles lhe avisassem.
- Um garoto chegou à sua casa e começou a gritar com a porta – Monstro falou fugindo dos olhos dele – Ele gritou alguma coisa relacionado a..
- A senhorita desistir dos seus sonhos, que você não podia sumir do mundo deste jeito, que era exagero demais você desistir daquilo que você mais queria por conta da morte da sua mãe – Dobby parecia reproduzir o que ouviu meio que se perdendo nas palavras porque não entendia o seu contexto
- Ele falou algo sobre alguma carta – Monstro voltou a falar – Quando notamos que os trouxas também recebem cartas, mas não com corujas, tinha algumas coisas no lugar onde estava escrito "correspondência".
- Ele parecia um pouco alterado para conversar com uma porta – Dobby acrescentou – Ai a menina que você pediu para a gente ficar de olho o tirou de lá e disse que cada um tem suas escolhas e que a sua era ficar longe deles naquele momento e longe de você mesma.
Kate não respondeu e não mudou a expressão do rosto, o que assustou Monstro, parecia que a ida deles até ela tinha sido em vão, principalmente porque ela deixou claro que eles deviam procurar ela só se for urgente. E ela não tinha cara de que era urgente.
- Aconteceu alguma coisa? – Não havia nada que pudesse deixar Tonks fora da conversa
- Nada senhorita – Monstro respondeu entre os dentes
Kate não respondeu, pois estava muito mais concentrada no que estava na sua mão, haviam algumas cartas que ela pouco se importou por ser publicidade ou coisas que não tinham importância, mas no meio delas, tinha algo que ela não esperava, alias, havia se esquecido desde que foi seqüestrada por Remus e Sirius.
- Essas daqui não tem importância – Kate falou dando as cartas na mão dos elfos – Muito obrigada pela ajuda meninos. Obrigada mesmo.
Os dois elfos domésticos não entenderam o que tinha acontecido. Ela não disse mais nada além de se virar e voltar para a casa com a carta na mão.
- Eu estava falando com você – Tonks murmurou nervosa correndo atrás dela
Kate não deu ouvidos para Tonks, não queria falar nada com ninguém, quando entrou na casa era meio obvio que as pessoas estavam olhando para ela, principalmente porque tinha algo na mão que não tinha antes.
- Tonks depois nós conversamos – Kate falou entrando no quarto de Snape sabendo que ali ela não entraria e nem outra pessoa. Ela queria se evitada como o pai, mas para a sua infelicidade Snape estava acordado e extremamente assustado com a última frase, com a cara estranha da filha e com a expressão dela de surpresa ao olhar para ele – Oi, bom dia.
Kate olhou para a porta querendo sair, mas sabia que não ia ser a melhor coisa do mundo, mas Hermione logo abriu a porta cortando o clima de indecisão. As duas se entreolharam, Kate olhou para Snape e para Hermione algumas vezes e de fato saiu de cena, entrando no corredor e se enviando no outro quarto, agora de Sirius, que para a sua sorte estava dormindo.
- O que aconteceu? – Snape perguntou quando Hermione se aproximou dele
- Dobby e Monstro vieram entregar alguma coisa para ela – Hermione falou preocupada – Severo, Andrômeda gostaria de conversar com você, disse para ela que iria ver se você esta bem. Não acho que você deva você passou muito mal essa noite. Acho que teve algumas alucinações.
- Por isso você acordou muito cedo? Por que achou que eu estava alucinando quando eu disse para você deitar ao meu lado? – Severo perguntou com um tom sério demais para Hermione
- Eu não sei o que achar de você – Hermione foi sincera – Mas o mistério é uma dádiva.
- Eu preciso sair dessa cama, se não nunca irei me recuperar, é hora de seguir – Snape falou se levantando com todo cuidado se sentando na cama. Hermione ia segura-lo, mas ele recusou – Diga a Andrômeda que eu converso com ela e veja o que esta acontecendo com Kate.
O coração de Kate palpitava e suas mãos tremiam demais para abrir aquela carta, haviam tantas coisas que mudaram na sua cabeça, na sua até mesmo no futuro, mas ela sabia que o sonho de criança ainda estava lá ,assim como a sua essência ainda estavam ali, a mantendo na linha e aquela carta faria ela voltar ao mundo real.
Kate finalmente abriu e percebeu que sim era de fato o que ela imaginava o que ela lutou por oito anos e foi reprovada cinco vezes na prova. Amadurecimento, flexibilidade, experiência de vida, eram tantas as coisas que os juízes falavam para ela dizendo que faltava algo para ela ser aprovada, mas finalmente não havia mais nada, ela foi convocada para ser membro da Escola Real de Arte, como ginasta artística e bailarina. Iria dar aula, iria disputar, iria fazer números maravilhosos com toda infraestrutura que um atleta sonha.
- Parece que você acaba de receber a sua carta de Hogwarts atrasada – Sirius deixou escapar seu pensamento ao observar a garota sentada olhando para a carta impressionada
Kate não falou apenas respondeu com um sorriso que Sirius tinha que admitir que nunca tivesse visto mais belo e mais inocente e sem duvida alegre.
- Pelo visto está bem vivo ehem – Kate falou observando ele se levantar
- Preciso estar, chega de ficar na cama – Sirius falou passando a mão no rosto – Sem contar, que eu preciso conversar com o vizinho do lado que salvou a minha vida, antes que o aluado tenha algum problema cabeludo e acabe com a minha raça de cachorro.
- Não entendi o que você disse, mas isso deve ser efeito dos remédios – Kate franziu a testa – Não precisa tocar no meu nome na conversa e nem pedir desculpas sobre o que você fez comigo, eu já quase matei você involuntariamente
- Você leu a minha mente? – Sirius a questionou
- Li? – Kate passou a mão na cabeça dela – Jurava que você tinha falado alguma coisa.
- Não, eu não falei – Sirius falou estranhando – Você está com controle dos seus poderes?
- Nunca tive controle de nada Sirius, que dirá de poderes mágicos, mas de qualquer forma, você entendeu o recado e é isso que importa – Kate desconversou saindo do quarto.
Ela sabia que algumas coisas estavam fora do controle, mas aquele não era seu lugar e não seria mais o seu lugar. Tinha que admitir que todo o seu poder de vingança contra a morte da sua mãe era em vão perto de algo que as duas lutaram juntas e que agora ela conseguiria. Talvez fosse hora de acabar com as férias no mundo bruxo.
Quando Harry ficou sabendo do que aconteceu pela manhã logo foi atrás de Kate que estava avoada conversando alguma coisa com Tonks sobre o pai. Ela sabia que Andrômeda estava no quarto com o Snape, e as duas não sabiam o motivo da conversa.
- Eu sei que eles se conheceram em algum determinado momento, porque quando eu falava alguma coisa dele, minha mãe sempre dizia que por traz de toda pessoa existe uma história – Tonks sussurrava para Kate – Pelo menos assim ela esquece essa história de enterrar o meu pai
- O que vocês fizeram com o corpo – Kate perguntou olhando para o lado observando Harry e Hermione conversarem alguma coisa - No fundo enterrar é sempre a pior hipótese.
- Fizemos o que se faz com mortos de guerra. Eles enterram em um determinado campo que depois vira memorial. É muito mais simples e muito mais acolhedor saber que ele morreu por isso.
- Mas seu pai não era bruxo
- Mas era de uma família bruxa. É direito de ele ser enterrado lá. Ele não morreu em vão
- Eu sei que não – Kate falou olhando para a bruxa tentando sorrir – Tonks, você precisa se cuidar, você sabe muito bem que você é um alvo muito fácil por estar grávida e muito interessante por vir de uma família traidora de sangue.
Tonks ficou em silencio olhando para a cara de Kate.
- Você sabe de alguma coisa – Tonks quase abriu a boca de susto – Como você sabe? Quando você foi até Voldemort ele contou para você?
- Não – Kate não sabia como explicar – Mas, fiquei sabendo por uma pessoa que você acha que não se preocupa com você e com essa criança, mas não dorme a noites pensando que pode acontecer alguma coisa com vocês.
Tonks não podia deixar um sorriso sair do rosto
- Você conversou com ele? – Tonks sabia do quem ela estava falando
- Não é bem isso – Kate franziu a testa rindo e apontando para a sua cabeça – Eu coletei alguns dados, por sorte Tonks, você tem uma amiga que Le mentes e um marido teimoso que não quer assumir que está feliz com você, com essa criança e com a família que estará construindo. Então se cuide, ou melhor, cuide da sua família, no futuro quero ver vocês lindos e unidos.
- Isso parece uma despedida – Tonks deu risada, ela não estava se importando com o fato de ser morta e sim com a importância que Remus dava para ela e a para a criança
- Talvez seja – Kate sorriu tristemente – Mas não é um adeus.
- Tem alguma coisa haver com o que aconteceu de manhã?
- Tonks, eu tenho uma vida fora daqui. Eu posso não ter nada do que tem aqui, mas eu constroi uma vida lá e lá é o meu lugar. Mas não vou deixar vocês na mão - Kate abraçou a amiga – E quando esta criança linda da tia nascer eu vou estar do seu lado. Eu tenho certeza disso.
Andrômeda descia as escadas com algo atrás dela, ela estava conversando alguma coisa, e não era sozinha e por incrível que pareça uma imagem de um Severo abatido, mas normal estava aparecendo entre as escadas. Ninguém tinha o visto antes sem ser naquele quarto e sem ser Kate, Molly e Hermione.
Houve um grande silencio na casa
- Seja bem vindo – Harry falou tentando quebrar o gelo
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