Suas pernas tremiam e ele segurava seu peito como se seu coração fosse saltar para fora a qualquer momento. Ele sentia receio, não queria confirmar os seus medos.

...Porém ele tinha que ver com seus próprios olhos.

-Este cemitério... Ele está tão vazio como sempre, um lugar tranqüilo sem alvoroço... –Sussurrou Leon entrando pelo portão de ferro. –Esse lugar tranqüilo... Combina com vocês.

Leon não levantou o olhar. Ele não precisava ver aonde ia, já havia memorizado o trajeto de tantas vezes que havia visitado o local.

Havia alguma coisa estranha no ar, e ele podia jurar que era uma péssima premonição.

-00-

-Ele faltou à aula e não voltou? –Perguntou Mu preocupado. –Heim? O Leon brigou com algum colega? Alguém fez troça de ele ser órfão de novo? Não? Mas o que...

Mu ouviu atentamente a diretora, que parecia preocupada com o comportamento de Leon nos últimos dias, dizendo a ele que o garoto sorria menos e que uma aura escura flutuava ao seu redor.

-O Leon nunca foi de faltar. –Suspirou Mu assim que desligou o telefone. –E a próxima aula será uma prova.

...

-Melhor ligar para a Melina. –Ele suspirou, tirando o celular do bolso e desbloqueando a tela, o que fez com que pudesse ver claramente a imensa quantidade de mensagens de texto, todas deixadas pela garota.

"Desde que ela aprendeu a ler, escrever e mandar mensagem via celular ela faz isso" – Suspirou Mu de forma resignada, apesar de ter um leve sorriso no rosto.

A maioria das mensagens eram apenas emoticons, de Melina reclamando como estudar era tedioso ou sobre alguma coisa aleatória que ela leu ou viu na televisão, ma Mu ainda assim fazia questão de ler cada mensagem, com um sorriso divertido enquanto respondia cada uma.

- Alô?

-Melina? –Chamou Mu. –Preciso de sua ajuda.

-Eh? Sem boa tarde ou educação?

-Peço desculpas. –Ele suspirou novamente. –Boa tarde, Melina.

-Estava brincando. –Respondeu a garota o outro lado da linha. –O que aconteceu? Difícil você ligar quando está na faculdade.

-... O Leon cabulou aula, preciso que você procure por ele.

-O que? O pirralho responsável está fazendo alguma coisa irresponsável?

-Melina. –Disse Mu em tom de aviso.

-Ok, foi mal, vou controlar a minha língua. –A garota se aquietou.

-Eu não a incomodaria considerando o quão perto você está da data do vestibular, mas eu tenho uma prova agora e não posso faltar.

-Tá, sem problemas, eu dou um jeito. – A voz do outro lado riu. –Não é todo da que você depende de mim não é?

-...

-Não se preocupe, volto com ele antes de anoitecer!

-Melina. –Chamou Mu.

-Huh?

-Obrigado. –Falou o rapaz de cabelos lilases. – Peço desculpas se você entendeu mal minhas intenções, eu apenas tenho o costume de carregar as responsabilidades em minhas costas.

-Oh...

-Eu confio em você.

-... Pode deixar, eu vou encontrar o Leon. –Respondeu Melina de forma séria.

-00-

-Creio que falte pouco para terminar meu livro. –Shaka analisou as anotações de cima a baixo. –Porém... Tem algo crucial faltando.

A relação entre Stella e Hugo Admon.

Shaka pegou novamente o antigo diário do pintor e começou a lê-lo novamente, apesar de ter-lo feito incontáveis vezes.

-Eu sou grato por tê-la conhecido. –Ele começou a ler, andando pela sala. –Antes eu estava sozinho, trancado em minha cela chamada quarto onde o único sinal de afeição que recebia eram as cartas de admiradores.

"Eram cartas cheias de intenções boas, mas todas eram as mesmas, eram todas cartas de pessoas que me admiravam de longe, tal como minhas próprias obras de artes, eu era apenas uma peça em exposição."

"Ela era estranha e incompreensível no início, mas talvez fosse a pessoa que mais me compreendia"

Shaka acabou parando quando seu pé tocou na parede, então desviou os olhos do diário para olhar para frente, onde estava um pequeno espelho oval que refletia sua expressão perplexa.

-Ela me disse... Sem hesitar, que queria me conhecer. –Repetiu Shaka olhando fixamente para o espelho, já sabendo o que estava escrito, pois havia praticamente memorizado o diário. – "Prazer, somo estranhos um ao outro, mas eu gostaria de fazê-lo sorrir quando me visse."

...

Ele ficou em silêncio, de forma contemplativa.

"Vocês se parecem com os meus pais"

E era verdade, talvez não fosse exatamente igual, mas ainda assim eram parecidos.

Apesar de ter escrito livros de grande sucesso considerando que livros estão cada vez menos populares ele era tal como o pintor, trancado em seu próprio mundo e a fama sendo o seu único consolo, uma forma de apreciação.

...Mas assim que conheceu Jojo não foi como seus outros trabalhos, não havia uma relação estritamente profissional, apesar de estar sempre focada no trabalho ela também estendia a mão a todos que estavam ao seu redor e se importava.

Admirava sua perspicácia, assim como apreciava o fato de estar sempre em sua vida a partir do momento em que se conheceram.

- ...Tenho que ligar para ela. –Sussurrou Shaka de forma quase inaudível.

O livro está completo.

-000-

Victorio estava pensativo.

Era fim de semana e normalmente ele estaria pendurado no telefone tentando convencer a noiva a sair, porém ele não sentia ânimo de fazê-lo.

Ele encarava o lindo arranjo de flores do outro lado da sala, era o mesmo buque que ganhara no casamento da amiga, cheio de esplendor e charme nas mãos dela, porém uma peça fora do lugar em seu apartamento.

-O que há de errado comigo? –Ele suspirou retirando a sua aliança e encarando o anel em suas mãos. –Quando este simples objeto caro começou a parecer apenas um pedaço de metal ordinário?

-Toc Toc-

-Entre. –Disse Victorio colocando a aliança no bolso da calça.

-...Victorio?

-Olá Lalita, tudo bem? –Respondeu ele com um sorriso.

-... Você está bem? –Perguntou a indiana ao perceber que havia um ar melancólico ao redor do fotógrafo.

-Hum? Sim, por que não estaria? –Respondeu ele com um sorriso forçado.

-Você parece... – Lalita começou a me dizer, mas ao perceber que ele provavelmente não se sentia a vontade para falar ela decidiu mudar de assunto e se aproximou do vaso de flores. –Oh! Que belas flores!

-Hahaha, achei que fossem alegrar um pouco o ambiente. –Respondeu ele também se aproximando do vaso onde estava o buque.

-Sim, é uma excelente escolha para decoração. –Concordou Lalita.

"Decoração"

Victorio tocou levemente na frágil flor, avistando uma pétala que já começava a escurecer ele a arrancou e olhou de perto.

-... Quando será que nos tornamos assim? –Murmurou amassando a pétala. –Ou será... Que desde o começo...

-Victorio? –Perguntou Lalita notando a expressão fechada dele.

-Lalita?

-S-Sim?

-Peço desculpas por ser um péssimo anfitrião, mas... –Murmurou Victorio. – Eu preciso sair um pouco.

-Ah... Sem problemas.

Victorio olhou para a pétala em suas mãos e saiu pela porta de forma apressada.

Já era hora de terminar. Terminar antes que ambos ficassem que nem aquela pétala.

-00-

-Não... –Disse Leon pálido, enquanto ele caia de joelho no chão.

Ali era o local onde deveria estar o túmulo dos pais, um belo e tétrico monumento esculpido com uma bela imagem.

No entanto... A sua frente havia apenas escombros.

-Pai! Mãe! – Leon começou a gritar histericamente enquanto tentava arrancar as pedras do caminho.

Havia pedras grandes demais soterrando o buraco, mas mesmo assim Leon não desistia, pegando um pedaço comprido de madeira e enfiando debaixo das pedras maiores, empurrando com toda a força para poder tirá-las do caminho.

"Por favor... Estejam bem..." – Leon rezava sem parar enquanto removia as pedras com terrível lentidão, o seu coração batendo aceleradamente, ignorando os machucados na mão e os calos que estavam começando a se formar.

"Não possui nem mesmo algo para se lembrar dos pais"

-I-Isso é...

Não havia nada ali, nem um corpo esmagado pelos escombros ou sequer um caixão.

Estava completamente vazio.

-N-Não, eu tinha visto... Eu estava presente no dia do funeral, eu tinha visto minha mãe enterrada no caixão... E aquele dia... Meu pai... Eu...

Ele continuou a cavar na esperança de que talvez não tivesse cavado o suficiente, mas uma lasca de madeira confirmou suas suspeitas.

-Essa é... Uma lasca do caixão. – Os olhos dele se alargaram ao reconhecer o material.

"Não possui nem mesmo algo para se lembrar dos pais"

Então era isso que ele queria dizer.

-Droga...

É só uma tumba, os corpos estavam ali, não podiam falar, mas...

Era o único consolo que possuía.

-Por que... – Ele se abaixou, encolhendo-se no buraco escondendo o rosto entre os braços enquanto lágrimas frustradas saiam de seus olhos. – Já não é o bastante? Eu já estou sozinho... O QUE MAIS PRECISAM TIRAR DE MIM?!

Ah... Ele não agüentava mais... Ele estava se sentindo cansado... Talvez fosse por causa do esforço, pelo clima frio ou...

Ele fechou os olhos, estava cansado demais.

-00-

-Ei, tem alguma pista?

-Não... Nós já procuramos por todos os lugares possíveis. –Respondeu a diretora meneando a cabeça.

-Ugh... Onde esse moleque se meteu. –Melina coçou a cabeça em frustração.

-... Aconteceu alguma coisa com ele? –Perguntou uma voz de criança.

Melina se virou para encarar a criança em questão, uma garota de 12 ou 13 anos com melenas castanhas, longas e com olhos levemente puxados.

-O que está fazendo fora da classe Ariadne? –Perguntou a diretora. –A senhorita não deveria estar aqui.

-...Eu ouvi.

-Hum?

-O Leon falando com alguém pelo celular. –Respondeu a garota. –Eu ouvi algo sobre o modelo Afrodite e sobre o meu pai.

-Pai? –Melina piscou várias vezes sem entender.

-...Elbert. – Sussurrou a garota olhando para baixo, como se sentisse desconforto.

-Hum... Certo, então se eu encontrar um dos dois eu vou achar o Leon não é?

-...Espero que sim.

-Pode deixar, vou encontrá-lo antes do anoitecer! –Disse Melina com o tom confiante.

...

-Bom, era o que eu queria dizer, mas... –Ele praguejou enquanto se encontrava em frente ao portão da mansão.

E o sol já estava se pondo.

-PQP por que esse lugar tem ficar tão longe?! –Xingou. –Ainda mais com esses caras irritantes que não me deixam passar!

-Sinto muito, somente com a autorização da senhora Elizabeth.

-Cara eu só quero perguntar se ela sabe onde um moleque se meteu, não quero autógrafo nem nada.

-Sinto muito, mas pessoas estranhas não entram.

-Grr... Quer saber? Vai se ferrar!

Melina ficou um bom tempo sem fazer uma das suas, mas isso não significava que ela tinha perdido o traquejo!

Deu meia volta e correu como se fosse ir embora, mas no instante seguinte correu novamente na direção do portão e agarrou uma das barras, impulsionando-a para cima do portão, desviando dos guardas que estavam berrando, tentando pegá-la.

-Volte aqui!

-Mas nem ferrando! –Riu Melina correndo quando sentiu seu celular tocar. –Alô? Oi Mu! Er... To meio ocupada, estou fugindo de alguns guardas... Eh? Não! Não roubei nada, só entrei pulei o muro de uma casa de gente rica!

-00-

-Você o que?! –Mu repetiu de forma pasma. –Mas por que... Esse lugar tem uma pista de onde está o Leon? ... Não, ele não voltou, certo, me informe caso descubra algo.

Mu deu um suspiro cansado.

Estava muito preocupado, fazia horas que Leon desaparecera e o céu estava começando a escurecer, nuvens se formando e dando um ar sombrio à noite.

"O que será que aconteceu?"

-... Com licença? – Chamou um dos guardas da galeria.

-O Leon chegou? –Perguntou Mu correndo até o guarda que deu um sinal negativo.

-Não, é que... Tem um garoto aqui em frente que disse que deseja falar com o Sr. Shion.

-Meu irmão? –Mu piscou algumas vezes. –Deixe ele entrar.

-Certo. –Meneou o guarda. –Ei garoto, pode entrar.

-...Boa tarde. – Cumprimentou o garoto com uma expressão de desconforto. –Tentei ligar para o Shion, mas ele não atende.

-Meu irmão está trabalhando na Itália.

-Oh... –O garoto pareceu mais desconfortável ainda. – Eu preciso falar com ele.

-Você tem alguma pista de onde o Leon possa estar?

-...

-Se tem alguma pista eu preciso que diga.

-... No cemitério, ele sempre vai lá quando não está bem.

-...Como você sabe disso?

-Eu sou um colega. –Respondeu o outro. –Não é mistério para ninguém em nossa classe que ele ainda sente falta dos pais.

-...

-Se encontrar alguma forma de entrar em contato com o Shion então faça isso. –Falou novamente o garoto. –Eu tenho um pressentimento ruim.

-00-

-Senhora Monica? – Chamou a secretária.

-Sim?

-O seu noivo está na porta da empresa e pediu para falar com a senhora.

"Pedir para falar? Normalmente ele entraria na empresa sem cerimônias já que os porteiros o deixam entrar" – Pensou Monica com estranheza.

-... Pode deixá-lo subir.

-Certo.

-Boa Tarde. – Cumprimentou Victorio com um aceno, uma de suas mãos no bolso e a outra acenando fracamente.

-...Boa Tarde. –Monica cumprimentou de volta.

Havia algo de estranho no ar, um clima distante e até formal demais.

Era sufocante.

"Estamos assim desde que saímos do casamento"

...

Não, talvez estivessem assim faz tempo.

-Monica. –Chamou Victorio com um sorriso que parecia claramente forçado. – Podemos sair um pouco?

-Hum... Estou com alguns assuntos pendentes, e...

-Senhorita Mazzei. –Interrompeu Victorio. -...É importante.

-... Está bem. – Concordou Monica, vendo que seu noivo estava muito quieto, sério e agindo de forma estranha. – Vou deixar informado que sai para almoçar.

-...Obrigado.

...

-Sobre o que você queria falar? –Perguntou Monica assim que chegaram a um local mais reservado.

-... Estenda a mão. – O fotógrafo pediu.

Monica estava confusa, mas obedeceu sem dizer uma palavra quando ele tirou algo do bolso e colocou em sua mão, fechando-a em seguida e impossibilitando-a de ver o que era o objeto.

-Você se lembra do casamento da minha amiga?

-... Lembro.

- Você se lembra do buque que ela deu? – Perguntou.

-...Sim.

-Está lá em casa, em um jarro bonito. – Ele disse dando um sorriso forçado. –Sabe, se fosse antes eu pensaria em como manter aquelas flores saudáveis até que pudesse ser usado para o nosso casamento.

-...

- Eu pensei bem e... Isso não combina com você. –Respondeu ele. – Você não precisa de meus sentimentos, a minha maneira de tratá-la não é a mais adequada.

-... Desculpe.

-Hum?

- Eu... Suponho que as pessoas estejam certas quando dizem que sou fria demais.

-Eu não diria que você é fria demais. –Ele deu uma risada triste. – O problema é que nós temos formas totalmente diferentes de demonstrar afeto e nós reagimos melhor a outras demonstrações também.

-...

-Eu aprecio muito o fato de você tentar ir aos lugares comigo mesmo que não seja do seu agrado. -Victorio continuou com a expressão séria. –... Mas eu não gosto disso.

-...

-Eu gosto de fazer as pessoas se sentirem a vontade e de estarem felizes, mas eu não sei exatamente como fazer isso com você.

-Eu... –Monica hesitou. – Desculpe.

Ela estava se sentindo patética, embora não houvesse nenhum tom acusador na voz dele ela não podia dizer outra coisa senão pedir desculpas, pedir perdão por ser fria.

-...Não há necessidade de pedir desculpas. –Ele meneou a cabeça de forma negativa. –Vai ficar tudo bem entre nós.

-...Victorio.

- Eu lembro que nós nos dávamos muito bem como amigos, apesar de ter demorado um tempo até você me considerar como um. –Ele riu, um pouco sem graça. – Então eu tenho certeza que vai ficar tudo bem.

- O que você...?

-Chegou a hora de terminarmos com essa farsa. – Ele disse, olhando bem nos olhos dela antes de tirar as mãos de cima da dela, o que a deixou livre para abrir a mão e finalmente ver o pequeno objeto, brilhando a luz do sol.

O anel de noivado.

-...!

-É melhor terminarmos com isso. –Disse ele colocando uma pétala meio amassada na mesa, as suas bordas ligeiramente marrons. – Ou acabaremos como aquele buque em casa, se deteriorando aos poucos.

-00-

-Victorio? – Lalita correu em direção a porta, vendo o homem se sentar no sofá e fechar os olhos, dando um pesado suspiro. –Você está bem?

-...Nunca é fácil. – Respondeu ele com um meio sorriso. – Mas também estou sentindo aliviado.

-...O que aconteceu? –Perguntou a indiana com preocupação.

-...Terminei com a Monica.

-...? Mas por que? –perguntou Lalita.

-Nossa relação já não estava boa. –Respondeu Victorio. –Eu precisei que certas coisas acontecessem para perceber isso.

-Ah... Mas...

-Vai ficar tudo bem. –Ele deu um meio sorriso, afagando os cabelos dela quando percebeu o buque. –Hum? Impressão minha ou o arranjo parece... Diferente?

-Bom... –Lalita olhou com interesse para o chão. –Eu... Percebi que você tinha arrancado uma pétala meio murcha então... Eu pensei em podar um pouco, para que ficassem mais bonitas.

-...E ficou mesmo. –Respondeu ele tocando de leve na saudável flor e pegando-a pelo caule, tocando na pétala de leve com os lábios.

"Rezo para que encontre alguém que possa podar suas flores e mantê-la sempre alegres" – Victorio fez uma prece.

-00-

-Senhorita Monica? – Perguntou Shion ao ver que a administradora não parecia muito bem. –Aconteceu algo?

-Não... Eu estou bem.

-... Eu vou buscar um pouco de café com leite para a senhorita.

-Certo.

-...E também desmarcar os seus compromissos.

-Hum? –A Mazzei piscou, atordoada.

-A senhorita não está bem. –Disse Shion com um leve tom de preocupação. – Todos estão preocupados.

-Ah... Certo.

-...Senhorita Monica. – Shion hesitou um pouco, como se estivesse pensando em algo.

-...

-A senhorita poderia sair em viagem comigo?

-Viagem?

-Surgiu um grande problema. –Shion falou de forma vaga, mas Monica sabia que ele estava se referindo a Leon Admon, o garoto que estava sob sua guarda.

-... Não precisa mudar seus planos por minha causa.

-Não estou mudando. – Ele meneou a cabeça. - ...E peço desculpas se estou mudando o cronograma da senhorita, mas estou preocupado.

-...

-Já falei com o Sr. Mazzei e ele me deu autorização, ele também acredita que será melhor para a senhorita se distrair um pouco, a senhorita parece... Triste ultimamente.

-Ah... –Monica não sabia o que dizer, mas sabia e detestava admitir que não estivesse em condições de trabalhar.

-Senh...

-O que aconteceu? –Ela tentou desviar o assunto.

-O Leon desapareceu. – Respondeu Shion decidindo que era melhor não se intrometer, pelo menos por agora. – Graças a um colega dele nós conseguimos localizá-lo, mas...

Shion parou de falar, ele mesmo não acreditava no que haviam contado a ele, mas a voz cansada e desesperançada do garoto não deixava dúvidas.

"Ele também era o meu amigo, para uma coisa dessas acontecer..."

Monica notou o estranho comportamento do homem e também como ele parecia visivelmente abalado. Não era boa em consolar pessoas, porém...

-Eu vou.

-Hum?

-Eu vou com você. –Ela repetiu. –Até a Inglaterra.

-00-

-MU! – Berrou Melina praticamente derrubando a porta, com uma mulher atrás dela.

-Ele está bem. –Respondeu Mu apontando para a cama, onde estava Leon de olhos fechados, se debatendo de um lado para o outro. – Estava com alguns arranhões e um pouco de febre por ficar tanto tempo desacordado nesse clima frio, mas ele ficará bem.

-...Onde ele estava? –Perguntou a mulher.

-E a senhora seria...?

-Ela é a Elizabeth. –Respondeu Melina. –É a pessoa que eu invadi a casa.

-Hum? Ah! Peço desculpas senhora. – Mu se curvou ligeiramente, um pouco encabulado. – Ela não fez por mal.

-Está tudo bem. –Respondeu Elizabeth. –É culpa dos meus guardas por serem incompetentes, mas creio que dessa vez foi uma boa coisa.

A mulher se abaixou e colocou a mão na testa do garoto, sentindo-se culpada.

-... Ela me contou tudo. –Disse Melina após um tempo. – Ela pediu para que Leon impedisse um paparazzi sem vergonha de fazer mal ao filho dela.

- Paparazzi?

-Elbert. –Respondeu Elizabeth.

-Em minha opinião essa foi uma idéia estúpida. –Falou Melina de forma direta. – O que um garoto poderia fazer contra um adulto?

-...Já tentei proteger meu filho de diversas formas, porém, todas as pessoas que contratei eram subornadas ou se curvavam diante das ameaças de Elbert. –Sussurrou a ex-modelo. – Esse garoto... Era o único que não se curvava, não importava quantas ameaças aquele canalha fizesse.

-Então foi o paparazzi e repórter mais cruel e trapaceiro do mundo que fez isso. –Mu franziu o cenho uma irritação mal contida escapando de sua voz.

Melina se surpreendeu com a expressão do homem, ele que é tão calmo e sereno...

-Ei, o que aconteceu? –Perguntou Melina tocando de leve no braço do outro para acalmá-lo.

-... Encontrei o Leon na cova do túmulo dos pais.

-Ele...?

-Não, ele não enterrou Leon lá dentro, não seria capaz de cometer um ato tão cruel e insano, embora o que tenha feito seja terrível.

-Então o que ele fez? –Perguntou Melina, uma idéia se formando sem sua cabeça.

-...A lápide estava totalmente destruída. –Relatou Mu com dificuldade. – E os corpos de Hugo e Stella Admon...

...

-Os corpos...? – Sussurrou Elizabeth, a voz tremendo enquanto tinha receio de confirmar o que lhe passou pela cabeça.

-...Não estavam ali, os corpos foram roubados.

-00000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000-

Whew gente, esse é o motivo pelo qual o Leon não vai andar por ali e acolá ajudando os casais, ele vai ficar em estado de choque por um looongo tempo. E finalmente o Victorio e a Monica se separaram, levou 37 capítulos, mas enfim aconteceu.

... Bom, não tenho mais nada a comentar, então vamos à reviews:

Notte di Luce: Graças aos céus você ainda acompanha essa fanfic, e peço desculpas pela demora heh, tomara que sim viu, não quero deixar essa fanfic mais longa do que o necessário, sim a Jennel mudou tanto que até mesmo eu me surpreendo!

Hum... O Leon não está doente, pelo menos não fisicamente, perder os pais não é fácil e tentar se manter firme após isso tampouco é, o Leon simplesmente não consegue mais se segurar, só isso.