Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.
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O sol se despedia lentamente no horizonte, dando lugar a um manto obscuro e suavemente estrelado que agora cobria o céu sob o qual uma imponente mansão forjada em granito negro se erguia. Todavia, naquele momento, não era a deslumbrante estrutura da enorme casa que se destacava em meio ao cenário, tão pouco o jardim bonito de flores exóticas que a rodeava, mas duas figuras ajoelhadas no gramado verde em frente à entrada. O adolescente de bagunçados cabelos negros soluçava nos braços daquele que parecia ser sua única tábua de salvação, desprendendo um ar de fragilidade pura que não coincidia com a magnitude de seu poder, enquanto as lágrimas banhavam suas belas esmeraldas.
- Por favor, deixe-me ficar aqui... Por favor... – repetia, em meio a soluços.
- Harry, o que aconteceu? – profundos olhos azuis encaravam o corpo trêmulo em seus braços com preocupação. Não havia nada que Theodore Nott detestasse mais do que contemplar aquelas belas esmeraldas banhadas em lágrimas, seu coração apertava dolorosamente com tamanha visão – Por favor, conte-me o que aconteceu para que eu possa ajudá-lo.
- Não, você não pode fazer nada, Theo. Ninguém pode fazer nada. Eu apenas descobri que a minha vida... A minha vida toda... Foi tudo uma mentira – uma risada pequena, histérica, cheia de dor escapou dos lábios agora umedecidos pelas lágrimas.
Theodore o contemplou em silêncio por alguns segundos, avaliando a escassa informação. Em seguida, ele constatou que aquele não era o momento adequado para solicitar ao trêmulo menino em seus braços um leque maior de elementos descritivos. Harry precisava se acalmar primeiro, e ele cuidaria disso. Ele cuidaria de tudo para o menino.
- Fique calmo, Harry, vai ficar tudo bem – murmurou com suavidade, depositando um beijo carinhoso nos cabelos revoltos – Venha, vamos entrar, eu vou mandar um elfo lhe trazer uma xícara de chá e então, você poderá me dizer o que aconteceu.
Os soluços haviam diminuído levemente, enquanto Harry enterrava seu rosto no peito forte do amigo e se deixava arrastar para dentro da mansão, cansado de mais para assentir ou dizer qualquer outra coisa.
- Eu vou cuidar de você.
Estas foram as últimas palavras que Harry ouviu antes de se entregar à inconsciência, apenas sentindo que era suavemente colocado sobre um colchão grande e macio coberto por lençóis de seda: a cama de Theodore. Em seguida, tudo ficou escuro. Seu corpo estava exausto tanto fisicamente quando mágica e emocionalmente. Ele já não tinha forças nem para chorar. Ele estava completamente drenado. Ele se sentia morto, vazio. Theodore, por sua vez, após solicitar que um dos elfos da mansão preparasse um chá com torradas para o seu precioso hóspede, sentou-se numa de suas poltronas preferidas, colocando-a junto à cama e se colocou a observar o pacífico semblante de Harry entregue aos braços de Morpheus. Inúmeras perguntas rondavam sua mente, pois uma catástrofe em significativas proporções teria sido necessária para reduzir o orgulhoso herdeiro do Lord das Trevas ao estado de dor e fragilidade no qual este se encontrava.
Quase duas horas depois, Harry acordou com um gemido de desconforto devido à dor de cabeça, afinal, ele não estava acostumado a chorar desse jeito. Apenas algumas lágrimas meticulosamente pensadas quando ele queria alguma coisa de seu pai... Uma expressão de amargura se desenhou em seu pálido rosto. Mas antes que pudesse mergulhar outra vez na miséria e na auto-piedade, ele ouviu uma cálida, porém preocupada voz ao seu lado:
- Acordou finalmente, bela adormecida? Eu já estava cogitando lhe dar o beijo do amor verdadeiro para ver se você despertava.
- Theo – um pequeno sorriso surgiu em seus lábios – Desculpe aparecer assim...
- Por mais que isso soe clichê, eu devo afirmar que a minha casa é a sua casa, Harry – os olhos azuis o encaravam profundamente, mergulhados em preocupação e afeto. E com um rápido estalar de dedos, Theodore convocou um elfo doméstico que já trazia uma bandeja com chá de hortelã e camomila e uma variedade de torradas, patês e biscoitos doces para o pequeno Lord – Agora, por favor, você precisa comer alguma coisa.
- Sim, mamãe.
Com um pequeno sorriso, mas os olhos ainda sem brilho, Harry se colocou a saborear o conteúdo da bandeja em seu colo. E assim, eles ficaram em silêncio, Harry perdido em pensamentos enquanto se alimentava e Theodore sem perder qualquer movimento do menino em sua cama, perguntando-se o que havia acontecido para trazer Harry em tal estado para a sua casa.
- Sunny – Theo, após Harry terminar de comer, chamou o elfo doméstico e este logo desapareceu com a bandeja, deixando os dois amigos sozinhos no quarto.
Saindo da poltrona, então, o herdeiro da fortuna Nott se sentou na cama ao lado de Harry e lhe segurou carinhosamente a mão, mas para sua surpresa, o menor saiu debaixo das cobertas e enterrou o rosto em seu peito, deixando as lágrimas voltarem a inundar seus olhos. Com cuidado, e o coração apertado ao contemplar o menino em seus braços, Theodore começou a acariciar seus cabelos lentamente e com uma voz tranqüila de quem estaria sempre lá para apoiá-lo, perguntou:
- Você quer me dizer o que aconteceu, Harry?
O aludido balançou a cabeça, concordando, mas apenas soluços escaparam de seus lábios. Theodore, porém, esperou pacientemente sem deixar de lhe acariciar os cabelos revoltos. E alguns minutos depois, Harry finalmente conseguiu respirar fundo e começar a relatar tudo o que havia acontecido:
- Nós estávamos no meu quarto... – um pequeno soluço choroso escapou de seus lábios, mas respirando fundo, ele continuou em seguida -... Draco e eu, nós tínhamos acabado de sair do banho quando eu senti que meu... que Voldemort havia chegado de sua negociação com os gigantes junto com meu... com Lucius, eu podia sentir sua fúria e sua frustração, alguma coisa tinha dado errado e então eu decidi descer ao seu escritório para ver o que havia acontecido e para impedir que ele torturasse alguém com o intuito de compensar a falha dos seus planos... Seus planos, tudo o que importa para ele... – murmurou, voltando a soluçar nos braços de seu amigo.
Theodore ouvia tudo com atenção, sem nunca afastar seu toque dos cabelos cor de ébano.
- E então? – ele perguntou suavemente, após Harry se acalmar um pouco.
- Então eu falei para o Draco me esperar no meu quarto enquanto eu conversava com... Voldemort, algo que ele concordou depressa – revirou os olhos, lembrando-se da cena – Chegando à porta do escritório, eu percebi que... Voldemort havia se esquecido de colocar os feitiços silenciadores usuais que ele sempre adotava quando entrava numa reunião com algum Comensal, mas eu ignorei isso e estava prestes a bater na porta quando ouvi... Quando eu ouvi que tudo era uma mentira!
- Shii... Acalme-se, vai ficar tudo bem agora – murmurou, abraçando-lhe mais forte – O que você ouviu, Harry?
- Ele disse... Ele falou alto e claro para Lucius que se eu descobrisse a verdade eu iria odiá-lo e então, eu não seria mais o fator decisivo de sua vitória na guerra, por causa dessa tal profecia que eles falaram e...
- Harry, acalme-se, fale devagar, eu não estou entendendo nada.
Respirando fundo, então, o menor se concentrou para continuar o relato:
- Eu os ouvi falarem de uma tal profecia que garantia a vitória de Voldemort na guerra mediante à minha decisão de apoiá-lo – murmurou, e Theodore arqueou as sobrancelhas, surpreso – Lucius havia dito que a guerra já estava ganha, pois eu nunca iria me voltar contra ele e então, Voldemort disse que se eu descobrisse a verdade... Ele disse que se eu descobrisse que ele me enganou a vida inteira... – um soluço desolado escapou, mas ele balançou a cabeça, deixando as lágrimas rolarem livremente enquanto ele continuava -... que então eu passaria a odiá-lo. E ele está certo!
- E qual verdade é essa, Harry?
- A verdade que ele escondeu de mim por dezesseis anos! A verdade que ele escondeu para manipular a minha vida! Theo, ele mesmo disse, ninguém o obrigou, ele disse em alto e bom tom que... que ele havia matado Lily e James Potter!
Nesse momento, Theodore arregalou os olhos e uma exclamação de surpresa escapou de seus lábios.
- "Impossível...!" - pensou, em choque.
Mas então, ponderou:
Para os padrões do Lord das Trevas, isso seria algo perfeitamente plausível.
- Oh, Harry... – sussurrou, abraçando-lhe ainda mais forte – Eu sinto muito.
- Ele matou os meus pais, Theo! Mas isso não é nada, o pior foi ele ter me enganado a vida inteira, ele me usou apenas para garantir sua vitória e tudo por causa de uma estúpida profecia!
- Harry...
- E Lucius...! Oh, eu pude ver facilmente que ele sabia de tudo isso! Com certeza Voldemort havia informado ao seu círculo interno de Comensais da Morte para que todos pudessem auxiliá-lo a me moldar ao seu bel prazer! O meu próprio padrinho! E você sabe como os Malfoy são, Theo, eu não preciso lhe dizer...
- São sempre leais e nunca escondem nada da própria família – afirmou com um suspiro, sabendo exatamente o que Harry queria dizer.
- Isso mesmo! Lucius com certeza contou para Narcisa e Draco... E Merlin, Draco me ouvia dizer como eu odiava os muggles por terem matado os meus pais... Aquele cínico! Ele escondeu isso de mim esse tempo todo! Todos eles, Theo! Todos eles!
A essa altura, a magia de Harry havia se descontrolado e estilhaçado absolutamente todas as janelas da mansão. Uma aura furiosa rodeava o pequeno Lord, bagunçando-lhe os cabelos, mas Theo não ficou assustado, pelo contraio, ele começou a sussurrar palavras de consolo e ânimo para o menino em seus braços, balançando suavemente o pequeno corpo, como numa canção de ninar, esperando que Harry se acalmasse. E somente após trinta intermináveis minutos, Harry conseguiu se controlar, passando a soluçar baixinho nos braços do maior:
- Eles me enganaram, Theo... Eles me usaram esse tempo todo... Eu não passo de uma ferramenta e...
- Não diga isso, Harry, ainda existem pessoas que se importam com você.
- Sim – murmurou com suavidade, a exaustão voltando a lhe tomar – Eu sei que posso confiar em você. E na Pansy e no Blaise também.
- Exato. E se eu puder perguntar, por que você veio até mim, Harry? – seus olhos brilhavam com algo que só poderia ser descrito como paixão e esperança.
- Você é o único com quem eu poderia contar, Theo – deu um pequeno e triste sorriso – Pansy e Blaise são leais, eu sei, mas eles nunca poderiam se manter firmes se Voldemort decidisse usar Legilimens contra eles. Mas você...
- Eu tenho escudos impenetráveis – concluiu por ele, sentindo seu coração saltar ao ver que Harry poderia contar apenas com ele para protegê-lo de todos os demais – Não se preocupe, Harry, meu pai estará viajando durante o mês inteiro e absolutamente ninguém irá descobrir que você está aqui, eu dou a minha palavra.
- Sim... Obrigado por me deixar ficar – murmurou, sentindo os olhos pesados por derramar tantas lágrimas e pela exaustão mágica de minutos atrás – Obrigado por estar sempre comigo, Theo...
- Nunca duvide disso, Harry – sussurrou, depositando um carinhoso beijo na cicatriz em forma de raio e voltando a acomodá-lo sob as cobertas. Seus pensamentos, então, voltaram-se para as recentes descobertas. Ele sempre pensou que o Lord das Trevas, nas limitações de sua alma obscura, amasse profundamente seu filho, mas ao descobrir que este manipulara a vida do menino devido a uma profecia ridícula, apenas pôde concluir que Voldemort não poderia pensar em nada além de seus próprios interesses. E o herdeiro dos Malfoy, que sempre havia professado seu amor por Harry, que havia sido o escolhido do pequeno Lord, no final, enganara-o como todos os outros. Mas ele não iria permitir que isso acontecesse outra vez. A partir de agora, Harry estava sob os seus cuidados. Com um último olhar à bela face do anjo adormecido, então, ele se retirou do aposento para mandar um dos elfos prepararem o quarto de hóspedes onde ele ficaria, e assim, Harry permaneceria confortável em seu quarto.
Era pouco mais de 3h00min da manhã, quando Theodore acabara de passar o olho no menino instalado em seu quarto para se certificar de que este ainda permanecia entregue aos braços de Morpheus. E agora, quando seguia para os seus aposentos com uma xícara de leite quente, de repente, ele se viu interceptado por um aflito elfo doméstico que informava a presença de ninguém menos que o Lord das Trevas pela rede de pó-de-Flu. Respirando fundo, então, ele seguiu ao escritório da mansão.
- "Limpe sua mente..." – pensou ao adentrar no escritório e com uma profunda reverência, ajoelhou-se diante da lareira, onde a face de Voldemort brilhava nas chamas esverdeadas.
- Mi Lord – cumprimentou com a voz levemente sonolenta – Em que posso ajudá-lo?
- Nott, você tem notícias do Harry?
- O que...? – arqueou uma sobrancelha – Não senhor, quero dizer, ele me mandou uma coruja no último final de semana, mas foi só isso... Perdoe-me, Mi Lord, mas aconteceu alguma coisa? – confusão misturada com genuína preocupação poderiam ser identificadas em sua voz. E em seguida, Theodore sentiu uma poderosa força tentando adentrar em sua mente, a qual ele deixou permanecer em branco, liberando apenas informações escassas e banais para não levantar suspeitas.
- Não – o Lord afirmou em seguida, frustrado ao descobrir que o menino parecia estar falando a verdade e dessa forma, ele não poderia ter qualquer idéia do paradeiro de seu filho – Não aconteceu nada. Boa noite, Sr. Nott.
No instante seguinte, a conexão foi cortada.
E Theodore deixou escapar um suspiro.
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Enquanto isso, na mansão Riddle, o Lord das Trevas estava a ponto de explodir, uma vez que sua mente vagava em meio à frustração, arrependimento e fúria. Ele acabara de falar com os melhores amigos de Harry – isto é, Pansy, Blaise e Theodore – e nenhum deles soubera lhe dar qualquer informação a respeito do paradeiro de seu filho. Por Salazar Slytherin, seu único filho! Seu precioso e amado herdeiro que naquele exato momento, provavelmente, estava mergulhado em ódio e decepção, sentindo-se usado, acreditando que não passava de uma ferramenta para os seus propósitos. Oh, mas Harry não poderia estar mais enganado. Ele amava seu filho, ele realmente o amava, e aquela guerra não significaria nada para ele se não pudesse contar com o seu precioso herdeiro ao seu lado. Voldemort poderia parecer um Lord Obscuro invencível, mas ele também era Tom Riddle e ele precisava do amor e do perdão de seu filho.
- Mi Lord, tenho certeza que ele voltará em breve e...
- Cale a boca, Lucius.
O patriarca da família Malfoy se encolheu ligeiramente. Ele nunca havia ouvido aquele tom na voz do Lord das Trevas. Ao seu lado, Draco parecia extremamente confuso e não parava de lançar olhares ao seu pai, num óbvio questionamento a respeito do que, afinal, estava acontecendo ali. Mas Lucius apenas balançava levemente a cabeça, indicando ao filho que conversariam sobre aquilo depois em casa.
- Eu não posso acreditar que ele descobriu, não dessa forma - Tom se martirizava em voz alta, indiferente à presença dos Malfoy.
- Mi Lord...
- Ele me odeia agora. Você o ouviu, Lucius, ele me odeia, não me considera mais seu pai.
- Ele está apenas confuso, meu senhor.
- Confuso... – uma risada de escárnio ecoou pelo escritório – ELE ME ODEIA!
- Meu senhor...
- CRUCIO!
Draco assistiu, horrorizado, seu pai ser mantido sob a maldição de tortura enquanto apertava os dentes para não proferir qualquer grito de dor. Maior do que seu choque ao contemplar a cena, porém, era sua preocupação com o repentino sumiço de seu noivo. Harry o havia acusado de enganá-lo assim como seu pai, mas ele simplesmente não conseguia pensar numa única vez a qual ele não tenha sido sincero com o belo menino de olhos verdes. Ele jamais o machucaria, não conscientemente, Harry era tudo para ele.
- Sumam daqui, AGORA!
Os dois Malfoy, então, logo foram arrancados de seus pensamentos – o mais novo em sua busca do motivo que levara ao sumiço de Harry e o mais velho ainda sentindo os reflexos dolorosos da maldição em seu corpo – e sem pensar duas vezes, eles acataram a ordem de Voldemort e desapareceram do escritório, e o mais importante, da ira do Lord. Este, ao ver-se finalmente sozinho, deixou sua fúria explodir.
Duas tranqüilas serpentes, nesse meio tempo, deslizavam pelo piso de mármore da Mansão Riddle quando, de repente, ouviram um barulho de destruição em massa vindo do escritório do Lord das Trevas. Na mesma hora, elas trocaram um olhar e seguiram em direção ao barulho. Afinal, seu precioso Harry poderia estar em apuros se irritasse seu pai a ponto de fazer com que este explodisse toda a casa. Deslizando pela porta entreaberta e destruída, elas observaram que não havia praticamente mais nada inteiro dentro do local, tudo parecia sucata e cinzas. E sentado em sua poltrona habitual, agora faltando um pedaço do braço e um pouco chamuscada no encosto, encontrava-se Lord Voldemort com um copo de Whisky de Fogo em sua mão. Na verdade, agora ele acabava de abandonar o copo e despejava o conteúdo inteiro da garrafa em sua boca – ainda com elegância – para em seguida, estilhaçá-la na parede.
- Chegamos tarde para festa, Tom? – Nagini perguntou com sarcasmo, deslizando para dentro do aposento enquanto tomava cuidado para não esbarrar em nenhum entulho. Morgana, por sua vez, permanecia num cauteloso silêncio, mas seguia de perto a cobra mais velha.
- Ele se foi.
- Quem?
- Harry... Ele descobriu tudo e se foi. Ele me odeia agora! Você precisava ter visto os seus olhos, tanta dor, tanta decepção... – amargura pura poderia ser detectada em sua voz.
E se as serpentes arregalassem os olhos, surpresas, Nagini teria feito isso ao ouvir as palavras de Tom.
- Você só pode estar brincando – ela murmurou.
- Eu pareço estar brincando?
- Meu santo Basilisco... E o que você está fazendo sentado aí?
- O que?
- TOM MARVOLO RIDDLE! – ela urrou, ainda sibilante, mas mortal – VOCÊ ACHA QUE DEIXAR O SEU TRASEIRO PREGADO NESSA POLTRONA IRÁ AJUDAR? VOCÊ ACHA QUE DESTRUIR A CASA INTEIRA VAI TRAZER O MEU FILHOTE DE VOLTA?
- Não, mas ele...
- ENTÃO LEVANTE JÁ DAÍ E CONVOQUE QUANTOS COMENSAIS DA MORTE FOREM NECESSÁRIOS PARA TRAZER AQUELE MENINO AQUI NEM QUE SEJA AMARRADO E AMORDAÇADO!
De repente, Tom viu-se agradecendo por apenas ele ser capaz de compreender a língua das serpentes e assim, entender o verdadeiro ultimato que sua serpente guardiã estava lhe dando. Mas Nagini estava certa. Ele não poderia ficar sentado se martirizando para sempre. Ele precisava encontrar seu filho e lhe explicar tudo, nem que precisasse amarrá-lo e amordaçá-lo para que Harry o ouvisse.
Dane-se a guerra.
Ele precisava recuperar seu filho.
Puxando a varinha, então, ele convocou seu círculo interno de Comensais da Morte para uma reunião de emergência na mansão.
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Quando pai e filho chegaram ao salão de estar da Mansão Malfoy, Draco não se preocupou nem mesmo em perguntar se seu pai estava bem depois de ser atingido pela Maldição Cruciatus. Seus obstinados olhos acinzentados se conectaram com os de seu progenitor com astúcia e preocupação e de seus lábios, apenas uma pergunta decisiva foi proferida:
- O que diabos aconteceu ali?
- Draco, não use esse vocabulário – a tranqüila voz de Narcisa, que ingressava no aposento, o repreendeu.
- Pai...? – ignorando as palavras de sua mãe, ele focou seus incisivos olhos em Lucius, que nas limitações de uma face sem expressão adotada há séculos pela família, deixava transparecer seu nervosismo e constrangimento.
- Meu filho, a história de Harry é um pouco complicada e parece que ele a descobriu abruptamente hoje.
- Do que você está falando? Eu conheço a sua história, todos nós conhecemos.
- Oh, Merlin... – Narcisa suspirou, deixando-se cair com elegância, mas ainda sim atordoada em uma das poltronas de estofado bege que decoravam lindamente o salão – Ele descobriu isso hoje, Lucius?
- Sim, ouviu uma conversa minha com o Lord.
- Pobre menino...
- O QUE ESTÁ ACONTECENDO? – pela primeira vez em dezessete anos, Draco perdeu a compostura Malfoy na frente de seus pais.
- Draco, meu filho... – Narcisa começou, mas ele a interrompeu:
- Não me venha com "Draco, meu filho", mãe! O meu namorado, poxa vida, o meu noivo fugiu às pressas de sua casa, aos prantos, depois de me acusar de enganá-lo como todos os outros! O que vocês sabem? Do que ele estava falando? Merlin, eu não estou entendo nada!
A mulher se encolheu ao ouvir o desespero latente na voz de seu filho. E dando um significativo olhar para Lucius, ela balançou a cabeça, com um suspiro, indicando que era melhor deixá-lo saber da verdade.
- Draco, acalme-se e eu irei lhe contar tudo.
O adolescente bufou, mas balançou a cabeça ficando em silêncio para ouvir seu pai. Assim, aproximadamente vinte minutos transcorreram com Draco em silêncio ouvindo as palavras de seu pai, que lhe contou absolutamente tudo: sobre a profecia, o assassinato dos Potter, o Tratado de Paz estabelecido entre Voldemort e o Ministro na noite em que o Lord tomou Harry como seu herdeiro, a invencibilidade de Voldemort e o final desta e do Tratado com o passar de dezessete anos.
- Quem mais sabe sobre isso? – o adolescente perguntou friamente ao final do impressionante relato.
- Eu, sua mãe, seu padrinho Severus, os Lestrange, Avery e McNair, apenas os mais próximos ao Lord.
- Então vocês dois... – ele apertou os punhos – Vocês dois sabiam e não me falaram nada! E agora ele pensa que eu o enganei como os demais!
- Draco, querido, é apenas um mal entendido. Tenho certeza de que o jovem Harry...
- Não, mãe! Isso não é um mal entendido! É o final de toda a minha vida graças a vocês dois, porque agora ele me odeia! Ele me acha um cínico, um mentiroso manipulador, assim como vocês são!
- Draco...! – seu pai o repreendeu, mas ele o ignorou, lançando aos dois um olhar ressentido.
- Eu não consigo ficar nesta casa nem mais um minuto... – murmurou com desgosto e chamando por um elfo doméstico, ele ordenou – Prepare minhas coisas, Dobby, estou deixando a Mansão Malfoy.
O elfo assentiu em silêncio e desapareceu. E ao mesmo tempo, sua mãe se desesperou:
- DRACO! – seus belos olhos azuis se arregalaram com a possibilidade de perder o seu bebê – O que você pensa que está fazendo?
- Eu vou encontrar o Harry e se ele me perdoar, talvez eu perdoe vocês dois – respondeu friamente, seguindo para o escritório de seu pai e então, desaparecendo em meio ao pó-de-Flu.
- Lucius Abraxas Malfoy, faça alguma coisa!
- Narcisa, querida, ele já se foi.
- Traga-o de volta! Traga o meu bebê de volta agora!
Abraçando a desesperada mulher, ele suspirou:
- Talvez seja melhor para ele ficar sozinho agora. Não se preocupe, mandarei Dobby ficar de olho nele, tenho certeza de que Draco foi para uma de nossas mansões, você o conhece afinal.
Ela concordou. O belo rosto de feições aristocráticas levemente franzido em preocupação:
- Eu ainda não gosto disso.
- Eu sei, meu amor, nem eu, mas se isto for ajudá-lo a amadurecer e até mesmo recuperar o jovem Harry, quem somos nós para impedi-lo, não é mesmo?
De fato, o destino de Draco havia sido a mansão em Provença, na região sul da França, na qual ele passara uma inesquecível temporada com seu amado, o mesmo lugar onde ele havia pedido Harry em casamento e este aceitara. Agora, olhando ao redor e contemplando os pisos de mármore, as paredes de estuque veneziano, os tetos pintados a mão com detalhes exclusivos, e os preciosos adornos em ouro e pedras preciosas, ele não conseguia deixar de pensar no seu precioso moreno de olhos esmeraldas e nos maravilhosos dias que haviam passado ali. Era extremamente doloroso olhar ao redor e se lembrar de que agora, Harry o desprezava, mas, ao mesmo tempo, servia-lhe como uma constante motivação para lutar em busca de trazer o seu amor de volta.
- Mestre Draco, Dobby já arrumou os pertences do mestre Draco em sua nova residência, Dobby irá preparar o jantar agora – o elfo havia aparecido de repente na sala de estar, onde ele se encontrava recostado em uma das poltronas, e agora o encarava com aqueles enormes olhos amarelos – Mestre Lucius falou que Dobby deve ficar e cuidar do mestre Draco, madame Narcisa está inconsolável...
- Sim, Dobby, eu entendi – ele interrompeu o elfo, suspirando – Mas agora minha única preocupação é Harry, eu preciso encontrá-lo e fazer com que ele acredite em mim.
- Mestre Harry sumiu? – os enormes olhos se encheram de lágrimas – Dobby gosta muito, muito, muito do mestre Harry, ele é sempre tão gentil.
- Eu sei, Dobby, eu sei...
- Dobby fará o que for preciso para ajudar o mestre Draco a encontrar o gentil mestre Harry!
- Obrigado, Dobby – com um pequeno sorriso ele dispensou a obstinada criatura, mergulhando outra vez em seus próprios pensamentos.
Ele precisaria de toda ajuda possível para encontrar seu amado.
Isto é, Pansy, Blaise e até mesmo o insuportável Nott.
Juntos, talvez, eles conseguiriam trazê-lo de volta.
A manhã chegou com Draco contemplando o nascer do sol de sua cama, no quarto principal da mansão, o mesmo que havia dividido com Harry. Ele não conseguira pregar o olho a noite inteira e só havia jantado, tomado banho, trocado de roupa e deitado na cama por causa das irritantes recomendações de Dobby. Agora, após tomar uma xícara de café preto a contra gosto, ele se debruçava sobre a chaminé do escritório para entrar em contato com Pansy e Blaise nos EUA.
- Draquinho, o que trás você para a nossa agradável companhia via pó-de-Flu, sendo que você e o Harryzito já deveriam estar aqui?
- Pansy, eu preciso da sua ajuda.
- O que aconteceu? – ela perguntou com a voz séria, lembrando-se da estranha ligação do Lord na noite anterior, e Blaise logo se aproximou da chaminé, curioso e preocupado com a mudança de sua namorada.
- Harry desapareceu depois de ouvir uma conversa do Lord com meu pai... – o herdeiro da fortuna Malfoy, então, contou tudo para seus dois amigos, não poupando nenhum detalhe, nem mesmo do que seu pai havia lhe contado posteriormente –... E agora ele pensa que foi traído por todos e sumiu sem deixar vestígio.
- Céus... – a menina murmurou – Esse tempo todo, ele cresceu numa mentira.
- Uma mentira contada a todos nós também – Blaise comentou, os punhos cerrados de ódio.
- Eu preciso da ajuda de vocês dois para encontrá-lo.
- Saia da frente, Dray, estamos chegando imediatamente.
Fazendo jus às palavras de Pansy, nem dois minutos se passaram e o casal deixou as chamas esverdeadas para ingressarem no escritório da mansão:
- Prepare um quarto, Draquinho, nós não vamos sair daqui até descobrirmos o paradeiro do Harry – ela ordenou e então, dezenas de malas apareceram ao seu lado, malas estas que continham suas compras da viajem e que haviam sido mandadas pelos elfos do hotel ao realizarem ao check out– E de preferência um quarto bem espaçoso que possa abrigar a minha humilde bagagem.
Draco revirou os olhos, mas deixou um pequeno sorriso adornar seus lábios, e então, ordenou que Dobby arrumasse tudo e instalasse seus convidados no segundo maior quarto da mansão. Uma obstinada Pansy, então, afirmou que aquele seria o quartel general de busca do pequeno Lord.
- Falta apenas mais um membro em nosso quartel general – ela comentou sutilmente.
- Eu sei, vou entrar em contato com ele agora – Draco suspirou e em seguida, jogou outro punhado de pó-de-Flu na chaminé – Mansão Nott!
Segundos depois, o próprio Theodore Nott atendeu ao chamado:
- O que você quer Malfoy?
- Eu preciso da sua ajuda, Nott – respondeu por entre os dentes cerrados de ódio.
- Oh... – seus olhos aguçaram de curiosidade – Para quê exatamente?
- Harry desapareceu... – e mais uma vez, o herdeiro da fortuna Malfoy contou toda a história. O que ele não sabia, porém, era que Theo a estava ouvindo pela segunda vez.
- Então seus pais sabiam de tudo isso e você não?
- Sim.
- Você é um idiota que não o merece, está ciente disso?
- Sim... – murmurou com ódio, desviando o olhar.
- Eu não irei ajudá-lo, Malfoy. E eu desejo que você nunca seja capaz de encontrá-lo. Contudo, eu irei procurá-lo por mim mesmo e então, quando eu encontrá-lo, ele estará a salvo de todos vocês.
- Desgraçado! – Draco apertou os punhos observando a cabeça de Theodore Nott desaparecer em meio às chamas esverdeadas – Ele não irá ajudar...
- Nós não precisamos dele – Blaise afirmou. E Pansy balançou a cabeça, suspirando.
Tudo seria mais difícil agora.
Mas eles não desistiriam.
Por Harry...
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- Malfoy afirmou que seus pais sabiam, mas que ele não sabia de nada.
- Ele está mentindo.
- Eu sei... – Theodore suspirou, colocando um pouco mais de leite com chocolate no copo de Harry. Ele também acreditava que Malfoy estava mentindo apenas para conseguir ajuda para procurar por Harry, mas achou melhor não aprofundar o assunto.
Naquele exato momento, Theo e Harry desfrutavam de um café da manhã sob as sombras de uma imponente macieira no jardim da mansão, idéia do maior para tentar distrair e animar um pouco o pequeno Lord. E seus esforços pareciam estar funcionando, pois o semblante de Harry já não se mostrava tão pálido. A exaustão emocional, mágica e física, porém, ainda era visível em seu rosto, mas depois dos eventos da noite anterior não poderia ser diferente.
- Você pensa naquilo que gostaria de fazer a partir de agora?
- Sim e não... – Harry murmurou, dando outra mordida sem interesse em sua panqueca com geléia de amora –... São tantas coisas que eu sei que preciso fazer para me sentir melhor e outras tantas que eu não tenho nem idéia e...
- E precisará descobrir.
- Sim. Eu quero conhecer todas as verdades que foram escondidas de mim e substituídas por sórdidas mentiras, eu quero avaliar por mim mesmo, eu quero escolher o meu destino e não deixá-lo nas mãos de qualquer vidente de quinta categoria.
Um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Theodore, ao qual Harry correspondeu, e então o maior afirmou:
- Você sabe que pode contar comigo, não sabe, Harry?
- Se eu não soubesse, não estaria aqui.
- Ótimo – segurando-lhe carinhosamente a mão, descansando-as cima da mesa, ele procurou seus olhos – Porque eu estarei com você nessa jornada.
- Theo...
- Não me venha dizer que pode ser perigoso, que é problema seu, que você não quer que eu me machuque ou qualquer bobagem desse tipo, eu estarei ao seu lado, sempre, essa é uma escolha minha.
Harry o encarou fixamente.
E então sorriu, entrelaçando seus dedos.
- Obrigado, Theo.
O resto da semana transcorreu sem grandes problemas, exceto pelas vezes em que Harry havia acordado em lágrimas e com a magia agitada ao sonhar com o momento em que descobrira as mentiras do Lord das Trevas, mas quando isso acontecia, Theodore seguia rapidamente para o seu quarto e o envolvia num forte abraço, murmurando palavras de consolo em seu ouvido e lembrando que por mais que tudo viesse a se desmanchar numa mentira, ele sempre estaria lá para ele, assim como seus outros amigos. Então, Harry dormia em seus braços com um rastro de lágrimas ainda adornando seu rosto suave. E ele velava seu sono, prometendo a todos os deuses que jamais deixaria alguém ferir o menino em seus braços em tais proporções novamente.
Dessa forma, então, uma semana se transformou em duas e antes mesmo que Harry pudesse perceber, ao estar organizando seus sentimentos e pensamentos – o que se mostrava uma tarefa, no mínimo, impossível –, seu aniversário de dezessete anos chegou:
- Bom dia, raio de sol – a divertida voz de Theodore ecoou pelo aposento, atraindo a atenção de Harry, que olhava distraidamente pela janela, ainda deitado na cama – Como está se sentindo ao possuir finalmente o peso da maior idade?
- Igual à ontem, quando eu possuía o peso da menor idade.
- Bem, mas pelo menos hoje você ganha café da manhã na cama e bolo de aniversário – com um sorriso e um balançar de varinha, Theodore fez aparecer no colo de Harry uma imensa bandeja cheia de guloseimas nem um pouco saudáveis, a qual contava com um pequeno, mas lindamente decorado bolo de chocolate com morangos e marshmallow ao centro.
- Mas você sempre me traz café da manhã na cama – ele sorriu com fingida inocência. E o maior franziu o cenho, pensativo:
- Certo... Hum... Mas hoje tem bolo! – exclamou triunfante.
- Sim, de fato – sorrindo, Harry apagou as dezessete velinhas e assim, eles saborearam o delicioso café da manhã em comemoração ao aniversário do pequeno Lord. Contudo, Theodore ainda podia identificar facilmente a tristeza nos olhos esmeraldas.
Harry não poderia estar mais agradecido por Theodore estar ao seu lado num momento como aquele, esforçando-se para fazer daquele dia uma ocasião feliz e especial. No entanto, este ainda consistia no pior aniversário de toda a sua vida, porque a cada segundo ele se lembrava de seus aniversários anteriores e dos momentos que havia passado com seu pai... Não, com o Lord das Trevas. E então, ele percebia que cada palavra, cada sorriso, cada presente, cada abraço, cada instante junto daquele homem havia sido apenas uma mentira. Oh, uma elaborada mentira contada através de dezessete anos e usada para manipular sua vida com o intuito unicamente de usá-lo como uma arma nesta guerra maldita.
Distraído, ele sequer escutava as palavras de Theo.
Ele pensava em Draco.
E seu coração apertava.
Ele pensava em seu pai.
E as lágrimas ameaçavam cair outra vez.
- "Era mentira... – sura mente repetia uma e outra vez –... Era tudo mentira".
E o pesadelo que lhe assombrava todas as noites agora voltava mesmo quando mantinha os olhos abertos:
"Eu matei Lily e James Potter..."
"Eu o enganei..."
- "Minha vida inteira foi uma mentira" – pensava com amargura, mas, de repente, viu-se concentrado outra vez na realidade ao escutar as animadas palavras de Theodore, enquanto observava este lhe estender uma caixa de veludo negra própria para guardar um colar de inestimável valor, a qual contava com um belo laço prateado ao redor:
- Feliz aniversário, Harry.
Um pouco atordoado, Harry pegou a caixa aveludada, oferecendo-lhe um pequeno sorriso. E ao abri-la, viu-se novamente sem palavras:
- Theo...
- Espero que você goste – o adolescente de olhos azuis comentou com certa timidez.
- Eu adorei. É... É impressionante.
- Fico feliz – sorriu – Eu consegui com um bruxo colecionador de peças raras alemão. Este é um autêntico talismã egípcio, ele possui poderosos encantamentos para protegê-lo das mais poderosas maldições e ainda combina com seus olhos.
Harry sorriu com carinho ao ouvir o último comentário.
De fato, o objeto era belíssimo. Consistia de uma fina corrente de ouro, da qual pendia um pequeno pingente de ouro no formato de um olho egípcio, aquele sempre encontrado nas pinturas das pirâmides, com delicadas inscrições em hieróglifos em auto-relevo, e uma pequena esmeralda no centro do olho representando a íris, da qual emanava todo o seu poder mágico. Encarando esta esmeralda, porém, Harry não pôde deixar de se lembrar do seu anel de noivado, o qual ele guardara numa caixinha de veludo convocada com magia e trancara no cofre pessoal de Theodore, que aceitara seu pedido para guardar a bela relíquia sem proferir uma palavra.
- Você está bem, Harry?
- O que? Oh... Sim, estou sim, não se preocupe – Harry deu um fraco sorriso, oferecendo o colocar para que o amigo colocasse em seu pescoço – Obrigado pelo presente, Theo, é lindo.
- Na verdade eu queria ter voltado no tempo e apagado tudo o que aconteceu na sua vida, Harry, mas, infelizmente, meu pai parece ter desaparecido com o meu vira-tempo.
Com um sorriso sincero, então, Harry se virou para encarar o amigo, agora sentindo o delicado peso do colar em seu pescoço:
- Obrigado, Theo, obrigado por tudo.
E o mais velho balançou a cabeça, sem deixar de encará-lo:
- Eu sempre estarei ao seu lado.
- Eu sei.
- Não importa o que você queira fazer.
- É bom ouvir isso, Theo, porque eu estive pensando... – Harry suspirou e então, afirmou com cautela –... Eu quero me encontrar com Sirius Black.
O silêncio no aposento durou exatos três segundos e então, com um movimento de varinha, Theodore convocou uma pena e um pergaminho:
- Escreva uma carta para ele.
- Você tem certeza, Theo?
- Isso depende. Você tem certeza, Harry?
- Sim, eu tenho certeza – declarou com firmeza e Theodore sorriu:
- Então eu também tenho – e assim, ofereceu-lhe a pena e o pergaminho.
Poucos minutos depois, a coruja de Theodore voava pela imensidão azul do céu com uma carta anexada em sua perna. Uma carta que dizia simplesmente:
Black,
Eu preciso falar com você.
Harry.
O sobrenome não foi empregado na carta devido ao simples motivo de não saber como assinar. Todavia, no final da tarde, Harry se surpreendeu ao receber tão rapidamente a resposta e uma vassoura de última geração acompanhando esta:
Harry,
Oh, Merlin! Eu achei que você nunca mais fosse querer falar comigo, depois da sua última carta, então eu planejava encontrá-lo pessoalmente este ano, agora com a sua maior idade... Mas, enfim, peço desculpas... Monny está falando para eu deixar de enrolar e perguntar logo como você está, se você precisa de alguma coisa... Você falou que precisa falar comigo, não é? Pessoalmente? Eu posso ir onde você está... Bem, isso depende de onde você está... Oh, Monny está sugerindo que você diga o dia e o local para nos encontrarmos. Tudo bem para você? Nós dois esperamos sinceramente que você esteja bem, Harry.
Abraços,
S.B.
PS: Feliz Aniversário, Harry.
Espero que você goste do presente.
- Black ainda sabe como dar presentes... – Harry comentou com Theo, que também observava a vassoura com admiração.
- Sem dúvida.
Em seguida, ele mandou a curta resposta:
Londres Muggle,
Entrada da Estação de Piccadilly Circus.
Na Starbucks Café, às 14h00min. Em três dias.
PS: Obrigado pela vassoura.
-x-
- Theo, apenas mais uma vez, por que nós escolhemos Londres Muggle?
- Por que assim haveria pouquíssimas chances de alguém nos reconhecer.
- Oh, certo... – o mais novo murmurou, olhando em volta com desdém.
Finalmente os três dias haviam passado e agora, Harry e Theodore se encontravam num famoso café muggle que, por sorte, não estava muito cheio naquela hora do dia, esperando pacientemente pelo prófugo de Azkaban enquanto discutiam um assunto de importância vital:
- Eu não sei como eles conseguem usar essas coisas desconfortáveis e horríveis – Harry comentou fazendo uma pequena careta e apontando para as próprias roupas. Ele usava uma calça jeans preta, perfeitamente ajustada ao seu corpo esguio, uma camisa de manga larga na cor gelo e uma jaqueta de um cinza escuro por cima, completando o look, pois, estavam os sapatos sociais pretos e os óculos escuros.
Ao seu lado, Theodore usava uma calça social preta, camisa branca e blazer azul marinho por cima, com os sapatos sociais pretos e os óculos escuros também dando um charmoso arremate em seu visual.
- Pelo menos o café é bom – comentou despreocupado, sorvendo outro gole do seu frappuccino. E nesse ponto, Harry precisou concordar, também maravilhado com aquela iguaria.
- Obrigado pelas roupas a propósito, Theo – o menor deu um sorriso brilhante. E o herdeiro da fortuna Nott apenas balançou a beça, divertido:
- Para sua sorte, eu sou muito bom em feitiços de transfiguração de objetos em roupas, caso contrário, você estaria vestindo as minhas roupas durante todas essas semanas na mansão.
- Oh, certo, como eu pude esquecer a minha mala de roupas que eu já deixo separada sempre que penso em fugir de casa todas as vezes que eu descubro que as pessoas nas quais em confiava, enganaram-me a vida inteira – comentou com sarcasmo, mas Theodore apenas suspirou, afirmando:
- Foi uma sorte, porém, você trazer sua varinha.
- Eu nunca ando sem ela, nem por um minuto.
- Isso é bom... – suas palavras, contudo, foram interrompidas pela chegada de dois peculiares homens ao estabelecimento muggle.
Sirius Black e Remus Lupin pareciam definitivamente fora de lugar, ao contrário de Theo e Harry, que se destacavam como jovens e belos modelos, os bruxos mais velhos se destacavam em roupas, no mínimo, excêntricas. Sirius era o pior dos dois, usando uma calça jeans surrada e uma camisa laranja com um sobretudo marrom por cima, enquanto Remus, por sua vez, permanecia com suas usuais roupas de má qualidade, mas com um senso um pouco mais adequado em se tratando de moda muggle, usando uma calça caqui e uma camisa branca, o semblante sempre exausto indicando que passara por uma violenta lua cheia há algumas semanas.
Theodore, ao observá-los se aproximar, lançou discretamente um feitiço de privacidade na mesa em que eles se encontravam. Mesa esta que era a mais afastada do local.
- Harry... – os olhos de Sirius brilharam ao contemplar seu afilhado, mas foi recebido com um cumprimento frio:
- Black, sente-se, por favor. O senhor também, professor Lupin.
Continua...
Próximo Capítulo:
- Oh, então você está me dizendo que o jovem Harry descobriu toda a verdade e se rebelou contra o papai? – um sorriso vitorioso se desenhou no roso do diretor de Hogwarts – Sem dúvida, a sorte está do nosso lado, meu caro.
-x-
N/A: Olá meus queridos e amados leitores... Em primeiro lugar, gostaria de pedir mil perdões pela demorar em atualizar a história e responder as reviews. Nhya! Perdão! – olhando com olhinhos de filhote de gatinho querendo leite – Perdão, de verdade! Mas o final do semestre nas duas faculdades quase me deixou louca... Sério, ainda estou sonhando com leis e artigos do código civil, mas a notícia boa é que eu passei! E agora, é época de férias! E também, época de escrever fics!
Bom, espero sinceramente que vocês tenham gostado do capítulo! Um momento realmente tenso, não é mesmo? Oh, mas tensões ainda piores estão por vir... Logo vocês poderão conferir!
Muito obrigada mesmo pelas lindas reviews de:
Shinju Gina... Lanity... KuroNekoDevil... sonialeme... Deh Isaacs... vrriacho... ... Isys Skeeter... Percy'Malfoy... amdlara... Lari SL... Kamilla Riddle... Mila B... The Reader... Pandora Beaumont... Ines G. Black... e AB Feta!
Um Grande Beijo!
E até a próxima atualização!
Na semana que vem: o penúltimo capítulo de Estocolmo.
