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PS: músicas no decorrer do capítulo.


Ponto de Vista do Edward

Não tentei me levantar do sofá.

Eu sabia que logo que ele visse a cara feia e emburrada que eu colocaria agora, ele passaria a falar serio comigo.

-Ok. Ok irmão. Desculpa. Você sabe, afinal sou eu não é?

Ele deu uma saída e voltou com uma cerveja. É lógico.

-Eu até escuta as tragédias da sua vida amorosa em troca você só tem que beber comigo - peguei a lata da mão dele... - Que foi que a guria fez dessa vez?

-A peguei alisando outro cara dentro do escritório... - então eu me enfureci um pouco com a lembrança - E ainda depois, me jogou na cara que EU disse que entre nos dois só ia ter sexo, que ninguém devia nada a ninguém...

-E você disse isso? - ele perguntou arqueando uma sobrancelha.

-É, mas esse não é o ponto.

-Você realmente disse pra ela que a partir de certo momento só iria ser sexo entre vocês dois?

-É, mas isso não é motivo pra ela sair pegando em tudo quanto é homem por ai fazendo eu me sentir feito um lixo.

-Ta, e você pensou em como ela se sentiria deixando claro que a partir daquele momento ela era só um pedaço de carne pra você?

-Não, mas eu não a tratei feito um pedaço de carne - eu abaixei minha voz, pensativo, ele não ouviu a ultima parte da minha frase – Não... Por muito tempo.

-Não tratou, mas deu a uma mulher o que homem nenhum devia dar.

-O que? - lá vinha ele com aquela sabedoria de homem galinha que sabe tudo sobre truques pra enganar sua mulher. Não que ele fizesse isso, aliás, não sei bem porque Emmett fazia tanta questão de saber tanto sobre o assunto.

-Tu deu uma desculpa e uma razão.

-Explique... - eu disse terminando minha cerveja. O que? Eu terminei minha cerveja? Meu deus. Livra-me do alcoolismo por trauma Isabella.

-Tu deu uma desculpa. Agora toda cagada que ela fizer, vai dizer que é porque você não a tratou da forma que merecia.

-Mas ela mentiu a idade, colocou lentes de contato e me chamou de objeto num trabalho de escola. - eu disse meio passado. Nunca as teorias dele haviam sido tão sem lógica.

-Mulher nenhuma merece ser tratada feito um pedaço de carne, não uma que você pretenda manter no seu circulo social pelo menos, mas quer me deixar terminar, por favor?

Eu apenas assenti e ele voltou a falar.

-Alem da desculpa, tu deu uma razão também.

-Mas que porra de razão? - eu dei um pulo no sofá.

-Caralho Edward, vai me deixar terminar ou não? - foi ele quem pulou no sofá dessa vez e eu me encolhi... - você deu uma razão sim. Razão pra ela fazer cagada. Agora ela não vai perder uma oportunidade de te mostrar que se você não tratá-la da forma como merece, está cheio de marmanjo por ai a fim de fazer isso.

-Não tem como tratá-la melhor do que eu estava fazendo Emmett - eu disse ficando raivoso de novo e pensar que perdi uma noite de sono pra tentar ajudar ela... Idiota!

-Ah não? - sobrancelha arqueada de novo. Ele devia se sentir o chefão fazendo aquilo. Só faltava me pedir pra beijar o anel quando chegava à casa dele.

Eu não respondi, apenas fiz que não com a cabeça.

-Tu pediu pra namorar ela? - fiz que não com a cabeça de novo... - Chamou pra jantar? - não... -Mandou flores? - não...

Ele fez aquele cara de 'então, estou certo d novo', mas algo veio a minha mente. Algo que me deixou orgulhoso. Eu finalmente ia dar a volta nele.

-Mas você está errado. Ela não esta usando isso pra me atingir.

-Não? - ele perguntou meio descrente.

-Não. Ela não esperava que eu fosse entrar naquela sala, não fez de propósito.

-Tava fazendo o que então?

-Eu sei lá. Vendo uma tatuagem ou algo assim, mas nada pra me causar ciúmes de propósito.

-Ah. Você, Edward, esta me dizendo então que ela ate estava numa situação embaraçosa, mas que não era proposital, e nada que te pudesse deixar enciumado... Enciumado... Assim como você está agora?

Dar a volta uma merda. Ele conseguiu de novo. Desviou, desviou ate chegar no ponto em que queria. Colocar ela como a santa de novo. Ah não. Não dessa vez.

Ponto de Vista da Bella

-O que foi que ele fez dessa vez? - ela me entregava um todinho. Sabia que nesses momentos de crise, só chocolate me acalmava.

-Você sabe que nunca é ele que faz alguma coisa Alice - aumentei mais meu bico - Sou sempre eu que estrago tudo.

-Ok. Já que você insiste... O que foi que você fez então?

-Eu... Eu... Estava lá conversando com um amigo, um assistente, que tem me ajudado na empresa e estava vendo uma tatuagem-cicatriz dele e então foi tudo muito rápido. Ele entrou na sala, fez cara feia, saiu andando, eu falei merda e acabou.

-Como assim acabou? - ela deixou de beber a água pra perguntar.

-Acabou. Eu vi a cara dele. Acabou.

-Mas acabou o que, se vocês não tinham nada?

-Agente tinha sim! - ta, talvez eu tenha me exaltado. Um pouco... Muito.

-Tinham o que? Eu não me lembro de ele ter oficializado alguma coisa com você. Não desde que descobriu que Isabella tem olhos azuis e é maior de idade.

-Eu sei lá o que se chama o que nos tínhamos, mas... - eu procurava alguma palavra pra rotular aquilo. Algo me veio à mente então...

-Ele me deu uma copia das chaves do apartamento dele. Isso é um sinal de que tínhamos algo... – pronto, agora eu ganhei...

-Ele te deu - ela levantou as mãos fazendo aspas com as mãos - Carta branca pra cama dele e tu fica achando isso prova de compromisso?

-E não é? - talvez eu tivesse com cara de tonta agora.

-Bella, esse negocio de te como e depois quem sabe eu te ligo, é coisa de vadia.

Minha boca tentou se abrir pra dizer algo, mas logo depois meus olhos começaram a arder. Eu já não queria mais ficar ali. Não queria mais conversar. Não queria mais ver Alice na minha frente pra falar a verdade.
Eu estava quase na porta e ela me puxando. Pensei em dar um esporro pra ela me soltar, mas minha amiga estava grávida. Eu não poderia fazer isso com ela.

-Eu quero ir embora - minha voz falhava.

-Bella me desculpe, não foi isso que eu quis dizer.

-Foi sim! - eu tentei me controlar, mas não dava - Eu ouvi muito claramente o 'vadia' que saiu da sua boca.

-Mas meu bem, você não vê que esta deixando de lado sua dignidade aceitando as condições que esse cara esta ter impondo.

-Alice minha dignidade não me serve de nada se eu não o tiver ao meu lado! - ok. Agora eu a choquei - eu menti... - eu me virei pra ela agora um pouco mais calma - menti fria e descaradamente. Eu deveria estar agradecida por ele pelo menos impor condições e não apenas sair da minha vida e fingir que eu não existo pra sempre.

-Não é melhor não! - agora era ela que se exaltava e eu estava ficando com medo. Ela não podia ficar daquela forma... -Toda pessoa se deve um pouco de respeito para consigo própria! - ela me puxou pra sentar de novo no sofá - Homem nenhum merece que você se olhe no espelho e se envergonhe do que esta vendo. Vergonha por sinal que só sente por causa das coisas que tem coragem de fazer só pra ter o prazer de tê-lo ao seu lado na cama por uma ou duas noites.

-Mas minha vida sem ele não tem sentido Alice!

-Tinha sentido antes de você conhecê-lo e pode voltar a ter. O tempo cura tudo, você vai ver.
As lagrimas saiam feito loucas agora, sem eu conseguir controlar. Eu não sabia se ela tinha razão, se me dizia aquilo pura e simplesmente porque os hormônios estavam em fúria pela gravidez, mas talvez fizesse sentido.

-Não estou dizendo que precisa abrir mão dele meu bem.

-Não? - eu perguntei esperançosa.

-Não, mas precisa saber se com o tempo e o convívio ele vai poder te tratar como você merece ou você pensa que pode levar uma situação dessas? E o dia em que ele se cansar? Sumir da sua vida? É melhor que seja uma decisão sua, racional, do que uma noticia qualquer em um dia qualquer. Aí sim você seria capaz de não suportar.
Eu odiava a racionalidade da Alice, de verdade. Porque tudo o que ela dizia tinha que fazer tanto sentido? E ser tão contra as minhas expectativas?

-Você quer que eu faça o que? Jogue ele contra a parede? E... - eu baguncei meus cabelos nervosamente - nem sei por que estou discutindo isso com você.
Mais lagrimas. Droga. Achei que tivessem secado três meses atrás.

-Depois do que aconteceu hoje ele nunca mais vai querer olhar na minha cara de novo.

-Ele vai sim... - ela dizia isso tão calmamente. Lógico, não havia sido Jasper quem pegou ela em uma situação... ham... Confusa?

-Como você pode ter tanta certeza?

-Porque ele esta tão dependente de você... Como você dele...

-What*? - não sei se foi por causa do nervosismo, mas de choro compulsivo passou pra risos. Eu ria e ria e não conseguia mais parar nem pra respirar.

-Pode rir, pode rir, mas é a pura verdade... - eu tentei prestar mais atenção ao que ela falava... - Ele está arrumando motivos e desculpas pra si mesmo par ficar com você Bella, mas com o ego masculino dele sempre em primeiro lugar é lógico.

-Edward não é dependente de mim Alice acredite. Digo isso afinal fui eu que fiquei naquela noite sem goz... - parei no meio. Não precisava contar aquela parte vergonhosa da minha vida amorosa. Se meu conceito por estar com ele já estava baixo, imagine se ela soubesse disso - ham... Esquece. Ele não é dependente de mim. não eh...

-Bella, quero que você ouça bem uma coisa que eu vou te dizer. Quero que a tenha como um hino para a sua vida.
Eu não respondi. Continuei olhando pra aquela expressão que ela tinha. Aquela expressão que minha mãe me fazia cada vez que eu chegava em casa reclamando que alguém havia me chamado de chata/feia na escola.

-Homem nenhum merece suas lagrimas, mas aqueles que merecem, nunca te farão chorar. Se você realmente acha que ele vale à pena... - ela parecia ter que respirar fundo pra poder dizer aquilo - Vale a pena por sua auto-estima em ultimo lugar, pare de chorar feito uma tonta e faça logo alguma coisa...

-Fazer alguma coisa? Desde falsa identidade ate olhos falsos, eu já tentei de tudo!

-Você não tentou não! Porque se tivesse tentado, ele estaria te pedindo em casamento nesse exato minuto.

-Eu não sei mais o que posso fazer - minha voz era de derrotada agora.

-Pare de o deixar comandar essa relação. Imponha as suas vontades também.

-Mas se eu tentar impor alguma coisa ele simplesmente vai embora e não vai mais existir relação nenhuma.

-Isso não vai acontecer Isabella acredite em mim.

-Mas como eu posso ter certeza?

-Você não pode - ela tinha aquele sorriso paciente agora, passando a mão de leve pelo meu rosto - E essa meu bem é a graça da vida. Você nunca vai saber se amanha ele vai estar prestes a te deixar ou te pedir em casamento pela milésima vez.

-Mas como eu faço pra ele me perdoar? E esquecer todas as burradas que eu fiz?
O sorriso dela agora aumentava.

-Minha querida, se eu tivesse essa resposta... Jasper não estaria dormindo a três dias no sofá.
Eu estava com a cabeça abaixada pensando na minha própria desgraça quando ela soltou uma daquela.

-Jasper esta dormindo no sofá? - eu perguntei meio tonta.

-É. Tivemos uma briga meio feia há alguns dias... - ela não parecia muito afetada com aquilo.

-E quando pretendem fazer as pazes?

-Sábado. - aquela resposta parecia meio estranha. Não parecia que havia uma crise no casamento.

-Porque sábado? - porque não domingo, ou hoje, ou amanha?

-Aniversario de casamento. Pretendo ganhar diamantes... - Os olhinhos dela brilharam ao dizer aquilo.

-Ai Alice... Só você mesmo. - E ela deu um daqueles sorrisos marotos. Típicos do jeitinho Alice de ser..

-Vamos! - ela levantou toda serelepe de novo batendo as palmas - levanta essa bunda desse sofá e vai pegar seu bofe de volta.

-Você dizendo até parece fácil... - eu disse desanimada passando minha bolsa pelo ombro.

-Ué... Você não disseque tem as chaves da casa do bofe? - eu fiz uma cara de 'é, e daí?' - Quer moleza maior do que essa meu bem? Coloca um fio dental e pega ele de volta!
Ela me deu um tapa na bunda. Mas então... Era pra ser vadia ou não era pra ser vadia? Alice andava me enlouquecendo com essas mudanças de idéia repentinas.

Eu estava certíssima do que ia fazer ate chegar em frente ao prédio dele. O medo da rejeição apareceu então, mas o que de pior poderia acontecer? Ele me mandar embora? Bem, depois do que havia acontecido no escritório nada seria muito pior. Eu ia tentar, mais uma vez. Lá vamos nós Isabella.
O porteiro me olhou meio estranho. Ele só ficava lá durante a noite. Eu disse que era amiga do senhor Cullen. Ele me sorriu torto, eu tinha as chaves, ele não tinha nada que ficar olhando pra minha cara.
Pensei numa estratégia de defesa caso ele tentasse me matar quando entrasse no apartamento pensando que eu era um assaltante, ou algo assim.
Fiquei alguns minutos olhando pra porta. Uma senhora entrou no andar e ficou me olhando de canto, ali, parada, feito uma múmia na frente da porta dele. Devia fazer com que eu parecesse louca, mas não era loucura. Era só insegurança. Não era só porque ele disse uma vez que me amava que eu não podia sentir isso. Principalmente da cena no escritório.
Tomei coragem finalmente e tirei as chaves do bolso da jaqueta. Fiquei mexendo nas chaves por um tempo e coloquei-a abrindo a porta devagar.
Estava tudo escuro, lógico. Já era tarde, mais de cinco da manha. Logo ele estaria acordando pra trabalhar. Logo eu teria uma reunião importante com os coreanos também. What Fuck** eu estava fazendo ali então? Ah é. Deixando minha dignidade de lado e lutando pela razão da minha vida, mais uma vez.

O corredor que levava ate o quarto dele estava escuro. Eu ate hoje não entendo como consegui passar por lá sem ter quebrado pelo menos um abajur. Porta do quarto, fechada. Ok, isso devia ser um sinal que eu devia dar meia volta e ir embora, mas se eu respeitasse os sinais da vida teria esperado o destino me entregar Edward e não ter corrido atrás dele feito uma psicopata. Voltando a porta do quarto do Edward... abri devagar, não fez nenhum barulho. Michê devia render uma grana boa, ate as portas eram de ótima qualidade.
O quarto estava numa penumbra só. Esperei que minha visão se acostumasse a escuridão e procurei pela cama. Ele estava lá, deitado no meio da cama, meu espaço estava ocupado por ele. Isso devia ser outro sinal, mas lá estava eu tirando os sapatos, a calça jeans. Fiquei de camiseta e me aproximei.
Tentava enxergar alguma coisa. Só um corpo se mexendo calmamente numa respiração constante. Ele não ronca sabia? Lindo, perfeito e ainda por cima não ronca. Ah deus, eu sei que devia me conformar que não mereço tanto, mas quem disse que consigo?

Ponto de Vista do Edward

Eu estava quase indo atrás de um remédio pra conseguir dormir, quando ouvi um barulho estranho. Parecia ser na porta da frente. Sentei-me na cama assustado. Esperei pra ver se eu apenas não havia sonhado com aquilo.
Não. Realmente estavam abrindo a porta. Minha primeira reação foi pegar o taco de beisebol que Emmett me deu num aniversario. Ele explicou bem que aquilo não era pra ser usado em esporte algum e sim guardado ao lado do armário num lugar bem acessível assim que necessário.
Eu achei que o momento em que aquele presente 'inútil' dele havia se tornado necessário havia finalmente chegado, quando um raio de racionalidade passou por mim. Se for ladrão, então porque estava usando chaves?... Ela? Não... Mais fácil ser um ladrão... Será?
Levantei-me devagar e espiei pela porta... Tive tempo apenas de ver sua jaqueta de couro preta entrando e fechei a porta rapidamente correndo pra cama. O que essa louca queria a uma hora daquelas na minha casa? Como se eu não soubesse...
Mas, porque eu não estava na sala nesse exato momento, a mandando ir embora, ou procurar abrigo na cama do herdeiro James? Não posso te responder por que estou dormindo... Dormindo...


RECADINHO DA AUTORA: Não quero comentários sobre o estilo musical, ou sobre a dupla. Leiam a letra, ouçam a musica e pronto. Sou de piracicaba gente, sou caipira.

h t t p : / / www. youtube. com/ watch? v=UmEh6XBhoqk
/A Gente Não Consegue Se Amar - Gian e Giovani/

Tentei mostrar, você não viu
Tentei falar, e não me ouviu
Hoje a gente se perdeu
Quis acertar, você não quis
Tentei saber o que eu fiz
mas você não respondeu
A gente só se toca
quando faz amor, e acabou
depois é cada um pro lado e fim
a vida a dois não é assim
Eu sinto muito é tarde demais pra concertar, o erro está feito
Não pense que estou tentando fugir
Eu juro fiz o melhor de mim
nós dois não tem mais jeito
Infelizmente é duro aceitar
a gente não consegue se amar
Você jamais irá sentir
o desespero que senti
vendo a gente se acabar
e sem nada poder fazer
calado ví acontecer
O que não deu pra evitar
Agente só se toca...


Escutei-a tirando os tênis e jogando em algum canto. Alguém avisa essa garota que eu prezo pela organização do meu quarto? Eu sei. To ranzinza. Talvez seja a falta de sexo. Bem, pelo menos é só por isso que eu a deixei continuar aqui. O que foi? Eu juro.
Aquilo devia ser o barulho de um zíper se abrindo. Que? Ela ia vir deitar pelada do meu lado? Não sou santo... Não me seguro com ela de terno, imagine nua.
Não a ouvi tirando mais nenhuma peça. Então pelo menos uma camiseta eu acredito que ela estava usando quando se aproximou da minha cama e ficou me olhando. Eu procurava respirar calmamente. Talvez estivesse saindo ate um tanto falso demais, mas não era eu que estava invadindo o quarto alheio altas horas da madruga. Pelo menos não... Dessa vez.
Ela ficou muito tempo ali parada, sentia sua respiração aumentar, e então diminuir. O que? Será que eu ia ter que fingir que acordava e puxar ela pra minha cama logo?
Não foi preciso. Cem anos depois ela se decidiu e se sentou na cama. Senti suas mãos passando pelos meus cabelos, pela minha boca. Ela queria saber se era realmente eu quem estava ali dormindo? Aquilo não era bom. Eu a reconheceria no escuro só pelo cheiro do seu cabelo.
Senti seu corpo deitando ao meu lado. Eu estava de lado com as mãos embaixo do rosto. Posição ridícula quando se esta fingindo dormir, eu sei.
Ela deixou o rosto próximo do meu, passando a mão pela minha cintura e a mão ficou lá. Ela respirava normalmente agora. Seu hálito com cheiro de morango me alcançava. O que? Era isso? Só isso? Por isso ela invadiu a minha casa as cinco e tantas da manha? Pra dormir? Tenha santa paciência Isabella.

Ponto de Vista da Bella

A insegurança voltou quando me aproximei da cama. Imaginei-me deitando ali e ele acordando vendo que era eu, me expulsando como uma cachorra. Fiquei nervosa com essa possibilidade que quando vi já estava ofegando. Dei um jeito de voltar ao normal. Eu sabia das conseqüências quando havia resolvido ir ate ali. Não adiantava dar pra trás agora.
Se ele me expulsasse, eu ia embora. Se me comesse, eu dava pra ele. Se apenas ficasse quieto e dormindo ate a hora de trabalhar chegar, bem, isso seria triste.
Tomei coragem pra me sentar. Eu podia ver o contorno de seu rosto. Senti uma vez mais a textura do seu cabelo. Sua boca... Como aquilo podia se encaixar tão perfeitamente em alguém o deixando ainda mais... Perfeito. Era nesses momentos, em que eu o via assim ou pelo menos a sombra dele assim, de cabelo bagunçado, que eu me lembrava ainda mais do meu deus grego. E ele estava bem aqui, ao meu alcance. Foi esse pensamento que me fez ter coragem de deitar ao seu lado, abraçá-lo, ver seu rosto de perto. Há alguns meses eu nem sonhava com isso.
Poder tê-lo assim perto, ao alcance das minhas mãos, dos meus olhos., do meu olfato, já eram uma grande coisa.
Eu fiquei assim por um tempo. Já sentia minha mente sair de orbita... Usar o mesmo oxigênio por muito tempo era complicado. Então eu virei pro outro lado, ficando de costas pra ele.

Ponto de Vista do Edward

Senti seu corpo encostando-se ao meu quando ela se virou. Ela queria exatamente o que ali mesmo?
Será que pareceria loucura da minha parte, apenas passar o braço por debaixo do dela abraçando sua cintura, sem parecer assustado com o fato de um corpo ter aparecido do nada na sua cama quando acordou? Não sei se pareceria loucura, mas agora já era... Tava feito.

Seu corpo enrijeceu quando me sentiu fazendo aquilo. Devia achar que era um ataque de sonambulismo, porque o que fez foi se aconchegar mais a mim deixando nossos corpos mais grudados agora. Ow, já era... Junior tava acordado.
Minha mão escorregou por sua barriga, passando pelo umbigo, a senti ofegar quando meus dedos acariciaram aquela parte sensível. Ela fechou a perna talvez num ato de reflexo, mas aquilo só fez que minha mão se colocasse mais firme rente ao seu sexo.

Ponto de Vista da Bella

O torpor do sono quase me pegava quando senti sua mão me abraçando. What fuck**? Será que ele ia tentar me matar? Afinal ele não sabia que era eu, mas algo me disse que ele sabia sim. Algo não. A mão dele que deslizou pelo meu corpo fazendo meus pelos arrepiarem. Fazendo-me necessitar dele como nada no mundo. Sentir seus dedos me excitando, me fazendo perder o controle. Será que ele tinha que ser tão bom em tudo que fazia?
Eu já sentia aqueles pequenos espasmos, típicos do que suas mãos podiam me proporcionar, em algum lugar da minha mente havia o medo de ele repetir o que havia feito e não terminar o trabalho então antes de me derreter na mão dele me virei.
Eu o assustei, eu acho, não dava pra ver nada naquela escuridão. Minhas mãos procuraram primeira pela sua boca pra depois a minha fazer o mesmo caminho.
Me aproximei mais dele, nossas respirações se juntaram, e aumentavam a cada milímetro que minha boca se aproximava da dele.
Ele envolveu sua mão na minha nuca, senti seus olhos em mim pela ultima vez, ate que nossos lábios se uniram, nos tornando um.
Nossos lábios lentamente começaram a percorrer o do outro, nossas bocas se abriram. Nossas línguas se tocaram e pouco a pouco foram percorrendo o interior da boca de ambos como se fosse um lugar desconhecido... Como se fosse nossa primeira vez.
Permanecemos naquele beijo um longo tempo, e lentamente, assim como começou, nossos lábios foram se separando. Senti seus dedos percorrendo meu rosto. Será que ele ainda não tinha certeza que era eu? Isso seria triste, nem que se passassem cem anos, eu sempre reconheceria seu cheiro, seu beijo...
Eu ia dizer algo, mas sua boca já mordia meu pescoço, vindo pra cima de mim, deixando qualquer palavra que tivesse que ser dita calada no meio de um beijo molhado.

Mais profundo agora, mais cheio de desejo.
Ele me mostrava isso sugando minha língua, mordiscando meus lábios, suplicando cada vez mais pela minha boca, se afogando em nossos beijos.
Deixei escapar um gemido da minha boca e ele parou de me beijar parecendo estar preocupado. Eu mostrei que estava tudo bem avançando em sua boca, querendo sentir mais e mais seu sabor.
Minhas mãos foram pras suas costas, entrando por dentro da camiseta, arranhando, fazendo meus toques se intensificarem sobre ele, tamanha o desejo que havia me dominado. Desejo de ter seu gosto em mim, seu corpo. De nos tornarmos um só.
Levei minha boca ao seu pescoço, correndo minha língua em cada parte, me contia para não mordê-lo com força porque se eu empregasse o desejo que eu sentia agora a marca seria feia. Então eu apenas mordiscava, lambia, beijava.
O que pareceu ter deixado ele um tanto nervoso, pois quando percebi estava sendo jogada embaixo dele no colchão.
ele se sentou sobre mim, tirando sua camiseta e jogando-a em qualquer canto do quarto.
Levei minhas mãos ao seu peito, arranhando-o devagar, o puxando de volta pra mais um beijo, onde eu tentava saciar a minha sede.
Ele já introduzia as mãos por debaixo da minha camiseta, acariciando mais e mais meus seios e eu já não agüentava mordia a beirada do travesseiro como se quisesse resistir a mim mesma. Tinha que esperar. Afinal ainda estávamos de roupa...

Ponto de Vista do Edward

Ed Jr já não queria mais esperar, mas eu sim. Mal estávamos acabando as preliminares e eu queria me explodir em seu corpo.
Eu fazia de tudo ao mesmo tempo, a beijava, a tocava, a mordia, lambia, acariciava.
Eu sabia que ela também já não agüentaria muito, a sombra de seus dentes no travesseiro eram bem visíveis.
Eu já planejava o próximo passo quando...

PIPIPIPIPIPIPIPIPIPIPIPIPIPIPIPIPI.

Nos assustamos com o despertador. Seis da manha... Hora de trabalhar.
Nossos olhares se juntaram novamente.

-Miranda! - eu disse assustado. Ela estava brava com o atraso do dia anterior. Queria-me cedo hoje no trabalho.

-Coreanos! - ela falou quase ao mesmo tempo. A apresentação estava perto. A reunião dela devia ser importante também.
Depois de dizer isso vi seu peito se elevar e abaixar numa respiração irregular. Ela balançava a cabeça como se dissesse que não agüentava. Well***, eu sabia exatamente o que ela estava sentindo.

-Banho frio não vai resolver não - eu soltei meio desesperado.
E seus lábios foram parar no meio dos seus dentes. Ótimo, estava ficando cada vez pior.

Juntei minha boca a dela novamente num beijo ardente. Beijo me contentar nesse fogo que eu estava? Nem pensar.
Me levantei, tirando de vez minha roupa e me joguei em cima dela ajudando-a a tirar também. Sei que não era o certo, mas, naquele momento, nossos corpos não queriam o certo, eles apenas queriam sentir-se unidos um ao outro.
Sem perceber como, já estávamos nus, um gente ao outro, ela olhou mais uma vez pro meu despertador e eu dei minha mão pra ela.
Que hesitou um pouco, talvez com medo do que pudesse fazer, mas acabou cedendo.
Puxei ela pro banheiro meio que em desespero, a arrastando pra baixo daquela água comigo.
Minha mão apertava, percorria cada parte do seu corpo e ela fazia o mesmo.
Puxava meus cabelos, arranhava-me e olhando nos meus olhos me abraçou pegando na minha bunda. É. Realmente ela gostava daquela parte.
Juntei nossos lábios pra mais um beijo e ela mordia os meus com uma intensidade. Com o olhar tão desesperado quanto o meu, parecia que eu não ia conseguir, agora fria e caricias pareciam estar só piorando as coisas.
Me lembrava da hora a cada segundo que passava, seu rosto de quem queria ser saciada também não tornava as coisas mais fáceis.

Levei minha mão entre sua perna e comecei a acariciá-la intensamente ela apenas gemia e eu fazia o mesmo.
Ela não se atrevia a fazer o mesmo, por vergonha talvez, mas eu também precisava ser saciado. Então quando a coloquei em ponto de bala agarrei forte sua cintura fazendo com que seu corpo se elevasse na parece fria do banheiro e me uni a ela rapidamente, tentando me saciar, tentando saciar o desejo louco que ela me causava como mulher nenhuma nunca havia feito.
Seu corpo se elevava e então descia devagar. Seus olhos às vezes se fechavam apenas pra sentir o que eu podia proporcionar. Me senti comprimido então num orgasmo forte que vinha dela e me deixei explodir também esperando que a agora fria fizesse o resto.
Nossos corpos meio que obrigados se separaram nos deixando cair no chão frio dali.
O cabelo dela estava todo grudado na cabeça e eu me abaixei em frente a ela.

-Ed - ela tentou com a voz fraca e eu a puxei pela nuca para um ultimo beijo molhado que ela retribuiu com força, força que eu tive que parar. A falta de tempo ainda era um quesito forte ali.

Saímos daquele banheiro, nos secando rapidamente enquanto ela parecia estar procurando pelas roupas no chão do quarto.
Quando voltei já de cueca e calça jeans ela me olhou hesitante.

-Edward e agora? - seus lábios eram mordidos mais uma vez.

-Depois agente termina - eu sabia que nem ela e nem eu ainda estávamos saciados.

-Não estou falando disso - ela deu dois passou na minha direção e parou. - Estou falando de... De... Nós dois.
Ela parecia nervosa, o punho apertado, os lábios mordidos. Eu já havia me esquecido em que circunstancia ela havia parado ali.

-Nos dois já não existe a algum tempo Isabella - meu olhar era frio, meu coração estava frio. Eu não podia fazer nada. - Você já devia saber disso.
Eu não tinha raiva dela. Simplesmente não conseguia abraçá-la e dizer que passou. Eu não conseguia mentir tão friamente assim. Pelo menos eu não...
Ela assentiu. Os olhos já estavam cheio de lagrimas, não pense que não me doía vê-la assim, mas essa era uma parte da minha personalidade que não cabia a eu mudar.
Ela colocou a jaqueta e jogou os cabelos molhados por cima da blusa, apanhou a bolsa em cima do balcão da cozinha. Não acompanhei seus movimentos de perto, apenas ouvi o barulho da porta sendo fechada com força.
Fui ate a porta. Eu não sei o que pretendia indo ate lá. Correr atrás dela ou qualquer besteira dessas? Não. Acho que não. Quando me virei pra voltar pra cozinha, as chaves que eu havia dado a ela estavam jogadas em cima do sofá. Isso era algum recado que ela queria dar? Bem. Havia sido entregue, mas não mudava em nada o que eu sentia por ela agora.

Ponto de Vista da Bella

O fato de a ilusão te fazer acreditar que sexo poderia ser o começo do amor e algo que não ajuda muito. Não quando se tem esperança.
Não que eu ainda tivesse esperanças. Eu me afundava cada vez mais num mar de auto depredação e eu ainda não queria me livrar dele. Quantos tapas na cara eu ainda precisaria levar pra perceber que ele não era o homem certo pra mim? Porque mesmo com o que ele havia acabado de fazer eu ainda me perguntava se essa camisa preta o faria se arrepender de me tratar como havia fazendo todo esse tempo?
Essa é a pior parte do nosso relacionamento, se eu fosse gorda... Relaxada... Não escovasse os dentes e nem o cabelo... Haveria uma esperança. Aquela de me internar por um ano em um SPA. Voltar vinte quilos mais magra e com o cabelo pintado de preto azulado, fazendo os pescoços se viraram pra me olhar enquanto ele tinha vontade de bater a cabeça na parede por ver o que perdeu.
Eu não tinha espinhas desde os meus doze anos o que fez meu rosto ter uma tonalidade impecável. Eu cuidava dos meus cabelos com os cremes a tratamentos mais caros possíveis desde que me conhecia por gente, apesar de comer duas toneladas de chocolate por dia não havia muito que uma academia pudesse fazer por mim que já não estivesse pronto.
O que fazer então? Para chocá-lo... Pra perceber que estava perdendo uma grande coisa? Tornar-me uma viciada? Não. Minha responsabilidade não deixaria. Apesar de eu saber que isso o chocaria, e muito, o que fazer para deixar Edward Cullen com o queixo caído então?

Ponto de Vista do Edward

Miranda estava muito... Muito irritada. Dez minutos atrasado e ela dizia que eu havia quase estragado sua vida. O que eu poderia ter feito em dez minutos que não poderia fazer nos quinze próximos?
Uma pasta cheia de notas foi entregue em minhas mãos para serem registradas no site da fazenda. Me senti meio perdido com aquilo. Aquela matéria ainda não havia chegado. Liguei pro ramal da Ângela pra implorar por ajuda. Ainda bem que ela era simples e direta pra ensinar cada passo provando que sabia do que estava falando quando exatamente a janela que ela previa, aparecia em minha frente.
Foram longos e tensos vinte minutos no telefone. Eu sabia que meu pescoço não se manteria junto à cabeça se eu não tivesse conseguido, mas ela era um anjo. Eu gastei mais uns dois ou três minutos agradecendo-a pela ajuda. Ela deve ter ficado impaciente.

-Edward, a reunião da Bella esta acabando e eu ainda preciso agilizar outros dois compromissos dela hoje. - em outras palavras 'para de me encher e desliga idiota. '

-Reunião com o James? - não tem importância, eu sei que ela nunca contaria a ninguém que eu estava perguntando.

-Não. James chegando à uma hora dessas? Vai sonhando... E com os coreanos. Pelo visto é a ultima. Você sabe que depois do almoço hoje tem uma ultima reunião geral não é?

-Sei... Será que eu tenho que estar lá também?

-O termo reunião geral deveria responder isso pra você - ela era simpática, até quando me dava um fora.

-É, espero que não demore muito.

-Ajeite bem a sua gravata.
Ela disse isso e desligou. O que? Será que eu andava sempre mesmo com a gravata torta?

Eu estava em frente ao espelho ajeitando a bendita gravata quando vi minha porta se abrindo. Dei uma ultima olhada vendo se estava apresentável. Cara, como eu sou gostoso!
Olhei pro lado e vi alguém que quase chegava ao ponto de um dia sonhar em competir comigo... Quando crescesse e virasse um homem de verdade...

-Posso falar com você Edward?

Ponto de Vista da Bella

Minha pratica de fazer coques se foi junto com as aulas de bale eu pensei enquanto tentava ajeitá-lo melhor em frente ao espelho do banheiro. Esse era o primeiro passo. Ângela estava providenciando o segundo.

-Bella - ouvi sua voz no auto falante do telefone ali perto - Ele já chegou.
Respirei fundo. Preparei-me para o combate.

-Ele veio disfarçado como eu pedi? - minha voz demonstrava o medo de falhar que eu estava.

-Eu acompanhei toda a sua trajetória desde que ele colocou os pés na empresa, com um passe especial ninguém o reconheceu ou desconfiou.

Coloquei meu terno novo. Saí do banheiro. Sentei na minha mesa... Minha mesa. Estranho pensar nisso sendo que eu ia receber quem ia receber, mas era isso que ela havia se tornado. Indo contra todos os meus sonhos, minhas vontades, mas indo em direção ao que era certo e melhor pra todos. Aquela mesa agora era minha. E iria demorar a deixar de ser.
Depois de respirar fundo, umas dez vezes mandei que Ângela o deixasse entrar. Era estranho o ver do lado de fora, esperando pra poder entrar. Minha infância havia sido exatamente o contrario disso.
Ele entrou, tirando os óculos, o capuz do moletom.

-Sinceramente pai. Quem foi que te emprestou essa coisa horrível hein? - eu disse apontando pra blusa dez vezes maior que o tamanho dele, que estava sendo tirada agora.

-Você pediu que eu viesse disfarçado. Inspirei-me naqueles filmes que você tem.
Eu tentei segurar o riso. Ele assim de camiseta, calça jeans. Qual havia sido a ultima vez que eu havia visto meu pai de jeans?

-Então - ele se sentou na cadeira, colocando uma perna em cima da outra - O que você quer comigo? Parecia importante pra ter me ligado quase de madrugada.

-Pai, eram quase oito da manha.

-É madrugada pra quem foi dormir as cinco - ele respondeu rindo. Qual havia sido a ultima vez que meu pai estava de tão bom humor? - Mas então... O que é?
Eu me aprumei na cadeira. Não pretendia chegar ao ponto tão rápido, mas já q ele o fazia.

-Eu te chamei porque quero te pedir algo que devia ter pedido há muito tempo - ele me olhou curioso. Eu fiz um suspense pra deixar mais emocionante - ajuda.

A sala já estava cheia. Todos ali. A grande sala dificilmente era usada, mas os coreanos mereciam. Em meio a toda essa crise, não era toda firma de publicidade que conseguia uma conta do tamanho que eles nos ofereciam agora. Meu 'arquivo B' sempre esteve lá. Eu sabia que nunca teria coragem de colocá-lo em ação. O medo das criticas eram fortes demais pra eu conseguir fazer tal coisa. Mas lá ia eu. Com a cara e o coração.

"O máximo que pode acontecer e você levar um não, você não vai morrer por isso, mantenha isso em mente."

Eu cumprimentei a todos ouvindo aquela frase do meu pai como uma trilha sonora naquele momento que seria decisivo pra mim, eu sabia.
Eles estavam todos lá. No outro extremo da mesa, Campassi. O líder, aquele que me olhava com um olhar superior como se eu fosse um lixo que não merecia mais de cinco minutos de sua atenção. Eu havia sido sua vitima desde o começo.

"Você deve estar vendo o Sr Campassi como seu inimigo, mas ele não é, acredite, ele é um homem acostumado a lidar com situações de perigo e risco no nosso meio, ele não se impressiona facilmente, você terá que conquistar o seu respeito, e não será dizendo amem a todas as decisões dele que você conseguira isso."

Essa outra frase fez com que pela primeira vez, em meses, eu enfrentasse seu olhar matador, ate que ele o desviasse primeiro.

Olivetti estava ao seu lado. Puxa saco dele como sempre, ele se assustou com a forma como olhei para seu ídolo. Isso fez que um meio sorriso aparecesse em seu rosto ao me cumprimentar com um aceno.
Mars estava no outro lado, eu havia conseguido sua simpatia por algum motivo estranho, ele perguntava minha opinião sobre as coisas, aceitava minhas sugestões.

"Mars é uma pessoa difícil. você deve ter feito alguma coisa muito boa em sua percepção pra ter conseguido sua aprovação. isso é bom. um aliado naquela mesa é sempre útil. você tem mais algum?"

Naquele momento eu pensei em citar Edward, mas alem do fato de um assistente não ser exatamente um 'aliado' no quesito que estávamos conversando depois do que havia acontecido mais cedo, não sei se poderia dizer que ele era um amigo em questão.
Minhas mãos tremiam levemente enquanto eu tirava o DVD com a apresentação da reunião. Ângela era meu anjo salvador por ter conseguido formatar as loucuras que eu formei durante meses em uma apresentação coerente pra que todos entendessem.

Eu achei que enfrentar o Sr Campassi fosse ser a pior parte. Quem eu queria enganar? O canto dos meus olhos podiam ver sua silhueta conversando com Miranda. Estranhamente eu sentia seu olhar em mim, mas seus olhos não estavam exatamente aqui. Talvez o nervosismo estivesse me deixando louca.

"Você esta tendo algum incentivo a mais pra ter tomado essa decisão?"

ele não estava se metendo na minha vida. Apenas se certificando de que eu estava certa do que estava fazendo.

"Sim..." não entrei em detalhes. Nem o faria.

"Eu poderia saber qual?" meu pai levantando uma sobrancelha? Ta aquela havia sido engraçada.

"Quero impressionar alguém" eu respondi simplesmente. Eu não era de dar detalhes da minha vida. Nunca fui. Ele sabia disso.

"Você sabe que essa não e a motivação certa não é?" ele me perguntou serio.

"Sei que é a única que eu tenho no momento" eu respondi na mesma seriedade.

-Boa tarde a todos.

"Seja seria, seja firme, mas não perca a simpatia. não permita que o sorriso fique mais de três segundos no seu rosto."

-...Começaremos assim que a minha assistente terminar com os preparativos para a exibição em DVD...

-O áudio não é indicial. Não vai ser possível - E lá vinha o Olivetti filho da mãe me torrar a paciência. Eu não imaginava que as complicações viriam tão rápido.
Minha primeira reação foi pedir desculpas, sem nem saber porque, mas...

-Se o senhor tivesse me esperado continuar, saberia que não há áudio nesta exibição. Apenas material visual... Sr Olivetti.

"Não se preocupe em ser grossa, a menos que seja extremamente desnecessário, a demonstração desenfreada de poder faz com que ele se torne mais fraco."

Todas olhavam de mim pra ele... Que percebeu o papel que havia feito e disse para que eu prosseguisse...

-Como eu estava dizendo... Quero começar esta apresentação com um grupo que eu encontrei que combina perfeitamente com o que queríamos pro nosso show de abertura da festa.

-Eu pensei que já havia ficado certo a contratação do grupo de balé da minha sobrinha. -Sr Arzolla se levantou exaltado da cadeira.

-Não Sr Arzolla. O senhor sugeriu a companhia e nos colocamos em pauta. Se tivesse comparecido a reunião desta manha teria tomado conhecimento da decisão por esse grupo de dança antes.

Foi uma hora longa, eu apresentei todas as decisões que tomei de ultima hora naquela reunião com os coreanos, eu não concordava com muita coisa do que eles haviam decidido antes sobre a festa, mas o medo de errar não me deixava falar.

"Não importa se você errar, você é filha da dona, ninguém nunca poderá te tirar isso... tudo bem... pode ser que você acabe com uma empresa falida dependendo das suas atitudes. mas ainda ainda será sua."

-Você está louca - dessa vez foi Miranda quem levantou exaltada - Isso é pré histórico. Eles são um dos reis da tecnologia. Como você quer impressioná-los com chamas com base a álcool e artistas de circo?

-Talvez você esteja os confundindo. Os reis da tecnologia são os japoneses... - ela ficou um tanto vermelha. Ela vivia cometendo gafes como estas.

"Dó é uma coisa que não pode haver nesse meio. não no campo de guerra que é uma reunião geral. eles nunca vão hesitar em expor seus erros por mais discretos que sejam ao fazê-lo. você tem que atacar com as mesmas armas."

-Ainda assim Miranda, não vamos nos enganar - eu olhei, falando ao resto da sala também... - Eles sabem que somos um país em desenvolvimento. Podemos não ter o poder de competir em termos tecnológicos, mas podemos provar que somos superiores em termo de inteligência.
Quando meus olhos deram uma olhada panorâmica, passaram por ele. Boca aberta. Isso. É essa a intenção. Ele estava chocado.
Eu finalmente consegui terminar o planejamento mostrando imagens de tudo. A desaprovação era geral, mas não eram eles que nos teríamos que impressionar.

Todos estavam saindo da mesa, e eu guardava meus papéis na minha pasta. Uma fila de cada lado da mesa se formava pra sair da sala. Eu vi quando Edward passou por mim me olhando de lado, me dando um sorriso safado. Eu diria que era de escárnio em outros tempos, mas agora, eu sei lá, diria que era orgulho de mim. Mas não saberia dizer exatamente.

Apenas o senhor Campassi continuou sentado na mesa. Eu já esperava por esse confronto. Era o único para o qual eu ainda não sabia se estava pronta.
Ele levantou o olhar da mesa. Olhando-me por cima dos óculos. A última vez que eu havia me sentido tão nervosa assim fora quando encontrei meu deus grego no elevador.

-Eu não sei se concordo com isso... - ele disse com uma voz calma.

"Ele é o único que merece todo e qualquer respeito. não vai ser batendo de frente e nem tentando diminuir a sua importância que você vai conseguir o seu respeito.
-Como faço isso então pai?
-Você é esperta. eu sei que vai conseguir."

Ele me olhava firme. Minhas mãos estavam tremendo.

-A quanto tempo o senhor trabalha na administração aqui Sr Campassi? - eu perguntei com um meio sorriso. Dois segundos e ele se foi do meu rosto. Como meu pai havia mandado...

-A muito minha menina, muito antes do seu pai entrar aqui.
Eu não sei se já contei essa parte. A empresa é mesmo da família da minha mãe, mas ela não quis cuidar de nada então meu pai tomou conta de tudo abandonado seu emprego na policia. Por isso eu pedi ajuda a ele. Que passou a vinte anos atrás o mesmo que eu estava passando agora.

-Bem... E com todo respeito, mas quantas festas o senhor já planejou em todos esses anos? - meu tom de respeito sempre presente, mas firme e ele se espantou com a pergunta.

-Como você disse, trabalho na administração desse lugar há muito tempo. Não me envolvo com essas coisas.
Ele pareceu perceber o ponto que eu queria chegar. Um leve sorriso se formou em sua boca já um tanto enrugada.

-É esse o ponto que quero chegar com o senhor... - fiz com que a minha cadeira chegasse mais perto dele... - Aprendi em meu curso de antropologia os usos e costumes do povo coreano. Tenho uma idéia do que os satisfaz ou não.
Peguei suas mãos entre as minhas.

-Preciso de apenas um voto de confiança do senhor pra mostrar que sei o que estou fazendo e que também sei que vai dar certo.
Ele me olhou firme, bravo. Ele me lembrava meu avo, mas me intimidava um pouco mais. Eu tentava controlar as mãos que queriam tremer livremente.

-Tudo bem minha criança - ele deu um tapinha no peito da minha mão - Você o quer é você o tem. Afinal o que mais temos a perder além de um contrato de sete milhões de dólares?
Meu coração ficou gelado ao ouvir aquelas palavras, mas mesmo com aquela frase, em seus olhos, pela primeira vez em muito tempo, eu via simpatia dele por mim.

***

-Você já usou o delineador Bella? - Alice apareceu pronta na porta do meu quarto. Já com o vestido bata vermelho que havia ganhado de Jasper. a barriguinha dela já não permitia usar tubinhos apertados como ela gostava.

-Já. Pode pegar - estendi o tubo preto a ela.

-Você tem certeza que quer mesmo ir feito uma freira nessa festa?

-Alice. Se eu usar um decote maior do que esses vou ter que mudar meu nome e passar a ter nome de fruta.

-Claro que não... - ela ficou me medindo de novo - Aquele outro azul teria ficado melhor.
Eu bufei pela centésima vez desde que nos havíamos comprado a vestido de tarde.

-Alice eu quero conquistar o respeito daquelas pessoas e não olhares esfomeados.
Ela ficou me olhando por uns instantes batendo o pé direito sonoramente no meu piso.

-Eu ainda preferia o outro.
E a minha sandália acertou a porta pela qual ela saiu um milésimo de segundo depois de ela ter saído.
A maquiagem já estava pronta. Meu vestido pendurado na porta do closet. Meu coração apertado. Se uma única coisa que fosse desse errado toda aquela minha coragem repentina iria por água abaixo e eu iria embora... Estudar fora, Irlanda talvez. Deviam ter muitos caras parecidos com Edward lá. Sheet****. O que e que ele ta fazendo na conversa... De novo?
A limusine, não me pergunte por que, coisas de Alice, já estava nos esperando. Quem estava dirigindo?

-Eu não sabia que seu castigo ainda não tinha acabado Jaz - eu disse quando ele fez com que a janela automática se abaixasse e eu pudesse reconhecê-lo.

-Não é castigo não... - ele respondeu rindo, saindo com o carro... - A empresa tem a própria limusine. Não encontrei motorista de ultima hora. Não tem porque gastar com aluguel e chofer quando temos os dois de graça.
Eu ri com aquilo. Só ele mesmo. Pão duro feito a irmã pra pensar de uma forma daquelas.

-E não se esqueça da parte mais divertida bebe - Alice disse batendo as mãos.

-É - ele ficou meio vermelho ou foi impressão minha? - Alice quer brincar de madame e motorista quando chegarmos em casa.

-Logo o resguardo pela gravidez chegara. Temos que aproveitar enquanto isso.
Os olhos dela brilhavam enquanto me dizia.

-Alice, ele é meu irmão - eu disse fazendo uma careta de nojo e ela com aquela cara de quem não entendeu... - Isso é nojento.
Eu virei pro outro lado olhando pela janela e eles começaram a rir alto de mim feito dois bobos. Ela era minha amiga, ele meu irmão. Eu tomava banho com ele ate os dez anos. Não precisava de saber desses detalhes.

O local estava lindíssimo com a decoração hightec que eu havia pedido. Eles estavam nos contratando para a campanha do novo modelo de mp4, um produto ate um tanto ultrapassado se fosse ver. Teríamos muito trabalho, mas não tínhamos medo de desafios.

O manobrista chegou ate o carro pra nos abrir as porta, mas Jasper os parou para que ele me fizesse isso. Você acredita... Você acredita que ele pegou a mão da Alice, tirou ela do carro, a levou pra um canto e me deixou lá no vácuo. Ainda bem que o manobrista percebeu rápido a gafe da besta do meu irmão e veio me ajudar com um sorriso simpático nos lábios.

As portas eram automáticas. As garçonetes vestidas de prata. Os garçons pareciam mais gogoboys espalhados pelo salão já lotado. Apenas de calça prata e gravata borboleta. A diferença e que eles usavam o smoking por cima do peito. Aquilo era arriscado, mas havia três coreanas no grupo e eu sabia, por causa do meu estudo, que a preferência das mulheres de lá eram geralmente por homens morenos de estatura media. Segundo o estudo elas não gostam de se sentir intimidadas por homens muito altos. Em contraponto sabem apreciar um peitoral bem definido e que peitoral. Ai Jesus. Tem um passando aqui. Se abana...

Falando em homem bonito e peitoral maravilhoso... Será que ele já havia chegado? Alias, será que ele viria? Não que eu me importasse, mas a maquiagem, o vestido e a girl atitude só teriam sentido se ele estivesse por perto pra ver.
Sei que prometi que minha vida não seria mais baseada nele, mas estou em processo de rehab. Entenda-me.
Mas lá estava ele, de smoking, topetinho. Ele não precisava de camisa. Podia usar só a gravata borboleta como os garçons.
Parece que a loira que estava com ele teve a mesma idéia porque apontou pra um dos garçons e depois tocou o peito dele? Pêra ai... Pego aonde? A loira o que?

OMG. Ele estava acompanhado, por uma loira, peituda, magricela. Ta. Ela não era magricela. Aquelas pernas não eram de uma mulher magricela. Mas what fuck **ele pensa que esta fazendo achando graça daquela piada estúpida? A piada era minha, ela não tinha direito de usá-la.
Eu já estava pronta pra arrumar defeitos no corte do seu vestido quando Alice se aproximou.

-Perdoe Jaz pelo o que ele fez. Eu já dei uma lição nele lá fora.
Eu continuei parada olhando pro casal teen do lugar. Eles deviam achar que estavam arrasando se pegando daquele jeito em meio a todo mundo. Alguém avisa, por favor, que e um evento de trabalho e não uma balada pra pegação?

-Bella? - a mão da Alice passava em frente aos meus olhos - Alo? Bella? Mas o que você tanto olha ali... Mmm... Ah ta.
Suas mãozinhas pequenas começaram a me arrastar pra perto do bar então.

-Pode parar de se preocupar com aquilo ali - ela se posicionou na minha frente - Bella. é serio. Você precisa se concentrar. Hoje é o seu dia certo?
Ela me passou uma taça de champanhe que eu peguei, mas ficou intocada. Eu ainda estava chocada. Nunca havia visto ele com outra mulher. Não tão claramente se pegando assim pelo menos.

-Bella, você pode dedicar todos os outros dias da sua vida ao seu deus grego, mas hoje precisa se concentrar em você... - ela me olhou mais intensamente dessa vez - Você entendeu?
Eu contava que dia mais nenhum, nem hoje, nem amanha, nem nunca mais seriam dedicados a eu e ele. Pelo menos não eu e ele juntos.

Os dançarinos vão começar a apresentação daqui a pouco. Você precisa se certificar que os 'acars' consigam isolar o espaço necessário lembra?
Certo, ao trabalho. O palco já estava montado. Levou mais uma hora mais ou menos pra termos certeza de que todos que deviam chegar já o haviam feito, que o espaço estava preenchido e que todos os coreanos estavam a postos.

Nossos clientes estavam em uma fileira em frente ao palco em cadeiras giratórias.
O palco se iluminou e todos ficaram esperando o show começar. Os primeiros sons de um Black soaram.
Havia algumas pessoas em volta dos coreanos quando eles chegaram mais perto e viraram as cadeiras dele de costas para o palco e para o centro da pista de dança que estava lotada de pessoas eles ficaram chocados.
Uma pessoa voou então sendo amparada pelos braços de alguém que estava por perto. Outros se empurraram e milagrosamente quem foi empurrado se juntou a eles. Numa coreografia, sexy, difícil, contagiante.
Uma fila de homens e mulheres se movimentando agachados se formou. Iam até o palco ainda no ritmo da musica.
Quando chegaram ao palco, às cadeiras dos coreanos voltaram à posição inicial para continuar observando a apresentação.
O grupo começou a dançar num ritmo diferente da musica mais lento. Ainda em sincronia. E de repente a musica parou. O grupo não. Continuavam dançando ainda em sincronia e quando pararam, lado a lado no palco, formando uma fileira, as luzes se apagaram totalmente revelando os mp4 reluzentes que brilhavam dentro do bolso da calça de cada um.

Luzes explodiram em volta do telão que estava atrás deles. Antes das letras se revelarem

"Fostom mp4. pra mostrar a todos, ou não. Você decide"

Eu não sei porque, mas quando terminou, meus olhos estavam cheios de lagrimas. Eu fiquei muito insegura quanto a aquela frase. Apesar de ter sido aprovada pela nossa melhor publicitária quando eu sugeri na primeira reunião. O sobrinho do senhor Olivetti havia criado outra e ate a véspera da reunião era considerada a definitiva. Agora os dados da minha sorte estavam lançados. Eu teria apenas que esperar a partir de agora.
Os coreanos tiverem que esperar o tradutor lhes explicar o que estava escrito. Pelas palmas que eles soltavam agora. Parecia que pensaram algo bom.

Depois de tantas emoções eu senti uma fome que não sentia desde... Desde... Patê de frango? OMG adoooro.
Fui pegar uma torrada e o palhaço veio puxar da minha mão.

-A chefinha devia tomar cuidado com as calorias... - ele levou a torrada à boca mesmo sem recheio... - Agora que esta tão brilhante não vai querer pneuzinhos ofuscando o seu brilho.
Aquele mistura de sorriso cínico e safado nunca tinha sido tão irritante aos seus olhos. enquanto eu pensava em alguma resposta bem petulante pra dar a ele dei uma respirada funda e uma olhada em volta.

-Ao invés de se preocupar com as minhas curvas - peguei outra torrada e ele levantou uma sobrancelha curioso. Ow... Respira... Uma... Duas... Pronto... Vai... - Devia ir cuidar da sua loira... - ele olhou na direção em que eu olhava agora - Antes que ela resolva dar pro senhor Mars no meio do salão mesmo... - ele riu daquele comentário. Balançando a abaixando a cabeça... - E é muito, muito feio falar de boca cheia Sr Edward - eu disse depois de colocar patê na minha torrada e colocar na boca.

- Você sabe que poderia ser você, ao invés dela a terminar a noite comigo hoje... - ele me olhou altivo. Querendo ser... Sedutor? Ha. Ha. Ha - Eu te avisei antes o tanto de mulheres que gostariam de estar naquela cama, no seu lugar.
Aquilo me atingiu como um punhal, foi acido, foi doloroso. Foi bom pra eu aprender a amadurecer.

-É. Eu sei. - eu esperei terminar de mastigar pra responder. Aproximando-me, pegando a gravata dele com as duas mãos, alisando-a com um sorriso malicioso nos lábios - Mas eu sei também qual e a única que você QUER mesmo que esteja lá... - ele me olhou intrigado. Não. Eu não tinha bebido. Tinha tomado vergonha na cara. É diferente -- E ela... Quero dizer... Eu não vou estar lá meu bem - minhas mãos largaram a gravata dele e tiraram um pó inexistente de seus ombros - Conforme- se.
Uma piscada básica. Antes de fazer uma saída triunfal e deixar ele ali de queixo caído. Se ele queria uma Bella decidida e matura. Bem, teria que aceitar que ela iria transpassar as barreiras do escritório.

Foi só quando eu terminei de dar uns vinte passos em uma direção qualquer do salão escuro e barulhento que eu percebi que não sabia pra onde estava indo. Oh sheet****. O que eu ia fazer mesmo? Pensa Bella, pensa. Você devia ter alguma coisa em mente antes do confronto com seu grego preferido... Hum... Ah sim. Eu ia embora.
Alice? Alice? Dez minutos, vinte minutos. Ok. Agora eu vou embora. Quais as chances de ele estar me esperando no estacionamento pra implorar pelo meu amor. Meu perdão e dizendo que me ama e quer voltar pra mim? Nenhuma. Agora eu via. Já que eu estava no estacionamento quase vazio, apenas alguns carros, duas limusines. Aproximei-me da minha. Ela estava... Estava... Mexendo? OMG! Que nojo.
Procurei pelo meu celular dentro do sutiã. Foi difícil tira-lo de lá. Minha mão estava escorregadia. Ele estava suado. Dei uma limpadela. Respirei fundo, duas vezes. Um toque, dois toques...

-Alo... - a voz dela estava ofegante.

-SERA QUE VOCE PODE ESPERAR MAIS CINCO MINUTOS PRA DAR PRO MEU IRMAO E ME LEVAR EMBORA?
Tu. Tu. Tu. Tu. Tu. Tu. Tu. Vaca. Pilantra.

Cinco minutos e ela saiu pela porta do motorista com aquele sorriso amarelo.

-Podemos ir - ela apontou com as duas mãos pra porta de trás do carro.

-Eu vou vender esse carro - disse cruzando os braços quando Jazz já tinha colocado o carro em movimento.

-Claro. O vovô adoraria, já que foi ele que deu esse carro pra mamãe.

-Eu não to nem ai. Eu vou vender essa merda - dei um fungo de gente brava - É isso ou eu vou transar com meu namorado na sua cama pra você saber o que é olhar todo dia pra um lugar e imaginar um fraternal seu fazendo... Fazendo...

-Bella todo mundo aqui sabe que você não tem mais um namorado.
Eu olhei com uma cara acusadora pra Alice abrindo a boca de raiva.

-O que? - ela perguntou já em modo de defesa 1 - Bella ele é meu marido e seu irmão. Não posso esconder as coisas dele.
Dei uma ultima olhada de descrença pra ela e me virei pra janela. E fiquei assim ate chegar em casa. Lágrimas de novo, que ótimo. Mais dois dias chorando e eu era oficialmente uma emo.

Eu sabia que o remédio que Alice tinha me dado pra dor de cabeça estava em algum lugar desse armário. Entre as meias sujas e as minhas tiaras de cabelo talvez. Não. Não estão aqui.

OMG... Onde eu coloquei as aspirinas? E porque elas me faziam lembrar ele? Como se tudo o que eu visse na minha frente não o fizesse também... Ok. Estão aqui. Quem colocou elas dentro da caixinha onde eu colocava o meu aparelho? Isso me fez pensar... Edward ficou bravo por eu não ter 16. Se ele tivesse me conhecido naquela época, com aparelho a sardinhas no rosto, ele agradeceria por ter me conhecido apenas agora.

Ok. Agora o que fazer já que meu dia estava livre? Minha sorte estava lançada... E como Jasper fez ressaltar, eu não tinha mais um namorado, não que eu tivesse um antes... Ah, você entendeu.

Pensei no computador. Três minutos com aquele povo chato e eu já tinha me mandado. Eu sempre só conversava com a minha mãe ou Ang ali, mas nenhum dos dois estava. Orkut. Vamos ver... Emmett me adicionou. Que ótimo. Vamos ver o que ha de interessante no perfil dele. Fui ver o que dizia o quem sou eu:

"Sou louco por academia viciadooooo. Eu zero
Zero essa porra mesmo, não tem pra vocês, coloco o peso no osso, e faço mais de 6.
É pra bolar mesmo, pego peso de montão, zero tríceps (pulley), zero vários exercícios pro dorsal na musculação, Sou foda, Sou cabuloso, tenho força dos infernos, meu apelido é Monstro porque sempre ZERO!
Nem o Voador me escapa, pego todas as placas.
Manutenção preventiva, minha academia tem que ter, pois os cabos comigo vão romper.
Olhe pra mim pode ficar bolado, eu SOU O CARA, e você mané, é um frango otário
Não adianta me secar, me gorar, nem me copiar, não tente achar defeito, meus movimentos são perfeitos, sou o que sou, porque treino direito.

Nossa oração
"São Anabolino do braço gigante e da perna cavalar.
Faz essas bombas que eu tomo nenhum mal me causar.
mas se eu morrer mande 10 anjos me buscar
Porque do tamanho que eu vou ficar, vai ser
foda me levar."

Pai bombado
"Pai bombado que malha no céu,
santificado seja o nosso winstrol,
venha a nós com nossa deca,
seja feita a nossa série
de 3x8 ou 4x10

o whey nosso de cada dia nos dai força,
perdoai por nossos days off,
assim como nós perdoamos aos frangos que nos tem ofendido,
e não os deixei cair em tentação,
e livrai-nos do hemogenin,amém !"

POEMA do FRANGO
Você, pobre frangolino,
Pensa que eu não saquei:
Seu sonho era ser grande,
Crescer e até ser rei.

Só que o tempo passou
E você não conseguiu.
É nada mais que um magro,
Só um frango imbecil.

Você ainda quer crescer,
Mas só não quer admitir.
Finge querer só definir.

Talvez serei irritante:
Volte pra Etiópia e
Saúde seus semelhantes"

Ok. Depois dessa eu vou procurar alguma coisa melhor pra fazer da minha vida. Esse cara... Eu quero dizer... Essa família, tem sérios problemas mentais.

Pensei em ir falar com Alice, mas me lembrei que ate ela me trazer uma torta era minha inimiga mortal então... Ai, a dor esta aumentando.
Fui logo tomar o remédio e resolvi me deitar pra ver se faria efeito mais rápido, mas parecia que estava só aumentando. Pontadas fortes me atingiam agora e parecia que minha testa iria se explodir de tanto que estava doendo. Pensei em tomar mais uma aspirina, mas fiquei com medo. Se automedicar não era muito inteli... Ai... Isso ta ficando ruim.

Decidi que hora de pedir ajuda. As pontadas estavam ficando mais fortes. Eu estava começando a sentir náuseas. Levantei-me da cama pra pegar meu telefone e uma dor mais aguda me atingiu fazendo minha vista ficar escura, acho que eu estava caindo.

***

Ti. Ti. Ti. Ti. Esse cheiro. Eu tinha vindo dormir no hospital com a minha mãe? Não me lembrava de ter pegado o avião.

-Porque ele esta chorando tanto? - Edward estava ali. Falando baixo com alguém. também não me lembrava de ter o trazido junto. Pera ai... Quem? Onde? Como? Por quê?

-Foi Jazz quem socorreu a mãe quando ela teve o primeiro desmaio por causa da... Da doença sabe. Ele esta com medo de Bella estar doente também.

Medo? De que? Eu me lembrei então. Tinha tido uma crise, crise de enxaqueca. Eu tinha essas coisas ate os dezoito anos. Sumiu assim como veio. Será que eles não sabiam? Claro que não. Devem ter me encontrado no quarto, onde eu cai, eu precisava dizer a eles que estava bem, que havia sido enxaqueca, que eu não tinha nada.

-Mas eu pensei que a mãe dela estivesse doente no seio.

-É. Mas desmaio é primeiros sintomas de tudo Ed.

Eu tentava acordar pra dizer a eles que estava bem, mas meu corpo não respondia.

-Eles já recolheram material pra exames. Assim que a Bella acordar vai pra casa e vamos ver que esta tudo bem. Foi só um susto.

Eu conhecia Alice muito bem. Sabia que ela mesma não acreditava no que estava dizendo.

-Você pode pedir pra ela me ligar quando chegar em casa?

A voz do meu deus grego estava triste também. Meu deus. Será que ele pensava que eu estava doente como minha mãe? Agora mais do nunca eu queria abrir os olhos, mas quanto mais eu tentava me levantar, mais parecia que eu afundava

-Bella... Bella - eu sentia meu braço ser tocado. Era a voz da Alice. - Meu bem você precisa acordar. Tem que comer alguma coisa.

Havia uma mão entrando por debaixo de mim forçando minhas costas pra se levantarem.

-Não quero - eu disse fazendo birra e ela riu baixinho.

-Não quer, mas precisa. Vamos lá. Abra os olhos e veja o que preparei pra você.
Me esforcei pra fazer o que ela pedia e consegui abrir os olhos. Parecia tão fácil agora, tão difícil no hospital.

-O que aconteceu? - perguntei meio atordoada. Eu sabia como meu cabelo ficava nessas horas de falência múltipla do cérebro.

-Eu não sei. Edward te chamou e você não atendeu então Jasper veio pessoalmente te chamar e te encontrou caída no chão.

-Ele pensa que tenho câncer - eu geralmente tinha mais tato pra falar nesses assuntos, mas a sonolência não deixava meu cérebro funcionar muito bem.

-Você não tem nada disso meu bem. Quando os resultados dos exames chegarem vamos descobrir o que aconteceu.

-Eu sei que não tenho isso porque sei o que aconteceu - olhei meio bêbada pra ela que parecia curiosa - Tive uma crise de enxaqueca... Como antes. Lembra daquela...

-Na sétima serie - Alice continuou a minha frase sorrindo - No começo eu achei que era apenas uma desculpa pro Jake te carregar no colo.

'Como se ele tivesse conseguido', nos dissemos juntas rindo pra caramba... Jake havia quase me derrubado de cara no chão naquele dia se não tivesse sido Tyler, um que já era grandão.

-Tadinho do Jake. Eu devia ser uns cinco quilos mais gorda que ele naquela época. Não foi culpa dele.
Alice terminou de rir o que tinha que rir e me olhou então.

-Então foi uma crise de enxaqueca? - eu assenti - Pensei que você já tivesse se livrado disso. Eu me lembro de como você dizia doer, mas e bom que seja isso. Os médicos podem ficar mais sossegados.

Dei uma olhada pra bandeja que ela havia me trazido. Maça, mingau de farinha láctea... Todinho. Isso era golpe baixo.

-Não adianta ficar me mimando não - ela pareceu não entender - Ainda não te perdoei por ficar revelando minhas intimidades pro meu irmão.
Ela bufou e revirou os olhos.

-Agora sim eu tenho certeza de que você esta bem. Já começou a ficar brava comigo. Será que terei de trazer a bendita torta de reconciliação?

-Se quiser me ter no nascimento do meu sobrinho sim - eu respondi seria e depois suavizei um pouco tentando parecer um tanto desinteressada, mexendo no mingau da tigela... - Edward te contou o que queria?

-Não... - ela respondeu rindo e colocando as mãos na cintura - Mas eu fiquei com dó do menino quando contei as suspeitas de Jazz. Ele pareceu ter ficado em pânico. Ele me disse pra te pedir pra ligar pra ele.
Ela pegou um monte do que eu acho que eram roupas sujas.

-Não sei se foi você que terminou com ele. - ela quem tentava parecer desinteressada dessa vez - Mas ele gosta de você Bella. Vocês simplesmente têm que descobrir a maneira certa de fazer isso funcionar.
Ela saiu sem esperar eu responder.

-A única maneira de isso dar certo e ele lá e eu aqui.
Escutei meu telefone tocando. Na verdade uma mensagem tocando. Era dele.
Well***. Talvez eu aqui e ele aqui também funcionasse também.
'Ligue pra mim quando acordar'

Disquei o numero dele que 'surpreendentemente' eu sabia décor.

-Já esta acordada? - ele já atendeu falando.

-Não. Eu tenho treinado técnicas paranormais pra falar durante o sono.

-Que bom que acordou de bom humor. Tenho algo pra mostrar pra você.


h t t p : / / www. youtube. com/ watch? v=oNcuLyUrxSI&feature=related
/Lugares Proibidos - Grupo Doce Encontro/

Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já...
Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que eu não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem datas
Chega mais cedo amor
Eu finjo que eu não esperava
Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já...
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem datas
Chega mais cedo amor
Eu finjo que eu não esperava...


Finalmente o elevador chegou. Minhas mãos estavam suando. De um pedido de casamento a um pedido de casamento, eu esperava de tudo de Edward naquele momento.
Ele estava no fim do corredor da administração. Um andar a baixo do meu escritório, de camiseta azul escura, calça jeans, cabelo bagunçado... Oi meu deus grego... Eu to aqui...

-Oi - eu o cumprimentei meio de longe com um sorriso torto. Eu me sentia eufórica, com medo e excitada ao mesmo tempo. - E então. O que quer?
Eu havia acabado de me recuperar de um quase AVC... Será que eu devia contar esse detalhe a ele antes que as revelações bombásticas começassem?

-Entre aqui, por favor.
A sala dele estava vazia. A mesa toda arrumada. O computador ligado com apenas o monitor desligado. Ok. Pra me pedir em casamento ele não precisaria do PC ligado. Ferrei-me... O que será que ele queria? Uma promoção?

-Sente-se - ele me mostrou a cadeira e eu o fiz de frente pra ele. Eu estava seria. Não sei se gostaria do que iria ouvir... - Isso aqui é seu e eu que mando você sentar. Irônico não?
Não. Irônico é eu dar o maior fora do mundo nele num dia, ele se exibir com uma loirona no outro e no outro vir com um assunto misterioso fazendo aquela cara de 'tem um segrego e não sei se vou te contar'

-O que você quer afinal? - grossa. Eu sei. A curiosidade faz isso comigo.

-Porque ate um tempo atrás você estava cuidando pessoalmente de cada gasto feito aqui na empresa?

-O que tem isso a ver com você? - eu retruquei meio irritada. Ele estava querendo o que? Um emprego de administrador?

-Isabella... Estou aqui como seu amigo, por favor, responda a minha pergunta.
Eu fiquei pensando por um tempo. Enfim, não haveria motivos pelo qual eu não responder.

-Eu estava tentando cortar gastos. Tinha medo de uma crise, não saberia como contornar.

-Mas outra pessoa é responsável por isso, porque você teve que substituí-la?

-Aonde você quer chegar afinal Edward? - eu não gostava nem um pouco daquela cara de nerd que ele estava fazendo agora.

-Por favor, responda a pergunta Bella.
Me chamando de Bella ate vai né?

-Eu sei lá. Eu tinha a impressão de que estavam gastando mais do que necessário. Orçamentos que cobriam grandes produções ultimamente não estavam dando conta nem de medias sequer.

-E nesse ponto que eu quero chegar. Lembra-se quando eu era assistente do senhor Mars?
Eu me lembrava da primeira vez que ele tinha invadido a minha sala pra me agarrar quando ainda era assistente do Sr Mars serve?

-Lembro - eu respondi simplesmente...

-Bem, um dia eu estava arrumando os arquivos de outra pessoa e achei umas notas fora de lugar do senhor Mars. Ele estava pagando mais de cem reais por uma caixa de canetas.
Isso era impossível. As caixas custavam no máximo trinta reais. Eu começava a entender o que ele queria dizer.

-Eu não me importei. E então, há uns dias atrás, James veio falar comigo.

-James? - será que esse era o ponto? Ele esfregar na minha cara que eu estava dando mole pra um mau caráter? Que James estava envolvido com desvios de dinheiro? Como eu ia explicar que eu não dei mole pra ninguém? Não conscientemente pelo menos...

-James não é quem diz ser.

-Não? - eu sabia. Agora ele me contava que James era um aproveitador.

-Não. É investigador.

Ah lá... Não disse? Aproveitador... Eu sabia. Pera ai... Ele não disse isso.

-Investigador? - eu perguntei com uma ruga de duvida na testa.

-É. Ele foi indicado por amigos dos seus pais. Eles estavam desconfiados das recentes aquisições do senhor Mars e ele já fez isso em outras empresas.

-Ele fez isso o que?

-Ele encontra provas, junta provas para incriminar os suspeitos. Geralmente pessoas que fazem os desvios que fez o senhor Mars saem ilesas por causa da falta de provas. James é a pessoa que providencie que ele não saia impune.
Eu fiquei meio em choque. Ele disse que James veio falar com ele. Porque bem com ele?

-Porque você? - eu perguntei meio tonta... - Porque ele veio falar com você?

-Porque naquele dia que eu saí irritado da sua sala e você veio atrás de mim, ele percebeu que tínhamos uma ligação então ele me contou tudo e me pediu ajuda pra ter acesso a sua sala.

-A minha sala? - aquilo estava ficando perigoso porque acesso a minha sala fazia parte disso?

-É. Ele me pediu pra entrar na sua sala. Alias, me pediu pra ajudá-lo a entrar na sua sala. Precisava ter acesso ao seu PC pra ter as ultimas informações denunciar Mars pelo que estava fazendo.

- VOCE DEIXOU JAMES ENTRAR NA MINHA SALA? - eu me levantei alterada. Aquilo não estava soando nem um pouco legal. - EDWARD VOCE FICOU LOUCO?
Ele se levantou também, se aproximando de mim.

-Me desculpe Bella, mas tente confiar em mim. Sei que não sou a pessoa certa pra falar em confiar nas pessoas em momentos complicados - Seus braços me abraçaram forte, o cheiro dele não me deixava pensar muito bem - me desculpe por ter desconfiado de você e ele, me desculpe por não confiar em você - ele sussurrou no meu ouvido, meus olhos se fecharam então, eu estava raciocinando algo importante, precisa terminar de fazê-lo.

-Edward - eu disse, mas ele me abraçou mais forte

-Ele vai chegar aqui daqui pouco e você vai entender tudo, me desculpe por esconder essas coisas de você, mas foi pro seu bem.
Senti suas mãos levantando meu rosto pra olhar pra ele. Pela primeira vez ele me olhava como antes, antes de saber das mentiras, antes de nos magoar.
Sua boca estava próxima da minha. Eu sentia seu hálito mais perto de mim.

-Mas e aquela loira?

-Esquece a loira Bella...

-Eu não posso.

-Eu faço você esquecer...
A boca dele estava sobre a minha. A língua dele traçando o contorno dos meus lábios, forçando a entrada e eu deixei. Deixei que ele me beijasse do modo como só ele sabia fazer. Ao melhor modo Edward Cullen de ser. Minhas mãos foram pro seu cabelo e a boca dele pro meu pescoço me mordendo, me lambendo, me causando descargas elétricas pelo corpo.
Alguém pigarreou perto de nos então. Era Miranda na porta, nos olhando com um meio sorriso no rosto.

-Me desculpe pela interrupção garotos.
Ele tentou se separar do meu abraço... Mas eu não permiti. Talvez isso o ajudasse a tirar da cabeça a idéia ridícula de que eu tinha vergonha dele. Continuei com os braços em volta do seu pescoço e ele me olhou assustado.

-Veio dar uma voltinha pela empresa em pleno domingo também Miranda? - sim. Eu tinha um tom irônico. Eu tinha um sorriso irônico. Eu estava sendo irônica. Ela ficava o dia inteiro com o meu homem. Será que tinha que me atormentar nos meus bons momentos também?

-Infelizmente o motivo que me trouxe aqui é um pouquinho mais sério meu bem. Será que pode me acompanhar? - ela olhou pra Edward de um jeito estanho - É bom que você venha também Edward.
Foi só eu que notei um tom de ameaça lá? Nós a seguimos até o elevador. Estávamos indo para a minha sala? Estava virando festa já. Todo mundo resolvia ir ali se nem ao menos me avisar. Edward me acompanhou com uma mão em volta da minha cintura. Havia um meio sorriso em seu rosto, um meio sorriso perfeito por sinal.
Ela esperou que eu tirasse a chave da minha sala da minha bolsa. O que me fez pensar. Edward disse que entrado na minha sala. como será que tinha feito isso? A chave sempre estava comigo.

-Enfim... Eu abri e Miranda já foi indo pro meu PC ligando tudo. É. Ela se sentia em casa ali, mesmo eu não tendo dado essa liberdade.

-Qual o assunto afinal? - eu disse cruzando os braços em frente a minha mesa enquanto ela colocava um cd no meu drive.
Antes de ela responder, deu uma olhada significativa pra Edward. Eu não estava gostando nem um pouco desses olhares que ela estava me dando pra ele.

-Eu sinto dizer, mas o seu amigo - ela olhou pra Edward quando disse amigo - Chegou a enganar a mim também. Ele e mais dois amigos estão tentando nos dar um golpe meu bem.
Eu engasguei quando ela disse isso. Como assim? Golpe? Que dois amigos?

-Que dois amigos? - eu perguntei invertendo a ordem das perguntas.

-Edward, James e Marcus Mars estão desviando dinheiro da empresa já há algum tempo.

-É melhor pra você que explique essas acusações.
Me sentei na cadeira em frente à mesa e puxei Edward pela mão para que fizesse o mesmo. Ele estava paralisado olhando pra porta a todo o momento. Eu não o olhei quando Miranda fez a tal acusação para que ele não pensasse que o estava acusando também.

-Bem o desvio começou já há algum tempo. Mars esteve fazendo isso esse tempo todo superfaturando coisas pequenas, como caixas de papel, caneta, cartuchos, materiais simples que ninguém sequer confere... - aquilo fazia sentido. Coincidia com o que Edward havia acabado de me contar e ela o olhou acusadoramente novamente - Antes de Edward entrar na empresa eu admito.

-E onde ele e James entram nisso então?

-Mars contratou aos dois pra queima de arquivo. Pra recolherem as provas e saírem fora...

-Como você pode dizer isso? - eu fiquei brava dessa vez. A acusação que ela fazia contra Edward era grave demais.

-Eu tenho provas - ela declarou toda vitoriosa virando o meu monitor em minha direção. Edward olhava pra porta pela décima segunda vez. Desviei meu olhar dele e vi o que ele me mostrava. Era James e ele, como ele havia me contado, entrando na minha sala, mexendo no meu computador.

-Você sabe o que eles estão fazendo Isabella?

-Não... - eu respondi simplesmente. Ela deu mais uma olhadela pro meu deus grego antes de completar.

-Esse e James na noite de ontem, apagando as ultimas provas que faltavam pra acabar com qualquer indicio que fosse de que Mars tenha feito algo de ilegal aqui dentro.

Eu respirei fundo meu peito estava gelado. Minha garganta apertada. Meu estômago se revirando. Meus dedos tremiam.


(Como a nossa autora tem um vocabulário vasto, aí vai um mini glossário desse capítulo para vocês.)

*O quê?

**Mas que porra/Mas que diabos/Mas que merda

***Certo

****Merda

***** Oh meu Deus.


KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK, eu tava revisando o texto, e o Word (programa de texto :) tinha sublinhado a palavra 'Caralho' aí eu fui lá ver o que tinha de errado e cliquei em cima. Aí nas dicas de ortografia apareceu 'Carvalho'. Ta. Agora nem foi tão engraçado assim... Mas na hora eu ri MUITO!

Ia ficar legal: - Carvalho Edward, vai me deixar terminar ou não?

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK'

Tava com saudade do Emmett e da Alice. XEEEENTE que capítulozão! IUAHSIUAHS. Além de ser grande é tenso. Eu fiquei assim no final - :O

FELIZ ANIVERSÁRIO PRA FIIIC *-* parabéns pra Alice que fez essa história linda, parabéns para os meus dedos de ferro e parabéns pra vocês que dão o combustível pra isso aqui continuar.

Por falar em dedos de ferro, eu estou MORTA! Mi-se-ri-cór-dia. Eu mereço um descanço né? AHIUHAIHSIUHSIHAS.

E por falar em combustível, quero reviews 7 vezes mais.

4 vezes por ser um capítulo que vale por quatro, 1 vez porque hoje é aniversário da fic, 1 vez porque amanhã é o MEU aniversário, e mais 1 vez porque estamos na reta final.

4 + 1 + 1 + 1 = 7! 7 vezes MAIS!

É isso aí gemtem, to super-emocionada e amo vocês. Assim que eu me recuperar da guerra que foi esse capítulo eu posto o próximo.

AAAAAAAAAAAAAMO VOCÊS!