Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: Hello babies! S2 Saudades de vocês!
Bom, eu prolonguei um pouco o hiatus (que eu disse que só permaneceria até a primeira quinzena de janeiro) por um motivo que, espero eu, seja compreensível pra maioria de vocês.
Meu avô faleceu três dias antes do Natal, e apesar de eu não ter enfrentado a morte dele como algo ruim (já que ele estava há anos sofrendo e praticamente vegetando - eu encarei seu falecimento como uma libertação do sofrimento) ainda sim fiquei triste pelo meu egoísmo de querer ele junto a mim por mais tempo. Eu sou humana, afinal de contas, e ao mesmo tempo em que fiquei feliz pelo fim do sofrimento dele fiquei mal por perdê-lo, pois eu o amava muito.
Haunted, como vocês se lembram, teve um capítulo 35 muito complicado no quesito "morte" e "natal", e eu não conseguia nem abrir Haunted pra escrever ou reler porque eu estava sensibilizada. Eu não conseguia escrever sobre mortes, sobre o sofrimento dos personagens. Não dava, eu ficava com lágrimas nos olhos só de pensar em reler o capítulo (eu sempre releio o anterior antes de escrever um novo), e eu juro que tentei, porque eu amo vocês e não queria deixá-los na mão. Mas dessa vez eu tive que ser egoísta, e espero que entendam meu momento de fraqueza, pois Haunted está num momento dramático e eu não tinha condições psicológicas de encarar isso.
Aí eu escrevi outra fanfic, de comédia + lemon threeshot, pra presentear os leitores e também pra "descontrair" e não deixar que essa minha trava momentânea com Haunted resultasse em um bloqueio de escritor. Consegui, pois cá estou com atualização em Haunted, e também já postei o segundo capítulo de "Breaking the 4th Wall", que está quase finalizada. Como podem perceber, não estou com bloqueio, nem em Haunted e nem pra escrever sacanagem. E quem quiser ler Breaking pra descontrair um pouco o drama, está super convidado a conferir a fanfic no meu perfil.
Eu ainda estou em luto parcial, mas escrever é uma das coisas que me ajuda a superar tudo, inclusive a dor da perda. Então... é isso! Estou feliz por voltar a postar em Haunted. ^^
Eu demorei um pouco mais que o normal pra escrever esse capítulo porque fiquei doente esses dias, mas ainda sim continuei produzindo devagarzinho. Só que a atualização que eu desejava que tivesse saído no dia 15, acabou atrasando por causa da doença também. Agora estou um pouco melhor.
O capítulo não está betado, mas espero que gostem mesmo se tiver errinhos. ^^
Um beijão a todos e boa leitura!
HAUNTED
Capítulo XXXVI
— Você sabe que eu posso resolver isso num piscar de olhos. — Orochimaru falava baixinho, se sentindo até um pouco sensibilizado com a situação. Bem pouco, pois é claro que seu maior interesse estaria nos ganhos que essa proposta acarretaria — Posso te fazer esquecer toda essa dor e seguir em frente no nosso projeto.
Madara não respondeu, levando garrafa de whisky à boca e solvendo três grandes goles, sem sequer direcionar seu olhar para a cobra idiota.
Ele sabia que não devia beber desse jeito, mas não havia outra coisa que pudesse fazer para aliviar sua dor, seu luto. Claro, a cada dia que acordava de ressaca com o choro de Itachi ecoando em seus ouvidos ele se arrependia amargamente das noites de bebedeira, mas naquele momento ele não conseguia mais olhar para o futuro da mesma forma e entender que não deveria agir assim toda noite, já que pagaria caro ao amanhecer. Ele não conseguia mais planejar como planejava antigamente, ele agia de forma inconsequente e imatura... Se Tajima o visse hoje em dia, com certeza teriam uma briga de proporções épicas.
Orochimaru, apesar de não ser verdadeiramente um amigo, ficou ao seu lado. Talvez temesse que Madara deixasse Itachi morrer de fome, sede, afogado no próprio vomito ou algo trágico do gênero, vai saber o que se passava na cabeça da cobra. De certa forma, Itachi era tanto a cobaia de Madara quanto de Orochimaru e, portanto, era importante para os dois.
Madara não censurou o receio de Orochimaru, pois duas vezes ele teve a completa certeza que se ele não estivesse ali, Itachi já teria morrido: uma, quando Madara adormeceu enquanto dava banho em Itachi, e outra quando ele perdeu a cabeça ao não compreender porque o neném chorava e quase o estrangulou de raiva. Lógico que havia álcool envolvido em ambos os acontecimentos.
Mas não era como se Madara odiasse Itachi (só a sua versão bêbada parecia odiá-lo). Ele queria criá-lo, pois Itachi era o plano B, era o possível renascimento do seu amor. Todavia, ele sabia que demoraria muito para ele e Orochimaru se certificarem se a transfusão de memórias foi eficiente, custaria para ver os primeiros traços do Izuna, passariam anos até ele ter, de fato, o seu otouto de volta.
Ele estava com medo de toda a espera ser em vão, com receio de não conseguir aguentar todos esses anos sozinho, com verdadeiro pavor do desconhecido. Madara definitivamente não tinha condições psicológicas pra criar uma criança com apenas três meses de vida, e era por isso que Orochimaru lhe oferecia, na maior cara de pau, um atalho.
— Considere a proposta... Se você esquecer o Izuna, nós...
Como ele é insistente nesse assunto. – Madara pensou com amargura, tomando mais um longo gole, que desceu queimando sua garganta.
— Orochimaru, desista. — Madara falou com a voz embriagada pela maldita bebida cor-de-mel — Eu nunca vou permitir que você bagunce a minha cabeça desse jeito.
Orochimaru exibiu um olhar ofendido; Madara girou os olhos, impaciente.
— Mas eu não tenho a mínima intenção de ir além do nosso combinado! — ele respondeu com um tom ultrajado.
Madara quase riu diante do teatrinho barato.
— Vamos fingir que eu acredito nesse seu trato ridículo e seja idiota ao ponto de achar que você não vai roubar meus conhecimentos científicos e me descartar em seguida: perder a memória da existência de Izuna é uma traição; eu não quero me esquecer da pessoa que mais me fez feliz.
— E da pessoa que mais te deixa infeliz Uchiha. Olhe pra você!
— Como se estivesse preocupado! Você só quer voltar para as pesquisas!
— Eu não disse em nenhum momento que estou preocupado com as suas lágrimas ridículas ou o seu fígado que com certeza está sendo destruído aos poucos com toda essa bebida, mas eu estou sim preocupado com a sua mente. Você é meu parceiro nisso, você querendo ou não, e eu preciso que você pare de destruir seu cérebro com entorpecentes e volte a pesquisar!
Cansado da discussão enfadonha, Madara aborreceu-se de tal maneira que jogou a garrafa longe, atirando-a do outro lado da sala e causando um estrondo descomunal no ambiente. E assim que a barulheira de cacos de vidros batendo contra o chão cessou, o choro de Itachi começou a soar alto.
— Eu vou matar esse fedelho. — Madara falou entre os dentes cerrados, erguendo-se da cadeira e cambaleando para trás.
Orochimaru foi rápido o suficiente para ampará-lo antes que ele caísse no chão, colocando-o sentado mais uma vez.
— Você quis esse bebê, Uchiha... — ele murmurou, com o humor evidentemente ruim. Orochimaru geralmente se divertia com a desgraça de Madara, mas a desgraça de Madara estava trazendo muito serviço de babá pra ele, e ele não aguentava mais isso! — Pare de ser irresponsável e comece a cuidar dele!
O mais novo não respondeu, agarrando seus cabelos e deixando a testa encostar-se à superfície da mesa de mogno, tentando ignorar o choro assustado do bebê Itachi. Como queria que o garoto ganhasse uns bons dez anos da noite para o dia, facilitaria tanto as coisas...
Além disso, as demais cobaias estavam a caminho. Algumas eram mais velhas que Itachi, outras tinham a mesma idade. O bebê loirinho, Deidara, só tinha alguns dias de vida! Madara sabia que do jeito que as coisas se encontravam agora, ele precisaria resolver logo sua situação com Orochimaru, porque não daria conta de cuidar de tantas crianças de uma só vez.
— Ok... — ele falou com a voz rouca, se colocando de pé de maneira mais firme dessa vez, respirando fundo e tentando manter a compostura. Acreditou que não estava tão bêbado assim e poderia, ao menos, calar a boca de Itachi e botá-lo pra dormir de novo — Esqueça essa proposta, eu não vou aceitar. O que mais você quer discutir?
Ele falou por cima do ombro para Orochimaru, caminhando com passos largos em direção ao quarto, enquanto ele o seguia de perto, mais preocupado em cuidar da integridade de sua cobaia do que conversar com Madara. Ainda sim, davam prosseguimento ao assunto.
— As crianças chegam daqui uma semana, eu já paguei o intermediário e recebi as garantias e a confirmação com as fotos. Eu preciso saber se você conseguiu negociar uma equipe pra cuidar delas.
— Conseguiu uma menina? — Madara perguntou, não se incomodando em responder o questionamento de Orochimaru.
— Sim, Konan é menina. — Orochimaru falou, erguendo a sobrancelha em dúvida — Você pretende fazer experimentos em crias?
— Óbvio.
Madara chegou perto do berço de madeira cerejeira e observou Itachi: o bebê parecia-se tanto com Mikoto que ele se perguntou se algum dia ela poderia cruzar com Itachi sem reconhecê-lo como filho. Claro, não havia problema propriamente dito, já que ele certamente não tinha o mínimo interesse em deixar Fugaku e Mikoto participarem da vida de Itachi, apesar de toda insistência de Fugaku e da promessa furada que ele havia feito.
Mikoto e Fugaku se mostraram inconvenientes maiores do que ele imaginou inicialmente. Ao acordar do coma, Mikoto logo recebeu a noticia da "morte" de seu filho, entrou em desespero profundo, e teve seu quadro de depressão agravado ao saber do falecimento de Izuna; ela parecia gostar muito de seu irmãozinho. Naturalmente, para não gerar suspeitas, Madara tinha que visitar a mulher e seu irmão Fugaku de tempos em tempos, mas não permitia que ela soubesse que havia uma criança, com o mesmo nome de seu filho, sobre o seu teto. Seria loucura dar essa informação a Mikoto naquele momento (não que ele desejasse informá-la em qualquer outra circunstância).
Fugaku, por saber a verdade, queria ver Itachi e irritava Madara a todo o momento por conta disso. Semana passada ganhou pelo cansaço e Fugaku ficou duas horas com o bebê, com um maldito sorriso satisfeito nos lábios durante todo o tempo. Até tirou foto! Ainda bem que Madara conseguiu confiscar o negativo antes do seu irmão ser expulso, porque Fugaku não queria largar Itachi de jeito nenhum (e o maldito bebê traidor parecia ter gostado muito do colo de seu pai biológico). Madara teve que chegar a consequências drásticas para ter um pouco de paz.
Mas Itachi também gostava de Madara, o que facilitava muito toda essa situação. Ao ver que Madara o olhava, ele parou de chorar, soluçando baixinho enquanto piscava os olhos grandes com cílios longos e cheios de gotículas de lágrimas e fez um biquinho de quem queria a chupeta de volta em seus lábios – Itachi provavelmente a derrubou quando começou a chorar. Apesar de estar levemente bêbado e sem paciência, Madara sorriu para a criança, feliz por ele ter se calado, e alcançou a chupeta largada no canto do berço, trocando-a por uma esterilizada que estava sempre em fácil alcance.
— Bem que o Itachi podia não chorar, eu gosto tanto quando ele fica quieto. — o mais velho disse, pegando o bebê do berço e ganhando um suspiro de satisfação do menino ao colocar a chupeta em sua boca.
Ele se aconchegou em seu colo sem cerimônia alguma, agarrando sua camiseta com as mãozinhas pequenas e fechando os olhos, claramente mostrando se sentir protegido com a presença de Madara.
Orochimaru girou os olhos com impaciência.
— Ele chorou porque você foi um ogro idiota e fez barulho na sala.
— Não testa a sorte, Orochimaru. — o jovem respondeu, olhando para o mais velho com impaciência — E retomando sua pergunta sobre as cobaias: sim, eu consegui uma equipe. Estão chegando daqui quarenta e duas horas, porque nem a pau eu vou cuidar de outro bebê.
— Ótimo. — o médico respondeu, cruzando os braços — Você pretende levar Itachi pro QG ou vai deixar ele mais algum tempo aqui no hotel?
— Eu preciso dar um jeito em Fugaku... Ele quer visitar o bebê toda hora. — Madara respondeu, passando o indicador em cima do nariz de Itachi, e o bebê automaticamente agarrou seu dedo com a mãozinha direita.
Madara poderia estar enlouquecendo, mas Izuna costumava fazer a mesma coisa quando era criança, e isso o fazia imaginar... coisas. Itachi lembrava Izuna muito mais do que ele anteviu, mas o menino ainda não tinha nenhuma memória implantada, então aquilo só podia ser uma coincidência; todavia, para a mente desesperada de Madara, com certeza era um bom agouro.
— Oh tenha santa paciência Uchiha. A gente vai sumir da existência desse planeta amanhã, nossos nomes serão apagados de todos os registros do mundo e você está preocupado com o que Fugaku vai pensar? Ele nunca mais vai ver a sua cara! — Orochimaru argumentou em voz baixa para não assustar a criança, apesar do seu tom ríspido e impaciente.
O Uchiha refletiu brevemente e concluiu que Orochimaru estava certo. Ele não tinha a mínima intenção de manter sua palavra e deixar que Itachi convivesse com o casal, nem se adotasse a figura de afilhado. Não era por mal, mas como que ele iria explicar algo assim pra Itachi quando ele começasse a despertar a personalidade de Izuna? O que ele faria com Mikoto e Fugaku? Eles certamente notariam a mudança. Simplesmente não iria funcionar se os três convivessem juntos.
Além do mais, se suas pesquisas sobre imunidade dessem certo nos testes com as cobaias, ele tinha a intenção de aplicar o produto em Itachi também. Não queria ter a infelicidade de perder Izuna de novo por causa de alguma doença que poderia ser evitada com essa experiência científica, e ele certamente não conseguiria esconder os efeitos colaterais do casal Uchiha.
E quer saber? Dane-se esses dois. Ele nem gostava tanto deles assim, apenas convivia com eles por causa de Izuna, que gostava muito dos dois, principalmente de Mikoto. E, bem, essa época já era. O "novo Izuna" não precisaria saber da existência de Fugaku e Mikoto, Orochimaru disse que poderia suprimir algumas memórias, o que era muito conveniente, pois Izuna sofreu demais e Madara não queria que ele se lembrasse desses momentos ruins.
Mas agora não era o momento de conversar sobre esses assuntos, pois havia outros mais urgentes para se discutir.
— Você está pesquisando o sintetizador da proteína?
— Sim, e tá difícil. — Orochimaru respondeu com um suspiro cansado — Eu estou começando a achar que não vai ter como desligar isso do seu sangue. Talvez a gente deva tentar sintetizar a proteína no seu corpo.
— Hm... eu havia cogitando essa possibilidade. Se nós tivermos a proteína sintetizada, as cobaias já podem receber a primeira leva logo na outra semana, principalmente os mais velhos. Aquele tal de Kisame já está com quase cinco anos, não? Precisamos agir rápido.
— Então deixe Itachi no QG amanhã e vamos fazer essa pesquisa. — o outro respondeu, recebendo um aceno afirmativo de Madara em retorno — E, tirando isso, eu continuo pesquisando o projeto Tsuki no Me.
Esse assunto muito interessava Madara, que transferiu toda a sua atenção para Orochimaru.
— Algum avanço? — questionou, esperançoso. Queria logo que Tsuki no Me ficasse pronto, pois seria imensamente melhor trocar o álcool por isso para adquirir seu conforto.
— Não. — o mais velho respondeu; Madara abaixou o olhar, decepcionado — Ainda há efeitos colaterais. Nós precisamos de uma droga perfeita, porque fazer uma "heroína dois" não tem sentido algum. A chave está em criar algo sem efeito colateral.
O Uchiha mais velho ficou pensativo, olhando para Itachi durante vários segundos, antes de tomar uma decisão e se pronunciar mais uma vez.
— Não mencione as pesquisas de Tsuki no Me para o financiador. Mantenha essa carta na manga, pode ser útil como moeda de troca no futuro, se o projeto der certo.
Orochimaru sorriu de canto de boca, satisfeito com a resposta de seu comparsa.
— Vai dar. Eu sei que vai. Você só precisa sair logo desse luto e me ajudar, porque o químico genioso que faz milagres aqui é você.
Madara não se importou em responder, porque no mesmo momento olhou novamente para Itachi, que havia aberto os olhos novamente e o encarava com bastante curiosidade, e prestou bastante atenção no menino.
Ele chupava a chupeta silenciosamente, e ela se movia para cima e para baixo bem rapidamente, enquanto a criança parecia uma estátua sem mexer mais nenhum músculo de seu rosto. Era algo adorável, Madara não podia negar; de certa forma ele gostava de cuidar de Itachi, porque Itachi exalava inocência, e Izuna também era assim antes de toda a merda estourar. Seu peito ardeu tanto, mas tanto, que quando Itachi sorriu ainda chupando a chupeta ao se sentir feliz por receber a atenção de Madara, ele não aguentou e deixou as lágrimas voltarem em seus olhos.
Droga, é tão confuso lidar com todos esses sentimentos, e era humilhante ter esses momentos de fraqueza na frente de Orochimaru. E ele sabia que Johnny Walker (1) tinha sua parcela de culpa ao deixar que suas emoções aflorassem daquela maneira.
— Madara — Orochimaru o chamou pelo primeiro nome, algo que muito raramente fazia; o Uchiha ergueu o olhar, encarando o colega com vergonha e irritação — A proposta continuara por tempo indefinido: se você quiser esquecer e viver em paz, me procure.
Madara suspirou cansado e optou por não responder mais uma vez, voltando a sua atenção para Itachi e decidindo que talvez fosse um bom negocio esquentar uma mamadeira para fazer a criança dormir. Quanto mais cedo Itachi dormisse, mais cedo ele poderia voltar a beber e tentar esquecer que naquele mundo cruel não haveria mais a figura de Izuna aguardando-o em sua cama para mais uma noite de sono.
Seriam longos anos até Itachi completar quinze anos e ter todas as memórias de Izuna. Longos quinze anos até ele se tornar cem por cento o seu amor... E Madara não sabia como iria sobreviver todo esse tempo.
(***)
Madara abriu os olhos de maneira abrupta, despertando de seu sonho/memória de uma vez só e dando de cara com os olhos negros de Sasuke, que o observavam com cuidado. Deus do céu, se Itachi se parecia de certa forma com Izuna, Sasuke era tão semelhante que por poucos segundos Madara se sentiu enganado diante daquele olhar. O moleque Uchiha era tão igual à Izuna fisicamente que nem parecia filho de Fugaku, parecia uma versão mais velha do adolescente que fora o amor da sua vida; maldita genética Uchiha!
— Você está chorando? — Sasuke perguntou baixinho, levando os dedos ao rosto de Madara e limpando uma lágrima solitária que ali se encontrava — Eu nunca te vi chorar.
— Eu... — Madara se sentou na cama, afastando Sasuke com delicadeza para se mover — Eu só tive um pesadelo, é uma reação puramente fisiológica.
— Ok... — Sasuke respondeu sem muito se preocupar, observando Madara em alguns segundos em silêncio.
O Uchiha mais velho se controlou rapidamente e retribuiu seu olhar, se dando conta do chupão nada comedido no pescoço de Sasuke. Sorriu internamente, lembrando-se da noite anterior e de como fora reconfortante passá-la ao lado de seu sobrinho. Aproximou-se dele, acariciando tal ponto negro em sua pele com o polegar, suavemente.
Sasuke mudou muito depois da intervenção de Orochimaru. Ele parecia especialmente sexual, bem menos envergonhado e bem mais feliz por estar com Madara. Em outros momentos, especialmente quando o assunto era "Itachi", Sasuke parecia duplamente vingativo, cruel e calculista. De qualquer maneira, a noite foi recheada de risadas e o sexo certamente não foi apenas um ato mecânico; Madara ficou satisfeito como não ficava há anos, e ele verdadeiramente estava disposto a tentar fazer as coisas funcionarem com Sasuke.
Claro, ele ainda queria sua vingança. Itachi foi um filho da puta sem tamanho ao traí-lo daquele jeito e não sairia livre dessa, fora que Itachi certamente era um mau exemplo para os demais Akatsukis e tinha que ser eliminado o quanto antes. Ele e Sasuke conversaram a respeito disso naquela noite, e o Uchiha caçula, agora induzido, compartilhava de seus ideais. Ambos queriam a ruína do primogênito de Fugaku.
Madara só não havia decidido o que fazer com Orochimaru. Afinal, eles tinham um trato de que Sasuke ficaria em sua posse com o fim de toda essa confusão, mas agora Madara não queria mais se livrar de Sasuke. Quando ele propôs a Sasuke que ficasse do seu lado, lá no dia fatídico que decidiu filmar os dois fazendo sexo, Madara não falava sério. Mas agora as coisas mudaram, e ele tinha que pensar muito bem no que fazer com o acordo de Orochimaru.
Independente desse pequeno problema, a noite fora bastante produtiva. Discutiram planos e táticas: Sasuke falou sobre Konan e Pain, sobre os sentimentos de Itachi, sobre os seus sentimentos por Naruto e Kakashi e suas condições. Eles conversaram durante horas e transaram o dobro do tempo.
Madara estava feliz, ao menos até ter aquele maldito pesadelo com Itachi e seus sentimentos por Izuna e acordar se sentindo mal daquela forma... Mas não importava, essas coisas iriam passar. E se não passasse, bem, talvez não fosse uma ideia tão ruim assim ceder e aceitar a proposta de Orochimaru. Ele certamente fez milagres com Sasuke, e não parecia ter feito além do que havia combinado com o garoto. Talvez ele pudesse confiar isso à Orochimaru, não é mesmo?
Mas isso não seria justo com Izuna...
De qualquer maneira, Sasuke logo recobrou a sua atenção, sorrindo de maneira convidativa e suspirando seu nome baixinho.
— Hum? — ele respondeu, aproximando-se do garoto e dando-lhe um beijo nos lábios de bom dia; bem breve, já que Sasuke não parecia gostar muito de beijar de maneira prolongada.
— Eu encontrei o seu vídeo. — Sasuke respondeu, alargando mais o sorriso sacana nos lábios, tirando a câmera de trás de seu corpo e mostrando-a para Madara.
Era a filmagem que ele havia feito dos dois fazendo sexo há algum tempo, vídeo esse que pretendia mandar para Itachi a fim de provocá-lo e deixá-lo mais para baixo ainda. Por conta de todos os acontecimentos que se seguiram, o vídeo nunca foi entregue e Madara não pensou mais no assunto. Ao menos até o presente momento.
— Eu gravei isso quando as circunstâncias eram outras Sasuke. — respondeu com sinceridade, porque se ele tentaria fazer as coisas funcionarem com Sasuke, não podia mais expô-lo dessa forma — Pode deletar, não tenho cópias.
Sasuke fechou a câmera, ainda mantendo o sorriso sacana nos lábios.
— Ia fazer o que com isso? Assistir sem parar? Mostrar pros Akatsukis como que se faz uma boa trepada?
Madara riu, sendo pego de surpresa com a franqueza e falta de vergonha de tais palavras. O garoto sempre foi extremamente envergonhado, até mesmo com Itachi, Orochimaru devia ter feito alguma coisa para ele liberar mais as papas na língua daquela forma; Madara gostava bastante dessa nova personalidade de Sasuke, era divertida.
— Não, eu ia mostrar pro Itachi o que ele estava perdendo, mas é passado.
— Eu amei a ideia! — o mais novo exclamou, evidentemente empolgado.
— Uhn?
Sasuke energicamente pegou a câmera mais uma vez, inspecionando-a rapidamente para ver como iniciava uma gravação nela. Quando começou a gravar, estendeu-a a sua frente, focalizando o seu próprio rosto, e falou:
— Oi Itachi-nii-san! Como vai? Eu vou bem. Na verdade, eu estou tão bem que quero dividir com você a minha felicidade. — virou a câmera para Madara, filmando seu rosto — Dê um 'oizinho' Madara.
— O que você está fazendo? — o Uchiha mais velho questionou, enquanto Sasuke engatinhava para cima de seu colo, ainda mantendo-o no foco da câmera.
— Estou fazendo uma versão melhor daquele vídeo, porque achei interessante a sua ideia.Genial, como sempre, Madara.
Madara se animou consideravelmente com essa proposta, estendendo a mão para Sasuke, que continuava a filmá-lo sem compreender.
— Me de a câmera. Eu sou um cineasta quase profissional, vou filmar melhor.
— Como que o seu ego cabe dentro de você, hein? — Sasuke provocou, mas ainda sim entregou o objeto para Madara, que focalizou mais do que rapidamente o rosto sapeca do outro. — E eu também sei de outras partes suas que desafiam a física ao caber dentro de coisas bem menores.
Madara riu sonoramente, se sentindo até um pouco envergonhado com a insinuação de Sasuke. Não estava preparado pra lidar com aquela nova personalidade, mas não estava reclamando.
— Otouto, observe agora o que você perdeu. — Madara falou baixinho próximo da câmera, e Sasuke entendeu que aquelas palavras eram pra Itachi. Sorriu mais largamente ainda, abaixando o rosto e pegando a barra da calça de Madara com os dentes, puxando-a para baixo.
Madara gemeu, observando toda a movimentação do Uchiha mais novo por detrás da câmera, se sentindo especialmente ansioso com a perspectiva de compartilhar a versão "2.0" com Itachi.
A vingança não era apenas um prato que se come frio; era o bendito néctar dos deuses.
(***)
— Kakashi!
Hatake nem teve tempo de se virar para ver quem o chamava (como se já não houvesse identificado pelo tom de voz), pois antes mesmo de conseguir mover um centímetro de seu pescoço para o lado, sentiu Naruto pular com tudo em suas costas e entrelaçar as pernas em suas coxas, agarrando-o de uma maneira bastante inapropriada para um ambiente hospitalar e fazendo-o cambalear pelo peso extra.
Quem foi que disse que Naruto se importava com etiquetas sociais mesmo?
— Naruto! Tenha modos! — Kakashi censurou por cima do ombro, mas não conseguiu esconder o sorriso de satisfação por saber que Naruto finalmente chegou.
O loiro o soltou por breves segundos, nem se importando em responder a bronca, aparecendo no campo de visão do grisalho e puxando-o para um beijo sem mais nenhuma palavra.
Modos... Outra coisa que Naruto não se importava muito. E se quer a opinião de Kakashi, ele também não estava tão preocupado assim com isso. Fazer as pazes com Naruto era sempre mais importante que qualquer outra coisa. Então Kakashi fez a única coisa que era capaz de fazer e retribuiu o beijo. Óbvio, pois quando se tem um Naruto beijando-o daquela forma, é uma heresia não retribuir!
Kakashi agarrou Naruto enquanto o beijava e o ergueu um pouco do chão para deixá-lo à sua altura, sentindo-se extasiado por finalmente receber um gesto apaixonado como aquele sem tantas brigas. Apesar de já estarem namorando há seis meses, parecia que essa separação de pouco mais de três dias resultara em coisas boas para o relacionamento – os dois puderam refletir sobre o seu papel naquele namoro e tentar entender um pouco o lado do outro.
É claro, tiveram saudade, mas Kakashi jamais iria admitir que não conseguia mais dormir sem a companhia de Naruto em sua cama.Não que as olheiras debaixo de seus olhos já não entregassem em pratos cheios o seu segredo.
Foi Naruto quem interrompeu o beijo longo e bastante explicito, provavelmente por necessitar respirar. Ele parecia ter corrido para chegar ali, pois estava ofegante demais. Kakashi sorriu e encarou o loiro com paixão, aproveitando o momento para colocá-lo de volta ao chão.
— Eu senti tanto sua falta! — Naruto exclamou, acariciando os cabelos do mais velho e as maçãs de seu rosto — Eu nunca mais vou brigar com você.
— Quem não te conhece que te compre Naruto...
Naruto agarrou seu rosto naquele momento, forçando-o a retribuir seu olhar de frente.
— Não, eu falo sério. Eu não atendi nenhuma das suas ligações até agora porque queria falar isso pessoalmente: Eu percebi que estou errado, e que estou te culpando por coisas que fogem do seu controle, que estou ajudando todo mundo enquanto só jogo problema pro seu lado, e que apesar do Iruka dar em cima descaradamente você nunca vai me trocar por ele porque... Duh! Eu sou muito melhor. — Kakashi riu sonoramente nesse momento, mas Naruto não parou de falar — E quer saber? Quando a gente for pra casa hoje de noite, eu vou dar tanto pra você que se tiver alguma parte de você, mesmo que ínfima, que esteja pensando em me trocar por ele, ela vai morrer de cansaço, ou ser arrancada a força pelo meu poder de sedução. Porque ninguém sabe o que eu sei sobre você, as coisas que eu sei que você gosta, porque eu fui feito pra você Kakashi. E você também foi feito pra mim, não apenas na cama, mas romanticamente também. Apesar de que ninguém trepa como você nesse mundo e... Oi Shika!
Kakashi arrancou as mãos de Naruto de seu rosto e virou-se rapidamente para trás, cruzando olhares com Shikamaru, que estava levemente corado ao observar o casal. Em seguida, virou-se para Naruto, totalmente enfezado.
— Você não estava falando de sexo comigo na frente do Shikamaru, estava?
Naruto deu de ombros, coçando a nuca com nervosismo.
— Bom, ele apareceu no meio do meu discurso de impacto e...
— Naruto, você precisa treinar sua retórica. — Shikamaru comentou casualmente, tentando amenizar o clima antes que os dois brigassem, de novo — E você Kakashi tem que parar de fazer tempestade em copo d'água. Todos nós estamos acostumados com o Itachi falando mil absurdos sem saber que são tabus. Isso que o Naruto falou é de menos.
Kakashi até ia responder e censurar Shikamaru por dar corda ao comportamento inapropriado de Naruto, porque fazer isso só alimentava o lado Kyuubi do seu namorado, e no fim do dia era ele quem teria que arcar com as conseqüências. Todavia, o próprio Uzumaki fora mais rápido e respondeu Shikamaru primeiro.
— Como está o tinhoso? — seu tom de voz parecia animado, até mesmo um pouco ansioso para encontrar Itachi e provocá-lo um pouco, só pra não perder o costume.
Kakashi, desistindo de qualquer discussão, trocou olhares preocupados com Shikamaru, como se eles decidissem naquele momento quem deveria dar as notícias ruins para o loiro. Foi Kakashi quem se pronunciou primeiro, perdendo pelo cansaço.
— Naruto... Itachi está um pouco... uh... sensibilizado.
— Normal, todos os Uchihas são sensíveis. — o loiro respondeu, ainda não captando a seriedade daquele assunto.
— Não Naruto, você não entendeu. — Shikamaru interveio, com feições entristecidas — Itachi está depressivo... Não sei nem se esse é o termo certo, é o termo certo Kakashi?
— Não acho que seja uma depressão, elas não acontecem de forma abrupta. Mas Itachi certamente está deprimido, com níveis altos de tristeza.
O mais novo finalmente se deu conta de que o assunto era sério e desfez o sorriso animado de seus lábios.
— O que aconteceu?
— Nós temos tanto o que conversar. — Kakashi falou com doçura, segurando a mão do namorado com carinho e ignorando o pigarrear de Shikamaru — Mas antes, diga como foi o júri.
Naruto suspirou pesadamente, passando os indicadores nas têmporas para diminuir uma dor de cabeça de preocupação que começava a se formar.
— Também é algo que vai demorar certo tempinho pra conversarmos...
— Então eu vou te dizer algo bom, pra gente não ficar nesse clima de tragédia. — Shikamaru anunciou, novamente com aquele ar de empolgação que só surgia quando ele ia falar de uma única coisa: — Miya nasceu!
Naruto demorou um pouco para registrar a informação, mas quando entendeu abraçou Shikamaru amigavelmente, feliz pelo momento de alegria na vida do seu amigo de longa data.
— Meus parabéns! — Naruto falou com energia, bagunçando os cabelos curtos de Shikamaru — Por favor, me diga que ela puxou a Temari.
— Qual é o problema com o mundo? — Shikamaru girou os olhos demonstrando falsa impaciência, mas por fim sorriu em alegria — Lógico que puxou a mãe, outra princesa linda na minha vida.
Naruto riu, só Shikamaru era preguiçoso o suficiente pra não rebater uma tirada de sarro como aquela.
— E onde elas estão? Já receberam alta?
— Sim... Mas Temari disse que quando você chegasse era pra eu avisar, pois ela ia trazer a Miya pra cá.
Kakashi ficou um pouco admirado com aquela afirmação; Naruto pareceu totalmente confuso.
— Não seria melhor eu visitar as duas? Não é perigoso trazer uma criança recém-nascida para o hospital sem necessidade?
Shikamaru deixou um pouco da sua energia momentânea esvair, não sabendo exatamente como responder a pergunta de Naruto. Lógico que era perigoso, ele alertou Temari disso, mas...
— Temari está arranjando desculpas pro Itachi ver a Miya. — Kakashi interrompeu o diálogo dos dois. Shikamaru não negou, nem rebateu — Itachi parece um pouco menos triste quando a menina está com ele. Ele gosta bastante da Miya.
Naruto piscou duas vezes tentando assimilar a informação.
— Itachi, o Mefistófeles em pessoa, gosta de um bebê?
— Naruto, já te disse pra parar com isso. Onde você aprendeu todos esses nomes de demônios? Você é satanista e eu não sei? — grisalho perguntou indignado, se sentindo um pouco irritado por não entender metade das referências do namorado.
— Pfff, não. Videogame é cultura Kakashi!
Kakashi girou os olhos.
— Mas agora eu estou falando sério. Itachi está depressivo ao ponto de só interagir com uma criancinha? — Shikamaru e Kakashi concordaram com um aceno de cabeça. Naruto estreitou o olhar, decidindo que certas conversas não podiam mais adiar — Gente... Acho que está na hora de conversarmos sobre o que aconteceu nesses últimos dias.
(***)
Quando Naruto abriu a porta do quarto de Itachi (depois de bater três vezes e não receber resposta), ele teve a certeza de que Kakashi e Shikamaru não estavam exagerando quando disseram que Itachi estava depressivo...
O quarto estava arrumado e esse era um dos indícios, porque o Uchiha louco por limpeza era o Sasuke, Itachi costumava bagunçar tudo; se ele arrumou o quarto, não devia estar em seu juízo perfeito. A luz estava apagada e a janela estava aberta, o vento entrava com força, dando um ar sombrio e frio no ambiente; Itachi não costumava deixar a janela aberta, apenas entreaberta, aguardando qualquer possível visita de Konan com proteína.
Deixando de lado a aparência do quarto, Naruto passou a buscar seu dono com o olhar. O dito Uchiha estava sentado em sua cama, olhando para a parede sem foco algum, provavelmente perdido em seus próprios pensamentos.
— Itachi? — Naruto não quis arriscar e chamá-lo pelos apelidinhos corriqueiros, a situação era deveras delicada pra ele confiar apenas no bom humor (quase inexistente) de um Uchiha. Ele precisava animá-lo, e provocando não conseguiria isso nesta ocasião.
O moreno ergueu a cabeça e encarou o visitante, e este se deu conta de que seus olhos estavam negros, sem vestígios do avermelhado-sangue de sempre. Itachi devia estar na época de tomar a proteína novamente, mas ainda sim ele não deveria estar com o olhar tão escuro daquela forma; ele só ficava assim quando estava muito calmo, ou muito deprimido.
Naruto aguardou que o Uchiha o cumprimentasse, mas isso não aconteceu. Depois de alguns segundos Itachi simplesmente abaixou de novo a cabeça e o loiro mordeu os lábios, se perguntando o que deveria fazer em uma situação como aquela.
Kakashi contou tudo que aconteceu e certamente os eventos mais traumáticos foram a visita de Sasuke (o que, por algum motivo, Itachi adorou — então não era o motivo de sua tristeza) e a hipnose. Itachi vivenciou as lembranças ocultas de Izuna, e Naruto compreendeu sem muitos problemas a gravidade de tudo aquilo a cada novo detalhe que seu namorado revelava.
Apesar de Kakashi supor que Itachi estava se diferenciando de Izuna depois daquela experiência de choque, não havia dúvidas de que o Uchiha estava sofrendo por causa de lembranças do parasita, até porque Izuna teve uma vida extremamente traumatizante (e Naruto precisou de uns vinte minutos pra assimilar sua história completamente), mas ninguém sabia dizer o que, exatamente, estava deixando Itachi assim.
Era difícil chutar, era muito complicado entender o que uma pessoa pensa numa situação complexa e surreal como aquela. Até mesmo em casos de hipnose com regressão a vida passadas, supondo que seja algo real e não uma mera indução do hipnotizador, ninguém costumava acordar daquela forma. E o caso de Itachi não era uma regressão a vidas passada, pois essa vida ao mesmo tempo cruzava com a sua vida e...
Porra. É complexo. Muito complexo.— Naruto pensou, colocando um ponto final naquele questionamento e fechando a porta atrás de si. Tentaria fazer algo para fazer Itachi reagir, só não sabia o que. Caminhou em direção à cama de Itachi, agradecendo por ser noite de lua cheia e conseguir enxergar particularmente bem mesmo sem as luzes acesas. Sentou-se ao seu lado e Itachi nem sequer se moveu, parecendo ainda mais apático.
— Itachi, como você está? — o Uzumaki questionou, torcendo profundamente para o mais velho lhe dar espaço para uma conversa. Mas, como esperado, ele nada respondeu.
E então Naruto fez a única coisa que podia fazer: pensou. E pensou muito, muito mesmo, durante vários minutos, quase meia hora. E chegou a conclusão que só existia uma pessoa capaz de fazer o Itachi reagir entre todos os presentes naquele hospital, e essa pessoa era ele, estava tudo em suas mãos...
Por quê? Porque ele era o único que conheceu Fugaku e Mikoto Uchiha entre os presentes daquele hospital, e evidentemente a tristeza de Itachi tinha a ver com eles.
— Itachi, nós dois tivemos a nossa primeira conversa séria naquela vez que você quase entrou em frenesi e me levou para o ginásio da faculdade, aquela vez que eu te mostrei as cartas. Se lembra desse dia? — Naruto questionou, Itachi manteve-se quieto, mas mesmo assim o loiro resolveu continuar — Pois bem, naquele dia você me perguntou sobre a tia Mikoto.
Mencionar Mikoto arrancou uma reação de Itachi, que pareceu um pouco mais tenso.
— Naruto... — Itachi sussurrou seu nome com a voz rouca, como se pedisse para ele não entrar naquele assunto.
Naruto sentiu seu coração bater mais forte: arrancou uma reação de Itachi, isso já era um avanço! E ele não iria desistir sem explorar aquele ponto ao máximo.
— Você me perguntou se a tia Mikoto amava o Sasuke, e eu disse que sim, mas que tio Fugaku e Sasuke não se davam muito bem. Você pareceu curioso, mas como eu não sabia quem você era naquela época, achei que era apenas uma curiosidade de namorado, e como era Sasuke quem tinha o direito de decidir se iria contar ou não pra você a relação que tinha com os pais, eu disse pra você perguntar pra ele. — Naruto explicou-se, e Itachi virou o rosto naquele momento para observá-lo — Mas agora eu sei quem você é, e eu acho que está na hora da gente falar sobre isso.
— Naruto, o que você...
— Fique quieto Itachi, eu estou tentando contar a história dos seus pais pra você.
E então Itachi se calou, mas não como antes: seu olhar estava arregalado, ele interrompia a respiração de tempos em tempos e parecia bastante atento, aguardando as informações que Naruto podia lhe oferecer com um interesse impressionante.
O mais novo, por sua vez, estava nervoso, com medo de falar algo errado, com receio de piorar ainda mais a situação. Ainda sim, ele nunca descumpria sua palavra e não ia se acovardar agora.
— Antes de mais nada, quero que você entenda que há muitas lacunas nessa história, porque eu era criança na época e não entendia muitas coisas, e também porque eles escondiam todos os problemas de mim. Mas eu vou te revelar tudo que sei sobre os dois e que tipo de pessoas eles eram, sem erros. Eu era criança, mas existe uma maneira de se analisar um adulto em essência sem grandes problemas, algo que até uma criança percebe: a maneira como um adulto trata uma criança mostra a sua verdadeira natureza. — Naruto falou tudo isso olhando nos olhos de Itachi com seriedade, mas por fim sorriu — E é por isso que a gente sabe que você tem um interior bastante gentil apesar desse seu jeito Akatsuki turrão: o jeito que você trata a Miya, pelo que Shikamaru me contou, destrói essa sua fachada.
Itachi corou e Naruto até pensou em tirar um sarro de sua reação se não estivesse tão preocupado em consertar a cabeça dele o quanto antes. Deixaria pra tocar no assunto quando chegasse o momento de tirar sarro da "proteína com anticoncepcional" – e é lógico que ele não ia deixar essa piada passar tão cedo!
O loiro pigarreou e respirou fundo, sabendo que falaria bastante a partir de agora:
— Na carta da minha mãe, como você deve ter percebido, ela conta que ela e meu pai eram bem próximos dos seus pais; eles conheceram por causa dos Uchihas e eles sempre acharam que meus pais formariam um bom casal. Bom, em algum ponto dessa história eles se casaram e eu não sei muito sobre isso porque ainda não tinha nascido, mas é aí que algumas lacunas são preenchidas com as suas memórias Itachi.
Itachi piscou, um pouco perdido. Naruto manteve-se firme em seu discurso.
— Nós, e quando digo "nós" me refiro a mim e a Sasuke, não sabíamos que Mikoto engravidou antes do casamento. Mas se Mikoto engravidou antes do casamento, minha mãe e meu pai souberam desses acontecimentos.
Itachi entendeu o que Naruto dizia, mas ainda sim precisava se certificar:
— Você quer dizer que seus pais sabiam da minha existência?
— Eu acho que sim Itachi. Eu só não sei se eles sabiam a versão do tio Fugaku, ou a da tia Mikoto... Quero dizer, a versão 'inicial' dela.
— Como assim 'inicial'?
O Uzumaki levou a mão direita ao queixo, acariciando-o enquanto refletia um pouco, com medo de falar besteira.
— Com as informações que você nos deu, eu acho que ficou muito claro que tia Mikoto descobriu a verdade em algum ponto da história. Porque o casamento deles desandou quando Sasuke e eu ainda éramos pequenos, e apesar de nós não entendermos porque aquelas brigas aconteciam na época, sabíamos que não era normal um casal brigar daquela forma. — Naruto explicava com calma, recordando-se de todas as brigas dos tios e da desolação de Sasuke. Foram tempos bastante difíceis — Sasuke, sem pensar muito nos motivos e agindo impulsivamente como sempre, ficou do lado da tia Mikoto e botou toda a culpa das brigas no tio Fugaku. Eu não tomei partido, eu era uma criança e só me preocupava com coisas de criança, mas via que os meus pais estavam preocupados com meus tios.
Naruto ficou um tempo em silêncio, tempo o suficiente para Itachi criar mais uma pergunta na sua cabeça:
— Preocupados com o fim do casamento de Mikoto e Fugaku? — ele questionou, cada vez mais entretido na história e com o olhar mais atento do que melancólico.
— Não Itachi... preocupados com o tio e a tia, independente do casamento.
— Por quê?
— Isso é um chute Itachi... Não é uma certeza, mas bate com as informações que você teve com a regressão e com a personalidade de Madara. Eu acho que meus pais estavam preocupados porque tio Fugaku foi atrás de você e deixou todo mundo apavorado.
Essa informação pegou Itachi totalmente de surpresa, e ele sentiu seu coração apertar com essa nova perspectiva. Será que Fugaku realmente foi atrás dele e o queria de volta? Será que Naruto não estava exagerando?
— Por que pensa isso? — ele falou com a voz fraca, tentando controlar suas emoções na frente do Uzumaki. Não queria dar mais motivos para chacotas futuras.
— Pense comigo: meus tios tiveram o segundo filho esperando que o Teme preenchesse o buraco que a sua ausência causou. Não é como se eles não o desejassem, o problema é que Sasuke nasceu com muitas expectativas em cima dele, porque ele seria a solução para o problema emocional de tia Mikoto. E ao ver que não teria jeito de ter felicidade sem o primogênito naquela família, tio Fugaku contou a verdade pra tia Mikoto e decidiu ir atrás de você. Isso são apenas suposições, preenchimentos de lacunas do que eu sei com o que você sabe, mas eu acho que faz sentido.
E fazia sentido, o moreno não podia negar. Tentou digerir aquela nova informação, pois nunca passou pela sua cabeça que seus pais biológicos pudessem ter decidido procurá-lo em algum ponto da vida. E ele não sabia se isso era algo bom ou ruim, porque certamente o fazia se sentir mais culpado ainda por tê-los assassinado...
Maldita missão.
Talvez por curiosidade, ou talvez pra fugir do assunto que o deixava inquieto, Itachi resolveu mudar o rumo da conversa:
— É mais ou menos isso que aconteceu com você e Karin?
Inicialmente o loiro se sentiu surpreso com a pergunta, mas logo a respondeu com um aceno negativo de cabeça.
— Itachi... Eu nem sei se meus pais souberam da existência de Karin, apesar de eu achar que no final da vida deles, eles descobriram.
Itachi ficou evidentemente surpreso com aquela resposta, e precisou de alguns segundos para assimilá-la antes de indagar com veemência:
— Como assim? Como eles não saberiam? Karin é filha deles não é? Você mesmo me disse.
— Sim ela é, mas... Olha Itachi, meus pais não são do tipo que agüentariam a perda de um filho calmamente, minha mãe era bastante esquentadinha e causaria o apocalipse na Terra se isso acontecesse. — Naruto falava com um sorriso nos lábios, parecendo feliz em recordar-se um pouco do jeito da mãe — Se ela tivesse engravidado alguma outra vez e o bebê supostamente nascesse morto ou qualquer coisa assim, ela teria ficado pior que a tia Mikoto; e se eles tivessem um filho seqüestrado, minha mãe teria atravessado o mundo atrás da Karin.
— Mas como...?
— Existem outras maneiras de se ter filhos, não apenas da maneira natural você nasceu.
Naruto corou um pouco e esfregou as mãos, se sentindo desconfortável em mencionar esse assunto, mas sabendo que para Itachi compreender a diferença entre as duas situações, deveria receber essa explicação.
— Olha... o Teme sempre pensou que nossas mães combinaram a época do nosso nascimento para passarem a gravidez juntas, porque nos nascemos com pouco tempo de diferença e elas eram bastante próximas. — explicou, com o olhar baixo, um pouco envergonhado — Mas depois certa idade eu descobri que minha mãe queria muito um filho, mas tinha dificuldade de engravidar, e ela e meu pai tentaram muitos tratamentos. É por isso que eu demorei tantos anos depois do casamento pra nascer, e é apenas uma coincidência a tia Mikoto ter engravidado ao mesmo tempo. Eu sou bebê de proveta Itachi.
Ok, pelo olhar dele, não significou nada eu ter explicado isso. Maldito Madara que não ensina nada no QG! —Naruto pensou, massageando as têmporas pela segunda vez aquele dia; Itachi estava com expressão facial de alguém perdido, era tão engraçado que em outras circunstâncias Naruto não deixaria esse momento passar sem uma piadinha, mas agora essa reação só lhe dava dor de cabeça.
— O...?
— Eu não vou dar detalhes sobre isso agora porque não é o ponto, mas funciona mais ou menos assim: Minha mãe não conseguia engravidar fazendo sexo com meu pai, então eles doaram óvulos e espermatozóides pra um laboratório especializado, e depois de algumas tentativas os cientistas conseguiram fazer um embrião saudável e implantaram no útero da minha mãe e... tcham, o mundo conheceu Naruto Uzumaki e se tornou um lugar melhor.
Itachi girou os olhos, impaciente.
— Eu entendi agora, eu só não conhecia o termo. Madara me disse que alguns membros da equipe de apoio também foram feitos assim pelo Orochimaru.
Foi a vez de Naruto ficar surpreso com a nova informação.
— Sério? Isso bate ainda mais com a minha teoria então!
— Continue sua explicação.
— Bom... — ele tentou diminuir sua empolgação e recobrar o foco. — Eu nunca contei isso pro Teme, porque quando ele foi morar conosco a gente brigou muito, eu o chamava de "bastardo" porque ele não era filho de sangue dos meus pais e eu não queria dar munição pra ele usar contra mim, e o Sasuke era malvadinho o suficiente pra me importunar por eu ser filho de gravidez in vitro. Até mesmo pro Kakashi, eu só contei quando nós descobrimos a Karin.
— Eu ainda não entendi a relação da Karin com isso tudo.
Itachi cruzou os braços, demonstrando que queria que Naruto chegasse logo ao ponto daquela conversa e estava perdendo a paciência. Preocupado em Itachi ativar novamente o seu lado "Uchiha emo", Naruto parou de dar voltas sobre o assunto.
— A questão é que meus pais doaram muito material até fazer o zigoto vingar e implantarem na minha mãe para eu nascer... E você sabe que algo que o Madara e Orochimaru têm em comum, além de serem cientistas malucos, é a facilidade em convencer e corromper todo mundo; eles nunca tiraram os olhos de Fugaku e Mikoto, consequentemente de meus pais, porque eles sabiam da sua história Itachi. Então eles sabiam que meus pais estavam tentando engravidar, e eu não acho que tenha sido muito difícil para o Orochimaru conseguir uma dessas varias amostras dos meus pais e contratar uma barriga de aluguel.
Novamente Itachi pareceu completamente perdido.
— Barriga de...?!
— Ai juro por Deus que eu devia ter trazido o Ero Sennin pra explicar essas coisas pra você! — Naruto exclamou em frustração. Poxa, era muito estranho ter que conversar esse tipo de coisa com um homem crescido como Itachi. — É... uhn... É tipo o bebê de proveta, mas o zigoto é implantado numa segunda mulher, que só tem a gestação. O filho é dos doadores, não dela.
Itachi compreendeu mais rápido do que Naruto antevia, o que era um bom sinal, e resolveu tentar contribuir naquela história.
— No caso, vocês suspeitam que a Karin seja filha dos seus pais, mas numa gestação de barriga de aluguel, o que não seria impossível de se fazer porque seus pais doaram óvulos e espermatozóides em grande quantidade na época do tratamento. Orochimaru já conseguiu informações e medicações muito mais complexas no meio médico, ele certamente tinha meios de conseguir isso por debaixo do pano. — Itachi se calou aguardando o aval de Naruto, que acenou afirmativamente com a cabeça — Mas a troco de quê?
— Chantagem. — Naruto respondeu, dando de ombros — Se lembra que nas cartas eles afirmaram que Orochimaru chegou pedindo amostras do DNA do Sasuke em troca de informações sobre quem ameaçava meus pais?
— Sim, lembro.
— Eu acho que é mentira, mentira do meu pai na carta, e ele me deu os elementos pra descobrir isso também Itachi, porque ele me disse que eu era bebê de proveta na mesma época que escreveu aquela carta. Certeza que Orochimaru queria trocar essas amostras pela Karin. Minha mãe enlouqueceu depois daquela visita Itachi... Enlouqueceu. Orochimaru falou algo a mais pra minha mãe ficar daquele jeito, algo que eles não revelaram nas cartas. E eu acho que ele falou de Karin.
Às vezes Itachi realmente se perguntava como Naruto era capaz de ser tão besta no seu dia-a-dia, e ter essas análises inteligentes sobre os problemas postos de tempos em tempos. Claro, Naruto não era Shikamaru, mas ele não era burro como aparentava ser a primeira vista... Itachi sentiu um pouco de orgulho do mais novo, apesar de não entender porque sentia aquilo.
Todavia, nem tudo encaixava perfeitamente ainda:
— Então por que eles não escreveram sobre Karin na carta?
— Pra se as cartas caírem em mãos erradas, Madara não descobrir a existência de Karin. Eles tentaram protegê-la.
Faz sentido, porque se Madara descobrisse ele ia aproveitar a Karin pra usar contra Naruto com toda certeza. — Itachi refletiu, vendo mais um novo elo de informação se fechar. A história do Uzumaki fazia sentido, e poderia ser verdadeira; era um bom chute.
— Sério, sua família tem um jeito bem estranho de se comunicar. Depois eu que sou o bizarro, né?
— Oh, cale a boca. — Naruto sorriu apesar das palavras: se Itachi estava falando esse tipo de coisa, por óbvio seu humor estava melhor, e essa era uma ótima notícia.
Mas ainda havia uma série de questões que exigiam respostas na cabeça de Itachi.
— E porque eles não trocaram o DNA de Sasuke pela Karin? Não era filha deles?
— Ai é que tá Itachi, ai é que tá um detalhe muito importante que você tem que entender e que o idiota do Teme precisa compreender também: sangue não é tudo nessa vida. — Naruto falou, com os olhos brilhando com uma sapiência que deixou Itachi surpreso — Kakashi ama Sasuke como se fosse filho dele, e Sasuke não é filho biológico do Kakashi. Meus pais viram Sasuke nascer, cuidaram dele como filho sempre que os tios estavam em crise, eles o consideravam filho deles também, assim como eu o considero meu irmão. É lógico que a minha mãe queria a Karin, mas ela jamais iria colocar o Teme em risco, porque ela o amava como se fosse seu filho. Se ela tivesse que escolher, ela escolheria o Sasuke. E foi o que ela fez, apesar de ter sofrido o tanto que sofreu até o fim. E meu pai, da maneira dele, também sofreu muito.
Itachi abaixou o olhar, refletindo sobre o assunto. Isso explicava um pouco porque Kakashi e Naruto não censuravam mais a paixão incestuosa que ele possuía por Sasuke. Afinal, os dois consideravam que laços afetivos criados com a convivência valiam mais que o sangue, o que de certa forma era verdade. Itachi não considerava Sasuke seu irmão, e sim seu amante...
— Você já falou sobre isso com a Karin? — decidiu perguntar, porque ele não sabia se Karin tinha a mesma facilidade pra diferenciar essas coisas que Kakashi e Naruto.
— Não. Só conversei sobre isso com o Ero Sennin e Kakashi. Nos três chegamos juntos a essa conclusão. — Naruto explicou, pedindo segredo com o olhar — Eu não vou contar por enquanto, porque a Karin, como você, não vê tanta diferença entre o sangue e a criação. Ela não iria entender, iria se sentir rejeitada. É capaz até de ela ficar raiva, e não é o que a gente quer agora... Se tudo der certo, se superarmos essa confusão, eu prometo contar isso pra ela no final. Até porque nossa suposição é apenas uma suposição, pode estar errada.
Itachi ficou em silêncio por um tempo, até retomar o foco da conversa que foi perdido por causa de Karin. Esse elo estava fechado, e ele ainda precisava entender algumas coisas sobre a sua família de sangue.
— Você disse que Fugaku pode ter ido atrás de mim... e aí?
— Bom, Fugaku deu umas sumidas enquanto eu e o bastardo tínhamos uns quatro anos. Eu lembro vagamente daquela época, mas lembro que Sasuke estava muito chorão e vivia lá em casa, tia Mikoto ficava a tarde toda com a minha mãe na sala, conversando, enquanto meu pai brincava com a gente pro Sasuke parar de chorar. Foi nessa época que o Sasuke começou a sentir a ligação pelo meu pai... Eu não sei se você sabe, mas ele gostava muito do meu pai.
Itachi não sabia, e disse isso para Naruto. Para ele, era estranho pensar em Sasuke declarando abertamente gostar de alguém, mas a verdade era que ele não sabia como a personalidade do seu amado era antes de toda essa tragédia. E, neste momento, ele se sentiu particularmente mal por não ter sido criado ao lado de seu irmão, sabendo que se estivesse lá todos esses problemas na família não teriam acontecido.
Naruto percebeu que Itachi ficava melancólico novamente e continuou a falar, tentando evitar essa regressão:
— De acordo com Kakashi, Sasuke se sentiu rejeitado pelo próprio pai e procurou outra figura paterna, e a encontrou em meu pai, mas isso não é importante agora. — Não é importante Itachi, pare de ficar deprê! — Então, Fugaku sumiu pra ir atrás de você, e é lógico que se fodeu. Madara já tinha poder naquela época, algumas cobaias já deviam ser bem mais velhas, você devia estar começando suas missões externas. Eu acho que ele só não acabou com tia Mikoto e tio Fugaku antes porque queria brincar um pouco com eles, deixá-los apavorados...
Típico de Madara-nii. – Itachi pensou, vendo como Naruto já tinha conhecimento o suficiente a respeito da personalidade do seu irmão para preencher lacunas como aquela.
Isso era bom, pois saber como a cabeça do Uchiha mais velho funciona nunca é algo inútil. Itachi não queria que o loiro e Madara se encontrassem, mas se isso acontecesse algum dia, Naruto já estava alertado quanto à personalidade difícil do seu inimigo.
— Eles pensaram em fugir, Madara deve ter deixado os dois doentes de preocupação, principalmente por causa de Sasuke. — Naruto continuou sua explicação, pausadamente — Talvez Madara também quisesse esperar o tempo pra você ter idade o suficiente pra fazer o trabalho, só por maldade.
— Mikoto me chamou pelo nome, no dia em que eu fui atrás deles. — Itachi falou com a voz seca — Ela me reconheceu.
— Essa foi a única vez que ela te viu Itachi... Vocês são muito parecidos, ela soube se identificar em você.
Itachi abaixou o olhar, lacrimejando de leve e se irritando por toda aquela sensibilidade. Diabos, qual era o problema que ele tinha? Ele nunca foi de chorar desse jeito! Ele nunca foi de chorar em qualquer situação, e desde que ele começou a viver naquele hospital isso vem acontecendo com certa frequência e...
— Às vezes eu acho que antes, quando eu não sabia de nada, era tudo muito mais fácil. — Itachi murmurou para ninguém em particular, piscando com força as lágrimas para impedi-las de se formarem.
Naruto virou-se para Itachi, percebendo a luta interna que ele travava. Um pouco sem jeito, e repensando mil vezes esse movimento, ele decidiu alcançar uma das mãos do Uchiha, e se sentiu aliviado quando o mais velho não fugiu de seu toque. Tinha medo que a sua tentativa de conforto fosse mal interpretada, mas pelo jeito Itachi estava começando a aprender a diferenciar as relações interpessoais.
— Eu poderia dizer que sinto muito, que entendo a sua dor, que deve ser difícil ter vivenciado de novo tudo que o Izuna viveu, reencontrado com Sasuke naquelas condições, pensado nos seus pais depois de tanto tempo... Mas eu não vou dizer isso, porque eu não acho que você tenha que se sentir miserável por ter passado por isso.
Itachi respirou fundo e conseguiu acalmar seu fôlego, abrindo os olhos, agora quase sem lágrimas, e olhando para Naruto com curiosidade: ele falava algo diferente do que todos os outros haviam dito, e por isso conquistara a sua atenção.
— Você tem que se sentir feliz por ter conseguido sair da dominação de Madara. — Naruto explicou, exibindo um sorriso reconfortante para Itachi, aquele sorriso que iluminava o ambiente todo e apenas o Uzumaki era capaz de dar.
Ainda sim, apenas um sorriso não faria milagres naquela noite.
— Inicialmente eu me sentia assim, eu cheguei a conversar com Sasuke sobre isso, mas...
— Itachi, quando você rompe uma dominação de qualquer natureza, nem tudo é legal, nem tudo é perfeito. A vida não é perfeita, a sua vida certamente não é perfeita, nem a minha, nem a de Kakashi, muito menos a de Sasuke. — o Uzumaki falou com veemência, acreditando firmemente em cada palavra que dizia — Eu e Sasuke já tivemos momentos bem depressivos na nossa vida; o Sasuke já foi um drogadinho reclamão filhinho de papai e eu já fui um idiota cachaceiro quase tão idiota quanto ele, e nem faz tanto tempo assim. Todo mundo tem suas fases negras.
— Mas você parece tão feliz...
— Eu sou feliz! — o Uzumaki respondeu, abrindo um sorriso — E eu não sou feliz apenas porque consegui que o Kakashi retribuísse a paixão que eu sinto por ele, e essa é a única coisa boa que vem acontecendo comigo atualmente né... Mas eu sou feliz porque eu percebi que mesmo quando só parece que a vida é de toda ruim, sempre acontece uma coisa boa. Eu percebi que ser feliz é uma questão de como encarar os problemas e a vida; eu sei que eu e Sasuke temos uma história de vida um pouco complicada e que gente com bem menos problema do que a gente acaba desistindo de viver, mas eu percebi que isso nada mais é do que um desafio, e que tudo se resolve cedo ou tarde. Ser uma pessoa feliz não significa só ter momentos felizes em sua vida, isso é impossível.
Naruto falava algo que para muitos parecia ser óbvio, mas que para Itachi era uma informação completamente nova. Ele imaginava que as pessoas felizes eram felizes a todo o momento, nunca pensou que eles tivessem problemas ou momentos de infelicidade, e que na verdade a felicidade era uma questão de como encarar as nuances da vida.
Itachi não entendia muito sobre a vida, mas ele compreendia um pouco sobre essa coisa de "ser feliz mesmo com problemas". Porque era assim que ele se sentia ao lado de Sasuke, e é assim que ele se sente, de tempos em tempos, com os seus amigos do hospital.
Ainda sim, o Uchiha queria testar o vigor do discurso do Uzumaki, e por isso indagou:
— Seus pais não vão voltar à vida Naruto, como pode ser feliz sabendo disso?
— Eu nem gostaria, porque eu ia apanhar de cinta da minha mãe se ela voltasse à vida e visse o chorão idiota que eu era até o ano passado. — ele respondeu, dando uma risada e arrancando um sorriso leve de Itachi — Existem coisas que não voltam mesmo, foram etapas da vida, mas a memória fica pra sempre. Não adianta se fechar Itachi, porque é isso que o Madara fez vocês acreditarem: ele ensinou pra vocês que o amor dói, e geralmente dói mesmo. Nem sempre você é retribuído, ou pode viver o amor que sente, ou um monte de outros problemas que podem acontecer. Mas se fechar pro amor, para a vida, é o mesmo que não viver... Você realmente acha que seria melhor voltar a ser o robozinho do Madara só porque você está sofrendo agora? Você não acha que os bons momentos que teve com Sasuke, conosco, com o... como você chama? "Mundo exterior", né? Enfim, os bons momentos no mundo exterior não valeram a pena mesmo com todo esse sofrimento?
Itachi olhou para frente, deixando com que as palavras de Naruto fossem assimiladas pela sua mente. Aos poucos ele parecia compreender, parecia retomar ao pensamento de antes, já que antigamente ele também pensava assim, que valia a pena. O problema é que Itachi não sabia como lidar com um machucado emocional desse calibre e se deixou cair no fundo do poço, mas Naruto parecia enfiar o bom senso de volta com as suas palavras.
E, de repente, o quarto até pareceu menos frio do que antes... Ou a vida pareceu menos fria, vai saber.
— Você parece melhor. — o Uzumaki comentou, soltando a mão de Itachi e se colocando de pé em sua frente — Vamos pra salinha de reunião falar com os outros? Eu trouxe informações boas e eles estão discutindo estratégias.
— Vamos, mas eu quero dizer uma coisa pra você antes Naruto, uma coisa que eu acho que você não entendeu com toda essa história.
O loiro endireitou sua postura e Itachi se colocou de pé a sua frente, nem parecendo que estava com as pernas em recuperação. Estranhamente, o Uchiha parecia um pouco mais com sua versão anterior àquela tragédia: mais forte, mais centrado, mas muito mais determinado. Seus olhos ascenderam o vermelho rubro novamente, e Naruto sorriu de canto de boca.
Isso sim é um bom sinal!
— Eu quero, muito mais do que antes, salvar o Sasuke. — Itachi se pronunciou, fechando os punhos ao lado do seu corpo.
Naruto, todavia, pareceu confuso com aquela declaração.
— Não entendi a ligação...
E, dessa vez, Itachi não teve dificuldade de explicar seus sentimentos:
— Em memória aos meus pais, que eram pessoas incríveis que tiveram a infelicidade de cruzar o caminho do Madara, mas tentaram de tudo pra salvar seus dois filhos; em memória aos seus pais, que também eram pessoas incríveis que se arriscaram pra proteger o Sasuke; por você, por Kakashi, por tantas outras pessoas... Eu quero salvar o Sasuke. Não apenas por mim, porque antes eu queria salvá-lo somente por minha causa, pelo meu sentimento de amor, mas agora eu sinto como se eu estivesse desejando lutar por mais pessoas. Até mesmo por Izuna.
— Izuna? — Naruto inclinou a cabeça para direito, surpreso por Itachi tocar no nome de Izuna (algo que não fazia com frequência) ainda mais numa conversa como aquela.
— Izuna gostava de Mikoto, de Fugaku, gostava até de mim, mesmo antes de eu nascer. Izuna jamais iria querer que Madara tivesse feito tudo isso que fez, e ele certamente gostaria que eu consertasse as coisas.
Naruto deixou o queixo cair, não acreditando no que acabava de ouvir.
— I-Itachi, você nunca fala de Izuna desse jeito.
— Porque eu também não o entendia até agora. Eu sabia que o Izuna amava o Madara, mas nada além disso. Eu...
— Não Itachi, não me refiro a isso. — o Uzumaki o interrompeu, com o cérebro pensando a mil por hora — Você esta tratando Izuna como alguém alheio a você. Você entende o que isso significa?
— Não...?
— Isso significa que você se diferenciou Itachi. Mesmo com toda essa carga emocional que foi despejada em você, você agora consegue diferenciar o Izuna de você. Você... você... — Naruto estava bastante empolgado, e precisou respirar fundo para conseguir falar algo coerente — Ok, vamos pra prova real: você consegue afirmar agora que ama Madara?
Um longo período de quietude se estendeu, mas Naruto deu tempo ao tempo. Provavelmente Itachi ainda não tinha pensado a respeito disso desde que acordara daquele pesadelo, mas logo ele iria afirmar que não amava Madara e...
— Eu amo Madara, Naruto. — ele respondeu com a voz firme, não aparentando ter dúvidas de sua afirmação.
— Puta que pariu! Seu demônio idiota! — Naruto estava a um passo de brigar com Itachi (só pra variar, estava demorando), quando ele o interrompeu, tapando sua boca.
— Mas agora eu diferencio algumas coisas: eu sei que quem amava Madara como irmão e namorado era Izuna, não eu. Eu amo Madara de um jeito diferente.
Isso fez Naruto parecer um pouco menos enfezado, abaixando a mão de Itachi de sua boca e cruzando os braços com impaciência. Deu-lhe um sinal com a cabeça para que se explicasse, sem desfazer as feições irritadas e o olhar julgador.
— Madara me criou desde pequeno. — Itachi começou a se explicar, olhando fundo nos olhos azuis e tentando manter seu ponto claro — Madara me ensinou a falar, a andar, a ser independente, a ler, a lutar... Madara foi toda a minha família, nunca houve diferenciação pra mim de outras figuras familiares, como pai, mãe, irmão, irmã. Ele foi tudo isso pra mim, e ao mesmo tempo, mesmo que não tenha sido o melhor do mundo, foi a única figura familiar que eu tive. E por mais que eu saiba que ele fez muita coisa errada e que eu queira que ele pague pelos erros dele, eu não vou deixar de amá-lo. Não romanticamente, como eu amo Sasuke, mas de um jeito semelhante à maneira como você ama os seus pais, Naruto. Ou melhor, como Sasuke ama você e Kakashi: vocês são a família dele, mesmo sem o laço de sangue. Madara é a minha família por conta da criação.
Naruto compreendeu o ponto do Uchiha, mas ainda sim mordeu o lábio de apreensão. Claro, essa coisa de "convivência cria laços" era algo real, mas Madara era alguém mau! Alguém que queria só coisas ruins para todos eles. Ainda sim, ele finalmente se deu conta de que entendia Itachi, porque, como Sai havia dito, Sasuke também não estava batendo muito bem das ideias. E nem por isso deixaria de ser seu irmão... Nem se Sasuke fizesse algo muito ruim, muito ruim mesmo, ele deixaria de amá-lo. Iria querer a redenção de Sasuke, iria querer que ele pagasse pelos seus erros e virasse uma pessoa melhor, mas não ia deixar de amá-lo.
Então quem era ele pra criticar o amor de Itachi por Madara?
— Eu só espero que isso não prejudique sua investida no QG, quando formos pra lá. — ele falou com sinceridade.
Itachi engoliu em seco antes de responder com firmeza:
— Naruto, eu amo o Madara, mas isso não significa que eu concordo com suas atitudes. Eu quero que ele caia, quero que a gente o capture, quero libertar Sasuke e acabar com o QG.
Então ele pensa como eu.– o mais novo constatou, vendo que ele realmente entendia os sentimentos de Itachi agora. Isso era bom, muito bom, mas havia um grande porém aí...
— Mas e se for preciso matá-lo Itachi? — questionou, fingindo não perceber a maneira como o olhar do Uchiha se arregalou com essa pergunta — Você sabe que essa é uma opção que pode surgir. Se você tiver que matar o Madara para salvar o Sasuke? Se você tiver que escolher entre um, ou o outro?
Itachi não respondeu. Ele não conseguia responder. Ele não sabia o que responder. Naruto entendia o que se passava na cabeça dele, porque seria o mesmo que perguntarem pra ele "E se você tiver que salvar Kakashi ou Minato? Tiver que escolher um, enquanto o outro irá perecer?".
Naruto nem pretendia receber uma resposta naquele momento, ele só fez a pergunta para fazer Itachi refletir. Entretanto, quando dava de costas para se virar e sair do quarto em direção à reunião, Itachi resolveu responder.
— Você não entendeu quando eu disse que o que mais quero é salvar o Sasuke? — o Uzumaki se virou, encarando os olhos ainda mais rubros de Itachi — Eu vou salvar o Sasuke e vou fazer tudo para conseguir isso!
E essa resposta foi mais do que o bastante para Naruto compreender que Itachi não iria vacilar. Ele só esperava que essa determinação continuasse se chegasse, de fato, a ter uma situação de escolha como essa.
Algo que, sinceramente, ele não queria que acontecesse...
(***)
Ela sabia que estava jogando um jogo complicado, que poderia ter consequências nefastas se não fosse muito bem sucedido. Ela sabia que havia riscos, e que a chance de dar tudo certo era ínfima. Ela sabia todas essas regras quando se comprometeu a trair Madara para se redimir com Itachi e conhecer o sentimento de amor (que, na inocência, ela achava ser uma mera curiosidade exploratória).
Ela só não sabia que seria Sasuke quem a iria trair colocaria tudo a perder.
Konan e Pain estavam amarrados por cordas normais, nem de longe tão reforçadas como as cordas que geralmente seriam usadas para amarrar um Akatsuki, já que estavam bastante fracos pelos meses de proteína incompleta em seu sangue. Sasuke estava de pé, segurando firme em sua ninja-tō e olhando para os dois com a cabeça erguida em um ar de superioridade que deixava Konan mais nauseada do que nas circunstâncias normais.
Foi tudo muito rápido, ela nem conseguiu lutar contra Sasuke, Pain foi nocauteado minutos depois; e agora ambos eram seus prisioneiros.
Durante sua briga (lamentável) com Sasuke, Konan se deu conta que mesmo se ela e Pain estivessem com a saúde perfeita o Uchiha não ofereceria um combate fácil, e haveria chances de mesmo os dois saudáveis e juntos perderem num confronto contra o mais novo. Não por falta de força ou técnica, mas por um detalhe que ela não tinha se dado conta até agora:
Madara fez Pain e Konan treinarem Sasuke. Madara não lutava contra Sasuke, porque ele sabia que Sasuke aprenderia os pontos fracos de seus adversários, mesmo em um treino. Pain e Konan não eram encarregados de treinar Sasuke por serem os mais fortes da Akatsuki, e sim porque Madara desconfiava dos dois e queria que o número três aprendesse seus pontos fracos na prática.
Madara fazia absolutamente tudode caso pensado. Ela era uma tola de achar, mesmo que por um breve momento, o contrário.
Ela só não entendia como Sasuke, que há poucos dias parecia completamente perdido em seus desejos e sofredor pelo amor por Itachi, conseguia olhá-los daquele jeito tão superior como agora. Sasuke estava do lado de Madara, mas antes não parecia estar.
Konan não podia acreditar que ele estava interpretando todo esse tempo, era impossível pra ela acreditar nisso. Porque ela nunca errou no seu julgamento de microexpressoes faciais, nunca! Como ela havia errado agora? Não tinha a mínima possibilidade! Mas não havia outra explicação. Infelizmente não tinha outra: Ela estava errada. Sasuke estava enganando-a todo esse tempo, ele era um aliado de Madara e jogou com ela e Pain.
Esseera o verdadeiro Sasuke Uchiha...
— Você não sabe quantas vezes eu quis ver você desse jeito, número um. — Sasuke falou com a voz divertida, observando Pain, que tentava a todo custo não encará-lo, olhando para baixo. O Uchiha não se deu por satisfeito e resolveu forçar Pain a observá-lo, enfiando a ninja-tō abaixo de seu queixo e forçando-o para cima; ele sorriu, satisfeito e egocêntrico com a visão dos olhos avermelhados e irritados de Pain — Visão perfeita.
— Você se acha tão superior Uchiha, mas você vai cair em breve também. Madara está só te usando! — Konan gritou com toda sua fúria interior, sentindo as lágrimas de raiva se formarem em seus olhos e o corpo tremer cada vez mais e mais pelas ondas de emoções difíceis de compreender.
Sua fúria atraiu a atenção de Sasuke para si, e ele retirou a espada do queixo de Pain. Este, por sua vez, virou o rosto para encará-la com uma suplica de "por favor não fale besteiras, ele pode nos matar!". Mas ela estava se sentindo traída demais para se importar com isso agora.
Inexplicavelmente, era Konan quem estava a um passo de entrar em frenesi, e não Pain.
— Como você ousa erguer a voz pra mim numa situação deplorável como essa, número dois? — Sasuke sibilou, ascendendo os olhos violetas e se ajoelhando na frente da prisioneira, aparentando um falso ultraje, já que na verdade estava se divertindo muito com aquilo.
— Como você ousa me trair! — ela sibilou entre os dentes cerrados, afinal, ela era a verdadeira ultrajada naquela história — Eu era sua amiga!
Sasuke se colocou de pé em um pulo naquele momento, gargalhando de um modo frenético e achando tudo muito divertido. Riu tanto que sentia sua barriga doer, e quando conseguiu se controlar para abrir os olhos novamente, ainda exibia o olhar arroxeado e um ar de superioridade ainda maior.
Pain fez um ruído no fundo de sua garganta muito semelhante a um rosnado; Sasuke soube que ele também estava próximo ao frenesi por causa de seu comportamento, e resolveu pressioná-los ainda mais.
— Vocês são muito divertidos e tudo mais, então vou dizer umas coisinhas pra vocês aprenderem e, quem sabe, usarem na próxima vida: É muito fácil enganar quem nunca sentiu nada. — ele falou despreocupadamente, gesticulando e olhando para cima, um comportamento que beirava a petulância — Foi muito fácil te enganar Konan, Pain foi um pouco mais difícil, mas eventualmente cedeu e confiou em mim. Vocês da Akatsuki são todos patéticos, trogloditas que nem sabem se comportar em sociedade, que acham que são os grandes enganadores, mas podem muito bem ser trapaceados com facilidade. Eu não sei como nenhum de vocês foi enganado por alguém antes.
— Vai ver só é fácil pra você porque você não ter um coração Uchiha! Não é sempre que a gente cruza com psicopatas por ai!
Sasuke só poderia ser um psicopata, afinal, não há outra maneira de enganar um usuário de microexpressões faciais a não ser que você não sinta as emoções.
— Agora eu sou "o psicopata"? — ele gargalhou mais uma vez, e dessa vez se afastou das cobaias — Ah, faz me rir "experimento científico"! O que você sabe sobre as pessoas pra dizer o que eu sou ou deixo de ser? Eu sou um sobrevivente! E eu vou ter a minha vingança! Enquanto vocês... bom...
Ele parou de falar novamente para deixar um risinho escapar de seus lábios, caminhando até a porta do quarto e abrindo-a, atravessando-a e virando para os dois Akatsukis imobilizados para uma palavrinha final.
— Vocês vão ficar aqui, lutando contra o frenesi enquanto eu vou buscar o Madara. E sabe por que vocês não vão se render? Porque se vocês se renderem, vocês vão se matar... E vocês se amam demaaaais pra submeterem o outro a esse risco, não é?
Mais uma vez Sasuke riu de maneira gélida e Pain estreitou o olhar, sentindo-se cada vez mais irritado com todo aquele show de babaquice do pivete.
— Nem um Akatsuki chuta uma vítima antes da morte do jeito que você está fazendo... — ele rosnou baixinho, mordendo os lábios em seguida expirando de forma ruidosamente; a cada segundo parecia mais difícil se controlar, pois tudo que ele queria era se render ao frenesi e arrancar a garganta de Sasuke com os dentes.
— Pois deveriam. É revigorante! — o Uchiha respondeu, alcançando a chave da porta e enfiando-a para o lado de fora — Garanto que esse é o segredo pro Madara parecer tão mais jovem do que realmente é. Vocês deveriam imitar o sucesso de seu mestre, sabia?
— Você é desprezível! — Pain gritou, a um passo de perder o controle; Konan estremeceu de leve, se encolhendo no chão, com medo do pior.
Sasuke achou que aquele era o momento certo para comentar sobre isso.
— Nananinanão número um, controle-se! Porque se você aceitar o frenesi, não vai ser só a vida de Konan que você vai tirar... — ele disse, olhando para as feições perdidas de Pain e Konan com admiração e quase fechando a porta, abrindo uma fresta só pra falar uma última coisa antes de sair — Ah, e antes que eu me esqueça: parabéns pelo bebê!
Dito isso, Sasuke fechou a porta, trancou com duas voltas da chave, e logo suas passadas rápidas foram os únicos sons que se ouvia no quarto dos dois maiores membros na hierarquia Akatsuki. Konan e Pain, atônitos e sem fôlego, estavam completamente extasiados, surpresos e arrasados, encarando um ao outro na escuridão da câmara sem saber o que dizer depois de receberem aquela notícia que tornou tudo dez mil vezes mais difícil.
Perder Pain, para Konan, já era sinônimo do inferno. Perder um filho... Bem, ela simplesmente achava que não existia analogias a altura pra definir o tamanho da dor que iria sentir. E ela sabia, pelo olhar desesperado de Pain, que ele sentia a mesma coisa que ela.
Isso só pode ser mentira do Uchihia... Mas se não for, o que nós vamos fazer!?
(***)
Itachi e Naruto foram para a reunião improvisada, e para a surpresa dos dois todos os interessados conseguiram comparecer, inclusive Temari e Miya (que foi automaticamente para o colo de Itachi, para o espanto de Naruto). Karin, Jiraiya, Tsunade, Kakashi e Shikamaru estavam presentes, olhando o papel que Sai havia entregado para Naruto e o celular antigo com certa curiosidade.
— Nós temos coordenadas aqui. — Shikamaru declarou, apontando para o canto da folha. Correu para pegar o seu notebook e abrir o programa de rotas, sentando-se na mesa e escrevendo as coordenadas inseridas para verificar onde era — Bingo, é uma das ilhas que a gente suspeitava. Sai passou pra você a localização do QG Naruto.
O Uzumaki ficou feliz pela informação de Sai ser quente, apesar de já terem descoberto (parcialmente) a localização do QG em sua ausência.
— A gente ia chegar lá de qualquer jeito. — Itachi respondeu num tom de voz suave, enquanto Miya agarrava uma mecha de seu cabelo e Karin apreciava toda a movimentação da pequena com adoração — Mas isso facilitou muito, porque assim sabemos que eles não passaram informações frias pra gente.
— E o que mais tem aí? — Tsunade perguntou, gesticulando para o papel.
Shikamaru voltou a analisar a folha, apertando o olho para pegar todas as informações escritas na letra pequeníssima de Sai.
— Um mapa da ilha, mas não de dentro do QG, os pontos da selva e da praia que têm câmeras... Basicamente temos informações o suficiente pra chegarmos lá sem sermos notados, ao menos até nos aproximarmos às muralhas do QG. Isso é muito útil, porque Itachi não conhece a ilha.
— E então? Vocês vão aceitar a proposta do Sai? — Karin questionou, evidentemente interessada nessa mudança de perspectiva.
Todos olharam para o celular novamente e em seguida para Naruto, que ergueu as mãos na frente do corpo em maneira defensiva.
— Eu trouxe a informação pra vocês, mas é vocês que escolhem.
Kakashi balançou a cabeça negativamente, não acreditando que agora o Naruto tinha entrado na defensiva depois de tanto chilique.
— Naruto você quase chorou pra gente aceitar por causa do Gaara. — o grisalho falou, arrancando uma risadinha de Jiraiya.
— Típico do pirralho...
— Quieto Ero Sennin! — o Uzumaki censurou o médico, um pouco enfezado — É que o julgamento não tá sendo muito bom sabe. O júri foi suspenso porque faltou uma testemunha chave e sei lá o que, não entendo dessas coisas, mas o Gaara está bem mal na fita e o Sai prometeu que iam tirar ele de lá se a gente aceitar e...
— Eu também quero que o meu irmão seja liberado. Eu voto em aceitarmos a parceira — Temari falou enfaticamente, e Shikamaru a censurou com o olhar.
— Não pode só pensar nos seus desejos egoístas Temari, temos que refletir se essa parceira não vai ser uma furada. Naruto, — o loiro voltou sua atenção para o moreno, olhando-o nos olhos — você tem certeza que ele não disse maiores detalhes? Ele não disse o que iria nos oferecer?
Antes de responder, ele pensou em cada pedaço da conversa com Sai, apesar de já tê-la repetido mais de três vezes aquela noite.
— Ele deixou implícito que ofereceria homens treinados pra esse tipo de coisa, mas que eu e Kakashi teríamos que ir. E só.
Itachi, que estava em silêncio até o presente momento, resolveu se pronunciar para deixar um ponto importante bem claro:
— Eu vou também.
Todos concordaram com um aceno de cabeça, menos Tsunade, que ficou bastante enfezada com aquela declaração.
— Você quer destruir de vez as suas pernas Uchiha? Você ao vai ser nada útil naquele lugar, se for do jeito que vocês falam, na condição de saúde que se encontra!
Naruto automaticamente pediu ajuda para Jiraiya com o olhar, pois só ele conseguia abaixar um pouco o ar autoritário da loira numa situação como aquela. E uma briguinha de Tsunade com todo mundo não era algo pertinente para o momento.
— Tsunade, minha princesa, nada que você falar pro Itachi vai fazê-lo mudar de ideia. Ele tá com os olhos de Drácula ali. Ele está determinado, ele é um Uchiha hormonal chatolino, é claro que vai fazer o que ele quer fazer. — Jiraiya falou, tentando segurar a esposa e ganhando uma cotovelada forte em retorno.
— Ainda sim! É loucura! É pedir pra dar confusão levar um Itachi debilitado desse jeito!
— Mas a gente precisa do Itachi, porque ele tem que ser nosso guia. Não da pra simplesmente não levá-lo, mesmo se ele optasse por não ir. — Shikamaru disse, dando de ombros — Fora que o Itachi sabe quem é quem lá dentro, quais são os pontos fortes e fracos de cada membro do QG. É totalmente impossível invadir sem ele.
— Itachi-bastardo vai. — Naruto declarou, pondo um ponto final na questão e ignorando o ruído de irritação de Tsunade e o rosto preocupado de Temari — Independente de qualquer coisa, ele quer ir, e a gente tem que respeitar a vontade dele.
Itachi olhou para o Uzumaki naquele momento, abrindo um sorriso de satisfação e gratidão por levar a sua opinião em conta. Devolveu Miya para a mãe, e ela choramingou baixinho, um pouco infeliz por perder o seu colo favorito. Mas agora Itachi estava no jogo, e não podia mais dar atenção à bebê.
Ele deu um passo à frente, aproximando-se de Naruto e Kakashi e observando os demais interessados.
— Certo. Eu, Naruto e Itachi vamos... — Kakashi falou, pegando o celular antigo nas mãos e colocando-o do lado de seu rosto — E eles...?
Todos ficaram pensativos por um tempo, nenhum desejando ser o primeiro a votar. Cada qual sabia o quão perigoso seria aquela investida, e que aquela decisão seria fundamental. Mas depois de cinco minutos, alguém tinha que se decidir.
— Liga. — Itachi falou, exercendo sua voz de voto. — Só nós três não podemos fazer nada, precisamos de mais gente. Liga para o Sai e aceite a proposta.
Assim que Itachi teve a coragem de dizer a sua opinião, os demais começaram a opinar. Por fim, a decisão de contratar o mercenário Sai ganhou por seis votos contra dois, decisão democrática e definitiva.
— Espero que vocês estejam fazendo a coisa certa. — Shikamaru respondeu, sendo ele um dos poucos que voltou contra a investida.
Na verdade, Shikamaru sabia que não tinham outra escolha. O tempo estava passando, Madara já descobrira que Itachi estava com os sentidos e que Kakashi estava desperto. Era uma questão de tempo para ele mesmo vir atrás dos dois no hospital, ou mandar um de seus capangas para finalizar o que Pain deixou incompleto. Ficarem naquele lugar estava colocando em risco não apenas eles, mas todos os demais presentes do hospital. Não podiam esperar mais!
Ainda sim, ele gostaria de conseguir métodos mais garantidos para uma ajuda. Pensou em requisitar uma equipe de apoio do Exército, ao menos um esquadrão de reconhecimento, porque sabia que o caso era grande e eles teriam interesse, mas não era possível requisitar isso sem provas; portanto, ajuda das forças armadas estava fora de questão, independente da patente que ele ou Temari possuíam.
Kakashi, que voltou a favor com certa relutância, também pensava como Shikamaru e preferiria ter pedido ajuda a polícia, mesmo que sua divisão policial não fosse muito grande. Ainda sim, tinha o mesmo problema que o militar: falta de provas, ou ao menos falta de provas apresentáveis.
Não era como se eles não tivessem provas, pois eles tinham uma: Itachi, a melhor prova que poderiam ter. Bastava uma examinada rápida para perceber que Itachi não era um humano comum, e que as informações de que havia um centro de pesquisa em seres humanos numa ilha da Indonésia talvez fosse uma informação quente. Mas como que Shikamaru e Kakashi entregariam Itachi como prova para o governo? Sem condições, se apegaram ao rapaz, e sabiam que muito certamente Itachi não veria a luz do dia se alguém do governo colocasse as mãos nele. Sua ficha de procurado seria utilizada como um bom álibi para sumir com o Uchiha para experimentos, e eles não eram burros o suficiente de acreditar em tudo que sua pátria, ou seus superiores, falavam.
O jeito era apelar para as milícias. Não era algo garantido, mas era algo, porque se os três fossem para lá sem apoio não conseguiriam nem entrar no QG, quem dirá sair de lá vivos, com Madara capturado e Sasuke a salvo. Não, não havia escolha, mesmo indo contra os princípios do militar e policial, eles tiveram que aceitar a única opção que tinham em mãos; a única chance de ter algum sucesso naquela investida.
Kakashi procurou o nome de Sai na agenda do telefone antigo, se perguntando se aquele modelo, ao menos, teria um viva-voz. Ficou satisfeito em constatar que sim, era recente o suficiente pra ter aquela opção. Clicou em "discar", acionou o viva-voz, e colocou o aparelho de volta à mesa, e aguardou.
Agora é rezar pra tudo dar certo... – Ele pensou, sabendo que muito provavelmente naquele mesmo horário do dia seguinte, já não estariam mais naquele hospital, local onde viveram aos trancos e barrancos nos últimos seis meses. A rotina de todos iria mudar, e ele esperava que fosse uma boa mudança. Um mudança sem tragédias, uma mudança definitiva.
Naruto, percebendo seu ar de preocupação enquanto aguardavam o toque de chamada, agarrou sua mão, entrelaçando seus dedos e oferecendo um sorriso de "tudo vai ficar bem, e eu ainda vou cumprir a promessa de transar com você até o nascer do sol quando a gente voltar". Kakashi sorriu em retorno, apertando mais fortemente a mão do namorado e logo direcionando um olhar rápido para Itachi, que os cumprimentou com um olhar sombrio de quem estava evidentemente preocupado com o futuro, mas determinado a dar seu sangue por ele.
Finalmente eles iriam buscar Sasuke e se tornariam uma família completa, por mais diferenciado que esse núcleo familiar fosse. E Itachi mal podia esperar por esse momento.
... Continua ...
(1) Johnny Walker: Eu não tinha posto nota nenhuma mas resolvi colocar essa daqui, pois alguns leitores acharam que Johnny Walker seria um personagem. Não não meus amores, Johnny Walker é uma marca de whisky, a mais conhecida de todas.
N/A: Sasuke está diferente, né? Por que será? =D Quero chutes! Chutem!
Respostas reviews "guest":
.
Shasha:
Oie!
Ok, vamos por partes! Demorei muito pra responder suas reviews porque você me deixou review deslogada, e eu só posso responder review assim quando atualizo no texto capítulo. Espero que não tenha ficado chateada com a demora! Me perdoe, demorei por motivos que eu já expliquei na nota inicial, e quando eu demoro demais pra responder eu sempre penso "ai... será que os donos dos comentários guests não vão ficar chateados com a minha demora pra respondê-los?". Tsk, um saco isso, no AO3 eu consigo responder guest sempre, não só nas atualizações. u.u fanfictionnet super chato!
Antes de mais nada, e recebi seu e-mail! :D Você recebeu a minha resposta? Eu cheguei a mandar duas, porque como seu e-mail é Hotmail imaginei que pudesse ter ido pra sua caixa de spam, já que o Hotmail é cheio de chatice com relação a isso. Se você não recebeu dá uma olhada lá, com certeza estará lá! Se não chegou me mande mais um e-mail e a gente tenta de novo. ^^
Eu fiquei muito feliz que você mandou as reviews, mesmo com toda preocupação inicial de se fazer entender. E pode ter certeza que eu entendi tudo certinho! S2
Muito obrigada pelos elogios! Eu fico muito satisfeita em saber que você me considera uma boa escritora e acha que eu consigo fazer os leitores se prenderem a ela. Existe algumas jogadinhas pra isso mesmo, coisas que vão além da trama, escrever as cenas certas nos momentos certos, guardar outras pra flashbacks futuros... Assim vai. Mas nem sempre a gente sabe se está empregando a técnica direitinho, então é reconfortante saber que você aprovou! :D
Roça do interior do RJ? Menina eu nasci no interior do MS, você não é da roça, pode ter certeza disso auhauhauhauhau! Mas que bom que passou a fase inicial da vergonha, e nunca deixe de comentar uma fanfic que gosta por causa de insegurança, pois você expõe suas ideias de maneira bem clara e com toda certeza todos os ficwriters que receberem reviews suas ficarão muito felizes! Eu estou bastante feliz!
Hm... você me fez varias perguntas de cunho pessoal na review, e eu vou responder conforme elas forem surgindo (estou respondendo suas duas reviews na ordem).
Sobre o "incesto na vida real", eu não sou contra. Eu sei que há sociedades onde o incesto é crime, outras onde o incesto não é crime mas é imoral (como a nossa), e outras onde ele é visto com indiferença ou como regra. Por esse preconceito com o incesto não ter uma razão de ser além da própria cultura social, eu procuro tentar me despir disso na hora de analisar isso. Eu não sou contra o incesto em nenhum nível, acho que as pessoas é que decidem o que querem para si, com quem desejam se relacionar. Eu sou contra o abuso sexual, portanto se um pai abusa uma filha, eu não vou condená-lo por incesto, e sim pelo abuso sexual. Compreende? Ainda sim, eu sou contra filhos em casamentos incestuosos, porque a chance da criança nascer com muitos problemas congênitos é grande, então acho melhor o casal pensar em adoção.
De qualquer forma, há um caso de incesto na minha família, bem próximo a mim, e eu não tenho nada contra. Talvez por ter esse casal como exemplo desde o meu nascimento, eu nunca vi o incesto como algo tão ruim. E acho que o fato de eu não ser cristã também contribui, porque eu também não vejo como um pecado... Eu vejo como algo que acontece e pode ter grande preconceito da sociedade, e que se você decide ir em frente com isso tem que estar pronto pras pedradas que vai levar ao longo do caminho. E só. ^^
Huhauhauhauhau como assim uma pessoa criada na década de noventa ter uma cabeça livre de preconceitos é algo surpreendente? Não entendi! Eu estou me sentindo velha agora... Você acha que a década de noventa foi muito opressora?
E que bom que gosta dos meus lemons! Adoro escrevê-los uahauhauhauhauhau! ;D
Ounnn! S2 Que bom que considera que eu mantenho as características originais dos personagens! Tento ser fiel a isso, na medida do possível é claro. Eu não sou o Kishimoto né hehehehe!
Obrigada por me alertar a data de aniversario do Itachi! Foi um ato falho mesmo, eu corrigi no capítulo anterior. ^^ Muito obrigada mesmo. Nossa você sabe o signo de todo mundo de cabeça! Eu só sei o do Madara auhauhuahuahuahua!
Estudar signos é legal. Eu também não acredito em horoscopo e tudo mais, mas acho interessante ler as características dos signos!
Ahhh eu sou de sagitário. ^^ Sei o signo do Madara porque o aniversário dele é perto do meu, e todo mundo acha que eu sou de capricórnio porque se esquece do sagitário euheuehuheu!
Obrigada pelos votos de feliz natal e feliz ano novo! Agora acho que está super atrasado pra eu desejar pra você também, mas mesmo assim: desejo muitas conquistas e realizações para você nesse ano! Ainda não está na metade, então dá tempo hehehehe!
Eu não posto capítulos por comentários mesmo, mas claro que eles me deixam bastante feliz e ajudam a eu escrever o capitulo mais feliz e tudo mais. É um pouco difícil produzir fanfic quando não se recebe comentários, e tem algumas épocas que eu não recebo nada, principalmente no fanfictionnet. Fazer o que...
Flor, entra em contato comigo pelo Nyah então! É mais fácil pra mim te responder por lá, se você tem o cadastro. Eu posso responder sua review antes da atualização, e a gente pode conversar por mensagem, já que por e-mail não tá dando.
Agora vamos ao segundo review! ;)
Ahhhh estava ansiosa com o primeiro dia de faculdade é? Como que foi? Gostou? xD
O Shikamaru não gosta do Sasuke porque o Shikamaru do mangá não gosta do Sasuke do mangá. Quando eles foram naquela missão atrás dos Sasuke, lá no clássico, o Shikamaru falou pro time que não gostava do Sasuke, mas que ele era um ninja de Konoha e que ele faria de tudo pra trazê-lo de volta. Eu transmutei essa característica da relação dos dois pra cá na fanfic, não tem um motivo em plot meu. É uma mera antipatia do Shikamaru com o Sasuke, algo que vem do mangá.
O que o Madara irá falar... ahh, só lendo pra descobrir!
Bom você já sabe o que aconteceu com o Kakashi e Naruto né! Acho que você leu a atualização antes de ler minha resposta as suas reviews.
Huahuahuaauhau olha eu não pensei nisso ainda, mas é um ótimo nome pro filho deles! ;D
"Quem feriu Itachi naquele banheiro, no primeiro encontro dele e do Sasuke?" Adoro leitores que não esquecem dos pontos importantes da fanfic. :3 Aguarde!
Acho que o Itachi consideraria a relação dele com o Madara péssima e mecânica desde o "castigo de três anos". Acho que o Itachi acabou perdendo um pouco da admiração que tinha pelo Madara, e o Madara perdeu a confiança, e ai os dois continuaram se relacionando, mas de uma maneira muito mais fria do que antes. Sabe aqueles namoros que já acabaram, só falta os próprios namorados perceberem isso? Pois é... Mas antes disso, o Itachi com toda certeza foi muito feliz ao lado do Madara, mas na verdade era porque ele deixava o Izuna dominar bem mais as suas emoções.
Bom, pois é, Itachi e Sasuke ainda tem muito o que conversar. E tudo isso vai acontecer, no seu devido tempo.
Será que eles vão voltar a viver na mansão? O Sasuke ainda não conseguiu vender né? Se bem que se apareceu algum interessado, deve ser meio difícil da imobiliária contatar o Sasuke lá no QG hehehehehe!
Mais herança... Será? Bom, tecnicamente eles são os herdeiros diretos do Madara, mas ele ainda está vivo.
Obito? Pode acontecer, mas se acontecer já tenha em mente que eu odeio esse personagem e ele vai morrer no final auhauhauahuhauhau!
Ai meu deus, espero que você não encontre muitos erros nessa releitura! Huhauahuhauhauhauhau!
Obito e Shisui!? Omg nunca pensei nesse casal auhauhauhauhau! ;D Meu coração ShiIta (é meu OTP) até doeu aqui hahahahaha! Mas estou gostando dos seus chutes! Vou anotar todos! Será que você acertou? ^^
Seria bom o Sasuke parar de ser um chato e aceitar o Itachi, e se soltar no sexo com ele. O Sasuke nunca se soltou totalmente com o Itachi, só se solta um pouco quando não consegue mais pensar porque está gostando demais da transa, mas não no começo. Gostei disso, tomara que aconteça!
Oh sim, penso como você! Eu não faço sexo casual também, eu inclusive sou celibatária. Mas a maioria das pessoas pensam diferente de nós, e eu não posso por minhas pretensões pessoais nos personagens. Sasuke nunca foi muito restrito a sexo, ele dormia com várias garotas antes de conhecer o Itachi, mas o que ele tinha com o Itachi ele não teve com mais ninguém. E agora, mesmo estando junto de Madara, será que ele vai se sentir da mesma forma?
Um beijão linda! Obrigada pelos votos de criatividade! Espero que você tenha gostado da faculdade e tenha ótimas aulas e muita sorte!
Muuuuuito obrigada pela review! Perdão pela demora! Me procure no nyah se tiver cadastro!
S2
.
Katarina:
Hum... Olha, eu juro que demorei um bom tempo pensando em como responder essa review e não cheguei a conclusão nenhuma. Eu não sei se você vai ler a resposta no capítulo seguinte, mas eu acho que não, porque eu acho que isso foi uma propaganda ou que você não entendeu que isso é uma fanfic. Mas eu respondo todas as reviews independente de serem flood, propaganda, anon-hate ou reviews reais. E se você só for alguém perdido que caiu de paraquedas aqui na minha fanfic e deixou sua mensagem na melhor das intenções, desejo mesmo que você tenha encontrado alguém que tenha te ajudado e consiga ter uma vida saudável e o mais dentro da normalidade possível. ^^
Enfim, eu acho que você não pegou o espírito da coisa. Não sei como encontrou um link pra essa fanfic, mas o que está escrito aqui é uma ficção. Não é um diário de desabafo sobre um portador de HIV ou de alguém desabafando sobre isso. As "pessoas" mencionadas na história não existem, são personagens, e eu, que sou a autora, não sou portadora.
Desculpe, mas a sua review realmente me deixou confusa. Eu até agora não entendi se foi uma propaganda ou um desabafo, porque eu não consigo imaginar como você encontraria esse site se fosse apenas uma propaganda, mas também não compreendo como não entendeu que era uma ficção.
De qualquer forma... uh... Obrigada pela review! E boa sorte! o/
