Intrincado - Alguns sentimentos são confusos demais.
Capítulo 35 – Herdeiros, por Lucius Malfoy
Meu filho era gay.
Apesar disso ele tinha se casado, um casamento arranjado, claro que era um casamento arranjado. Greengrass me devia favores e eu nunca fui qualquer um. Tinha sido Harry Potter em pessoa que havia defendido a mim e a minha família após a guerra, ninguém poderia ignorar esse fato.
Se eu soubesse que Potter iria se tornar meu genro anos depois, talvez...
O fato é que apesar de tudo, Draco se casou, criou uma família esteticamente feliz e me deu um neto perfeito, Scorpius Hyperion Malfoy.
Meu neto também era gay.
Talvez essa seja alguma maldição lançada por Lord Voldemort antes do fim da guerra em seus seguidores para que nosso puro sangue fosse exterminado do Mundo Bruxo.
Talvez fosse apenas um grande azar.
Eu não podia fazer nada. Eu já tinha obrigado Draco a se casar, eu já recebia olhares intimidadores de Narcisa pela infelicidade do nosso filho, eu tinha prometido não me impor a Scorpius, não que um Malfoy tenha palavra, mas Narcisa como uma Black pode ser mil vezes mais vingativa.
Se havia algum que eu temia era Narcisa Black Malfoy.
Eu sempre soube que Narcisa era a mulher ideal para mim, desde os tempos de Hogwarts. Apesar de meu pai achar que eu poderia escolher uma noiva melhor, na época havia o escândalo do primo de Narcisa, Sirius Black, ter sido expulso de casa, além da irmã mais velha ser uma amante de trouxas, mas Narcisa era perfeita, com seu andar calmo de quem sabe que nasceu para governar, seus olhos claros que demostravam todo o tédio que sentia dos demais mortais, seus cabelos loiros que caiam em cascata pelas costas até a cintura fina. O nariz arrebitado.
Eu conheci Narcisa no segundo ano de Hogwarts e me vi fascinado por aquela menina tão pequena e perfeita, nem preciso dizer que meu coração vibrou quando ela foi escolhida para a minha casa.
Perfeita!
Perfeita como uma boa sonserina, por isso era mais seguro me manter longe dos assuntos de Scorpius ou eu teria problemas, grandes problemas e eu não tinha mais idade para ter problemas. Eu já tinha passado um ano preso em Azkaban, já tinha sofrido dois julgamentos, já tinha tido minha varinha arrancada das minhas mãos, já tinha quase perdido minha família, tinha perdido o poder sobre a minha própria Mansão.
Eu não poderia me dar o luxo de perder mais alguma coisa.
Por isso eu só poderia ver a felicidade de Scorpius junto ao menino Potter. Claro, eu preferiria que Scorpius tivesse se envolvido com uma mulher e sonserina, no mínimo um homem sonserino, mas meu neto preferiu um Potter lufa-lufa, o que poderia ser pior que um Potter do que um lufa-lufa? Mas Albus me intrigava. Ele era bom, quase ingênuo como todo o lufa-lufa irritante, mas ele era leal, uma lealdade que eu via em Harry Potter, mas em Albus era mais densa. Ele não tinha astucia, mas era inteligente, o melhor naquilo que se propunha a fazer e ele era sincero, quase transparente e paciente, não havia coragem ali, eu sabia que se pudesse Albus se esconderia no seu quarto onde permaneceria seguro, mas ao invés disso ele permanecia ao lado de Scorpius em todos os momentos, não atrás, mas ao lado, não por coragem, mas uma lealdade cega. Eu tinha que admitir que o menino tinha fibra.
Não era o que eu tinha sonhado para Scorpius e não era assim que eu gostaria de ver o fim da pureza do meu sangue, o sangue dos meus ancestrais, mas se Salazar achava que esse era um castigo justo por eu ter me unido a um mestiço lunático, descendente ou não de um bruxo tão grande, eu aceitaria. Poderia ter sido pior, eu poderia ter perdido toda minha família na guerra.
Era por isso que eu estava agora naquele lugar que eu nunca pensei que colocaria meus pés. Haviam mais sangues-ruins ali do que atualmente no Ministério da Magia e o Ministério andava infestado desde o fim da guerra, era quase insuportável o mau cheiro, mas eu não podia mais me dar o luxo de falar abertamente essas coisas.
De qualquer maneira, eu estava ali, ou lado de Narcisa, meu neto e Albus, afinal o rapaz parecia não querer se atrelar oficialmente a Scorpius, o que para mim era um tanto irônico já que ambos moravam e trabalhavam juntos, legalmente e acredito que até magicamente eles já eram um só. Bem, estávamos ali, pois eu queria mostrar uma coisa para esses dois, eles já estavam juntos fazia muito tempo e daqui alguns anos eu faria oitenta e apesar de um bruxo viver muitos anos, eu não queria me dar ao luxo de esperar sentado.
Eu queria bisnetos.
Por isso eu estava ali naquele orfanato bruxo mostrando o pequeno garotinho que deveria ter dois anos, mas se enquadrava em todas as exigências.
- Ele serve! – eu disse pesaroso – Não é exatamente um puro sangue genuíno, mas os pais parecem ter vindo de gerações de bruxos que não se envolveram com trouxas.
- O que exatamente o senhor quer com isso? – perguntou Albus meio chocado olhando para o garoto que pelo que eu podia ver estava segurando as lagrimas. Quase sorri ao perceber isso, ele era bom o suficiente, não perfeito, mas aceitável.
- Eu quero um bisneto. – respondi como se fosse obvio.
- Vovô... – começou a falar Scorpius parecendo incerto – Eu pensei que o senhor queria um herdeiro com sangue Malfoy sabe...
Aquele garoto as vezes parecia absorver o caráter lufa-lufa do menino Potter, é a única explicação.
- É claro que eu queria um herdeiro com sangue Malfoy! – rosnei para os dois, o bom é que nenhum dos dois se encolheu, aquilo mexia com meu orgulho, mas era bom, pois mostrava que eles não se intimidavam facilmente – Mas não é como se Albus fosse poder gerar seu herdeiro ou que você fosse se deitar com alguma mulher.
Albus engasgou e Scorpius me olhou chocado.
- Então? – perguntou agora Albus apontando para o garoto que parecia a cada instante mais apavorado, talvez eu precisasse ensinar algumas lições ao menino ou talvez ele fosse novo demais.
- Então seu avô decidiu que deveria procurar por uma criança bruxa dentro do que ele considerava aceitável e encontrou o pequeno Abraxas. – respondeu Narcisa com sua voz calma e pausada de sempre.
- Abraxas? – praticamente gritou Albus. Eu acho que o rapaz estava começando a perder a calma, bem ele era um Potter.
- Meu nome é John... – murmurou o pequeno ser parecendo confuso, mas eu o ignorei, quem se importa com esses detalhes, uma homenagem ao meu pai seria perfeito para o meu bisneto.
Albus correu para o pequeno menino e o pegou no colo.
- Ele não é uma coisa para o senhor mostrar ele como mercadoria. – reclamou Albus, mas eu o ignorei observando meu neto passar a mão pelos cabelos num gesto que mostrava irritação e frustração – Olha ele tem olhos verdes Scorp! – comentou olhando agora para o meu neto – Eu disse que seu avô não se importaria com isso.
Albus estava sorrindo e Scorpius revirando os olhos. Eu nunca entendia completamente a interação desses dois.
- Eu deveria contar primeiro ao papai, mas como o senhor sempre faz algo por si próprio... – era impressão minha ou meu neto estava me dando uma bronca velada? – Eu e Albus já estávamos pensando nisso, era para ser segredo e bem, só íamos contar depois mas...
- Mas?
O que aqueles dois estavam tentando dizer? Eles não queriam o garoto? Ele não tinha pedrigree suficiente? Eu poderia procurar melhor, talvez um que se parecesse mais com Scorpius, eu tinha buscado um com os olhos de Albus, pois achei que isso encantaria a ambos.
- Nós fizemos... – meu neto ainda estava enrolando – Eu fiz... – ele respirou fundo – Eu fiz uma inseminação artificial alguns meses atrás e descobrimos essa semana que o feto vingou, é uma inseminação mágica, o ovulo foi formado pelo material genético do Albus e da Lily, poderíamos ter utilizado outra mulher, mas achei melhor ficar entre a família mesmo, vai saber que tipo de processo uma louca pode abrir ao ter seu material genético utilizado pela família Malfoy e Potter, não quis correr o risco e não é como se estivéssemos usando o ovulo da Lily, é apenas uma amostra de sangue, e a gestação está numa bolsa mágica...
Eu pisquei atordoado tentando entender o que meu neto dizia. Eles iriam ter um filho? Um herdeiro com sangue Malfoy e Potter? Um sangue puro, quase puro, mas mesmo assim.
- Você quer dizer que não precisamos do menino, vocês vão ter um menino?
Eu podia quase sorrir, se isso não fosse algo que eu realmente não fazia em público.
- Não sabemos ainda se é um menino. – respondeu Scorpius.
- Malfoy! – gritou Albus parecendo chocado e eu não sei com que Malfoy exatamente, mas Scorpius estava sorrindo indo até ele.
- Eu entendi antes Albus! Não precisa gritar comigo! – revirou os olhos meu neto pegando a criança no colo, o garotinho parecia atordoado e eu também, afinal se eles iam ter um filho não precisavam daquela criança, eu teria meu herdeiro de sangue – Vá lá ver a papelada, você sabe que eu não tenho paciência nesse tipo de situação.
- Senhor... – ouvi a mulher que acompanhava a criança começar a dizer, mas Albus já tinha saído para ver a papelada. Que papelada? Eu não estava entendendo, ou melhor, estava entendendo, mas ainda assim não compreendia porque eles queriam a criança.
- Você vá arrumar as coisas dele! – disse Scorpius e se virou para o menino em seu colo – Você tem algo que queira daqui?
O garotinho negou com a cabeça e escondeu o rostinho no pescoço do meu neto.
- Bem! De qualquer maneira arrume as coisas dele, ele pode mudar de ideia depois.
- Mas senhor existe um processo e...
A pobre mulher se calou diante do olhar digno de um Malfoy. Aquele menino me dava tanto orgulho as vezes, na maioria das vezes.
- Eu acho que você ainda não entendeu com quem está lidando.
A mulher deve a decência de segurar o gritinho e correr para dentro, acredito que parar arrumar as coisas do garoto.
- O que está acontecendo? – eu tive que perguntar, por mais obvio que fosse.
Scorpius apenas revirou os olhos ainda com o menino em seu colo.
- O senhor deveria conhecer Albus melhor se acha que ele deixaria uma criança para trás depois do senhor mostra-la como uma mercadoria, realmente vovô!
- Prontinho! – gritou Albus voltando – Talvez tenhamos que fazer algumas doações de poções e outras coisinhas, mas nada demais.
- Isso foi rápido! – respondeu Scorpius passando o pequeno para Albus.
- Eu estava com pressa ainda temos que ir à Vinícola antes de nos encontrarmos com os fornecedores. – Albus sorriu para a criança e completou: - Então como está o meu John Abraxas Potter Malfoy?
- John Abraxas? – perguntou Scorpius, mas ele estava sorrindo – Meu pai vai querer nosso fígado, quem vai cuidar dele?
- Seu pai vai querer o fígado do seu avô isso sim!
- Eu posso cuidar do garotinho! – me surpreendi por ver Narcisa sorrindo para a criança
Bem, eu não sabia exatamente o que tinha feito errado e não me importava, eu estava satisfeito. Teria não apenas um herdeiro, mas dois e um deles teria o sangue Malfoy.
Perfeito!
OoOoOoO
Nota da Autora:
Lucius e suas confusões! E assim Albus e Scorpius ganham dois filhinhos! Uma vez eu escrevi o quanto o Scorpius falava da pureza do sangue Malfoy, então parece lógico que até ele iria quer dar continuidade a isso com um filho de sangue, Albus aceitou filhos e ainda não aceitou casar, só mesmo ele... rsrsrsrsrsrrsrs...
Beijinhos...
