Após o episódio da piscina, muitas coisas mudaram. Apesar de fazer as pazes comigo, Renesmee nunca mais reclamou da presença de Bella. Pelo contrário, tudo o que a criança fazia tinha que mostrar ou "contar" para minha namorada, caso ela não estivesse presente. Era "Béia" para lá e "Béia" para cá o dia todo.

Foi Bella que chorou ao ser a única a ver Nessie dar os primeiros passos na cozinha em uma tarde. Enquanto ela preparava um bolo na pia, virou-se para ver se estava tudo bem com Renesmee, que deveria estar sentada no chão brincando. Porém, a pequena estava em pé, sem apoio, segurando seu ursinho de pelúcia pela orelha e "contava os passos" para chegar até o bloco colorido há cerca de um metro de distância. Não houve tempo para fotos pois logo a pequena desistiu e sentou-se, mas o telefonema choroso feito para mim, no meio de uma reunião de trabalho no Hospital, depois de me preocupar me deixou feliz.

E quando Nessie me chamou de "Môi" foi minha vez de sentir lisonjeado. Demorei uns minutos para entender que o "Môi" era eu e mais outros tantos para descobrir por que era eu.

Na semana seguinte à "Reunião da Pizza", Bella, Nessie e eu estávamos deitados na minha cama, de pijamas e esperando o sono nos atingir depois de um dia agitado.

- É para Darthmouth que você vai então? – perguntou Bella, quando falávamos sobre a escolha da Universidade para os próximos quatro anos.

- Eu não quero ficar longe de você, Bella – e eu tenho certeza que fiz um bico tal qual uma criança mimada.

- Amor, você sabe que isso não deve pesar nas nossas escolhas. Nós podemos esperar, mas as nossas carreiras não!

- Ah, Bella...

- Ah nada, amor.

- Môi – disse Renesmee, sozinha. Ambos a olhamos e retornamos nossa conversa em seguida.

- Nós podemos falar com os seus pais e ouvir a opinião deles.

Bufei. – Até parece que você não sabe que será a mesma que a sua.

- Môi – Nessie repetiu. Novamente lhe demos atenção e desta vez ela nos olhava também. E logo ela começou a falar um monte de coisas que ninguém entendia. Era quase uma Alice em miniatura. Mal respirou até terminar com mais um "Môi".

Divertido, olhei para Bella.

- Môi! – saiu quase como um grito.

Sorrindo, Bella falou com Nessie. – Eu sei que você quer nos contar tudo, pequena, mas a única parte que entendemos foi o "Môi".

Nessie olhou para mim e sorriu. – Môi.

De repente, Bella tapou a boca com as duas mãos e começou a rir. Eu não entendia nada. - O que você disse para a Bella que ela está rindo, hein? – já que Bella me ignorava (apenas ria) resolvi apelar para Renesmee. – Acho que voc~e tem que compartilhar a piada comigo também, gatinha.

Tomando um fôlego exagerado, Bella sentou-se na cama. Nessie sorria para ela. Eu esperava entender sua crise de riso.

- Nessie, como é o meu nome? – Bella apontou para si e controlou o riso.

- Béia! – gritou batendo palminhas e Bella a acompanhou nos aplausos.

- E como é o nome dele? – apontou para mim.

- Môi! – repetiu o tom de empolgação e as palmas e foi aí que entendi: minha namorada me chamava de "Amor" e "Môi" era a versão de Renesmee para a palavra.

Comecei a riri e fazer cosquinhas na pequena, que gargalhava. – Quer dizer que eu sou o seu amor, Renesmee?

Enquanto Bella assistia nossa interação com um grande sorriso de orelha a orelha, Nessie gritava, esperneava e pedia a ajuda de Bella em meio às risadas.

- Béia! Béia!

E desta forma, com tudo sob controle e em seu devido lugar, chegamos às vésperas do prazo final para inscrição na Universidade.

- Mãe, a Bella está me enlouquecendo! – desabafei com Esme ao telefone. Segundo expectativas dos meus pais, em menos de uma semana eles estariam de volta a Nova Iorque.

- Eu não acho justo que você a acuse desta maneira, Edward – repreendeu-me. – Nós conversamos há alguns dias e ela me pareceu bem preocupada com a Universidade. Talvez você tenha uma grande surpresa-

- Você sabe de alguma coisa que eu não sei? – definitivamente ela sabia, mas não estava disposta a me contar.

- Não sei de nada, filho. Mas se você quer um conselho de mãe... Lhe dê o benefício da dúvida. Bella merece.

Eu sempre confiei na minha mãe e não seria diferente naquela vez. Não pressionei Bella. Seuqre trouxe o tema às nossas conversas, atque ela quisesse falar, o que não demorou muito. Precisamente dois dias depois de meu desabafo com Esme, durante um cochilo de Nessie, após o almoço.

Ela me levou até o escritório de Carlisle e sentou-se na poltrona de couro, dando a entender que era para eu sentar ao seu lado.

Sem me encarar, Bella começou a falar. – Eu sei que os últimos dias foram difíceis, mas eu juro que não foi minha intensão torturar você com o silêncio sobre a Universidade. Você pode me ouvir agora?

Esperei que ela se virasse para mim, em vão. – Eu sempre quero ouvir tudo o que tenha a ver com você - sussurrei.

Bella tomou um fôlego. – Eu não apliquei para Darthmouth.

Fechei os olhos e deixei as lágrimas escorrerem. Eu já pressentia que os próximos quatro anos seriam de distância. Nos veríamos apenas em feriados ou férias. Isso se ela não conhecesse alguém mais maduro e se apaixonasse.

- Eu conversei com Carlisle – Bella continuou com as explicações. – Por isso evitei o assunto com você. Eu ainda não tinha nada para falar. Mas seu pai me telefonou mais cedo.

Em algum momento eu perdi o fio da meada, pois não estava entendendo o que meu pai tinha a ver com a estória toda. – Sugiro que vá direto ao ponto, Bella. Estas voltas que você está dando só estão me deixando mais confuso.

- Tudo bem – pela primeira vez durante a conversa, Bella se virou para mim. – Voc~e sabe que ser um Cullen significa que pessoas importantes fariam de tudo para agradá-lo, certo?

É claro que eu sabia. Provavelmente foi o aprendizado mais importante da minha infância: ser um Cullen. – Onde vamos chegar com isso?

- Carlisle falou com alguém, que cobrou o favor de alguém, que ficou feliz em satisfazer um Cullen. Bem, eu começo Darthmouth em janeiro, junto com você, Alice, Jasper, Rosalie e Emmett.

Não sei se ela queria falar mais alguma coisa, porque a interrompi com um abraço bem apertado e um beijo apaixonado.

Meus pais voltarm para Nova Iorque por algum tempo. O ideal era que Nessie ficasse mais tempo com a "Titia Méme" e desse espaço a Bella e a mim. As expectativas foram frustradas quando ela só queria dormir com a "Béia" e o "Môi". Era até engraçado, após tanta rejeição, que ela não desgrudasse de nós. Durante os dias, ela aceitava minha mãe com mais facilidade, mas as noites eram nossas.

Demos nosso jeito para namorar tranquilamente. Quando Renesmee estava com meus pais e estávamos em casa, certamente minha cama estaria ocupada. À noite, quando Nessie se deitava conosco, se nosso desejo fosse muito forte e incontrolável, cercávamos a pequena com nossos travesseiros e, de ponta de pés, corríamos para o quarto de Bella para matar a saudade.

Com a volta de Carlisle, segui frequentando o Hospital diariamente. A diferença era que meu pai voltou a responder pela Instituição. Ele contava com orgulho, para quem quisesse ouvir, que eu tinha me saído muito bem em sua ausência. Exemplificava com minha iniciativa no caso Harry Clearwater.

Por falar nele, após uma cirurgia de quase cinco horas, o marcapasso foi implantado com sucesso, mas o debilitado estado de saúde de Harry, somado a sua idade avançada foram fatores importantes que o levaram por dez dias à Unidade de Terapia Intensiva e, posteriromente, à falência múltipla dos órgãos.

Eu realmente fiquei chateado com o decurso da situação, mas meu pai me lembrou que nem sempre vencemos.

- Nesta vida, você vai ver pessoas sobreviverem, pessoas nascerem e pessoas sucumbirem. Com alguns você vai se envolver mais. Outros menos. Se você puder colocar sua cabeça à noite no travesseiro e dormir tranquilo com a certeza que fez tudo o que estava ao seu alcance, então terá valido à pena, não importa o desfecho – confortou-me enquanto víamos, através dos vidros da UTI, o corpo sem vida do senhor Clearwater ser desligado dos aparelhos de monitoramento.

Carlisle sugeriu o contrário, mas eu decidi por mim mesmo que deveria comparecer ao velório de Harry Clearwater.

- Me prometa que esta será a primeira e a última vez que você se envolverá com um paciente e sua família – foi a condição de Bella para devolver a chave do meu carro quando estava pronto para ir para o memorial.

Eu realmente sabia que não sobreviveria (psicologicamente falando) a um ano no Hospital se sofresse com cada paciente e seus parentes. Não seria nada saudável, muito menos profissional.

- Eu vou trabalhar nisso – prometi pegando as chaves de suas mãos e dando-lhe um beijo na bochecha.

Lhe dei as costas e caminhei através da sala. Fui surpreendido quando minha garota deu uma corrida e parou na minha frente. – Posso acompanhá-lo? – sua preocupação não era a de confortar uma família que havia perdido um ente querido. Bella não os conheceu e tudo o que sabia do caso foi porque eu mencionei vários dias depois da cirurgia. Ela estava preocupada comigo. Seus olhos me diziam isso.